Destino
35 Capítulo 35 - Ciúme
Notas iniciais
Como não estou tão tagarela hoje, vamos ao capítulo?
Vejo vocês nas notas finais!
Boa leitura...
Rukia havia acabado de se banhar e vestia um dos belos vestidos que haviam sido deixados em seu quarto. Escolhera o mais simples dentre todos, entretanto, ainda sim era um vestido digno de uma rica princesa. Mas a morena sentia-se desconfortável. Ela era uma pessoa simples e prática. Não estava acostumada com aquele tipo de roupa.
– Urahara-san, está pronta? – a rainha Masaki entrou pela porta do quarto. – Oh! Mas como você está linda! Parece uma princesa!
– O-obrigada, minha rainha – Rukia respondeu, curvando-se. – Em que posso servi-la, minha senhora?
– Vim buscá-la para o jantar. Está pronta?
– Oh, não precisava ter se incomodado, minha rainha! Eu já ia descer e...
– Essa franja... – disse a rainha, interrompendo a morena. – Vamos fazer algo com esta franja! – aproximou-se de uma das cômodas, remexendo em seu interior. – Ah! Eu sabia que estava aqui! – tirou uma delicada presilha de dentro da gaveta, e se aproximou de Rukia. – Vamos prender esta mecha assim. Viu? Muito melhor! – disse simpática, virando a morena em direção ao espelho.
– Está melhor mesmo – Rukia olhou para o espelho. Sentiu-se bonita. — Obrigada, minha rainha.
– Vamos descer? Devem estar nos esperando para o jantar.
– Sim.
A rainha tomou o braço de Rukia no seu e ambas desceram para o salão de jantar em silêncio.
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Ichigo tinha os olhos focados no prato vazio. A rainha havia providenciado para que o rapaz sentasse ao lado da princesa Inoue, que falava sobre como era deliciosa a comida de seu reino, citando as diversas misturas estranhas que costumavam fazer. Ela não parava de falar nem por um instante sequer, embora fosse óbvio que o ruivo não estava prestando a menor atenção. O rei os observava, divertido, sentado à cabeceira da mesa. Havia um lugar preparado para a rainha ao lado direito do rei, e Rukia deveria se sentar entre as irmãs de Ichigo.
Assim que a morena e a rainha entraram, o ruivo levantou prontamente a cabeça, os olhos castanhos fitando intensamente os violetas. Ichigo sorriu feliz ao constatar quão bela ela estava e Rukia sentiu que ruborizava diante do olhar do rapaz. Sentou-se entre as duas jovens, defronte ao ruivo e a rainha Masaki dirigiu-se ao próprio lugar.
– Quão sortudos Ichigo e eu podemos ser? Certamente estamos prestes a jantar com as mulheres mais belas deste reino! – disse o rei Isshin, galanteador.
A rainha tocou gentilmente a mão do marido, a princesa Inoue agradeceu vivamente o elogio, e Rukia apenas sorriu comedida, desviando o olhar para as mãos que repousavam sobre as pernas. O rei, percebendo o acanhamento da morena, não resistiu a provocá-la mais que às outras:
– E devo dizer, Rukia-san, que você brilha especialmente esta noite!
– Sem dúvida – Ichigo emendou, surpreendendo a todos e a si mesmo. Sentiu-se corar ao perceber os olhares espantados sobre ele.
– Obrigada... – Rukia quase sussurrou, sentindo-se extremamente embaraçada diante da situação, do olhar do ruivo e, agora, da atenção da princesa Inoue.
A princesa não gostou nem um pouco do comentário do ruivo, e menos ainda da atenção e dos olhares que o príncipe lançava em direção à Rukia.Resolveu que seria uma boa oportunidade para gentilmente mostrar à morena qual era o seu lugar. Com um sorriso doce, tomou um gole de seu refresco e comentou, como que casualmente:
– É verdade, Urahara-san, este vestido lhe ficou muito bem, e o seu cabelo ficou muito bonito assim. Se eu não a conhecesse, pensaria mesmo que é uma princesa! – pousou os olhos na morena e abriu ainda mais o sorriso. – É realmente incrível como roupas de bom gosto, e uma boa noção de estilo podem transformar totalmente a aparência de uma pessoa! Não se parece nem um pouco com a jovem de vestido rasgado e cabelo desalinhado que conheci!
Um silencio desconfortável se instalou depois do comentário da princesa. Rukia sentiu a respiração acelerar, sentindo vontade de dar uma bela resposta, mas controlou-se, baixando o olhar, envergonhada.
Isshin já se preparava para sair em defesa da morena e descontrair o ambiente, mas antes que qualquer palavra saísse de sua boa, Ichigo falou primeiro:
– O ponto de vista da princesa não está de todo incorreto – disse o ruivo, polidamente. – Entretanto roupas e joias só poderiam transformar uma aparência detestável em suportável – olhou para Rukia, com um sorriso. – Obviamente, é impossível que uma mulher sem beleza fique tão encantadora só por colocar um vestido simples e um enfeite no cabelo. Para que isso ocorra, tal mulher certamente já é dotada de uma extraordinária beleza natural. E, certamente, de uma personalidade única, afinal, apenas beleza não é o suficiente para tornar uma mulher especial.
– Eu não poderia dizer melhor, meu filho! – disse Isshin, preocupado com o rumo da conversa. – E estamos cercados pelas mulheres mais encantadoras e belas deste reino, sem dúvida. Mas deixemos as conversas para depois, e apreciemos esta deliciosa refeição.
O restante do jantar passou tranquilamente. Rukia tentava manter a atenção na comida e no rei, que mesmo após dizer que era para deixar a conversa para depois, não parava de falar e discorria animado sobre diversos assuntos. Mas estava cada vez mais difícil não devolver os olhares intensos que o príncipe constantemente lhe lançava, bem como ignorar os olhares raivosos da princesa. Sentiu-se aliviada quando o jantar acabou e quando o rei sugeriu que fossem para a sala de estar para um pouco de música e conversas, Rukia pediu permissão para se retirar, alegando que o dia fora extremamente cansativo, visto que fizera todo o percurso desde sua casa até o castelo cavalgando. O rei, percebendo o desconforto da pequena, permitiu que a mesma se retirasse:
– Mas amanhã se juntará a nós. Há anos que ouço Youruichi e Urahara gabarem como a filha canta, dança e recita belamente. Quero constatar isto com meus próprios olhos e ouvidos!
– É uma promessa, meu rei – a morena respondeu, em seguida reverenciando a todos –, com a licença de suas majestades – disse, em seguida se retirando.
Assim que Rukia se retirou, Ichigo levantou-se e começou a andar em direção às escadas, mas antes que as alcançasse, foi interceptado pela rainha:
– Aonde pensa que vai, Ichigo? – disse num sussurro, olhando preocupada em direção à princesa, que parecia bem aborrecida.
– Eu já ia me deitar também. O dia foi longo – Ichigo respondeu em voz alta.
– Não, não vai – a rainha disse baixinho, lançando um sorriso para a princesa. – Vamos, Ichigo, fique aqui e faça companhia à princesa Inoue.
– Eu não gostei dela mais do que gostei das outras princesas que o pai trouxe aqui. Posso, por favor, me retirar?
– Não, não pode – a rainha Masaki disse incisiva. – Você vai ficar aqui e como um bom anfitrião, vai entreter a princesa Inoue. Desde que chegou, Urahara-san tem sido o centro das atenções. A princesa veio de muito longe para te conhecer. O mínimo que deve a ela é um pouco de atenção.
– Eu não lhe devo nada, uma vez que não fui eu que a trouxe aqui.
– Silêncio, ela está vindo pra cá! – a rainha Masaki disse, em seguida sorrindo para a princesa.
– Kurosaki-kun já vai se recolher? Pensei que poderíamos conversar um pouco... – Inoue disse, com um sorriso.
– Não, ele só ia desejar boa noite às irmãs, que acabaram de se recolher – a rainha respondeu no lugar do ruivo. – Não é, querido?
Derrotado, Ichigo assentiu. Depois se dirigiu escadas acima para desejar boa noite para as irmãs. Talvez aproveitasse para passar no quarto de Rukia também. Precisava descobrir o que a princesa Inoue procurava num homem, para encontrar uma maneira de fazê-la se afastar. Sua estratégia nunca falhara antes, não seria agora que falharia.
No salão, Inoue se dirigia para as poltronas, acompanhada pela rainha.
– Eu disse que ele tentaria de tudo para tentar afastá-la. Não se deixe abater. Qualquer informação que ele lhe passar, pode vir conversar comigo. Serei sua parceira. Eu a ajudarei a conquistá-lo.
Inoue apenas sorriu em resposta. Mas havia outra preocupação em sua mente: Rukia.
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O tempo havia passado rapidamente, e já fazia quatro dias que Rukia e Ichigo haviam se reencontrado. O ruivo sentia-se frustrado, uma vez que não havia conseguido um momento a sós com a morena desde a conversa que haviam tido no jardim. Tentara encontrá-la a sós por diversas vezes, entretanto, todas as noites, sempre havia algo que o impedia de ir até o quarto que ela ocupava: na primeira noite, após colocar as irmãs na cama, fora interceptado por sua mãe no momento em que se dirigia ao quarto da morena. Nas demais noites fora atrapalhado ora por seu pai, ora pela princesa. E, por falar em princesa Inoue, durante o dia, a mesma não lhe dava um único momento de sossego. Seguia-o por toda a propriedade, sendo por vezes – quase sempre – inoportuna, incomodando-o profundamente. O ruivo tentara todas as táticas para desestimulá-la, fizera de tudo para desagradá-la, porém mostrando-se mais tolerante do que a princesa Neliel, Orihime não se irritava com absolutamente nada do que o ruivo dissesse ou fizesse. Parecia disposta a conquistá-lo, e parecia que após usar de todos os truques típicos para conquistar um homem, decidira que iria vencê-lo mesmo pelo cansaço. Resignado, Ichigo não pode fazer nada senão aturá-la – afinal, não podia de maneira alguma destratá-la, visto que não seria nada sensato criar atrito com um reino tão poderoso quanto o dos Inoue, além do fato de que não considerava correto ser rude com uma mulher que, apesar de extremamente inconveniente, não lhe fizera nenhum mal. Contornava todas as investidas, fazia-se desentendido de todas as insinuações e tentava ao máximo ignorá-la, enquanto procurava um meio de fazê-la desistir de conquistá-lo.
Nesta tarde, Ichigo conseguira, de alguma maneira, despistar a princesa e saíra aos jardins do castelo à procura de Rukia. Logo a encontrou, abaixada perto de alguns dos muitos arbustos frutíferos que se espalhavam pelo jardim. Parecia muito entretida. Sentindo-se feliz como há muito não se sentia, Ichigo começou a ir com passos rápidos em direção à morena. Entretanto, antes que conseguisse alcançá-la, ouviu uma inconfundível voz chamá-lo.
– Kurosaki-kuuuuuuuun!
Com um suspiro de desânimo, observou a morena levantar a cabeça, olhando em sua direção no exato momento em que a princesa Inoue, sem fôlego após uma pequena corrida, tomou-lhe possessivamente um dos braços.
– Kurosaki-kun! Finalmente te encontrei! Você sumiu depois do almoço! – Inoue disse com um pequeno sorriso.
– Eu resolvi sair do castelo para respirar um pouco de ar fresco, ter um pouco de tranqüilidade – o ruivo respondeu, secamente.
Se a princesa Inoue percebeu o desejo de Ichigo de ter um mínimo de privacidade, fingiu que não entendeu. Inflando as bochechas de um modo infantil que ele rapidamente aprendera a detestar, Inoue respondeu:
– Poderia ter me chamado, Kurosaki-kun! Sabe que adoro passear com você. Ah, olhe lá, a Urahara-san!
Ichigo suspirou. Ou ela era muito ingênua, ou muito sonsa. “Talvez um pouco de ambos”, pensou, enquanto andava em direção a Rukia, agora com a princesa a tiracolo.
– Yo! – cumprimento a morena, olhando-a nos olhos.
– Olá, Kurosaki-sama, Inoue-sama – Rukia respondeu formalmente, curvando-se para os dois e em seguida se abaixando e voltando novamente sua atenção aos arbustos, o que irritou profundamente o ruivo.
– Pode me chamar de Ichigo – disse o ruivo.
– Tudo bem, Ichigo-sama – respondeu a morena, acentuando bem o “sama”, irritando ainda mais o rapaz.
– Sem o “sama”, apenas Ichigo.
Permitir tal intimidade para uma plebéia era para Inoue algo inadmissível, ainda que fosse a pessoa que a salvara de um seqüestro. Quatro dias atrás, teria ficado extremamente irritada e magoada. Mas, após tudo o que o príncipe tentara para fazê-la desistir dele, Inoue chegara erroneamente à conclusão de que a atenção e intimidade com que o ruivo tratava Rukia tinha o intuito fazê-la desistir dele.
– O que faz aí, Urahara-san? – perguntou Inoue, curiosa.
– Ah, consegui! – disse a morena repentinamente, levantando e mostrando triunfante o que estivera tentando “caçar” até aquele momento: um pequeno coelho. – Não é lindo? – completou, os olhos brilhando de prazer ao contemplar o animalzinho.
– Kyaaaaaaaaaaaaaaaa! – a princesa afastou-se repentinamente, finalmente soltando o braço do ruivo, para alívio deste. – Urahara-san, este animal pode ser bravo e cheio de doenças! Leve-o embora, por favor!
– O que é isso, minha princesa! Ele é lindo! – a morena examinava meticulosamente o coelhinho. – Pobrezinho! Parece que conseguiu fugir de algum predador e veio se refugiar nos jardins do castelo! Será que Hanatarou-san poderia cuidar dele, Ichigo? – Rukia falou com naturalidade, esquecendo por um momento da situação em que se encontravam.
Ichigo ficou extremamente feliz ao vê-la tratá-lo sem nenhuma formalidade, pela primeira vez em dias.
– Claro que pode, Rukia – respondeu. – Meu pai arrumou uma espécie de consultório, onde Hana passa a maior parte do tempo. Vamos levar o coelho para lá – o ruivo virou-se para a princesa. – Princesa, já que tem medo do coelho, será melhor que não nos acompanhe...
– Eu... Eu vou com vocês até o castelo – Inoue respondeu, aproximando-se de Ichigo e tomando-lhe o braço possessivamente, o que deixou Rukia desconcertada. – depois vou para meu quarto, ficar um pouco com a Tatsuki-chan.
– Vamos então – a morena tomou a dianteira, passando pelos dois e andando a passos rápidos para o castelo, sendo seguida por ambos.
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– Ele no geral está bem, Urahara-san. Mas acho bom desinfetar estes machucados e colocar-lhe uma bandagem. Estará novo muito em breve – Hanatarou, que terminava de examinar o bichinho, foi para uma sala contigua ao “consultório”, onde o mesmo guardava os medicamentos.
Rukia já começava a segui-lo, quando sentiu o ruivo segurar-lhe o pulso, trazendo-a para os seus braços. Pousou delicadamente seus lábios nos dela, beijando-a rapidamente.
– Você parece aborrecida, meu amor.
– Não devia ter feito isso – disse, referindo-se ao beijo. Então, afastou-se dele, indo em direção à janela e cruzando os braços. – E se Hanatarou tivesse visto?
– Ele sabe sobre nós. Pode confiar nele – o ruivo respondeu, observando-a atentamente. – O que esta te incomodando, meu amor?
– O que você acha, Ichigo? Pensa que é fácil ficar vendo você e a princesa Inoue juntos todo o tempo, de braços dados, como um casal de namorados? Ainda mais sabendo por qual razão ela veio a este castelo?
– Meu amor, não há nada entre nós dois. O que eu posso fazer? Ela me segue aonde quer que eu vá e, não importa o quanto eu tente, não consigo aborrecê-la ou fazê-la desistir. Já tentei de tudo para desiludi-la, desagradá-la. Acredite, isto é tão irritante para mim quanto é para você.
– Será mesmo, Ichigo? Devo dizer que não parece sinceramente aborrecido – a morena disse calmamente. O ciúme não permitia que Rukia enxergasse o quanto Ichigo sempre ficava aborrecido com a companhia da princesa.
– Ah, Rukia, por favor. Qualquer um é capaz de ver o quanto ela me aborrece.
– Então o que ela ainda faz aqui?
– Já lhe disse, não encontro meios de fazê-la desistir de mim!
– Há um meio muito fácil. Já considerou dizer-lhe que já tem alguém a quem amar?
– Não é tão simples assim, Rukia. Eu poderia acabar ofendendo-a de alguma forma. E não quero magoar ninguém – Ichigo suspirou. – Seria tão mais fácil se ela simplesmente não me quisesse.
– Ichigo – a seriedade na voz dela chamou a atenção do ruivo. – Se você não deseja magoar ninguém, já falhou em sua missão – ele a olhou, sem entender. – Eu estou magoada – completou, indo em direção à porta.
– Meu amor, não é...
– Sabe o que eu acho? – Rukia o interrompeu, e Ichigo se odiou ao ver lágrimas brilhando nos olhos dela. – Eu acho que você não sabe o que quer, Kurosaki Ichigo. Você diz que me ama, e que sou a única. E ao mesmo tempo, sou obrigada a vê-lo andando por todo este castelo de braços dados com outra. Acho que seu coração ainda está em dúvida quanto ao que quer fazer. Talvez tenha mesmo percebido que é melhor ficar com alguém da mesma classe, e só não sabe me dizer isso! Pois bem, eu entendi o seu recado, meu príncipe! – a morena finalizou, ríspida.
– Você está sendo injusta, Rukia! – Ichigo sentiu-se ofendido com a desconfiança dela. – Se fosse você numa situação parecida, eu jamais duvidaria do seu amor, ainda que a visse andando por aí de mãos dadas com outro.
– Você devia se colocar no meu lugar, Ichigo. Não sabe o que estou passando – Rukia respirou pausadamente, buscando recuperar o autocontrole. – Hanatarou – gritou. – passo aqui para pegar o Chappy depois. Cuide bem dele, por favor!
A morena saiu intempestivamente do aposento, sendo de imediato seguida por Ichigo, que se recusava a dar a conversa por encerrada.
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– Ah, Tatsuki-chan! Eu começo a ter as minhas duvidas se serei capaz de conquistar o Kurosaki-kun! – a princesa desabafava desanimada, enquanto sua dama penteava-lhe os cabelos. – Já tentei atraí-lo de todas as maneiras, mas não adianta!
– Já tentou de tudo, hein? – Tatsuki disse pensativa, batendo o pente no queixo. – Sabe se ele já ama alguém, Inoue-sama? Se ele já ama alguém, seria melhor desistir. Não é correto atrapalhar duas pessoas que se amam. Esse tipo de coisa é maldade, e sempre se volta contra nós.
– Ele não ama ninguém, Tatsuki-chan – Inoue respondeu.
Não concordava com o ponto de vista de Tatsuki. Afinal, se ela amava o Kurosaki-kun, tinha todo o direito de tentar conquistá-lo!
– Bem, se está certa disso, posso sugerir-lhe algo? Adianto que é um pouco... Arriscado, e até mesmo atrevido.
– O que, Tatsuki-chan?
– Por que não lhe dá um beijo? Aposto que, se beijá-lo, pode conquistar seu coração.
–Tatsuki-chan! Que grande ideia! – Inoue levantou-se, rapidamente. – Vou atrás dele agora mesmo – saiu, sem dar ouvidos à sua dama, que a chamava freneticamente.
– Essa não! Eu não queria dizer agora! Era para esperar até o baile, criar um clima! Inoue-sama! – Tatsuki saiu correndo atrás da ruiva.
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A tarde já estava chegando ao seu fim, e Ichigo tentava a todo custo alcançar a morena, que deixara o castelo e seguia a passos rápidos para o jardim. “Apesar do tamanho das pernas, ela anda bem rápido”, o ruivo pensou.
– Rukia! – Ichigo chamou.
Finalmente a morena parou e virou-se, bem a tempo de ver Inoue, que alcançara o ruivo, puxá-lo pelo braço e colar seus lábios nos dele, de olhos fechados. Ichigo levou as mãos aos ombros da ruiva, tentando afastá-la, mas Inoue estava colocando bastante força em seu beijo. Incapaz de assistir aquela cena por mais um momento, Rukia deu-lhes as costas, andando para frente apressadamente, as lágrimas impedindo-a de ver para onde ia.
Finalmente, o ruivo conseguiu afastar a princesa de si. Precisou mesmo usar de um pouco de força para livrar-se dela. Inoue afastou-se num repente, e cambaleou. Mas tão enlevada estava do rápido beijo, nem percebeu a força que ele usara para afastar-se dela. O que ela sentiu com o beijo foi o suficiente para lhe garantir que o ruivo era o homem de sua vida e que certamente ficariam juntos no final.
– O que foi isso? – o ruivo disse, irritado, limpando os lábios com o dorso da mão.
Tatsuki, que chegara há poucos segundo e havia testemunhado boa parte da cena, sentiu-se triste pelo fiasco. O ruivo não parecia ter gostado nada do beijo, e já dava as costas para a princesa, parecendo procurar por alguém. Pareceu encontrar quem procurava, e começou a andar apressadamente para frente, praguejando em voz baixa.
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– Nós vamos ficar juntos, Tatsuki-chan! – sem se importar com o fato de Ichigo tê-la deixado sozinha logo após o beijo, a ruiva festejava com a amiga. – Eu senti em nosso beijo! Fomos feitos um para o outro! Eu sei! Conquistá-lo é uma questão de tempo!
– Venha, é melhor prepararmos o seu banho – Tatsuki pegou a princesa pelas mãos, guiando-a para o quarto.
Como boa amiga que era, a morena procurava uma maneira de explicar para a amiga que Ichigo não gostara do beijo. E que provavelmente havia poucas chances dela conquistar o amor do ruivo.
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– Rukia! – Ichigo chamava, vendo-a caminhar em direção aos portões do castelo.
A morena conseguira controlar-se, enxugando as lágrimas. Ao chegar perto do portão, parou. Não podia ir embora a pé. Por mais que ansiasse se afastar do castelo, tinha que voltar para pegar o seu cavalo. Ouviu o ruivo chamá-la e, fechando os olhos, desejou com todas as forças que houvesse alguma maneira de evitá-lo, pelo menos por agora. Sentiu que suas preces foram atendidas quando ouviu uma voz muito conhecida dizer:
– É aqui que vai ter uma festa para uma heroína?
Rukia abriu subitamente os olhos, uma onde de felicidade invadindo-a por um momento.
– Kaien!
– Senti sua falta, Rukia – disse o moreno, tomando-a nos braços e selando seus lábios num terno beijo.
– Rukia? – a morena enrijeceu de súbito, afastando-se de Kaien imediatamente ao ouvir a voz do ruivo chamar-lhe.
Percebendo a tensão que pairava no ar, Kaien passou um dos braços ao redor dos ombros da morena, olhando em direção ao ruivo, que o olhava com indisfarçável raiva. Kaien não entendeu o porquê do olhar que o ruivo lhe lançava.
– Majestade – disse o moreno, curvando-se perante Ichigo. – não sei se está lembrando, conhecemo-nos brevemente em sua visita ao esquadrão. Sou Shiba Kaien, amigo de Rukia.
“Amigo”, pensou o ruivo, “Amigos não beijam suas amigas desta maneira”.
Estranhando o silêncio e a animosidade do ruivo, Kaien olhou para Rukia com uma das sobrancelhas arqueadas. A morena, que olhava de um para outro, sem saber o que fazer e desejando mais do que tudo sumir dali. Vendo o olhar inquiridor de Kaien, sentiu-se na obrigação de esclarecer:
– Kaien, este é Ichigo.
Notas finais
A partir de agora, pretendo que todos os capítulos sejam do tamanho deste. E em breve a fic entrará em sua reta final.
Estou suuuuper afim de saber a opinião de vocês. Então, estarei aguardando ansiosamente seus reviews!! Façam esta autora mega-baka feliz e ajudem a Fe-chan a se manter inspirada, para fazer uma fic cada vez melhor: comentem, onegai!!! ^.^
Bjokas seus lindos, e até o próximo capítulo!
P.S.: Responderei os reviews até o final desta semana, prometo!
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