Destinazione

3 Carnevale


Notas iniciais
Queridos. Peço perdão novamente pela demora, mas como eu não joguei o jogo, tive que ler o livro e isso me tomou a última semana. Afinal de contas, não fosse o livro eu jamais teria percebido a enorme gafe que cometi no último capítulo. Ou seja, eu o corrigi e a história mudou um pouquinho, mas não se preocupem, é apenas um detalhe. Para quem não quer ler o capítulo novamente: Maya e Ezio estão em Veneza, o que quer dizer que não poderiam se hospedar na casa de Paola que fica em FLORENÇA (dãããã, Charlie burra). Pois é, um erro ridículo que altera um pouquinho a história. Então é isso, desconsidere que eles estavam na casa dela e sejam felizes com esse capítulo! Música incluída no capítulo!


(Maya Di Versati)

A noite foi tranquila, ambos estavam mortos de cansaço e não houve tempo para qualquer discussão antes de dormirem. Maya acordou primeiro na manhã seguinte. Vestiu roupas comuns, deixando o manto característico de lado, evitando assim chamar a atenção e saiu, caminhando pelas ruas que outrora foram sua casa.

A cidade estava irreconhecível, parecia rica e poderosa, havia crescido e prosperado e já não se via mais as pessoas moribundas vivendo em becos sujos ou morrendo de fome. A primavera trazia uma sensação de calmaria para Veneza, as ruas pareciam mais alegres e as pessoas ficavam eufóricas com a chegada do carnaval. O ar da cidade não era exatamente o que se poderia considerar agradável ao se aproximar dos canais, mas no centro da cidade, onde as casas pertenciam aos ricos e políticos, havia praças e árvores coloridas por flores eu perfumavam o ambiente. Maya caminhava por uma das extensas praças coloridas, algumas crianças brincavam e a olhavam, apesar de fazer de tudo para não chamar a atenção, seus cabelos causavam o efeito contrário.

Depois de caminhar pela cidade, relembrar de seus becos e ruas, rotas de escape e esconderijos, muitos ainda intactos. Maya retornou para o hotel, encontrando Ezio terminando de calçar suas botas.

– Achei que tinha fugido de mim... – ele falou enquanto prendia os cabelos com uma fita vermelha.

Maya riu – E por que eu faria isso?

Ele deu de ombros – É o que sempre fez.

– Não podemos fingir que isso nunca aconteceu? – ela se virou, encarando-o. Ezio riu.

– Vamos precisar de um mapa da cidade para começar.

Ela tirou um pedaço de pergaminho amarelado do bolso da calça, desdobrando-o sobre a pequena mesa de madeira que ficava entre as camas.

– Imaginei que precisaria de um para se orientar, comprei enquanto caminhava. – explicou.

Ezio pareceu um tanto ofendido com a insinuação de que se perderia na cidade, mas acabou ignorando. – Bem, antes há alguém que eu quero que conheça. É um amigo querido, inteligente e confiável, ele está atualmente em Veneza e pode nos ajudar com qualquer coisa que precisarmos.

– Se é tão confiável assim, porque estamos aqui e não em sua casa?

– Eu não colocaria sua vida em risco por uma missão. – Ezio respondeu num tom sério – Vamos, temos planos para traçar e pretendo fazer isso ainda hoje. – ele pegou o manto de Maya, pendurado na parede e jogou para ela – Por Deus, esconda esses cabelos, não queremos atenção desnecessária.

Sentindo-se um tanto ofendida, Maya vestiu o manto, abotoando-o até o final da cintura, onde se abria numa fenda, e então trançou os cabelos, escondendo-os sob o capuz. Seguiu Ezio para fora do hotel sem dizer nada. Eles andavam se misturando na multidão que fazia compras nas ruas, evitando os olhares atentos dos soldados. Ezio parecia conhecer aquele caminho como a palma de sua mão, pois se metia em ruelas que Maya conhecia como rotas de fuga dos ladrões da cidade. Depois de uma longa caminhada, chegaram à uma casa simples. Ezio bateu na porta e esperou, sendo recebido por um jovem de cabelos escuros e pele clara.

– Em que posso ajudar senhor? – ele perguntou pela pequena fresta da porta.

Ezio não respondeu de imediato, analisou o rapaz e em seu redor – Sou amigo de Leonardo. – ele falou num tom sério.

– Ezio! – ouviu-se a voz inconfundível do artista logo atrás da porta. O rapaz a abriu, dando passagem para um homem de estatura mediana, cabelos louros e olhos cor de mel. Ele abraçou Ezio que retribuiu. – E quem é esta? – ele olhou curioso para Maya.

– Uma aspirante. – ele respondeu brevemente.

– Entrem – ofereceu Leonardo, fechando a porta após passarem. – O que o trás a Veneza, meu amigo?

– Assuntos inacabados com Rodrigo Borgia. Ouvi rumores de que ele estava aqui.

Leonardo suspirou, guiando os visitantes para uma sala privada, longe dos ajudantes.

– Sei que suas visitas nunca são meramente sociais, Ezio. – ele falou, servindo três taças de vinho e convidando-os a se sentarem.

– Me conhece bem... Mas é algo de seu interesse. – Ezio tirou três pedaços de pergaminho da bolsa em seu cinto e as entregou a Leonardo.

– Ah você sabe como me agradar. – o homem sorriu como uma criança que ganha um brinquedo novo e então se sentou à mesa, pegando livros e mais livros espalhados pela sala, passando a ler e fazer anotações.

– O que são? – perguntou Maya curiosa.

– Páginas de um códex. Algumas contêm segredos importantes para a ordem, outras têm design de armas. – Ezio exemplificou com os braceletes de couro – Leonardo restaurou e criou minhas armas a partir do que descobriu nessas páginas.

– Achei que ele fosse pintor... – ela se referiu às pinturas que havia visto pelo ateliê.

– Ele faz um pouco de tudo.

Após alguns minutos de espera, Leonardo se levantou, fechando os vários livros que estavam sobre a mesa e então caminhou até Ezio, entregando-lhe duas das três páginas.

– Duas delas contêm segredos que eu não quero descobrir, quanto à terceira, há um novo modelo de arma que me impressiona. É muito avançado para seu tempo. – ele estava eufórico – É uma arma de fogo! Tão pequena que pode ser escondida em seu bracelete e tão perigosa que pode matar um homem adulto!

Ezio se impressionou – Consegue fabricar isso?

– Creio que vai demorar um pouco mais do que para fabricar uma arma comum, mas sim. Meus ajudantes têm certo dom para engenharia, podemos fazer isso. – Leonardo respondeu com convicção.

– Ficaremos aqui por algum tempo até conseguirmos seguir de perto dos passos de Rodrigo.

– Então pode voltar aqui na terça-feira e então lhe entregarei seu novo brinquedo – ele disse sorrindo.

Maya pareci um tanto alheia à conversa dos dois, olhando alguns quadros de Leonardo, um deles lhe chamou bastante a atenção, tinha tons neutros e mostrava o busto de uma mulher de cabelos médios e castanhos. Não estava totalmente terminado, isso era visível, mas chamava a atenção. Quando Maya voltou a atenção para os dois, Ezio se despedia de Leonardo. Ela se aproximou e trocou apertos de mãos com o artista. Ele lhe pareceu uma boa pessoa e ficou claro que compartilhava um laço profundo com Ezio.

– De início ele parece um pouco louco, mas você aprende a entendê-lo – falou Ezio depois de terem saído da casa.

– Ele tem um jeito excêntrico. – respondeu dando de ombros.

Ezio e Maya caminhavam com certa pressa pelo centro movimentado de Veneza, quando vozes alteradas lhes chamaram a atenção.

– Eu não estou fazendo nada ilegal! – se defendia o vendedor que já estava no chão, tentando se proteger de dois guardas locais.

– A partir do momento em que Messere Barbarigo acha que está, se torna ilegal. – vociferou um dos homens altos, chutando o comerciante.

Ezio franziu o cenho reconhecendo aquele nome. Segurou o braço de Maya que se apressava em ajudar o homem.

– Espere. – falou Ezio, observando a confusão de longe.

Os homens ainda discutiram por um breve tempo e então os dois guardas de Barbarigo levaram o comerciante, arrastando-o até um local que mais parecia um forte.

– O que está fazendo?! – indagou, soltando-se do aperto de Ezio, mas então viu que ele parecia estar com a mente muito longe dali. – Ezio!

– Quero descobrir o que os Barbarigo têm feio nessa cidade. – falou um tom sério, caminhando até uma das bancas perto de onde o homem havia sido arrastado. – O que houve com aquele comerciante? – perguntou à uma mulher de idade que vendia frutas.

Ela olhou para os lados, certificando-se de que não havia nenhum outro guarda por perto – Ele vende livros pela cidade – a mulher respondeu num tom preocupado – O Doge Barbarigo não gosta que as pessoas tenham certo tipo de conhecimento e por isso tira de vista qualquer um que o forneça.

– Que tipo de conhecimento? – perguntou Maya. A velha comerciante tremia, mas não parecia ser de medo ou frio.

– E-eu não sei minha cara... – ela hesitou, olhando em volta.

– O que acontece com essas pessoas? – a ruiva continuou o questionário.

– Alguns dizem que são decapitados, outros dizem que têm suas línguas arrancadas e então são vendidos como escravos. – ela respondeu com a voz baixa, como se temesse que alguém mais a escutasse.

Maya olhou para Ezio e ambos sabiam o que deveriam fazer em seguida. Voltaram para o pequeno quarto de hotel e então analisaram o mapa de Veneza.

– Nosso novo alvo primário se esconde muito bem atrás de muralhas e algumas dezenas de soldados, o que faz com que nossa presença não passe despercebida. – Ezio indicava o forte construído à beira do canal principal. – Talvez precisemos de ajuda para chamar a atenção dos guardas enquanto entramos no forte. – ele parecia pensativo.

Ezio considerava uma viagem breve até Monteriggioni para conseguir a ajuda de seu tio Mário, mas voltar para a Toscana lhe tomaria muito tempo e enviar uma carta não era seguro.

– Bem... – Maya lhe tirou se suas considerações – Se não lhe for incômodo, conheço algumas pessoas que podem ajudar, pela quantia certa.

Ele a olhou desconfiado – Mercenários quer dizer?

– Ladrões declarados. – falou como se fosse extremamente normal manter esse tipo de contato. – Quando eu viva em Veneza, a cidade não era próspera como é hoje. Tínhamos que roubar o que nos sustentava e eu sendo uma das pessoas que necessitava, acabei fazendo algumas amizades.

– Não acho que ladrões resolveriam nosso problema. – ele hesitou.

– E qual seria nossa próxima opção rápida e imediata? – Maya perguntou, sabendo que ele não tinha nenhum outro plano.

Ezio respirou fundo – Certo. Onde podemos encontrá-los?

Maya tirou do cinto uma pequenina bolsa de couro surrado e a sacudiu, fazendo as moedas balançarem com seu som característico.

– Tudo o que se precisa é de um bom atrativo.

Saíram novamente do hotel depois de almoçarem a gororoba que a dona do lugar servia. Caminharam separadamente pelas ruas mais afastadas do comércio, onde Maya sabia que a gangue costumava agir, roubando discretamente dos que tinham mais. Ezio acompanhava tudo com o olhar atento. A ruiva notou quando a mão leve tirou a pequena bolsa de moedas de seu cinto e então num movimento rápido ela agarrou o ladrão e o prensou contra a parede de uma casa, colocando a lâmina oculta em seu pescoço como um aviso para que não fugisse. Após o súbito de adrenalina, Maya olhou fixamente para o rosto da pessoa e então retraiu a lâmina, baixando o capuz para que fosse reconhecida e abraçou a mulher.

– Rosa! – a aspirante demonstrou felicidade.

– Maya! – a ladra retribuiu o abraço, sorrindo ao olhar para a antiga amiga. – Como sobreviveu? Todos esses anos achávamos que estava morta!

Ezio chegou rapidamente, olhando para a situação sem entender.

– Não é o melhor lugar para conversar sobre isso. – ela explicou, olhando ao redor. – Preciso que nos leve à sede, precisamos de sua ajuda.

– Sabe eu será mais do que bem-vinda de volta. – a mulher olhou atentamente para Ezio – E esse é?

– Um amigo.

Rosa percebeu a urgência na voz de Maya e rapidamente os conduziu por ruelas estreitas e sujas. Logo chegaram à uma porta pequena rodeada por construções amontoadas e extremamente mal cuidadas. Uma portinhola de abriu e reconhecendo o rosto da ladra, a porta foi aberta. Assim que Maya e Ezio passaram pelo arco baixo, espadas e lanças lhes foram apontadas, mas Rosa se colocou à frente deles.

– Não oferecem perigo, isso não é um sequestro. – ela falou com a voz séria e então as armas foram abaixadas, permitindo que seguissem caminho.

A pequenina porta era apenas um disfarce para o que era uma cidade inteira construída dentro da própria Veneza. Casas se amontoavam e pessoas andavam para todos os lados carregando caixas, mercadorias, compras e todo o tipo de material. Rosa caminhava tranquilamente, cumprimentado as pessoas que passavam por ela. Ezio e Maya estavam impressionados com a grandeza daquele lugar, não era rico, mas era extremamente bem organizado, apesar das construções loucas das casas.

– Por Deus! Eu me lembro de quando nossa sede era qualquer buraco onde não nos pegassem! – falou Maya impressionada.

– Bem, não somos mais apenas um pequeno grupo que procura por comida. – explicou Rosa adentrando uma porta dupla.

– E como Marco Barbarigo ainda não mandou derrubar este lugar? É certo que sua existência não passa despercebida – falou Ezio acompanhando-a.

– Nós causamos problemas grandes o suficiente para que ele tenha aprendido a nos deixar em paz. Afinal, não é fácil substituir os cinquenta homens que matamos todas as vezes que ele tenta invadir a Guilda.

– Vejo que sua ida ao centro rendeu companhia, Rosa – falou um homem entrando na sala em que estavam. Tinha os cabelos já um tanto grisalhos e uma barba espessa.

– Este é Antonio, nosso atual e respeitável líder. – ela o apresentou.

Maya esticou a mão prontamente, cumprimentando o homem – Maya Di Versati – se apresentou.

– Oh, já ouvi falar de você mocinha, Rosa costuma me contar histórias sobre tempos mais sombrios. – o homem falou, olhando em seguida para Ezio.

– Ezio – apertou a mão de Antonio quando ele a estendeu.

– Auditore... – o homem completou, deixando-o um tanto surpreso – Sim, sei quem você é. Você é o Assassino. Causou bastante alarde por aqui há alguns anos. A tirania reduziu muito, mas acredito que não tenha completado seu trabalho, estou certo?

Ezio assentiu. Sabia que tinha certa fama entre os venezianos, mas não imaginou que seria reconhecido tão facilmente.

– Ugo! – Maya se animou novamente com a chegada de um rapaz alto de cabelos e olhos castanhos. Ele pareceu não entender sua animação, mas então depois de analisar suas feições por um tempo, finalmente a reconheceu e então a abraçou.

– Maya! Sobreviveu! Mas como? – ele a segurou pelos ombros, parecendo que via um fantasma.

– Maçãs... – falou simplesmente e então riu, olhando para Ezio que erguera uma sobrancelha. – Mas antes de contar histórias temos assuntos urgentes. – ela assumiu um tom sério.

Antonio os guiou para o interior da casa, servindo-lhes vinho.

– Imagino que esteja aqui por causa do Doge. – falou Antonio dirigindo-se a Ezio.

– Por hora, sim. – ele respondeu sério – Precisamos saber qual é a situação atual, já ouvi que não está nada bem, mas preciso de detalhes.

– Bem. Desde que Barbarigo tomou o poder, a cidade cresceu, é verdade, mas as pessoas estão sendo cada vez mais oprimidas por seu desejo de controle total. Qualquer material que ele não julgue apropriado pode ser vendido. Nenhum tipo de cosmético, livros ou comida preparada nas ruas pode circular pela cidade. Isso está acabando com boa parte do comércio e qualquer um que não se curve às suas vontades é levado para o forte. – Rosa foi breve na explicação.

Antonio assentiu. – Veneza está tendo seu comércio enfraquecido e com isso nossa fonte de renda também. Se não há o que comprar, pessoas não trazem o dinheiro que precisamos.

– Então acho que o Doge está sendo uma pedra em ambos os caminhos. – disse Maya.

– Sim. Mas não temos força o suficiente para derrubá-lo. Ele vive tão bem protegido quanto nós. O que temos de habilidade para barrar suas tentativas de invasão, ele tem de homens e muralhas que o cercam.

– Notamos isso. – falou Ezio – E é por isso que queremos sua ajuda. Para criar uma distração, assim Maya e eu teremos tempo de cuidar de Marco e sairmos em segurança.

– Nós já tentamos todo o tipo de distração. – Rosa falou num tom melancólico – Explodimos um de seus navios, mas nada tira a guarda pessoal daquele homem de perto. E temam quando eu digo que ele é cercado por homens do tamanho de muralhas.

– Ainda é tradição o discurso do Doge na festa de carnaval? – perguntou Maya, familiarizada com as comemorações de Veneza.

– Sim, mas isso não significa que ficará mais fácil alcançá-lo. Muito pelo contrário. – disse Antonio.

– É a única chance boa que temos de eliminar Marco. – falou Ezio. – Se aquele forte é tão intransponível quando estão dizendo, é melhor não falharmos ou ele se trancará lá pelo resto de sua miserável vida.

– O festival de máscaras acontecerá na semana que vem, será uma festa de pompa no centro da cidade, será onde ele irá fazer seu discurso. – Ugo finalmente se pronunciou. – Os preparativos já começaram a chegar. Grandes caixas de madeira chegaram ontem de manhã pelo porto e foram levadas para o forte.

– Então está decidido. Avisarei ao demais e na sexta feira da próxima semana tudo estará pronto. Teremos pessoas infiltradas que os ajudarão com o que for necessário e então daremos um fim nesse governo salafrário de Barbarigo. – Antonio disse com força de vontade estampada.

De volta ao hotel no início da noite. Ezio e Maya traçaram uma rota segura da Guilda dos ladrões até o centro da cidade. Tinham certeza de que os telhados e ruas estariam sendo vigiados, o que dificultaria a aproximação. Depois de muitos planos discutirem, concordaram na chegada pelos telhados, afinal seguindo a lógica, seria o local menos patrulhado e lhes daria a chance de assassinatos rápidos e silenciosos até chegar ao Doge.

Pelo resto dos dias que lhes sobraram, as visitas eram alternadas entre os ladrões e ao centro da cidade, onde espionavam a guarda do forte e percorriam os caminhos que Maya indicava como bons para fuga, caso o plano não desse certo.

A relação entre os dois Assassinos havia se desenvolvido bastante, de forma que Maya havia parado de agir como se Ezio fosse a pessoa arrogante que alguns descreviam e Ezio havia parado de agir como se ela fosse a criança que o havia roubado e enganado anos atrás. Tratavam-se como iguais e ambas ideias eram respeitadas e devidamente discutidas.

No terceiro dia da semana seguinte, Ezio finalmente pôs as mãos em sua nova arma, testando-a no ateliê de Leonardo. Assim como ele havia dito antes, a arma era suficientemente pequena para ser escondida sob seu pulso e poderosa o bastante para matar um homem. Imediatamente depois de testá-la, Ezio sabia qual seria sua primeira vítima.

No sexto dia, certa tensão tomava conta do grupo de ladrões que se preparava com roupas carnavalescas e máscaras para executar o plano. Ezio carregava as armas do códex, a lâmina oculta onde havia sido agregada a arma de fogo em seu antebraço esquerdo e a adaga envenenada no direito. Apesar de vestir suas vestes brancas características, não pretendia chamar tanta a atenção de quem não o reconhecesse, sendo assim não portava espada ou qualquer outra arma que ficasse visível. Maya também vestia seu manto branco, mas carregava as armas com as quais estava familiarizada, as adagas duplas no antebraço, o arco de madeira acompanhado por uma aljava carregada de flechas com pontas de aço e duas espadas médias guardadas juntamente com as flechas.

A tensão tomava conta de todos e a expectativa era grande. A noite não tardou a cair e então o grupo de ladrões saiu de sua cova, se dividindo para não serem notados ao entrar na festa, sendo seguidos de perto pelos dois Assassinos que corriam pelos telhados como gatos, silenciosos e atentos.

Era impossível não notar a grande comemoração a alguns quarteirões dali. Ao se aproximarem a primeira dupla que fazia a patrulha dos telhados, Ezio segurou Maya e a puxou para a segurança de uma chaminé, ficando fora do campo de visão dos guardas.

– Façamos o seguinte. Sei que quer provar seu valor nesta missão e terá sua chance, mas eu quero que domine e mantenha a segurança dos telhados, sempre focada em onde eu estou. Não permita que ninguém me ataque dos telhados enquanto eu cuido dos soldados no chão. – ele falava com um tom autoritário.

– E quem vai te auxiliar no chão? – ela reclamou, contrariada.

– Tenho experiência o suficiente para cuidar de alguns guardas. Quero que faça o que eu te pedi.

Maya respirou fundo e assentiu. Então se separaram, com um tiro certeiro em cada cabeça, ela matou a única dupla visível, enquanto Ezio desaparecia por ruelas que ela havia lhe mostrado.

Ezio entrou em uma porta de madeira, encontrando ali duas das ladras vestidas como prostitutas. Ele lhes deu o sinal e então elas entraram no meio da festa no mesmo instante em que o grupo de Marco Barbarigo adentrou a rua.

Notas finais
E então, o que acharam? Espero que tenham gostado e deixem comentários, isso ajuda bastante a autoestima de quem escreve! Bem, agora que eu conheço de fato a história, a fic vai fluir. Espero que continuem acompanhando os capítulos! Beijos