Destined
2 Capítulo um
Notas iniciais
E, ah, para que não fique confuso para ninguém, a parte em itálico é como um pequeno flash back.
Dito isso, peço que leiam carinhosamente. ♥
Capítulo Um
Em uma época onde ataques de criaturas das trevas eram comuns ao redor do mundo, um tratado foi feito. A Parte Branca do Japão, onde uma magia antiga era guardada, oferecia sua proteção a outras terras e disso nasceram várias alianças. White Tiger, a representação da Lei e do bem, sempre orientado a fazer o certo oferece os guerreiros da Ordem Branca para solucionar casos que envolvem essas forças malignas.
Mas no Japão também havia o Lado Negro, governado por Black Tiger, a representação do Caos. E por anos uma rixa era travada dentro do próprio país, batalhas e guerras que se arrastavam em busca de acabar com a divisão, mas nenhum dos lados se mostrava apto a vencer e isso pesava sobre a sociedade.
No entanto, de alguns anos para cá, tudo parecia quieto demais no país e a única preocupação do Lado Branco era com os atentados de criaturas das trevas que cresciam ao redor do mundo. Foi exatamente um destes atentados que levou aquele pequeno grupo até a Europa, em uma pequena vila esquecida pelo tempo.
Caminhavam por uma pequena estrada de terra entre as árvores, naquele horário o sol já se punha no horizonte e o vento se tornava ainda mais frio. Adele Clemoon ia à frente do grupo e Yuu gostava de observar sua silhueta, observar como o vestido vermelho que ela usava era agitado pelas fortes rajadas de vento, os longos cabelos loiros também já soltavam do penteado e vez ou outra o salto de suas botas afundava na terra solta. E, ainda assim, a mulher parecia mais firme em seu andar e postura do que qualquer um dos homens que a seguiam.
Já caminhavam há algum tempo e as palavras da mulher sobre as informações da carta ainda ressoavam em sua mente.
— Vampiros? — Perguntara um Akira curioso.
— Sim, vampiros. — Adele respondera com um sorriso. — Criaturas perigosas vocês devem saber, há muitos anos atormentaram nossas terras.
— Eu me lembro dessa história… — Yuu comentara baixo se aproximando da mulher.
Yutaka bufou e deu alguns passos para longe do grupo. — E quem não se lembra? Mortes em massa, um verdadeiro massacre.
— Sim, um verdadeiro massacre… surpreende-me agora que essa vila ainda tenha pessoas vivas. — Clemoon dizia certeira. — Mas devo dizer-lhes que nossas instruções, inclusive, levam em consideração o atentado ao nosso país.
Yutaka e Akira franziram o cenho quase ao mesmo tempo e se aproximaram mais como se para confirmar a veracidade daquelas palavras. — Como assim, Clemoon? — Uke perguntara.
— Vocês sabem bem de toda a história, não é? Os ataques já estavam tomando níveis absurdos e Black Tiger estava de olho no grupo que estava por trás disso, queria levá-los para seu lado, convencê-los a trabalhar para ele, mas antes disso o nosso lado conseguiu sequestrar um dos vampiros e o White Tiger da época lhes ofereceu um acordo…
— Sim, eu me lembro muito bem disso. — Akira dissera apressado. — White Tiger ofereceu lhes entregar o companheiro de volta se aceitassem sair do país.
— Exato. — Adele apontara com um sorriso ladino. — E eles aceitaram, então White Tiger conseguiu um refúgio para eles em uma mansão.
— Uma mansão em algum lugar afastado da Europa… Não me diga que…? — Yuu começara temeroso.
— Meu caro Yuu, você chegou exatamente onde eu queria. — Adele erguia o cenho com graça. — Essa mansão onde eles foram abrigados fica exatamente nas redondezas dessa vila e adivinhem quem o Ministro pensa estar por trás dos atentados…
— Crápulas! — Akira dissera irritado.
Yutaka por sua vez pareceu refletir sobre o assunto. — Mas eles não assinaram um tratado dizendo que não atormentariam o povo daqui?
— Sim, eles disseram que a espécie do sangue não importava e que se para terem seu companheiro de volta tivessem que abrir mão do sangue humano eles fariam. — Adele sorria, parecendo achar muita graça de tudo aquilo. — O que só deixa todo o caso muito pior.
— Então nós temos que ir tomar explicações deles? — Yuu perguntara em um tom baixo.
— Sim, mas antes disso temos que passar em um lugar. — Ela explicara ainda sorrindo.
Então tudo se desenrolara até que estivessem seguindo por essa estrada para um lugar que Yuu não sabia, mas confiava na mulher de sorrisos espertos.
Estava andando distraído, pensando em todo o caso, mas imediatamente ficou atento quando percebeu Adele parar logo à frente. Ela parecia observar algo e quando se aproximou seguiu seu olhar até avistar a mansão que se erguia ao longe, o ar sombrio e frio que parecia envolver o lugar conseguia ser sentindo até ali e fechando os olhos por um momento Yuu quase pôde sentir dentes se fechando em seu pescoço.
— É a mansão deles e é pra lá que vamos, mas depois. — Ela falou baixo ao seu lado.
Tornou a abrir os olhos e se voltou para a mulher. — Para onde estamos indo? — Perguntou no mesmo tom.
— Para a casa de pessoas que vão nos ajudar. — Foi tudo o que disse antes que voltasse a andar.
Yuu ainda observou Akira e Yutaka, que falavam sobre qualquer coisa que não entendeu, passarem por si antes que voltasse a andar. A constatação que aquele lugar era frio demais lhe abatia mais a cada minuto, suas vestes não eram capazes de segurar o vento cortante e as extremidades de seu corpo começavam a perder a sensibilidade. Mas ainda assim seguiu andando por um bom tempo.
° ° °
A luz prateada da lua já iluminava o caminho quando finalmente Adele parou. À frente, onde a trilha acabava, uma construção velha se erguia duvidosa, a madeira parecia muito antiga e gasta, mofada e úmida em algumas brechas, o pequeno portão que fechava a cerca caía seguro por um único prego enferrujado e precisou de um toque descuidado de Akira para que ele despencasse de vez.
Um grande cachorro negro, de aparência velha e cansada, estava preso por uma corrente a árvore mais próxima da casa. Deitado confortavelmente na relva fria, ele ergueu os olhos para os visitantes por um momento, mas parecendo muito cansado voltou a fechá-los. Yutaka, vendo que o animal não oferecia perigo, tomou a frente e seguiu pelo curto caminho que levava até a entrada da casa, os outros três o seguiram enquanto o homem batia levemente na madeira gasta da porta.
Não esperaram muito para que a porta fosse aberta e um jovem loiro, de grandes olhos castanhos surgisse pela fresta. Ele os olhou longamente antes que lambesse os lábios fartos e perguntasse: — Quem são vocês?
Adele afastou Yutaka e sorriu para o garoto. — Somos da Ordem Branca, viemos sob as ordens do Ministro.
— Claro que vieram, mas, no entanto, eu não vejo provas disso, não é? — E aquele sorriso fez com que ele lembrasse muito um esquilo.
Adele sorriu e ergueu a mão direita onde seu anel com o símbolo do White Tiger reluzia a pouca luz. O garoto pareceu aceitar isso como prova e terminou de abrir a porta. Seguiram para dentro e lá o ambiente não parecia menos velho ou gasto, mas logo a atenção de todos recaía sobre algumas armas desmontadas sobre uma mesa próxima a lareira.
— Eu ando trabalhando nessas armas, quero conseguir um jeito de aperfeiçoá-las no combate contra criaturas das trevas. — O garoto explicou quando percebeu os olhares. — Já projetei balas de prata e agora balas banhadas com água benta, mas Takashi não acredita que possa funcionar.
— E onde Takashi está? — Adele perguntou.
— Ele sumiu na biblioteca desde depois do almoço. — Comentou olhando para a entrada de um corredor. — Bem, fiquem à vontade, eu vou chamá-lo.
Yuu foi o primeiro a se sentar enquanto observava o garoto sumir nas sombras do corredor, Adele o seguiu e se acomodou em uma cadeira que estava mais ao canto da sala. Yutaka permaneceu escorado ao lado da janela e Akira seguiu curioso para a mesa das armas. Ficaram em silêncio durante o tempo que levou para o garoto buscar o tal Takashi e voltar acompanhado do mesmo.
Takashi era alto e magro, tinha o cabelo castanho e feições suaves. Ele os olhou, parecendo receoso e Adele logo se apressou em seguir para falar-lhe.
— Sou Adele Clemoon. — Apresentou-se com um sorriso contido. — Viemos em nome de White Tiger para resolver o problema com os vampiros.
— E provavelmente mandaram que vocês passassem aqui. — Takashi soou pensativo. — No que posso ajudá-los?
— Provavelmente armas e informações. — Quem informou foi Akira e Adele lhe fez um sinal para que ficasse quieto.
— Provavelmente. — Takashi concordou não parecendo se incomodar com a falta de tato do loiro. — Vocês têm um plano?
— Ainda não discutimos sobre isso. — Quem falou foi Yutaka. — Mas temos que ir até a mansão conversar com os vampiros.
— Bem, ajudaria se vocês já estivessem com tudo arquitetado. — Takashi suspirou. — Hiroto, busque um café para nossas visitas. — Pediu ao garoto que permanecia ao seu lado e este somente assentiu antes que sumisse pelo corredor outra vez. — Esses atentados começaram há pouco tempo, o que eu acho engraçado já que eles mantiveram o acordo durante tantos anos. Eu tenho estudado muito sobre os vampiros e tenho algumas teorias do que pode estar acontecendo, mas, sinceramente, não acho que isso vai lhes servir para mais do que ficar com a cabeça cheia. — Seguiu até uma poltrona que ficava perto da mesa de armas e se sentou. — O que vocês podem fazer por agora é ir até a mansão e conversar com eles, os riscos disso são muito altos, porque vocês podem simplesmente não voltar.
— E o que você aconselha? — Yuu se pronunciou a primeira vez e os olhos de Takashi repousaram sobre si.
— Aconselho que somente dois de vocês vá até lá, os outros dois que ficarem podem pedir por reforços caso estes não voltem. — Sorriu contido, como quem oferece um consolo. — Aconselho também que quem for não leve armas que fiquem visíveis e tente ser menos hostil possível. É muito importante que sejam sutis, porque o mais provável é que eles esperem por essa visita.
Adele suspirou e correu seus orbes azuis por cada rosto de seus companheiros de missão. Sabia que se alguém entre eles tivesse que ir seria ela, mas escolher outro para lhe acompanhar era um pouco complicado.
Akira não era alguém sutil ou que usava de meios poucos hostis, na verdade, muito pelo contrário. Yutaka já poderia se encaixar melhor, mas o conhecia, se não conhecesse não estariam ali, e sabia que se algo saísse dos planos, se alguém lhe dirigisse uma palavra que sua mente pudesse distorcer, se as coisas não fossem do modo como ele imaginara tudo podia ruir em questão de segundos. Agora Yuu ela não conhecia e talvez por isso escolher Yutaka fosse mais seguro, era um solo conhecido que ela já sabia como pisar, mas ao se voltar e encarar aqueles olhos negros viu uma calma que poderia ser bem vinda.
— Yuu… — Chamou suave e lhe deu um típico sorriso enviesado. — Você se considera sutil?
E Yuu a encarou seriamente, com seu cenho franzido e lábios comprimidos. Como esperava ao analisar todos os companheiros Adele se voltara para si, só não sabia se tinha vontade de preencher a vaga. Odiava totalmente missões em campo.
— Talvez. — Respondeu baixo desviando os olhos.
Yutaka soltou um riso soprado e fez uma breve negação. — Talvez? — Suspirou. — Você está com medo de cumprir a missão? Porque eu acho que é isso-
— Ah, cale a boca, Yutaka! — Adele elevou a voz olhando-o repreensiva. — Yuu, você vê? Eu não posso levar nenhum dos dois comigo, o que me resta é esperar de você uma personalidade mais branda.
O moreno suspirou e aquiesceu em um trejeito leve. — Não me importo em ir, desde que possa ficar calado.
Clemoon sorriu e se voltou para Takashi. — Vamos eu e Yuu.
— Ótimo. — Ele respondeu com um sorriso que morreu tão logo se formou. — Agora quero ressaltar que tudo o que sabemos sobre vampiros é teoria e não há realmente como provar que essa teoria é verdade antes de ser colocada em prática. O que os livros dizem se diverge muito, pouco é verdade e muito é lenda, é difícil definir uma linha que separe os dois, pois a cultura já é antiga e opiniões se mesclam aqui e ali. Seria ótimo se vocês pudessem estudar esses livros antes de irem, mas sei que não dispomos de tanto tempo assim. — Takashi se levantou e começou a andar pela sala. — Dentro de tudo o que li as informações mais frequentes são de que eles são seres noturnos, se alimentam de sangue, queimam a luz do sol-
— Espera, essas são informações que já sabemos. — Adele o interrompeu. — Nós sabemos do atentado que aconteceu no Japão no passado e estudos surgiram recorrentes disso.
Takashi sorriu sem graça e continuou andando. — Certo, mas eu queria chegar mesmo ao ponto que as armas que Hiroto projeta, todas foram baseadas nesses livros.
— Ou seja, não há garantias que funcione. — Yuu soou ganhando a atenção do homem.
— Exato. — Apontou triste. — Mas é tudo o que posso oferecer.
E Hiroto escolheu este momento para voltar da cozinha com uma bandeja contendo café e alguns pães. Colocou-a em uma ponta livre da mesa de armas e se voltou para um canto desmontando outra arma.
— Bem, sirvam-se. — Takashi ofereceu com um sorriso. — É melhor que comam e durmam essa noite e amanhã vocês vão até lá assim que o sol se pôr.
Concordando com isso, os quatro se voltaram para se servir.
° ° °
Antes mesmo que a porta se abrisse os passos já soavam pelo corredor e ele os ouviu ainda acordado sob a luz que vinha da janela. Akira e Yuu já dormiam acomodados no chão, mas ele não conseguira pregar os olhos pensando sobre tudo aquilo que acontecia e que iria acontecer. Mas não foi surpresa quando ela surgiu no vão entre a porta e a soleira e tão pouco foi surpresa que não havia surpresa nos olhos claros ao vê-lo sentado naquele canto encarando a noite lá fora.
Acenou-lhe para que entrasse, mas ela negou lançando um olhar de canto para os outros dois. Suspirou e se levantou seguindo em direção daqueles espelhos claros que brilhavam como safiras na penumbra do corredor. Adele era a mulher mais linda que já conhecera, desde que apareceu pedindo abrigo nas terras de White Tiger, sendo uma sombra do que é hoje, ela era linda. O seu jeito confiante tão oposto aos das mulheres com quem foi criado, suas cores tão fortes e ainda assim suaves diferentes da falta de cor que sempre encontrou nos olhos e cabelos escuros de sua terra.
Era apaixonado pela imagem de Adele, porque ela era azul, era dourado e era vermelho. Era apaixonado pela personalidade de Adele, porque era firme, era inflexível e não cedia. Era apaixonado pelas formas de Adele, porque eram suaves e acolhedoras. E era apaixonado pela voz de Adele, porque era decidida e de entonação clara, ainda que feminina.
E a mulher sabia que era totalmente perdido por ela, que a queria tanto, que queria ser preenchido por suas cores, por sua força e por sua decisão. Ela sabia de tudo isso e não tinha medo de lhe puxar pelos ombros e lhe acomodar entre beijos suaves e palavras sinceras. E isso só lhe fazia desejá-la e se apaixonar mais.
E um dia diria que a amava, nesse dia a pediria em casamento em frente o todo o comitê da Ordem e ela iria querer acertar um tiro em suas calças para que deixasse de ser tão idiota, ela lhe amaldiçoaria e lhe olharia com aquele cenho franzido, enquanto seus colegas de trabalho estariam rindo ao fundo, mas por fim, quando ela se cansasse de tudo aquilo, daria de ombros e diria que não podia fazer nada sem ser aceitar já que não queria envergonhá-lo em frente os amigos e então Yutaka seria o homem mais feliz do mundo.
Mas tinha que tomar coragem primeiro.
— Com o pensamento longe, Yutaka? — Ela perguntou acariciando delicadamente o contorno de seu rosto.
Sorriu e apertou-lhe a cintura entre os braços. — Nada demais. — Beijou-lhe brevemente os lábios finos e a olhou nos olhos. — Não pensei que a sede ficasse em um lugar tão afastado da vila.
— Nem eu, mas também não pensei que só teriam dois homens aqui. — Ela suspirou e entrelaçou os dedos nos fios lisos de Yutaka. — Estou com sono, mas queria seu corpo por perto para poder dormir.
— É um convite, Clemoon? — Desceu os lábios para o pescoço de pele tão branca e macia.
— Uma constatação. — E inclinou o pescoço para o lado dando-lhe liberdade para seguir com os beijos.
E Yutaka era tão apaixonado por aquele corpo quente e macio que nunca se negaria a oportunidade de tê-lo entre os braços.
° ° °
E desde que amanhecera, com suas tonalidades tão claras, aquele dia prometia ser longo. Arrastando-se lentamente pelas horas que pareciam simplesmente durar dias, a manhã se tornou tarde e ainda demorou em que essa chegasse ao fim. Adele e Yuu, mais do que todos os outros, estavam ansiosos e inquietos. Mas durante a tarde Yuu preferiu se distrair com os livros da abarrotada biblioteca de Takashi.
Ao cair da noite estavam prontos para partir. Armados com armas brancas que podiam esconder entre as vestes pesadas, saíram contra o vento frio que cortava a noite. Hiroto iria com eles até um pouco antes da mansão e depois voltaria. Assim os três seguiam calados, primeiro por toda a pequena trilha que ligava a casa da sede até a estrada e depois por toda a estrada de terra que os levaria ao seu destino final.
Hiroto ia um pouco à frente parecendo muito atento a qualquer ruído da noite. Adele, ao lado de Yuu, somente olhava para o céu admirando a bela lua cheia que iluminava parcamente o caminho, tentando desviar a mente daquilo que ficara pensando todo o dia. Já Yuu estava preocupado com tudo e não tinha realmente vontade de chegar ao lugar. Tudo aquilo lhe parecia assustador demais e a idéia de estar tão frágil frente a seres que poderiam lhe matar em questão de segundos lhe fazia temer mais e mais. Não queria morrer, mas parecia que estavam se encaminhando para os braços da morte bem agora.
Suspirou atraindo a atenção de Adele que lhe ofereceu um sorriso fraco.
— Com medo? — Ela perguntou.
Negou em um trejeito leve, se negando a assumir o que trazia no coração e assim continuaram a longa caminhada.
Foi, no que lhe pareceu horas depois, que chegaram ao ponto onde Hiroto voltaria. Despediram-se com acenos frios e, sentindo todo o corpo rejeitar a idéia, Yuu se encaminhou junto a Adele pelo que restava do caminho. Estavam perto agora e a estrada ficava mais sinuosa conforme a imagem da mansão se erguia diante seus olhos.
Olhou para a mulher e ela parecia muito mais firme do que nunca sonharia em estar e se perguntou, por um momento, se ela não temia a morte. Mas sua pergunta ficou esquecida na memória, junto com qualquer outro pensamento desconexo, quando finalmente estavam em frente às grades altas do portão de ferro daquele lugar horrível.
A imagem era bela, ainda que tão gelada quanto aquele vento que soprava contínuo em seus ouvidos. Havia um jardim repleto de roseiras que ladeava todo o caminho que levava a porta da mansão. Essa que se erguia imponente e sombria, com madeira, tinta e verniz. Portas que pareciam pesadas escondendo a luz fraca que escapava pelas brechas, muitas janelas, algumas cobertas por cortinas e outras mostrando a luz amarelada que vinha de dentro. A fachada era clara e o telhado escuro.
Adele ergueu a mão para tocar um sino que vinha preso ao portão, mas antes mesmo que isso acontecesse as duplas portas de madeira se abriram em um estrondo e um homem de silhueta alta rompeu pelo caminho entre as roseiras. Logo após surgiram outros e Yuu pôde escutar alguém gritar um “não” que se perdeu contra o vento gélido da noite.
O homem seguia pelo caminho e parecia farejar algo no ar, Yuu voltou seus olhos para ele e foi como se houvesse sido preso por uma imensidão âmbar. Era como se embriagar com whisky e até mesmo a cor era igual. Seu ar se tornou rarefeito e por um momento sentiu medo e vontade de fugir e fraqueza e uma profusão tão grande de sentimentos divergentes que pensou ser capaz de explodir.
Então o homem estava próximo o suficiente para que pudesse ver suas feições e ele parecia brilhar sob a luz prateada da lua. A pele era branca, a mais branca que jamais vira, e não tinha qualquer imperfeição. Suas feições eram belas, tão belas que lhe tomaram um arfar inconsciente. Os lábios pequenos e cheios eram pálidos e seu rosto anguloso, o maxilar forte que contrastava com seus traços suaves e seu olhar era o mais intenso que já pôde presenciar em toda a vida. Os fios loiros resvalavam a face lívida a emoldurando e todo o homem parecia acometido de um desejo forte demais.
O portão se abriu quando ele já estava próximo e Yuu pode ver outros que vinham atrás, mas aquele homem, ou vampiro, não parecia se importar. Ele na verdade parecia ter uma ânsia que lhe trazia dor e lhe queimava, impulsionando-o a seguir em frente. E, Yuu notou, os olhos âmbar estavam presos em si e isso lhe assustou ao ponto que deu um passo para trás, fazendo com que a expressão sofrida do loiro se tornasse mais intensa.
Ele se aproximou e Yuu quis fugir ao vislumbrar os dentes pontiagudos que se mostravam entre os lábios fendidos. Mas no segundo seguinte ele estava ali, com o corpo junto ao seu, inalando do seu cheiro como se tivesse necessidade disso. Tremeu e recuou vacilante, mas as mãos incrivelmente frias lhe prenderam e o rosto pálido baixou sumindo em seu pescoço.
Ofegou e tremeu de frio contra o corpo maior escutando alguém gritar muito próximo:
— Kouyou, não!
Notas finais
Espero que tenham gostado, essa fic é muito querida por mim, vai ser uma boa despedida - ao menos aqui do nyah nee ;.;
Agradeço muito a Shiroki_D; Kouzuki ShiniZ; Anghel e Shiroyama May por terem deixado seus lindos reviews no prólogo. Eu realmente fiquei muito feliz com eles ♥
Mas, bem, se você chegou aqui o que acha de deixar um review? XD
Nota: Capítulo betado por Shiroki_D.
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