Destined
9 Capítulo oito
Notas iniciais
Bem, espero que leiam carinhosamente ♥
Capítulo Oito
No dia seguinte Akira foi levado para a casa da Sede e um Hiroto, muito bem armado, tratou de garantir que ele ficasse quieto. Agora, três dias depois, chegava o momento em que Derec partiria em sua viagem até a Sede dos Clãs. Todos estavam reunidos na mesa para o jantar e Yuu pela primeira vez notou que realmente os vampiros fingiam comer. Sorriu e voltou os olhos para Kouyou que estava ao seu lado revirando a comida do prato.
Negou com um trejeito leve e cortou um pedaço da carne em seu próprio prato. Nestes três dias Kouyou havia sido ainda mais atencioso consigo, havia tocado músicas ao piano quando foram à sala de visitas, havia lhe aguentado bêbado quando exagerou com o vinho, havia lido livros para si e ainda lhe levara até o jardim na noite passada e, ainda que o vento daquele lugar fosse tão cortante, havia sido uma experiência única beijar Kouyou entre as rosas, olhar o céu estrelado e aprender sobre as constelações.
Hoje haviam ficado no quarto o dia inteiro e era inevitável que acabassem se amando quando estavam em meio aos lençóis. E Yuu estava começando a se acostumar com a temperatura fria de Kouyou, ainda que muitas vezes acordasse tremendo durante a noite e tivesse que se separar do abraço do loiro. As coisas seguiam bem e, não havia volta, estava realmente se apaixonando por aquele vampiro que lhe acelerava o coração, que lhe tocava com um amor que estava se deliciando em conhecer, que se desesperava por alguém tão sem brilho quanto si e que lhe ensinava a sorrir outra vez.
Suspirou, era agradável constatar tudo aquilo e olhar para o lado descobrindo aqueles olhos apaixonados presos em si. Sorriu e com o próprio garfo pegou um pedaço da carne de Kouyou levando aos lábios. E o loiro sorriu de volta alcançando sua mão sobre a mesa, entrelaçando os dedos gentilmente.
— Vocês dois… — A voz de Adele soou lhes chamando a atenção e ao olhar para ela Yuu notou sua expressão abobada. — Vocês estão realmente juntos então…?
Yuu sorriu notando que Yutaka também prestava atenção a cena. — Eu gosto de Kouyou. — Soou baixo e abaixou o rosto, colocando uma mecha de seus fios negros atrás da orelha.
— Você vai se transformar em um vampiro? — Quem perguntou foi Yutaka, mas ainda estava constrangido demais para levantar os olhos.
E também que, com tudo o que vinha acontecendo, não parara para pensar sobre isso, até porque Kouyou mesmo disse que não faria o que não quisesse então não se sentiu na obrigação de pensar sobre uma possível transformação. Mordeu o lábio inferior pensando no que responder, mas antes disso Kouyou tomou a frente:
— Yuu ainda não sabe e eu não o obrigarei a nada. — Levantou os olhos fitando a face do loiro. — Eu o amo e não poderia impor qualquer coisa que ele não quisesse fazer.
Sorriu com aquela frase sem que ao menos percebesse e voltou os olhos para seus dois companheiros de missão. — Qualquer que for minha decisão tenham certeza que falarei com vocês.
Os dois assentiram e voltaram os olhos para os próprios pratos parecendo reflexivos. Yuu trocou outro olhar com Kouyou e lhe beijou a mão antes que voltasse a comer. Então o jantar ainda correu calmamente e, somente quando terminaram a sobremesa, Derec se pronunciou:
— Não planejo demorar nessa viajem, a Sede dos Clãs fica em Londres, mas não vejo o porquê de alguma demora. Usarei da velocidade de minha espécie para chegar até lá e creio que não terei problemas em ser atendido. — Ele falava mansamente tendo uma das mãos entrelaçada a de Bridget. — Em três ou quatro dias acredito que já estarei aqui outra vez. Então peço que tenham paciência, um pouco mais do que já tiveram, e me esperem.
Yutaka assentiu àquelas palavras. — Esperaremos, mas quero saber se existe algum modo de protegermos os moradores da vila até lá.
Os vampiros trocaram um rápido olhar e então Derec voltou a falar: — Podemos fazer rondas na vila durante a noite, em casais para que seja menos arriscado e em minha falta peço que faça companhia a Bridget, Takanori. — O pequeno loiro assentiu. — Algo mais que queiram pedir, jovem Yutaka?
— Na verdade não, minha maior preocupação era com as baixas que estavam acontecendo com a demora da resposta de seu Líder, mas tendo acertado isso ficarei em paz. — Yutaka respondeu em tom calmo.
— Ótimo. Então agora me despeço de todos vocês. — Dizendo isso se levantou sendo seguido pelos demais.
Muitos desejaram uma boa viagem e outros somente o acompanharam até a porta, mas foi somente Bridget que o acompanhou até o portão para que pudessem se despedir com mais privacidade. Assim todos se dispersaram e Kouyou puxou Yuu para a sala de visitas, seguiram calados até se sentarem ao banco do piano. Kouyou voltou-se para Yuu e lhe acariciou o rosto levemente.
— O que acha de aprender a tocar piano?
Os olhos negros brilharam com a pergunta e Yuu só pôde assentir animado com a idéia. — Você pode mesmo me ensinar?
— É claro que sim. — Kouyou respondeu destampando as teclas. — Ensinei a Kohara há muito tempo atrás, posso te ensinar também.
— Eu… — Yuu começou, mas por falta de palavras que exprimissem sua felicidade puxou Kouyou pelos ombros e tomou-lhe os lábios em um beijo afoito. Prendeu seus dedos entre os fios loiros e invadiu os lábios frios com entusiasmo, tomando-o com força e sentindo as mãos que lhe prendiam pela cintura.
Separaram-se ofegantes e Kouyou riu. — Use essa empolgação para aprender.
E rindo Yuu assentiu.
° ° °
Lentamente, tão preguiçosos quanto podiam ser, seus olhos se abriram naquela manhã. Antes mesmo que prestasse atenção a qualquer coisa voltou a fechá-los e bocejou baixo, então quando se moveu, sentindo a coluna doer, notou que adormecera sentado. Correu os olhos pelo quarto, as cortinas já estavam fechadas e em seu colo a cabeça de Kouyou repousava calmamente, mas sua surpresa foi notar que o loiro dormia. Aproximou o rosto como se para constatar aquilo e sorriu. Ele ressonava tão calmo quanto uma criança e, ainda que parecesse um pouco assustador alguém de pele tão gélida dormindo, se encantou pela imagem daquele rosto relaxado.
Kouyou já lhe contara que há muitos anos não dormia mais, simplesmente não tinha sono e, ele estar dormindo agora, podia significar algo bom. Talvez, Yuu se deixou pensar, ele estivesse dormindo porque estava ali consigo e a hipótese de só sua presença poder causar isso em alguém era tão doce que lhe aquecia o peito. Sorriu, deixando que seus dedos entremeassem os fios lisos e sedosos do cabelo de Kouyou, levemente para não acordá-lo dispensava um carinho brando e soube que poderia ficar horas ali, observando-o dormir tão rendido em seu colo.
Estava feliz, era inegável e também não conseguia pensar no porque negar tudo aquilo. Era algo que só lhe fazia bem, que lhe enchia o peito com um calor confortável, que lhe trazia um sorriso sincero ao rosto, que lhe fazia se sentir em casa quando era abraçado, que lhe fazia arder em desejo abrasador quando tomado intimamente, que lhe fazia volta e meia pensar que era feliz assim.
Sentia-se leve também. Tão leve quanto nunca se sentira em toda a vida. Livre de preocupações ou medos quando estava ali a um palmo de distância do frio tão quente de Kouyou. E ainda que parecesse incoerente Yuu podia entender claramente quando o sentia. Era tudo tão suave que se tivesse que passar o resto da vida entre aqueles lençóis passaria e seria feliz e ainda quereria mais porque seria pouco.
E aquela foi a primeira vez que Shiroyama Yuu se deixou pensar sobre ser um vampiro.
Porque talvez uma vida tão efêmera não fosse o suficiente para viver tudo o que tinha para vivenciar com Kouyou e ainda que fosse, parecia-lhe pouco e ainda que não fosse era egoísta o suficiente para pensar que era. Mas ainda que pensasse em tudo isso talvez fosse demais se tornar um imortal, vivenciar todas as faces de todas as eras e ainda sobreviver e ainda ter história para passar e ainda aparentar a mesma face que aparentava há um milênio atrás. A perspectiva de ser tão velho, de durar tanto quanto a própria terra não poderia durar lhe parecia assustadora.
Mas havia uma questão… talvez nem ao menos percebesse as eras passarem ao estar ao lado de Kouyou. Mas, ainda que ele lhe amasse e que estivesse deslumbrado por isso, como poderia saber se amava Kouyou? A constatação de que doía pensar em morrer sem ele seria o suficiente? Alguém que nunca soube o que era amor poderia constatar tal coisa? A existência imortal era uma porta tão dolorosa assim?
Bem, talvez amasse Kouyou, porque não queria ir e deixá-lo, talvez pudesse amar da forma como Kouyou lhe ensinava, talvez a imortalidade não seja dolorosa. Mas talvez era algo muito pouco e uma decisão dessas não podia ser tomada por “talvez”, tinha que ter certeza, mas como ter certeza de algo que não tinha como saber como era? Como se decidir se sua mente se confundia tanto e traçava caminhos incompreensíveis sem que pudesse chegar a uma luz? Como se condenar ou se salvar em meio a tantas dúvidas?
Bem, não sabia a resposta, mas aquela fora a primeira vez que Shiroyama Yuu se deixara pensar sobre ser um vampiro e fora a primeira vez que se sentira tão confuso.
Mas não se deixou abater e continuou por horas a alisar os fios macios do cabelo de Kouyou, observando-o em seu sono tão solto e estava tão atento quanto em um primeiro momento quando os olhos âmbar se abriram tão preguiçosos e pôde sorrir vendo-o confuso e depois assustado e então feliz. E ainda puxou-o para um abraço apertado, com sabor de saudade, quando ele se ergueu e subiu no colo alheio e tirou suas roupas e deixou-se ser amado por todo o corpo de Kouyou. E sentiu-se bem estando preenchido por toda a prova do amor daquele ser, então se abandonou nos lençóis e pediu que aquele momento durasse para todos os momentos de sua vida.
Como não podia deixar de ser se entrelaçaram sobre o colchão, em um embolo de pernas braços e cheiros, tão próximos quanto podiam estar, porque havia uma necessidade arrasadora de sentir um ao outro e só um abraço não era o suficiente, tinham que sentir tudo. Todo o corpo, toda a respiração, toda a cor, toda a textura, toda a temperatura, toda a alma. E só se deixaram assim, embolados, no que pareceram, ou de fato foram, horas.
° ° °
Era sexta-feira. Sexta-feira de lua cheia, de vento forte, de cheiros marcantes. O jantar estava servido, mas desta vez somente Adele, Yutaka e Yuu comiam, os vampiros que estavam na casa faziam somente companhia. E em meio a vinho, a assado e conversas aleatórias Byou adentrou a sala de jantar trazendo um envelope em mãos.
— Que estranho… — Comentou sentando ao lado de Kazuki. — Não tem remetente e eu tentei abrir, mas não consegui.
Adele, que estava mais próxima, ao ouvir suas palavras voltou-se com o cenho franzido. — Posso ver a carta?
Byou a encarou por um momento, mas pegou o envelope das mãos de Kazuki. — Pode sim. — E entregou para a mulher.
E imediatamente Adele o reconheceu assim como Yutaka e Yuu. — É da Ordem Branca. — Ela explicou para os vampiros que estavam atentos.
— Mas porque a correspondência de vocês não abre? — Byou soou curioso.
— Esse tipo de carta é feita pelos magos da nossa terra, ninguém que não seja membro da Ordem pode abrir. — Explicou e olhou para seus companheiros. — E eu não vou abrir.
Yuu suspirou e agiu automaticamente: se esticou pegando a carta e tomando uma faca limpa em mãos abriu um pequeno corte na ponta de seu indicador. O efeito foi imediato, Kouyou que estava ao seu lado, levou a mão ao nariz e se levantou em um rompante saindo da sala. Yuu fez uma careta encarando a porta por onde ele passara e suspirou, voltando-se novamente e deixou o sangue verter no lacre da carta, com essa aberta entregou novamente para Adele.
— Ele vai ficar bem? — Perguntou para Takanori.
— Vai sim, você só tem que parar de sangrar. — Respondeu com um sorriso complacente.
Yuu assentiu e esperou que Adele lesse o conteúdo da carta. Sabia que podiam ser cobranças pela demora na resolução do caso ou a resposta da carta que haviam enviado pedindo o afastamento de Akira ou os dois. Então só esperou.
Mas a expressão de Adele não era nada boa quando ela se voltou para os dois. — Problemas garotos.
— Problemas? — Yuu indagou e Yutaka fechou a expressão em uma feição séria.
— Vejam bem, não sei se vocês sabem, mas existiam planos para expansão de terras. Isso, definitivamente, não era para agora, até porque estavam somente cogitando a idéia, mas parece que a informação vazou de alguma forma e Black Tiger descobriu. — Soava séria. — Agora o Lado Branco está sendo atacado e eles precisam de todos os homens, ou seja, as ordens são para que resolvamos tudo de uma vez e voltemos.
E, enquanto Yutaka pedia mais informações sobre o ataque, Yuu sentiu seu mundo ruir. Porque, rápido demais, a consciência de que teria que se separar de Kouyou lhe abateu. Teria que voltar, voltar para guerra, talvez morrer por White Tiger e nunca mais ver Kouyou outra vez. Nunca mais sentir seus abraços, seus beijos, seu frio, seu amor. Nunca mais contemplar os olhos âmbar. Essa constatação lhe tirou o chão e levou lágrimas aos seus olhos, porque não queria ir.
Naquele momento Shiroyama Yuu descobriu que, sim, amava Takashima Kouyou.
Ergueu-se e sem dizer qualquer coisa aos outros correu pelo corredor e pelas escadas, rompeu pelo corredor onde ficava o quarto de Kouyou com toda a aflição que tinha em seu peito e adentrou ao quarto procurando a imagem do loiro com desespero. O achou na sacada e outra vez correu até alcançá-lo e abraçá-lo com dor.
— Yuu? — Escutou o chamado e sentiu as mãos que tentavam lhe afastar, mas não o fez. Prendeu-se a roupa de Kouyou e gemeu contra seu ombro. — Yuu, seu sangue… — Kouyou tentava delicadamente, mas Yuu não soltaria.
Porque queriam lhe tirar de Kouyou, lhe tirar de seu amor.
Mas Kouyou não podia deixar que continuasse assim, Yuu ainda tinha um corte no dedo e aquele cheiro estava lhe deixando louco. Usou de sua força para afastá-lo e lamentou-se quando percebeu que isso o machucou. Mas não se aproximou antes que tirasse a própria camisa e a usasse para envolver o dedo machucado.
— Eu não queria te machucar. — Sussurrou abraçando aquele homem choroso. — Me desculpe.
Mas Yuu negou contra o peito de Kouyou. — Eu não quero ir embora, Kou… — Choramingou agarrando-se novamente ao corpo maior.
E a expressão de Kouyou apagou-se com aquela frase. — Ir embora? — Indagou levantando o rosto que já tinha rastros de lágrimas.
— Temos que voltar, o Lado Branco vai ser invadido. — Sussurrava entre soluços. — Eu te amo Kouyou, eu não quero ir.
Ver aquela expressão chorosa doía-lhe, mas não mais do que a constatação de que queriam lhe tirar seu Yuu. — Então não vá. — Pediu com dor. — Fica comigo, Yuu, fica pra sempre.
Yuu engoliu um soluço e puxou Kouyou pela nuca para beijá-lo. Uniu os lábios de um jeito aflito e forte, porque queria sentir totalmente aquele gosto. Perdeu-se ali durante alguns segundos que foram intensos demais e quando se afastou tornou a encarar os olhos âmbar. — Eu quero ficar…
— Diz que vai ficar. — Pediu com uma voz tão quebrada que Yuu se viu abraçando-o outra vez.
— Eu não sei se posso. — Sussurrou contra a orelha de Kouyou. — Eu quero Kouyou, mas eu não sei se vão me deixar ficar.
Kouyou pareceu engolir um bolo grande demais que se formava em sua garganta e puxou Yuu pelas coxas, pegando-o no colo. O levou para cama e ali tirou suas roupas, ali o beijou, o sentiu, o amou e o guardou daquele jeito intenso em seu peito. E depois se abandonou nos braços quentes, tragando daquele cheiro, daquela presença, e sabia que não podiam tirar aquele homem de si, porque então seria seu fim.
— Yuu… — Chamou baixo, com o rosto deitado no peito nu. — Eu te contei como vampiros morrem?
O moreno engoliu em seco e levou uma mão ao rosto de Kouyou o erguendo. — Não.
— Eles morrem quando perdem o motivo de existir. — Sussurrou e fechou os olhos com o toque da mão morna. — Se você for e não voltar mais eu vou morrer, Yuu. — E a primeira lágrima de Yuu escorreu ao ouvir aquelas palavras. — Eu vou morrer…
E Yuu soluçou, porque Kouyou não podia chorar.
° ° °
E aquele dia de desfecho tão difícil se foi… Se foi levando as lágrimas e as palavras que ainda assim estavam guardadas na memória. Aquela manhã então estava cinzenta, barulhenta e chuvosa. Yuu saiu do quarto eram por volta das onze da manhã e Kouyou não estava mais lá, inconscientemente seus olhos o procuravam por onde passava, mas não o viu até chegar à cozinha onde ele, Takanori e uma curiosa Adele conversavam.
Bateu na porta, constrangido, antes de entrar e os ofereceu um “bom-dia” baixo enquanto se dirigia para o fogão. Encontrou café em um bule e o esquentou para que pudesse tomar, pegou um dos pães que estavam em um cesto e virou-se para sentar-se à mesa notando os olhos de Kouyou presos em si e naqueles olhos havia tanta dor que os seus próprios os espelharam.
Sentou-se ao lado do loiro e acariciou o rosto frio brevemente, ganhando um sorriso apagado em troca. — Você está bem? — Perguntou baixo e o loiro assentiu.
— Yuu, tome seu café para que possamos conversar. — Adele pediu fazendo com que desviasse o olhar dos olhos âmbar.
— Tudo bem. — Assentiu voltando os olhos para a comida, mas não sentiu vontade de comer.
Suspirou e afastou o pão, tomando somente o café que fumegava na caneca esmaltada. Ouviu Kouyou suspirar e ergueu os olhos vendo-o tomando o pão em mãos e partindo um pequeno pedaço para depois trazê-lo até próximo aos seus lábios, como se lhe oferecesse. Sem opções abriu a boca aceitando o pão e assim seguiu-se até que terminasse de comer.
— Obrigado… — Soou constrangido, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
Kouyou se inclinou tomando seus lábios em um selar rápido e sorriu um pouco mais aceso que antes. — Vá falar com Adele e depois venha me dizer o que falaram, estarei na biblioteca.
Assentiu e se levantou seguindo com a loira que já lhe esperava à porta da cozinha. Seguiram calmamente por alguns dos inúmeros corredores da mansão e então adentraram em uma das salas de descanso. Sentaram-se lado a lado no sofá e a loira suspirou entrelaçando os dedos sobre as pernas cruzadas.
— Conte-me o que te fez sair ontem da sala de jantar daquele jeito tão intempestivo. — Ela soou em tom baixo e lhe olhou complacente.
Desviou os olhos e mordeu o lábio inferior enquanto pensava na melhor maneira de responder. — Bem, eu me desesperei um pouco… — Começou incerto. — Quando pensei que seria obrigado a me afastar de Kouyou, eu… eu me senti mal, porque eu não quero ir. — Parecia-lhe difícil dizer aquelas palavras para a mulher, mas Clemoon somente assentiu branda.
— Yuu, vou ser sincera com você. — Ela começou em um tom bastante enfático. — Ninguém, absolutamente ninguém, pode te obrigar a qualquer coisa. Existe algo que se chama livre-arbítrio, já ouviu falar, não é? Pois bem, por esse livre-arbítrio nem mesmo White Tiger pode te obrigar a qualquer coisa. No máximo, se você decidir ficar aqui quando formos embora, você perde seu cargo na Ordem Branca e consequentemente seu quarto naquela hospedaria para membros da Ordem. — A mulher suspirou e procurou olhar profundamente nos olhos negros daquele homem. — Acho que tudo só se resume a uma pergunta…
— Qual? — Perguntou temeroso.
— Onde seu coração está? — Sorriu complacente. — Se você acha que sua vida vai valer mais aqui, não hesite em ficar, agora se seu coração está no Japão, com White Tiger, volte conosco. A decisão é sua e eu estou me comprometendo a ajudá-lo com isso.
Yuu piscou, vendo naqueles olhos tão claros uma ajuda sincera. — Obrigado.
— Bem, não agradeça. — Soou com descaso. — Ao invés de perder seu tempo com isso vá atrás de Kouyou e aproveite para descobrir de vez todo o sentimento que tem por ele.
E Yuu sorriu àquelas palavras, levantando-se e seguindo sem medos para fora da sala. Andou calmamente por todos os corredores até chegar à biblioteca, encontrou Kouyou sentado em frente à lareira e não hesitou em seguir até o loiro, sentando-se em seu colo. Tomou o livro que ele lia e o jogou na outra poltrona sem se importar com nada. Enlaçou suas mãos no cabelo de Kouyou e aproximou as faces até que pudesse beijá-lo.
Calmamente os lábios se tocaram e Kouyou ofegou fazendo Yuu se apressar em invadir-lhe a boca com sua língua. Tocavam-se com reverência mútua, entrelaçando as línguas à procura de carinho um do outro. As mãos de Kouyou não se demoraram a fecharem o aperto na cintura de Yuu e seus lábios não demoraram a se moverem buscando sentir toda a maciez daqueles lábios tão cheios. Beijavam-se com urgência, com fome, com sede, com fogo e sentiam-se rendidos pelo frio e pelo calor. Quando os lábios se soltaram estavam ofegantes e Yuu encostou a própria testa a de Kouyou, dispensando um carinho lento entre os fios loiros.
— A escolha de ficar ou ir é minha. — Soou baixo e viu o sorriso de Kouyou crescer de uma forma linda e verdadeira que não via desde a noite anterior.
Os lábios se juntaram outra vez, em um contato mais bruto, mais intenso, mais rápido e então Kouyou lhe abraçava juntando mais os corpos. — Então diz pra mim que vai ficar.
Yuu sorriu e puxou a cabeça de Kouyou para que pudesse olhá-lo nos olhos. — Eu vou ficar… — Sussurrou contra a respiração de Kouyou e lhe selou os lábios. — Eu vou ficar.
— Repete. — Kouyou pediu entre sorrisos e selos rápidos.
— Eu vou ficar, vou ficar com você, não quero ir pra onde você não esteja. — E beijaram-se outra vez, com força e vontade. — Eu quero que nunca tenha que me afastar de você.
Kouyou riu, por simplesmente estar feliz, e ergueu-se com Yuu no colo. — Eu vou te amar, vou te amar hoje o dia inteiro.
— Você é louco. — Yuu riu passando suas pernas pela cintura de Kouyou. — Você quer mesmo que eu me levante depois disso?
— Você não precisa se levantar, pode ficar na minha cama pra sempre.
E riram juntos enquanto voltavam para o quarto.
Notas finais
Ah, fiquei super feliz com os reviews do capítulo passado e agradeço muito a Anghel; vampire_kawaii; tomoyo05; Chido ri e Shiroyama May. Vocês são muito, muito lindas ♥
E, cara, nem acredito, mas esse já é o capítulo oito... depois dele temos só mais dois e então o epilogo. *suspira* Existe um capítulo extra em andamento que não sei quando vou conseguir terminar, espero que logo nee...
De qualquer forma, até o próximo! ;*
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