Destined

6 Capítulo cinco


Notas iniciais
Então, aqui está o capítulo de terça! o/
Espero que vocês gostem do que vai acontecer XDD
Assim, peço que leiam carinhosamente ♥



Capítulo Cinco



No dia seguinte, Yuu procurou seguir um dos conselhos de Kazuki e procurou pelos outros casais para perguntar-lhes sobre suas histórias. Falou primeiro com Kohara e Shinji e achava realmente linda a história dos dois. Depois esbarrou com Marie no corredor e ela lhe contou de bom grado toda a história.



Talvez a dela tenha sido a que aconteceu mais rápido, Farir a descobriu, mas teve controle o suficiente para não mordê-la. Havia conquistado a garota e depois lhe contou sobre suas origens e Marie aceitara, primeiro por saber que com a vida que levava nunca encontraria alguém melhor, segundo porque a idéia de ter o carinho de alguém era boa o suficiente para levar aquilo adiante e, terceiro, porque acima de todos os outros motivos o amava.



Mais tarde então se encontrou com Derec e apesar de achá-lo um pouco assustador, tomou coragem e pediu que lhe contasse a história. Estranhamente o outro não se importara nenhum pouco. Ele e Bridget se conheciam desde crianças, cresceram juntos e iriam se casar, mas antes que isso acontecesse Derec foi mordido por um vampiro. Ele lhe contara que esse vampiro vivia de maneira errada e como nunca encontrara seu par, passara a morder eventualmente quem lhe interessasse.



Por alguns anos Derec esteve preso a ele, mas quando o tal vampiro se interessara por Takanori se viu livre e procurou Bridget novamente. A mulher não se importou em ser transformada, pois já o amava há anos e viviam juntos desde então. Derec também contara como começara a reunir a família. Quando reencontrou seu criador ele já havia transformado Takanori, mesmo que não houvesse qualquer faísca de amor entre eles, mas isso criara efeitos inesperados no pequeno loiro.



Takanori não podia sentir como os outros vampiros de seu tipo, não podia se guiar por sentidos. Ele se tornara vazio após a transformação e impulsionado por isso matara ao seu próprio criador. Derec e Bridget o acolheram, começando assim com a família. Com os anos, outros foram se juntando espontaneamente e a maior parte já estava com eles quando estavam no Japão.



Por fim, depois de ter ouvido todas as histórias, Yuu se recolheu para que pudesse pensar em como agir. Por tudo o que ouvira sabia que não seria obrigado a ser um vampiro, mas para todos pareceu tão certo que isso acontecesse que lhe deixava um pouco temeroso. No entanto, não podia negar, estava incrivelmente tentado a dar uma chance a tudo aquilo, porque a simples idéia de todo aquele amor que estava sendo pregado naquela casa lhe atraía demais.



Não conhecia qualquer tipo de amor ou base, e poder finalmente experimentar isso, daquela forma tão única que estava sendo desenhada, era bom. Simplesmente bom. Tão inteiramente quanto possa ser. Não podiam lhe julgar por querer isso… Bem, talvez pudessem, mas ser julgado mais uma vez não era algo tão ruim assim.



Ficou o que lhe pareceram horas naquela cama e quando lhe chamaram para jantar desceu ainda pensativo.



Como nas outras noites não viu Kouyou à mesa e impulsivo segurou Kazuki lhe sussurrando ao ouvido: — Onde Kouyou está?



Kazuki sorriu abertamente e lhe piscou um olho. — Eu o vi entrando na sala de visitas.



Dizendo isso ele se afastou e Yuu parou por um momento pensando se deveria ou não ir atrás. Mas por fim, sentindo uma ansiedade boba, acabou seguindo até o lugar.



Porém, antes que alcançasse a porta da sala, seu braço foi preso com força por mãos ásperas. Virou-se e encontrou Akira lhe olhando com os olhos estreitos. Mordeu o lábio inferior temendo o que ele pudesse fazer e o seguiu quando ele simplesmente lhe puxou.



— Onde você estava indo? — Ele perguntou em meio ao corredor vazio.



— Por que você está me seguindo? — Devolveu com outra pergunta tentando se soltar, mas o outro só lhe apertou com mais força.



— Yuu… — Sibilou, aproximando-se mais. — Eu acho que você ainda não entendeu bem o que eu quis dizer.



Com essas palavras puxou o moreno outra vez até estarem perto de um candelabro. Yuu encarou a chama das velas, um arrepio lhe cortando a coluna enquanto Akira lhe esticava o braço com força excessiva. Teve o braço descoberto das roupas pelas mãos ásperas e, aflito, tentou se soltar, mas o loiro lhe prensou irritado contra a parede. Levando seu pulso até estar próximo ao fogo e lentamente o aproximando mais até que sua pele começasse a queimar. Gemeu tentando puxar o braço, mas Akira o segurou com força até que estivesse satisfeito.



— Essa é a dor que você vai sentir por todo o seu corpo até que seja reduzido as cinzas, se for transformado. Eu espero que esse seja meu último aviso Yuu. — Dizendo isso o loiro lhe soltou e Yuu o encarou gemendo de dor.



— Você é louco. — Disse baixo, mas foi o suficiente para que, rindo soprado, o loiro se voltasse e segurasse sua cabeça batendo-a com força contra a parede.



— O aviso foi dado.



Yuu gemeu e escorregou pela parede ouvindo os passos se distanciarem. Olhou para o braço vendo as bolhas que se formavam na área queimada, sua cabeça latejando de dor pela batida e as lágrimas simplesmente correram. Estava com medo, com muito medo. Medo de tudo. De Akira, daquelas paredes, da sua própria sombra. Encolheu-se abraçando as pernas com o braço são, o outro largado ao lado do corpo, e se deixou chorar. Baixinho, para que ninguém o ouvisse. Temendo que alguém o ouvisse.



Talvez não devesse agir assim, talvez não devesse ceder a dor, talvez devesse ao menos se trancar no quarto antes de se entregar ao choro, talvez só devesse se erguer e fingir que nada havia acontecido, e lhe feria o orgulho que não fizesse nada daquilo que sabia dever fazer. Mas se descobriu incapaz de sequer erguer o rosto dos joelhos, porque estava apavorado, como uma criança que tem medo do escuro. Mas não havia orgulho nisso, não havia orgulho em se descobrir ainda mais fraco do que já aparentava durante toda a vida.



Mas ainda assim, com medo e cheio daquele sentimento vergonhoso por sua atitude, se deixou ali. Largou-se ali. Com o mesmo abandono que uma boneca de pano jogada fora. Porém não era vazio como uma boneca, nunca poderia ser, e sentia a dor, a queimação, o medo, a vergonha. Sentia. E a consciência do sentir é dolorosa.



Não podia entender o que levava Akira àquelas ações doentias, mas soube naquele momento que não queria se tornar uma vítima da loucura de ninguém. Estava com uma queimadura no braço por simplesmente caminhar em direção a algo que não sabia ao menos se queria realmente. Estava sob um aviso que não achava certo. Por um momento parecia que as escolhas de sua vida simplesmente não eram suas e isso era revoltante. Mas a consciência de sua revolta não era capaz de aplacar o medo.



Medo. Medo de descobrir algo e ser morto por isso. Medo talvez de se entregar a algo e ser arrancado disso. Medo de ser imposto a algo que não sabia querer e morrer. Medo de morrer. Era isso no fim. Porque é essa a atitude dos fracos, eles se agarram a vida mesmo que essa não valha nada. Ou porque são muito covardes ou por terem uma esperança ilusória de terem o que ainda não tiveram. No fim os meios nunca justificavam. “Porquês” não importam. É só fraqueza, humilhante e suja.



Soluçou, sentindo-se embargado demais. Havia algo naquela queimadura que fazia seu peito se corroer em angústia. Havia algo na violência que lhe fechava a garganta quase como mãos. Mãos invisíveis, mas gélidas e cruéis. Apertando mais e mais, sufocando, fazendo-o soluçar. E então havia passos que lhe calaram. Mas sentia-se sufocar agora, ainda assim não voltou a fazer qualquer ruído enquanto os passos ecoavam, se aproximando de onde estava.



— Yuu? — Houve a pergunta num tom assustado e identificou como a voz de Kouyou.



Não respondeu ou sequer se moveu senão para se encolher mais contra a parede. O ouviu se movendo e, em um instante, aquelas mãos frias estavam ali, temerosas, tocando-lhe com delicadeza o braço queimado, erguendo-o talvez para que pudesse ver o estrago. Mas não deixou, puxou o braço de volta e ergueu o rosto, ainda que trêmulo pelo medo.



Kouyou tinha as mãos paradas no ar onde segurava seu braço um instante atrás, mordia o lábio inferior e lhe encarava com o rosto pálido contorcido em dor. E não soube dizer se aquela dor ele sentia por si, mas sabia não ser a dor de sempre.



— Kouyou. — Foi um sussurro apenas, sob a respiração, enquanto seus olhos negros ainda perscrutavam os olhos de profundo âmbar.



Não soube dizer o que queria com aquele chamado. Não identificava a súplica na própria voz embargada. Porém não queria se prender a nada disso. Só lhe bastava naquele momento observar o corpo que se movia ainda cheio de receio para se sentar ao lado do seu, observar os olhos que buscavam os seus, pedindo permissão, antes de lhe puxar para perto, envolvendo seu ombro e levando o braço com a queimadura para o próprio colo. Bastava sentir o frio que havia naquele corpo e sentir o aperto confortável que ele mantinha para que ficassem próximos.



— Quem te machucou assim? — Ouviu a pergunta mantendo os olhos presos nos dedos frios que acariciavam levemente em volta da pele queimada.



Não quis responder. Não sabia o que esperar de Kouyou, não o conhecia e o que ele havia lhe mostrado até hoje não lhe dizia que era confiável. Mas ele dizia serem destinados, havia toda uma promessa de amor, havia um estremecimento em seu peito que nada dizia sobre seu medo. Não precisava contar então.



— Kouyou… — Chamou outra vez e ele lhe apertou mais em resposta. Estavam tão juntos que foi mais confortável deitar a cabeça no ombro frio. — Quem ama protege?



Não saberia explicar se lhe perguntassem o porquê de ter perguntado aquilo, mas sabia que seu coração precisava conhecer a resposta para que se esquecesse do medo.



Kouyou sentiu-se estremecer, em meio a todo o sentimento que lhe invadia ao ter Yuu ali entre seus braços. Sentia tanta vontade de protegê-lo ao vê-lo assim, sentia tanta raiva por alguém ter ousado macular a pele macia daquele homem, sentia tanta felicidade ao mesmo tempo por ele simplesmente ter-lhe permitido se aproximar e seu peito ainda encontrava espaço para doer ao ver toda a postura encolhida, ao ler todo o medo. Era intenso demais o que podia sentir ao estar ao lado daquele que era simplesmente seu. Sua parte, seu complemento, seu chão, sua eternidade.



— Quem ama faz muito mais do que proteger. — Aproximou o rosto da cabeça que repousava em seu ombro e inalou daquele cheiro que tanto lhe desnorteava.



— Você falou que somos destinados… — Sussurrava, como se com medo que qualquer outro que não fosse Kouyou lhe escutasse. — Eu conversei com os outros casais da mansão e sei de suas histórias. Kouyou, eu não consigo me imaginar como um vampiro, mas eu quero amor.



Kouyou só pôde gemer sentindo a angústia daquelas palavras e apertou o corpo menor ainda mais, ainda que tivesse cuidado para não machucá-lo. — E eu quero te amar, Yuu. — Beijou-lhe os cabelos macios. — Me deixa te amar.



Yuu estremeceu e soube que não importava o resto fora daquele abraço. — Me ame e me ensine sobre o amor para que eu possa te amar. — Eram sussurros tímidos, mas sabia que Kouyou era capaz de ouvir.



Kouyou ergueu a face de Yuu e beijou-lhe as bochechas onde havia rastros de lágrimas, segurou-lhe o rosto com carinho, ajeitando os fios de intenso negror que caíam soltos emoldurando o rosto que agora corava ante seus olhos. E não podia deixar de olhá-lo como se ele fosse o norte de sua vida. Porque ele o era. Era ele que guiava sua eternidade a partir do momento que cruzou docemente em seu caminho.



Aproximou os lábios, cuidadoso, tocando-os com reverência. Seus instintos explodindo em um vórtice de sentimentos muito intensos para serem decifrados por seu coração e pensava que iria explodir sentindo tudo aquilo. Mas não, ainda estava ali para provar do calor daquele contato.



— Eu vou te proteger. — Yuu ouviu o sussurro quando seus lábios foram soltos.



Assentiu e se agarrou as vestes do maior, não se importava com o frio daquele corpo.



Era aquele frio que agora lhe oferecia a promessa de tudo o que lhe faltava.



° ° °



Sentiu-se estremecer quando seu corpo nu imergiu na água quente da banheira. O cheiro agradável das essências preenchia todo o banheiro e as velas que queimavam no candelabro davam um ar especial ao quadro. Deslizou a palma de sua mão por todo o colo até o pescoço, sorrindo de viés quando mãos mais pesadas que as suas se aproximaram subindo por sua nuca.



— Não me provoque, Adele. — Foi o sussurro que veio de encontro ao seu ouvido antes que um beijo fosse deixado em sua pele desprotegida do pescoço.



— Eu não lhe chamei para o banheiro… — Suspirou quando os dentes resvalaram de leve em sua orelha. — Você veio porque quis.



Yutaka riu deslizando os dedos para o cabelo loiro, prendendo-o forte ao puxar a cabeça da mulher para trás. — A culpa é toda sua, eu queria conversar sobre os planos dos vampiros e você tirou a roupa. — Mordeu a bochecha de pele macia, escutando o riso baixo reverberar no banheiro. — Deveria se responsabilizar agora.



— Bom, me sentiria muito bem em me responsabilizar, ainda mais com você tão bem disposto, mas acho que diante de seus argumentos a conversa deveria vir primeiro.



— Que se foda a conversa. — Sussurrou contra o ouvido da loira. — Eu te quero agora.



Adele sorriu e levou as mãos molhadas para trás, abraçando o homem pela nuca. — Se você quer, pegue.



Yutaka rosnou baixo e se soltou da loira, só para dar a volta na banheira e erguê-la em um único puxão. Pegou-a no colo ainda molhada e a levou para o quarto, então se amavam fervorosamente sobre os lençóis macios, a marcou e penetrou com força, desejoso pelo corpo macio e curvilíneo em seus braços. Se perderam em gemidos e calor para depois se aconchegarem cansados entre carinhos brandos e, deslizando os dedos pelos longos fios loiros, deixou-se esquecer das preocupações que começavam a lhe surgir.



Não queria pensar na demora dos vampiros, nos ataques que aconteceram naquela semana ou em qualquer detalhe sobre os planos quando tinha aquele corpo tão belo em seus braços. Quando podia admirar aquela que lhe conquistara totalmente. Quando podia ver a expressão tão forte, por vezes arrogante, ceder em puro prazer por simplesmente estar em seus braços.



Queria pensar só nela e foi assim que dormiu naquela noite.



° ° °



Mordeu o lábio inferior sentindo-se envergonhado quando adentrou a cozinha. Não havia estado ali ainda, mas não era isso que lhe fazia encarar o chão desejando ser invisível, mas sim a mão de Kouyou que lhe trazia pelo ombro e toda a sua postura preocupada. Ergueu os olhos minimamente só para confirmar os olhos de Takanori e Kazuki presos em si com expectativa.



— Taka, você sabe como tratar queimaduras? — Kouyou perguntou fazendo com que se sentasse em uma das cadeiras da pequena mesa de madeira que havia ali.



O pequeno loiro se aproximou secando as mãos que antes lavavam a louça do jantar e olhou ressabiado para Kouyou. — Me deixa adivinhar… Ele se queimou escapando de você?



— Não. — Respondeu antes que o loiro se pronunciasse. — Foi um acidente com velas.



Takanori sorriu e Kazuki se aproximou já trazendo alguns gelos em um pano. — Coloque sobre a queimadura. — Aconselhou sorrindo.



Pegou a compressa, mas antes que a pressionasse sobre o local Kouyou se aproximou, tomando-a de suas mãos, se abaixando a sua frente e colocando ele mesmo delicadamente sobre seu braço. — Vou cuidar disso pra você. — Ele falou sorrindo calidamente.



Notou os sorrisos de Takanori e Kazuki e corou, encarando as mãos pálidas de Kouyou que faziam sua pele clara parecer quase morena.



— Vocês se acertaram? — Takanori perguntou sentando-se ao lado oposto da mesa.



Kouyou lhe encarou primeiro, como se para pedir confirmação, e só pôde assentir constrangido. — Sim. — E havia uma felicidade tão explícita naquela simples palavra que Yuu sentiu o peito menor por um momento.



— Que bom. — Kazuki soou genuinamente satisfeito com aquela resposta. — Fico feliz por vocês.



— Também fico. — Takanori soava menos eufórico que Kazuki, mas não menos sincero.



Lambeu os lábios e assentiu em agradecimento. Sentia-se extremamente envergonhado, mas ainda assim havia aquele calor brando que lhe formigava todo o corpo por saber que agora, depois de trinta anos de vida, poderia experimentar mais que caridade. Saber que havia amor para si naqueles olhos de whisky, saber que havia uma chance de amizade para si entre aqueles outros homens. Era agradável e desconfortável ao mesmo tempo, em uma mistura única que fazia seu corpo oscilar entre vergonha e uma excitação acanhada.



Deixou-se observar o cuidado de Kouyou em cuidar de seu braço, a delicadeza com que pressionava a compressa para que não sentisse qualquer dor, o deslizar suave dos dedos gélidos em sua pele oferecendo um pequeno conforto, o olhar que lhe dizia tanto. Descobriu naquele momento que aquele olhar lhe tirava o rumo, fazia com que se perdesse no castanho e se esquecesse de que havia qualquer coisa em volta.



Aqueles olhos eram perigosos.



Suspirou e forçou-se a desviar o olhar notando que Kazuki e Takanori já conversavam tentando não prestar atenção a ele e Kouyou.



— Mas a autorização ainda não chegou? — Kazuki perguntou com o cenho estranhamente franzido.



— Não, não chegou. — Takanori negava enquanto brincava com o pano em suas mãos. — O problema é que os companheiros de Yuu já estão começando a nos olhar desconfiados.



— Qual é o problema? — Yuu perguntou sem que pudesse se conter.



Takanori voltou os olhos claros para o moreno e retorceu os lábios em desgosto. — Você sabe que nós precisamos de autorização para exterminar um grupo de vampiros, não sabe?



— Sim, vocês explicaram naquela reunião.



— O problema é que nós já enviamos duas cartas e o pessoal do comitê ainda não mandou a resposta. Seu amigo, Yutaka, esta começando a desconfiar de nós, eu vejo isso no olhar dele toda vez que nos reunimos. Mas não é como se não quiséssemos agir, só não podemos. — Houve um suspiro e o pequeno negou em um gesto impaciente. — Derec esta cogitando a idéia de viajar até a sede dos clãs para explicar o caso pessoalmente, mas, em minha opinião, é ele sair e Yutaka concorda com Akira que devem incendiar a mansão.



Yuu sentiu-se arrepiar com a simples menção de incêndio e desviou os olhos para o tampo da mesa. — Yutaka não faria isso. — Soou baixo, pensativo. — Adele me parece ter a cabeça muito no lugar e, se não me engano, ela e Yutaka têm um relacionamento mais íntimo. Acho até que foi ela que o convenceu a aceitar nossa estadia aqui na mansão. Se Derec precisasse sair ela aconselharia Yutaka, não acho que tenham que se preocupar tanto com os dois, mas com Akira…



Takanori riu soprado e jogou o pano sobre a mesa. — Eu sei, esse Akira é um completo idiota. — Soava irritado.



— Não fale assim, Takanori. — Kouyou repreendeu e Yuu voltou os olhos para ele, quis dizer que o pequeno não estava de todo errado, mas não teve coragem.



Ficaram na cozinha por um tempo ainda, seu braço já estava um pouco dormente pelo gelo quando este já derretido começava a pingar do pano. Kouyou despediu-se dos outros vampiros e lhe guiou outra vez pelos corredores até estarem em frente ao quarto que dividia com Akira e Yutaka.



Parou em frente à porta sem saber o que dizer ou como agir, evitando os olhos do maior, constrangido. O silêncio durou um tempo e se surpreendeu quando sentiu a mão fria acariciar seu cabelo delicadamente. Os dedos longos mergulhavam por entre seus fios, acariciando, parecendo provar a textura e gostou daquele toque. Ergueu os olhos e viu a expressão admirada nos olhos de Kouyou, ele parecia, como em outras vezes, ter aquela estranha dificuldade de respirar e isso lhe fez morder o lábio inferior.



— Eu não sei onde fica o seu quarto… — Soou em um timbre baixo, conseguindo um arfar do loiro.



— Você não deveria soar assim. — Ele disse baixo. — Eu posso te levar até lá e não te deixar sair mais.



Sorriu tímido abaixando o rosto e se aproximou um pouco mais de Kouyou. — Se quiser me levar… — Sugeriu e foi tomado em um abraço forte, por um Kouyou que procurou por seu cheiro de modo aflito. — Seria bom para conversarmos e… — Falava contra o ombro largo. — E nos conhecermos melhor.



Kouyou lhe apertou um pouco mais, inalando do cheiro que desprendia do moreno. — Eu vou me sentir extremamente feliz em te ter em meu quarto.



Então Yuu afastou o abraço e segurou a mão de Kouyou, olhando-o nos olhos e Kouyou sorriu lhe guiando outra vez, até que chegassem ao fim de outro corredor. A porta de madeira escura e entalhe bonito foi aberta e Yuu se viu diante do quarto que seguia os padrões dos outros ainda que em cores e texturas diferentes. Na parede da esquerda havia a grande cama de casal com dossel, as cortinas eram brancas e de um tecido leve, a madeira da cama era escura e os lençóis estavam bagunçados como se não houvessem sido arrumados naquele dia.



Havia uma escrivaninha onde alguns livros estavam organizados, e alguns pergaminhos espalhados. Havia também uma lareira como em grande parte dos cômodos, em frente a ela poltronas grandes e de aparência confortável. As paredes eram cobertas por um papel de parede verde-escuro que contrastava com a cor das chamas que Kouyou acendia naquele momento.



Com passos incertos, quase que excessivamente constrangidos, Yuu seguiu fechando a porta que Kouyou deixara aberta, quase como se dissesse que poderia sair se quisesse. Mordeu o lábio inferior encarando a silhueta de Kouyou abaixado em frente à lareira e se abaixou tirando os sapatos. Deixou-os ao lado da porta, com um costume que estava ligado demais a sua origem, e caminhou incerto até parar em frente às poltronas, correndo a mão por seu couro, sentindo sua textura.



— Você fica lindo assim… — Escutou a voz de Kouyou e ergueu os olhos surpreso.



Ele lhe olhava parecendo encantado bem em frente à lareira. — Como?



— Quando a luz da lareira ilumina seu rosto, fica bonito. — Sorriu constrangido e assentiu baixando a cabeça. — O que você quer fazer? Confia em mim pra passar a noite aqui?



— Eu não deveria confiar? — Perguntou baixo, sem erguer o rosto.



— Eu quero que confie e quero lhe dar motivos para que isso aconteça. — Então deu a volta nas poltronas e virou Yuu para que pudessem se encarar. — Me diga o que quer fazer e faremos.



Yuu suspirou e deixou-se pensar por alguns segundos, não conseguia pensar em algo que pudessem fazer, mas tinha curiosidade de conhecer mais sobre Kouyou. Passou a língua pelos lábios, umedecendo-os, antes que voltasse a falar: — Podemos só conversar?



Kouyou sorriu e se inclinou, beijando-lhe a testa. — O que você quiser. — Assentiu e permitiu-se se aproximar mais do corpo frio, correndo os dedos pela gola do casaco grosso que ele usava. — Você quer vestir algo mais confortável?



— Suas roupas? — Perguntou olhando-o nos olhos.



— Sim, minhas roupas. — Kouyou sorria. — Acha ruim?



— Ruim não, talvez um pouco rápido, mas eu não me importo. — Soou com sinceridade. — São só roupas.



— “Só roupas” não. — Kouyou discordou, e se aproximou, sentindo o peito estremecer ao envolver a cintura fina em seus braços. — São minhas roupas, elas têm o meu cheiro… — Sussurrava contra o ouvido do moreno. — Mas quando você as usar vão ficar com o seu cheiro, e eu vou querer guardá-las para que possa senti-lo mesmo se você não estiver aqui.



Yuu ofegou baixo e se agarrou a roupa das costas do maior, procurando algum equilíbrio quando suas pernas pareceram fracas demais. — Você… não fale assim.



Kouyou baixou o rosto beijando-o a bochecha e depois os lábios em um breve selar. — É inevitável… — E sorriu acariciando o rosto corado. — Gosto de ouvir seu coração acelerar.



— Pare. — Soou fraco e Kouyou lhe tomou os lábios em um beijo profundo.



Sentiu-se derreter contra aquele corpo frio. Era como se perdesse a capacidade de completar pensamentos coerentes e todo o chão houvesse desaparecido e a única coisa que lhe sustentava eram aqueles braços de aperto forte, então não tinha escolhas sem ser se derreter, entregando-se a sensação daquela boca contra a sua, lhe tomando com força e com vontade desesperada. Sentir a força que não havia naquele toque antes, a força que era dispensada ao aperto em sua cintura, aos lábios que sorviam de seu gosto avidamente.



Moveu sua própria língua contra a de Kouyou querendo provar de seu sabor também e havia ali um rastro quase apagado de bebida alcoólica que lhe fez intensificar mais o contato. Ele era frio, mas o contraste disso com o calor de sua pele era bom, provocava arrepios enquanto as mãos longas brincavam de lhe descobrir. A boca dele também era pequena contra a sua e era gostoso senti-lo ao tentar conter toda sua carne entre os próprios lábios.



Ofegou quando ele liberou o beijo e então sentiu as mordidas que se dispensavam em seus lábios. Receou um pouco, mas ele não estava lhe machucando, só parecia empolgado em provar de seus lábios, de mordê-los para sentir como eram fartos. Entremeou os dedos nos fios loiros e deixou que ele seguisse com aquilo, sentindo um choque quando as mordidas deixaram seus lábios trilhando para o queixo e então para o comprimento do pescoço.



— Kouyou… — Arfou segurando-o pelo cabelo.



O loiro ainda deixou um beijo sobre sua pele, antes que voltasse a erguer o rosto para lhe tomar os lábios outra vez. Agarrou-se com mais força, sentindo que era difícil permanecer assim. Não conseguia mais respirar direito, inebriado demais pelas sensações. Sentiu as mãos frias que acharam espaço entre as vestes para tocar a pele de sua cintura e gemeu contra o beijo, sentindo um arrepio cortar seu corpo.



Separaram-se e Kouyou lhe tirou a camisa, não teve forças para impedir, mas, ao se ver com o torço nu perante os olhos que lhe encaravam famintos, temeu. Encolheu-se e se afastou do toque, trazendo aquela expressão sofrida ao rosto de Kouyou.



— Yuu… — Ele chamou baixo, segurando sua blusa entre os dedos longos.



— Vamos só conversar. — Pediu voltando os olhos para o chão.



Kouyou respirou fundo tentando se acalmar e dobrou a blusa que estava em suas mãos. — Vou pegar algo pra você vestir.



Yuu o viu se afastar até o guarda-roupa de madeira escura que havia ali e se aproximou esperando pelas roupas. Observou que ele tinha vários casacos, roupas lindas e de aparência cara. Suspirou pensando que nunca havia vestido algo assim, mas se desligou disso quando Kouyou lhe ofereceu as roupas. Vestiu a camisa de mangas longas e decote aberto, depois tentando mostrar um voto de confiança, despiu-se das calças as colocando nas mãos de Kouyou e vestiu a que ele havia lhe entregado.



A roupa era confortável e ficava um pouco grande para si, mas não se importou. Observou Kouyou dobrar suas calças e guardá-las junto com sua camisa, assim se encararam por um tempo como se pensassem o que deveriam fazer. Por fim, lhe pegando pela mão, Kouyou lhe guiou para a cama, fazendo com que se deitassem lado a lado. Envergonhado deixou-se dividir o mesmo travesseiro que o outro, seus rostos muito próximos, roçando um nariz no outro, enquanto a mão de Kouyou fazia um carinho agradável em seu rosto.



Descobriu, naquele momento, que gostava daquilo, de toda a reverência daquele toque. E que era infinitamente bom sentir algo assim pela primeira vez na vida. Assim disse para si mesmo que não queria sair dali tão cedo.


Notas finais
Não sei muito bem o que dizer aqui... Eu gosto de como as coisas aconteceram e estou muito ansiosa para saber o que vocês acharam. Espero que ninguém tenha se decepcionado com o capítulo ;.; Sério.
Anghel; tomoyo05; Shiroyama May; Chido ri.
Vocês são um amor!! Sério, muito obrigada por estarem acompanhando e dizendo o que estão achando. Isso é muito importante pra mim ♥
Dito isso, me despeço! Até sexta-feira! o/
Nota: Muito obrigada a Shiroki_D, que está betando a fic ♥