Destinados

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Boa leitura!

Destinados

Capítulo Único



Muito se questiona sobre o destino.

Perguntas para as quais talvez nunca sejam encontradas uma resposta clara e certa, no entanto, ainda assim, é impossível deixar de fazê-las.

Impossível deixar de questionar-se quando algo sai do nosso controle ou parece coincidência até demais.

A única certeza que temos é que o destino é indecifrável. A incógnita mais difícil de desvendar.

Uma interrogação, que nos deixa imaginar várias respostas possíveis e nenhuma solução exata.

Há quem acredite que, ao nascermos, temos o nosso destino já determinado. Pronto e que não podemos mudá-lo independente de ser bom ou ruim aos nossos olhos.

Porém, também há quem acredite que somos nós os autores do próprio destino. A cada passo, a cada escolha, construímos o nosso futuro.

Sakura Haruno era uma dessas pessoas que não acreditavam em destino traçado. Para ela, era você quem fazia o caminho que ia trilhar.

E, talvez, ela não estivesse errada, afinal, não há uma resposta concreta para esse questionamento.

Bem, ela não sabia, todavia, a vida lhe fez mudar de opinião.



Anos atrás…

Ela caminhava por entre as árvores de cerejeira no parque, apenas a natureza fazia-lhe companhia naquela tarde taciturna.

O sorriso enorme no rosto denunciava a felicidade da criança enquanto ela observava a paisagem magnífica composta por um gramado verde extenso que cobria todo o parque, um lago com as águas cristalinas onde os reflexos do sol batiam, deixando o lugar ainda mais bonito e, para completar, as várias flores de cerejeiras que caíram das árvores e espalharam-se pelo chão, colorindo grande parte de rosa.

A pequena garota de cabelos loiros andava despreocupadamente pelas trilhas de pedra em meio aos gramados, os fios longos voavam constantemente para os lados, ora cobrindo-lhe o rosto. Sua atenção estava presa no horizonte distante, onde o sol já começava a colorir em um misto de laranja e vermelho, até uma borboleta azul passar em sua frente com toda sua estonteante beleza e atrair os olhos verdes e curiosos para o brilho incessante de suas asas.

Aquela não era uma borboleta qualquer aos olhos da menina, mas um inseto com uma beleza única, e Sakura, maravilhada com as cores exuberantes das asas daquele pequeno animal, sorriu mais ainda e, sem hesitar, seguiu-o para onde quer que a borboleta estivesse indo.

Quando a garotinha perdeu o inseto de vista, seu sorriso sumiu e um bico birrento formou-se em seus lábios. Ela não queria que a borboleta fosse embora. Sakura continuou a caminhar, agora procurando pelo inseto, porém sem sucesso.

Seus olhos vasculharam todo o local, não vendo nada além da paisagem natural e um garotinho solitário sentado em um banco de madeira.

Ele parecia ter sete anos, assim como ela e havia uma bicicleta azul jogada ao seu lado. O capacete escuro ainda estava na cabeça, e sua postura era desleixada.

A criança aparentava estar triste. Fato.

Sakura permaneceu olhando-o por alguns segundos e, curiosa, decidiu caminhar até o garoto.

— Oi. — ela disse, sorridente. Porém, o garoto não respondeu nada, nem mesmo pareceu notar a presença da menina. — Por que está tão triste? — Sakura insistiu, a voz era singela e doce enquanto se sentava ao lado dele naquele banco.

O menino suspirou. Seu semblante estava desanimado e havia sinais de choro.

— Meus pais morreram... agora só tenho o meu irmão. — murmurou em um fio de voz.

Sakura engoliu em seco e sentiu o peito se apertar com as palavras que transpareciam a tristeza.

Em seguida, deixou a mente divagar entre lembranças felizes com os pais dela.

— Deve ser muito triste. — ela abaixou a cabeça, pensando em como seria ruim viver sem seus pais ao seu lado.

Definitivamente, era algo que ela não desejava para ninguém.

— É... — o garoto sussurrou. Os cabelos negros não deixaram que a menina visse seus olhos, mas ela tinha certeza de que estavam cheios de lágrimas.

Ele ergueu a face para ver o horizonte, e ela o seguiu.

Ambos em silêncio até o garoto quebrá-lo.

— E você, loirinha?

Sakura olhou para ele e sorriu brevemente pelo apelido, afinal, só seu pai chamava-lhe assim. Era até engraçado.

— Eu não tenho irmão ou irmã, mas tenho meus pais e não sei como é não tê-los por perto. — Sakura respondeu, baixo. — Mas minha mamãe, uma vez, me disse que ela sempre vai estar comigo e, quando eu ficar triste, é para olhar para esse colar que vou me sentir melhor na hora.

Ela tirou uma correntinha escondida por dentro da blusa. Nela, havia um pingente de cereja em tom dourado.

Sakura tirou-a de seu pescoço e mostrou ao garoto, que a observava curioso.

— Ela disse que esse colar é importante e não deixa a tristeza entrar no coração. — Sakura explicou com um sorriso singelo enquanto o garoto permanecia parado e ainda tristonho, embora agora seu olhar possuísse um brilho interrogativo.

A menina desviou os olhos para o pingente. Aquele era um objeto importante para ela. Sempre que ficava triste, ela o olhava e a tristeza ia embora.

Mas aquele garoto precisava mais do que ela.

— Pegue. — estendeu a mão com o colar, fazendo-o olhá-la com ainda mais confusão estampada na face.

— O quê?

— Para você. — Sakura pegou uma das mãos dele sobre o colo e depositou a jóia lá. — Quando se sentir triste, olhe para ele, lembre-se de que sua mamãe e seu papai sempre vão estar com você e fique feliz.

O garoto abriu a boca, ainda meio atônito e, em seguida, curvou os lábios em um pequeno sorriso. Compreendendo.

— Obrigado. — ele sussurrou ao colocar o objeto no bolso da bermuda jeans com todo o cuidado.

— Por nada. — ela sorriu mais abertamente, feliz por ter ajudado-no ao menos um pouco a aliviar aquela tristeza e, depois, olhou para a bicicleta jogada ao lado do menino. Seus olhos verdes brilharam ao ver o brinquedo. — Posso andar? Nunca andei de bicicleta. — apontou para o objeto, atraindo o olhar indagador do garoto.

— Sério? — ele perguntou, incrédulo.

A menina de cabelos loiros abaixou a cabeça, sem graça.

— Sim.

Ele estava surpreso.

— Venha. — o garoto pegou na mão dela, e uma estranha corrente elétrica passou de um para o outro, percorrendo toda a pele.

O que era aquilo?

Mas as crianças ignoraram essa sensação repentina e estranha e deram atenção ao brinquedo.

— Vou te ajudar. — ele segurou a bicicleta para que a garotinha subisse com cuidado e, em seguida, tirou seu capacete, joelheiras e cotoveleiras para colocar nela a fim de evitar machucados.

Sakura colocou os pés sobre os pedais e começou a pedalar enquanto sentia-se desequilibrar vez ou outra. Entretanto, o menino não deixou-a cair em momento algum.

Ambos sorriam com a diversão conforme os minutos iam passando. Sakura era um pouco desengonçada, como toda criança era ao tentar aprender a andar de bicicleta, porém, aos poucos, ia pegando o jeito.

Logo, ela já arriscava a andar sozinha. Vez ou outra, usava os pés como apoio no instante em que percebia que ia tombar para um dos lados, o que provocava risada nos dois.

Quando a luz do sol começou a enfraquecer, ele pediu a bicicleta de volta e colocou os equipamentos de segurança de volta em si mesmo.

— Tenho que ir. — ele disse e montou na bicicleta enquanto Sakura observava-o atentamente. — Tchau, loirinha.

A menina sorriu para ele, colocou uma das mãos em sua bochecha e se aproximou para depositar um beijo suave e inocente na outra, mas, para sua surpresa e dele também, o garotinho acabou virando o rosto acidentalmente.

Os lábios tocaram-se de leve e bem rápido, porém já fora o suficiente para constrangê-los.

Os dois coraram de vergonha ao se separarem no segundo seguinte, um pouco antes do garotinho, agora sorridente e sem graça, se afastar em sua bicicleta.

— Tchau. — Sakura sussurrou, vendo-o se afastar.

.

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— Senhorita Haruno! — a voz do professor de sociologia soou um pouco mais alta que o normal, fazendo Sakura despertar de seus sonhos.

— Ahm? Hum… O que foi, senhor Hatake? — ela perguntou, sem graça.

Os olhos de vários alunos da turma estavam sobre si.

— Dormindo de novo? — o professor questionou retoricamente, recebendo um sorriso amarelo da jovem.

— Desculpe-me, professor. Isso não irá mais acontecer. — Sakura respondeu.

Ultimamente, ela andava mais cansada que o normal. Tudo culpa dos inúmeros trabalhos da faculdade de direito, que a faziam acordar bem cedo e quase passar as noites em claro.

O professor Kakashi soltou um suspiro e não disse mais nada sobre a Haruno, pois deu o horário do término da aula.

O homem de cabelos acinzentados liberou a turma para ir embora, e a sala logo ficou vazia.

Sakura suspirou ao adentrar o corredor da universidade, estava exausta e louca para chegar em casa para tomar um banho caprichado e cair na cama.

Durante todo o percurso, a jovem, agora com os cabelos tingidos de cor-de-rosa, aproveitou para pensar no sonho que teve agora a pouco.

O que não era sonho na verdade, era uma recordação.

A Haruno respirou fundo e passou a mão pelos curtos cabelos rosados a fim de afastar esses pensamentos que a confundiam por completo.

Toda vez que ela dormia, lembranças de quando era criança e desse tal garoto solitário vinham a sua mente. E, principalmente, o martírio por nem ao menos ter perguntado o nome dele.

Esse menino dos sonhos foi seu primeiro amor e, por algum motivo, as lembranças dele ainda mexiam com o seu coração, o que era estranho, afinal, naquela época, eram apenas duas crianças, nem sabiam o que era amor de verdade.

Ela saiu da universidade em passos ágeis e caminhou pelas ruas da grande Tóquio com atenção e rapidez. Já estava tarde e escuro devido aos postes com lâmpadas fracas e, logo no dia em que Sasuke, seu melhor amigo e amor platônico desde o ensino médio, não foi à universidade, tudo estava deserto e sombrio.

A jovem começou a ficar assustada com o arrepio estranho que percorreu sua pele e apressou-se para chegar o mais rápido possível em seu apartamento. Sorte que não morava tão longe, mais alguns minutos e já estaria em frente ao local.

Mas aquela sensação ruim não saiu de si enquanto percorria o trajeto silencioso.

“Faltam apenas três quarteirões.”

Ela disse para si mesma no instante em que atravessava uma rua, em uma tentativa de acalmar seu interior assustado e caótico, porém, quando virou a esquina, seu corpo travou.

Aquela rua não estava mais vazia, o que ela não sabia se era bom ou ruim. Havia três homens de jaquetas de couro parados perto de um comércio fechado e com atitudes muito suspeitas.

Um arrepio ainda mais intenso percorreu todo o seu corpo, e Sakura sentiu as pernas fraquejarem.

Ela respirou fundo, criando coragem. Não podia voltar, esse era o único caminho para a sua casa.

A rosada voltou a andar, passando, logo em seguida, ao lado dos homens.

O desespero e medo dominaram sua mente e corpo quando a conversa dos três cessou. Ela podia sentir os olhos deles em suas costas, observando-a minuciosamente.

E, em seguida, o som de passos a seguindo se fez presente.

Ela engoliu em seco, ainda mais assustada.

“Meu Deus, ajude-me!”

Implorou em pensamentos, torcendo para que nada de ruim acontecesse consigo.

.

.

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Ele estava exausto apesar de ter dormido desde quando chegou do trabalho até as dez da noite. Definitivamente, trabalhar e fazer faculdade ao mesmo tempo é muito cansativo.

Sasuke levantou-se da cama sentindo o corpo meio dormente por horas na mesma posição e caminhou pelo quarto, pensativo.

Há anos, um sonho, ou melhor, uma lembrança, atormentava sua mente todas as noites, mas não de uma maneira ruim, afinal, era uma boa recordação, porém incomodava por lembrar-lhe do quanto ele foi idiota.

Certo que ele era apenas uma criança, mas qual a dificuldade em perguntar o nome de quem lhe ajudou no momento mais difícil?

E por que foi embora após aquele beijo inocente sem dizer nada que prestasse?

Culpar-se por causa disso era exagero, Sasuke sabia, no entanto, não se conformava com suas atitudes até hoje, já que a garota dos cabelos loiros tornou-se o seu primeiro amor e, depois daquele dia, nunca mais a viu.

Se ao menos tivesse um nome, talvez teria chances de encontrá-la de alguma forma.

Bufou, irritado.

Todas as noites, ele olhava o pingente de cereja que ela deu-lhe e sorria, lembrando-se das palavras dela.

Palavras essas que o ajudaram a superar muitos momentos difíceis da vida, pois, todas as vezes que se sentia triste ou perdido, Sasuke olhava para aquele colar e tudo sumia.

Parecia até um artefato mágico.

Riu com esses pensamentos, já estava grande demais para acreditar nisso. Quando era mais novo, até acreditava.

Ele caminhou pelo quarto segurando o pingente entre os dedos. Ainda estava sonolento e sentia uma imensa vontade de voltar para a cama, entretanto, algo não o deixava dormir.

Uma sensação.

O Uchiha olhou na tela do celular, que marcava quase dez horas.

Um sentimento ainda mais estranho invadiu seu peito no mesmo instante. Era como se algo ruim estivesse prestes a acontecer.

Mas o quê?

Sasuke respirou fundo, tentando tirar esse incômodo do peito, porém sem sucesso e, por fim, decidiu trocar de roupa e sair de casa para respirar ar fresco.

Sasuke deu partida no seu Audi A3 e seguiu pelas ruas quase desertas de Tóquio para esquecer-se de todos os seus problemas, a garotinha do parque que não abandonava seus pensamentos e, acima de tudo, para livrar-se daquela sensação estranha que o perseguia.

E por falar em sensação… Essa preocupação já estava incomodando-o demais.

Afinal, o que estava acontecendo?

Ele olhou no celular outra vez. No visor, uma foto dele com Sakura estava estampada, ambos fazendo careta. Ele sorriu, lembrando-se da amiga, que, provavelmente, estava saindo da faculdade naquele horário.

Desviou os olhos para a estrada enquanto pensava.

Por um tempo, Sasuke achou que estava apaixonado pela jovem de cabelos rosados. Não, achou não, ele tinha absoluta certeza disso, mas não teve coragem de confessar sua paixão, já que Sakura nunca demonstrou sentir o mesmo por ele. Sem contar que Sasuke não queria estragar a amizade dos dois, e ainda tinha a garotinha de anos atrás, a qual não saía de sua cabeça, confundindo-o.

Quanto aos sentimentos dele, nada mudou. O Uchiha ainda continuava sentindo algo a mais que amizade pela Haruno, porém, mesmo apesar disso e de tanto tempo, ele ainda tinha esperança de reencontrar a garotinha loira e, quem sabe assim, poder entender o que sentia por ela e por Sakura.

Era confuso aqueles pensamentos. Sentir-se apaixonado já não era uma coisa fácil de se lidar, dividido entre duas pessoas então… era o caos!

Principalmente quando de uma delas não se sabe o nome e a outra é sua melhor amiga.

Sasuke soltou um suspiro. O rumo de seus pensamentos estava ficando ainda mais confuso e mesclado àquele incômodo esquisito ficava tudo pior.

Inconscientemente e sem saber como lidar com aquilo tudo, ele tomou o caminho da casa de Sakura, pois conversar com ela sempre o deixava mais calmo, assim como aquele pingente de cereja em seu pescoço.

Mas algo também lhe dizia para seguir até a amiga naquele momento.

Era como se ele precisasse estar lá.

Quando faltavam três quarteirões para chegar até a casa dela, Sasuke teve sua atenção tomada por uma movimentação estranha.

Havia uma figura menor andando com certa pressa e mais três maiores em seu encalço. Pensando rapidamente que a primeira figura, visivelmente uma mulher, estava em perigo, ele pisou no acelerador.

Afinal, não podia deixar que os três homens que a seguiam fizessem algo de mau com ela.

E, ao se aproximar mais, surpreendeu-se e assustou-se simultaneamente ao notar que era Sakura.

— Mas o que... — Sasuke não terminou a frase, estava indignado, raivoso e preocupado, portanto, simplesmente, conduziu o carro até próximo a ela.

Imediatamente, as três figuras diminuíram o passo, disfarçando a situação.

E Sasuke pôde ver o peito de Sakura descer ao liberar o ar preso nos pulmões em um longo suspiro de alívio.

Ela havia reconhecido o carro e a placa.

— Entra, Sakura. — ele disse ao parar ao lado da calçada, já abrindo a porta do carona com agilidade enquanto observava as figuras paradas através do retrovisor.

A jovem não hesitou nem por mais um instante, apenas entrou no carro, nervosa.

— Ah, Sasuke! Não sei o que aconteceria se você não chegasse aqui! — ela disse rapidamente assim que travou a porta e o abraçou, sentindo a tensão nos músculos se esvair. — Eu estava com tanto medo. — admitiu, sussurrando em seu ouvido.

— Está tudo bem. — Sasuke acariciou suas costas, os olhos não saíam das figuras que começavam a voltar para trás, provavelmente frustradas. — Vamos sair daqui. — disse ao soltá-la, e Sakura assentiu.

Ele deu partida com o carro, deixando os homens para trás, embora estivesse morrendo de ódio só de pensar no que eles pretendiam fazer com a Sakura.

— Parece que foi o destino que me fez vir até aqui. — ele murmurou alguns minutos depois, já estava entrando na garagem subterrânea do prédio onde a amiga de cabelos cor-de-rosa morava.

Sakura revirou os olhos.

— Você sabe que eu não acredito em destino, Sasuke.

— Então me explica o motivo para eu ter sentido uma sensação estranha e vindo ao seu encontro. — ele retrucou.

— Você deve é ter sentido saudade de mim. — Sakura disse, um sorriso zombeteiro estava formado em seus lábios. Ela só queria descontrair, livrar-se daquela sensação assustadora.

Sasuke revirou os olhos com a resposta da garota, que apenas soltou uma curta risada antes de voltar a ficar séria.

— Foi apenas uma coincidência. — Sakura falou.

— Você e sua mania de não acreditar em destino. — o moreno murmurou, revirando os olhos. — Vai dizer que não foi destino quando nos conhecemos? Você estava perdida na cidade e, se não fosse eu, não chegaria em sua nova casa nunca. — argumentou.

— Foi apenas outra coincidência, o destino é a gente que faz. — ela desceu do carro quando Sasuke tirou a chave da ignição.

Com o carro fechado, ambos seguiram ao elevador.

— Tudo bem, Haruno. Não vou discutir com você, até porque ninguém tem, realmente, uma resposta para essa questão de destino. — disse enquanto as portas metálicas se fechavam.

Ao chegarem no andar do apartamento de Sakura, os dois saíram do elevador, caminhando devagar pelos corredores e aproveitando para conversarem sobre o dia de Sakura na faculdade.

Eles pararam em frente à porta de madeira clara com o número 312 grafado em prata, e a rosada tateou a bolsa à procura das chaves. Sakura não demorou a encontrá-las, em seguida, abriu a porta, adentrando uma sala média em tons pastéis e móveis simples estrategicamente posicionados para o melhor aproveitamento do espaço.

Sasuke entrou no ambiente familiar logo depois e fechou a porta atrás de si, encarando a figura rosada que já jogou-se sobre o sofá.

— Está cansada, não é? — ele perguntou o óbvio ao colocar-se ao lado dela.

Sakura espreguiçou-se e bocejou antes de responder. Visualmente sonolenta.

— Sim. Hoje foi cansativo… — respirou fundo. — Acho que vou tomar um banho.

Ela levantou-se.

— Tudo bem, esperarei aqui. — Sasuke respondeu ao ligar a televisão e deitar-se folgadamente entre as almofadas fofinhas do sofá.

Sakura riu com a imagem.

Era sempre assim, ambos agiam como se estivessem em sua própria casa quando visitavam o outro. Eram, de fato, bem próximos.

— Ok.

Sakura caminhou até seu quarto, pegou seu pijama preto com bolinhas brancas e roupas íntimas e entrou no banheiro para tomar um banho. Precisava relaxar e torcia mentalmente para a água quente levar junto com ela, além do cansaço, as lembranças ruins daquela noite e os pensamentos do que poderia ter acontecido com a Haruno caso Sasuke não aparecesse para salvá-la.

E até que funcionou. Ela sentia a mente mais leve depois do banho.

Desligou o chuveiro e olhou para o boxe, onde deveria haver uma toalha pendurada.

Só deveria…

Bufou, sentindo calafrios por estar despida e molhada.

— Droga… — Sakura murmurou e seguiu assim mesmo até a porta do banheiro, abrindo uma pequena fresta. — Sasuke! — gritou.

E não demorou mais que alguns segundos para obter uma resposta:

— O que foi? — ele perguntou quando passou pela porta do quarto e aproximou-se do banheiro.

— Pega uma toalha limpa para mim. Está na porta do meio do guarda-roupa, na prateleira lá no alto.

— Está bem.

O Uchiha caminhou até o móvel de seis portas em tom marrom escuro e abriu a porta do meio. Assim que ele avistou uma toalha branca, puxou-a, mas acabou derrubando alguns papéis junto.

Quem é que guarda papéis junto com toalhas? Só Sakura Haruno mesmo!

Sasuke foi até a porta do banheiro e, pela greta dela, entregou a toalha para a rosada. Em seguida, voltou para perto do guarda-roupa, afinal, precisava juntar os papéis que derrubou.

Ele começou a catar as folhas, que eram, em sua grande maioria, contas para pagar, entretanto, uma delas em especial chamou-lhe atenção por ser feita com outro material.

Era, na verdade, uma foto. Antiga pelo visto, já que estava um pouco amarelada na parte de trás.

Sasuke virou-a ao contrário e, assim que os olhos visualizaram a criança loira na foto, seu coração deu um pulo e a respiração falhou.

Ele conhecia aquela menina…

Não, não podia ser. Era a mesma garotinha.

A porta do banheiro se abriu, mas nem isso tirou-lhe de seu transe. Apenas quando a voz de Sakura soou perto de si que ele despertou.

— Que cara é essa? — ela perguntou. A toalha estava enrolada no cabelo, e a Haruno já vestia seu pijama folgado.

Sasuke desviou os olhos atônitos para a amiga.

— Quem é essa garotinha?

Aproximou-se e mostrou a foto, onde uma garota loira, de mais ou menos sete anos, sorria sentada em um banco de um parque.

Sakura arqueou as sobrancelhas.

— Sou eu, por quê? E onde achou essa foto?

— No guarda-roupa. — Sasuke respondeu, a voz dele quase não saiu por tamanha surpresa.

— O que houve? — Sakura questionou, não entendendo aquela reação dele, enquanto Sasuke apenas balançava a cabeça, incrédulo.

Era incrível como o destino havia brincado com ele. Sasuke não conseguia acreditar que as duas pessoas que mais mexeram com sua mente e coração eram exatamente a mesma pessoa.

Era inacreditável. Surreal.

— E você ainda não acredita em destino. — ele murmurou, reprimindo um riso.

Seu coração, agora, estava disparado e sua respiração, descompassada. Mas ele só conseguia sentir vontade de rir do quanto a vida era maluca.

— Do que está falando, Sasuke? E por que está rindo? Eu não estou entendendo nada. — a Haruno disse, o cenho estava franzido.

— Estou falando disso.

O Uchiha levou a mão até o pescoço e retirou, de dentro da camisa, uma correntinha com um pingente conhecido por Sakura.

Ela arregalou os olhos no mesmo instante, surpresa.

— Como você...?

— Já não está claro? Sou eu, Sakura. — ele disse, sorrindo, embora ainda meio incrédulo com aquilo tudo. — E era você o tempo todo… — ele murmurou, desacreditado. — Estávamos tão perto todo esse tempo.

Passou as mãos pelos cabelos, nervoso.

— O garoto solitário… — ela sussurrou, algo quase inaudível.

Sua mente estava começando a entender.

Como aquilo era possível? Era o Sasuke! Aquele garoto do parque era seu melhor amigo!

— Loirinha. — ele a chamou como fez no passado e sorriu, fazendo-a curvar os lábios em um sorriso também com a menção ao apelido de criança.

Sem dúvida, era ele!

— Era você... — ela sorriu enquanto lágrimas caíam de seus olhos verdes e abraçou-o firmemente. — Eu sempre quis rever aquele garotinho, mas nunca pensei que ele já pudesse estar em minha frente há muito tempo. — confessou.

E Sasuke sorriu ainda mais contra o ombro dela.

Ele também sempre quis rever aquela menininha dos cabelos loiros que ocupava metade de sua mente e coração, no entanto, não imaginava que ela era a mulher que ocupava a outra metade também.

Ou talvez soubesse… O que explicaria a forte conexão que sentia com a Haruno desde a “primeira” vez que a vira sozinha nas ruas de Tóquio.

— Talvez, no fundo, já soubéssemos. — ele falou ao soltarem-se, atraindo os olhos, agora vermelhos, dela para si. — Talvez seja por isso que eu senti uma vontade enorme de te ajudar naquele dia... E não consiga ficar longe de você agora.

Os olhares se encontraram, e ele se perdeu naquela imensidão verde enquanto Sakura permanecia parada, fitando os ônix que pareciam mais especialmente brilhantes.

— Talvez seja por isso que eu não consigo te tirar da minha cabeça em nenhum instante do dia. — confessou, fazendo-a arregalar de leve os olhos.

— Você… você também não sai dos meus pensamentos. — ela admitiu, a voz era baixa e ela mordia os lábios.

Sasuke sorriu de canto com a revelação e levantou a mão até o rosto da amiga, fazendo um leve carinho por ali.

O contato visual não foi quebrado por nem um instante sequer, era como se estivessem hipnotizados.

Os dois poderiam estar se batendo mentalmente naquele instante por terem demorado tanto a revelar que sentiam algo um pelo outro, mas estavam ocupados demais observando aqueles lábios convidativos.

E, como um ímã, foram atraídos um ao outro até colarem os lábios em um selinho.

— Eu te amo, Sakura. Desde aquele dia. — Sasuke sussurrou, a respiração dele se chocava contra a pele dela, fazendo uma corrente elétrica percorrer todo o seu corpo.

— Eu também, Sasuke… eu também. — Sakura sussurrou de volta, os lábios a milímetros de distância.

Até não haver mais nada entre os dois e iniciarem o beijo suave e apaixonado. E, embora ansiosos e um pouco desesperados para esse contato, o beijo fora calmo do início ao fim.

Ambos ansiavam muito por isso, não havia como negar. Eles se amavam e, bem no fundo, os dois sabiam de toda a verdade.

— Agora, você acredita em destino? Que fomos destinados a ficarmos juntos desde o início? — Sasuke perguntou, segurando-a pela cintura e mantendo-a perto.

E Sakura apenas sorriu, passando os braços sobre os ombros dele para enlaçar seu pescoço e acariciar-lhe os cabelos negros e sedosos.

— Não tenho mais dúvidas. — sussurrou antes de capturar os lábios dele em outro beijo apaixonado.

O segundo de muitos que estavam por vir, pois o destino os uniu novamente depois de tanto tempo e assim permanecerão até o fim.



“O destino fecha às vezes os olhos, mas bem sabe que, para ele, voltaremos depois, e que é ele que terá a última palavra.”

Maurice Maeterlinck.

Notas finais
E então? Gostaram? Me digam, o que acharam? Essa fanfic também está postada na minha conta do Spirit para quem quiser dar uma olhada. Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!