–- Pode me passar a toalha?

Angel reparou no franzir de testa de Alexis. Ele parecia ter duvidado, em algum momento, que ela realmente faria algo assim. Sendo honesta, ela também não teria se imaginado capaz no início, mas a possibilidade de fazer tantas maluquices a havia deixado um pouco mais ousada do que o normal. E também, ela admita, queria provocar o Príncipe. Desde o único beijo trocado entre eles, não tinham tido a oportunidade de ficarem sozinhos. Suas proezas, Angel pensou, conseguiam atrair uma quantidade considerável de curiosos. A Alpha era provavelmente o lugar mais entediante da Terra antes da sua chegada. Quando o dinheiro das apostas acabasse podia até cogitar cobrar ingressos.

–- Tenho receio de que essa seja uma excelente oportunidade para você tentar me afogar.

Angel riu das palavras dele, então lançou um olhar repleto de intenções, enquanto apoiava o queixo nos braços sobre a borda da piscina.

–- Não acha que vale a pena correr o risco?

Alexis mal olhou para a toalha branca e felpuda que pegou. Seus olhos não desgrudaram dos dela e ficaram assim até quase encostar a ponta do seu sapato nos braços femininos, que estavam fora da água.

–- Aqui está. – ele disse simplesmente, estendendo a toalha.

Angel levou a mão até ela, mas no último instante curvou o corpo um pouco para trás. Com o movimento, os seios, que estavam até então protegidos pela lateral da piscina, ficaram à mostra sob a água quase totalmente transparente. A garota viu os olhos de Alexis voarem naquela direção, como ela havia planejado. Erguendo o braço rapidamente, segurou a mão dele que estava ao seu alcance e o derrubou na água. Como ele havia temido.

Enquanto Alexis se recuperava, Angel pegou a toalha, agora molhada, e enrolou no corpo. Não era tão corajosa, afinal. Ouvindo o barulho da água, virou-se na direção em que Alexis emergia e percebeu que tinha calculado mal a situação. Por algum motivo, não se ateve, até então, ao óbvio. Alexis acabaria molhado e claro que não seria nada parecido com um rato afogado. Seria mais para um Deus dos mares muito, muito sexy.

Engolindo em seco, observou o Príncipe passar as mãos pelos fartos cabelos negros, tirando-os da testa. O movimento realçou os músculos dos braços e chamou a atenção para o peito coberto pela camisa branca transparente, que mais revelava do que cobria a pele morena na qual estava colada (sem regata por baixo, dessa vez, ela não pode deixar de reparar). Os olhos que a observavam refletiam o azul da água deixando-os ainda mais turquesas e em contraste maior com o rosto cor de caramelo.

Angel não conseguiria tirar os olhos daquela imagem nem que a água da piscina começasse a cozinhá-la. O que provavelmente já estava acontecendo, era a única explicação para o calor que a tomou completamente em questão de segundos. Ou também a reação do seu corpo a visão de Alexis caminhando lentamente em sua direção, observando-a com a mesma voracidade com que ela o fitava. Ou talvez mais.

Não foi totalmente surpresa quando ele a beijou, mas isso não impediu o choque mesclado ao prazer quando Alexis a empurrou contra a lateral da piscina e ela pode sentir aqueles músculos, que antes apenas observava, agora esmagarem o seu corpo, mal permitindo que ela respirasse. Suas mãos buscaram os cabelos macios que sempre tinha vontade de tocar, e agora, por estarem úmidos, colavam em sua pele, em seu rosto. Sentiu ele a erguer pelos quadris, mas não pode sequer cogitar protestar, ao contrário, arqueou-se e passou as pernas pela cintura de Alexis.

Sentia o prazer provocado pelas mãos que percorriam o seu corpo, quase tão enlouquecedor quanto o proporcionado por suas próprias descobertas do corpo masculino, que tremia ao seu toque. Ela o fazia estremecer! Era tão embriagador saber disso que Angel se tornava ansiosa por mais. Mais dele! Suas mãos, afoitas, abriram a camisa e começaram a deslizar pela pele molhada e tensa do peito, passando por sua lateral e arrancando gemidos roucos ao arranhá-lo nas costas largas.

Sentiu-o mordê-la de leve nos lábios, em troca sugou o canto da boca dele e envolveu a língua masculina na sua. A reação de Alexis foi imediata, ele a prensou ainda mais contra a borda e desceu a boca para o seu pescoço. A lambeu e mordiscou, sua mão subindo pela lateral de suas coxas. Só quando Angel sentiu a pressão da calça do rapaz, foi que percebeu a falta da toalha, desviando, com dificuldade, os olhos dos ombros de pele aveludada, viu, com o rabo do olho, um vulto branco flutuando sobre a água. Ela estava nua! Completamente nua! Um repentino pânico a tomou.

–- E- espere!

Alexis tentou beijá-la de novo, mas Angel virou o rosto fazendo com que ele passasse os lábios por sua bochecha e continuasse com a língua na direção de sua orelha. A garota gemeu e estremeceu, tentando ainda manter o foco.

–- A-Alexis! Espere... Sério...!

Finalmente ele parou para observá-la e Angel quase o puxou contra si, para continuar o que estavam fazendo. Os olhos azuis estavam carregados de paixão e suas mãos continuavam a deslizar pela lateral dos seus seios, de forma tortuosamente lenta.

–- Não podemos... Quer dizer, bem, eu não, eu não... Eu nunca... – para seu horror, começou a sentir o rosto ficar vermelho. Era mesmo muito bizarro! Angel não podia culpar Alexis por parecer tão confuso de repente. Ela também não era capaz de entender a própria reação. Sabia que suas atitudes poderiam gerar aquele tipo de situação, mas subitamente tudo ficou muito real e muito intenso. Estava com medo. Não de Alexis, ou de como poderia ser entre eles se continuassem. Estava com medo das consequências.

Poderia mesmo ter tanto dele, entregar tanto de si e continuar sendo a mesma? Ainda enfrentaria a morte com a mesma indiferença? Quando a ideia de seduzir o Príncipe, e mesmo a vontade de transar com ele, havia lhe tomado, não tinha refletido muito profundamente sobre isso. Mas estando ali, sentindo aquelas emoções e o bater rápido do seu coração (aquele maldito inútil!), percebeu que nada era tão simples. Não era simples se entregar a ele e não querer mais. E isso ela nunca poderia.

–- O que aconteceu? – Alexis segurou seu rosto com uma mão, enquanto a outra continuava a mantendo firmemente contra si.

Angel tinha os olhos violetas mais assustados do que imaginava, isso o fez tirar a mão do rosto dela e puxar a toalha que flutuava ao seu lado. Sem dizer nada, enrolou-a no corpo da garota, em um gesto que a deixou ainda mais constrangida.

–- Desculpe – a garota murmurou enquanto segurava o tecido contra o corpo – Se serve de consolo, também estou querendo me dar uns tapas. Ou me afogar nessa água. O que seria meio difícil já eu sou uma ótima nadadora.

Alexis, ainda em silêncio, a ergueu e sentou-a sobre a borda da piscina. Em seguida, ficou de costas e pulou, ficando sentado do seu lado.

–- Não vou negar que estou confuso e até um pouco irritado, mas já disse antes. Se isso for acontecer, vai ser por vontade mútua. Sem dúvidas, receios ou arrependimentos. Sem cobranças. – ele passou a mão pelos cabelos, Angel reparou que ele sempre fazia aquilo quando tentava expressar algo que o incomodava – Só tente não nos levar tão longe da próxima vez com essas suas brincadeiras. Como disse uma vez, com você, perco o controle e é realmente difícil manter a cabeça fria. Mais do que eu poderia pensar, até.

–- Não foi uma brincadeira. Quer dizer, foi. Mas não foi uma coisa tipo “vou ali tacar fogo nele e depois largar correndo”. – ela olhou para o reflexo dos dois na água. Alexis olhava pra ela. – Vou dizer logo que sou virgem, para que não acabe rolando algum tipo de desentendimento que...

–- Como?

Angel o fitou de soslaio.

–- Tipo um equivoco, sabe? Você pode ficar pensando uma coisa quando...

–- Angel!

Ela não pode evitar, acabou o encarando e viu que ele estava bem surpreso. Surpreso demais. Surpreso o suficiente a ponto de ser ofensivo. E isso a irritou um pouco.

–- Por que essa cara? Acha que dormi com uma cambada de sujeitos por ai? Se puxar da memória meu histórico, vai ver perceber que sou limpa como um bebe na área “sexo e eventos do tipo”. Reparou que nunca fui expulsa por algo do gênero? – ele continuava a encarando, mudo – Tudo bem, nadar nua em público não é lá muito pueril, mas eu tinha certo propósito e... – ela se interrompeu. Droga, estava nervosa e falando um monte de besteiras. – Olha só, eu sou virgem, mas foi mais for falta de oportunidade, ok? Acontece. – Não era totalmente verdade, mas melhor do que admitir que só tinha pensado sobre o assunto quando o conheceu.

–- Certo. – foi a vez de Alexis procurar as palavras certas. – Não vou negar que estou surpreso. Embora não apareça nada no seu currículo, nunca me passou pela cabeça imaginar que tudo que estivesse lá, ou não, me levaria a conhecê-la realmente, de forma aprofundada. Por isso supus que tivesse, bem, experiência, por seu comportamento sempre tão... – ele fez uma pausa – polêmico. Alguém tão indiferente ao que os outros pensam ou julgam, não deixaria de experimentar esse tipo de... Emoção.

Angel estava começando a achar a situação toda muito engraçada. Mal podia acreditar que Alexis acharia tão difícil o fato dela ser pura.

–- Deixe-me esclarecer que quando me aproximava dos garotos era para acertar o nariz com um soco, não para beijá-los. Essa era a emoção que eu desfrutava com os rapazes, ok?

Alexis, para assombro da garota, sorriu, e tão amplamente a ponto de exibir suas adoráveis covinhas.

–- Então, não apenas é virgem, como jamais um garoto a tocou? Nem sequer beijou?

Angel franziu a testa. Qual era o motivo da repentina alegria daquele cara?

–- Sim. Eu já falei antes, não tive muito contato com qualquer pessoa, então. – ela deu de ombros.

–- Provavelmente eu fui o sujeito mais corajoso que conheceu, por ter me aproximado.

–- De certa forma.

–- E ajudou bastante o fato de ter conseguido evitar levar uma surra, diferentemente de tantos outros.

–- Talvez. Mas levou um soco.

–- Depois de ganhar um beijo. – Ele parecia muito feliz ao dizer isso – O seu primeiro beijo.

Ah. Era isso. Aquele macho idiota estava todo faceiro porque ela tinha entregado de bandeja o quanto era intocada até conhecê-lo. Homens!

–- Vai realmente ficar todo cheio de si por isso? Sabe que eu o beijei apenas para calar essa boca arrogante?

–- Poderia ter tentado acertar meu nariz, como fez com os outros. – era inegável o prazer que destilava de cada palavra que ele dizia.

Ela realmente estava ficando puta com aquilo.

–- Eu tentei, está lembrado? Esqueceu que arremessei uma cadeira contra você? Duas vezes??

–- Então você não me beijou, foi um golpe?

–- É! Isso mesmo! – Angel sorriu, satisfeita com a compreensão dele.

–- E o que aconteceu depois? O que foi aquilo? – Alexis exibiu um sorriso presunçoso e bem irritante. — Sabia que encontrei alguns arranhões na minha cintura? E não eram profundos o suficiente para machucar. Pareciam mais marcas de, vejamos, carinho. – ele fez questão de quase soletrar a última palavra.

Angel fechou a cara e seu rosto voltou a ficar em brasas.

Alexis riu e para espanto dela, depositou um beijo no topo da sua cabeça.

–- Meu Deus, é tão difícil admitir que ficou tão atraída por mim quanto eu por você?

Ela voltou a olhar para o reflexo deles na água.

–- Sim, é.

O Príncipe a observou por algum tempo em silêncio, antes de também olhar para a piscina. Balançou o pé formando uma onda, enquanto a acompanhava com os olhos, comentou casualmente:

–- Perdi minha virgindade aos catorze anos. Foi mais uma espécie de ritual do que o resultado causado por hormônios adolescentes fora de controle. – Angel observou seu perfil sério. — Meu pai achou que eu precisava iniciar minha vida sexual, assim, como o meu avô fez a ele, preparou tudo e trouxe uma de suas concubinas. Ela era linda e experiente. Passou duas noites me ensinando tudo o que um homem deve saber para ter prazer e para dar prazer a sua parceira. Não vou dizer que foi uma experiência ruim, afinal ela era conhecida como a melhor amante de Quidar. – Alexis fez uma nova onda, havia certa raiva no seu gesto. — A mais bela amante do Rei. Uma das várias mulheres que foram afastadas do palácio depois de abortar um bebê do meu pai.

Angel arregalou os olhos. Alexis tinha tido sua primeira vez com a amante do pai? Enviada pelo próprio Rei? E ela ainda tinha abortado um bebê, irmão ou irmã dele!

–- Seu pai é um cara meio estranho, hein?

–- Nem faz ideia. – o Príncipe a observou. – Ele tinha, na verdade tem, várias amantes, quando alguma engravida ele a envia para longe, logo depois de garantir que a criança foi retirada.

–- Por que ele faz isso? – franzindo a testa completou. – Além disso, não é tão difícil evitar uma gravidez indesejada.

–- Meu pai não quer ter outro filho. Ele se recusa a gerar uma criança que não seja da mulher que ele amava. E suas concubinas procuram meios de engravidar propositadamente, acreditam que ele pode acabar mudando de ideia e assim elas poderiam, com sorte, tornar-se a próxima rainha de Quidar, ao cair nas graças do Rei. Tão tolas.

–- Bem, não deixa de ser meio romântico, quer dizer, de uma forma cruel e maligna, isso de manter somente o filho da amada. – Angel mordeu os lábios, estava louca para perguntar sobre a mãe dele, mas lhe faltava coragem para tanto. E o nível da história mostrava que era melhor conter sua curiosidade.

Mas outra dúvida a assaltou. E doeu. Tanto que, mesmo não querendo ouvir a resposta, perguntou mesmo assim:

–- E essa mulher, a que, sabe, com você... Ficou com raiva do seu pai por tê-la mandado embora também? Quer dizer, você gostava dela?

Angel queria se jogar na água de novo quando ele voltou o rosto na sua direção. Mas Alexis mostrava um ar de surpresa.

–- Não. Depois daquelas duas noites, nunca mais a vi. Apenas ouvi falar dela novamente quando foi mandada embora, ao engravidar. – Ele suspirou – O que me aborrecia era fazer parte dessa sordidez toda. Um homem buscando apagar os seus erros com novos erros. Mulheres egoístas e gananciosas tentando alcançar seus objetivos a custa de seres inocentes. – Ele tinha uma expressão muito fria ao acrescentar – ou a custa da própria vida. Uma morreu durante o procedimento de se livrar da criança.

E a coisa só piorava... Angel estava começando a perceber que a vida perfeita do príncipe não era lá essas maravilhas. E, também compreendia melhor de onde vinha tamanha frieza que às vezes ele demonstrava. O porquê de ter agido daquela forma com ela no início, quando percebeu que sentia algo pela garota estranha que o tinha mordido. Era parecido com o que ela sentia naquele momento. O medo.

–- Só tive aquelas duas noites. – Alexis voltou a falar. – Como eu disse, foi mais um ritual do que qualquer outra coisa. Não tinha interesse em me tornar mais um alvo para esse tipo de jogo de poder. Em Quidar ou na Alpha, sempre surgia alguma garota interessada na fortuna da minha família. Claro, nem sempre era apenas o poder que as atraía, mas não havia reciprocidade. – Alexis arqueou uma sobrancelha para Angel – Até você surgir.

–- Está dizendo que não desejou ir pra cama com a pilha de mulheres que se atropelavam na sua frente, porque não confiava nelas. Ainda assim, quase quebrou seu jejum de três anos, agora a pouco na piscina, comigo?

–- Isso mesmo.

–- Devo ficar me achando a gostosa mor por isso?

–- Deveria. – ele riu.

–- E o que faz pensar que eu não iria dar um jeito de ter Alexizinhos como as outras?

Alexis olhou para frente.

–- Eu não sei. – ele refletiu longamente antes de continuar. – Meu maior problema, no seu caso, sempre foi outro.

–- Quer dar um jeito de não sentir nada por mim. Mesmo essa atração que está nos fazendo ter essa conversa maluca.

–- Sim.

Angel também pensou um pouco, o que ia dizer não era algo que preocuparia apenas ele.

–- E se essa nossa estranha relação se tornar mais... Íntima e isso só complicar ainda mais as coisas?

Os dois ficaram em silêncio.

Angel sabia o que poderia acontecer a ela nesse caso. Iria sofrer, se descabelar por cada dia a menos que tinha para passar ao lado dele. Ficaria louca pensando em como ele viveria o resto da vida sem ela (o harém e tal). Se torturaria e provavelmente, se mutilaria, a procura de uma cura. Teria tantas decepções, tantas dores e tristezas. Seria o inferno. Valeria a pena o inferno para ficar com ele apenas por alguns momentos? Não sabia.

Para seu pesar, Alexis murmurou:

–- Tenho, ultimamente, me feito uma pergunta. Será que seria assim tão terrível se nós...

–- Seria. – Angel se viu interrompendo o que ele dizia. Não podia ouvir o que sabia que Alexis estava prestes a dizer. Não podia. Não.

Alexis pareceu irritado com sua afirmativa.

–- Como pode saber?

Angel o fitou firmemente.

–- Eu não quero.

–- Percebo. – Ele também a olhou com firmeza. E um toque da arrogância que já lhe era familiar. — Sendo assim, vamos continuar com isso e descobrir o que acontecerá em seguida. – ele se ergueu para ir embora, deixando que ela visse a água correr por seu corpo, lhe dando uma visão e tanto do peito amplo e moreno sem a camisa (Angel notou que ela tinha arrancado todos os botões. Caramba.) – Mas quero que entenda uma coisa, Angel. Você pode ser uma covarde que se esconde de todos, inclusive de mim. Eu, por outro lado, fui capaz de me libertar de amarras que nem sequer imaginava existir. Graças a você. Então, esteja pronta. Prendê-la aqui graças ao que posso oferecer, acabou se tornado o primeiro passo. O próximo vai ser prendê-la aqui por mim.

E, tão decidido quanto com suas palavras, ele a deixou ali. Confusa.

Notas finais
Comentem por favoooooorrr!! Por mim! *imaginem Alexis sem camisa* #apelação ahahahahhaah Obrigada Gab e Natalia por serem tão leais!! *emocionada*