Destinados à Payre

29 Efeitos do sangue


Notas iniciais
Ois à todos!! Valeu galera que está comentando tão lindamente a fic. Eu amo vocês s2 Boa leitura!

A tensão ali era palpável. Todos estavam em choque pela reação inesperada de Alexis e não sabiam como reagir. Choi nunca teria imaginado que ele faria algo assim, quer dizer, Alexis havia demonstrado tanta aceitação com tudo o que estava acontecendo com eles, que em nenhum momento cogitou que estivesse pensando em ameaçar os monarcas daquele reino. E Choi sabia que o Príncipe estivera planejando algo, pois ele não era do tipo que agia sem pensar. Provavelmente aquele tinha lhe parecido o momento perfeito para deixar claro sua posição a situação imposta a eles.

Será que Angel estava a par disso? Choi olhou-ae ficou novamente confuso. Ela permanecia sentada, ao contrário de todos naquela sala. Ele mesmo havia se erguido subitamente quando Alexis cravou os dentes na Rainha, mas Angel parecia muito tranquila, até mesmo exibia um sorriso zombeteiro enquanto assistia o namorado sugar o sangue da suposta mãe dele. O que significava aquilo?

— Se não largar a Rainha neste momento eu vou matá-lo, sendo o Predestinado ou não!

Ao ouvir a ameaça do Rei, Choi virou-se para Alexis. O Príncipe ergueu a cabeça lentamente, seus lábios estavam vermelhos e, com horror, Choi viu longas presas se destacando entre eles, das quais o sangue da Rainha pingava e escorria pelo queixo. Os olhos azuis estavam muito claros e brilhantes, suas orelhas tinham longas pontas, como as exibidas pelos Nerinis. Aquele ser nem parecia mais o Alexis que Choi conhecia. E quando ele respondeu ao Rei Erak, foi possível notar que sua voz também estava ainda mais imponente e fria do que o normal, mesmo contendo grande dose de ironia.

— Não há necessidade de preocupação, Majestade. Estou apenas cumprindo a minha parte do acordo: compartilhando o sangue dos mais fortes. Não era isso que desejavam de mim?

— Não seja insolente! — Erak se aproximou, ficando do outro lado da mãe, que permanecia sentada, olhando fixamente para o braço que foi mordido. — Você está tentando nos ameaçar!

— Estou? — Alexis sorriu, embora seus olhos continuassem refletindo aquele brilho metálico, o que só o tornava ainda mais assustador. — Um mero Humano intimidando a realeza do poderoso reino de Sylesth? Isso não seria ridículo, Majestade?

— Nós entendemos o recado, Alexis. — A Rainha Syka ergueu-se, ficando entre os filhos, formando uma imagem interessante, já que sua pequena altura se destacava ao contrastar com a dos dois homens muito altos. Ela virou-se para encarar Alexis.- Prometo que voltarão para a Terra depois que derrotarem Khor.

Choi reparou que Erak tentou dizer algo, mas a mãe ergueu a mão, silenciando-o. Irritado, o Rei praticamente rosnou para Alexis, mas esse nem pareceu notar, pois seus olhos estavam fixos nos da Rainha. Após alguns instantes, os olhos azuis do Príncipe voltaram a sua coloração normal, seus dentes, garras e orelhas pontudas foram, não havia outra forma de descrever, recolhidas.

— A experiência foi um sucesso, Rainha Syka. — Alexis disse antes de voltar para seu lugar, ao lado de Angel.

Quando viu Alexis se sentar, Choi também se acomodou e observou que todos faziam o mesmo, exceto Jaffar, Syka e Erak. A Rainha virou-se para o grupo parecendo muito calma, como se não tivesse sido atacada pelo próprio filho há alguns instantes.

— Temos a prova de que as palavras da Profecia estavam corretas, o meu sangue e o de Erak deram força ao Predestinado. Agora precisamos ver como será no caso dos Escolhidos da Deusa Ashy. De que maneira sugere que procedamos, Jaffar?

Não foi nenhuma surpresa para Choi a dificuldade demonstrada pelo líder do Conselho dos Profetas em se recompor. O homem deu uma rápida olhada para Alexis antes de limpar a garganta e falar:

— Creio, Majestade, que o melhor jeito é fazer com que os Escolhidos também provem o seu sangue e o do Rei Erak.

— Certo. — A Rainha lançou seus olhos sobre os Humanos na sala. — Quem gostaria de ser o primeiro?

Choi fez uma careta. Não estava nenhum pouco a fim de experimentar o sangue daquelas pessoas, mesmo que isso o deixasse superpoderoso, afinal, seu gosto para alimentos sempre tinha sido problemático. Podia não parecer, mas ele era um chato com essas coisas. Odiava frutos do mar, a maior parte das verduras, qualquer coisa que se mexesse no seu prato ou que ainda sangrasse...

— Eu.

Ele olhou para Angel, que erguia a mão, inconvenientemente animada com a perspectiva de fazer algo tão nojento. Aquela garota era mesmo uma figura estranha.

A Rainha indicou que ela fosse ao seu encontro,Angel prontamente se ergueu e atendeu seu pedido. Quando ficaram frente a frente, Syka ergueu o braço que estava intacto e o mordeu, abrindo uma ferida com as presas que surgiram em sua boca. Calmamente ofereceu a Angel, que sem titubear, colocou a boca exatamente sobre a marca deixada pela soberana.

Após alguns segundos, Angel ergueu a cabeça.

— Sente algo diferente?- a Rainha perguntou.

Angel balançou a cabeça de forma negativa, a testa franzida, então, antes que qualquer um pudesse dizer algo, ela virou-se para Alexis.

— Percebeu que estava sinistro daquele jeito logo de cara, ou demorou um pouco?

Choi riu. Só Angel mesmo para falar com Alexis daquela maneira logo depois do pavor geral que ele botou na galera. E foi com certa ansiedade, compartilhada com os demais, que ele aguardou pela resposta do Príncipe.

— Enquanto bebia o sangue notei alterações nos meus sentidos. — Alexis fitava Angel com divertimento.

— Poderia parecer menos satisfeito com a minha frustração aqui? Obrigada. — Suspirando irritada ela olhou para a Rainha e Jaffar. — Alguma ideia?

Jaffar, que remexia em uma tela em suas mãos, ergueu seus olhos para a Rainha.

— O Predestinado foi capaz de adquir poder ao beber sangue, assim como Khor, que é o enviado de Deow. Os guerreiros Deiroons só são capazes de adquirir poder através do sangue depois de provarem do sangue de Khor. E se os Escolhidos também só forem capazes de absorver poder, depois de terem contato com o sangue do Príncipe Alexis?

A Rainha ficou pensativa, então maneou a cabeça, comentando quase consigo mesma:

— Faz sentido. O de Erow deve unir a todos, isso provavelmente acontecerá ao compartilhar sua essência, assim como Khor faz com seu exército. — Ela olhou para Angel. — Ainda está disposta a ser a primeira?

Angel riu.

— Mas é claro! — A garota lançou um olhar malicioso para Alexis. — Vou adorar a oportunidade de tirar sangue daquele arrogante.

Sem perder tempo, Angel foi até o Príncipe que permaneceu sentado. Em tom baixo ela disse para o namorado, em inglês, de forma que somente os Humanos foram capazes de entender:

— Então resolveu colocar fogo na festa e nem me convidou para espalhar a gasolina, não é, sua criatura egoísta?

Alexis não respondeu, mas Choi reparou que ele disfarçava um sorriso, só não tinha certeza se ele escondia essa expressão para não deixá-la ainda mais irritada, ou se para manter a postura distante que sempre exibia a todos. Choi apostava na primeira, pois bem sabia que Alexis não dava a mínima para o que as pessoas pensavam a seu respeito, principalmente quando a pequena encrenqueira estava envolvida.

Jaffar aproximou-se dos dois com uma afiada adaga nas mãos. Alexis pegou o objeto com certa rapidez, o que não passou despercebida ao demais. Algumas risadinhas foram audíveis, os dois Guardiões Eiffs chegaram a engasgar, disfarçando com uma tossidela. Mas Angel não deixou que ele escapasse tão fácil, estendeu a mão, solicitando que a arma lhe fosse entregue. Alexis suspirou e atendeu seu pedido.

— Fique aí bem quietinho, não quero deixar nenhuma marca no meu namorado bonitão.

Morrendo de curiosidade, Choi inclinou-se para frente para poder ver melhor o que ela faria. Viu Angel abrir a camisa de Alexis e, com cuidado, fazer um pequeno corte na parte superior do seu peito, alguns centímetros abaixo da clavícula. Depois de sorrir satisfeita, ela inclinou o corpo e lambeu o sangue que corria, antes de começar a sugar o corte. Choi arregalou os olhos diante da ousadia dela. A garota era, definitivamente, maluca.

Mas, vendo a expressão de Alexis, seus olhos em um tom de azul mais escuro e já bem menos frios, sentiu certa inveja. Angel não tinha medo algum de expressar o que pensava e não hesitava em demonstrar seu amor pelo Príncipe, mesmo com seu jeito rebelde e imprevisível. Seu gesto era para castigar o namorado, mas era também para deixar bem claro a natureza do relacionamento deles e que, ao contrário de todos, ela não tinha medo ou receio do poder exibido por ele. Alexis ainda era Alexis. O seu Alexis.

Os olhos de Choi, mesmo contra sua vontade, procuraram por Mona. Ela ainda parecia meio estranha, seus olhos baixos focados nas mãos em seu colo. Fazia um certo tempo que ele não a via. Como estavam mais adaptados, escolhiam livremente seus horários de treino e descanso, e sempre que ela estava na Camara do Conhecimento, ele estava em algum simulador. Admitia que era proposital, não estava acostumado a ignorá-la, por mais que Mona o tratasse mal, por isso resolveu se distanciar para manter-se firme no objetivo de esquecê-la.

Tinha ficado bastante chocado com a atitude dela na Terra, as circunstâncias mostravam que ela só não sabia o que Ren pretendia fazer, como o tinha ajudado. Foi muito suspeita a sua súbita relação com Leonard. Mona era famosa por ser uma garota simpática, embora ele soubesse que era apenas encenação, mas não lembrava de tanta boa vontade com alguém recém chegado. Suas atitudes foram calculadas demais para serem apenas coincidência. Sabia que ela e Ren não eram próximos, ainda que fossem irmãos, mas Choi tinha certeza de que ela tinha conhecimento da vontade dele em se vingar da Angel. Mona podia muito bem ter descoberto aquelas informações através do novo melhor amigo e passado para o irmão, para que ele fizesse o trabalho sujo. Havia percebido naquela noite a insistência com que ela observava o irmão e em seguida Angel, exibindo uma indisfarçável ansiedade.

Com tristeza o rapaz lembrou-se do reencontro entre eles em Payre, tinha ficado tão feliz em saber que ela estava ali, que não perderia sua Monalisa, que acabou deixando de lado aquelas questões sobre ela. Mas em apenas algumas palavras, Mona lhe lembrou o tipo de pessoa que era, que a garota de sorriso tímido, de temperamento apaixonado e olhos brilhantes e doces, existia apenas na sua cabeça teimosa, sempre se recusando a encarar a realidade. Mas não faria mais isso. Bastava de ilusões, Payre era perigosa demais para que se perdesse novamente em fantasias.

Sua Monalisa não existia, apenas a garota detestável chamada Mona.

***

Angel afastou a boca do peito de Alexis, com um sorriso sangrento nos lábios.

— Agora estou sentindo algo, mas não sei se tem relação com a Profecia.

Ficou satisfeita em notar o brilho de desejo nos olhos de Alexis, era muito bom perceber que era capaz de provocá-lo daquela forma, mesmo estando cercados por uma atenta plateia. Deslizou os olhos sobre o corpo exposto do namorado antes de virar-se para a mãe dele. Merda, estava virando uma pervertida.

— Podemos tentar de novo, Majestade?

Sentiu sua mão ser puxada e olhou para trás. Alexis parecia preocupado, o que na verdade não era nada novo.

— Seu organismo não está acostumado a beber sangue, aliás, está sendo mantido apenas com água durante anos, não creio que seja uma boa ideia consumir tanto sangue em um intervalo tão curto de tempo. Deixe que outro termine o teste e você poderá concluir em outro momento.

— Eu estou bem! — ela suspirou impaciente. — Alexis, eu já tomei porres fenomenais e mal vomitei, agora que tenho uma resistência muito superior, acha mesmo que uns golinhos de sangue vão me derrubar?

Ele arqueou a sobrancelha esquerda. Ela odiava quando ele fazia isso, pois significava que ele iria dizer algo irritantemente lógico que a faria ter vontade de lhe dar muita porrada.

— Uns golinhos inofensivos do mesmo sangue que me deixou com um poder incrivelmente maior? E, acrescido a isso, o meu próprio sangue, que também foi alterado? Sem falar que acabou de ser tratada, e saiu antes do que deveria para vir a essa reunião?

— Sério. Às vezes eu tenho sonhos fantásticos em que estou furando esses lindos olhos da cor do mar com agulhas de tricô!

Ela notou a determinação na expressão dele, mas muito mais do que isso, viu o receio pelo que poderia lhe acontecer. Angel sabia que ele tinha razão, seria um risco desnecessário, levando em conta os outros quatro Escolhidos que estavam naquela sala com eles. Não podia fazer isso com ele. Não de novo.

Com cara de poucos amigos, se jogou na cadeira e cruzou os braços, enquanto resmungava em inglês:

— Príncipe dos infernos, espero que tenha uma dor de barriga depois de ter tomado aquele sangue todo, ai eu vou poder agradecer pelo enooorme favor que me fez. E tomara que aquelas garras apareçam enquanto estiver coçando o próprio saco, eu juro que vou morrer de tanto rir disso!

Ela viu a surpresa das pessoas em volta, ninguém esperava que ela fosse realmente aceitar a solicitação do Príncipe, aliás o próprio Alexis parecia muito impressionado. E aliviado. Para não ficar ainda mais brava com ele, olhou para a Rainha Syka, que os observava completamente sem reação.

— Desculpe Majestade, meu nutricionista disse que não devo me exceder na comilança. — Apontando para Choi, completou. — Ele vai fazer.

— Ei!..

Angel olhou para o rapaz, que tentou protestar, e com ar falsamente inocente o questionou:

— O quê? Não está com nojinho de um pouco de sangue, não é, Choi?

Ela viu seus olhos castanhos girarem diversas vezes, como se não estivesse se sentindo muito bem, até que ele respirou fundo e se ergueu, finalmente vencido. Com desanimo ele se aproximou de Alexis e ao passar por ela, lançou um olhar tão acusatório que Angel riu. Choi lhe acertou um tapa na cabeça e ela riu mais ainda.

Jaffar estendeu para Alexis a mesma adaga de antes e o Príncipe fez um corte no antebraço, erguendo-o em seguida para que Choi bebesse.

— Fala sério, — o rapaz reclamou. — eu não sou uma tampinha como ela. — apontou com o polegar uma Angel que engoliu a risada e fez um ar aborrecido.

Alexis se ergueu com uma calma estudada que chamou sua atenção, então Angel entendeu, a transformação de antes o tinha afetado. Ela assistiu com receio Choi beber o sangue dele, fazendo uma careta de nojo impagável, mas ela estava preocupada demais com Alexis para achar graça da desgraça do outro.

Aquele grande idiota estava todo preocupado com ela, mas ele próprio não estava bem. E o que mais a incomodava, ela não tinha notado. Se os papéis fossem trocados, Alexis já teria chamado um Curador e ela estaria aos tropeços sendo carregada para dormir. Mas Angel não conseguira notar nenhuma alteração nele até Alexis erguer-se daquela forma estranha, e agora ela não sabia o que fazer. Olhando ao redor, percebeu que ninguém tinha reparado em nada diferente, sabia que se tivessem suspeitado de algo, a Rainha o faria descansar, afinal, apesar de tudo, ele era o tão valioso Predestinado.

Se divulgasse o que tinha descoberto, corria o risco de deixá-los cientes de que Alexis ficava frágil ao usar aqueles novos poderes, o que certamente arruinaria o plano dele. Por mais que detestasse vê-lo daquele jeito, não ignoraria o sacrifício que ele estava fazendo. Confiava nele e sabia, que ao contrário dela, Alexis não estaria naquela situação sem refletir e pesar todos os fatores envolvidos. Mas isso não significava que iria ficar quieta, só assistindo.

— Já chega, Choi. Eu sei que ele é gostoso, mas não é uma caixinha de suco de morangos, ok?

Alexis lhe dirigiu um olhar com uma mescla de surpresa e curiosidade. Ela simplesmente deu de ombros, e viu a compreensão surgir em seu rosto bonito.

Quando Choi se afastou, provavelmente para mais uma dose, agora da Rainha, Angel viu cara dele ficar quase verde e, dessa vez, não pode conter o sorriso. O coitado realmente não tinha estômago para líquidos quentes, viscosos e repugnantes. O que era meio surpreendente, afinal, ele não era coreano? Eles comiam cachorrinhos fofos, por favor!

Ao notar, com o canto do olho que Alexis tinha voltado a sentar, Angel pousou sua mão sobre a perna dele por baixo da mesa, logo sentiu a mão quente e grande cobrir a sua e apertá-la levemente em resposta. Angel olhou para ele, os olhos azuis estavam fixos em Choi, que com enorme desconforto sugava um novo corte no braço da Rainha. O Príncipe parecia calmo e despreocupado. Ela suspirou, um tanto impaciente, pois aquele arrogante teimoso estava agindo com indiferença quando provavelmente estava debilitado.

Sem poder fazer mais nada, ela voltou sua atenção para o pobre Choi que agora ia para a terceira rodada daquela bebedeira bizarra. O Rei Erak já cortava o braço, no mesmo lugar de antes, isso mostrou que seus ferimentos cicatrizavam em uma velocidade impressionante. Angel viu que a Rainha ainda exibia as marcas dos dentes de Alexis, ou seja, ela não se curava tão rápido quanto o filho, o que era natural, já que os Alicanos é que eram conhecidos por sua cura quase que instantânea, assim como os Deiroons.

Após algumas sugadas do sangue do Rei, Choi se afastou zonzo, e foi segurado pelo Monarca. Angel nem se deu ao trabalho de olhar para o lado, pois quase podia sentir na pele do seu rosto os olhos do Príncipe brilharem com o clássico “eu tinha razão!”

— Certo, certo. Obrigada por não me deixar fazer esse papelão no meio de um monte de gente estranha, Alteza.

Ela se referia ao fato do Choi estar de olhos arregalados e parecendo algum tipo de drogado experimentando um barato realmente forte.

— Você está bem? — Jaffar se aproximou dele, ao seu lado um Curador, portando uma inseparável tela, analisava-o cuidadosamente.

— Estou. — Choi respondeu, sua voz sem qualquer alteração. — Apenas é estranho, sinto, não, ouço… Não sei. É como se eu estivesse me dividindo e me juntando novamente, com todas as informações das minhas partes. Consegue entender? Não consigo explicar de outra forma. É confuso, mas esta ficando mais fácil, muito rápido. — Subitamente ele olhou para frente e piscou algumas vezes, então abriu um sorriso. — Uau! — ao olhar para as próprias mãos, pareceu ficar um pouco decepcionado. — Onde estão as minhas garras?

É, onde estavam? Angel também estava curiosa.

— Bem, você, apesar de ter absorvido a essência de um Alicano e de uma Nerini, ainda é um Humano. Seu corpo é o de um Humano, assim como sua essência, que é responsável pela sua forma.- Jaffar explicou pacientemente, enquanto o Curador Falki concordava solenemente com a cabeça. — O Príncipe por outro lado, ainda que tenha o corpo de um Humano, tem a essência de uma Nerini e de um Alicano, seus pais. Provavelmente o contato com as essências do Rei e da Rainha despertaram sua forma payreana.

— Quando nasce um mestiço entre diferentes raças, a raça pela qual ele será chamado, dependerá da característica predominante que ele apresentar. — o Curador completou. — Por exemplo, o Rei Erak, apesar de ter uma mãe Nerini, é considerado um Alicano, pois possui garras, que é uma característica dessa raça.

— Então o que Alexis seria? — Choi indagou.

Todos refletiram sobre isso. Realmente, Alexis exibiu garras, portanto um Alicano, mas também desenvolveu orelhas pontudas, que era a marca dos Nerinis.

— Eu não saberia dizer. — Jaffar e o Curador Falki se entreolharam confusos. — Nunca vimos um ser assim em Payre.

Angel voltou sua atenção para Alexis, o protagonista daquela discussão, embora não se mostrasse nem um pouco interessado naquele papo sobre se ele era um Wolverine ou um Legolas. Sinceramente ela achava as garras bem mais úteis que um par de orelhas de abano. Ok, Alexis tinha ficado muito bem com elas, mas enfim.

Estava tão distraída com as lembranças dele em seu modo Bersek que mal notou as primeiras palavras da Rainha.

— Provavelmente Alexis é único, graças ao sangue de todas as raças que eu bebi ao gerá-lo em meu ventre. Isso foi possível com o uso dos poderes dos Serines, que também me deram seu sangue. Só com o tempo saberemos qual a extensão do seu poder.

Ah. Naquele momento Angel entendeu uma coisa muito importante. E certamente a Rainha tinha se dado conta disso também, quando Alexis ameaçou-os de forma tão radical. Se ele tinha mostrado tamanho poder ao provar o sangue de apenas dois Reis, o que o sangue de pelo menos mais uns quatro não faria? Talvez o próximo já o deixasse mais forte que Erak e Syka. Sim, e Alexis tinha pensado nisso e logo usado a seu favor. Caramba, Angel fitou o namorado com admiração, que sujeitinho mais maquiavélico!

— Se é assim, qual efeito que o sangue dos Reis terá sobre os Escolhidos da Deusa Ashy? — Erak questionou a mãe.

— Possivelmente os ajudará a ampliar os seus próprios poderes, que estão contidos na essência que a Deusa colocou em cada um deles. — A Rainha olhou para os Guardiões e em seguida para os Humanos. — A essência de vocês precisa ser desenvolvida e controlada e só conseguirão usar todos os dons da Deusa quando tiverem pleno domínio de sua força física e mental. Beber o sangue dos Reis ajudará principalmente na parte física, mas o controle mental caberá apenas a cada um de vocês.

— Então qual foi o propósito de todo esse tempo nas simulações?- Lali questionou.

— Nós payreanos somos seres com dons, ou mágicos, como queiram — Jaffar voltou sua atenção para a garota. — Ao longo de milhares de anos, esses dons foram sendo aperfeiçoados, e em consequência, também nossa força física, caso contrário nossos corpos não suportariam tanto poder. Mas para manipulá-lo corretamente, precisamos dominar a nossa mente. Assim, a força física e mental e a essência, que contém os dons, precisam estar equilibradas para que um ser possa ser considerado realmente poderoso.

— Vocês trabalharam, nos simuladores, a força física, isso certamente ajudará a iniciá-los no uso da magia. — O Curador continuou a explicação, agora direcionado sua atenção a todos os Humanos — Mas ela só vai se desenvolver realmente quando começarem a estimular os seus dons, que estão adormecidos na essência da Deusa, dentro de seus corpos. Assim como os dons do Príncipe Alexis, adquiridos graças a essência de seus pais.

— E como faremos essa “estimulação”? — Angel estava achando aquele papo todo realmente longo. Os payreanos estavam se mostrando inigualáveis na arte de deixar uma conversa que envolvia magia, presas, garras e Deuses, extremamente entediante. Ela só queria saber como e quando poderia se matricular na escola do professor Xavier, oras.

— Vocês receberão um Mestre. Ele será responsável por ajudá-los a dominar seus dons e ampliar sua capacidade física e mental. — A Rainha Syka sorriu, deixando Angel desconfortável, aquela mulher era muito estranha mesmo. — Somente depois que forem capazes de sobreviver em Payre, serão enviados para os Reinos para coletarem o sangue dos Reis, tal como diz a Profecia. Enquanto estiverem nessa missão, nós estaremos reunindo e treinando nossos exércitos para combater Khor, quando tiver chegado o momento.

— Quando não parecermos meras formigas comparadas a ele? — Angel murmurou para si mesma.

— Quem serão nossos Mestres? — Choi parecia um pouco mais animado agora, provavelmente se entusiasmara com a perspectiva de ser uma espécie de Anakin Skywalker, só que sem o lado negro da força, pelo menos é que ela esperava.

— Seus Mestres já foram determinados por mim — a Rainha disse. — Desde que acordaram em Payre eu os tenho observado e refletido sobre essa questão. Assim, seus Mestres serão – Syka foi passando seus olhos em um por um dos Humanos, enquanto revelava quem os treinaria no uso de seus poderes. – Mona, sua Mestra será Noor. Lali, a sua será Zafy. Ren, Zaffar ficará responsável por você. Choi, o seu Mestre será Esan. – Ela fez uma pausa, então declarou de forma muito firme, como se já esperasse uma reação negativa. – Alexis, Erak irá ser seu Mestre.

Angel arregalou os olhos. Aquela Rainha não podia ser muito certa da cabeça, o silêncio pesado na sala indicava que ela não era a única incrédula ali. Mas ainda tinha mais. Quando os olhos cinzentos de Syka pousaram nela, soube que não gostaria do que viria a seguir. Ainda assim, jamais imaginaria...

— Eu serei sua Mestra, Angel.

Heinnn??!

Notas finais
E então, alguma dúvida, sugestão, reclamação, opinião.............? Eu adoro a relação Choi/Angel, eles são uns fofos juntos s2 ~autora nem um pouco parcial né ahuahauahh~ E essa ceninha da Angel se vingando, o que acharam? Eu curtia tanto imaginar a coisa toda que ria sozinha feito uma doida varrida enquanto escrevia kkkkkkk Oik, vou parar por aqui porque meus dedos estão congelados de frio!! Meu Deus como Porto Alegre é fria caramba !! ~gaúcha que foge a tradição e passa frio sim senhor~ Certo, e caso vcs não tenham problemas de dedos congelados, aproveitem para comentar oras, eu estou aqui com os meus roxinhos que chega a dar dó e ainda assim estou firme e forte atualizando a fic, então sejam seres bacanas e façam essa gentileza!! kkkkk Até o próximo e obrigada pelos coments do capítulo anterior!! s2