Tudo o que queria...

Era vingança.

~*~*~*~*~*~*~

Dia quinze de janeiro, uma noite fria de um inverno rigoroso. Bum se olhava no espelho pela milésima vez.

Estava no banheiro da universidade e arrumava os últimos detalhes da beca. Por mais que dissesse a si que era só uma comemoração, que ele já era formado, não conseguia deixar o nervosismo de lado.

Passara o dia inteiro se preparando. Não fizera parte da comissão de formatura, mas, admitia, eles realizaram um excelente trabalho. Conforme os planos, naquela noite haveria a entrega dos diplomas, com todas as pompas, e seguidamente, uma festa em uma boate próxima.

A festa era opcional e Bum, pelo bem de seu estômago que não era o mesmo há algum tempo, decidira não ir.

Parou, refletindo.

Não... Não era apenas por isso.

Suspirou.

Não tinha ânimo para ir. Se fosse a uma festa, agora, todos começariam a falar do bebê, e ocorreria o que estava acontecendo faz um tempo.

Sangwoo ficaria com aquele sorriso falso e agiria do melhor modo possível, mesmo sem querer. Toda a vez que o alpha fazia isso se sentia culpado... E estranho.

Parecia estar forçando aquela situação...

"Bom, talvez eu esteja...".

Olhou vagamente para as mãos. Tantas coisas passavam por sua cabeça... Sabia que o loiro fazia o máximo dentro do que conseguia...

Era egoísta desejar que ele tentasse mais?

Voltou a suspirar, fechando uma das mãos. Não iria a festa, contudo, para a felicidade de algumas pessoas de sua classe, os membros da manada de Sangwoo decidiram que participariam, já que Myung-Hee também se formava e ela era, oficialmente, membro do bando agora.

Claro, Bum tinha certeza que eles só queriam uma festa...

Sorriu com o pensamento.

Gostava da manada... De todos eles, um mais que os outros, mas, ainda assim... Eles eram como sua família agora, e amava o fato de Myung-Hee estar junto... Não que ela não fosse antes, entretanto, parecia ainda mais intenso... Ela era sua irmã.

Foi pegar a escova de cabelo e percebeu que a carteira de Sangwoo estava em sua mochila...

"É verdade, ele pediu para colocar nela, porque sua calça não tem bolsos...".

Fitou-a por alguns instantes...

"...Sangwoo...".

Por que sempre seus pensamentos voltavam para ele?

Olhou com certa tristeza o objeto do amado.

O alpha não havia mudado em nada sua atitude diante da situação. Ele cuidava de Bum e de todas as suas necessidades, contudo, em relação ao bebê... Não fazia nenhum comentário. Há não ser diante de outras pessoas...

E aquilo era... Sufocante.

O moreno entendia. O loiro fora claro sobre seus sentimentos... Mas... Os dias passavam e começava a se sentir um tanto...

Sozinho.

Pegou a carteira e colocou contra o peito.

O loiro não saíra de seu lado, e nem lhe proibira de falar sobre a criança, entretanto, sempre que pensava em iniciar o assunto, não encontrava as palavras... Ele também não lhe dava abertura... Estava ali, todavia, não parecia estar... Sangwoo...

O amava, não?

Até isso, que a pouco lhe parecia algo certo, começava a lhe soar nebuloso. Não o forçaria a falar algo assim, nunca. Entretanto, como não conseguia senti-lo...

As barreiras de novo erguidas, só o deixavam mais inseguro... Nesses momentos, sempre fechava os olhos e lembrava-se daquele sentimento cálido que sentira durante seu cio.

Era amor... Sabia disso...

Todavia... Parecia apenas uma lembrança distante, algo que não compreendemos se é real ou fruto de nossa imaginação.

Abriu os olhos, voltou a olhar a carteira. Tinha de conversar com Sangwoo... Sobre tudo...

Contar como se sentia. Talvez a gravidez o deixara mais sensível. Não sabia. Tudo que sabia é que tinha de fazer algo, pois aquilo o estava sufocando aos poucos.

Deu uma última ajeitada na roupa, no cabelo, colocou a carteira na mochila junto com todas as suas coisas, a fechou com calma e decidiu levar até o namorado. Iria deixar tudo com ele e se preparar para a cerimônia.

Sangwoo lhe avisou que estaria na entrada do salão da universidade, onde ocorreria a solenidade, junto com os outros membros da manada.

Caminhou pelos corredores. Amava aquele lugar, era estranho saber que não voltaria ali com tanta frequência, contudo, também gerava um grande alívio em seu interior. Todo o estudo e trabalho duro, valera a pena.

Deu um suave sorriso, finalmente avistando as silhuetas dos membros da manada. Não viu o alpha ali. Estranhou, mas, continuou procurando.

Conseguiu encontra-lo em uma área um pouco afastada, estava com Yangmi. Eles pareciam conversar seriamente. Aproximou-se calmamente, como sempre fazia, acabando por ouvir um trecho da conversa.

— Um erro. – dizia a voz do alpha: — Tudo isso foi um erro Yangmi.

Bum piscou algumas vezes, parando de caminhar. O que era um erro? Sobre o que Sangwoo estava falando?

A garota fitou o loiro: -... Não acho que deveria dizer essas coisas...

— Estou com as barreiras erguidas, ele não tem como saber.

O ômega gelou. Era sobre ele? Talvez, sobre o bebê? Sobre o relacionamento deles?

Os sentimentos de confusão e perplexidade de Bum foram tão intensos, que as barreiras do alpha não foram o suficiente para impedi-lo de sentir, e seus instintos o fizeram virar-se, deparando-se com o semblante chocado do moreno.

Houve um momento de silêncio, nenhum dos dois parecia ter coragem de se pronunciar.

Bum não sabia o que dizer, ou o que perguntar. Por que era um erro? Aquele sentimento que o loiro lhe passara, não existia mais? Estava se apegando a algo que não era mais real? Se iludindo?

Os pensamentos do alpha se agitaram, e ele já não conseguia separá-los para tomar uma atitude. O ômega ouvira toda a conversa? Apenas o final? Seu coração disparava com as possibilidades, tão acelerado que a sensação era de que se encontrava em sua boca.

Yangmi olhava de um para o outro e permanecia calada. Não se envolveria dessa vez.

O moreno baixou o olhar e o alpha teve certeza que ele, muito provavelmente, só pegara o final. Qual parte? Não ia deixar um mal entendido se formar. Tocou na mão do pequeno, fazendo-o fita-lo.

— Bum, eu não...

— Você acha que nosso filho é um erro?

Talvez o ômega não o tivesse interpretado tão errado... Mas, não queria que ele pensasse que sentia aquilo por nada...

— Bum, você notou? Não tem comido. – o alpha disse sério: — Nada para em seu estômago. Você está esperando um bebê e emagreceu!

O moreno se calou. Então era sobre isso...

"Belo blefe Bum..." – pensou, suspirando.

As lembranças de Sangwoo evitando os presentes que ganhavam para o bebê, a forma como ele sempre mudava de assunto, mesmo quando parecia apenas estar iniciando-o, tudo... Inundou a mente de Bum.

Ele ter chamado o filho deles de 'erro', fora apenas a gota final. Aquilo era...

Seu limite.

O pequeno baixou o olhar: — Não é culpa do bebê... – murmurou.

— Não? Talvez se não fosse meu, mas ele é. E minha condição genética está o fazendo acabar com você.

— Não é! – repetiu o ômega mais alto e firme, obrigando Sangwoo a fazer silêncio: — Culpa do bebê. – disse sério, em tom mais brando.

— Bum... – o alpha suspirou resignado, o que irritou o menor.

O moreno sempre fora muito calmo, contudo, não gostou daquela atitude. Sabia suas próprias razões, afinal, muitas vezes, fora sua escolha não comer.

— Eu ainda sinto fome...

— Não come por causa dos enjoos, não? Vomitará tudo depois... É disso que estou falando...

— Não, não é por isso. – Bum replicou com firmeza: — O enjoo é ruim? Sim. Mas... Não vomito tudo... Eu só... – colocou os dedos entre os fios negros que caiam sobre sua testa, nervoso: — Eu só...

Sangwoo ouviu uma pequena falha na voz do ômega, como se ele estivesse relutante em contar.

— Bum...?

— ... – o garoto hesitou, e então, deu um longo suspiro, fitando o namorado nos olhos: — Não sinto ânimo, em muitos momentos. – disse como se tirasse um peso do peito: — Sangwoo... Eu sei que você está dando o seu melhor para lidar com a situação... Mas... – baixou o olhar: — A forma como está fazendo isso... Tá me machucando...

O loiro ficou em silêncio.

— Você está do meu lado, mas, é como se não estivesse... – fechou os olhos, desabafando o que escondia: — Não sei se é a gravidez que me deixa tão sensível... E eu, meio que tentei evitar que soubesse... Sabia que se preocuparia e eu queria lidar com isso, só que, a verdade é que eu quero te sentir de novo... Eu... Detesto essas barreiras que você insiste em manter... Preferia sentir e entender o que se passa com você, do que ser deixado no escuro...

O alpha não sabia muito bem o que responder... Ergueu as barreiras porque não queria que o ômega sentisse seus receios e angustias em relação àquele bebê. Que, às vezes, realmente, desejava que aquilo não tivesse acontecido, principalmente quando notava o quanto Bum definhava, sendo que ele estava recém no início da gestação... Nunca pensou que o estado do ômega poderia ser causado por outra coisa...

"Estresse...?".

Estava estressando o moreno?

Por que as coisas tinham de ser tão complicadas? Nunca foi sua intenção magoá-lo, e sim, protege-lo...

— Bum, eu...

Foi interrompido pelo movimento do menor, que apertou sua mão.

O ômega conseguia sentir as lágrimas se formarem em seus olhos. Sangwoo o fitava num misto de confusão e incredulidade...

"Não vou chorar..." — respirou fundo.

Mordeu o lábio inferior.

Amava tanto o alpha que doía, contudo, não aguentava àquela situação. Ouvi-lo dizer que o filho era um erro... Ou melhor, 'que tudo' fora um erro...

Respirou fundo novamente.

— Enquanto você não aceitar ou rejeitar de vez nosso filho, vou voltar para a casa dos meus avós. – disse se afastando: — Você não tem como aceitar apenas a mim, Sangwoo... – Bum sentiu que fazia força para não chorar: — Eu não consigo viver com alguém que finge que nosso filho é invisível. – fechou os olhos, baixando a cabeça e falando engasgado: — É doloroso...

O alpha tentou manter a mão que segurava a sua, contudo, o moreno a soltou e a levou para o peito.

— Bum, eu não queria passar essa impressão.

— Mas, você ainda não o aceita, não é?

Sangwoo permaneceu em silêncio.

— Não tem uma resposta... – o menor voltou a fitar o loiro, com os olhos marejados, todavia, sem lágrimas caídas. Estava sério e triste: — Eu amo você, mas... – ele tocou a barriga: — Também amo nosso filho. E agora, preciso pensar nele... Ou melhor. – respirou fundo: — Quero pensar nele, compartilhar o que sinto e não achar que estou fazendo mal ao fazê-lo.

— Fazendo mal?

— A você... Eu... Não consigo dizer nada a você. Parece que se eu falar... – ele fitou o chão: — Estou te forçando a aceitar.

Sangwoo observou Bum, ele parecia tão... Frágil...

— Sinto muito... – se desculpou, sem saber se era a ação certa a tomar. Só queria que o moreno não ficasse daquela forma. Seu coração bateu mais forte, começou a esticar a mão para pegar a do ômega, segurá-la forte e puxá-lo para seus braços... Contudo, hesitou, fechando-a em punho.

Queria abraça-lo, beija-lo e garantir que tudo ficaria bem... Entretanto, não conseguia fazer isso... Não tinha certeza sobre o que estava sentindo naquele momento. O que faria com aquela criança, no fim das contas? Tinha de aceita-la. Não era uma escolha... Mas, não a queria. Essa era a realidade.

Bum deu um passo para trás, contudo, num rompante de coragem, puxou a mão de Sangwoo para sua barriga, pressionando-a ali.

— Nem faz volume ainda... — murmurou o pequeno, levemente trêmulo: — Sabe, nosso filho pode ser muitas coisas... – o moreno voltou a mirar os olhos negros do loiro: — Talvez... Fruto de um descuido... Mas, ele nunca vai ser um erro. Não pra mim. – o ômega se aproximou mais, segurando intensamente a mão do parceiro: — Você entende?

Sangwoo ficou surpreso com a ação, piscou algumas vezes...

Se ele entendia? Descuido e erro... Não era a mesma coisa?

Observou o moreno em silêncio.

Moveu de leve os dedos, sentindo o local. Bum vestia a beca, mas, ainda era possível sentir... Não havia volume nenhum, ele tinha razão. Entretanto, sabia que estava ali...

Notou o pescoço do pequeno, a cicatriz da mordida era visível. O ômega não fazia questão de escondê-la nem naqueles momentos. Quando o mordeu, também achou que cometera um erro. Mas, seu verdadeiro erro, fora pensar isso. Nunca fora tão feliz em sua vida.

Talvez, estivesse vendo tudo por um ângulo equivocado? Estava muito focado em si, no seu passado, no seu pai... Contudo, aquele bebê não era apenas seu, era?

Ele também era de Bum...

A pessoa mais incrível que já conhecera...

A pessoa que amava...

Tocou com um pouco mais de força o ventre do pequeno. Fitou seus olhos. Ele ainda os tinha marejado, mas, mantinha o olhar firme. Seu rosto um pouco corado, talvez por estarem tão próximos...

Era tão pequeno... Delicado... Gentil...

"O que estou fazendo?".

O alpha ergueu a mão, indo até o rosto do ômega e limpando, delicadamente, a diminuta lágrima que se formava. Não deixaria Bum ir embora de sua vida. Iria melhorar. O amava tanto, precisava dele... Lidaria com suas frustrações de outra forma.

— Sangwoo...? – Bum ficou confuso com a atitude.

O loiro refletiu, já dissera a ele? O que sentia? Por que sempre hesitava no que era mais importante?

— Bum, eu –

— BUM! – o moreno foi chamado, virando o rosto na direção da voz.

Myung-Hee corria na direção deles: — Tá maluco? Pirou? – ela segurou a mão do ômega: — Vamos logo! Já tão chamando os convidados! – o puxou, levando-o consigo.

Sangwoo hesitou, mas, soltou o garoto: -... – sorriu: — Boa formatura. – disse aumentando o sorriso: — Só para avisar, não vou deixar você sair de casa! — seu tom foi subindo conforme observava o moreno se afastar.

O ômega abriu levemente a boca e franziu o cenho: — Você não tem como me impedir! – respondeu ainda sendo arrastado pela amiga.

— Te tranco no porão se necessário! – gritou como resposta o alpha, vendo o menor corar completamente. Riu em seguida. Não. Não o perderia. Por nada.

Bum observou a cena ainda vermelho sem saber o que estava acontecendo...

Por que Sangwoo começara a rir?

Mas, a forma com a qual ele lhe olhara fizera seu coração disparar e suas mãos suarem... Ele parecia tão... Apaixonado.

O ômega conseguia sentir a quentura de suas bochechas. Tocou no próprio rosto, com a lembrança do toque do rapaz... Estaria, realmente, se iludindo? Ou Sangwoo mudara de ideia? Ele lhe entendera?

Olhou para trás, mas, o alpha e Yangmi já não eram visíveis.

Tocou-se nos lábios... Queria tê-lo beijado...

Sorriu. Conversaria novamente com ele, após a formatura.

Bum e Myung-Hee correram por um dos estacionamentos da universidade, indo diretamente para os fundos do salão. Sua turma os aguardava ansiosamente.

— Achou o fujão! – gritou a líder do grupo, um misto de nervosismo, indignação e alívio.

— Achei! – respondeu eufórica a baixinha.

— Bum! – a garota foi até o menor, arrumando o capelo e deixando o pingente no mesmo lado do de todos: — Você me assustou, sabia? – ela o fitou seriamente com seus olhos castanho-amber.

— Desculpe... – murmurou o rapaz, passando a mão na capa, se ajeitando uma última vez e indo para a fila, conforme ensaiaram.

— Você está bem? – perguntou Seungbae, que esperava ali fora com os alunos.

— Sim! – respondeu um pouco sem graça o pequeno, limpando o rosto.

— Aquele idiota fez alguma idiotice? – o professor fitava Bum com serenidade.

— Talvez... – murmurou o ômega: — Mas... Acho que vai ficar tudo bem. – disse com um sorriso.

Sangwoo e Yangmi sentaram nos lugares reservados por Bum e Myung-Hee, ao lado de toda a manada, e os parentes de ambos. O loiro ainda pensava no que diria, exatamente, ao moreno. Também decidira que estava na hora de encarar a realidade, se esconder dele estava piorando as coisas, baixaria suas barreiras, assim, talvez... Poderiam lidar com aquilo junto? Estava nervoso, como há muito tempo não se sentia.

As luzes se apagaram quando todos os convidados se encontravam devidamente sentados. Começou a rodar um vídeo no projetor, onde puderam conhecer um pouco de cada um dos formandos, ou quase isso...

Alguns falaram, como Myung-Hee, já outros apenas acenavam ou respondiam uma e outra pergunta, como Bum.

Contudo, mesmo assim, Sangwoo teve de ouvir um 'que gracinha' de um rapaz da fila de trás, enquanto Bum estava aparecendo no projetor. Seu giro na cadeira, acompanhando de um olhar que dizia claramente 'tira o olho', foi rápido. Yangmi riu ao seu lado.

— Quê? – perguntou emburrado.

— Sério? Ele só comentou que o Bum é uma gracinha, e é mesmo! – ela continuou sorrindo.

— Verdade, verdadeira! – concordou Cho-Hee.

— Aff. – cruzou os braços. Isso era óbvio, não precisava de um desconhecido babaca, dando ênfase.

Sangwoo encarou a pequena que estava confortavelmente sentada ao seu lado. Usava um belo vestidinho cor-de-rosa e o fitava curiosa.

— Achei que vocês iam à boate... – comentou, fitando Yangmi.

— A gente vai. O Bum ficou de cuidar da Cho-Hee.

A pequena deu um imenso sorriso travesso, onde um dos dentes estava visivelmente ausente.

O alpha abriu a boca para protestar, mas, lembrou-se vagamente que o moreno havia mencionado algo do gênero. Suspirou.

"Ótimo.".

Após o vídeo, as luzes acenderam, destacando o homem que ia ao palco. O reitor pigarreou no microfone, contudo, convidou os outros professores homenageados a subirem e sentarem na bancada reservada a eles, depois anunciou o início da solenidade.

Começou a tocar The Imperial March, música tema do personagem Darth Vader de Star Wars. Os formandos então foram, seriamente, para seus lugares ao lado da bancada.

Sangwoo teve o desprazer de reconhecer Seungbae ao lado de Bum.

— Nossa, escolheram o professor de Direito para ser o paraninfo. – comentou Seung.

Palmas puderam ser ouvidas. Taehyun se empolgou porque amava os filmes, chegou a dar um assovio para os formandos, mas, foi devidamente impedido de continuar por Yura, que lhe trouxe de volta a realidade.

— Para com isso. – disse a loira envergonhada.

— O quê? – ele a fitou: — Nem vem! Quem é que tem um chaveiro do BB8?

Ela o mirou, zangada: — Ele é muito fofo! É diferente...

— Música estranha para a entrada em uma formatura... – comentou baixinho Jieun.

— Quê? É perfeita! – Chung-Ho defendeu, amava Star Wars e achou incrível.

— Foi uma escolha muito estilosa! – respondeu Jihoon, quase ao mesmo tempo, também amava a franquia.

Os dois se olharam. Jieun e Young miraram de um para o outro, estavam entre eles. Ficou um clima levemente estranho. Eles desviaram o olhar. Chung Ho pigarreou e Jihoon fingiu que aquilo nunca tinha acontecido.

— Quer que a gente troque de lugar? – murmurou Jieun, apenas para Jihoon ouvir.

— Você.não.se.atreveria. – respondeu irritado o pequeno alpha.

— A turma deles é praticamente composta por ômegas... Não é meio esquisita a escolha? – questionou Young, confusa. Ela não curtia tanto assim os filmes.

— Eles vão educar crianças pequenas... Sério. Precisam um pouco do lado negro da força. – Yangmi riu baixinho.

Após o encerramento da música, todos foram convidados a ficar de pé, para cantarem o Hino Nacional, em seguida, o Hino da Universidade.

Depois disso, foi entregue um microfone a uma das alunas, que anunciou que eles fariam o juramento de sua função. Todos os formandos repetiram as palavras dela.

"Prometo, no exercício de minha profissão, cumprir fielmente os deveres da honra, da justiça, da ciência e do magistério e tudo fazer quanto permitam minhas forças pela educação nacional.".

Todos então sentaram, Bum se encontrava na segunda fileira, apesar de não ser alto, era tímido e não quis ficar diretamente na frente do público, como Myung-Hee.

Seungbae falava e os pensamentos do ômega foram para longe... Queria prestar atenção no que acontecia, mas, repassava a conversa com Sangwoo em sua mente. Fora um choque o que ouvira a princípio, contudo, aquele final... Dera-lhe esperança. Olhou para os convidados, percebendo que era observado pelo alpha.

Ele não desviava os olhos dos seus... Ainda o mirava daquela mesma forma de quando se separaram...

Baixou o olhar.

"Por que estou assim?".

Não entendia o motivo de estar tão sem graça. Já fizera muitas coisas com Sangwoo... Quer dizer... Já estavam em uma etapa muito avançada do relacionamento, não? Iam ter um filho! Pelos céus, não deveria estar assim... Entretanto, seu rosto corou, sua mão suou, seu coração disparou e sentia borboletas no estômago.

O que faria? Quando disse que sairia de casa para morar com os avós, falava sério...

Sentiu um cutucão, e olhou para a colega ao lado, que lhe apontava o professor.

— Yoon Bum? – chamou novamente Seungbae, percebendo que não fora ouvido anteriormente.

Estavam entregando os diplomas e o ômega não percebera. Levantou rapidamente ao notar e caminhou até a bancada, cumprimentando todos os professores até chegar ao paraninfo.

— Parabéns. – disse Seungbae com um sorriso, entregando o canudo.

— Obrigado... – murmurou o ômega, plenamente consciente de que todo mundo o observava. Já não pensava no alpha, tudo o que queria era voltar para seu lugar sem cair pisando na beca por engano.

No caminho, posou para a foto com o canudo, como ensaiado, então sentou e esperou tudo encerrar, com os discursos finais.

O discurso da oradora fora particularmente longo, o que foi deixando o ômega tenso, mas, Seungbae fez um mais sucinto, o que ajudou a tranquiliza-lo.

Logo todas as homenagens haviam sido feitas e o reitor encerrou a solenidade.

Começou a tocar Wake me Up, do Avicii, todos os formandos se encaravam por alguns instantes, alguns começaram a sorrir, enquanto outros, chorar. Rostos familiares que não veriam mais...

Quando terminou o segundo refrão, após o 'and love is the prize', os formandos atiraram o capelo para cima. Myung-Hee pegou a mão de Bum sorridente e começou a pular descontroladamente, o ômega riu da situação.

— Estamos formados! Aleluia! Um salve! AHHHH – gritava a garota entre os pulos, quando parou, acenou para a manada com um grande sorriso.

Yangmi assoviava em comemoração, junto com Taehyun. Sangwoo observava e sorria.

Bum acenou timidamente e puxou a amiga: — Melhor a gente ir se trocar. – comentou, se abaixando e pegando um dos capelos.

— Certo! Certo! – disse animada a garota.

— Mamãe! – Cho-Hee chamou, e a pequena se soltou do amigo: — Vai indo na frente! – disse: — Vem cá, bebê! – agarrou a filha num apertado abraço: — A mamãe tava bonita?

— Sim! Linda! – disse sorrindo a bolinha de fofura de Myung-Hee.

O ômega fitou Sangwoo, se aproximou, pegando a mochila.

— Vou me arrumar... – murmurou o rapaz: — Tenho que entregar a beca... A gente já se fala...

— Certo... – respondeu o alpha, largando a mochila, mas, tocando levemente nos dedos do menor: — A gente conversa melhor em casa...

Bum concordou com a cabeça, sendo abraçado pelos avós em seguida.

— Parabéns querido! – disse a senhora animada.

— Obrigado vó! Vô! – ele sorriu para o avô que também o abraçava.

— Temos um presente para você, se troque e venha pegá-lo, está bem? – disse dando beijos no rosto do neto, a senhora simpática.

— Ok. – respondeu sem graça o moreno, dando um beijo no rosto da avó, se soltando, virando de costas e saindo. Olhou Sangwoo mais uma vez, estava um pouco nervoso.

Saiu com outros formandos que conversavam animados. Queria se trocar logo, talvez pudessem jantar com seus avós, antes de irem para casa? Eles poderiam levar Cho-Hee, assim, Sangwoo e ele teriam oportunidade de conversar. Se mantivesse sua decisão de voltar para a casa de seus avós, o faria naquele dia...

Mas, seu coração dizia que iria se acertar, finalmente, com o alpha...

Bum não prestava atenção quando atravessava o estacionamento... Por isso, apenas percebeu o carro, que estava com os faróis desligados, quando este já se encontrava próximo demais para se afastar.

Sangwoo caiu de joelhos dentro do salão, ao mesmo tempo em que se ouviram gritos histéricos do lado de fora. A manada inteira sentiu o baque.

O alpha não sabia o que estava acontecendo, mas, seu instinto foi mais rápido, suas presas e garras saltaram ao mesmo tempo em que levantou, velozmente e correu para a saída dos formandos, traçando o mesmo caminho de Bum.

Havia muitas pessoas reunidas, contudo, ele apenas as empurrava, em um desespero que não conseguiria medir. Quando finalmente o viu, paralisou.

O mundo inteiro parou diante de si.

As pessoas continuavam ali, desesperadas, falando e se movendo.

Mas, ele não as via ou ouvia.

Apenas olhava Bum, deitado, em meio a uma poça de sangue...

Conseguia sentir a presença de sua manada, o desespero deles... Contudo, nada ficava associado a sua mente...

Só Bum... E o sangue...

Sua respiração se alterou...

Havia alguém na sua frente, entretanto, não via essa pessoa...

— SANGWOO! – ouviu o grito de Yangmi ao mesmo tempo em que sentiu uma queimação na face.

Levara um tapa. Acordara do transe.

— Bum... – murmurou: — BUM! – empurrou a amiga para o lado, sem nenhum cuidado e correu para o moreno.

Seung já o havia posicionado e fazia os primeiros socorros, o alpha queria ajuda-lo, queria muito ajuda-lo, mas, sua mente não pensava em nada. Não se lembrava de nada. Não conseguiria fazer um curativo naquele momento. Só fez o que pode, pegou a mão do ômega e fitou seus olhos.

— Bum... Bum... Por favor...

— Sang...Woo... – murmurou o rapaz, debilmente.

— Não desmaia! Não desmaia! Fica comigo!

A respiração do moreno era entrecortada, pesada...

Ouviu o som da ambulância, como estavam próximos ao hospital universitário, ela não demorara nada. Os paramédicos desceram, colocando o pequeno dentro, Sangwoo os acompanhou, tentando manter Bum acordado.

Chegaram ao hospital rapidamente.

— Senhor, você precisa soltá-lo para o levarmos para a emergência...! – disse uma das enfermeiras, tentando fazer o alpha soltar a mão de Bum.

— Não. – respondeu simplesmente: — Eu vou junto! – disse num rompante, quase rugindo de fúria para a mulher que tentava afastá-lo.

A enfermeira se assustou, afastando-se. Contudo, logo três seguranças chegaram, puxando Sangwoo com força. Aqueles homens eram treinados, e mesmo assim, não conseguiam fazê-lo soltar a mão do pequeno.

— Ele irá morrer se você não nos deixar leva-lo! Se controle! – gritou o médico, mirando o alpha.

O loiro reconheceu um de seus professores. Um dos melhores.

— Eu vou cuidar dele, o solte agora, Sangwoo. – o médico pediu.

O alpha mirou Bum, que já estava inconsciente, e soltou sua mão, vendo-o se afastar ao ser levado.

Sangwoo tremia, baixou todas as barreiras, nada mais importava. Queria senti-lo...

"Por favor...".

Estava muito fraco. Não tinha mais ideia de quanto tempo passara...

Sua intuição o avisou da chegada da manada, contudo, isso não lhe interessava... Ainda se encontrava em pé, onde fora deixado, ninguém conseguia tirá-lo minimamente do caminho. Parecia em transe, concentrado no vínculo.

"Por favor...".

O vínculo enfraqueceu, muito...

Sangwoo sentiu seu coração disparar...

"Por favor... Bum...".

Caiu de joelhos, fechando os olhos em desespero, lágrimas espessas desciam por seu rosto.

Mas, não havia nada que pudesse fazer...

O vínculo...

Rompeu-se.