Destined
12 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
Tudo na vida é avaliado através de ponto-de-vista, então tudo é considerável, tudo é mutável. Yuu entendia isso, não por qualquer frivolidade, mas porque sabia que tudo o que conhecia, toda a visão que tinha do mundo, estava para ser mudada, e isso lhe deixava imerso em ansiedade, tanto que não conseguiu ficar trancafiado dentro da mansão naquela noite.
Passara o dia inquieto, nem mesmo a presença de Tom conseguia lhe desviar os pensamentos do que aconteceria naquela mesma noite. Depois de tudo resolvido e depois de Adele e Yutaka terem ido embora, não havia mais motivos para anteceder a transformação. Kouyou já conversara com Derec e este ficou feliz em poder ajudar, assim juntos chegaram ao consenso de que aquela seria a melhor noite.
Aquela não era uma data com significado especial para nenhum dos dois, mas Yuu, depois de ter tomado a decisão, não conseguia mais esperar. Andava aflito nos três dias que sucederam a conversa com Derec e quando acordara naquela manhã estava simplesmente inquieto. A ansiedade lhe corroía por dentro de um modo que nunca sentira antes. Não tinha dúvidas, confiava em Kouyou, mas isso não lhe impedia de pensar que talvez algo desse errado, de ter medo que Tom não quisesse mais sua presença depois que se tornasse um vampiro, e tantas outras dúvidas pequenas que lhe faziam andar inquieto pelos corredores.
Mas quando caíra a noite não conseguiu mais ficar confinado ali, deixou Kouyou sozinho com Tom sem nenhuma palavra e descera, saindo para o jardim. O vento dali, como sempre, era cortante, o que lhe obrigava a se encolher cada vez mais dentro do casaco, porém não se importava, já que aquele frio parecia lhe aquietar um pouco. Mais cedo havia andado por todo o jardim, admirando as rosas grandes e de vermelho tão vivo, sentindo o cheiro que era espalhado em todas as direções, escutando o farfalhar constante das folhagens, mas então se cansou e sentou-se em um banco qualquer.
Não sabia dizer o tempo que ficara ali, sentado e com os olhos presos no céu noturno, mas sabia que havia sido tempo o suficiente para que seu corpo ficasse dormente pelo frio. Inspirou fundo, sentindo suas narinas gélidas ferirem um pouco, mas não se importou, pois se despedia da sensação de precisar daquilo para sobreviver. Fechou os olhos levemente e se deixou sentir a noite que lhe envolvia, mergulhar nos sons agitados provocados pelo vento forte, retroceder dentro de si mesmo até achar um pouco de calmaria.
— Ah… — Suspirou audível, tornando a abrir os olhos e assim encontrou dois orbes de intensa cor âmbar lhe fitando.
Sorriu.
— Eu vim te buscar. — Kouyou falou contra o vento. Trazia as mãos abrigadas nos bolsos da calça negra que trajava tão bem em seu corpo esguio, seu torço coberto por uma blusa fina de linho branco em deboche ao vento cortante, e ele não podia estar mais lindo.
Yuu levantou-se e seguiu para perto do maior, seu sorriso suave parecendo atrair os olhos de Kouyou para seus lábios. — Eu demorei tanto assim?
— Você já está aqui há mais de uma hora. — O loiro informou com graça e lhe abraçou pelo ombro para que pudessem andar juntos. — Prepararam seu último jantar e estão te esperando com a mesa posta, acho que Kazuki e Kohara estão bastante animados.
— Eu imagino. — Yuu riu e passou um braço pela cintura de Kouyou. — E Tom?
Kouyou sorriu, deixando que sua mão acariciasse o ombro do menor. — Ele se distraiu brincando com Takanori, depois de meia hora já nem perguntava por você.
— E eu aqui preocupado… — Brincou, tentando esconder a ponta de decepção que passou na voz. — Takanori realmente conseguiu conquistá-lo.
— Não podia ser diferente, não é? — Kouyou fingiu não perceber o tom decepcionado.
— Claro.
Continuaram conversando até alcançarem a sala de jantar. Todos estavam ali conversando animados, e Yuu se obrigou a sorrir ao ver Tom falando muito entusiasmado sobre qualquer coisa com Takanori, este que junto de Kohara encarava a criança, admirado. Talvez este fosse um efeito que Tom causasse em qualquer um, porque Yuu mesmo já se pegara assim e sabia ser impossível não agir assim quando o garoto era tão inteligente.
Suspirou, de certa forma não se sentia mais decepcionado. Soltou-se de Kouyou e apanhou um acento ao lado do pequeno, lhe cutucando de leve a cintura para ganhar sua atenção. — Oi, Tom. — Cumprimentou baixo, vendo o menino soltar um gritinho empolgado antes que se virasse para si.
— Yuu! — Sorriu e pegou-o no colo, percebendo então os olhares de todos em si.
Ainda ficava tímido diante desse tipo de situação.
— Está mais calmo, Yuu? — Quem perguntou foi Kazuki, e, Yuu soube, todos eles já sabiam o porquê de ter se refugiado no jardim.
— Estou sim. — Sorriu gentilmente e voltou-se para Tom que havia colocado uma mão em seu rosto. — Brincou muito com Takanori? — Perguntou brando e o garoto balançou a cabeça, entusiasmado.
— Taka me deu doce. — Ele sussurrou como se fosse um segredo e Yuu lançou um olhar estreito ao pequeno loiro ao seu lado. — Mas não fica bravo, eu já jantei. — E estufou o peito parecendo contente consigo mesmo.
Yuu negou em um maneio e beijou o rosto do menino. — Tudo bem, então. Mas agora eu tenho que jantar, não é? — O pequeno assentiu antes que Yuu o deixasse descer, Takanori logo se apresando para seguir o pequeno se ele quisesse sair.
O jantar correu bem, entre conversas amenas e um pouco de vinho tinto. Havia uma aura diferente entre todos, pareciam mais calorosos que o normal, mesmo que fisicamente isso não fosse possível, ainda assim Yuu sabia se tratar do carinho deles. Eles estariam lhe recebendo oficialmente depois de algumas horas e talvez isso também os deixasse ansiosos.
Quando terminou de jantar, Kouyou lhe segurou a mão, oferecendo um sorriso gentil, e a expectativa que tomou todos que estavam à mesa pareceu palpável. Mordeu o lábio inferior e não receou em voltar seus olhos para Derec, que se sentava a ponta da mesa, percebendo os olhos muito claros dele já presos em si.
— Você está pronto? — O líder perguntou sem desviar o olhar.
Yuu desceu os olhos para sua mão unida a de Kouyou sobre a mesa e respirou fundo, sentindo aquela certeza mais forte que nunca em seu peito. — Estou. — Soou firme, voltando a olhar para Derec.
Um sorriso enviesado se desenhou nos lábios finos e pálidos do vampiro antes que ele se erguesse. — Certo, vamos para seu quarto então, e lá eu os instruirei em tudo que for necessário.
Não foi preciso dizer mais nada para que seguissem atrás do homem alto, de cabelos quase brancos, os outros lhes lançando olhares de incentivo antes que passassem pela porta. Foram até o quarto que dividiam e Derec fechou a porta atrás de si quando passou. Um suspiro abandonou os lábios pálidos, e ele olhou para o casal com certa graça em seus olhos espelhados.
— Bem, espero que não estejam assustados. — Começou cauteloso, vendo nos olhos dos dois que eles pareciam muito determinados. — De qualquer maneira, isso não é tão ruim quanto parece. Vai ser muito doloroso para Yuu no início, mas seus sentidos vão começar a ser entorpecidos e assim você vai passar a se sentir bem, até que queira mais. — Explicou olhando nos olhos do moreno que assentia a cada sentença, e soube que naquele momento nada abalaria a certeza que ele sentia. — Já no caso de Kouyou, creio que será bastante agradável, você só terá que ter cautela para não tornar mais doloroso para Yuu e de se controlar quando chegar o momento.
— Certo. — O loiro assentiu e segurou a mão de Yuu, lhe oferecendo um sorriso.
Derec observou a interação quieto e sorriu de viés. — Vocês ficarão mais confortáveis acomodados na cama, então… — Apontou para o leito e logo os dois seguiram para lá.
Yuu ajeitou os travesseiros para que pudesse escorar as costas nestes e assim fez ao se deitar, seus olhos correram até a imagem de Kouyou ansiosos e o maior não demorou a se acomodar sobre o seu corpo, sem se incomodar com a presença de Derec, pois sabia que o homem estava preparado para isso. O moreno sentiu aquele peso já conhecido sobre seu corpo e se controlou para não deixar que as pálpebras pesassem, aquele âmbar logo acima também lhe instigava a ficar atento.
— Agora — Derec prosseguiu, postando-se ao lado da cama. —, você seguirá seu instinto Kouyou, não há outra maneira. Mas lembre-se: você deve parar antes que o coração pare de bater. — Kouyou assumiu uma expressão séria ao som destas palavras, mas assentiu. — E Yuu, você provavelmente não vai ter muita consciência do que estiver acontecendo depois de algum tempo, mas fique tranquilo. Seu corpo vai reagir sozinho te levando a buscar o sangue de Kouyou e assim que bebê-lo a transformação irá começar. No mais, eu estarei logo ali nas poltronas, sintam-se à vontade.
E, ao som daquelas palavras, Yuu finalmente deixou que os olhos se fechassem, imaginando por um momento como seria a sensação de tudo aquilo, mas desistiu, não havia como saber. Teria que confiar em Kouyou, mas isso já não era uma novidade. Além do mais, sua vida já pertencia a ele desde a primeira vez que se encontraram, ainda que não soubesse.
Abriu os olhos, sentindo os dedos frios resvalando com uma adoração velada por toda a extensão de seu pescoço, afastando os fios de seu cabelo da pele. Os olhos de Kouyou lhe observavam, tão carinhosos e ansiosos que se sentiu tremer. Ergueu uma mão e acariciou o rosto de textura dura, sentindo sua forma sob seus dígitos, e aquele reconhecimento já tão íntimo da sua própria pele lhe fazia quase flutuar.
Mexeu-se para acomodar melhor o corpo, seus olhos presos aos de Kouyou em contemplação mútua. Traçou com os dedos um caminho incerto até a nuca do maior, ali os enredou por entre os fios macios, e, sem hesitar, trouxe o rosto de Kouyou para mais perto enquanto pendia a cabeça para o lado deixando seu pescoço exposto. Ofegou quando sentiu o ar gélido sair pelos lábios do loiro tocando sua pele e fechou mais o aperto que matinha nos fios trigueiros em reflexo.
Sabia o quanto Kouyou havia esperado por aquele momento; sabia o quanto, em tantas vezes, ele renunciou seu instinto natural para que lhe preservasse, esperando por sua vontade de forma tão altruísta e Yuu, sentindo agora o peso do corpo maior sobre o seu e vendo o quanto a perspectiva de tomar seu sangue fazia-o tremer, só podia se entregar sem dúvidas. Não tinha dúvidas mais em si, na verdade, pois desejava aquilo, talvez tenha passado a desejar tanto quanto o próprio Kouyou.
Assim, ansioso e entregue, sentiu um beijo ser dispensado em sua pele, longo e doce como não esperava. Seu corpo amoleceu contra o colchão e fechou os olhos quando os dentes resvalaram devagar sobre o lugar sensível, em seu peito um calor morno se espelhando à compreensão de que Kouyou estava lhe dando tempo para relaxar antes do que viria.
O contato foi estendido, fazendo sua respiração, assim como a pulsação, aumentar mais a cada segundo. Não estava somente relaxando, aquele toque lhe acendia o corpo também. Mas, quando de surpresa o golpe lhe atingiu, entendeu que aquele também era o objetivo de Kouyou. A mordida foi rápida e certeira, os caninos perfuraram a pele dolorosamente lhe fazendo abafar um grito, comprimindo os lábios, e puxar com força os fios loiros que ainda segurava. Derec avisara que doeria, mas nada podia lhe preparar para ter a pele rasgada tão profundamente.
Ainda assim os dentes logo foram retirados, pôde sentir seu sangue verter ardente pelo caminho que fora aberto, mas não chegou a escorrer pela pele, antes disso, uma língua úmida e fria o recolheu e lábios macios iniciaram uma sucção necessitada. Havia fome no modo como Kouyou lhe sugava, havia certo desespero na maneira como tragava de sua essência tão ardorosamente. Era uma necessidade que transparecia por cada poro do corpo frio.
Sentiu uma das mãos de Kouyou segurar seu rosto, com força, lhe fazendo inclinar mais o pescoço, ficando mais exposto. O som do loiro se alimentando lhe alcançava, ficando registrado profundamente em sua memória. Agarrou-se mais a ele, com o braço livre lhe abraçando o torço e lhe trazendo para perto. A dor era excruciante, mas, se o sentisse assim próximo até quase se fundir a si, era como se fosse amenizada e isso era bom.
Gemeu dolorido quando Kouyou empregou mais força, seu sorver se tornando sôfrego, enquanto seu corpo era prensado de modo sufocante contra o colchão. E, descobriu naquele momento, que aquele modo mais bruto não lhe incomodava, ao contrário. Pegou-se abrindo mais as pernas, dando espaço para que houvesse mais contato. A dor cedia aos poucos, convertendo-se em apreciação e então em êxtase e então em uma nuvem confusa, onde sensações, texturas e sons se misturavam.
Mas antes que perdesse total controle de seus sentidos, ainda pôde perceber que o corpo de Kouyou se tornava quente, como se roubasse seu calor a cada sorver de seu sangue, e sua ultima percepção consciente, foi de suas mãos liberando o aperto que mantinham no corpo de Kouyou, caindo inertes e sem forças em meio aos travesseiros.
Kouyou percebeu quando foi solto e Yuu deixou de gemer para só ronronar, parecendo perdido em sensações. Mas não havia qualquer condição em seu corpo de parar naquele momento, aquele líquido lhe enlevava, lhe transportava a um mar de sabor e cheiro profundo demais. Não podia soltá-lo, não podia parar de beber. Tudo ali lhe chamava, o cheiro principalmente. Era o cheiro de Yuu, o mesmo que lhe enlouquecia desde sempre, e o sabor era ainda melhor e mais delicioso do que poderia ter imaginado em toda a vida.
O corpo menor se movia languidamente, o peito liso deslizando contra o seu, mas não quis fazê-lo parar, a consciência de Derec estar a alguns passos da cama não lhe importava nem um pouco. Seus sentidos estavam entorpecidos demais para que se importasse. E aquele sabor parecia ficar mais forte a cada segundo, fazendo com que sorvesse com mais e mais desejo. Não tinha qualquer condição de se preocupar com outra coisa.
Um calor que não conhecia parecia crescer em seu interior. Era como se Yuu estivesse em cada célula de seu corpo, entranhado em si, por seus órgãos e artérias, inundando sua mente e sentidos. Sugou mais forte à constatação disso, não se importava com a dor que lhe acompanhou. As batidas do coração de Yuu agora pareciam mais altas, enquanto os movimentos de seu corpo tornavam-se mais lentos e espaçados, o sangue vindo em doses menores, e então a dúvida se deveria parar lhe alcançou.
Porém assim que sentiu uma mão gélida sobre seu ombro soube que deveria parar. Com esforço sobrenatural afastou seus lábios da ferida tentadora, o cheiro forte daquele sangue querendo lhe levar para perto outra vez, mas resistiu. Olhou para a marca no pescoço de Yuu, o vermelho de seu sangue era vivo, cru e escuro, tão tentador quanto podia ser. Desviou os olhos para Derec, que estava ao lado da cama, lhe indagando mudamente o que deveria fazer.
— Corte-se, para que ele possa tomar o seu sangue. — O outro loiro instruiu sério e Kouyou arqueou uma sobrancelha.
— E como eu faço isso?
— Usando força. — Derec deu de ombros e Kouyou franziu o cenho pensando por um minuto.
Mas não havia muito que pensar, encarou o próprio pulso por um segundo antes que o mordesse. Teve que usar força para conseguir perfurar a pele, mas assim que o sangue jorrou, levou de encontro aos lábios arfantes e entreabertos de Yuu. O moreno parecia estar quase inconsciente e talvez sua mente estivesse longe dali, mas, ao sentir o sabor do sangue contra seus lábios, agarrou o pulso de Kouyou com força e começou a sugar.
O loiro lambeu os próprios lábios ao encarar a cena, tendo que usar o máximo de sua força de vontade para se manter longe do pescoço de Yuu. Levou a mão livre para acariciar os fios negros e lisos, percebendo que Yuu estava frio, mas sabia que a partir de hoje essa seria sua temperatura constante. Assim como a sua, quando o efeito do sangue de Yuu se desfizesse em seu sistema.
— Acho que ele já bebeu o suficiente. — Derec soou sério e Kouyou assentiu, afastando com esforço o pulso dos lábios fartos do moreno. — Agora devemos esperar, leva algum tempo para a transformação estar completa. Mas veja… — Apontou para a pele de Yuu que começava a ficar anormalmente pálida. Como a sua. — Não vai demorar.
Assentiu àquilo e saiu de cima do moreno, acomodando-se ao lado dele para esperar. Queria ser o primeiro a vê-lo nessa nova fase e queria que fosse o primeiro que Yuu visse ao abrir seus novos olhos. Sorriu, agora estariam definitivamente juntos pela eternidade.
° ° °
É fácil saber quando algo muda, pois você percebe se mover dentro de si mesmo algo novo. Naquela situação não poderia ser diferente. Era evidente que havia algo novo se movendo em ondas por todo o seu corpo, era tão perceptível quanto nada nunca havia sido em toda a sua vida. Antes mesmo de abrir os olhos podia perceber as mudanças, ainda que não pudesse vê-las; podia sentir os cheiros como se nunca, em toda a sua vida, os houvesse sentido; e podia sentir as texturas como se elas fossem totalmente novas.
Então seus olhos se abriram – e por tudo o que fosse sagrado – não reconheceu o lugar. Era o mesmo quarto que vinha dormindo há mais de um mês, mas os detalhes, as cores, as formas, cada pequeno entalhe dos móveis ou as ondulações do dossel, brilhavam sob uma nova percepção. Era tudo tão notável, tudo tão claro que pensou que ficaria cego diante daquilo.
Ofegou e piscou, era inacreditável. — Estou sonhando? — Sussurrou, mas sua voz pareceu estranha aos seus ouvidos. Era tão mais melodiosa e fluída.
Sentiu um mover sobre o colchão extremamente macio, o lençol farfalhando audível e roçando levemente contra sua pele que se arrepiou. Um rosto estupendo de tão belo apareceu ante seus olhos e, por um segundo, não acreditou que fosse Kouyou. Ele parecia reluzir à luz baixa do quarto, seus traços eram mais evidentes agora, seus olhos pareciam âmbar líquido, sua pele parecia seda pura, e mesmo que tentasse achar explicações ou comparações, nada exprimiria o quanto o achou belo naquele momento.
— Você não está sonhando, Yuu. — Ele disse, e sua voz era como a mais doce harmonia.
Iria demorar muito para se acostumar com aquilo se esta fosse sua nova condição.
Ergueu uma mão para tocar a pele do maior, e a viu tão pálida quanto a do próprio Kouyou. — Posso me ver? — Perguntou lambendo seu lábio inferior.
Kouyou sorriu e Yuu pensou que se apaixonou por ele outra vez naquele momento. — Se não se apaixonar por si mesmo… — Comentou divertido e se afastou de Yuu. — Ah… Para que você não se assuste, tenho que te avisar que a cor de seus olhos mudou.
Yuu assentiu e se ergueu com uma graça e suavidade que não lhe eram naturais antes, caminhou estranhando o quanto aquilo parecia mais fácil, mas não se demorou em entrar no banheiro. Hesitou por um segundo e mordendo o lábio inferior se olhou no espelho. Achou um pouco inútil que Kouyou tivesse tentado que não se assustasse com a cor dos olhos, já que tinha muito mais que somente eles para se assustar. Aquela imagem não parecia consigo, estava embasbacado.
Seus fios negros pareciam mais lisos e sedosos que nunca, sua pele parecia alabastro de tão branca, sua feição era linda como nunca poderia ter sido, seus olhos brilhavam azuis, mas não era um azul que reconhecesse, era escuro e muito pigmentado, brilhante como safira. Ofegou, tudo em si parecia iluminado.
— Eu acho que poderia te admirar por toda a eternidade. — Kouyou soou com aquela voz cantada.
— Eu não pareço comigo. — Soltou a frase e não podia deixar de estranhar sua voz outra vez.
Kouyou sorriu gentil e caminhou até onde estava, virou seu corpo e lhe abraçou com calma, suas próprias mãos não puderam se impedir de tocar Kouyou, na verdade, precisava tocá-lo e senti-lo sob sua nova percepção. — Vai demorar até que você se acostume, mas esse é você agora. — E lentamente, como se gostasse daquela expectativa, Kouyou se aproximou e tomou seus lábios.
O sabor, a textura, o sentimento, era tudo tão forte que Yuu pensou que era impossível sentir tanto com um único beijo. Não conteve o gemido e se envergonhou por isso, afastando os lábios e encarando o rosto divertido do maior. — Isso é…
— Você ainda consegue ser encantador, isso é bom. — Kouyou observou com um sorriso ladino brincando em seus lábios e Yuu quis estapeá-lo.
— Maldito. — Soou raivoso, como não se lembrava de já ter feito na vida e arqueou uma sobrancelha surpreso.
Kouyou riu até apoiar a cabeça em seu ombro e Yuu acabou por acompanhá-lo. — Eu acho que as coisas serão divertidas por agora… — O loiro comentou, controlando o riso.
— Acho que sim. — Com isso puxou Kouyou pela nuca e tornou a beijá-lo.
Teria que se acostumar com aquilo, mas foi o que escolheu. Agora existia um novo mundo para descobrir através de seus novos olhos e ninguém melhor que Kouyou para apresentá-lo a isso. Suspirou entre o beijo, não parecia tão ruim quando sabia que o teria ali.
FIM…
Notas finais
Por uma questão de compromisso com vocês decidi postar esses capítulos e espero de verdade não ter decepcionado ninguém.
Agradeço a quem acompanhou a fic e comentou, vocês são incríveis.
Agradeço a Shiroki_D por pacientemente ter betado toda a fic.
Agradeço àqueles que me suportaram por todo esse tempo.
Agradeço a todos que se dedicaram a leitura dessa fic.
Então é isso, adeus e deixem review! =*
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