Destined for danger
1 Capítulo l
Notas iniciais
Devo começar do começo? A partir de que parte? Ok. Podemos ir diretamente para a parte que eu sou jogada de lado pela minha família e sequestrada por vampiros do mal – no qual um desses indivíduos é o amor da minha vida. Ou então podemos resumir o dia em que descobri que meu sangue era uma droga mais viciante que os dos demais, ou seja, eu atraia vampiros por onde passava. Até os mais controlados fariam de tudo para provar uma gota dele. E adivinha só! Quando eles começam não conseguem parar. Não estou me gabando, quem dera fosse uma coisa boa, eu desejava apenas ser normal e bem sucedida mas parece que isso vai ter que esperar mais um pouco ou simplesmente não vai acontecer. Triste.
Abri meus olhos e apreciei o silêncio que reinava. Mirna não estava em casa e meus pais já não frequentavam aqui mesmo. Era o momento perfeito.
Pulei da cama direto para o banheiro e fiz minha higiene matinal. Minha mochila estava pronta com tudo para minha sobrevivência durante algum tempo. Eu pegaria um buso até Salt Lake e de lá algum trem para qualquer lugar.
Eu não tinha destino, gostava da ideia de poder sair para onde o horizonte me levar.
Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e coloquei meu boné favorito. Me perfumei com verbena, e vesti uma jaqueta jeans. Estava pronta para partir.
— Aonde pensa que vai, loirinha?
Congelei ao ouvir certas palavras, mas relaxei ao reconhecer a voz. Boyd me observava atento escorado ao batente da porta.
— Eu vou embora. – coloquei minha mochila nas costas, e o ignorei indo em direção a saída.
Me doeu dizer, mas eu não podia continuar nesse lugar. Não quando tudo me lembrava ele, não quando metade da cidade tentava me matar, não quando eu não tinha mais a atenção da minha família. Estava sozinha.
— Ótimo! Irei com você. Lembre-se que ainda é um ser mortal, Meredith. – ele me cutucou, passando a minha frente. Eu não tinha tempo para distrai-lo então pensei da forma mais rápida.
— Boyd? – o chamei, e quando ele se virou enfiei uma estaca perto de seu coração. Não era o suficiente para matá-lo mas o deixava fraco.
— Não diga nada a Mirna e a nenhum deles, você não me viu e não sabe pra onde fui. Me desculpe, eu não quis te machucar mas não posso continuar aqui.
Boyd se contorceu no chão quando o soltei. Corri para a porta.
— E sua família? Vai deixá-los para trás quando mais precisam de você? – o vampiro gritou, ouvi a estaca sendo retirada de seu peito e respirei fundo.
— Eu não tenho mais família. – e bati a porta.
***
O remorso bateu trinta minutos depois de eu ter pego um ônibus para Salt Lake City.
Boyd era um cara legal, namorava a minha irmã e a ajudou quando passou pela transição. Sempre que podia se fazia de meu “guarda-costas” mas até para ele era insuportável ficar tanto tempo perto de mim, sem querer me matar, é claro. Nunca fez nada para me ferir, e nunca mentiu para mim e eu me pergunto o porquê de não ter lhe injetado verbena ao invés de uma estaca de madeira.
Sério? Você não pensa?
Isso não era mas importante.
Consegui encobrir meu cheiro usando a verbena mas eu sabia que isso não adiantaria por muito tempo. Sorte minha que havia pouco trânsito em Yellowstone – praticamente nenhum, e o buso andava o mais rápido possível.
Peguei meu Ipod para trocar de música e dei mole com um pequeno detalhe, meu celular vibrava ao fundo do bolso da mochila, era um sms:
“Me diga o que está aprontando, Mary. Não pense que se livrando da sua vida estará segura. Volte para casa, fique perto de Mirna ou simplesmente sossegue. Não me faça ir atrás de você”.
Eu não precisava terminar a mensagem para saber quem a enviou. Bom... em sms ou não, eu sempre fico sem saber o que responder. Mas desta vez, estou certa da minha resposta.
Ela vai ser o silêncio.
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