Destino

14 Recuperação


Notas iniciais
"Foi há muito tempo, mas descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar." (O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini)

Onde estou? Está tão escuro!

Eu estou perdida, a escuridão me engolindo, sem sentidos, sem dor, sem emoção apenas o nada.

–Você precisa levantar doçura, vamos você consegue- vozes quebram a escuridão, uma ancora e como um naufrago moribundo eu me agarro nela com as ultimas forças que me restam.

–Olha que garota forte você é!-Eu estou afogando, permito-me sentir pelo menos uma vez, aquilo que estive fugindo a minha vida inteira, o que seria aquilo lembranças? Visões sonhos? Sinto uma dor no peito,como se alguém estivesse o abrindo,rasgando

–Lembre-se você sempre poderá cair, mais sempre aprenderá com os seus erros e se levantará mais forte, entendeu doçura? Não desista.-A voz que me acompanhou a minha vida toda,eu me sinto tocada,e como de uma certa forma ela estivesse falando comigo,para lutar, reagir.

Como se tivesse fé em mim.

–Nunca vou desistir mamãe, serei forte e bonita como a senhora-

Mamãe?

Mamãe!?

Minha cabeça explode, e como se tivesse um milhão de abelhas dentro da minha cabeça, o que esta acontecendo comigo? Não consigo mais pensar, não consigo fugir, sinto o meu sangue correr. Borrões passam na minha cabeça e como um filme, onde eu não consigo ver o rosto dos personagens, e passa a cena antes de terminar, apenas trechos, memórias!?

–Isso é um saco né?-A dor diminuiu, mas o zumbido continua lá,atormentando,me deixando louca.

–Você precisa focar, ou vai acabar ficando realmente louca- A voz. Concentro-me nela, é uma voz de criança, doce e harmoniosa, como um anjo. Foco, Ouço ,Sinto. Estou numa sala, não há nada nela, apenas a escuridão.

Olho mais fixamente e como se tivesse algo nos meus olhos que não me permitiam ver. Há algo no centro:

Um homem, um berço, um bebê.

–Você precisa se lembrar-Assusto, a garota está lá, o crucifixo no peito, o corpo de uma criança, a pele clara como se nunca tivesse visto a luz do sol, cabelos beijados pelo fogo, e olhos acinzentados cansados, como se carrega-se um fardo muito pesado sobre os ombros.

–Me lembrar de que?-Respondo. Ela olha pra cena atrás de mim, o rapaz está embalando uma criança, ela volta a olhar pra mim:

–Ela precisa de você. Você precisa se lembrar!

A dor volta, pior, muito pior, eu sinto como se estivesse me contorcendo incontrolavelmente, agonizante, uma dor excruciante. Como se tivesse queimando viva, eu queria gritar para que me matassem, mas a minha voz não saia, queria que as minhas mãos me rasgassem no meio, mas elas não se mexiam.

–Os batimentos estão subindo-

Vozes

–Ela está de volta-

Vozes

–Ela está abrindo os olhos-

Vozes

–Bem vindo ao mundo dos vivos mocinha-

E tudo ficou escuro novamente.

“Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real?” (Harry Potter e as Relíquias da Morte, J. K. Rowling)

Barulhos

–Selena, você consegue abrir os olhos?-

Ai que droga, sentia como se um caminhão tivesse passado por cima de mim milhares de vezes, meu corpo todo doía, minha cabeça pesava horrores. Abri os olhos, e arrependi, o ambiente era muito claro.Gruni.

–Oh!Vou fechar as janelas okay?-Eu conhecia essa voz. Tentei de novo, e deparei com um teto branco, Alice estava do meu lado, o olho inchado como se tivesse chorado a dias, o cabelo que sempre jazia impecável, agora e como se não tivesse sido penteado a dias, a blusa azul tinha uma mancha de café, o que tinha acontecido com ela? Alice é quase uma fada da moda ou coisa parecida.

–O que aconteceu?-perguntei a Alice, fracamente,a minha garganta doía, eu precisava de água, a minha boca tinha um gosto horrível, na verdade eu me sentia horrível

–Oh querida você foi atacada-Alice voltou aos prantos. Chorar não combinava com ela, Alice era a felicidade e animação em pessoa. Foi quando eu me toquei.

Eu estava em um hospital, pelos meus braços saiam vários fios que ligavam em uma maquina, havia um que era o soro eu acho. No meu lado tinha uma cabeceira com muitas flores e balões de melhore rápido.Eu devia estar no único hospital de Gatlin,ou seja a mãe da Taylor estaria aqui,ela é enfermeira daqui desdo que eu me entendo por gente.Eu vim aqui uma vez,eu estava na casa da Taylor,nós estávamos competindo pra ver conseguia chegar no galho mais alto,eu me lembro de estar rindo com a Taylor atras de mim,estava bem longe do chão,muito longe,quando eu ouvi um estralo,e quando eu vi estava no chão,só me lembro da da Taylor gritando e sua mãe saindo de casa correndo com aquele avental horrível de flores dela.No hospital eu era um milagre,eu não tinha quebrado nada,só tinha uma leve luxação no dedo,eu era um milagre.Desde então não gostava muito dali.

Merda-Eu estava muito machucada? O que tinha acontecido?Eu quero ir embora.O que aconteceu? A ultima coisa que me lembro e que tinha saído com a Taylor então...

–Aaaaaah-Não consegui segurar o grito que saiu da minha boca, minha cabeça queimava, minhas memórias eram como um arquivo restrito que eu não podia acessar. E então eu desmaiei.

–Você faz careta enquanto dorme-Era ele, eu sabia disso, poderia reconhece-lo de qualquer maneira, essa voz rouca, que deveria ter conquistado e levado garotas a lugares onde eu não me permitia nem sonhar.

Abri os olhos, ele estava lá, no escuro, e como se a escuridão o acolhesse como um filho, e ele fazia bom uso dela, usando uma camiseta branca justa, que não deixou muito pra imaginação, marcava todos os lugares certos,Jesus,aquilo era um tanquinho de oito? Acho que morri e fui para o céu.

–Se já terminou ruivinha, eu tenho algumas perguntas pra você-ele disse rindo. E que sorriso, merda ele tinha covinhas,merda ao quadrado ele me pegou olhando pra ele. Senti minhas bochechas esquentarem, ótimo agora eu estou parecendo um tomate.

Agora ele estava mais perto, senti meu corpo se esquentar, Deus o que está acontecendo comigo?

Ele colocou a mão na minha, e eu me senti flutuar, Lucas poderia me matar agora e eu nem ligaria. Ouvi uma risada, mas não importei, queria apenas desfrutar dessa sensação de desapego, de liberdade. Senti como se tivesse alguma coisa querendo entrar na minha cabeça ,eu sentia ela lá perturbando-me no meu momento de paz, eu não gostava dela, eu não queria ela dentro, será que ela não entendia que ninguém podia entrar.

–Não adianta-Vi me falando pra coisa pelo menos agora ela poderia me deixar em paz,me deixar aproveitar esse momento sem vozes, lembranças...

–Você precisa se lembrar-

E eu cai de novo

Mas antes de me entregar a escuridão eu ouvi a coisa

–O que você é?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.