Destined

8 Capítulo sete


Notas iniciais
Olá! Espero que tudo esteja bem com todos vocês; que a semana esteja sendo agradável; e que vocês possam ler este capítulo com muito carinho! ♥

Capítulo Sete



Seus olhos eram de uma tonalidade clara de azul, não eram muito grandes, mas eram donos de uma esperteza ímpar. Dependendo da luz pareciam ter um fundo espelhado e refletiam quase em um brilho azul-prateado. Esses olhos, de finos cílios claros, detinham uma perspicácia assombrosa para qualquer mulher da época e isso era ressaltado em momentos como aquele, onde o delicado cenho se franzia, formando um vinco entre as sobrancelhas, automaticamente o olhar se estreitava e vagava para um ponto aleatório do chão, mostrando uma grande concentração naquilo que pensava.



Yutaka conhecia muito bem todo aquele processo, já decorara cada um dos olhares de Adele, já decorara exatamente a forma como aqueles olhos pareciam em cada situação. Então só podia esperar agora, observando-os, pois sabia que provavelmente ela lhe traria alguma luz quando estes mesmos espelhos azulados se voltassem com um novo brilho em sua direção.



Contara sobre a viagem de Derec para a mulher assim que estavam a sós e ela escutara atentamente, com seu mais claro interesse profissional. Agora estava pensando e Yutaka podia esperar, porque ele mesmo não sabia qual conclusão seria a certa naquelas circunstâncias e, naquele momento como em tantos outros, acreditava muito mais no julgamento daquela mulher do que no próprio. Estava tenso pela situação, não que isso fosse algo difícil, tensão era uma palavra constantemente usada para lhe definir em vários setores de sua vida. Mas estava, talvez, mais tenso que nunca com tudo aquilo.



Em qualquer outra missão resolveria tudo rapidamente, se armaria da melhor forma possível e contaria somente com isso para destruir qualquer natureza de mal que estivesse causando problemas. Mas desta vez colocara tudo nas mãos de terceiros e isso era incerto demais, era algo sem qualquer garantia concreta até que se resolvesse. E se todas as suas incertezas já não fossem suficientes, se sua preocupação com a demora dos vampiros já não lhe deixasse mais tenso que o comum, Akira ainda tinha que lhe implantar mais dúvidas e preocupações.



Porque se os vampiros realmente estivessem interessados em Yuu seria um problema. Ainda mais se eles conseguissem realmente controlar a situação com o outro grupo de vampiros, porque então seria como se estivessem em dívida e, se o preço dessa dívida fosse um companheiro de missão, Yutaka teria problemas muito maiores. Não era o tipo de homem que deixava companheiros para trás, era um homem leal, de princípios que pareciam complicados até mesmo em sua própria mente. Se o preço daquilo tudo fosse Yuu ter que se tornar um deles, não sabia como iria se portar, mas sabia que não aceitaria.



E também tinha que se preocupar com as atitudes de Akira, porque o homem havia simplesmente ameaçado aqueles que haviam lhes oferecido hospitalidade e ajuda. Não que estivesse mais tão certo sobre a hospitalidade e ajuda, mas Akira os ameaçar quando, aparentemente, eles não haviam feito nada de errado lhe parecia demais. Então teria que ter uma conversa com o loiro sobre seus planos de colocar fogo em seja lá quem for.



Suspirou, levando uma mão para massagear a nuca. Estava tenso demais e aquelas missões pareciam lhe envelhecer cada vez mais rápido, queria paz às vezes, pensar somente em relaxar olhando as sakuras florescerem, acompanhar os primeiros flocos de neve caírem no inverno e se sentar ao lado de Adele para somente conversarem sobre qualquer banalidade. Talvez ter um filho e a única preocupação ser o choro da criança. Mas ainda estava enrolado demais em toda a programação de White Tiger para os próximos anos, no comitê da Ordem Branca os comentários que mais cresciam nos últimos tempos era sobre o plano para expansão de terras.



E Yutaka sabia que isso significava somente uma coisa: guerra. E guerras não são lugares para se constituir famílias, não é ambiente para criar uma criança ou dar base a um lar. Em guerras pessoas morrem e Yutaka não estava disposto a perder nada do que conquistasse para si. No fim se preocupava demais até com rumores de um futuro que ainda estava envolto em névoa demais e tinha certeza que se não parasse seu corpo e mente lhe obrigariam a parar.



— Yutaka, você deveria experimentar se preocupar menos às vezes. — A voz de Adele soou e o moreno voltou a erguer os olhos para a mulher.



— Bom, é fácil dizer, mas não é tão fácil cumprir. — Rebateu quase em um lamento.



— Você vai acabar doente e eu não quero ver isso, então trate de aprender a parar. — Ditou, mas logo depois suspirou. — Mas, quanto aos vampiros, eu não acho que eles estejam nos enganando. Não deveria se preocupar com eles. — Lambeu os lábios e se recostou melhor à poltrona. — Se um deles tem que viajar, bem, que viaje. Agora quanto aos ataques a vila tente conversar com eles e ver se não há um meio de proteger os habitantes. Quanto a Akira, eu vou conversar com ele, porque faz tempo que eu acho que ele está pensando em coisas loucas demais. E Yuu… Bem, eu me lembro que Takanori nos disse que ele e esse Kouyou são “destinados”, mas Yuu não demonstrou qualquer interesse nisso, de qualquer forma se isso realmente lhe preocupar tente conversar com os vampiros. — Então lançou um olhar intenso para Yutaka. — Às vezes é mais fácil quando procuramos saber as causas antes de começar a atirar.



O moreno assentiu, e parecia que um pouco da tensão que trazia nos olhos havia se esvaído naquela conversa. — Obrigado. — Soou em um tom baixo e Adele sorriu de lado.



— Estou somente fazendo meu papel. — E o próprio Yutaka teve que sorrir com o jeito da loira. — Mas Yutaka, ninguém te nomeou líder dessa missão. Você não tem que colocar todo o peso em seus ombros e colapsar por causa disso. Não espere que seu corpo grite por socorro para parar, eu não quero ter que te acompanhar ao hospital e outra que nunca tive vocação para enfermeira. — Seu sorriso morria a cada palavra dando lugar a uma expressão séria. — Não quero ser dura, mas você não pode negar que é a verdade.



O homem suspirou e assentiu em um maneio lento. — Você está certa, ao seu modo você, quase sempre, está certa.



E a loira sorriu de leve, encarando o perfil daquele homem que brilhava dourado pela luz das chamas da lareira. Preocupava-se, não havia como ser o contrário, e não esperaria para vê-lo cair por se esforçar demais. Isso era parte de ser o apoio de alguém.



° ° °



Um bocejo leve abandonou seus lábios quando despertou mais tarde, não fazia idéia de quantas horas eram, mas, por sentir seu corpo frio, sabia que ainda estava naquele mesmo quarto, naquela mesma cama. Virou-se e viu o rosto pálido, de traços tão perfeitos, voltado para si. Os olhos que tanto lhe embriagavam estavam atentos em seu rosto e se deixou perder em todo o âmbar. Ergueu uma mão e lentamente acariciou a face de Kouyou, sentindo sua textura quase dura, constatando o frio daquela pele, traçando os contornos do rosto, gravando as linhas de sua feição.



E Kouyou se extasiava com o toque calmo da mão quente, as pontas dos dedos tão macios que corriam gentis sentindo sua própria pele. Fechou os olhos e ronronou quando os dedos alcançaram sua orelha, as carícias eram tão ternas que podia simplesmente dormir um sono que não conseguia ter há anos. Era tão bom sentir aquele carinho, aquilo era tão certo, aquilo era tão desejado por seu coração, estava tão entregue naquelas mãos… Suspirou em completo êxtase sentindo os dedos entremearem os fios de seu cabelo, sentindo-o e então deslizando pela pele da nuca, contornando seu pescoço e acariciando seu pomo-de-adão.



— Você quer me ver derretido nessa cama, não é? — Gracejou em um timbre baixo e rouco, que reverberou por sua garganta e Yuu pôde senti-la tremer.



— Na verdade eu só quero aprender a te tocar, quero decorar seu rosto… — Sentia-se constrangido ao dizer aquilo e agradecia pelos olhos de Kouyou estarem fechados. — Mas, bem, nós não vamos sair do quarto hoje?



Kouyou sorriu e abriu os olhos, puxando a mão de Yuu para que pudesse beijá-la. — Você quer sair?



— Eu não sei… Sabe? Eu só quero estar com você. — A verdade era que Yuu estava encantado demais por tudo o que Kouyou lhe oferecia.



Amor, mais do que qualquer presente físico, era algo que lhe virava a cabeça. Experimentar aquilo parecia tão maravilhoso que só podia desejar mais. Então não queria se afastar de Kouyou, porque sua carência clamava por aqueles toques que o mais velho podia lhe dar, porque queria aprender sobre aquilo e queria oferecer aquilo, que lhe era tão bom, em troca do bem que o loiro estava lhe fazendo.



Amor era tudo o que Yuu precisava agora.



Kouyou alargou o sorriso e se moveu, deitando-se sobre o corpo de Yuu. — Eu olho pra você dizendo isso e só consigo pensar em te prender comigo e não soltar mais. — Olhava dentro dos profundos olhos negros, se acomodando entre as pernas que se abriam para si. — Você é tudo o que eu busquei por todos esses anos, mesmo sem saber que era isso o que eu buscava. — Uniu os lábios aos do moreno que já lhe esperavam entreabertos. Sentia o gosto bom daquela boca contra a sua, a troca de vontades que acontecia no ato, as mãos que lhe puxavam pelas costas, os fios macios e a cintura delgada. Sua língua buscando aflita pela língua do menor, seus lábios movendo-se com força embolando-se com os lábios grossos que lhe abrigavam e só podia desejar mais que aquilo.



Yuu ofegou separando o ósculo, sua respiração agitada contra a de Kouyou. Encarou os olhos castanhos, escurecidos por um desejo que parecia insaciável e só pôde puxá-lo sentindo-o se chocar duro contra seu corpo e gemeu baixo, apertando-o mais. — Kouyou… — Chamou em um sussurro aflito.



Os lábios de Kouyou dispensaram seu toque frio contra a pele do pescoço de Yuu, vendo-o se mover em desconforto. — Eu não vou te morder. — Sussurrou rouco contra a orelha do menor. — Quero que se sinta bem. — E tomou o lóbulo daquela orelha entre os lábios sugando-o e mordendo-o de leve, ouvindo o menor gemer.



E aquilo lhe incitava a fazer mais. Desceu os lábios pelo pescoço de pele tenra, provando-o, mordendo-o, beijando-o enquanto suas mãos entravam por baixo da blusa, tocando a pele macia em carícias mais íntimas. Yuu se contorceu, suas mãos abandonando as costas de Kouyou para se perderem sobre os travesseiros. O toque da pele de Kouyou contra a sua era frio e lhe arrepiava o corpo inteiro, mas aquele toque frio era bom e fazia com que um prazer estranho subisse por seu corpo.



Mas deixou-se a mercê daqueles lábios que gélidos lhe marcavam o pescoço inteiro, e daquelas mãos que lhe despiram a blusa em um gesto rápido. Abandonou-se nas mãos ágeis que lhe proporcionavam um prazer abrasador, correndo por seu torço, acariciando seus mamilos. Sentiu o rastro que os lábios úmidos deixavam ao resvalarem todo o seu tronco para se afundarem em sua barriga, lambendo em volta de seu umbigo e o mordendo de leve. Gemia baixo com os toques que eram tão novos e quando Kouyou ergueu os olhos ardentes em sua direção descobriu que aquilo fazia parte daquele amor.



— M-mais… — Balbuciou e virou o rosto querendo afundá-lo no travesseiro.



Mas Kouyou lhe deu mais, as mãos frias outra vez correram por seu torço até achar o cós da calça e se levantando rapidamente Kouyou lhe livrou das calças e de sua roupa íntima. Sentiu-se arder em vergonha por estar nu e excitado frente aos olhos do maior, mas gemeu alto quando as mãos frias correram por suas coxas quentes até a virilha.



Kouyou encarava o corpo lindo do menor, seus dedos acariciando as coxas finas e macias e só podia pensar em estar entre elas e se arremeter dentro do corpo quente. Mas precisava dar-lhe mais daquelas sensações que o faziam agora mesmo se contorcer embaixo de si, com as mãos apertando os travesseiros e esconder o rosto corado. Abriu mais as pernas de Yuu e as colocou em seus ombros e se abaixou mantendo o rosto a altura do falo excitado do menor.



Tomou sua carne entre os lábios e a sugou, correu beijos por toda a extensão e inalou profundamente sentindo seu cheiro. E queria aquele sabor em seus lábios, precisava senti-lo mais do que qualquer coisa naquele momento. Deixá-lo registrado em sua memória assim como aqueles gemidos agoniados que se desprendiam dos lábios avermelhados.



E Yuu acreditava que iria derreter totalmente ao ser tomado assim naqueles lábios frios. Era intenso demais ter aquela boca ali. Mas só podia gemer por mais e se contorcer, agarrando-se aos lençóis. A língua macia e gélida corria por sua extensão e sentia-se mais e mais derreter contra o colchão. Gemia cada vez mais forte e mais alto, as mãos de Kouyou apertavam suas coxas com tanta força que deixaria marcas, mas queria aquilo.



E tudo era muito, e impossivelmente aumentava em um vórtice colorido que explodia diante de si, lhe afogando em um mar de sensações. E contorcia-se enquanto se derramava com intensidade nos lábios que lhe sorviam com vontade. Sentiu-se afundar mais contra os lençóis, sua respiração arfante movendo seu peito rapidamente e o corpo frio subia outra vez lhe tomando os lábios e o resto do fôlego.



Separaram-se e encarou os olhos que ainda queimavam em um desejo latente, lambeu os lábios e só pôde esperar pelo que viria. E Kouyou sorriu pequeno e de lado, charmoso, enquanto soltava suas pernas contra a cama. O viu tirar as próprias roupas e admirou a pele extremamente branca que brilhava a pouca luz, então o recebeu de volta em um beijo profundo que terminou em um selar terno. Kouyou tomou três dos próprios dedos entre os lábios e lhe abriu as pernas de um jeito que lhe constrangeu, mas decidiu confiar no que o vampiro iria fazer.



Cuidadosamente o loiro guiou os dedos que umedecera ao corpo macio de Yuu, acariciou-o lentamente e então penetrou o primeiro dedo causando um arfar alto. Viu o menor morder o lábio inferior e se segurar aos lençóis enquanto movia lentamente o dedo no interior macio. E queria, mais no que tudo, se afundar ali e continha-se para seguir devagar, mesmo que Yuu parecesse tão tentador com aqueles olhos negros tão dóceis brilhando para si entre dor e prazer e toda a expressão do rosto bonito se contorcesse tão profanamente.



Inseria os dedos devagar, alargando-o e umedecendo-o, preparando-o para sua entrada. E sentir aquelas pregas, o interior que se contraía tão macio contra seus dedos só lhe fez tomar os lábios avermelhados para si, enquanto tirava os dedos e segurava seu próprio membro para penetrá-lo devagar. E Yuu gemeu contra seus lábios, mas o conteve com seus beijos afoitos. Sentir-se dentro de um lugar tão apertado era prazeroso demais.



Moveu-se devagar enquanto liberava os lábios grossos, Yuu choramingou se prendendo a si, fazendo uma expressão tão doce de prazer que lhe fez grunhir e se arremeter com mais força. — Tão… apertado. — Gemeu e Yuu lhe encarou com os olhos fendidos brilhando por lágrimas.



Era intenso demais, Yuu pensava abrindo mais as pernas. Era dor e prazer, era frio e calor, arrepio e candura. Tudo tão confuso, se misturando em si, tirando seu ar, sua força e sua vontade. Deixando-o tão entregue e desarmado àquela força prazerosa que lhe acendia como brasa. O membro de Kouyou arremetia-se com força, tocando-o em um ponto que lhe fazia querer gritar por mais.



Então era muito e ainda que parecesse impossível que se intensificasse mais, lá estava o calor lhe abrasando mais, lhe enlouquecendo mais. E o cheiro do sexo subia, enquanto os corpos se roçavam e moviam-se em uma dança cadenciada. O atrito dos corpos provocando um som que só lhes excitava mais, o suor se misturando e as respirações se chocando enquanto um beijo forte era selado.



Então explodiriam os dois e se largariam um contra o outro, procurando se encontrar novamente. As respirações voltando ao normal e as mentes entorpecidas pelo prazer voltando a pensar racionalmente. Kouyou lambeu os lábios secos e lentamente, cheio de preguiça, se ergueu, retirando-se do corpo quente. Ouviu um último gemido de Yuu que se virou de lado, encolhendo-se com os olhos fechados.



Preocupado em ter usado força demais, Kouyou lhe cobriu e levou a boca até o ouvido do menor, perguntando: — Te machuquei?



Yuu abriu os olhos com esforço e olhou para Kouyou. — Foi bom. — Sussurrou baixo, com a voz pastosa.



— Eu perguntei se te machuquei. — Kouyou soou sério.



Yuu negou em um maneio lento. — Talvez um pouco, mas com o “foi bom” eu quis dizer que não me importo. — Dizendo isso ergueu uma mão até tocar o rosto frio de Kouyou. — Mas eu estou com fome.



Kouyou notou que ele queria desviar o assunto e suspirou beijando-lhe a testa antes que se erguesse. — Vou buscar algo para você comer, tente não dormir enquanto espera.



Yuu assentiu com um sorriso e observou Kouyou vestir novamente as roupas que estavam jogadas ao pé da cama e sair do quarto lhe deixando um sorriso brando. Puxou mais o cobertor sentindo uma preguiça ímpar dominar seu corpo, respirou fundo e alisou a fronha do travesseiro que Kouyou usara. A sensação do colchão macio e do cobertor quente lhe dava vontade de dormir, mas não faria isso tendo acordado há tão pouco tempo, então se contentou em fechar os olhos e esperar por Kouyou.



Porém não muito depois disso ouviu o rangido da porta e franziu o cenho pensando em como Kouyou havia voltado tão rápido. Abriu os olhos e preparava-se para se sentar quando outro corpo se uniu ao seu lhe empurrando de costas contra o colchão. Arregalou os olhos vendo os olhos escuros que lhe encaravam estreitos e seu corpo inteiro tremeu com a constatação de que era Akira ali.



O loiro sorriu de viés e prendendo o corpo de Yuu com seu peso levou uma mão para puxar-lhe o cabelo enquanto a outra resvalava o pescoço morno procurando por alguma ferida, porém somente a percepção de que a pele dele ainda tinha calor já lhe dava alguma certeza. Mas não se aquietou somente com isso, olhou nos olhos negros que pareciam tão apavorados e se moveu descobrindo o corpo magro percebendo-o nu.



Riu soprado e toda sua expressão se contorceu em nojo. — Eu pensei que o meu aviso houvesse adiantado, mas você só fez tirar as roupas para ele, não é? — Puxou os cabelos negros com mais força ouvindo-o choramingar de medo. — Qual vai ser o próximo passo? Aposto que agora você deve querer ser um deles ou estou enganado? — Voltou com sua mão livre para o pescoço do moreno e começou a sufocá-lo. — Eu tenho ódio de pessoas como você Shiroyama, pessoas que recebem honra, mas não sabem reconhecer isso.



Yuu entreabriu os lábios tentando puxar o ar, mas estava sufocando. Seu corpo inteiro tremia e seus olhos começavam a marejar. Levou as mãos até a de Akira, tentando tirá-la de seu pescoço, mas o aperto era forte demais. — Me… solta… — Sussurrou quase inaudível.



Akira riu e cuspiu no rosto choroso. — Quer que eu te solte? Ótimo, assim eu posso cumprir logo minha promessa de te queimar.



E sentindo a saliva do loiro escorrer sobre seu olho e bochecha, Yuu foi solto e erguido. O loiro lhe empurrava e arrastava pelo quarto em direção a lareira acesa, mas ao perceber isso Yuu se contorceu e gritou: — KOUYOU!



— Cala a boca! — Akira desferiu um soco contra a face do moreno e continuou a arrastá-lo.



Yuu ofegou sentindo o gosto de sangue em seu paladar e então o baque de seu corpo contra o chão, em frente à lareira. Olhou amedrontado para cima e tentou recuar vendo o loiro partir para cima de si, mas antes que ele pudesse lhe alcançar alguém o prendeu com uma chave de braço. Encolheu-se e correu os olhos em volta vendo que Kohara olhava para Akira com os olhos estreitos, percebeu então que quem prendia o loiro era o próprio Shinji.



Nenhum deles falou nada e logo Takanori entrava no quarto correndo seus olhos claros por toda a cena até repousá-los em si. — Já chamei-



Mas ele não chegou a completar a frase, foi empurrado por um Kouyou aflito que entrou no quarto com a intenção de partir pra cima de Akira. Kohara e Takanori o seguraram, mas ele continuou se contorcendo.



— Tire Akira daqui. — Kohara falou com o companheiro que não hesitou em sair do quarto com o loiro que parecia muito irritado.



Yuu se encolheu mais, abraçando as pernas, tentando esconder sua nudez e desviou o olhar para os próprios pés sentindo seus olhos ardendo. Kouyou, que se mantinha inquieto querendo ir atrás de Akira, ao notar o movimento de Yuu se aquietou e foi solto pelos outros dois. Caminhou até o moreno, seu rosto contorcido em culpa, e se abaixou em frente a ele abraçando-o.



— Ele te machucou? — Sussurrou contra o ouvido do menor e o ouviu chorar baixinho, completamente assustado. — Eu vou te levar pra cama. — Sussurrou outra vez e pegou o corpo magro no colo.



Yuu se agarrou a blusa que Kouyou usava escondendo o rosto contra o peito frio. Sentia medo e sentia vergonha por toda a situação, mas estranhamente ao estar naqueles braços sentia-se mais seguro. E era confortável ter com quem contar dessa forma, era confortável ser protegido, era confortável não estar sozinho e, ao ser acomodado no colchão macio e coberto por aquele cobertor, era como se nada pudesse tocá-lo.



Kouyou voltou-se para os amigos que estavam parados a porta e assentiu a pergunta muda que estava nos olhos dos dois. Eles poderiam sim deixá-los a sós, era o melhor, porque Kouyou mostraria para Yuu que estava ali para ele, que não deixaria que nada o tocasse novamente. Assistiu quieto à saída dos dois e ao fechar da porta voltou-se para o moreno que lhe encarava com aqueles olhos tão úmidos e avermelhados.



Suspirou e subiu à cama deitando-se ao lado do moreno ainda que sobre o cobertor. Levou uma mão aos fios negros e os acariciou lentamente, mantendo contato com os olhos que pareciam buscar pela confirmação de algo. Algo que não sabia o que era, mas que não se importava em dar, que queria dar, porque ele era importante demais para si e lhe doía toda a dor que impunham a ele. Beijou-lhe a testa e os rastros das lágrimas, nunca deixando de acariciá-lo como uma confirmação de que estava ali, que ficaria ali, que lhe protegeria.



— Kouyou… — Yuu sussurrou sentindo todo o carinho que era dispensado naqueles toques.



Sentia-se melhor estando ali, era como se o toque de Kouyou anulasse toda a violência de Akira. Era como se aquele âmbar lhe envolvesse gentilmente diluindo suas incertezas, seus medos, sua vergonha. E não conseguia pensar em não gostar daquilo. Porque aquilo era certo demais e, não conseguia mais pensar que não, estava sim se apaixonando. Se apaixonando por um vampiro. Se apaixonando pela primeira pessoa que lhe deu amor.



— Você está bem? — Kouyou indagava com a voz suave, como se não quisesse assustá-lo.



Assentiu e se aproximou mais de Kouyou, o abraçando e escondendo o rosto contra seu peito. — Graças a você… — Sussurrou e aquilo bastou para Kouyou.



° ° °



Levaram Akira para o quarto que ocupava junto com Yuu e Yutaka. O loiro se contorceu durante todo o caminho no intuito de se soltar, mas ele nunca poderia contra a força de Shinji. O moreno o jogou em uma das camas e cruzou os braços não desviando o olhar, Shinji não se sentia ameaçado pelo olhar cortante do menor, sabia que se quisesse ele estaria morto em um piscar de olhos. Então só esperou que os outros viessem.



Logo Kohara adentrava o quarto e sorria, não da forma radiante de sempre, mas de viés, como quem quer ameaçar. Ele permaneceu a porta e só saiu quando Takanori chegou trazendo consigo Yutaka e Adele. Shinji juntou-se ao companheiro nas poltronas perto da lareira apagada e Takanori pigarreou quando notou a atenção dos outros três sobre si.



— Agora há pouco eu estava saindo do meu quarto para ir a biblioteca quando escutei um grito vindo do quarto de Kouyou. — Começou a se explicar com um olhar seco. — Chamei imediatamente a Shinji e Kohara que estavam mais perto e, enquanto eles averiguavam o que acontecia, chamei Kouyou. Não me surpreendi quando entrei no quarto e vi Shinji segurando Akira enquanto Yuu estava encolhido no chão. Creio que ele estava tentando agredir ao companheiro de vocês.



— Ele parecia querer queimá-lo. — Shinji confirmou.



Takanori abriu a boca para voltar a falar e foi interrompido por Akira: — Eles querem transformar Yuu em um vampiro, Yutaka, você não pode permitir!



Yutaka se voltou para o loiro e franziu o cenho. — Mas Yuu não quer se transformar, Akira.



— Ele está se relacionando com aquele loiro estranho, o que você acha que ele vai fazer com o idiota do Shiroyama depois de usá-lo como quiser? — Dizia exaltado.



— Pare por aí! — Takanori contestou irritado. — Você não confiar em nós, tudo bem, não respeitar nossa cultura, tudo bem, mas não nos julgue dessa maneira tão cretina. Não agimos dessa forma, Kouyou seria incapaz de se aproximar de Yuu se eles não fossem destinados.



— Essa baboseira de novo? Você acha mesmo que eu vou acreditar em algo assim? Isso foi só uma desculpa que vocês arranjaram para conseguir além de sangue alguém pra foder! — Takanori grunhiu e deu um passo como se fosse atacar o loiro.



— Takanori, se acalme! — Kohara soou em um timbre alto.



Yutaka maneou uma negação com a cabeça e voltou-se para o pequeno loiro. — Então é verdade que vocês querem transformar Yuu?



— Não é só questão de transformar. — Soou com uma voz mais branda ao se dirigir ao moreno. — Yuu é o destinado de Kouyou, mas Kouyou só o transformaria em vampiro se Yuu quisesse isso. Nunca poderia ir contra a vontade de seu destinado.



— Isso é bobagem, Yutaka! O que temos que fazer é incendiar essa mansão e acabar com eles o quanto antes! Hoje é Yuu, amanhã pode ser eu, você ou até mesmo Adele! — Praticamente gritava ao se erguer da cama. — Yutaka, vamos, diga algo racio-



Mas o seu rompante foi interrompido pelo estouro da bala ao acertar o piso ao lado de seu pé. Todos os olhos se voltaram para Adele, que ainda tinha o braço erguido com a arma em punho. A loira trazia uma expressão fechada em suas feições suaves, uma sobrancelha erguida como se desafiasse Akira a abrir a boca outra vez.



— Você acha que está agindo certo, Akira? — Perguntou em um tom perigoso. — Tentando contra a vida de seu companheiro de missão… se isso chega aos ouvidos do Ministro no mínimo você vai ser rebaixado ao posto de faxineiro, mas, sabe? Eu queria ver isso. — Riu irônica ainda apontando-lhe a arma. — Faz tempo que sua cabeça não parece certa, amigo. — A última palavra pingava de uma ironia gritante.



Yutaka respirou fundo e tocou o antebraço de Adele, fazendo com que ela abaixasse a arma. — Não vamos resolver as coisas assim.



— Concordo Yutaka, mas temos que fazer algo. — Pontuou trazendo o cenho erguido com graça. — Porque, veja bem, eu confio nestes vampiros aqui, Yuu, pelo visto, também parece confiar muito neles- Você confia neles, Yutaka? — O moreno assentiu. — Bem, você confia neles, mas Akira não e, a meu ver, isso atrapalha a missão, não é mesmo?



— Adele, onde-



— Espere. — Ela pediu calma. — Se ele atrapalha a missão, nada mais certo do que afastá-lo, não é?



— Você-



— Akira, cale a boca! — A loira ordenou imperiosa. — Sugiro que mandemos uma carta para a Ordem e expliquemos o motivo de afastá-lo, assim Akira volta e podemos resolver tudo em paz.



— Vocês não podem me obrigar a voltar. — Akira falou com um sorriso no rosto.



— Ah, não? — Adele perguntou com graça e voltou a erguer a arma a engatilhando. — Um tiro no seu joelho e você estará incapacitado para o resto da vida, então não será somente dessa missão que você estará afastado, querido.



— Adele-



— Não Yutaka, alguém tem que colocar um freio em Akira. — Ela argumentou. — Outra, eu posso até não atirar, mas se for sob ordem de White Tiger você vai ter que ir.



Akira engoliu em seco assim como muitos na sala. Aquela mulher tinha a fibra que muitos homens não sonhavam em ter.



— Vamos esperar essa ordem então. — Akira tentou soar em desafio e Adele atirou outra vez, agora acertando o piso entre as pernas do loiro.



— Até lá, você volta para a casa da Sede para fazer companhia para Takashi e Hiroto. — Ela ditou e logo depois sorriu simpática para Takanori. — Posso ir ao quarto de Kouyou ver como Yuu está?



Takanori piscou tentando acompanhar aquela mudança tão súbita de tom. — Nesse momento Kouyou deve estar tentando acalmá-lo.



— Vamos esperar então. — Ela respondeu com um sorriso.


Notas finais
Gosto de como Yutaka e Adele são apresentados nesse capítulo... já que são personagens realmente queridos.
Hum, houve um lemon ali nee... Quero me desculpar se não correspondeu a expectativas, porque eu sei que não sou boa com cenas de sexo. As acho bem triviais pra ser sincera, principalmente quando tudo se torna só putaria desnecessária (o que não nunca seria o caso aqui, logicamente). Mas me ignorem se não concordam com isso, ok?
E, cara, eu realmente espero que vocês estejam satisfeitos com o rumo que dei a Akira D:
Agora queria falar sobre algo à vocês: Bem, diante dessas regras do nyah que vocês já sabem, me vejo um pouco sem saída quanto as minhas fics. Não sei se é o caso de todos, mas acredito que alguns já me conheçam de minha antiga conta, e, sendo assim, sabem sobre minhas fics que já tenho escritas. Talvez algumas delas possam ser passadas para originais, mas se isso não lhes interessar, acho que não me darei ao trabalho. Então é isso, é do interesse de vocês que as fics sejam passadas para original?
E, de qualquer maneira, ainda não sei se continuarei a escrever com bandas depois disso tudo. Talvez eu passe a escrever originais, ou Harry Potter, ou ainda Saint Seiya. Não sei ao certo, mas fiquem de olho em meu perfil, pois quando me decidir avisarei por lá.
Dúvidas? Coloquem em reviews, por favor. XD
Agora, agradeço a Su Shibasaki; Anghel; Shiroyama May; Chido ri; e tomoyo05. Vocês são lindas ♥
E você leitor que tem se mantido calado, porque não tenta deixar um review? Pode ser do seu jeito, não sejam tímidos comigo >.< eu realmente só quero saber o que todos tem achado da fic. [pensem sobre isso]
Dito isso, deixo um beijo à todos!
Nota: Obrigada pela betagem Shiroki_D ♥