Notas iniciais
Hello!
Maryh postando a sua primeira fic pra valer!
Espero que gostem!
Não são quando serão as postagens, mas dependendo do número de leitores e de comentários posso apressar!
Boa leitura!

Perto de um riacho podia-se ver um ser de pelos cinza, era uma pequena e frágil raposa que tremia e dela partia um rasto de sangue que tingia as águas de carmim… Essa raposa tinha um nome, era chamada de Yoshiro.

Uma semana depois

Um pequeno rapaz de cabelos negros e algumas mechas cinza estava deitado, encolhido, no chão. Podia-se notar que o seu pequeno corpo tremia, ainda que levemente. A sua pele alva estava coberta de sangue e sujidade, e as suas vestes brancas, que lembravam roupas de hospital, estavam tingidas do vermelho-escuro característico do sangue seco.

Passou uma brisa suave que quase parecia um sussurro que abalou o sono do rapaz, fazendo com que as suas pálpebras se abrissem abruptamente, dando lugar a dois olhos de lindas iris verde esmeralda que aparentavam querer ser absorvidas pelo vermelho vibrante que se fazia presente no seu centro.

O rapaz sentou-se perdido e confuso, não se lembrava de nada, não sabia onde estava nem porque lá estava, não sabia o que la fora fazer nem como lá fora parar, nem o seu nome recordava… olhou em volta tentando lembrar-se de algo, ironicamente, sabia em que dia se encontrava e pelo sol conseguia deduzir que seria meio-dia, coisas sem importância alguma. Enquanto observava aquele local, reparou no sangue seco em sua volta, aproximou-se da água do riacho e ficou assustado. Estava coberto de poeira e sangue seco, não sabia como fizera tal coisa, mas o sangue só poderia ser seu, se tivesse magoado alguém o suficiente para aquela quantidade de sangue e lembrar-se-ia, certo? Mas não tinha sinais aparentes de ferimentos.

Retirou a sua roupa a constatou que o seu corpo estava perfeitamente bem, nenhum arranhão, estranhava aquilo, mas mesmo assim, o seu íntimo achava tal coisa normal, resolveu ignorar e aproveitar a água para se lavar e tentar dar um jeito à sua roupa.

- Uhm… — gemeu quando sentiu a água fria tocar a sua pele.

Mergulhou e fechou os olhos, ficou imerso alguns segundos, acabando por subir à tona tentando apressar-se. Tirou o máximo de poeira e sangue, do seu cabelo e corpo, que conseguiu, saindo e pegando na sua roupa tentando limpá-la.

Aproveitou o sol para tentar secar as suas vestes estendendo-as no chão de relva. Inspirou o ar, sentia segurança estando cercado pelas árvores e animais. Deixou os seus pensamentos dispersarem, divagando sobre o porque de não se lembrar de nada que lhe pudesse dar pistas de quem era ou do que era. As roupas faziam-no pensar que estava internado num hospital, mas descartou essa ideia, não se conseguia imaginar em tal local, só o pensamento lhe causou repulsa, definitivamente, não era de um hospital. Devia haver algo mais… alguma pista que o fizesse saber, pelo menos, o seu nome. Sentia que não existia, não tinha identidade, era como um corpo que só se recordava de hábitos, só sabia o que devia fazer para funcionar corretamente.

A brisa chocou contra a sua cara, como que lhe entregando uma mensagem, e só aí percebera que fechara os olhos. Olhou para o céu e o sol já quase que tocava o horizonte, as roupas deviam estar secas nessa hora… Direcionou vagamente o seu olhar às roupas e vestiu-as, o vento voltou a soprar contra si e ele levou, inconscientemente a mão ao bolso das calças, retirando de lá uma identificação com uma foto e algumas informações:

“Nome: Yoshiro Nacionalidade: Japonês

Idade: 15 anos Amostra nº: 0008”

Sorriu fracamente, pelo menos sabia ler e descobrira um pouco mais sobre si, mas mesmo assim não sabia o que ali fazia, nem a razão de todo o sangue que tinha antes.

Virou a identificação de costas e viu um símbolo que lembrava o planeta Terra e atrás do planeta encontrava-se uma sombra negra que parecia querer devorá-lo e absorvê-lo na sua escuridão. Nesse momento os seus olhos perderam o brilho, o seu vermelho absorveu um pouco do verde e a sua pupila contraiu-se ficando numa linha vertical, no mesmo instante em que um vento furioso se levantou.

- Taylor! – chiou, largou a identificação como se fosse venenosa e levantou-se seguindo para as árvores que o cercavam.

Embrenhou-se pela floresta, estava um pouco zonzo, o mundo parecia vibrar em sua volta, mas a imensa necessidade que sentia de fugir de algo impulsionou-o a continuar. Mas, afinal, o que era esse “algo”?

Todo o seu ser temia o que significava aquele símbolo do cartão, ele deixara a descoberto uma enorme bolha de medo, que parecia estar preste a estourar, dentro do coração de Yoshiro.

Enquanto continuava na sua fuga sem razão foi assolado por uma tontura, obrigando-o a parar e encostar-se num tronco, uma forte dor de cabeça fez com que caísse de joelhos no chão, e tão logo o seu corpo tocou o chão a sua visão ficou turva e a escuridão engoliu-o.

Nesse estado de dormência imagens começaram a correr a sua mente, memórias do que ele se tinha esquecido, informações e momentos que queria esquecer.

Via uma raposa de um anormal tom cinza encolhida num canto de uma sala escura e sem janelas. Uma porta abriu-se com um estrondo e o local foi iluminado.

-Ei! Acorda seu bastardo! – disse o homem que entrara na sala.

A raposa levantou a cabeça e começou a avançar lentamente na direção do homem, podia-se ver um sadismo doentio nos olhos do homem, quando estava perto o suficiente e o homem levantava a mão para bater na raposa, esta saltou e fechou a mandibula em volta do braço daquele ser perverso.

O homem abanou violentamente o braço e a raposa embateu contra a parede, ofegando, o seu carrasco aproximou-se da raposa e com ódio e repulsa no olhar espancou-a sem piedade.

A imagem foi ficando turva e os ruídos abafados até que desapareceram dando lugar a outra lembrança.

Um rapaz de cabelos negros estava sentado naquele mesmo chão onde a raposa estivera, a porta voltou-se a abrir e entrou denovo um homem que deixou a sua face tapada pelas sombras, o rapaz virou-se para a figura e Yoshiro reconheceu-se de olhos vermelhos. Uma brisa correu pela sala fechada e ouviu-se um rosnado vindo de Yoshiro.

-Taylor… — a sua voz era carregada de ódio

-Hum… voltaste a não comer as sobras… — disse a figura, Taylor, agarrando o queixo de Yoshiro analisando os seus olhos vermelhos e as manchas roxas que marcavam o seu rosto.

O japonês tinha os dentes caninos afiados e salientes, não deixou passar a oportunidade e permitiu que o ódio e a sede o tomassem, agarrando Taylor numa velocidade sobre-humana e deixando-o de joelhos no chão. O seu nariz tocou a jugular do italiano e inspirou o cheiro do seu sangue, abrindo a boca, deixou que os seus caninos se afundassem ferozmente sobre a veia, quando o sangue asqueroso daquele ser lhe invadiu a boca sentiu uma pontada na perna, percebendo de seguida que um liquido denso era injetado no seu sistema apartir de uma seringa.

Mordeu com mais força o pescoço do outro, mas acabou acabou por soltá-lo e arquear as costas largando um grito agonizante da dor que o consumia.

-Ahahahah! — riu-se Taylor enquanto Yoshiro se encolhia num canto da sala escura, e aquela brisa se tornava mais forte – Podes ser um vampiro quase puro e um shifter raposa, mas a prata continua a ter efeito sobre ti. – provocou-o enquanto saía da sala escura deixando a porta aberta.

A brisa enfureceu-se e fechou a porta com um estrondo, Yoshiro sabia que não valeria a pena sair agora, seria apanhado na certa.

- Taylor! – exclamou com a voz embargada em ódio, sabendo que a audição de Taylor captaria a sua fala.

Yoshiro encolheu-se mais e no seu lugar apareceu a raposa cinza de antes.

Com ela as lembranças foram-se afastando e trazendo Yoshiro de volta à realidade, abriu os seus olhos dando lugar às íris de um vermelho-sangue perigoso.

A lua tinha tomado o lugar do Sol e brilhava majestosamente no céu escuro.

Levantou-se lentamente e ouviu um ramo a partir-se, imediatamente tomou a sua forma animal, as suas orelhas movimentavam-se rapidamente enquanto se escondia e tentava descobrir a posição do que partira o ramo, então saíram dois homens de trás das árvores, um deles trazia um rapaz preso por uma corrente, que mantinha a cabeça baixa.

- Mike! Eu não acredito que conseguimos perder o rasto daquele mestiço! –reclamava o mais alto com o outro.

-Albert, tem calma! Para alguma razão troucemos o nosso cão de caça. – respondeu-lhe o outro calmamente, olhando para o rapaz de joelhos aos seus pés com desdém.

Yoshiro viu o pequeno rapaz de cabelos ruivos tremer quando os olhares caíram sobre ele e Albert lhe levantou a cara pelo queixo.

- Cão de caça, dizes tu? Parece-me mais para um cachorro vira-lata como todos os outros. –constatou com um sorriso afetado. – Mostra o que vales e encontra aquele monte de lixo!

O ruivo estremeceu denovo e olho diretamente para o homem.

-Nunca. – afirmou o rapaz com a voz firme

Albert arregalou os olhos com indignação, apertou com mais força o queixo do rapaz e deu-lhe um murro na cara, quando ia para dar o segundo a sua mão parou a uma pequena distância da face do rapaz.

- Mike, o que se passa? – perguntou tentando mexer o punho.

Yoshiro levantou-se e correu rapidamente em direção do homem que trazia o ruivo pela corrente, saltou-lhe para o pescoço e pouco antes de lhe cair em cima transformou-se denovo em humano e cravou as suas presas afiadas no pescoço do homem. Mike ainda se tentou debater, mas tão logo Yoshiro o apanhou logo se ouviu um estalo e o seu pescoço foi partido.

-Mike? Que barulho foi esse? – Albert começou a desesperar quando percebeu que não se podia mexer e ouviu algo a quebrar.

Então o homem sente um arrepio pela sua espinha e Yoshiro aparece na sua frente, este levanta a mão e estendendo-a em frente à cara de Albert fecha-a, primeiramente o homem fica a olhar para ele com um ar presunçoso, mas logo os seus olhos são tomados pelo medo quando percebe que não consegue respirar.

Quando o homem caiu no chão Yoshiro virou-se em direção do rapaz que se encolhera no chão, estendeu-lhe a mão, e mesmo a medo o rapaz aceitou-a sabendo que o outro não lhe faria mal, afinal, havia morto aqueles que o tinham pego da sua casa e amigos.

- O que fazia um shifter lobo com dois vampiros como aqueles? – perguntou enquanto o ajudava a se levantar.

- Fui pego… — respondeu simplesmente e franziu o cenho – O teu cheiro é estranho… — disse aproximando-se de Yoshiro e cheirando-o

O lobo quase que subia por Yoshiro enquanto o cheirava e acabaram por cair no chão com o rapaz ainda a cheirar o japonês.

- Vampiro… e shifter? – o rapaz parou de o cheirar e olhou para os olhos, agora verdes, de Yoshiro – É a primeira vez que vejo alguém metade shifter e metade vampiro… — refletiu enquanto se voltava a afastar e se sentava no chão.

Yoshiro olhou para o rapaz assombrado, era a primeira vez que alguém quase saltava para cima dele por ser meio vampiro e meio shifter.

- Raposa.

-O que? – perguntou o rapaz se levantado e acordando dos seus desvaneios

-Raposa, estava a dizer que sou um shifter raposa. – repetiu Yoshiro

- Sério?!? – exclamou o rapaz com os olhos a brilhar – Eu adoro raposas! Não, não, eu as amo! Sabia que sempre quis conhecer um shifter raposa? Claro que não seria porque ele me tinha salvo de dois vampiros do mal que me pegaram na rua! Mas uau! Uma raposa! Ah! Temos de ser amigos! Fica meu amigo? Fica! – começou a falar sem parar

Yoshiro simplesmente ficou parado a olhar para o rapaz, depois começou a rir de repente, é sério, o rapaz era engraçado, tinha acabado de ser salvo de um possível sequestro e escravatura, mas agora falava sem parar e parecia todo empolgado só porque Yoshiro era uma raposa.

- O que é? Então, pode meu amigo ou não? – questionou-o o rapaz emburrando por o outro estar a rir dele.

- Ahah, acho que posso! É engraçado. – aceitou

- Boa! – o rapaz saltou no ar e fez uma dancinha de comemoração – Verdade! Ainda nem sei o seu nome! Sou o Leon Walle, prazer! – estendeu-lhe a mão esperando que o outro lhe dissesse o nome e se levantasse.

- Sou o Yoshiro, e o prazer é meu. – aceitou a sua mão e levantou-se.

Notas finais
Então? gostaram? Odiaram?
Deixem um comentário! Preciso de saber o que acham!
Aviso já que este deve ser o maior capítulo de toda a fic, costumo escrever capítulos pequenos, mas empolguei-me neste!
Bom, até à próxima postagem!

Ja nee!
Kissus!