Destino

1 Oneshot


Notas iniciais
No começo eu escrevi uns 2 parágrafos do ponto de vista do Mello, ai deixei a fic de lado por um tempo e quando voltei, por alguma razão que desconheço, quis mudar algumas partes e fazer com o ponto de vista do Near... Ok ne, o coração tem razões que a própria razão desconhece(?) Espero que não tenha ficado muito óbvio que não era pra ser o Near e que eu tenha conseguido disfarçar bem!

Ainda me lembro daquela época em que vivíamos distraídos, achando que nossos problemas eram impossíveis de solucionar, entrando em desespero por cada misero acontecimento... Creio que talvez continuemos sendo assim. Quando te conheci, meu principal problema era faze-lo se acalmar e não fazer escândalos desnecessários.

– Mello... Não suje meus dados com esse chocolate. – Disse tão indiferente que nem me dei ao trabalho de olha-lo nos olhos.

– Cale a boca, Near! – Gritou irritado, possivelmente se perguntando qual era o problema de suja-los com chocolate. Provavelmente o que mais lhe preocupava seria desperdiçar seu precioso doce com aqueles dados.

O barulho dos jogos de Matt no meio da noite, a pressão de Roger para demonstrar mais interesse, suas reclamações frequentes sobre a pressão que exerciam sobre você, os olhares de desprezo e admiração das outras crianças, a quase dificuldade de montar meus quebra-cabeças... Tudo isso era tão incomodo e desnecessário ao meu ver, que aos poucos se tornou quase insuportável. Agora, olho para trás e pergunto-me o porque, mesmo sabendo a resposta. Na época, essa era minha realidade. Mesmo estando agora no presente, não consigo julgar qual é minha realidade atual, acho que apenas quando já a superamos que podemos compreender melhor o mundo.

Lembro-me que uma de minhas frustrações de infância era por sua culpa. Sempre radiante, alegre e espontâneo... Qual o motivo de tamanha alegria? Nunca tentei me aproximar de você, pois sabia que nossas frustrações eram as mesmas. Sempre me desprezou, mesmo eu nunca entendendo o porque de tal fato, então simplesmente comecei a te ignorar, como você o fazia. Era melhor assim, não? Creio que por ser tão orgulhoso, não gostaria de receber gentileza vinda de alguém que tanto detesta.

– Não deveria mexer no que é dos outros sem permissão. – Repreendi com indiferença.

– Não importa! – Gritou novamente, chutando a torre que você mesmo havia empilhado, fazendo os dados caírem no chão. – Não quero mais brincar disso.

Quando deixou o orfanato após a morte de L, você também não deu explicações ou viu necessidade de se despedir apropriadamente. Discutiu com Roger e foi embora no mesmo dia. Ao refletir um pouco, creio que Roger foi o único que tentou te impedir de ir embora, afinal ele criou a todos nos como se fosse um verdadeiro pai, e além de partir, você estava deixando o único lugar que talvez tenha chamado de lar e simplesmente se foi, junto com Matt. Perder dois “filhos” de uma vez parece-me algo um pouco trágico.

– Mello. – Chamei, enquanto montava meu quebra-cabeça, virou-se e me encarou sem muita vontade, já abrindo o grande portão para ir embora daquele lugar... Nunca mais em sua vida pisaria lá, foi um adeus para aquele local que durante muitos anos, chamou de lar e ao mesmo tempo, de inferno. Enquanto você parecia refletir, sem remorso ou tristeza, pousei meus olhos sob os seus, pela primeira vez em anos. – Ira mesmo partir?

– Óbvio. – Riu com desgosto, não sei se realmente foi isso ou apenas impressão, mas de certa forma, me pareceu haver uma certa melancolia. – Se for para dividir a sucessão do L com você, prefiro criar minha própria organização e me livrar dessas ridículas burocracias.

– ...Entendo. – Desviei o olhar e fingi me distrair com as peças em branco, se realmente acreditava naquilo, então não tinha opção a não ser confiar em você e sua capacidade... – Que tenha sorte.

Ficou estático por alguns segundos, como se não tivesse esperado aquelas palavras. Logo, ficou irritado, como se amaldiçoasse cada uma das letras incontáveis vezes naqueles curtos segundos que teve antes de finalmente sair sem olhar para trás, como se trancasse seu passado junto a aquela porta.

– Não necessito de sorte. – Proferiu, enquanto a porta se fechava e o vi caminhando em direção de Matt que já o esperava lá fora.

Fiquei anos sem te ver e muito tempo sem ter noticia sobre se estava vivo ou não... Apenas quando começou a fazer seus movimentos é que descobri seu estado. Havia se juntado à máfia, muitos se surpreenderam, provavelmente, todavia vindo de você não me assusta. Se for para cumprir seus ideais, sei que você seria capaz de ir ate mesmo contra a ética e a lei... Tudo para apenas cumprir sua própria justiça e satisfazer seu orgulho.

Não me lembro direito como foi nossa conversa quando nos reencontramos depois de tantos anos, arrisco dizer que fiquei até nervoso, mesmo já esperando sua “visita”. Não me aventuro a contar como foi... Naquele dia, fiquei um pouco estático, então é possível que erre algumas palavras.

– Porque não lhe envia uma carta? – Perguntou Roger, um ano depois de você ter partido.

– Não tenho para onde enviar. – Respondi com simplicidade, sem olha-lo.

Mesmo dizendo isso, não senti sua falta. Podem me julgar insensível, mas não é como se nunca mais fosse te ver, a prova disso foi esse nosso reencontro para você pegar de volta aquela foto. Sempre soube que você voltaria para pega-la e apagar todas as coisas que te ligassem ao orfanato, além de me derrotar e derrotar Kira, você queria derrotar seu próprio passado que te assombrava... Mello, conseguiu ler a mensagem escrita no verso? Provavelmente não, creio que a queimou logo após sair da sala. Esse será o único caso que possivelmente nunca descobrirei...

– Realmente? – Pareceu-me um pouco perplexo ao descobrir isso. – Vocês nunca pareceram se dar bem, mas sempre achei que fossem amigos.

– Não éramos.

– Mas seria bom você escrever uma carta, Near... – Comentou sorrindo. – Mesmo que não a entregue, seria bom dizer tudo o que pensa, não faz bem sempre guardar para si.

Não respondi, mas admito que a ideia ecoou em minha mente... Não via muito sentido em escrever algo que nunca seria entregue... Não acredito em sorte nem em destino, são apenas coisas irracionais que humanos criaram, todavia pela primeira vez na vida, decidi entregar uma mensagem através disso que chamam de “sorte”. Se fosse para esse futuro acontecer, você simplesmente teria descoberto a mensagem, se não, nunca veria seu conteúdo... O “destino” que escolheu, creio.

Exatamente nove dias depois, quando finalmente resolvi o que deveria escrever, peguei um papel que tinha certeza que um dia você encontraria, e escrevi... Foram apenas duas frases escritas pesadamente sobre o papel, que logo foram apagadas, mas ainda seria possível ler caso quisesse.

“Dear Mello,

If you keep going by this way,

our destinations will continue interlaced."

"Querido Mello,

Se você continuar por esse caminho,

nossos destinos irão continuar entrelaçados."

Ainda não acredito nessas coisas, porem tenho de admitir que se o destino existe, ele é irônico. Nunca mais irei te encontrar, pois mesmo existindo vida após a morte ou não, seu destino foi outro por ter usado o caderno... Porem nossos caminhos nunca se separarão graças à contribuição que me deu para solucionar esse ultimo caso. Thank you for everything... Dear Mello… I hope that the "letter" had come to you, because I’ll never see you again… Good Bye. (Obrigado por tudo… Querido Mello… Eu espero que a "carta" tenha chegado até você, porque nunca mais te verei novamente… Adeus).

Notas finais
Eu adoro e detesto MxN... Simplesmente porque é muito triste! É como se fosse uma relação de amor/amizade mal resolvida onde o orgulho e a rivalidade, por consequência do ambiente em que viviam sempre impediu eles de terem uma boa relação, mas um sempre gostou e respeitou o outra, da própria forma... Mas só descobrem ou admitem isso no final, quando Mello morre... Mas se admitiram um para o outro, ou apenas para eles mesmos, ai já é outro caso... Simplesmente muito triste... Enfim, comentem e digam o que acharam para ajudar a melhorar para as próximas fanfics!! Quem sabe se comentarem eu não resolva escrever mais MxN e talvez até mesmo uma longfic... Se é que vocês vão me suportar, o que duvido um pouco.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!