Destino
18 Capítulo 18
Notas iniciais
– Finalmente em casa. — abri a porta sorrindo.
– E parece que ninguém está em casa. Ótimo! Posso aproveitar o silêncio. — olhei em volta.
Peguei minhas malas, as levando para o quarto.
Duas semanas fora o suficiente para Ino mudar a decoração. Pensei entediada. Olhei para o relógio, verificando as horas. Não tinha nada de interessante para se fazer, caminhei desanimada até o sofá, ligando a televisão com o controle remoto.
O engraçado dos programas da TV é que quando você está ocupada e não pode assistir nada, passa filmes legais, mas quando você quer assistir não tem uma coisa que preste.
Suspirei, entediada. Coloquei num canal qualquer de músicas e fui até a cozinha procurar algo comestível.
Acho que passar esse tempinho com a minha mãe me ajudou aprender a fazer algo mais que macarrão.
Sorri divertida, lembrando-me da face pasma da minha mãe por eu ter conseguido queimar o arroz.
Decidi fazer um simples chocolate quente, o que era estranho por que eu detestava chocolate quente.
Coloquei a panela em cima do fogão, o ligando. Em seguida joguei o leite líquido, colocando algumas colheres de chocolate. Mexi o chocolate o conectando ao leite. Mexia o chocolate ao ritmo da música, sorrindo por errar alguma palavra em inglês.
– Sakura?
Sorri olhando a cara confusa de Ino.
– Oi.
– Não acredito que você não me avisou que iria chegar hoje. — abraçou-me. — E o que está fazendo aí? — apontou para panela.
– Eu queria fazer uma surpresa, e isso é chocolate quente.
– Onde você estava? — perguntei desligando o fogão.
– Eu estava comprando um vestido novo para a festa de hoje a noite. — sorriu.
– Hum. — murmurei. Só agora vendo a sacola de compra perto da porta.
– Festa? — perguntei curiosa.
– Sim, um evento dos maiores empresários. Vai estar cheio de várias influências no mundo. — Seu olhos brilhavam imaginando o evento. Mas logo seu vislumbre acabou, dando lugar a uma expressão pensativa.
– Legal.
Virei em direção ao balcão, colocando chocolate quente em duas xícaras.
– Toma. — ofereci.
– Obrigada. — agradeceu.
Levei o líquido até a boca fazendo uma careta que fez Ino sorrir.
– Porque dessa cara? O chocolate está bom.
– Odeio chocolate quente. — joguei o líquido na pia.
– Então porque fez? — perguntou confusa.
– Fiquei com vontade, mas já passou. — disse simplesmente.
– Então, como foi sua viajem? — mudou de assunto.
– Foi muito legal, amo ir para casa da minha mãe. — sorri.
– Legal. — disse bebendo um pouco de seu chocolate quente. — Ei, já que você chegou hoje, vamos comigo na festa? — perguntou animada.
– Tudo bem. — aceitei.
– Sério? — perguntou alegre.
– Sim. — respondi.
– Ótimo! Temos que nos arrumar, daqui a pouco o Gaara está aqui. — disse puxando-me enquanto pegava suas sacolas.
– Calma Ino, não vou fugir.
Disse soltando-me de si.
– Vai tomar banho, eu escolho sua roupa. — disse me empurrando em direção ao meu banheiro.
– Ok. — Mas nada de roupas extravagantes! — disse fechando a porta.
Tomei um rápido banho, já que Ino ficava gritando a cada segundo que não poderíamos nos atrasar. Enrolei a toalha em meu corpo, saindo do banheiro.
Olhei encantada para o lindo vestido preto, que jazia em minha cama. Ele era tomara que caia, com uma linda abertura deixando minha perna direita a mostra e uma abertura não muito chamativa nas costas. O sapato era um lindo salto da mesma cor, com algumas pedrinhas brancas. Simplesmente uma linda combinação. Troquei de roupa rapidamente. Ino tinha feito um ótima escolha.
Passei uma maquiagem escura nos olhos, destacando meus olhos verdes, e nos lábios um simples batom rosa. Borrifei meu perfume de cerejas, que já era uma marca minha. E para terminar sequei meus cabelos, os deixando soltos. Contemplei meu reflexo no espelho, sorrindo. Eu não era muito de me elogiar e nem de me arrumar assim, mas eu realmente tinha gostado do que via.
– Você está linda Saky. — virei em direção de Ino.
Ela estava com um lindo vestido azul marinho longo, que também tinha uma abertura nas costas, em seus pés estava um lindo salto prata. Sua maquiagem marcava os olhos com uma sombra preta esfumaçada, e um batom rosa. E para completar uma linda bolsa prata.
– Você também Ino. — Sorri.
– Vamos arrasar nessa festa. — disse animada.
– Imagino. — Sorri divertida.
– Para completar seu visual só falta uma coisa. — estendeu-me uma bolsa creme, sem alças. — Agora sim está completa. — Sorriu.
– Obrigada Ino. — sorri.
Escutamos o barulho de campainha tocar. Nos avisando que Gaara tinha chegado.
– Sempre pontual. — Ino disse enquanto íamos abrir a porta.
– Olá meninas. — disse o ruivo.
– Oi Gaara. — Ino disse sorrindo, recebendo um beijo do ruivo.
– Oi Gaara. — Sorri.
– Vocês estão lindas.
– Obrigada, mas já sabemos disso. — Ino disse, sempre modesta.
– Você também está lindo, coisa chata. — disse fechando a porta, enquanto nos dirigíamos ao elevador.
Gaara vestia um terno azul marinho, sua camisa branca estava aberta uns três botões, dando visão para o seu peito, não usava gravata. Seus sapatos sociais pretos combinavam perfeitamente com o terno. Seus cabelos meio rebeldes davam um ar despreocupado.
– Obrigada, coisa rosa. — sorriu cínico. Recebendo minha revirada de olhos.
– Como foi sua viajem? — Gaara perguntou.
– Foi legal, amo ver a minha mãe. — disse olhando a estrada.
Estávamos em seu carro, indo para a festa. Ino pedia toda hora que Gaara fechasse o vidro do carro, pois seu cabelo estava ficando bagunçado e o mesmo só não fazia isso para irrita-la.
– Gaara!
Sorri, ouvindo a voz irritada de Ino, e a gargalhada divertida de Gaara. Esses dois não tinham jeito, eram perfeitos um para o outro, e pensar que fui eu que os juntei.
– Vai demorar muito? — Ino perguntou impaciente.
– Já estamos chegando. — Gaara respondeu entediado.
– O que ficaram fazendo enquanto eu estava fora? — perguntei.
– Nada, Gaara ficou praticamente as duas semanas enfurnado naquela empresa. — percebi uma leve ponta de irritação em sua voz.
– Você sabe que eu estava cheio de reuniões, eu não podia as cancelar. — disse sério.
– Mesmo assim, você trabalha demais. — disse emburrada.
Revirei os olhos percebendo o rumo que a conversa estava indo. Daqui a pouco estariam se beijando. Iria mudar de assunto, não curtia ser vela.
– Falta muito? — perguntei.
– Chegamos. — Gaara disse.
Olhei para o local onde ele tinha parado, estava cheio de fotógrafos e jornalistas.
O manobrista logo veio em nossa direção, abrindo a porta para mim, já que Gaara estava fazendo isso para Ino.
– Obrigada. — disse um pouco envergonhada.
Odiava esse meu lado tímido, era realmente irritante ser tímida.
– Vamos? — Gaara perguntou, segurando a mão de Ino.
– Sim. — respondemos.
Devo dizer que quase fiquei cega com tantos flash's. Se eu soubesse que seria assim, eu não viria. Odiava muita aglomeração. Gaara entrou com a gente, mas logo foi parado por um empresário.
Entrei no grande salão vendo a beleza do lugar. Tudo estava lindo, as mesas estavam ao redor enquanto uma pista de dança não muito grande, ficava no centro. Um palco ficava mais ao fundo, e uma música clássica enchia o ambiente, dando um ar leve.
– Aceita um champanhe? — um garçom ofereceu.
– Não, obrigada. — respondi.
– Quem é a bela dama? — Um sócio de Gaara perguntou, acho que seu nome era Ken.
– Sakura Haruno, minha melhor amiga. — respondeu sorrindo.
– É um prazer conhecê-la. — disse levando minha mão aos seus lábios, a beijando.
– Igualmente. — respondi envergonhada, e surpresa pelo seu ato.
Ken era loiro dos olhos verdes, um pouco mais alto que Gaara, não era muito forte. Estava com um terno cinza, sua camisa branca estava aberta, dando visão de seu peito. Seus cabelos eram lisos, e sua franja era jogava ao lado. Ele era muito bonito.
– Meninas tenho que falar com alguns sócios, querem vir comigo? — Gaara perguntou.
– Não. — respondemos juntas.
– Tudo bem. — respondeu sério, se afastando com Ken, que sorria.
– Acho que ele gostou de você. — Ino disse divertida.
– Hum. — murmurei desinteressada.
– Acho que você deveria ter ido com Gaara. — disse olhando o ruivo de longe.
– Por quê? — perguntou.
– Por que todas as acompanhantes estão com seu respectivo par. — disse indicando com a cabeça os sócios.
– Você não vai ligar de ficar sozinha? — perguntou receosa.
– Não, pode ir. — sorri.
– Tudo bem. — sorriu, indo em direção a Gaara.
Suspirei, olhando em volta. Todos pareciam terem vindo acompanhados, acho que Ino esqueceu de falar esse pequeno detalhe. Pensei irônica.
– Sakura. — ouvi ken me chamar.
Virei meu corpo, procurando Ken que tinha me chamado, e então eu o vi.
A camisa aberta mostrando seu peitoral, era um convite perigoso. O terno negro marcando seus músculos invejáveis o deixava charmoso. Seus cabelos da cor do ébano arrepiados, o deixava com um ar rebelde. Sua franja cobria seus olhos ônix, os deixando mais misteriosos do que nunca. Seu lábio avermelhado desenhava perfeitamente um sorriso que poderia me levar a perdição.
Seus passos eram de um predador, pronto para encurralar sua presa. E infelizmente, eu era sua presa. Sua presença imponente era intimidadora para até o maior dos corajosos. Seus olhos olhavam-me intensamente, não vacilando nenhuma vez. Deixando um claro aviso que eu nunca conseguiria fugir de si.
– Sakura.
Sua voz tinha um quê de sensualidade, deixando explícito em sua voz que ele era um predador.
Podia ver em seu olhar, que eu já estava rendida.
– Sasuke. — sussurrei, percebendo que tinha prendido o ar.
Mas seu olhar mudou, tinha ficado sombrio, e não era dirigido a mim.
Acompanhei seu olhar, percebendo que eu tinha esquecido totalmente de Ken, que estava ao meu lado.
– O que aconteceu Ken? — perguntei tentando ignorar o olhar penetrante que me vigiava.
– Ino pediu para que fosse seu acompanhante. — olhou-me.
– Ela já tem acompanhante. — sua voz ameaçadora, fez uma corrente elétrica passar pelo meu corpo. Senti sua presença próxima a minha, deixando-me fora de órbita por segundos.
– E quem é você para responder por ela? — ouvi a voz desafiadora de Ken, me deixando nervosa.
Ouvi uma risada roucamente sarcástica atrás de mim, enquanto sentia seus dedos pararem em minha cintura, apertando levemente.
– Sasuke. — murmurei num tom suplicante. Eu não poderia deixa-lo fazer besteira.
– Hum. — murmurou, aproximando seu rosto dos meus cabelos, sentindo seu cheiro. Apertando outra vez minha cintura. Afastando seu rosto dos meus cabelos, respondeu:
– Sou Sasuke Uchiha. — seu olhar ameaçador era dirigido a Ken, que recuou.
– Uc-chiha? — perguntou surpreso.
Eu podia ver o sorriso debochado que Sasuke dirigia a Ken.
– E você é quem? — Sasuke perguntou frio.
– Eu sou Ken Tenak. — Ken respondeu arrogante, fazendo-me franzir as sobrancelhas com o tamanho da sua coragem.
Senti outra vez seus dedos apertarem levemente minha cintura, um claro aviso que sua paciência estava se esgotando.
– Ken. — o chamei. — Você pode nos dar licença? — pedi.
Na verdade eu já estava irritada com o jeito que Ken estava se portando, eu mal o conhecia. Ele não podia dar um de arrogante para cima de Sasuke, até por que só eu podia tira-lo do sério.
– Mas Ino disse que... — o cortei.
– Eu sei o que Ino disse, mas ela não sabia que eu já estava acompanhada. — disse séria. — Você pode avisa-la que eu estou com Sasuke? — pedi.
– Sim. — respondeu derrotado, se afastando.
Suspirei aliviada, vendo Ken se afastar. Mas logo o alívio passou, dando lugar a irritação. Sasuke estava me devendo muitas explicações. Senti meu corpo ser girado rapidamente, me colocando frente a frente com o causador dos meus maiores problemas.
Levantei meu olhar encontrando uma imensidão negra, me fitando intensamente. Eu queria entender o que se passava na cabeça de Sasuke, mas toda vez que eu o olhava, só conseguia ver um grande mistério.
– Por que não me atendeu? — indaguei.
– Eu estava ocupado. — respondeu.
Percebi o tom de desinteresse em sua resposta, causando-me raiva. Afastei suas mãos de minha cintura, irritada, ele sempre fazia isso, sempre mudava de assunto ou mostrava desinteresse.
– Não me afaste. — rosnou irritado.
– Não minta para mim. — respondi irritada.
– Eu estava irritado, você disse que não queria mais falar comigo, eu fiz o que você queria. — disse colando seu corpo no meu.
Suas mãos seguravam firmemente minha cintura, enquanto sua cabeça estava enterrada na curvatura do meu pescoço. Aquela súbita reação de Sasuke me deixou surpresa. Um alarme em minha cabeça piscava com as seguintes palavras "se afaste". Meu coração batia acelerado com aquela súbita aproximação, Sasuke estava estranho.
– Eu sei o que eu disse, mas era importante. — Suspirei, sentindo sua respiração bater contra meu pescoço fazendo uma corrente elétrica passar pelo meu corpo.
– Por que fugiu? — perguntou.
– Eu não fugi, eu só precisava de um tempo para encarar tudo o que está acontecendo. — respondi colocando meus braços ao redor do seu pescoço.
– Sasuke. — olhou -me.
– Eu preciso da verdade...- senti minhas mãos soarem de nervosismo. -... Você matou o Sasori? — perguntei.
Seu olhar ficou sombrio de uma forma enigmática. Eu sabia que ele podia escutar meu coração acelerado, o nervosismo estava impregnado em meu corpo.
– Sim. — senti meu corpo estremecer com sua resposta. Tentei me afastar de si, mas meu corpo foi de encontro ao seu peito.
– E matarei qualquer um que tentar machuca-la. — minhas pernas fraquejaram diante de suas palavras, eu teria ido ao chão se não fosse por suas mãos que seguravam meu corpo.
– Isso é errado. — murmurei atordoada.
– Eu não posso ficar perto de você, você é um assassino. — senti seu olhar escurecer diante minhas palavras. — Por quê eu não estou com medo? — perguntei sobre seu olhar glacial.
– Porque você sabe que eu nunca faria nenhum mal contra você. — senti seu dedo acariciar minhas costas nuas.
– Eu preciso pensar. — disse o olhando. — Vou tomar um ar. — me afastei lentamente.
O ar parecia sufocante de repente, tudo parecia girar, minha mente projetava imagens de Sasori morto, por um Sasuke coberto de Sangue. Mesmo meu estômago embrulhando com tal imagem, não conseguia ter medo de Sasuke, isso era o mais assustador.
– Sakura. — ouvia meu nome ser chamado, mas minha mente não conseguia voltar para o salão. Andava sem rumo, procurando sair o mais rápido possível daquele lugar.
Achei uma porta dando acesso a uma mini varanda, sorri aliviada. Ouvia a linda melodia que vinha do salão, enquanto respirava fundo, me acalmando.
As palavras de Sasuke ficavam vagando em minha mente, mesmo eu suspeitando dele, era bem diferente ouvi-lo assumir um assassinato. Segurei na barra da grade da mini varanda, olhando todos os fotógrafos e Paparazzis em frente ao grande salão. De repente parecia ter sido uma grande má ideia ter vindo.
– Sakura?
– Oi Ken. — disse virando-me.
– Você está bem? Parece triste. — Perguntou preocupado.
– Impressão sua, eu estou ótima. — sorri.
– Todos irão dançar agora. Você me concede essa dança? — perguntou meio receoso.
– Sim. — Sorri.
Talvez uma dança me ajudasse a esquecer as coisas. Segurei sua mão, deixando-me ser conduzida até o salão.
Avistei Ino mais a frente se posicionando com Gaara, para o começo da dança. Ao lado pude ver Sasuke beber seu champanhe, me olhando diretamente, sem vacilar. Mas sua mão estava segurando a cintura de uma garota loira, devia ser sua nova diversão, pensei. Tudo para Sasuke era uma diversão. Virei para Ken, decidida a esquecer Sasuke por um momento.
Senti sua mão se encaixar com a minha, colocando a outra em minha cintura. Olhei em seus olhos azuis, que me fitavam tão diretamente.
Logo nossos ouvidos foram preenchidos com a melodia da música, nos fazendo dar os primeiros passos. Todos dançavam lindamente sincronizados.
Ken dançava muito bem, me conduzindo perfeitamente. Meu corpo foi girado, era a hora de trocar de parceiro.
Senti meu corpo se chocar lentamente por um dorso forte, os braços me seguraram perfeitamente, como se eu tivesse me chocado contra uma pluma.
Olhei para o meu novo parceiro,encontrando ônix intensos. Sasuke me conduzia muito bem, meu corpo o acompanhava em perfeita sincronia, como se fôssemos um só. Não conseguia desviar meus olhos do seus, estava mergulhada em mistérios e segredos.
Sasuke parecia me hipnotizar, com um simples olhar, e eu já não sabia mais como fugir.
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