Destined
4 Capítulo três
Notas iniciais
Capítulo Três
O dia seguinte amanhecera nublado, o céu coberto por grandes nuvens cinzentas que ameaçavam se derramar em tempestade a qualquer minuto. Akira fora o primeiro a acordar e do sofá da sala assistia as oscilações que o vento forte, tão incrustado naquele lugar, causava no percurso agitado das nuvens. Achava fascinante como o céu se tornava ao se preparar para as chuvas e era este um dos poucos momentos onde sabia parar e só admirar algo, sem se mover ou ficar agitado demais.
Mas seu coração estava agitado naquela manhã, estava preocupado quanto a escolha de Yutaka depois da conversa que o escutara tendo com Adele na noite anterior. Não achava uma opção sensata se alojarem sob o teto daqueles sugadores de sangue, aquilo lhe cheirava a armadilha. Porque podiam simplesmente continuar onde estavam e quando, se, eles fossem matar os tais vampiros parasitas os seguiriam para registrar o momento. Não precisavam ficar sob o mesmo teto e lhe revoltava que nenhum dos outros enxergasse isso.
De certa forma concordava com Adele, era inteligente não acreditar e não desacreditar de um todo, mas aquilo já lhe parecia fiabilidade demais. Talvez sua voz não ganhasse perante os outros e se isso acontecesse teria que ir somente para garantir que eles permaneceriam seguros. Prometeria a si mesmo colocar fogo na mansão ao primeiro sinal de qualquer coisa errada e assim honraria seu posto de destaque na Ordem Branca.
Continuou divagando pelo que lhe pareceu horas. Ouviu som de pessoas acordando e Hiroto passou pela sala, lhe deixando um bom-dia, antes que saísse para provavelmente pegar lenha. Teve um vislumbre da silhueta de Takashi no corredor antes que sumisse para dentro da biblioteca, mas permaneceu ali, encarando o céu lá fora.
Não foi muito tempo depois que viu Yuu surgir do corredor. Ele tinha os fios negros bagunçados mostrando que acabara de acordar, o rosto ainda um pouco marcado, mas as roupas pareciam ter sido colocadas há pouco. O observou seguir distraído acariciando o pescoço e sentar-se na poltrona com as pernas dobradas contra o peito, só então ele pareceu lhe notar ali e isso lhe fez pensar que aquele homem era distraído demais para alguém que estava em missão.
— Bom dia. — Ele cumprimentou baixo, tirando a mão do pescoço.
— Bom dia. — Respondeu e se ergueu caminhando até ele.
Não lhe explicou suas ações, simplesmente lhe segurou pelo cabelo e puxou a cabeça para o lado observando o lugar onde ele segurava antes. Mas não havia nada, a pele permanecia intacta perante a luz que vinha da janela.
— O… o que você está fazendo? — Ele perguntou temeroso, levando as mãos ao próprio cabelo tentando se soltar.
Suspirou e largou os fios lisos de uma vez. — Estava conferindo se você realmente não foi mordido. — E se afastou, voltando para o sofá. — Porque eu te queimaria se isso tivesse acontecido.
Viu os olhos negros se arregalarem o máximo que sua fisionomia oriental permitia e o moreno se erguer temeroso da poltrona, seguindo para o corredor e sumindo nas sombras. Suspirou e voltou a se acomodar no sofá, parecia que aquele dia realmente iria ser longo.
° ° °
Gemeu baixo ao se jogar naquele canto no quarto, decidido a permanecer ali todo o dia para não ter que topar com Akira em sua frente. Ele era louco, talvez fosse a explicação mais certa diante as suas ações. Temeu aquele olhar, porque ele dizia que o loiro realmente não pensaria duas vezes antes de lhe queimar e esse seria seu destino se o loiro da noite passada tivesse cumprido seu intento.
Abraçou as próprias pernas contra o peito pensando que deveria temer voltar naquele lugar. Takanori havia dito que não precisava temer porque não fariam nada contra sua vontade, mas se toda a história sobre ser o destinado do tal vampiro fosse verdade, uma hora ou outra ele iria lhe transformar, só que não queria isso. Tinha medo do que aquelas criaturas eram, do quanto elas podiam ser velhas, do quanto eram frias e agora também tinha medo de acabar sendo incinerado caso algo acontecesse consigo, ainda que fosse contra sua vontade.
Porque não acreditava que aquele loiro de olhos âmbar podia ser controlado, a maneira como ele agiu na noite anterior estava gravada a fogo na sua memória e aquilo era totalmente o contrário de ser controlado. Mas era ao favor de cumprir conforme o que Takanori falou, porque lhe parecia o modo mais rápido de voltar pra casa. Sabia que só ele e os outros três não dariam conta de destruir esses vampiros, nem ao menos tinham como achá-los e era muito mais fácil que acabassem mortos. Agora deixar nas mãos de criaturas que tinham poder para destruir se quisessem era mais fácil. Era só por isso que aceitava ir para o mesmo teto que alguém que tinha fome do seu sangue.
Suspirou e se deixou ali então. Assistiu a manhã passar e a tarde se iniciar com uma chuva fina que trazia ainda mais frio para aquelas terras. Quando lhe chamaram para o almoço, comeu quieto e logo voltou para aquele canto. Adele tentou falar consigo por volta das três, mas a conversa não durou muito quando não sabia ao menos o que dizer.
Somente saiu do quarto outra vez quando, horas mais tarde, antes do pôr-do-sol, Yutaka chamou a todos para uma reunião. Escorou-se em um canto da sala observando os outros se acomodando nos assentos.
— Então, ontem ficamos por decidir se iríamos ou não para a casa dos tais vampiros. — Adele começou. — Acho que minha opinião e a de Yuu já ficaram bem claras-
— A minha também. — Akira soou com convicção. — Eu acho idiotice irmos nos alojar sob o mesmo teto desses sugadores de sangue e não vou mudar de idéia.
— Claro Akira, mas então são dois votos contra um. — Um sorriso ladino dançou nos lábios finos da mulher. — Falta Yutaka dizer se aceita ou não.
Houve um silêncio tenso então, onde Akira e Adele continuaram a se encarar ferozmente. Yuu permaneceu quieto e Yutaka parecia ainda estudar a situação. Aquilo se estendeu por longos minutos, onde três pares de olhos se voltaram a Yutaka e permaneceram assim até que esse resolvesse falar.
— Acho que… nós deveríamos ir. — Adele sorriu de lado com a resposta. — Mas vamos ficar atentos a todas as ações, esse é o único objetivo.
Akira bufou e se levantou. — Então devo pegar minhas coisas? — Yutaka assentiu, parecendo sem paciência para o loiro.
Depois disso os outros três também foram se preparar para partir. Ajeitaram as malas, pegaram armas com Hiroto e alguns livros com Takashi e, já tendo tudo pronto, saíram para enfrentar a chuva fria que ainda caía lá fora.
° ° °
Foi um percurso enfadonho e cansativo, a chuva, ainda que fosse fina, não dava trégua e parecia congelar, deixando a pele dormente. Estavam ensopados quando finalmente chegaram diante dos portões da mansão e Akira não pensou duas vezes antes de tocar o sino com certo desespero. Não demorou e as portas de madeira se abriram, não conseguiram ver quem era, mas cortou o caminho até o portão e o abriu para que passassem.
Seguiram apressados e já do lado de dentro puderam ver o garoto de sorriso gigantesco que lhes abrira o portão. Esse Adele e Yuu ainda não conheciam, mas não deram muita atenção, pois tremiam de frio.
— Kazuki, busque toalhas agora mesmo. — A voz de Takanori ressoou no salão e o viram surgir pela escada com o loiro que atacara Yuu na noite anterior.
Inconscientemente Yuu se encolheu mais e tentou tremer menos para não chamar atenção, mas pareceu impossível quando aqueles olhos de whisky se pregaram em si. Mordeu o lábio inferior e desviou os olhos para o chão fingindo não vê-lo e pedindo mentalmente para que ele não se aproximasse.
O suposto Kazuki não tardou em correr para buscar as toalhas. Adele e Yutaka abandonaram as bagagens no chão e começaram a tirar ao menos os agasalhos que usavam. Já Akira observava todo o ambiente ao redor parecendo muito ressabiado.
Takanori e Kouyou se aproximaram e o maior não titubeou em seguir calmo até se aproximar de Yuu. Adele se virou pensando em impedi-lo, mas notou que ele não parecia descontrolado como na noite anterior. Kouyou sorriu fraco vendo o quanto o moreno estava encolhido, quase se fundindo a porta, mas seu coração doeu por saber que aquilo era medo de sua presença.
— Eu… quero me desculpar por ontem. — Soou em um timbre grave, vendo o menor levantar o rosto receoso. — Agi de um modo imbecil e quase lhe machuquei. Peço que me perdoe.
Yuu engoliu em seco, tentando conseguir alguma confiança para passar na voz. — Você quase me mordeu, eu não deveria lhe desculpar. — Soou baixo, mas viu Akira se voltar com os olhos estreitos.
Kouyou deixou que seu arrependimento estampasse seus olhos, enquanto sentia o coração doer em seu peito. — Eu agi errado, fui impulsivo, mas estou arrependido. — Viu os olhos de Yuu se desviarem. — Sinceramente arrependido.
O tom de suplica atingiu os ouvidos de todos que estavam em volta e agora eles prestavam atenção a cena peculiar que se desenrolava.
— Eu… — Yuu iniciou temeroso. — Eu te desculpo, mas não quero que se aproxime de mim.
As palavras atingiram Kouyou como espadas transpassando seu peito e se sentiu obrigado a recuar, se afastando do corpo trêmulo, porque aquilo era como se ele dissesse que não acreditava em si e isso doía. — O… o que quiser que eu faça, farei. — E com essas palavras doloridas se afastou do grupo, subindo as escadas novamente.
Um silêncio estranho tomou conta do lugar, só o barulho da água que pingava das roupas atingindo o chão podia ser ouvido. Takanori olhava para o moreno que permanecia trêmulo e encolhido, pensando que não seria tão fácil Kouyou vencer o medo que implantara naquele coração.
Suspirou ouvindo os passos de Kazuki e esse logo aparecia carregando toalhas brancas.
— Eu creio que as roupas de suas bagagens também estão molhadas. — Começou calmo, quebrando aquele clima. — Temos roupas que servirão bem em vocês, agora a senhorita Clemoon creio que será um pouco difícil. Você é mais alta do que as mulheres que vivem aqui.
— Se aqui vivessem mulheres seria bom. — Akira soou baixo, mas trouxe um olhar estreito ao rosto de Takanori.
— Tudo bem, se me emprestarem roupas masculinas não tem problema. — Adele soou em um sorriso, tentando quebrar a hostilidade que surgira.
— Ótimo, então siga com Kazuki, creio que ele mesmo pode te emprestar roupas. — Então pegou as toalhas que estavam com Kazuki e o viu levar Adele para o andar superior. — Agora vocês-
— Takanori! — Escutou o chamado e voltou o rosto para cima encontrando um Kohara sorridente observando os visitantes. — Qual deles é Yuu? — Ele perguntou e seus olhos grandes brilhavam ansiosos.
Riu e apontou ao moreno com um gesto de cabeça. — Não o assuste mais, por favor.
— Claro que não, eu só quero o bem de alguém tão importante quanto ele.
Yuu se encolheu observando os olhares de Yutaka e Akira recaírem sobre si. O primeiro parecia curioso, mas o loiro parecia lhe ameaçar a cada segundo.
— Mas Kohara, você e Shinji podem emprestar roupas para eles? — Takanori perguntou e o loiro assentiu.
— Creio que ficarão um pouco grandes, mas posso sim. — E fez um sinal para que os três subissem. — Não, esperem.
— O quê? — Takanori perguntou enquanto entregava as toalhas para os três.
— Não seria melhor que Kouyou emprestasse as roupas para Yuu? — Takanori parou e suspirou.
— Yuu… — Começou calmo e cuidadosamente, quase como se receasse isso, lhe tocou o ombro trêmulo. — Eu sei que você disse não querer se aproximar de Kouyou, mas veja bem, seria menos desconfortável que você vestisse roupas dele. — Tentou explicar vendo o rosto do moreno se contorcer em uma careta.
— Eu não quero. — Yuu contestou baixo.
Takanori suspirou e assentiu. — Então não vamos te forçar. Pode ir com os outros para o quarto de Kohara.
Assistiu os três subirem as escadas e suspirou.
° ° °
Encarava as cortinas de sua cama quando escutou o som da porta abrindo, não olhou, sabia que o único que entrava ali sem bater era Takanori. Houve passos e logo o corpo do amigo se deitava ao lado do seu. Voltou-se para ele, seus olhos estavam vagos, sabia bem, mas ele não se importava com isso. Takanori só lhe oferecia um carinho reconfortante enquanto aqueles olhos tão claros esquadrinhavam seu rosto.
— Você está bem? — Ele perguntou num sussurro.
Continuou olhando-o, não queria falar, mas sabia que precisava. — Não. — Foi sincero.
Takanori suspirou e acariciou o contorno do rosto de Kouyou. — Talvez você devesse ter esperado para falar com ele a sós. — O pequeno aconselhou, mas Kouyou negou em um maneio.
— Não iria adiantar. — Lambeu os lábios e se desvencilhou do toque de Takanori, sentando-se na cama. — Estava nos olhos dele, ele tem medo de mim e não acredita que eu possa me controlar. Mesmo se eu esperasse, não adiantaria, ele diria aquelas mesmas palavras dolorosas.
— Ah, Kouyou-
— Não, Taka, não me console. — Levantou-se da cama seguindo até a garrafa de whisky que havia deixado na cômoda. — Eu só quero sentir essa dor por um tempo, não acho que palavras se encaixem agora.
— Você vai aparecer no jantar? — Quis saber enquanto se erguia trilhando para porta.
— Não.
Foi tudo o que ouviu antes que saísse fechando a porta em um baque abafado.
° ° °
Kohara era… engraçado. Yuu constatava ao vê-lo falando tão animado, ignorando totalmente o olhar hostil de Akira e os sorrisos satíricos de Yutaka. Ele parecia querer lhe animar, se dirigindo a si, contando casos engraçados de seu passado e, admitia, sentia-se mais confortável depois de tudo aquilo.
O companheiro do loiro era um moreno de olhos prateados que podiam parecer assustadores a primeira vista, mas ele também não parecia ruim depois que você se acostumava àqueles olhos. Mas, olhando para os dois, Yuu pensava que ainda lhe parecia estranho que fosse tão normal naquela casa dois homens estarem juntos sem qualquer preconceito. De onde vinha esse tipo de relacionamento não significava algo bom e pessoas que eram assim se escondiam.
Mas não se importava de verdade, ainda que parecesse estranho, não lhe afligia de forma alguma. Para alguém que não conhece muito do significado de família ou união, qualquer demonstração de carinho é grandiosa. E Yuu era assim. Olhando para aqueles dois só podia pensar que eles pareciam felizes e se felicidade é algo que as pessoas buscam tanto, por si estava bem.
Além do mais eles eram vampiros, já eram diferentes desde um primeiro olhar.
Suspirou, olhando-se no grande espelho que ficava no canto do quarto. As roupas de Kohara ficaram um pouco grandes e largas, mas eram quentes e isso era infinitamente confortável naquele momento. Sorriu vendo pelo reflexo o loiro lhe observando com aqueles grandes olhos. Os olhos dele sempre pareciam brilhar demais, quase como olhos de uma criança e isso lhe dava a sensação de que era especial, por algum motivo que não conseguia entender.
— Dobre as mangas da blusa, Yuu. — Ele aconselhou e não pensou duas vezes antes de acatar.
Nisso a porta se abriu e um Takanori curioso entrou lhes observando. — Prontos para o jantar?
— Jantar? — Perguntou Yutaka com estranhamento.
— Sim, preparamos um jantar para vocês. — Takanori prosseguiu. — Depois disso podemos conversar sobre os planos para capturar os vampiros que estão atacando a vila.
— Isso é bom, já me perguntava quando poderíamos conversar. — Yutaka se aproximou.
As roupas dele também estavam grandes, mas isso só lhe dava um ar de descuido.
Takanori lhe ofereceu um sorriso curto. — Vamos descer?
— Claro.
Akira foi o primeiro a passar, ele parecia irritado e mesmo estando vestindo as roupas de Shinji não lhe agradecera em nenhum momento. Yutaka negou em um maneio enquanto seguia o loiro e Yuu quis esperar que os vampiros passassem para que pudesse ir, mas Kohara lhe acenou para que passasse na frente.
Desceram silenciosos pelos degraus, os passos ecoando pela casa, e foram guiados por um corredor ao lado da escada que lhes levou a uma grande sala de jantar. O lugar como toda a casa era muito luxuoso, a longa mesa de mogno se estendia no centro e a louça que estava posta parecia muito cara. Ao fundo uma grande janela era escondida por pesadas cortinas vinho e as paredes tinham uma pintura sóbria.
Yuu observou que já havia outros vampiros à mesa, eles eram cinco e todos desconhecidos por si. Adele conversava com o garoto que lhe emprestara as roupas em um canto. Kazuki era alto, tinha jóias estranhas adornando seus lábios, os cabelos castanhos e olhos cativantes.
— Nossos convidados estão todos aqui. — Takanori anunciou com um sorriso e se voltou para os três que estavam ao se lado. — Sentem-se, por favor.
Seguiram e se acomodaram nas cadeiras que estavam vagas, Adele lhes seguiu e também se sentou. Takanori fez um sinal para Kazuki e ambos se retiraram, provavelmente indo buscar o jantar. Yuu suspirou e correu os olhos em volta, notando que os olhos dos vampiros estavam voltados para si ao invés de todo o grupo. Remexeu-se sem jeito na cadeira e baixou o olhar para o tampo da mesa.
— Creio que devemos fazer as apresentações. — Uma voz feminina soou e ainda envergonhado Yuu ergueu os olhos para ver a mulher que dentre tantos rostos jovens parecia a mais velha e ainda assim bela. Olhos de um tom esverdeado muito peculiar, pois eram escuros ainda que evidentemente verdes. A pele um pouco mais bronzeada do que de todos os outros e os cabelos negros presos por um coque. — Eu sou Bridget. — Apresentou-se com um sorriso.
Adele sorriu de volta. — Eu sou Adele Clemoon, estes são Yutaka Uke, Akira Suzuki e Yuu Shiroyama. — Ela apontava para cada um enquanto falava e Yuu não podia deixar de estranhar seu nome sendo apresentado dessa forma.
— É um prazer conhecê-los. — A vampiro continuou e então se voltou para sua direita. — Estes são Farir, Marie, Kohara e Shinji, que vocês já conhecem. Agora, a minha esquerda, estão Derec e Byou. — Todos acenaram com um maneio curto.
Farir era grande e forte, o rosto de traços másculos era anguloso e seu olhar castanho-escuro era duro. Marie era pequena e tinha feições gentis, seus volumosos cabelos castanhos eram de um cacheado bonito, o rosto triangular era delicado e seus olhos tinham uma cor marrom muita intensa. Derec, que sentado ao lado de Bridget tinha toda uma postura que lhe indicava como companheiro desta, era loiro e tinha a pele mais clara daquele lugar, dando-lhe um ar quase doentio, os traços de seu rosto não pareciam velhos, mas antigos, fator ressaltado pelos olhos claros que pareciam saber de tantas coisas. E Byou era um loiro estranhamente parecido com Takanori, ainda que mais alto, era o que estava mais próximo de Yuu na disposição das cadeiras.
Yuu os observou com atenção tentando guardar suas fisionomias e só desviou os olhos quando Takanori e Kazuki voltaram trazendo uma espécie de carrinho com o jantar. Eles serviram a mesa e só depois se sentaram nos lugares vagos. Kazuki ao lado de Byou e Takanori do outro lado próximo a Shinji.
Para surpresa dos visitantes, todos se serviram e lentamente começaram a se alimentar. Mas diferente dos outros Yuu não quis observá-los por muito tempo, baixou os olhos para o próprio prato e experimentou da sopa que estava muito boa. Comeu lentamente, perdido em pensamentos e quando já serviam a sobremesa um som melodioso de piano soou ao longe. Ergueu os olhos vendo alguns dos moradores da casa sorrindo em reconhecimento e percebendo o seu olhar, Kohara disse:
— É Kouyou. — Assentiu sem graça e desviou o olhar para a torta de chocolate que descansava em seu prato. — Ele parece triste…
O som seguiu durante um longo tempo e aquela melodia era linda, apesar de extremamente melancólica e Yuu se sentiu tentado a ouvi-la de perto, mas a consciência de quem tocava lhe impedia.
Quando todos terminaram a mesa foi retirada e esperaram a volta dos dois para que começassem com o assunto dos outros vampiros.
— Kouyou não deveria estar aqui? — Derec perguntou, perscrutando os olhos de Takanori.
— É melhor deixá-lo. — O pequeno parecia desconfortável com o tema.
O outro suspirou e assentiu em um gesto.
Então o assunto iniciou. A pedido de Yutaka eles contaram novamente toda a história sobre o massacre que acontecera no Japão e Yuu notou que nos intensos olhos castanhos de seu parceiro de missão um entendimento acendeu-se como uma luz. Os vampiros também explicaram novamente sobre sua condição de existência e falaram sobre os vampiros parasitas que eles pretendiam aniquilar o mais breve possível.
— Então eles foram atraídos por vocês? — Akira soou em tom acusatório e Takanori assentiu com um ar irritado.
— Talvez… — Quem iniciou dessa vez foi Farir, o moreno sério que se manteve calado até aquele momento. — Nós tenhamos um pouco mais de culpa, principalmente eu.
— Como assim? — Yutaka perguntou.
— Eles já haviam começado a aparecer há algum tempo, mas estavam parados, o que despertou de vez o desejo de sangue neles foi… — Ele se interrompeu buscando os olhos de Marie. — Eu conheci Marie há pouco tempo, ela vivia na vila com os pais. Desde que pus meus olhos sobre ela soube que era o meu par e… eu a conquistei e trouxe para cá. — Suspirou, mas a pequena sorriu. — A mordi faz pouco tempo e isso despertou esses vampiros.
Akira riu com desdém e se pôs de pé. — Seu par? Isso é só uma desculpa de vocês para poderem morder as pessoas. — Acusou trazendo olhares perplexos aos olhos de muitos. — Me digam, quantos “pares” cada um de vocês já formou?
— Akira! — Yutaka repreendeu, segurando-o pelo pulso. — Fique quieto.
— Eu não vou. — Bufou e se livrou da mão do moreno. — Vocês são idiotas por acreditarem nessa ladainha deles, vamos acabar todos sendo mordidos por essas criaturas-
— Akira, cale a boca! — Adele soou nervosa, lhe encarando com os olhos estreitos. — Essa é a sua opinião e eu não vi ninguém aqui a pedindo. Se você não puder cooperar com a missão, volte para o Japão agora mesmo. — Dizendo isso ela se ergueu e sorriu para os anfitriões. — Obrigada pelo jantar e desculpem a falta de educação de Akira.
Bridget assentiu e também se levantou. — Talvez vocês queiram se recolher agora…? — Sugeriu complacente.
— Acho que seria bom. — Adele concordou e assim foram guiados para fora da sala de jantar.
Notas finais
Nesse vocês puderam conhecer os vampiros que vivem na mansão. Alguns são personagens originais, mas isso porque não acho que todos os personagens deveriam ser japoneses. Não teria muita lógica. Também houve a chegada dos membros da Ordem à mansão e a primeira reação do Yuu... Bem, estou ansiosa para saber o que vocês acharam.
Agradeço a Anghel; Shiroyama May e a tomoyo05 que deixaram review no capítulo anterior. Vocês me motivam muito com cada um dos comentários ♥
Agora, me despeço. Espero que todos os que lerem possam deixar um review dizendo o que estão achando. Porque vocês sabem, nee.. isso é um modo de incentivarem a fic. XD
Dito isso, até o próximo! o/
Nota: Betado por Shiroki_D, essa pessoa tão linda e maravilhosa ♥
Fale com o autor