Destinazione

12 Antes da tempestade


Notas iniciais
Olá lindinhos, sei que demorei um bocado pra postar esse capítulo, mas até o presente momento minha inspiração estava terrível. Espero que você ainda acompanhem e me deem opiniões, estou amando que estejam lendo, muito obrigada! Boa leitura mudinhos

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Quantas surpresas em um dia só... Mal tive tempo de chegar à Roma e logo me deparei com os rastros de um grupo de Assassinos. Estranhei a princípio, mas logo pensei que mesmo que boa parte da Irmandade da Toscana tivesse sido dizimada, não era possível que todo o credo tivesse sido expurgado da Itália, os Bórgia não possuíam tanto poder. Era difícil não criar expectativas, mas quanto mais eu pensava no assunto, mais confusos meus sentimos se tornavam e foi por culpa disto que desisti de seguir o rastro que encontrei, quando notei já me via dentro de um dos bares com uma caneca de bebida barata e olhares que vinham acompanhados de palavras geralmente grosseiras.

Passei muito tempo na estrada desfrutando de meu luto pela Irmandade e especialmente por Ezio. Minha decisão de tê-lo deixado parecia quase insuportável, embora outra parte de minha mente tentasse me convencer de que eu não poderia ter feito nada para ajudar. Agora enfrentava a possibilidade de ele estar vivo e caçando os Bórgia, mas não me via preparada para encontrá-lo, novamente a parte racional de minha mente me alertava para a criação de altas expectativas, as quais poderiam me machucar num futuro não muito distante. Era um conflito complicado... Queria que Ezio estivesse vivo, eu ainda o amava, mas se ele ainda vive, o que o impediu de responder minhas cartas? Não seria um encontro agradável. Caso ele estivesse realmente morto, como suspeito, as expectativas que criei irão se encarregar de destruir qualquer traço de felicidade que ainda me resta.

Não fosse pelos Bórgia, eu deixaria a Itália neste momento, me sinto feliz por não ter bebido o suficiente para esquecer minha missão.

No dia seguinte, depois de dormir no mesmo celeiro onde deixei meu cavalo, acordei antes do sol nascer, era dia de páscoa e uma das poucas oportunidades de acabar com dois Bórgias com uma flecha só.

Devo dizer que me impressionei com a discrição dos Assassinos naquele dia. Eles estavam posicionados nos telhados muito antes de mim e eu não havia notado isso, apesar de meu ponto privilegiado de cima do Panteão. Mesmo depois de todas as minhas considerações feitas no bar na noite anterior, a ideia de que Ezio poderia estar vivo parecia ter sido completamente apagada por algumas canecas de bebida, o que foi terrível pois meu estado era de completo choque quando o vi caminhar pelo meio da multidão. Ele não precisava tocar as pessoas, era naturalmente temido, sempre me impressionou o temor que Ezio causava nas pessoas quando queria, sabia usar isso a seu favor. Vi dois guardas serem mortos por atiradores nos telhados e então percebi que se Ezio não tivesse a cobertura dos outros Assassinos, ele provavelmente morreria em função do meu estado atual.

“Se mova” ouvia minha consciência me alertar, embora o corpo não respondesse. Não me recordo de ter visto o que aconteceu até que Cesare saiu da carruagem, era como se eu tivesse estado em transe.

Cesare... Eu o odiava com todas as minhas forças e apesar de achar que ódio é um sentimento muito forte, foi o que me despertou naquele momento. Ezio era um exímio lutador, mas o Bórgia também era e isso me trouxe um sentimento de proteção. Coloquei em prática os anos de treinamento com o arco e disparei três flechas, matando uma parte dos homens que cercava Ezio. Não me dei o trabalho de guardar o arco na aljava para descer do telhado alto, apenas pulei como costumava fazer me aproveitando da ótima resistência que minha condição de Imortal me proporcionava.

Estava perto demais de Ezio, aquilo era o pior tipo de distração no momento, minha missão era acabar com o reinado dos Bórgia. Eu sabia que ele me olhava, mas eu não podia me dar ao luxo de prestar atenção em sua expressão ou nos belos olhos ou na barba que agora ele deixava marcar o rosto.

“Se concentre”. Obriguei-me a lembrar do motivo de eu realmente ter retornado para a Itália. Cesare atacou meu país e matou meu povo, eu deveria interrogá-lo, mas não se mantém uma naja como aquela em cativeiro, minha única opção lógica era matá-lo.

– Você me queria Bórgia? – expressei todo o ódio que cultivava por ele e sua raça ordinária, de repente notei que não existia mais nada próximo a mim, apenas ele, meu alvo. – A Escócia manda lembranças. – ele estava morto antes que seu corpo batesse no chão, o que foi ótimo, pois depois daquilo a multidão se agitou e em questão de segundos o local foi tomado pelo caos.

A primeira reação que todos os Assassinos tiveram, inclusive eu, foi correr para longe dali. Assim que a carruagem levando o papa saiu em disparada, todo um exército surgiu e ficou óbvio que éramos poucos contra eles. Aproveitamos-nos da incapacidade de escalada dos soldados e escapamos pelos telhados, nos separando. Eu percebia os olhares inquisitivos sobre mim, eles não duvidavam de que eu estivesse do lado dos Assassinos, afinal minhas vestes traziam as características de um, assim como as habilidades, mas claramente não esperavam uma atitude tão radical e não planejada vindo de um Assassino. Mas não era aquilo que me importava no momento. Ezio estava vivo. Eu queria abraçar e beijá-lo, mas também queria matá-lo. Quer dizer que depois de todos esses anos ele não se deu o trabalho de saber como eu estava se estava viva, o que estava fazendo... Nem sequer respondeu uma carta dizendo “me esqueça”. É claro que a culpa disso era minha, afinal eu resolvi deixá-lo, eu não cumpri a promessa de voltar, mas eu me importei com ele todo esse tempo.

Lá estava ele, a luz forte do sol me fez notar o quanto ele estava pálido e a parte de minha mente que queria matá-lo simplesmente desapareceu, dando lugar àquela que sempre se preocupou e o amou. Seu olhar parecia confuso e por que não estaria?, ele não me via há mais uma década e eu ainda tinha o rosto da garota de vinte anos. Tínhamos muito que conversar e eu realmente queria explicar tudo, bem como queria explicações, mas não conseguia sentir raiva dele por ter escolhido não se importar mais.

– Ezio...

– COMO SE ATREVEU?!

Certo, nossa primeira troca de palavras não foi exatamente o que eu imaginei e ele se recusou até mesmo a olhar para mim. Ótimo... Agora a culpa era minha.

Apenas segui o grupo até uma viela suja e em seguida por um labirinto interminável, jamais sairia dali sem ajuda. Pular no rio não era opção. Durante todo o trajeto pensei na possibilidade de ganhar um soco ao invés das boas-vindas, mas ele não era capaz de bater em uma mulher. Minha ansiedade crescia a cada passo dado no escuro labirinto e não diminuiu quando chegamos a uma pequena escada vertical que acabava em uma ampla sala já cheia de Assassinos que comemoravam o sucesso da missão.

Acabei por perder Ezio de vista em meio a tantas pessoas e então soube que ele não queria ser encontrado. Que ótimo reencontro.

– Maya, uma palavra por favor. – reconheci a voz de Maquiavel. “Maya”, esse nome não me era dirigido há muito tempo, já havia até mesmo me esquecido que um dia eu tinha sido Maya e não Anne. De repente notei o quanto minha vida havia mudado... De repente notei que eu era muito mais a princesa Anne-Marie do que a Assassina Maya e me condenei por ter abandonado minha Ordem, embora tenha mantido seus ensinamentos e costumes na Escócia.

Segui Maquiavel até uma sala no fundo de um longo corredor, ele fechou a porta atrás de mim e então me encarou como se visse uma miragem.

– Pensávamos que estava morta. – ele falou num tom de frieza que me impressionou.

– Pensei o mesmo quando depois de tantos anos, os Bórgia ainda têm poder suficiente para atacar outros países. Onde estava a Irmandade todo esse tempo?

– Neste momento os assuntos da Irmandade não lhe dizem respeito, você abandonou a Ordem há muito tempo. Não estou aqui para discutir sobre os Bórgia, estou aqui para falar sobre o caos que você causou na vida de Ezio.

Sempre simpatizei com Maquiavel, ele me ensinou muitas coisas preciosas, habilidades que eu não tinha desenvolvido antes e apesar do carinho que tenho por ele, não pude evitar sentir certa raiva de seu tom de voz.

– Desde quando Ezio e seus sentimentos lhe dizem respeito? – devolvi a frieza. Ele não respondeu, certamente desconcertado pela minha falta de respeito. – Onde está Mário? – era por onde eu deveria começar se quisesse me aproximar de Ezio ou entender o que aconteceu.

– Mário está morto.

Aquilo me atingiu de uma forma tão violenta que foi difícil continuar de pé.

– Os Bórgia atacaram Monteriggioni há cerca de dois meses, destruíram toda a cidade, mataram centenas de inocentes inclusive Mário e roubaram a Maçã.

– Roubaram a Maçã?! Como deixaram isso acontecer? – de repente notei o quanto autoritária eu soava, me lembrando de que ali eu não era nada, aquele não era meu país e Maquiavel não era um dos súditos que me devia respeito e obediência, ele era um dos mestres da Ordem e quem deveria se calar em sua presença era eu. Mas algo não parecia certo, algo em sua voz me dizia que eu o devia confrontar e exigir respostas.

– Já disse que não estamos aqui para discutir o que houve com a Irmandade.

– E espera que eu apenas fale abertamente sobre meus sentimentos por Ezio ou os motivos pelos quais eu não voltei.

– Ele sofreu sua morte durante dez anos! – Maquiavel vociferou. – A morte de Mário apenas piorou tudo. – ele respirou fundo, baixando o tom de voz ao notar que eu me mostrava irredutível. – Olhe Maya, Ezio está em cacos e pelo que posso perceber, conhecendo-o bem, descobrir que esse tempo todo você não se importou com ele, apenas o destruiu mais. Você sabe que eu lhe amo e que a tomei como uma filha, mas neste momento você não deve ficar aqui.

Senti ódio de Maquiavel pela primeira vez em minha vida. Sua vontade de me afastar de Ezio era quase palpável e eu tive que respirar fundo muitas vezes para não socá-lo. Se ele realmente era tão bom em ler as pessoas, como disse ser com Ezio, ele sabia que eu estava mentindo, mas eu duvidava, afinal nisso eu era ótima.

– Certo, não vai me ver por um bom tempo. – me fingi de desiludida com tom de choro na voz. – Apenas me ajude a sair daqui.

– Chamarei alguém para lhe ajudar. – ele tinha um tom vitorioso quase imperceptível.

Sequer prestei atenção no Assassino que me guiou pelo túnel, estava cega de raiva. Qualquer tentativa de conversa era respondida com alguma palavra monossilábica que acaba com o assunto imediatamente. Havia alguma coisa errada com Maquiavel e sua atitude extremista, ele sabia muito bem o quanto eu amava Ezio, não fazia sentido me afastar dele sem deixar que eu me explicasse.

O sol já estava se pondo quando saí pelo alçapão na viela suja na superfície de Roma. Escondi-me atrás de uma pilha de mato seco, cobri os cabelos e esperei. Estava sendo caçada sem piedade pelos soldados da cidade e provavelmente a notícia se espalharia rapidamente por toda a Itália, não havia lugar seguro para mim naquele momento. Quando a noite caiu, pensei em sair de meu pequeno esconderijo, mas não tinha ideia de onde poderia me esconder até que a tempestade de ódio do papa passasse se é que um dia isso aconteceria.

Foi então que me ocorreu a ideia de que talvez Paola não tivesse tanta raiva de mim. Realmente esperava que não, afinal uma viagem até Florença me custaria alguns dias e isso era precioso no momento. Todo o tempo gasto na estrada era perigoso, afinal minha cabeça estava a prêmio.

Depois de dois dias e meio de viagem sem parar, cheguei à Florença durante a tarde, não me sentia segura em lugar algum naquelas ruas, mas não sabia onde era a casa de Paola, era obrigada a esconder os cabelos e o rosto o tempo inteiro, as vestes pretas chamavam a atenção, especialmente numa cidade onde as pessoas costumavam se vestir com cores alegres.

– Pode-me dizer onde é a casa de Paola, a cortesã? – perguntei para um mendigo. Ele me indicou o caminho e logo eu me via sentada na sala particular de Paola, esperando que ela voltasse.

– Maya! – ela se surpreendeu quando me viu, correu para me abraçar e me apertou de forma que foi difícil de respirar. – Achei que estava morta! Por Deus, o que houve com você? – ela riu de forma divertida enquanto me olhava – Não envelheceu um dia sequer!

Sorri. – Temos muito que coversar.

Paola e eu passamos horas conversando enquanto comíamos, estava faminta e muito cansada, mas precisava que ela soubesse de tudo o quanto antes. Já passava da meia-noite quando finalmente terminamos de discutir tudo o que havia acontecido nos quatorze anos que se passaram. Ela me ofereceu o abrigo que tanto precisava e assegurou que as garotas que haviam me visto manteriam segredo.

Depois de algumas semanas escondida na casa de Paola, comecei a traçar meus planos para recuperar a Maçã e matar o papa, mas para isso eu precisava de informações, o que era um tanto difícil estando tão longe de Roma. Felizmente, as garotas de Paola eram espertas e seguindo as instruções dela, coletavam informações dos clientes mais preciosos.

Logo estava de posse da informação sobre a chegada de um bispo recém-transferido para Florença. Apesar de me condenar pelos métodos que utilizaria no caso de resistência, minha missão era extremamente importante. Não poderia realizar nenhum tipo de tortura na casa de Paola, afinal ela tinha uma reputação a zelar. A ideia não me agradou muito, mas foi o único lugar que eu consegui pensar que poderia utilizar sem ser pega. A Vila Auditore.

Não foi difícil capturar o bispo. Ele sempre estava presente nas missas de domingo realizadas pela manhã, assim que a missa foi encerrada, o velho se retirou para os corredores internos da igreja e é claro que eu o estava esperando. Enquanto as pessoas ainda conversavam e caminhavam lentamente para a saída da igreja, arrastei o bispo pelas vielas estreitas, trancando-o no porão da casa. Imagino que tenha sido um lugar utilizado pelo pai de Ezio, ainda havia muitas coisas que certamente pertenceram a ele. Perguntei-me o quanto Ezio me odiaria por usar a casa de sua família como sala de tortura, mas não conseguia pensar em outro lugar abandonado em Florença.

Esperei que o bispo acordasse da pancada que lhe dei na cabeça, estava amarrado pelas mãos e pés em uma cadeira. Tive a cautela de manter a luz do local de forma que não mostrasse meu rosto, escondendo os cabelos por debaixo do capuz preto de minhas vestes. O homem estava completamente desnorteado, os olhos muito claros tentavam se acostumar com a escuridão do local até que ele me encontrou parada em um canto enquanto o observava.

– Quem é você? – perguntou tentando ser intimidador.

– Sua sequestradora. – respondi forçando a voz para que ficasse mais grave do que o normal.

– O que quer de mim? – agora o bispo parecia um tanto amedrontado.

– Informação. – me mantive nas sombras da sala, não apontava nenhum tipo de arma para ele, mas deixei expostos todos os instrumentos que possuía para caso ele não cooperasse. – Você passou um longo tempo perto do papa, conhece todos seus compromissos e manias. Vai me dizer tudo o que preciso para encontrá-lo sozinho.

– E por que eu faria isso? – ele esboçou um sorrisinho confiante.

– Por que senão eu vou te matar lenta e dolorosamente, vou te cortar em pedaços e enviar os restos para o papa como um aviso. – aquilo soou um pouco cruel até mesmo para mim, mas eu não tinha tempo para ser compassível, ainda mais com católicos leais aos Bórgia.

Foi um resto de semana difícil, o deixei dias sem comer, apenas dando água para que não morresse, o bispo já tinha alguns dedos quebrados e cortes pelo corpo, mas ainda não havia me dado uma informação relevante. Do dia em que eu defini que seria o último que gastaria com aquele bastardo, arrancar seu dedo anelar o fez gritar algo muito mais importante do que qualquer outra coisa.

– Cesare vai acabar com sua raça!

Deixei a raiva tomar conta de mim pela primeira vez desde que comecei o interrogatório do bispo. Tirei o capuz e forcei minha lâmina oculta contra seu pescoço, pronta para matá-lo.

– Como disse? – falei entre dentes.

Ele riu como se tivesse ganhado o dia com aquilo. – Vocês Assassinos são tão facilmente enganados...

– Me diga o que sabe! – vociferei, fazendo um corte não muito profundo em seu pescoço.

O bispo nada disse, apenas me encarou com um sorriso vitorioso, para seu azar, eu já não tinha tempo ou paciência para lidar com ele, peguei o martelo que até agora não tinha usado para nada e bati com toda a força que tinha em seu antebraço esquerdo. Minhas roupas acabaram cheias se sangue e o chão se tornou uma mistura de pele e sangue. Os gritos do homem eram quase ensurdecedores, mas não desfiz minha postura.

– Me diga o que sabe. – falei lentamente, aproximando a lâmina de seu pescoço novamente.

– C-Cesare está vivo. – ele falava entre choros e gritos – Ele usou a Maçã para criar uma espécie de clone, você atirou em apenas uma ilusão dele.

Não tive piedade do velho, afinal ele viu meu rosto e eu não precisava de mais pessoas atrás de mim. Cortei seu pescoço de forma tão profunda que sua cabeça quase rolou para fora do corpo. Não podia deixá-lo apodrecer numa casa tão respeitosa como a dos Auditore, então me encarreguei de cavar uma cova nas margens do rio Arno durante a madrugada e o enterrei ali, partindo imediatamente para Roma. Mesmo que Maquiavel não me quisesse perto de Ezio ou dos Assassinos, ele teria que me ouvir.

Notas finais
E então o que acharam? Haaa, eu disse que Cesare não morreria tão fácil, teria sido uma morte muito bobinha kkkkkk espero que tenham gostado! Meu plano era fazer algo especial para o natal e o ano novo, mas como eu atrasei a história, não poderia ser nesse capítulo, verei se consigo fazer algo para o próximo, me digam se gostariam de algo com esse tema festivo! Beijinhos, até a próxima!