Destinados...?

28 Um Passo De Cada Vez


Kim Chansoo observava os dois clientes que começaram a frequentar o restaurante diariamente. Claro, não ficava os encarando, apenas, olhava de vez em quando, oportunamente. Eles eram extremamente bonitos... E, obviamente, não deveria estar fitando-os.

“Se a Haneul descobrir... Ela ficará furiosa...” – refletiu, guardando os copos secos no armário.

Uma vez, aquele mesmo garoto o defendera de Haneul... Fora, a primeira vez que alguém fizera algo do gênero...

“Apesar de que ele acabou apanhando...”.

Admitia que se sentia... Atraído... Por eles... Mas, só de pensar na possibilidade de Haneul descobrir, ficava apavorado.

Além disso, o quanto era pervertido para se atrair por duas pessoas diferentes?

“E eles parecem estar namorando...”.

O cheiro dos dois era indescritível... O ruivo possuía um perfume amadeirado, já a loira, lhe remetia ao oceano... Ambos lhe faziam se sentir confortável e... Excitado. Claro, não era um ômega descontrolado, conseguia manter seus instintos dominados. Contudo, em alguns momentos, desejava se soltar... E testar os limites deles.

“Além de apanhar, ainda estragaria o relacionamento deles, que parece muito bonito... Estou ficando maluco...”.

Nunca teve esse tipo de desejo, e sinceramente, gostaria de não tê-los.

“Acho que Haneul me mata se descobrir...”.

Chansoo queria estar pensando aquilo de modo metafórico, mas, era a sua realidade. Ela realmente poderia mata-lo. Haneul, sua namorada alpha territorialista e possessiva... A alpha mais forte que já conhecera na vida.

Houve uma época que a amava e temia, simultaneamente, atualmente, apenas o medo sobrevivera. Ela sempre deixava claro que estava com ele por ‘pena’ e ‘diversão’, por isso, não o marcava. Contudo, se tentava fazer amigos, ou se encontrar com outras pessoas, ela enlouquecia.

Na realidade, o mais provável é que os boatos de que ela marcara um ômega e ele a denunciara por maus tratos fosse verdade. Se fosse... Explicava ela não tê-lo mordido. Alphas condenados por maus tratos são proibidos de marcar outros ômegas, até serem considerados ‘aptos’ para fazê-lo, e para isso, precisam de um atestado expedido pelo Conselho Ômega, entidade política e jurídica, responsável pelos maiores avanços em direito ômega. Atualmente, este conselho era comandado por um grande omeganista. Contudo, houve épocas em que alphas cuidaram dele... O que era extremamente irônico.

Caso não obedeçam a ordem de restrição e mordam um ômega, os alphas são punidos severamente. Em um caso recente que Chansoo acompanhou, a ômega exigiu a quebra do vínculo que fora forçada a ter com um alpha que estava com a restrição ativa. Ele foi condenado à morte.

No início de seu relacionamento, as coisas não eram assim... Ela era gentil e o tratava bem... Às vezes refletia se fora tudo um sonho, ou se imaginara coisas...

Já pensara em deixa-la, mas, para onde iria? Não recebia o suficiente para alugar um local e sobreviver. Nas últimas vezes que tentou arranjar um emprego melhor, ela conseguira fazê-lo ser demitido, às vezes por métodos diretos – quando fez um escândalo no meio do mercado em que trabalhava como estoquista, ou indiretos – quando jogou todos os documentos do seu chefe em um triturador de papéis, nessa época, era secretário em uma pequena firma de contabilidade.

“Pelo menos ela não fez nada contra esse... Ainda...” – refletiu.

Seu celular vibrou, deu uma checada...

Haneul

Vou comprar seu jantar favorito hoje, espero que goste ♥.

Piscou... E então, ela tinha essas atitudes fofas... Mas, precisava dar a resposta certa, ou a deixaria brava.

Obrigado ^^, estou muito ansioso em jantar com você ♥

Com certeza vou gostar ^^v

Haneul

Como pode ter certeza? Você nem comeu ainda!

Aff, vê se não mente pra mim enquanto jantamos, você sabe que odeio mentiras.

“Droga...” – sua mão tremeu levemente.

É que você disse que era – deletou a mensagem.

Não, não podia escrever aquilo... Pareceria que a estava acusando...

Desculpe.

Você tem razão, eu não tenho certeza, mas...

Como foi você quem escolheu, sei que será excelente ^^.

Seu coração estava disparado ao ver que ela visualizou a mensagem.

Haneul

Nisso você tem razão ^^, vou te buscar no fim do seu expediente, então, me espera.

Respirou aliviado.

— Kim, estão te chamando de novo... – sua colega, Lee Yun, falou entre risinhos.

Chansoo voltou a fitar os clientes. Nenhum dos dois pedira que os atendesse exclusivamente, mas, o gerente percebeu que quando o albino ia até lá, eles sempre pediam o conteúdo mais caro do cardápio, e quando ia outro atendente, o mais barato.

Então, se tornou o atendente exclusivo deles...

“Por que acho que fizeram de propósito?” – refletiu o garoto, colocando o celular no bolso da calça e andando até a mesa.

— O que desejam? – questionou calmamente.

— Hm... – o ruivo lhe fitou com um sorriso malicioso.

Desviou o olhar. No início se sentia muito sem graça com aquilo, mas, agora, já se acostumara. Pelo menos, ele não falou algo indecente dessa vez...

“Talvez esteja cansado de apanhar...” – fitou a loira que observava o cardápio seriamente.

— Posso fazer uma pergunta? – questionou o ruivo.

— Hã... Claro...

“Se for alguma coisa pervertida, só finjo que não ouvi... Sorrio, anoto o pedido e saio...”.

— Qual o seu nome? – o rapaz sorriu, mas, não possuía malícia dessa vez.

Ficou um momento em silêncio. Agora estava um pouco sem jeito.

— Kim Chansoo... – murmurou, ajeitando o uniforme – no caso, um avental com o logo do restaurante.

— Sou Bai Taehyun e essa é Choi Yura. – o sorriso do ruivo aumentou.

Chansoo não sabia o que fazer, baixou o olhar: -... Prazer... – disse um pouco envergonhado.

Yura fitou o pequeno a sua frente: — O prazer é nosso. – ela fechou o cardápio e mirou seus olhos: — Vou querer nakji bokkeum* e a melhor cerveja que tiver. – sorriu.

O albino ficou levemente corado, como o sorriso de alguém podia ser tão... Acolhedor e gentil?

Anotou o pedido, incluiu o do ruivo – que pediu o mesmo, e saiu.

Aquelas pequenas atitudes, eram diferentes do que estava acostumado. Contudo, não entendia muito bem o porquê deles estarem fazendo isso... Pareciam estar tentando flertar com ele, mas...

"Eles são um casal, não?" — refletiu o albino passando o pedido para a cozinha.

Os dias continuaram passando, em cada um deles, Taehyun perguntava algo – nada sexual, apesar das brincadeiras – a seu respeito. A cada resposta que dava, o ruivo respondia com a mesma informação a respeito dele e Yura, em poucos dias, sabia que ambos eram mais velhos, estudavam na universidade próxima, faziam relações internacionais, gostavam de esportes...

Eram coisas pequenas, mas, por que se sentia tão próximo a eles?

Estava... Mais feliz.

E isso se tornou algo visível, fazendo Haneul começar a implicar com seu emprego. Ela notara que ele estava diferente, e já concluíra mil coisas sobre o assunto.

Exigiu que ele se demitisse, primeiro falando que ele não parecia amá-la ao não fazer isso, depois, como ele insistiu que gostaria de permanecer, ela o feriu. Novamente. Deixando um corte em sua boca e marcas roxas nos braços, pernas e pescoço.

Não querendo apanhar mais por causa daquela situação, pediu demissão no dia seguinte, apesar dos pedidos de Taehyun e Yura para que não o fizesse.

— Falando sério... – o alpha ruivo lhe entregou um cartão: — Meu telefone... Se você... Precisar de qualquer coisa...

— Obrigado... – o certo era não pegar o cartão, se ela descobrisse... Mas, o olhar do rapaz em sua direção era tão... Intenso...

Olhou para a loira, ela estava calada, contudo, sua mão cerrada, mostrava o quão chateada se sentia com aquela decisão.

Baixou o olhar, despediu-se dos dois e foi para casa...

Haneul ficara satisfeita com sua decisão.

Os dias passaram, a poeira baixou, começou a cogitar procurar outro emprego. Às vezes, pensava em ser louco o suficiente e ligar para Taehyun, mas, perdia a coragem. Apesar de não ter jogado o cartão fora. Os poucos minutos que passara com os dois... Foram divertidos, e se sentira tão... Feliz...

“Talvez eu possa ligar... E me tornar amigo deles...”.

Definitivamente, ficara louco.

“Esse tipo de felicidade... Não é pra mim...” – observou o cartão em sua mão.

Não queria ser um incomodo para eles, e não queria apanhar de Haneul. O melhor era esquecer aquilo... Olhou para o lixo.

Suspirou.

Levantou e escondeu o cartão em uma pequena abertura em seu casaco. Bom, talvez pudesse pensar sobre isso um pouco mais, ou apenas guarda-lo de recordação...

Voltou a cozinhar. Preparava yukgaejang**, quando Haneul chegou completamente transtornada. Irritada, a garota foi até o quarto, batendo a porta.

Começou a se apressar...

“Droga... Droga...” – pensou, tentando terminar a comida o mais depressa possível.

Só que não foi suficientemente rápido.

— Essa porcaria ainda não está pronta? Você não faz nada a porra do dia inteiro e não consegue preparar uma refeição decente a tempo? – ela bateu na mesa ao sair do quarto e notar que não fora servida.

— Você chegou antes... – murmurou, se arrependendo em seguida.

— Como é que é? – ela se aproximou.

— Desculpe... Já está quase...

— Quase? Quase... – a garota fitou a panela com a sopa: — Hm... – ela pegou a mão do rapaz, aproximando-o do líquido que borbulhava: — Bom, sua mão está quase longe o suficiente para não se queimar...

As bolhas do líquido fervente estouravam na panela e as gotículas batiam diretamente na mão do rapaz, sem contar o vapor que subia e queimava...

— Haneul... Desculpe... Por favor... — o pequeno tinha os olhos marejados.

— Oh... Tadinho dele... – ela ironizou, torcendo seu pulso e fazendo a ponta de seus dedos tocarem no líquido fervente, o rapaz soltou uma exclamação de dor: — Pobrezinho, tá doendo? – questionou sarcasticamente, fitando-o.

O rapaz afirmou com a cabeça, sim, doía... Pequenas lágrimas já começavam a se formar no canto de seus olhos.

— Bom, meu estômago também está doendo. – ela afundou parte dos dedos dele dentro da panela, fazendo-o soltar um grito de dor: — Pois.Estou.Com.Fome.

— Desculpe! — seu pulso era apertado com muita força, sentia-o deslocando... Seus dedos doíam tanto... Estava tão quente... Ah... Conseguia sentir as lágrimas caírem por seu rosto, mesmo sabendo que isso só a incentivava a continuar: — J-Já vai... F-Ficar pronto... Por favor...

Ela o soltou e ele colocou a mão queimada debaixo da água fria, arfando, enquanto secava as lágrimas com a outra. Depois terminou o jantar, servindo-a. Sentou ao lado dela, mas, não conseguiu comer nada...

— Você está tão quieto. – o observou: — Vamos. – tocou em seu queixo, fazendo-o olhá-la: — Não fique assim, sim? – sorriu: — Já não estou mais brava, vê? – se aproximou e Chansoo sentiu algo revirar em seu estômago enquanto ela lhe dava um beijo suave nos lábios.

Estava tão... Cansado.

Ela levantou, saindo e indo ao banheiro. Provavelmente tomaria banho... Ela sempre tomava banho após o jantar...

Começou a recolher a louça...

Colocar na pia...

Olhou na direção em que a garota andara...

Respirou fundo...

E, antes que mudasse de ideia, pegou o casaco, o celular e sua mochila. Não era quase nada, mas, não conseguiria sair se tentasse empacotar suas coisas, de qualquer forma, só queria ir embora dali.

Correu para fora daquele apartamento. Não esperou o elevador, desceu ainda correndo pelas escadas, saiu do prédio e apenas uns dois quarteirões depois, parou.

Começou a andar o mais depressa possível para o parque mais próximo.

Procurou na abertura do casaco o cartão, pegou o celular e telefonou. Mesmo que fosse um erro... Mesmo que talvez piorasse tudo... Não aguentava mais... Ela o mataria em algum momento... Então... Queria ao menos tentar...

— Alô? – ouviu a voz do rapaz embriagada pelo sono.

— Taehyun...? – disse sentindo que uma onda de frustração, dor, raiva e desespero o atingirem: — Me ajuda... – sussurrou, engasgado, sentindo os soluços do choro compulsivo se formando e saindo a galopes.

~*~*~*~*~*~

Yura observava o jovem no apartamento de Taehyun. Não conseguia tirar os olhos de sua mão ferida... O ruivo havia enfaixado e cuidado dos machucados, mas, ainda assim...

Quem teria coragem de machucar alguém tão... Doce. – observou o pequeno que já parara de chorar e bebia um chá, parecendo um pouco sem graça.

Quando o rapaz ligou, ela e o ruivo estavam juntos, por pouco ele não atende ao celular... Contudo, depois que o ouviram... Arrumaram-se e saíram. Havia tanto desespero nele...

“E ainda está ferido... Mas, não quer ir denunciá-la...”.

A campainha tocou e Taehyun fitou Yura, estranhando aquele fato.

O rapaz morava sozinho em um apartamento espaçoso, entretanto, não luxuoso. Gostava dessa forma, não recebia visitas em casa, sem ser Yura... No máximo sua mãe e irmã, mas, ambas não estavam na cidade.

— Quem...? – Taehyun foi até a entrada, fitando pela pequena tela ao lado da porta, que mostrava quem estava do lado de fora... Piscou diversas vezes, se virando para a loira: — É a namorada dele! – exclamou, chocado, em tom baixo, para não assustar o garoto que se encontrava na sala.

— O quê? – Yura se aproximou, fitando a tela.

A namorada do albino, pelo o que a loira via, tinha os cabelos longos castanhos claros, era alta e emanava uma aura estranha.

— Abre a porta. – disse com convicção a garota.

— Tem certeza?

Yura retirava os brincos e afirmava com a cabeça: — Tenho. – ela entregou as joias a Taehyun, começando a prender o cabelo em um coque alto e firme.

— Ok. – o ruivo destravou a porta.

— Cuida dele... – ela o fitou.

— Pode deixar. – ele sorriu, saindo e indo até a sala.

A loira abriu a porta, fitando séria a vagabunda a sua frente.

— Onde ele está? – perguntou sem rodeios Haneul.

— Como você chegou aqui? Rastreou o celular dele, por acaso?

— Hm. Muito esperta. Foi exatamente isso... – ela mostrou o próprio celular, onde se podia ver um app para rastreio, ao mesmo tempo em que liberava os feromônios, em um óbvio convite a uma luta, contudo, com o objetivo primordial de espantar Yura.

Yura piscou. Taehyun lhe avisara que a garota era forte... E sentindo seus feromônios, tinha certeza que ele estava certo. Contudo, era burra...

“Não é porque meus feromônios não estão infestando metade do ambiente, que significa que eu não sei usá-los ou que sou fraca.”.

Sempre eram imbecis de pensar isso...

“Com exceção dele...”.

Uma lembrança antiga invadiu a memória da loira...

Sangwoo, parado, fitando-a com um olhar penetrante e levemente sádico, liberando seus feromônios para uma luta séria. Ele não estava se exibindo, como a maioria... Não, ele estava exigindo... Exigindo que ela levasse aquela luta tão seriamente quanto ele... Ah... Aquilo era força... Fora a primeira vez em sua vida, que sentira um arrepio na espinha, causado única e exclusivamente, por medo.

Comparada ao Sangwoo, aquela garota era uma formiga...

Liberou os próprios feromônios e observou os olhos daquela criatura insignificante, se arregalarem.

— Ah... Pensou que todos no universo eram mais fracos que você? Pois errou.

A garota deu um pequeno passo para trás, mas, não foi rápida o suficiente para fugir. Yura avançara contra ela e em um movimento rápido, colocou a mão envolta de seu pescoço e a empurrou contra a parede.

— Acredito que quem manda agora, sou eu. – disse apertando a região, e fazendo a garota sufocar: — Vou ser bem clara, você não vai mais se aproximar dele ou persegui-lo, entendeu? – pegou o celular e pisou nele, quebrando-o.

Haneul usou o que tinha de forças para chutar o estômago de Yura e fazê-la soltá-la.

A loira sentiu o impacto momentaneamente, e o ar lhe faltou. Acabou soltando à vadia enquanto se recuperava. Haneul aproveitou a oportunidade para tentar golpear a alpha em um soco na nuca, mas, foi bloqueada.

— Realmente pensa que alguém tão insignificante e fraca como você, tem chance contra mim? – Yura segurou o braço que tentou golpeá-la e o virou, fazendo a garota soltar um grito de dor e agonia. Depois, a fez se ajoelhar diante de si, enquanto segurava ambos os pulsos: — Eu falei que você não vai mais se aproximar dele ou persegui-lo. Qual a sua resposta? – a loira dobrou um dos pulsos, fazendo o braço ficar em uma posição estranha e sabendo que se forçasse um pouco mais, ele quebraria.

— Eu não vou! Eu juro! – gritou em rendição a, agora, ex-namorada de Chansoo.

Yura soltou a garota: — Vai embora, e nunca mais aparece.

A alpha a fitou com ódio, pegou o celular quebrado e quando estava para sair, observou alguém atrás de Yura: — Satisfeito? – perguntou irritada: — Nem pensa em voltar para minha casa. – e saiu.

Chansoo observava a cena com o coração disparado. Primeiro, os feromônios de Yura o estavam enlouquecendo, apesar de estar se controlando por um milagre, segundo, acabara de perceber que realmente não tinha para onde ir...

Fechou os olhos, nervoso, até sentir um forte vento em suas costas.

— Quê? – se virou, deparando-se com Taehyun que ligara um ventilador imenso e fizera o lugar inteiro congelar.

— Esfriando, literalmente, os ânimos. – respondeu atenciosamente o alpha.

Só então Chansoo percebeu que também liberava feromônios. Corou. Baixando o olhar. O vento frio ajudara a se acalmar, realmente...

— Yura, você está bem? – perguntou Taehyun, indo em direção à loira.

— Sim, estou... — murmurou.

— Desculpem por isso... – o pequeno baixou a cabeça, fazendo ambos os alphas fitá-lo.

— Ei, você é a última pessoa que tem de se desculpar aqui. – Taehyun se aproximou, tocando no ombro do pequeno e fitando seus olhos.

Chansoo olhou Taehyun e então Yura, que também se aproximara, mordeu o lábio inferior e abraçou ambos: — Obrigado. – disse, não conseguindo evitar as lágrimas.

~*~*~*~*~*~

A sala da delegacia era escura. O rapaz fitava o teto seriamente.

Estava fodido. Esta era sua realidade.

Já havia fugido de outras prisões antes, mas, nenhuma com a acusação de tentativa de homicídio nas costas, iria para um lugar muito pior do que das últimas vezes. Respirou fundo.

“Cacete.”.

Houve uma movimentação dos guardas. Olhou de canto. Eles abriram a porta, contudo, ao invés de ficarem fitando o que acontecia, viraram de costas. Olhou para a câmera que filmava o local. Desligada. Depois, fitou o homem que entrava. Bem vestido, terno alinhado, cara de cu.

Advogado.

“Provavelmente, daquele imbecil.”.

— O que você quer? – questionou sem rodeios: — Ou melhor, o que você me oferece?

Estava fodido, fato. Entretanto, sabia que ia ser procurado pelos pais daquele retardado que o contratara. Eles não iam querer que seu moleque ranhento fosse preso, e ele, com certeza, estava pouco se ralando pra isso. Se pudesse mandar o infeliz para cadeia, mandaria. A não ser que a oferta fosse muito boa.

O homem lhe entregou uma pasta. Abriu. Fotos de sua família. Sua mãe e seus quatro irmãos. Ergueu a sobrancelha. Ele iria ameaça-los? Esperava que não. Porque, se fosse, ele também tinha contatos fora dali.

— O que é isso? – perguntou seriamente.

O homem retirou um celular, discando um número.

— Aqui. – disse o senhor, sério.

O rapaz beta, chamado Go Doyun, pegou o celular, fitou, era o número de sua casa, colocou o aparelho próximo a orelha.

— Alô?— era a voz de sua mãe.

— Pergunte a ela se recebeu seis meses do que você costuma enviar de dinheiro.

— Você recebeu seis meses de dinheiro, velha? – qualquer um acharia que estava sendo rude com sua mãe, mas, na realidade, era um código. Ele estava perguntando se ela e as crianças estavam bem. Seu coração batia acelerado, apesar de estar, aparentemente, calmo.

— Ah! Sim! Como você conseguiu todo esse dinheiro, pirralho?

Acalmou-se. Ela dissera pirralho. Estava bem, e as crianças também.

— Não é da sua conta. Só, usa com sabedoria.

“Seis meses é pouco se quer soltar seu filho.”.

— Ora seu...

Desligou o celular, entregando-o ao homem.

— Eu tenho minha conversa com ele guardada. Ele pode ter deletado, mas, eu possuo cópia.

—... – o homem suspirou: — Meu filho disse que não esperava que você fosse tentar matar o rapaz, ele pediu para você mata-lo?

O garoto analisou o senhor a sua frente. Ele parecia cansado, e na realidade, aquele questionamento soava mais sentimental, do que prático.

“Ele quer saber se o filho pediria algo assim...”.

— Ele não pediu. – disse claramente: — Mas, pagou o valor equivalente. E você sabe como funcionam esses negócios. Sem contar que ele foi burro a ponto de transferir o dinheiro da própria conta, então, também tenho o comprovante de pagamento e o valor é alto demais para ser um “susto”.

O homem suspirou profundamente. Uma mistura de alívio e raiva, ambos os sentimentos provocados pelo filho. Taeyang devia ter pagado a mais para garantir que o trabalho seria bem feito... O ensinara a fazer isso. Obviamente, nunca pensou que ele contrataria mercenários. Esse tipo de gente, não funcionava dessa maneira. Eles tinham um valor, se você pagava a mais, era sinal de que queria algo a mais, contudo, sem deixar provas.

“Filho...” – passou a mão no cabelo.

Para um estudante de direito, seu filho parecia não ter aprendido nada e se encaminhava diretamente para a prisão.

— Todo o mês, ela irá receber a mesma quantia, se você disser a verdade, que ele não pediu a você para matar o rapaz.

— Você acha que sou idiota? – o beta quase cuspiu as palavras: — No momento que eu disser isso, é como uma confissão, certo? As provas que tenho não iam adiantar de nada em uma apelação, já que eu pareceria consciente das vontades do teu filho. Façamos o seguinte, papai, você manda o dinheiro, todo o mês, e eu fico calado. O julgamento inteiro. Você poderá fazer as acusações que quiser, e eu não irei me defender, assim, tenho certeza que manterá a sua parte.

O senhor suspirou, levantando: — Feito. — virou-se, indo embora.

O jovem beta se deitou sobre o colchonete e voltou a fitar o teto. Era o melhor. Assim eles estariam bem, até conseguir cair fora da prisão.

“A não ser que ela faça merda...” – fechou os olhos, preocupado.

Algumas horas passaram, a comida da delegacia era nojenta, mas, não se estressou com isso.

De repente, os guardas saíram. Câmera novamente desligada.

“Muita “sorte” isso acontecer duas vezes no mesmo dia...”.

Olhou para a porta de ferro que abria.

— Te deixaram em um quarto alpha, apesar de ser um beta. Que estranho. – o rapaz de cabelos vermelho vivo sorria, “impressionado” com as instalações: — Soube que está completamente ferrado dessa vez.

— Chris... – murmurou o beta.

Chris era seu “amigo”. Mais para “conhecido”. Já fazia muito tempo que não tinha ideia. Ele liderava parte da máfia. Obviamente, “Chris” não era seu nome, mas, fora como ficara conhecido. O ômega mais filho da puta que alguém poderia ter o desprazer de conhecer. E o mais bizarro, ele fazia questão de andar com uma coleira, mesmo sabendo que ninguém ousaria tocá-lo.

“Chris, Christmas...” — sua alcunha.

Obviamente, ele não ia pessoalmente visitar pessoas nas prisões, contudo, sempre fora uma exceção. Talvez por ser parte de seu passado, talvez por ser o único dos conhecidos que não trabalhava diretamente para ele.

— Os rapazes também. – o ruivo disse aumentando o sorriso: — Vai aceitar a minha ajuda dessa vez? Meus advogados chegam em cinco minutos, é só concordar.

“É só vender a alma para o Diabo.” – pensou vagamente o moreno.

Chris não era generoso, em nenhum ponto. Nada que vinha dele era de graça. Qualquer favor pedido era devidamente cobrado. Contudo, ele conseguia tornar, praticamente, qualquer sonho realidade.

“Acho que só não consegue trazer os mortos de volta a vida, mas, tirando isso... Fama, poder, posição política... O que quiser se estiver disposto a pagar o preço apropriadamente. Quanto maior o favor, maior a dívida.”.

Nunca lhe pedia favores.

— Não. Por que faria isso? – ele deu de ombros: — A maioria sai da prisão em pouco tempo, mesmo com as penas máximas. Quem se ferrou mais fui eu e o Kyung, e nunca fui com a cara do babaca, então, foda-se.

Chris riu alto: — Você não muda mesmo.

— Mas, tenho algo para você. – disse fitando o rapaz a sua frente, que devolveu o olhar intrigado: — É sobre a identidade de um dos teus favoritos.

O ruivo ficou confuso: — Meus favoritos? Sei a identidade de todos os meus... – murmurou, até que seus olhos brilharam: — Não. Espera. Você sabe quem ele é?

Doyun deu de ombros: — Sei. Só que antes, quero sua palavra de que você vai fazer o possível para ela não se foder mais do que o normal, enquanto tô fora.

“É a única forma de eu ter certeza”.

— Hm. Sabe que não precisa pedir isso.

— Me dê sua palavra.

O moreno sabia que não havia nada mais importante ao ruivo do que sua palavra, e quando ele prometia algo, cumpria.

— Você a tem. – foi a resposta simples.

— Sem interferências monetárias.

— Você disse que não quer que ela se foda mais, isso tá implícito.

— Chris...

— Certo. Prometo que não irei interferir dessa maneira. Se você realmente tiver o nome real dele... – sorriu.

— Tenho mais do que isso. – o moreno respondeu: — Tenho o nome, sobrenome, universidade que frequenta... Tudo que você sempre quis saber desse lutador, Kailan, você o chama, né?

~*~*~*~*~*~

Quinta pela manhã, uma sala de escritório muito bem decorada, com flores em tons claros sobre as bancadas, quadros abstratos nas paredes, xícaras de café servido em peças de porcelana refinada. Apesar de possuir um amplo espaço, todos os bancos se encontravam ocupados. Barulho, falatório, pessoas andando de um lado para outro.

— Já preparam todos? – se podia ouvir.

— Estão cuidando disso...

Bum mal dormira – ficara enjoado o resto da noite, e agradeceu por ter Sangwoo ao seu lado, o alpha o ajudara a passar por aquilo. Mas, o que era para ser o começo de um bom dia, estava, na realidade, sendo particularmente estressante.

O ômega descobriu que não seria apenas testemunha de Myung-Hee. O processo que os pais de Jieun moveram era muito mais complexo que isso... Eles queriam prender todos os envolvidos naquele ataque. O que era impressionante...

Pelo visto, eles ficaram realmente revoltados por sua filha ter sido atacada na universidade, e não queriam deixar absolutamente ninguém impune. Por causa dessa atitude, ocorreu uma ruptura nos negócios da família Min.

Os pais de Jieun queriam prender todos, incluindo Taeyang – seu primo, que fora quem ordenou o ataque. Contudo, os pais do rapaz diziam que ele não mandara estuprar ou matar Bum, ele “apenas” ordenara que eles dessem um susto e prendessem o ômega, para assim, ele poder mordê-lo. Eram coisas distintas e possuíam penas diferentes.

Jieun contou ao ômega que a briga em sua casa fora complicada. Aliás, a atitude da garota ao seu redor era o que mais lhe assustava... Ela estava... Diferente... Mais amigável e simpática... Sem contar que ficara mais tranquila quando dissera que Sangwoo só viria mais tarde.

O alpha lhe falara que ‘terminara oficialmente com ela’, o que lhe deu uma sensação ainda mais estranha. Quer dizer, para ele terminar, significava que havia algo pendente, não? Sendo assim, tecnicamente, era como se tivesse namorado um rapaz comprometido por mais de um mês!

Claro, o loiro explicou que não era exatamente isso... Mas, Bum tinha a impressão que ele lhe dava mais dor de cabeça que o necessário.

Como se sua cabeça não estivesse doendo o suficiente...

Enfim, ele repassava o texto com o pai de Jieun... Pela décima vez. Revendo todos os mínimos detalhes. Tendo de se lembrar em minúcias exaustivas de quem o quase matara, de sua amiga sendo estuprada... Não era uma atividade agradável.

Mas, definitivamente, com Myung-Hee parecia pior... Ela tinha de repassar todas as perguntas, que incluíam seu passado sexual, sua síndrome, sua vida... De novo... E de novo... E de novo.

Bum nunca cansava de se impressionar, por mais que a mãe de Jieun tocasse em assuntos delicados, Myung-Hee não perdia a postura e respondia claramente a todas as perguntas. Nem pestanejava ou se envergonhava quando a pergunta era – obviamente – uma maneira de tentar intimidá-la devido a sua condição.

A mãe de Jieun até treinou algumas perguntas que ela protestaria, caso fossem feitas, mas, caso o juiz não acatasse, a garota poderia se manter tranquila e responder corretamente. Foram horas e horas nesse ritmo.

No final da seção de tortura psicológica, vulgo, preparação para testemunho, se sentia esgotado. Queria muito que Sangwoo estivesse ali, como quase todos os membros da manada estavam... Contudo, o líder alpha e Seung tiveram de inverter o horário no hospital para poderem testemunhar à tarde.

Conforme Sangwoo, Noh deixara claro que não ligava a mínima para o fato de terem sido chamados e possuírem um comprovante... Eles já folgariam no Natal e Ano Novo, nada de mais ‘regalias’.

Claro, se eles realmente quisessem faltar, podiam... Tecnicamente, nada os impediria, contudo, o alpha tinha certeza que Noh estava com pouco pessoal e a pressão era devido a este fato.

Bum suspirou profundamente, surpreendendo-se ao ver alguém que, não esperava que estivesse ali.

Seungbae lia relatórios escritos à mão, vestia um terno preto e bem alinhado, parecia calmo e concentrado.

— Professor? – questionou, confuso, pela presença do docente.

Seungbae interrompeu sua leitura, fitando o jovem a sua frente: — Bum. – sorriu levemente: — Como está?

— Bem... – respondeu atônito o ômega, só então lembrando que o professor era seu guardião. E que, tecnicamente, ficaria de olho nele e em Sangwoo durante dois anos...

“Apesar de que não o vi muito, desde o ataque...”.

— Como estão as coisas entre você e Sangwoo? Tenho observado de longe, vocês parecem estarem se dando bem...

— Sim, estamos nos dando muito bem... – ficou sem graça.

Seungbae se questionou se deveria aprofundar aquela conversa naquele momento. Sinceramente, como o semestre acabara há pouco, estava resolvendo as centenas de pendências que possuía – com alunos, outros professores, a universidade.

Contudo, não podia negligenciar suas responsabilidades, e sentia que não estava dando a devida atenção àquela em especial. Lembrava-se de ter verificado todos os exames de Bum e de Sangwoo... Pelos cálculos que a médica lhe fornecera – e sim, como guardião e responsável designado pelo governo a essa tarefa, tinha acesso irrestrito a esse tipo de informação – o ômega deveria ter entrado no cio há alguns dias, umas duas semanas, mais ou menos.

Não houve nenhuma internação com o registro do rapaz – ou teria sido notificado, então, concluiu que ocorrera tudo bem... Mas... Sempre era bom ter certeza.

— Bum... – começou, entretanto, se interrompeu. Certo. Pensar em questionar algo assim era fácil... Contudo, fazer na prática era um tanto... Constrangedor...

O alpha coçou a cabeça um pouco sem graça. Céus. Entendia toda a preocupação que rondava esse tipo de situação, mas, tinha de admitir que certas perguntas lhe deixavam muito embaraçado: — Pelos seus exames, você já deve ter passado pelo cio... – pigarreou, evitando corar: — Como foi? Ele o passou com você? Ocorreu tudo bem? Não soube de nenhuma internação sua...

Bum sentiu o sangue subir as maçãs do rosto descontroladamente: — Ah... – olhou para os pés: — Hm... Sim... Nós passamos juntos... – murmurou. Será que deveria contar a Seungbae as consequências daquele cio? Fitou o professor de canto. De qualquer maneira, ele saberia assim que fosse ao hospital para exames clínicos: — Professor...

— Pode me chamar de Seungbae, Bum. Não sou mais seu professor, lembra? – ele sorriu amigavelmente.

— Certo... Seungbae... – mirou o docente: — Eu... – contaria ou não? Se não contasse, ele poderia achar que omitiu nesse momento, e isso poderia ser ruim para Sangwoo, caso ele descobrisse que o alpha não estava muito animado com a ideia... Não queria causar problemas: — Engravidei. – murmurou.

Pela surpresa, quase Seungbae fala ‘Do Sangwoo?’, o que seria uma pergunta estúpida em vários sentidos, contudo, o professor conseguiu controlar a própria língua. Entretanto, aquela situação o deixava preocupado... Também havia visto os exames do alpha, e sinceramente, não esperava que os dois decidissem isso tão... Precipitadamente.

“Se eles decidiram... Parece mais uma situação que esses dois caíram por puro impulso...”. Suspirou.

Pelo visto, eles precisavam mais de sua orientação do que imaginara. Afinal, uma gravidez de um alpha com altos índices gama, não era fácil. Sem contar que eles estavam há pouco tempo juntos... Esperava algo do gênero de Sangwoo, mas, Bum ter feito isso, o surpreendera. Claro, não sairia julgando essas duas crianças irresponsáveis que decidiram ter uma criança... – ajeitou os óculos.

“Hm... Acho que já estou julgando...” – refletiu momentaneamente.

Respirou profundamente, não podia voltar no tempo, não tinha como dar melhores conselhos ao ômega sobre o cio... Contudo, podia ser um guardião mais presente a partir desse momento.

— Vou ficar de olho em vocês. – ele fitou o ômega: — Três. – e olhou a barriga do pequeno, fazendo o mesmo se envergonhar ainda mais: — Você vai começar a ter reuniões comigo, pelo menos, duas vezes na semana, assim, posso ter certeza que está ocorrendo tudo bem. – disse com convicção.

— Isso não é um pouco demais...? – questionou confuso o pequeno.

— Não. Deixei vocês um mês sozinhos e já me fizeram um filho... O que aprontarão se eu ficar ainda mais tempo longe? Melhor prevenir do que remediar.

— Mas... – Bum ia rebater, quando sentiu braços lhe rodearem por trás e um puxão leve que o fez encostar-se a um peito rígido e másculo. Não precisou se virar para saber quem era: — Sangwoo... – murmurou.

— Professor Yang, ao que devo o desprazer da sua presença. – o alpha disse com um sorriso simpático, mas, o ômega o sentiu abraça-lo mais forte.

“Ele está... Com ciúmes?” – pensou o ômega, brevemente... “Não... Não deve ser isso... Quer dizer, não é possível, é...?”.

Bum corou, observando o braço que o cercava. Não que Sangwoo nunca ficara com ciúmes antes... Mas... Por alguma razão, se sentia mais... Frágil... Acabou se aproximando mais, aceitando aquela demonstração de possessividade desnecessária e surpreendeu o alpha que o fitou.

Sangwoo esperava que Bum o observasse irritado, como já fizera outras vezes, sabia que o ômega não gostava daquela atitude – que não conseguia evitar – excessiva de sua parte, mas, vê-lo corar e se aconchegar em seus braços, o deixou, verdadeiramente, sem graça e surpreso. Acabou abraçando-o mais forte... E mirando irritado o professor. Não esquecera que o alpha dissera que ‘cuidaria’ do ômega, caso ele não cuidasse.

Seungbae sorriu com aquela visão. Definitivamente o instinto dos dois estava bem ativo... Ficava feliz por eles estarem assim... Na realidade, durante aqueles anos, torcera para que o ômega conseguisse se declarar... Até os fazia participarem dos mesmos grupos nas apresentações, mas, sentia que nenhum dos dois cooperava. Bum sempre parecia decidido a negar seus sentimentos e Sangwoo era extremamente tapado quando se tratava do moreno. Para o professor, o ômega sempre, por mais que tentasse, era transparente... Contudo, o alpha parecia não notar o óbvio...

Talvez tenha torcido tanto porque se identificava muito com Bum... Quer dizer, não que fosse parecido, com certeza o ômega era mais doce, contudo, também já amara alguém que não o notara. Já tivera um tapado em sua vida... Mas, diferente do moreno – que se esforçara para ficar o mais longe possível do loiro, Seungbae realmente tentara chamar a atenção... Só que acabaram seguindo caminhos diferentes, e desistiu. Já fazia um tempo que não o via, mas, nunca o esquecera completamente.

Suspirou.

— Estou aqui porque o senhor fez um inimigo que mandou mercenários a universidade, onde, de forma bastante irresponsável, não havia ido.

Sangwoo ficou calado e Seungbae se aproveitou para se aproximar de Bum e sussurrar em seu ouvido.

— Não se esquece das nossas reuniões.

— Ei! – o loiro tentou afastar o professor, mas, este já havia se distanciado: — O que ele te disse? – perguntou ao ômega.

— Ele não pode falar, é nosso segredo. – o professor sorriu, dando uma piscadela e Bum acompanhou o sorriso dele.

— Como é? – Seungbae saíra e o alpha deu um bufo: — Sério, o que ele disse?

Bum riu baixinho, olhando por cima do ombro e mirando os olhos negros do loiro: — Ele apenas disse que era pra eu não me esquecer das reuniões...

— Que reuniões?

— Ele acha que devemos nos encontrar mais vezes, então, decidiu que teremos reuniões.

— Por que isso? – perguntou indignado o alpha.

— Hm... Contei a ele sobre a gravidez... – murmurou o ômega.

Ah. Certo. Bum esperava um bebê. E Seungbae saberia mais cedo ou mais tarde. Suspirou frustrado: — Aff... Detesto o fato de ele ser nosso guardião.

Bum observou o loiro, ele parecia cansado... Provavelmente algo a mais o afetara, além da noite mal dormida...

— Aconteceu alguma coisa? – questionou, traçando as linhas do rosto do maior com a ponta dos dedos.

— Você sempre consegue ver através de mim... – o alpha observou o ômega por alguns instantes, então fechou os olhos: — Uma menina... Bem pequena, na verdade... – disse, abrindo os olhos e desviando o olhar: — Pensei que ela já poderia ser levada para o orfanato, mas... – ele suspirou: — Ela está com uma inflamação da glândula feromonial... Ou seja, terá de fazer um tratamento...

— E ela te preocupa?

— Bom, ela é muito nova e pequena... E nem deveria ter esse tipo de problema, saber que isso foi causado porque ela foi estimulada sexualmente, me deixa puto... Sem contar que a mãe dela deu um nome falso no registro e a menina fala muito pouco, e como se tudo isso não bastasse, a doutora Noh me deixou parcialmente responsável... – bufou de leve, encostando a cabeça no ombro do ômega.

— Achei que você não podia ter pacientes, ainda... – murmurou o moreno.

— Não posso... Por isso é parcialmente. Ela é cuidada, tecnicamente, pelo pediatra do hospital, contudo – ele deu um profundo suspiro: — Ele não está, ‘empolgado’ com a tarefa, já que ninguém sabe quem irá pagar a conta no final. Por causa disso, a doutora Noh disse a ele que eu queria ‘observá-lo de mais perto’, mas, na realidade, ela me deixou ali para verificar se a menina está sendo bem cuidada... – respondeu o alpha, escondendo o rosto na curva do pescoço do pequeno e respirando profundamente, sentindo o cheiro do mesmo embriaga-lo.

Bum corou violentamente e soltou um suspiro baixo, quase um gemido.

Os dois se fitaram naquele momento. Há quanto tempo não se tocavam... Mais intimamente? A vontade de ambos era encostar os lábios e se perder em um beijo profundo, os olhares que trocavam para a boca um do outro, deixava aquele desejo bastante óbvio. Contudo, não se atreveram a cumpri-lo. Apenas desviaram os olhares.

Sabiam que se começassem a se beijar da forma que almejavam, não haveria tempo hábil de irem para o julgamento que iniciaria em breve, pois, com certeza, iriam muito além de um beijo.

Almoçaram junto à manada. Jihoon avisou a todos que os planos mudaram e já não passariam mais o Natal em Osaka, e sim, em Naksan, onde estava sua casa de veraneio. O que foi um grande alívio para Sangwoo e Seung, que sinceramente, não queriam gastar uma pequena fortuna em viagens para o Japão.

Após o almoço, foram para o fórum, onde ocorreria o julgamento.

Bum ficou, primeiramente, na sala de testemunhas. Dali conseguia ouvir – apesar de não ver – o julgamento. Encontrava-se com a manada e Myung-Hee.

A baixinha estava completamente calada, o que o deixava ainda mais tenso, pois, ela era a falante entre eles. Jieun ficou estranhamente ao seu lado, o que aumentava ainda mais seu já evidente nervosismo.

Sangwoo e Seung estavam treinando com os assistentes dos pais de Jieun, já que não puderam comparecer cedo. Pelas risadinhas da assistente para o alpha líder, ele estava indo bem.

“É cada uma...” – Bum revirou os olhos e mirou a janela, dando um suspiro.

Não é como se houvesse hora para ciúmes, mas, sentia em seu âmago que aquele não era o melhor momento para uma crise, apesar de estar se irritando.

— Ela é corajosa. – murmurou Jieun ao seu lado, desviando sua atenção.

Bum piscou, percebendo que a alpha mirava fixamente Myung-Hee.

— Sim, ela é. – concordou o ômega.

— Nem todos tem coragem de chegar até aqui... – ela o fitou: — Você, nunca contou a ela como a chamei, naquela festa...

O moreno se calou. Lembrava exatamente de como a alpha se referira a Myung-Hee naquela ocasião, mas, nunca foi de fomentar fofoca, e sabia que Jieun estava agindo daquela maneira para provoca-lo.

— Você queria me irritar, conseguiu. Não tinha o porquê de eu envolver a Myung-Hee nisso... Ela já tinha problemas demais. – Bum voltou a fitar a amiga, que apertava uma mão contra a outra com força, mas, era abraçada pela namorada que parecia ainda mais protetora naquele momento.

Jieun ficou um momento calada: — Você é impressionante.

Bum voltou a mirar a alpha.

— Não é para menos que ele te escolheu. – ela sorriu.

O ômega ficou sem palavras.

O julgamento não fora repartido por pessoas, e sim, por eventos. Para o primeiro evento, que incluía invasão, dano a propriedade, ameaça, baderna, todos os acusados, com exceção de Taeyang, foram julgados. Nessa parte, Dongyu, Jihoon, Young e Seung serviram de testemunha, além de funcionários da universidade – como os seguranças que os prenderam após tudo.

Muitos dos julgamentos que envolviam alphas ocorriam dessa forma, pois, era comum crimes serem cometidos por manadas, sendo assim, muitos possuíam a mesma pena por terem feito as mesmas coisas, e eram julgados em conjunto. Contudo, peculiaridades de cada individuo — como ser a réu primário, eram analisados a parte pelo juiz.

Nesse primeiro evento, quem entrou com as acusações foi a Universidade. Bum se surpreendeu ao descobrir que Seungbae ficara o responsável pela acusação naquele evento. E pelo o que ouviu, ele conseguira a pena máxima sem muita dificuldade.

Depois dessa primeira parte, viria o julgamento de Park Kyung – que já fora condenado pelos crimes anteriores, e ainda era acusado de estupro.

Contra ele estavam de testemunha Jieun, Chung- Ho, Yangmi, Myung-Hee e Bum.

Contudo, o testemunho de Bum também valeria contra Go Doyun, que fora quem tentou mata-lo, e contra Taeyang que fora acusado de mandante, por isso, seu testemunho era após o de Myung-Hee.

Bum fitou Sangwoo que vinha em sua direção, o alpha sorriu e se sentiu mais calmo. O loiro sentou ao seu lado e esperou, ele testemunharia apenas contra Go Doyun e Taeyang, junto com Yura e Taehyun.

Depois da sentença geral, e uma pausa de cinco minutos – onde todos os acusados já julgados plenamente foram retirados do local e levados para as celas — eles começaram a ser chamados e Bum sabia que sua hora se aproximava, quando foi a vez de Jieun, a alpha lhe fitou seriamente.

— Me deseja sorte, porque quero que eles paguem por isso tanto quanto vocês. – ela disse indo testemunhar.

—... Boa sorte. – murmurou o moreno, recebendo um sorriso como resposta.

Bum sentiu-se estranhamente calmo.

Respirou fundo.

Após Jieun, foi Chung-Ho, então, Yangmi – que beijou a namorada antes de ir, e por fim, Myung-Hee.

— Não vou conseguir. – confessou o ômega.

— Vai sim. – falou calmamente Sangwoo.

— PROTESTO!

A voz da mãe de Jieun fora tão alta e irritada, que todos se voltaram para a porta que daria no local de testemunho.

— Quantas vezes isso ocorreu anteriormente, não tem relação com o que aconteceu! A pergunta é totalmente despropositada! – dizia a advogada indignada.

Bum não acreditava que alguém – realmente – teria coragem de perguntar quantas vezes alguém com síndrome de descontrole fora estuprado na vida, aquilo era totalmente absurdo.

De alguma forma, saber que sua amiga estava passando por aquilo, e que hesitou em seguir em frente, lhe deu vergonha. Respirando fundo, fitou Sangwoo: — Tem razão. Eu vou.

O alpha apertou mais forte sua mão e sorriu.

— Testemunha de acusação, Yoon Bum.

Era sua deixa. Levantou e saiu do local, fitou todas as pessoas sentadas, incluindo o estuprador e... O homem que tentou mata-lo. Vê-lo ali, lhe deu medo.

Sentou-se diante dos advogados e ao lado do juiz.

O pai de Jieun o fitava seriamente, e o fez relatar todo o ocorrido durante o evento na universidade. Incluindo o que vira ocorrer com Myung-Hee.

Depois que o pai de Jieun sentou, outro homem levantou, e Bum percebeu que havia duas mesas no local, uma com ele, o estuprador e o que tentara mata-lo, e outra com Taeyang e seu pai.

O pai de Taeyang olhava Bum seriamente, parecia tentar lê-lo e sorriu, quando percebeu que também era observado.

O ômega desviou o olhar.

— Você afirma, categoricamente, que Myung-Hee foi induzida ao cio.

— Sim. – confirmou Bum.

— Mas, você sabe que quando estava correndo com a ômega, vocês estavam acompanhados por duas alphas e que os feromônios poderiam estar sendo dirigidos a elas...

Estranhamente, Bum percebeu que teve a exata mesma reação que o pai de Taeyang, suspirou profundamente. Aqueles mercenários, estavam sendo defendidos por um beta, que pelo visto, não entendia porcaria nenhuma de feromônios.

— Estávamos em local aberto. Feromônios se dispersam no ar, se não lançados, diretamente, a um alvo específico. Posso afirmar que seu cliente beta é incapaz de fazer isso, mas, seu cliente alpha, não só é capaz, como fez. Se ele quisesse atingir apenas as alphas, ele poderia, mas, a escolha dele, foi tentar atingir a mim e a minha amiga, Myung-Hee.

O pai de Jieun ergueu uma sobrancelha, não havia ensaiado aquela pergunta, mas, o ômega a respondera muito bem.

Observou o homem fitar uns papeis, e quase como se desistisse, ou não ligasse o suficiente, sentou, encerrando suas questões.

Bum ergueu a sobrancelha, um pouco chocado. Havia ensaiado outras perguntas, algumas que poderiam – talvez – influenciar em algo na decisão, mas, pelo visto, não era algo que ocorreria.

O pai de Taeyang levantou: — Me diga, quem tentou mata-lo, senhor Yoon Bum.

O ômega piscou, diferente do anterior, este homem estava mais sério, e sua presença era muito mais imponente, além de manter a voz um tom mais alto, o que aumentava o efeito como um todo.

— O rapaz ao lado do estuprador de Myung-Hee, Go Doyun. – respondeu, se sentindo mal ao lembrar. Seu enjoo começou a voltar.

— Você poderia me esclarecer um ponto? Era natural sua amiga, Myung-Hee estar de coleira, contudo, como posso perceber pelo tipo de equipamento usado em seus exames, o senhor também estava, pode me esclarecer o motivo?

— Protesto! – disse o pai de Jieun: — Pergunta irrelevante ao caso.

— Prometo querer chegar a um ponto excelentíssimo.

O juiz ergueu a sobrancelha: — Pode responder. – falou, fitando Bum.

— Eu usava uma coleira por causa de Taeyang. – Bum respondeu um pouco confuso, aquilo não piorava a situação do filho dele?

— Poderia esclarecer sua afirmação, por favor? – o homem sorriu.

Bum piscou, não sabendo onde ele queria chegar: — Taeyang me atacou anteriormente, e, bom, usei a coleira para me proteger...

— Quando ele te atacou, pela primeira vez, ele tentou mata-lo?

O ômega piscou: — Ele ameaçou me morder e...

— Por favor, responda apenas o que lhe perguntei. – o homem interrompeu: — Ele tentou lhe matar?

Bum ficou calado por um instante: — Não. – disse simplesmente.

— Então, apesar dele ter tido uma oportunidade anteriormente, ele não tentou mata-lo. Correto?

O ômega suspirou: — Sim.

— Obrigado. Era apenas isso.

A mãe de Jieun ia levantar, quando teve a mão segurada pelo marido, que lhe falou algo no ouvido, fazendo-a ficar sentada, o que não pareceu ser do seu agrado.

Bum foi dispensado e colocado em outra sala, onde encontrou o resto da manada, mas, foi impossível ouvir o resto do julgamento. Myung-Hee o abraçou assim que entrou.

Um tempo depois entrou Taehyun, então Yura e por fim Sangwoo, que parecia um pouco frustrado.

— O que houve? – Bum perguntou ao se aproximar.

— Nada, já senti que aquele fahise idiota não vai ser condenado direito, exatamente porque o tornei um fahise idiota... – ele sacudiu a cabeça negativamente: — Se eu não tivesse feito isso, talvez a punição fosse maior...

— Se você não tivesse feito, o pai dele acharia outra brecha, vai por mim. Ele como fahise, pelo menos, tá recebendo alguma punição. – disse Jieun, que ouvira a frase do alpha.

— A Jieun tem razão. – Bum concordou: — O pai dele me pareceu muito confiante.

Sangwoo fitou o namorado, depois Jieun e então Yangmi que estava abraçada em Myung-Hee.

— Vocês duas, venham cá. Já volto. – deu um selinho em Bum e depois foi em um canto com elas, começando a falar. O ômega não entendeu, entretanto, as duas gesticulavam ao mesmo tempo e ele parecia a cada instante mais irritado. Depois de alguns instantes, ele disse algo que as fez se calarem, estava mais sério do que costumava vê-lo.

Bum se aproximou: — Aconteceu alguma coisa?

—... E parou com a palhaçada. – ele finalizava com as meninas, virando-se para o rapaz: — Sim. Está. – o abraçou: — Não é nada com o que deva se preocupar.

Alguns minutos se passaram antes dos pais de Jieun entrarem na sala, contando que todos os acusados foram condenados as maiores penas possíveis para seus crimes. Menos Taeyang, que o pai conseguiu provar que não contratara os mercenários para matar Bum ou estuprar Myung-Hee. Ele também teve a pena amenizada por ter se tornado um fahise e, devido a isso, perdido a sua manada por abandono – o que é comprovadamente um baque psicológico forte para um líder alpha.

Bum percebeu que Sangwoo fitou diretamente as meninas, que pareceram concordar com algo.

“Espero que ele não faça nada problemático...” – pensou o pequeno, preocupado.

Todos foram dispensados, o sol se punha há muitas horas e a lua brilhava intensamente no céu. Despediram-se dos amigos e conhecidos, e começaram a andar em direção ao carro de Sangwoo, que se encontrava mais afastado.

O ômega segurava a mão do alpha com força. Eram poucas às vezes que poderia dizer que obteve justiça por algo de errado que lhe ocorrera... Mas... A justiça, dessa vez, lhe soou tão... Injusta. Claro, entendia que Taeyang não ordenara tudo que os mercenários fizeram, contudo, se aqueles homens tivessem dinheiro o suficiente para se defenderem com advogados do nível da família Min, será que teriam pegado a pena máxima?

Bum tinha a sensação de que o que os condenara a todo aquele tempo, não fora a justiça, e sim, a pobreza. Suspirou antes de abrir a porta e entrar no carro.

Só então percebeu uma coisa...

Estava sem dor de cabeça.

Olhou para o alpha que entrava no automóvel... Depois pela janela... Aquele lugar estava praticamente deserto, não? Sem contar que Sangwoo trocara os vidros do carro, pois, lhe incomodava toda a vez que se despediam na frente da creche, ter alguém observando.

“Com vidro fumê não veem nada” – dissera o loiro na ocasião.

O ômega corou.

No que estava pensando...? Desde quando tinha desejos tão... Pervertidos?

— Bum? – Sangwoo o mirava confuso. Estranhando a maneira como o ômega parecia perdido em pensamentos.

O moreno fitou o loiro, se... Tentasse... Como o rapaz reagiria? Uma coisa era tomar a iniciativa durante o cio... Ou em casa... Mas, ali... Entretanto, se esperasse até chegarem em casa e sua dor de cabeça voltasse do nada?... Não queria correr esse risco...

“Talvez seja egoísmo da minha parte...” – refletiu brevemente, respirando fundo.

Mas, iria investir... Estava com saudades... Não havia ninguém por perto...

Tomou toda a sua coragem, colocou a mão na coxa do alpha e se aproximou fitando seus olhos. Encostou seus lábios nos dele e começou a beijá-lo... Com o desejo de alguém que não queria apenas um beijo...

Sangwoo arregalou os olhos em surpresa, mas, sem rodeios, deslizou uma das mãos pela cintura do menor enquanto a outra fez o banco em que estava sentado inclinar e ir levemente para trás, dessa maneira, teve espaço suficiente para puxar gentilmente o ômega para seu colo, aprofundando o beijo.

Bum chupava a língua do alpha e movia o quadril, normalmente não faria isso, se questionaria, ficaria sem graça por estarem em um carro... Mas...

Posicionou-se melhor sobre o colo do alpha e rebolou com intensidade, esfregando sua bunda no volume que queria desperto...

Estava com dor de cabeça há dias, e Sangwoo – que sempre parava no momento que dizia que não estava disposto – o provocara durante todo aquele tempo... Tocara suas coxas durante a noite, beijara sua nuca, costas... Suas mãos grandes sempre querendo mais...

Podia não conseguir fazer na hora, contudo, as lembranças dos toques luxuriosos dele, passavam maliciosamente por sua mente... E ninguém tinha ideia do quanto desejava aquele homem.

E agora, ali, ele fazia tudo novamente... Suas mãos deslizavam por seu corpo, como se nunca fosse o bastante, passeavam por sua cintura, costas, bunda, explorando-o, amassando-o...

Amava aquilo e sentiu que seu rebolado dera resultado – o volume na calça do alpha aumentara consideravelmente — interrompeu brevemente o beijo, mirando os olhos do loiro. Sangwoo o fitava com tanto desejo que corou.

— Fala. – disse o alpha com um sorriso carregado de malícia.

Bum suspirou, ficando ainda mais excitado com a provocação: — Me come... – respondeu com os lábios levemente encostados nos do namorado.

Sangwoo voltou a beijar os lábios carnudos, apertando a bunda volumosa, e então começou a abrir o botão da jeans do menor e descer seu zíper. Separou-se daquela boca deliciosa apenas para ir ao porta volumes pegar uma camisinha, quando ouviu um suplico sussurrado em seu ouvido...

— Não... Eu quero sem...

Ah... Hoje Bum tiraria o resto de sua sanidade. Certeza. Não conseguiu evitar suspirar de prazer ao ouvir aquilo e ignorou a existência da camisinha. Voltou rapidamente para o que fazia, beijando o pescoço do moreno ao mesmo tempo em que passava os dedos entre seus fios negros, puxando-os para trás. Com a mão livre ergueu o suéter do menor, fazendo o mesmo mordê-lo enquanto lambia sua clavícula descendo para seus mamilos eretos.

Bum sentiu uma onda de prazer inexplicável no momento que o alpha colocou seu mamilo entre os dentes e mordeu de leve, chupando em seguida. Sempre fora sensível ali, mas, agora... Estava absurdamente mais intenso... Gemeu alto, acabando por deixar cair o suéter.

Sangwoo puxou o corpo de Bum para perto do seu, começando a chupar com mais intensidade ao mesmo tempo em que movia a pélvis para cima, provocando o menor. Adorava ouvir seu ômega gemendo daquela maneira. Não tinha ideia do que causara aquela ideia súbita em transar no carro, mas, não seria ele quem reclamaria...

O moreno continuava a rebolar, sentindo sua cueca lambuzar-se de pré-gozo e lubrificação... Se duvidasse, até sua calça já estava suja, entretanto, não se importava.

O alpha saiu de dentro do suéter que lhe cobrira após cair da boca de Bum, voltando a beijar o pescoço do moreno, sua mordida exposta naquela pele branca e suave o excitava. Não cansava de marcar o local com chupões.

— Sangwoo... – sussurrou o ômega no ouvido do maior, lambendo o lóbulo de sua orelha: — Mais... – disse deslizando as mãos pelos braços fortes guiando-os até a sua bunda: — Entra em mim... Eu quero você dentro...

O sorriso do alpha aumentou. Puxou a calça do ômega o suficiente para deixar sua entrada exposta e foi abrir a própria. Acabou se enrolando um pouco, botões e zíperes sempre foram tão complicados? Com certeza não era por falta de prática em abri-los, apenas, Bum nunca agira daquela maneira fora do cio ou sem ser devidamente provocado... Mas, porra, sentira muita falta de tê-lo e nem que surgisse uma plateia, pararia.

Conseguiu abrir a calça, libertando o pênis dos tecidos que o prendiam, estava um pouco melado devido ao líquido seminal e extremamente rijo. O esfregou contra o do moreno, ouvindo-o gemer e estremecer em seus braços. Pressionou um contra o outro, masturbando-os.

— Olha o meu estado, e eu nem provei a melhor parte, ainda... – falou com a voz rouca devido à excitação.

Bum olhou para baixo, percebendo o quão inchado e duro estava o loiro enquanto os masturbava. Mordeu o lábio inferior. Era normal querê-lo tanto, mesmo sem estar no cio?

Fitou o alpha e sentiu que fora observado em cada gesto.

Corou, mas, apenas intensificou os movimentos. Ele o deixava sem graça, contudo, não se importava. Ele o provocava, entretanto, adorava ser provocado por ele. Amava esse jogo e sabia que era correspondido.

Tirou a mão de Sangwoo, interrompendo a ação e a levou até a boca, enquanto se posicionava sobre o membro do rapaz. Começou a chupar os dedos lambuzados, ao mesmo tempo em que descia – lentamente...

— Não fode... – murmurou o alpha em meio a um gemido, mirando o ômega e quase enlouquecendo. Ele estava tão quente, úmido e estreito... Ir devagar agora era tortura...

Bum sorriu maliciosamente, ainda corado, chupando mais intensamente os dedos e descendo vagarosamente...

— Você sabe que eu não vou aguentar...

O ômega soltou os dedos e se aproximou dos lábios do alpha: — Não me lembro de ter pedido isso...

“Porra, quando ele ficou assim?!” – Sangwoo não sabia o que acontecera com seu ômega tímido, mas, no momento, não estava dando muita importância. Beijou aquela boca atrevida e moveu a pélvis de forma a terminar a penetração. Sentiu o moreno abraça-lo com força e começou a entrar e sair. Ritmicamente.

Gemeram, sufocados, dentro da boca um do outro, contudo, não paravam de se beijar. Os movimentos dos corpos eram intensos, fortes, todavia, não tão velozes. Pareciam querer suprir a necessidade, a falta que sentiram um do outro.

De repente, vozes distantes do lado de fora.

Bum corou violentamente ao ouvi-las e fitou Sangwoo que não dava a mínima importância para o ocorrido.

— Sangwoo... – murmurou sem graça o ômega.

O alpha sorriu, pausando por um instante, levemente ofegante: — Você não muda... – murmurou, dando beijos leves no pequeno enquanto pegava seu casaco e colocava sobre ele: — É o máximo que vou fazer, porque, nem penso em parar.

Sangwoo voltou a penetra-lo com força, ao mesmo tempo em que sua mão massageou o pênis do namorado, fazendo um gemido alto sair de sua boca. Bum ficou ainda mais corado, colocando ambas as mãos sobre os lábios.

O alpha mirou o ômega, completamente entorpecido pelo desejo e tocou levemente sobre suas mãos: — Eu quero te ouvir... – disse com a voz grave.

Ah... Bum conseguia sentir seu coração a galopes... Estava tão envergonhado... Mas... Estava tão excitado...

Tirou as mãos da boca e as apoiou sobre os ombros de Sangwoo, começando a cavalga-lo intensamente. Não ligava mais para as pessoas lá fora, depois lidaria com a vergonha, agora, queria mais...

O loiro sorriu abertamente, Bum era tão... Gostoso... Forçou a bunda do menor para baixo, enquanto subia a pélvis, penetrando-o ainda mais profundamente e ouvindo-o gritar de prazer. Sim... Era isso. Voltou a masturba-lo continuando o movimento, sentindo que não aguentaria por muito tempo.

Mais rápido...

Mais profundo...

O ar dentro do carro estava quente, apesar de ter começado a nevar do lado de fora.

Bum podia sentir seu corpo imerso no prazer, segurava os ombros de Sangwoo com força, seu interior era plenamente preenchido enquanto pulsava devido à excitação.

— Sangwoo... — gemeu suplicante, voltando a beijar profundamente o alpha, sua língua massageando a do loiro enquanto gozava, manchando o blusão do mesmo.

O loiro continuou os movimentos, abraçando Bum com força e correspondendo o beijo. Gozou fundo no pequeno, fazendo-o apertá-lo devido à intensidade.

Separaram-se por instantes, fitando-se...

Voltaram a se beijar... Dessa vez... Mais devagar... O roçar dos lábios se transformando, lentamente, em uma pressão deliciosa, algo doce e gentil.

Separaram-se novamente...

Sangwoo fitou Bum. Parecia perdido em seus olhos, suas íris dilatadas devido ao que sentia, ergueu uma das mãos, tocando no rosto do moreno, que apoiou a bochecha sobre a palma da mesma, aceitando o carinho... Abriu a boca para falar, quando os dois ouviram risadas, realmente altas, vindas do outro lado da rua.

O ômega saiu do transe em que se encontrava e corou violentamente, olhando para a rua e então para o loiro.

O alpha riu baixo com aquela reação: — Aqui... – saiu completamente de dentro do moreno, puxando sua calça para cima e ajudando-o a se vestir: — Melhor você voltar para o seu lugar. – deu um leve beijo nos lábios do menor.

Bum concordou, mas, quando foi sair, acabou encostando-se ao volante, buzinando para que toda a quadra ouvisse. Apressou-se... Contudo, como desgraça nunca vem sozinha, bateu no freio de mão com o joelho, o que o fez soltar uma exclamação de dor.

— Você tá bem? – Sangwoo não sabia se ria, ou se preocupava.

— Tô... – murmurou o pequeno, tocando no joelho ferido. Sentou se sentindo bastante desconfortável... Não apenas por causa do tamanho do de Sangwoo, que, querendo ou não, sempre deixava um desconforto depois de tudo, mas, estava sujo... E ainda pedira sem camisinha... Onde estava com a cabeça?

“Mas foi tão bom...” – ficou envergonhado com o pensamento, se ajeitando melhor e percebendo que estava com o casaco do alpha. Acabou sentindo seu perfume e sorrindo.

— Hm. Ótimo presente atrasado. – disse com um sorriso prepotente o alpha.

Bum corou. Antes de dormirem, no dia anterior, dissera que fazia questão de lhe dar um presente pelo um mês de namoro, e realmente comprara... A edição limitada e capa dura do novo livro de sua autora favorita. Estava dentro de sua mochila.

— Não é isso! – respondeu plenamente encabulado.

— Ahhh... Então, ganharei mais um presente! Que namorado sortudo eu sou. – disse brincalhão o alpha, deixando Bum ainda mais sem graça: — Melhor irmos pra casa... – riu o loiro, fechando o próprio zíper e tirando o blusão, já que, por sorte, estava com uma camisa por baixo.

Ao chegarem, tomaram banho juntos e foram dormir. Havia sido um longo dia e Bum sentia-se exausto de várias formas diferentes, ao ver Sangwoo ao seu lado, aconchegou-se em seus braços.

O alpha observou o menor adormecer.

Tocou os fios negros que caíam sobre seu rosto. Já pensara isso diversas vezes, mas, nunca se sentira tão feliz em toda a sua vida na presença de outra pessoa. Olhou para baixo, fitando a barriga do menor...

Ok. Aquilo era inesperado... Não se sentia pronto... Não aceitava muito bem a ideia... Contudo... Talvez...

Voltou a observar o rosto de Bum.

Talvez se fosse com Bum... Desse certo...

Fechou os olhos, protegendo o pequeno em seus braços e adormecendo.

~*~*~*~*~*~

Sexta Bum dormiu a manhã inteira, não queria admitir, mas, em alguns momentos, o enjoo parecia estar acabando com ele. Foi trabalhar durante a tarde e, como sempre, se estressou com as outras monitoras.

Sábado e Domingo foram tranquilos, Sangwoo teve de fazer horas extras no hospital, enquanto Bum ficou assistindo seriados e comendo sorvete. Não costumava gostar tanto do doce – principalmente no inverno, contudo, se sentia um tanto viciado nos últimos dias.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Segunda pela manhã Bum foi fazer todos os exames médicos, Sangwoo ficou ao seu lado o tempo todo, o que foi reconfortante. A médica responsável lhe falou todos os problemas envolvidos naquela gravidez, contudo, lhe deu esperança, pois como já sabiam do excesso gama, havia muitas alternativas viáveis para evitar que o pior ocorresse ao bebê ou que ele nascesse com problemas. À tarde Bum foi para a creche trabalhar.

Sangwoo fitava a entrada do local depois de um dia, particularmente estressante, no hospital. Estava cansado do pediatra irresponsável da Yejin. Ele parecia não se importar com a menina, e as medicações que usava não eram apropriadas para ômegas.

“Parece que nunca cuidou de crianças ômegas na vida...”.

No fim, estava lendo o triplo de livros – mesmo estando em um período de pseudo-férias, em que só deveria auxiliar o hospital — porque queria que a menina se curasse e não piorasse.

Bum abriu a porta e Sangwoo o fitou.

— Oi. – o moreno sorriu: — Como foi o dia? – se sentou no banco ao lado.

— Hm. Estressante. – o loiro se aproximou, dando um selinho no ômega, fitou seus olhos, sorriu e voltou a dirigir: — E o seu?

— O pediatra? – questionou o rapaz, e Sangwoo percebeu que provavelmente, aquela era a mesma razão dos últimos dias: — O meu foi tranquilo...

— Sim. O cara é um babaca. – deu ombros.

— Não entendo como um pediatra pode ser tão... – o moreno buscava uma palavra, mas, no fim, não encontrou: — Como ela está?

— Na mesma, já que o imbecil não consegue fazer nada além de indicar os mesmos medicamentos que eu já avisei, não funcionarem em ômegas. – ele suspirou profundamente.

Bum fitou o namorado, então deu um sorriso: — Você se preocupa muito com ela...

— Bom, ela é uma criança... – Sangwoo olhou de canto para o ômega.

— Para quem afirma que não gosta de crianças... – o moreno riu.

O alpha ficou sem graça: — Não é isso! Quer dizer... – ele se enrolou um pouco: — Não é que eu odeie crianças também...

Bum riu mais, parando repentinamente: — Ah, é! Esqueci de te contar. – passou a mão no cabelo, tentando achar as palavras certas: — Amanhã... Eu vou me encontrar com o professor Yang Seungbae.

— Hm. – respondeu simplesmente o loiro, não gostando do rumo da conversa. Certo. Tinha esquecido que o moreno teria de encontrar o professor, aquilo era irritante... Mas, inevitável: — Vai ser na universidade? – perguntou tentando parecer desinteressado.

— Então... – Bum hesitou, fazendo Sangwoo observá-lo mais atentamente: — Ele prefere que seja no escritório dele...

O professor tinha um escritório? O alpha arqueou a sobrancelha: — E onde fica isso?

— No apartamento dele... – o garoto tentou soar o mais tranquilo possível.

O carro fez uma curva e foi brutalmente estacionado. O alpha se virou para o ômega: — COMO É QUE É?

— Ele disse que se nos encontrarmos no campus, durante as férias, pode passar a impressão errada aos outros docentes...

— Ah, tá! E você ir até o apartamento dele, não passa impressão errada nenhuma, entendi. – ele ironizou.

Bum suspirou, sabia que aquilo daria problemas: — Ele acha melhor ser um local mais discreto... A universidade seria ruim pelas fofocas, e seria no escritório do apartamento dele, não na casa em si...

— Biblioteca? Café? Restaurante? – Sangwoo começou a enumerar as alternativas.

O ômega o fitou e deu um novo suspiro: — Biblioteca não pode conversar, café e restaurante tem pessoas, e ele quer que eu fale e ele sabe que não sou de falar muito com outras pessoas em volta...

Sangwoo observava o namorado, incrédulo. Sério que ele teria de aceitar que o rapaz fosse encontrar o professor a sós e no apartamento dele?

— Você tá me zoando?

—...

O alpha respirou profundamente, tinha de manter a calma.

“Meu namorado vai encontrar o filho da puta que disse que cuidaria dele, se eu não cuidasse, na casa dele, a sós...”.

Respirou profundamente novamente.

— Não dá. Não consigo. – confessou.

— Sangwoo... Você não confia em mim? – o ômega entendia o lado do alpha, mas, sabia que não aconteceria nada... E não seria no apartamento dele, e sim, no escritório.

— Eu confio em você, não confio nele! – respondeu indignado o loiro.

Bum riu, amenizando o clima tenso que se formara.

— Não ri! Tô falando sério! Ele pode ser um professor, só que ainda é um alpha! – exclamou mais calmo, contudo, ainda um pouco tenso.

— Você fala como se eu fosse irresistível! – o ômega riu ainda mais.

— Pra mim, você é. – disse sério.

Bum parou de rir, corando violentamente: — Bom, pra ele, eu não sou. – queria ter dito aquilo mais decidido, mas, estava com muita vergonha, então sua voz saiu baixa.

Sangwoo estalou o pescoço, olhou o teto do carro, resmungou alguma coisa indecifrável, estalou a língua nos dentes: — Ah, tá, ok. Só deixa o celular ligado, e me liga se ele tentar alguma coisa.

Bum sorriu, colocando a sua mão sobre a do alpha: — Obrigado. – sabia que aquilo era um ato de confiança por parte do loiro, e estava feliz pela relação deles ter chegado nesse ponto.

— Aff. – resmungou o rapaz: — Não agradece. Ou te prendo em casa. – disse meio mal-humorado, mas, com um sorrisinho de canto.

~*~*~*~*~*~

— Sangwoo... Ah... – Bum gemeu, enquanto era prensado pelo alpha dentro do carro: -... Tenho que ir... – voltou a gemer baixo quando o loiro desceu a mão pela sua cintura, apertando sua coxa e o beijou. Sua língua pressionando e explorando seus pontos fracos, gemeu mais alto e mais sôfrego, mas, afastou o loiro: — Tem certeza que quer me deixar excitado agora?

O alpha hesitou. Droga. Não. Estavam na frente do prédio do professor filho da puta e tecnicamente, ainda sentia ciúmes de deixar o ômega ir vê-lo no escritório que ficava em seu apartamento. Obviamente não queria deixar Bum excitado nessa situação, mas, merda, era tão terrivelmente bom beijá-lo... Sentou melhor no banco, depois fitou o moreno, voltando a se aproximar dele, entretanto, só o abraçando dessa vez.

Liberou seus feromônios, sem a intenção de provoca-lo, contudo, o sentindo estremecer em seus braços: — Se controla.

Bum fitou o sorrisinho malicioso do alpha e ficou extremamente indignado. Ele o havia provocado sem dó, e agora, pedia para se controlar enquanto lançava feromônios...

— Mau... – murmurou, recebendo um beijo no rosto, outro na testa e então um último nos lábios, como resposta.

— Venho te buscar, a gente pode almoçar juntos e te levo ao serviço, o que acha?

O ômega concordou, sorrindo: — Vou adorar. Até depois.

— Até.

Bum saiu do carro, se acalmando... Estava bem. Por sorte, sua excitação não chegou a se tornar algo visível, entretanto, teria que relaxar muito, com o cheiro do alpha impregnado por tudo.

Olhou para o arranha-céu, era bonito e parecia luxuoso com seus vidros fumês. Entrou e deparou-se com o porteiro que estava atrás de uma bancada de madeira maciça adornada. O rapaz jovem uniformizado o fitava seriamente.

— Hm... Eu vim ver Yang Seungbae.

— Poderia me mostrar à identidade, por favor?

“Educado...” – refletiu o ômega, enquanto pegava o documento e apresentava.

O rapaz a analisou, verificando a foto, depois olhou no computador, conferindo se Yoon Bum constava na lista de visitas de Yang Seungbae naquele dia. Ao ter certeza que sim, sorriu amistosamente para o jovem ômega.

— Desculpe o incômodo, mas, é o padrão. – falou entregando a identidade.

Bum guardou o documento: — Está tudo bem.

O rapaz então saiu de trás da bancada, fazendo um gesto para o moreno acompanha-lo e o levando até o elevador: — Décimo quinto andar, apartamento mil quinhentos e um.

— Obrigado. – murmurou o ômega, entrando no elevador e fechando-o. Ficou estranhamente nervoso. Estava tudo bem, não é? Ir ver o professor...

Sacudiu a cabeça. Ótimo. Ficara paranoico.

“Obrigado Sangwoo...” – refletiu, lembrando que fora o loiro que o deixara inseguro sobre a questão.

O elevador abriu e percebeu que no andar em questão, havia apenas dois apartamentos. Andou até o mil quinhentos e um, tocando a campainha.

Seungbae abriu a porta, fitando o moreno: — Pontual, como sempre. – disse tranquilamente.

Bum o cumprimentou formalmente, quando percebeu que o professor parecia levemente incomodado: — Algo errado?

Seungbae suspirou, deveria ser direto? Bom, já era um assunto para começar...

— Você está fedendo ao Sangwoo.

Bum corou: — Hã... Tanto assim? – perguntou sem graça, sentia o cheiro dele, realmente, estava forte... Mas, nunca sabia direito medir isso entre os alphas...

“Dizem que o olfato deles é mais sensível...”.

— Acho que qualquer alpha pode saber que você é o ômega dele mesmo estando a quilômetros de distância.

“Nossa!” – pensou chocado o pequeno.

— Hm, ele sempre faz isso? Ou foi por que você vinha aqui? – o professor abriu caminho, convidando o ômega a entrar.

— Não, ele não faz sempre... – hesitou: — Acho que foi meio que por sua causa... – murmurou, entrando no apartamento.

Havia uma pequena sala de recepção, com um sofá e uma mesa de centro. Uma das portas estava aberta, dava para um escritório, enquanto a outra permanecia fechada.

Bum fitou Seungbae e o mesmo indicou o escritório, o rapaz entrou, sentando-se em uma das cadeiras. Observou ao redor, havia quadros com paisagens da cidade, uma estante com livros de Direito, no centro dela diplomas e certificados, além de premiações.

— Bom, acho que essa reação, por minha causa, é natural. Nós “brigamos” por você, no fim das contas. – ele se servia de café: — Quer uma xícara?

— Hã, não, obrigado.

O homem foi até a mesa, colocando a xícara sobre ela, e sentando-se. Depois tirou os óculos e massageou a glabela: — Talvez eu devesse ter arranjado outro lugar. Você não tem que se estressar com essas coisas. – murmurou, pensativo.

— Não me estressei. – sorriu de leve o pequeno: — Ele entendeu no fim e confiou em mim, então, está tudo bem.

—... Isso é bom. – o docente fitou sério o ômega: — Agora, preciso ter uma conversa séria com você.

Bum piscou enquanto Seungbae limpava a garganta e tomava um gole do café.

— Você sabe que foi extremamente irresponsável da sua parte engravidar nessa situação, certo?

Bum corou. Seungbae era muito direto.

— Eu até esperaria isso do Sangwoo, ele sempre foi um jovem meio irresponsável, mas, você Bum? Não faz tanto tempo que fora marcado, vocês mal conviveram diariamente, e, apesar da universidade inteira acreditar naquele alpha, eu e você, sabemos que foi um acidente. – ele voltou a bebericar o café fitando seriamente o moreno.

—... Bom... Meio que foi outro acidente... – confessou o pequeno, não sabendo o porquê de estar confessando...

Seungbae suspirou: — Esse poderia ter sido evitado, não? Você sabe o trabalho que gera uma criança? Foi muito irresponsável e imaturo da parte de vocês, sem contar que, você tem noção do histórico médico do Sangwoo, chegaram, ao menos, a conversar sobre isso? – ele o fitava com um olhar inquisidor que fez Bum olhar para outro lado.

— Não... – murmurou baixinho: — Quer dizer... Antes de engravidar eu não sabia, mas, o Sangwoo já me contou tudo. – respondeu rapidamente, tentando amenizar a situação.

Contudo, ela não foi amenizada.

— Eu sabia. – esbravejou o alpha: — A condição do Sangwoo não é algo fácil de lidar, você terá de tomar muitos cuidados, fazer mais de três vezes a quantidade de exames, sua vida vai virar de cabeça para baixo, você sabe disso, não é?

Bum fitou o professor, então as próprias mãos: -... Eu acho que ela já virou... Depois que ele me mordeu.

Seungbae suspirou: — Sim. Isso é verdade. Mas, vai piorar. Muito. – ele o deu um leve sorriso, enquanto abria uma gaveta: — Aqui.

O ômega voltou a olhar o professor que segurava um caderno universitário onde na capa tinha um coelho estampado. Ficou confuso.

— Para você anotar os resultados dos seus exames, sem contar a frequência com que fica enjoado, sente dor de cabeça, e outros sintomas que podem surgir. Anota tudo, depois faz uma cópia e mostra ao seu médico, em todas as consultas. Uma gravidez do seu tipo é mais rara, tem que ser cuidada de perto, desde o princípio.

— Obrigado. – murmurou o pequeno, pegando o caderno.

— Não precisa agradecer. Vou ficar de olho em vocês três durante todo o período, eu já disse isso, não? – o professor sorriu e Bum correspondeu o sorriso: — Agora que já fui chato o suficiente, me fala, como estão às coisas entre vocês?

— Hm, nós estamos namorando, e está tudo bem... – começou Bum sorrindo.

O encontro foi realmente tranquilo depois disso, e quando saiu do prédio, Sangwoo o aguardava, em pé, fora do carro. Riu um pouco do nervosismo do loiro, abraçando-o assim que se aproximou.

— Saudade? – perguntou na brincadeira.

— Sempre. – respondeu baixinho em seu ouvido o alpha, abraçando-o forte e o fazendo corar.

Escondeu o rosto na jaqueta do namorado, lembrando então do que o professor dissera ao encontra-lo: — Você exagerou nos feromônios. – murmurou em protesto.

— Hmf. – o loiro pareceu não ligar para aquilo.

— Eu tenho que ver crianças, algumas alphas, sabia? – o pequeno riu.

— Hmm... – ele mirou o baixinho em seus braços: — Talvez eu tenha exagerado um pouco... – sorriu: — Talvez eu queira exagerar um pouco mais... – deu um sorriso malicioso.

Sangwoo não se esquecera do beijo, até voltara para casa e tentara assistir alguma coisa na TV, mas, sinceramente, aqueles gemidos do pequeno ficaram em sua mente. Sem contar que fazia uns dias que não tinham tempo ou o menor estava com dor de cabeça.

— Achei que a gente ia almoçar... – corou.

— Então... – Sangwoo deslizou a mão pelos fios negros do menor: — Estou morrendo de fome...

Bum corou ainda mais e em um instante estava com o alpha na frente do prédio de Seungbae, no outro, estava em um motel próximo, sendo colocado contra a parede e beijado.

— A gente não tem muito tempo. – murmurou o loiro, descendo os lábios para o pescoço do moreno e chupando sua marca.

O ômega gemeu, arrepiado pelo ato enquanto abria a calça do namorado: — Eu sei... – sussurrou sôfrego, já sem o casaco.

Sangwoo tirou a própria camisa, a calça, cueca, vendo Bum fazer o mesmo, depois pegou o pequeno, colocando-o no ombro e jogou-o na cama, o ômega riu.

— Enlouqueceu? – disse o menor, entre risadas que fizeram o alpha sorrir.

— Aham. – confirmou, deslizando as mãos pelas coxas do moreno, fazendo-o corar e abrir as pernas ao mesmo tempo: — Você tem esse efeito em mim. – disse com um sorriso malicioso, puxando-o para mais perto de si e fitando o membro enrijecido do ômega. Começou a tocá-lo enquanto o penetrava.

Bum arqueou as costas e gemeu alto, levantando os braços: — Sangwoo... – chamou desejoso.

O alpha sorriu ainda mais, o moreno estava deliciosamente apertado e vê-lo daquela forma entregue, sempre o tirava do sério. Aproximou-se enquanto era abraçado e beijou os lábios sedentos do pequeno que arranhava suas costas.

Sangwoo começou a se movimentar, não tinham muito tempo, então, aumentou o ritmo, fazendo Bum estremecer e se contorcer em seus braços.

O ômega aprofundou o beijo que trocavam enquanto sentia o alpha ir a cada instante mais forte e intensamente dentro de si, o abraçou vigorosamente, deixando sua marca nas costas e braços do loiro, rebolando e fazendo-o gemer rouco em seus lábios. Prendeu as pernas em sua cintura obrigando-o a tornar as estocadas curtas e profundas.

— Bum... – gemeu, aumentando o ritmo da mão que masturbava o pequeno.

O moreno jogou a cabeça para trás e olhou o teto, corando violentamente com a visão. Um espelho gigantesco lhe permitia observar Sangwoo o penetrando, os músculos do rapaz se contraíam com a força que usava, suas costas marcadas...

Sem contar que podia ver a si, corado, suado... Escondeu o rosto no pescoço do alpha.

— O que foi? – Sangwoo questionou dando beijos na clavícula do pequeno, ainda se movendo.

— Tem... Ah... Um espelho... – gemeu com a voz baixa e corando a cada minuto.

Sangwoo parou de se mover e olhou o teto do local, sorrindo maliciosamente. Saiu de dentro do moreno, se sentou sobre a cama e o trouxe para seu colo, deixando as costas do menor em seu peito enquanto o penetrava novamente. Beijou a nuca do ômega e então deitou, trazendo-o consigo de forma que ambos podiam se ver no espelho.

Bum sentiu seu coração falhar uma batida e corou ainda mais, podia ver que seu corpo estava completamente exposto aos olhos do namorado, era pequeno comparado a ele.

— Aqui... – Sangwoo dobrou os joelhos e ergueu a pélvis, obrigando o ômega a manter as pernas abertas e o fazendo assistir aos movimentos de vai e vem rápidos e curtos que começou a investir.

O loiro sentiu o menor contrair e apertar seu pênis enquanto tentava esconder o próprio rosto com as mãos. Com malícia, o impediu, segurando seu braço: — Não quer me deixar ver seu rosto enquanto é fodido por mim? – sua voz saiu rouca, estava excitado demais, Bum o enlouquecia, não que isso fosse novidade.

O ômega gemeu, sentindo o alpha entrar e sair com mais força e podendo ver o olhar que ele lhe lançava através do espelho. Não conseguia se mover muito naquela posição, mas, não importava, seu corpo inteiro estremecia com os toques do loiro. Sentia-se envergonhado pela forma que era observado, e excitado pelo exato mesmo motivo.

Conseguia senti-lo tocando-o e vê-lo fazendo-o, além de saber que cada uma de suas reações era meticulosamente observada. Queria fechar os olhos devido à vergonha, mas, não conseguia, estava gostando... E como estava gostando... Ser desejado daquela forma... Pelo Sangwoo... Acabou abrindo mais as pernas...

— Sangwoo...

O gemido sôfrego de Bum fez o alpha erguer mais a pélvis, forçando-o mais profundamente. Queria fodê-lo até que não restasse mais nada, queria tirá-lo totalmente do controle... Céus, queria que ele gemesse seu nome daquela forma mais vezes...

Deslizou a mão pelo corpo esguio, apertando o mamilo e descendo até o pênis ereto que voltou a massagear no mesmo ritmo em que penetrava.

— Tá gostando da visão? – perguntou mordiscando o lóbulo da orelha do ômega.

Bum corou mais, mas moveu a cabeça, confirmando o que sentia.

— Gracinha... – murmurou o alpha, beijando a pele alva do pescoço exposto e acabando por chupar com força o local. O moreno gemeu alto, estremecendo de prazer.

— Sangwoo... – começou a tentar rebolar involuntariamente, o que acabou fazendo o loiro mordiscá-lo, além de chupá-lo.

Os movimentos se tornaram ainda mais intensos, antes que o garoto gozasse, o alpha se deitou de lado, segurando a coxa do ômega para manter suas pernas abertas enquanto o penetrava com mais força e mais profundamente.

Bum apertou o lençol debaixo de si, ao mesmo tempo em que virava o rosto desesperadamente para encontrar os lábios de Sangwoo e beijá-lo, já totalmente sem fôlego. Gozou e, alguns movimentos depois, sentiu o maior preenche-lo.

Sangwoo saiu de dentro do moreno, virando-o de frente para si, enquanto o beijava com mais calma e carinho...

Abraçaram-se com toda a força que possuíam, fitando-se nos olhos por algum tempo. Naqueles momentos, mesmo com as barreiras, era como se conseguissem sentir o coração um do outro.

Entretanto, a realidade os trouxe de volta, quando o celular de Sangwoo começou a tocar.

— Ah, droga. – o alpha se afastou, levantando e procurando o aparelho que estava jogado em algum canto: — Temos que ir. – murmurou, observando o horário e vendo de quem era a chamada que já encerrara.

Bum levantou: — Vou tomar um banho rápido. – e saiu, indo direto para o banheiro.

Sangwoo observou o menor e sorriu. Ainda tinha de leva-lo pra almoçar antes de ir ao serviço... O telefone voltou a tocar e o alpha atendeu, era alguém do hospital querendo saber o número do pediatra Dr. Babaca Sem Noção, também conhecido como ‘fode enfermeira novata’ ou Park Chin-Mae.

Suspirou.

Não. Não sabia o telefone da desgraça humana. Ninguém sabia, por isso, quando acontecia alguma emergência, era um caos. Ele estava pouco se importando. Normalmente, isso não afetava o todo porque havia outros pediatras no hospital, o problema é que os outros tiraram férias, e as enfermeiras não queriam atrapalha-los, já que, naturalmente, eles trabalhavam muito mais que aquele imbecil – já que viviam cobrindo-o pelo bem das crianças...

Nos últimos dias, elas apelaram para ele... Mas, ele não era formado, não havia muito que pudesse fazer...

Novo suspiro.

— Você já sabe que não tenho o número, qual é o problema?

...

Bum saiu do banho já vestido, deparando-se com Sangwoo falando seriamente ao celular. Secou o cabelo o melhor que pode enquanto aguardava. O loiro desligou irritado, passou lhe dando um selinho e foi resmungando para o banheiro.

Sorriu. Alguma coisa lhe dizia que o hospital tinha tudo a ver com o repentino mau humor do namorado, mas, ficou quieto.

Almoçaram juntos e Sangwoo o levou para mais uma tarde nada agradável com suas colegas de serviço.

Os dias foram passando, e em seu segundo encontro com Seungbae, na quinta-feira, teve certeza que seu sentimento em relação ao professor, era um pouco estranho. O que era engraçado. Nunca contara a Sangwoo, mas, na realidade, jamais sentira que tivera um ‘pai’ presente em sua vida. Bom ou ruim.

Morara sozinho com a mãe, e quando ela morrera, morara com seus avós e seus tios. Seus avós agiam como... Avós. Não sabia explicar. Já seu tio era ignorável nesse quesito. Sua tia fora falsa...

Quando fugiu de casa e foi morar com seus avós maternos, sentia a mesma coisa que sentira com os paternos... Eles agiam como avós. Raramente lhe davam broncas, estavam sempre ao seu lado e os amava profundamente, mas, não os considerava ‘substitutos’ de sua mãe ou pai.

Contudo, percebera que nunca se questionara como era ter um pai...

E Seungbae o fazia questionar isso.

O professor, apesar de ser poucos anos mais velho que ele – na verdade, o ômega desconfiava que ele era mais jovem do que dizia ser — agia como Bum esperaria, talvez, que seu pai agisse...

Seungbae o questionava e incentivava. Questionou se usara o caderno, e sim, o estava usando, inicialmente, com o propósito de anotar e mostrar ao médico, mas, logo o tornara em uma espécie de diário. Adorava escrever seus sentimentos e aquele período de sua vida estava sendo, particularmente, estimulante nesse sentido.

Àquele caderno acabou tendo em suas páginas, um pouco sobre tudo, principalmente, Sangwoo. Observava o alpha e suas atitudes, e anotava.

O loiro nunca falava sobre o filho, especificamente, contudo, sempre questionava se estava se alimentando bem e verificava todos seus exames, duas vezes. Bum até brincava, enquanto escrevia, que o papai era difícil, mas, o bebê se esforçaria para conquistá-lo.

O final de semana chegou e eles decidiram visitar os avós de Bum. Não foi comentado o motivo, mas, Sangwoo imaginava que era para contar a novidade a eles. Comprou vinho, uma cesta de doces – descobriu que a senhora gostava disso – e uma cesta acolchoada para o felino.

Sim. Ele comprara um presente para o bichano. Notara o quanto a avó de Bum adorava o animal de estimação, presenteá-lo apenas aumentaria a estima dela, então, faria isso.

O ômega fitou os presentes e sorriu. Era incrível como tinha certeza que o alpha elaborara uma desculpa muito plausível para tudo aquilo, quando, na realidade, ele só estava sendo extremamente gentil. Olhou para a vizinhança que tão bem conhecia... Será que seus avós se decepcionariam com a novidade? Tudo bem, sua avó falou para avisá-la caso engravidasse, mas, tinha certeza que ela esperava que isso ocorresse em alguns anos, não meses...

Suspirou.

Sangwoo estacionou na frente da casa, talvez devesse falar algo ao moreno, ele parecia nervoso... Contudo, não sabia muito bem o que dizer. Desceu do carro, abriu a porta do passageiro e pegou os presentes que estavam no banco traseiro.

— Bem vindos! – a senhora surgira na entrada, com um casaco azul claro e um sorriso extremamente afável: — Meu querido... – ela abraçou o neto e foi correspondida timidamente: — Você também! – sorriu, recebendo a cesta com doces que o alpha lhe entregava: — Sempre me presenteando, vou ficar mal acostumada! – ela abraçou Sangwoo com o braço livre, lhe dando um beijo no rosto: — Entrem, entrem... – foi andando na frente.

Yellow observava tudo da janela atentamente, ficou satisfeito de ver uma caixa vazia sendo segurada por aquele humano – na realidade, era uma cesta, mas, enfim... Quando Sangwoo entrou, já foi exigir seu presente. Tinha certeza absoluta que era para ele.

O alpha fez carinho na cabeça do felino e colocou a cesta nova próxima aos brinquedos do bichano. Todos o fitaram impressionados.

— O Yellow deixou você... – Bum estava um misto de indignação e surpresa. Demorara seis meses para conseguir tocar no Yellow quando se mudara! Seis meses! Era a segunda vez que o alpha via o gato e ele já estava até se esfregando nele...

— Impressionante. – murmurou o avô, levemente chocado.

— Ora, ora. – a avó riu.

Conversaram sobre diversos temas, desde o campeão do último torneio de beisebol, até os ataques que Bum sofrera durante a transição... Contudo, o ômega não conseguia tocar no assunto que o levara a ir visita-los e seu nervosismo começou a se tornar evidente.

Sangwoo sentia o rapaz a cada instante mais frustrado, triste... Suspirou e durante a sobremesa, após o almoço, segurou a mão do moreno.

Bum piscou, fitando o namorado.

O alpha sorriu de canto e então olhou para o casal de idosos: — Nós temos algo para contar... – ele respirou fundo, sentindo a tensão que formara. Ok. Agora só tinha de contar.

— Teremos um bebê. – Bum completou, fazendo o loiro fita-lo.

Ambos idosos piscaram, pareciam processar a informação, quando a senhora sorriu: — Oh! Nossa! – ela levantou, abraçando o neto: — Um bisneto! Estou tão feliz, querido!

Já o senhor ficou sério: — Hm. – ele parecia refletir: — Então, quando será o casamento?

— Um bisneto! – ela ainda estava abraçada ao neto.

Sangwoo engasgou. Não, ele não estava bebendo ou comendo nada.

— Casar? – murmurou o loiro. Nunca pensara nisso. Quer dizer, também não esperava por um bebê... Mas, casar era diferente, não? Se casasse com Bum, não seria tão simples se separar, nem com os dois anos que o registro exigia...

...

Espera...

Sangwoo observou o moreno que olhava o avô nervosamente enquanto tentava não rir do abraço apertado de sua avó que continuava dizendo “bisneto”.

Não queria se separar de Bum.

Nunca.

Ter aquela percepção palpável pela primeira vez. O fez desviar o olhar e sentir seu coração acelerar.

Queria ficar com Bum... Por toda a sua vida.

E isso era assustador.

— Não vamos nos casar, vô. – ouviu o ômega dizer, e de alguma forma, ouvi-lo dizer aquilo, o chateou.

Uma parte de si sabia que Bum desejava aquilo, contudo, ao invés de falar, o pequeno preferia não pressioná-lo... Baixou o olhar. Talvez... Devesse pensar mais sobre isso...

“Mas, eu nem consigo colocar em palavras o que sinto por ele...” – suspirou, passando a mão no cabelo.

— Como assim? – o senhor soou um pouco indignado.

A senhora riu: — Querido, eles são um casal moderno, você não ouviu a reportagem que dizia que os jovens de hoje, acham o casamento uma bobagem?

— Só que eles vão ter um bebê! – disse o homem.

— E o qual o problema? O bebê continua tendo uma linda família, para com essas bobagens. Vamos comemorar nosso bisneto! – a senhora foi taxativa, fazendo o senhor suspirar e concordar com um movimento de mão displicente.

A idosa então serviu mais sobremesa a Bum: — Agora é por dois. – sorriu, fazendo o pequeno corar e concordar sutilmente com a cabeça.

— Ah, nós vamos ter um bisneto! – ela sorriu, faceira.

— Sim, sim, ainda acho que eles deveriam casar... – o senhor se serviu de um pouco mais de sobremesa.

— Bis-ne-to! – a idosa sorriu ainda mais.

— Já entendi velha, já entendi. – ele teve a sobremesa retirada.

— Do que você me chamou? – ela segurava o doce longe do marido.

— Ora... É um bisneto, você não acha que nós somos jovens, não é?

Ela afastou mais a sobremesa, fitando-o.

O homem suspirou: — Ok... Ok. Não vou mais chamar...

A senhora sorriu, entregando o pratinho ao marido e voltou sua atenção totalmente a Bum: — Quer mais, meu anjo?

— Hã... – ele parou a colher no caminho, mal havia começado a comer a que ela servira antes: — Estou bem... – sorriu.

— Tem certeza? Se quiser mais, a vovó faz, não tem problema...

O pequeno corou, ainda mais sem graça: — Não precisa...

A senhora fitou Sangwoo: — Você tem que cuidar dele, sim? Ele vive não comendo direito... – ela colocou a mão no rosto, preocupada.

O alpha sorriu: — Pode deixar, eu cuido dele. – fitou o moreno, que retribuiu o olhar.

Sem graça, Bum voltou a comer.

— Nós vamos ter um bisneto! – repetia a senhora para o marido.

— Hm. – o senhor sorriu, começando a se contagiar com a alegria da esposa: — É, nós vamos, né?

— Sim! – ela abraçou seu velho animadamente.

Poucos dias depois de contarem, Bum recebera diversas roupinhas de cores diferentes e animadas para o bebê.

Quem se chocou com o presente fora o alpha, que evitou ver as roupinhas, apesar do ômega não se dar o trabalho de escondê-las. Pelo contrário, ele as levou para o quarto antigo do loiro, onde, provavelmente, seria o quarto do bebê.

~*~*~*~*~*~

Sangwoo andava trabalhando o dobro naqueles dias. Realmente queria folgar sem culpa na consciência durante o feriado. Além disso, Yejin – a pequena menina que estava, parcialmente, sob sua responsabilidade, lhe preocupava. O tratamento dela progredia mais lentamente que o esperado e o médico responsável não parecia se importar com este fato.

Além disso, ela estava muito, muito triste. Crianças ômegas eram naturalmente caladas e observadoras, e Yejin não fugia do padrão, mas, elas também eram doces e sorriam com facilidade, algo que a menina estava longe de fazer. Sangwoo não sabia quando, exatamente, ela notara que a mãe não voltaria, só sabia, que ela passava os dias observando a janela, como se refletisse o que fariam com ela, agora que fora descartada.

— Não faço ideia de como animar ela. – comentou o alpha enquanto comia o almoço preparado por Bum.

Como tinham a manhã folgada, acabavam passando juntos e almoçando em casa, algo que facilitava a vida de ambos. Sem contar que o moreno começou a fazer questão de cozinhar, algo que os fazia economizar dinheiro.

Aliás, economizar se tornou algo, não combinado, mas, recorrente no cotidiano do casal. O alpha que antes encomendava comida o tempo todo, parou com essa mania. Cuidar de uma criança custava caro, e ambos sabiam disso. Podiam não tê-la planejado, contudo, não seriam irresponsáveis ao ponto de fazê-la ter alguma dificuldade.

— Hm... Ela não está falando... Já tentou dar algo para ela pintar ou desenhar? – Bum o observava atentamente.

Gostava quando Sangwoo conversava com ele sobre o que fazia no hospital, percebia o quanto o alpha amava aquela função, apesar de nunca usar essas palavras, especificamente. Ficara surpreso por ele lhe pedir conselhos, todavia, fazia sentindo, já que sua especialidade era cuidar de crianças.

— Pensei que crianças ômegas não desenhassem bem... – ergueu a sobrancelha o alpha.

— Isso é... Relativo. Mas, elas gostam de cores, principalmente as fortes ou com brilhos. Elas preferem pintar, entretanto... Quando estão estressadas, só ficar rabiscando em uma folha em branco, as deixa muito melhor... Normalmente.

Sangwoo refletiu sobre aquelas palavras...

Após deixar Bum no serviço, comprou alguns livros de colorir e papéis em branco para a menina – além de lápis de cor. Certo. Tinha que economizar... Entretanto, não fora tão caro comprar aquilo...

Quando chegou ao hospital, foi até a ala pediátrica e a viu observando pela janela, com o olhar distante, como sempre.

— Yejin...? – chamou com suavidade, fazendo a menina fita-lo.

Aproximou-se devagar e entregou os presentes. A garotinha olhou os livros, ele, os lápis de cor, ele, os livros... Ele novamente...

— São seus. – disse com um sorriso.

—... – ela pegou timidamente os presentes, observando os detalhes, depois, o fitou e sorriu.

Sangwoo abriu levemente a boca, ela não sorrira desde que chegara naquele hospital... E vendo o sorriso dela, o achou extremamente fofo e adorável. Tocou na cabeça da pequena, lhe fazendo cafuné... Contudo, a menina se retraiu.

“Ah... Sim...” – tirou a mão, lembrando-se das razões que a levaram para aquele hospital.

— Desculpe, não vou te tocar. Mas, gostou do presente? – perguntou com um sorriso.

Yejin lhe fitou receosa, entretanto, ao notar que ele mantinha certa distância, afirmou com a cabeça, voltando a sorrir timidamente.

— Se precisar de mais alguma coisa, é só pedir, está bem?

Ela voltou a afirmar.

Sangwoo colocou as mãos nos bolsos do jaleco, ainda tinha de fazer muitos atendimentos naquele dia, virou de costas e saía do quarto quando ouviu um murmúrio...

— Obrigada...

Olhou para trás, mas a menina já voltara toda a sua atenção para os livros de colorir, e em sua extrema experiência, no alto de seus cinco anos, começou a fazer uma seleção de cores para a borboleta que pintaria.

O alpha sorriu, voltando as suas atividades diárias.

Depois de uns dias percebeu que houve acréscimos aos livros e lápis de colorir que dera a pequena. Notando o entusiasmo da criança – que vivia triste até aquele momento, algumas enfermeiras e outros médicos, decidiram presenteá-la com mais coisas para pintura... Que incluíam giz de cera, canetinha, mais livros de colorir, contudo, por mais que seu montinho de presentes aumentasse, ela cuidava de modo especial do que ganhara primeiro.

Quando terminou de pintar o primeiro dos livros, fora para Sangwoo que entregara. Como um presente.

O loiro levou para casa e mostrou a Bum, que, analisando as cores com as quais a garotinha pintara, concluíra que ela era uma menina muito doce, provavelmente, mais tímida que o normal, mas, que por alguma razão, não gostava de azul marinho.

Só então Sangwoo percebeu que ela, realmente, usara absolutamente todas as cores possíveis naqueles desenhos, menos, azul marinho...

— Será que ela associa com o pai? – questionou confuso.

— Talvez... – respondeu o ômega.

O alpha decidiu parar de vestir roupas naquela tonalidade, optando por outros tons. Se, de alguma forma, isso deixaria a menina mais confortável, não tinha porque não fazê-lo.

Com a proximidade do Natal, soube que um Papai Noel visitaria a ala pediátrica, e que os pais deram os presentes que ele deveria entregar. Não era algo associado ao hospital. Para não deixa-la de fora, Sangwoo comprou uma boneca – com a ajuda de Bum, porque não entendia nada sobre isso – e entregou ao senhor.

Os dias foram passando, Jihoon foi enviando cada vez mais mensagens pedindo confirmação, avisando detalhes, no fim, perguntou se todos topavam fazer um amigo secreto de última hora.

Sangwoo bufou: — Ele acha que a gente é tão rico quanto ele! Já não basta o presente de todos!

O loiro detestava escolher presentes, por isso, sempre ia pela tradição de dar um pouco de dinheiro ou um vale, era menos trabalhoso. Além disso, pensou em fazer apenas um envelope para cada um dos membros da manada, com uma quantia razoável, mas, que representasse ele e Bum, assim, teriam menos despesas. Contudo, Jihoon tinha de inventar moda...

— Por que não colocam um valor limite? – questionou Bum, fitando o estresse visível do alpha.

— Boa ideia. – o loiro enviou uma mensagem, entretanto, logo quis atirar o celular contra a parede, e saiu puto.

O ômega, por pura e simples curiosidade, deu uma espiadinha na tela do celular que ainda estava com o texto visível.

Por que não colocamos um valor mínimo e um máximo?

Jihoon

Hm, tá, que tal no mínimo 1000 e no máximo 2000?

Seung

Won?

Jihoon

Não, né -___-‘, não dá p/ comprar nada com 1000 won.

Dólares.

De 1000 a 2000 dólares.

Ah... Bum entendeu a revolta.

No fim, fizeram o amigo secreto com valores normais – ou seja, que cabia no bolso de todos. Bum achou que não participaria, mas, não apenas ele, como Myung-Hee e Min-Cheng, foram convidados.

O ômega acabou por tirar Dongyu. Como não podia revelar quem era, pediu um conselho a Sangwoo sobre presentes para a manada... O alpha resumiu da seguinte forma.

— Yangmi, se na capa de alguma coisa tiver dois caras se pegando, pode comprar que ela vai gostar. Yura, sapato. Taehyun, alguma coisa pervertida ou com conteúdo sexual. Chung-Ho, cd de rock, metal, ou algo relacionado a motos. Seung, livros. Jieun, bolsas. Jihoon, algo de marca. Dongyu, comida e a Young você pode dar qualquer coisa, porque ela sempre troca. – ele deu de ombros.

Bum refletiu por alguns instantes, como não tinha ideia se o garoto preferia doces ou salgados, decidiu que daria ambos.

O engraçado fora que não conseguiram reunir a manada durante aquele período de tempo, e como Sangwoo achou melhor contar ‘a novidade’ para todos ao mesmo tempo, decidiram que isso ocorreria na festa de Jihoon. Bum só teve de convencer Myung-Hee a guardar segredo.

— Ela vai me matar quando souber que eu sabia todo esse tempo, e permaneci calada. – queixou-se a ômega.

— É por uma boa causa. O Sangwoo acha que será mais engraçado...

— Mesmo assim...

A véspera de Natal chegara, Bum e Sangwoo já haviam preparado as malas e partiriam em breve para cidade litorânea de Naksan. O ômega ficou confuso sobre as razões de ser em uma praia, já que era inverno e, tecnicamente, nem poderiam aproveitar.

— Alguma coisa aconteceu... – comentou o alpha ao ser questionado.

— Como assim?

— A família de Jihoon tem imóveis por toda a Coreia do Sul e Japão. Lembro perfeitamente bem, que eles possuem um chalé que seria perfeito para a ocasião... Mas... – Sangwoo hesitou.

— Mas...?

— Todas essas casas são da família dele, menos a de Naksan. Essa pertence ao Jihoon... Normalmente quando ele não quer contato com a família, vai para lá. Ou seja, alguma coisa aconteceu. – o alpha deu de ombros.

Colocaram tudo no carro e partiram, antes, passando no hospital e vendo Yejin.

Sangwoo se sentiu um pouco estranho, queria pegar a menina e a levar junto, tinha certeza que ela provavelmente nunca vira uma praia antes... Entretanto, mesmo se tivesse autorização para isso, não poderia fazê-lo, afinal, ela estava em tratamento.

Bum brincou com a garotinha e pela primeira vez o alpha notou as razões de ele ser tão popular com as crianças da creche – que muitas vezes vinham correndo na direção do carro para recebê-lo, quando o deixava no serviço. Foram dias de silêncio daquela menina, até ganhar os kits de pintura, mesmo assim, ela não sorria com tanta frequência... Cinco minutos com o ômega e ela estava rindo.

“Ele nasceu pra isso...” – concluiu o loiro.

— Ah! Você desenhou o Sangwoo! – Bum sorria, olhando a folha da menina.

Ela abriu um largo sorriso: — Sim! – disse animada.

Sangwoo foi ver o desenho, mas, só grandes pontos de interrogação se formaram em sua mente. Para ele, parecia um monte de linhas juntas, pintadas... Aquilo era ele? Onde? Não falou nada, não saberia o que dizer.

Quando foram embora, o alpha avisou a menina que não iria vê-la no dia seguinte...

O olhar que ela lhe lançou, deu vontade de oficialmente raptá-la. Mas, resistiu e apenas aproximou a mão, que ela deixou que lhe fizesse cafuné.

Ao saírem do hospital, Bum estava sorrindo.

— O que foi? – perguntou levemente irritado com aquele sorrisinho de ‘eu notei algo que você não’, que o ômega lhe lançava.

— Nada... – o moreno riu.

— Ah, fala sério. Qual o problema? – o alpha abriu a porta para o pequeno entrar.

— Você disse que não gosta de crianças, mas... Gosta dela. – o sorriso do rapaz aumentou.

— Não é isso, eu apenas – Sangwoo refletiu na melhor maneira de expor sua posição: — Simpatizei com a situação dela e quero ajudá-la, apenas isso.

— Sei... – respondeu o ômega, ainda sorrindo, olhando os desenhos de Yejin.

— Aliás, como isso sou eu? – perguntou, mirando as linhas do desenho.

— Ah! É a sua mão, por isso, é você... Entende?

Não. O alpha não entendia, e seu semblante deixou isso bem óbvio.

— Aqui. – Bum aproximou o desenho da mão de Sangwoo, virando a palma para cima.

Os olhos do loiro se abriram um pouco mais, percebendo as semelhanças. As linhas no papel eram exatamente iguais às linhas de sua mão, aliás, os detalhes eram perfeitos. Incluindo uma pequena pinta que tinha entre os dedos...

— Como...?

— Crianças ômegas observam os detalhes... Por isso elas não desenham algo ‘completo’. Ela nunca desenharia seu corpo inteiro no papel, como uma criança alpha faria com perfeição ou uma criança beta faria a seu próprio modo. Ela desenha algum detalhe seu, que ela gosta. No caso da Yejin, ela gostou da sua mão. – Bum sorriu.

Sangwoo ficou calado por alguns instantes... Logo pigarreou, entregando o desenho ao ômega. Certo. Tinha de dirigir até a casa de veraneio de Jihoon.

Não conseguiu deixar de olhar uma vez pelo retrovisor, ela... Ficaria bem... Certo?

Almoçaram no caminho e em algumas horas, já se encontravam no local. A casa era grande, com design moderno, de dois andares, os tijolos visíveis possuíam um tom acinzentado, enquanto as paredes eram brancas. As amplas janelas eram emolduradas em madeira marrom. O jardim estava coberto de neve, apenas uma imensa árvore se destacava no centro. As janelas, a porta e a árvore, se encontravam com luzes pisca-pisca, o que criava um clima típico do Natal.

Jihoon os recebeu, e como o anfitrião que era, mostrou-lhes a casa. Logo na entrada, Bum se deparou com uma decoração totalmente natalina, mas, de muito bom gosto. A escadaria já era visível no momento que passaram pela porta.

No segundo andar, Jihoon avisou, estavam os quartos, entretanto, antes de mostrar o deles, ele os levou ao salão, onde tinha um pinheiro enorme, com presentes aos seus pés, lindamente enfeitado, com bolinhas e luzes em tons vermelhos e dourados. Também tocava música ambiente, no momento, Bum conseguia ouvir...

Subaek beon datugo...

Embora briguemos um milhão de vezes...

Baekbeon gaseum muneojyeodo...

E nossos corações se quebrem centenas de vezes...

Sildeuri eongkin deut ttaenael su eomneun sarang...

Nosso amor é inquebrável, como fios enrolados...

Jalmoseun gochigo seoroui mam baewo gamyeon...

Enquanto consertamos nossos erros e aprendemos sobre os sentimentos um do outro...

O moreno sorriu, colocando sua mão sobre a de Sangwoo e entrelaçando os dedos, amava aquela música.

Saindo do salão se encontrava uma sala de jantar com a mesa arrumada e se podia ver a piscina do lado de fora, era coberta e Young nadava nela. Parecia aquecida.

Aquilo era algo que o ômega nunca entenderia, uma casa na praia com piscina...

“Bom, talvez seja para ser usada no inverno, como agora...”.

Do outro lado da casa estava uma sala com sofás e uma poltrona confortável, além de um aparelho de som e televisão. Chung-Ho se encontrava atirado no sofá, parecia entediado.

Também tinha um pequeno e simpático escritório, que se assemelhava a uma biblioteca devido à quantidade de estantes e livros. Na cozinha, pessoas uniformizadas preparavam a ceia. Além disso, Jihoon indicou onde ficavam os banheiros, para que Bum se sentisse a vontade na casa.

Já o quarto, era grande, verdadeira suíte, possuía uma cama de casal king size, um closet ligado à parede, o banheiro privativo tinha banheira e chuveiro. Além disso, o ambiente ainda tinha uma vista linda para a praia e dois puffs fofos, para caso não quisessem deitar.

— Esse quarto é imenso... – murmurou o ômega assim que Jihoon os deixou a sós.

— Provavelmente é o maior da casa. – respondeu, dando de ombros, o alpha.

— O maior? Mas... Não deveria ser do Jihoon?

— Hm... – Sangwoo nunca parara para refletir nisso: — Quando sou convidado a ir à casa de um membro da minha manada, normalmente, eles me dão o melhor quarto. – disse como se fosse algo bastante óbvio, enquanto desfazia a mala.

—... Mesmo eles sendo os donos da casa? – Bum começou a desfazer sua mala. Tinha de admitir que nunca entendeu plenamente a dinâmica de uma manada.

— Bom, eu sou o líder, tecnicamente, o território deles é meu. – disse calmamente, colocando suas coisas no closet.

Bum piscou algumas vezes, espera, que lógica era aquela? Quer dizer que se Sangwoo desejasse, poderia, simplesmente, mandar Jihoon embora e ficar com a casa? Isso era loucura...

— Se o território é seu, quer dizer que a casa é sua? Espera, acho que estou entendendo errado... – murmurou o ômega.

— Não, você não entendeu errado. Tecnicamente, é isso mesmo.

—... Um líder alpha tem esse tipo de poder?

— Sim... – Sangwoo suspirou: — Mas, no fim, é uma questão de bom senso, não? Não é porque posso mandar que tenho de fazê-lo. Só que, se eles querem agradar me deixando usar o melhor quarto, não vou recusar.

O ômega observou o loiro durante alguns instantes... Ele falava aquelas coisas com tanta naturalidade... Se alguns alphas que conhecera durante a vida, tivessem esse tipo de oportunidade, tendo Jihoon e Yura em suas manadas, não pensariam duas vezes antes de tirar o máximo proveito disso...

—... Por que você nunca pede nada a eles?

Sangwoo fitou o moreno: — Hm... Refere-se a dinheiro? – questionou incerto.

— Algo assim... – Bum não estava interessado em fazer esse tipo de pedido também, contudo, sentia curiosidade em saber o porquê do alpha não fazê-lo.

— Seria um desperdício. – respondeu o loiro: — Quero dizer, é muito melhor ter o Jihoon e sua influência a meu favor, do que explorá-lo e ele ir embora.

O ômega sentia que talvez Sangwoo até seguisse aquela lógica, mas, por que lhe soava tanto como uma desculpa?

Terminaram de arrumar as coisas no closet e desceram, apesar de ser de tarde, ainda era cedo. Iriam comer a ceia apenas a meia noite, então, havia um longo tempo até lá...

Sangwoo foi para a rua, agradecer Jihoon pela hospitalidade e perguntar se sabia quando os outros chegariam. Já Bum estava com fome, contudo, envergonhado demais para admitir isso, até mesmo para o alpha. Sentou-se no espaçoso sofá branco da sala e fitou os pés.

Poucos minutos depois, de um lado sentou Chung-Ho – que vestia uma camisa de manga longa branca, por baixo de outra de manga curta preta, uma calça jeans folgada, e do outro, Dongyu — que vestia um suéter azul marinho e uma calça de abrigo.

— Você está bem? – questionou Chung-Ho, mirando-o seriamente.

— Hã? – Bum fitou o garoto loiro e piscou diversas vezes. Será que ele notara? Estava tão visivelmente faminto?

— Hm... Não está com fome? – perguntou Dongyu: — Aqui, eu roubei alguns salgados. – disse com um sorriso o gordinho, mostrando-lhe diversos salgadinhos empanados, que pareciam uma delícia.

Bum salivou...

“Parece muito bom...” – pensou, pegando um dos salgadinhos, entretanto, realmente corando por ter sido descoberto.

— Estou bem... – respondeu sem graça a Chung-Ho: — Obrigado. – murmurou para Dongyu.

— Certo. – o alpha loiro se esticou no sofá. Estava se sentindo estranhamente protetor próximo a Bum. Não entendia a razão... Mas, seus instintos diziam para ficar ao lado do pequeno ômega até Sangwoo voltar...

“Por que diabos me sinto assim?” – olhou o moreno que comia tranquilamente, depois, fitou Dongyu.

O gordinho lhe observava do mesmo modo. Estavam em guarda, mesmo sem nenhum perigo iminente.

“Bizarro...”. – observou a frente.

Young também se encontrava ali, depois que saiu da piscina, a garota se vestira e se atirara na poltrona da sala, jogando um game. Contudo, depois que Bum se sentou, ela se posicionou melhor – ficando mais ereta e parecendo mais ‘alerta’.

“Hm... Não pode ser coincidência...”. – voltou a mirar o pequeno ao seu lado.

“Ele está doente?” – refletiu.

Os instintos alphas podiam indicar quando alguém da manada estava doente...

“Mas, nunca o senti assim... Está mais... Forte... Quase como se eu fosse forçado a ficar ao lado dele...”.

Ficou preocupado. Não conhecia Bum muito bem, mas, ele parecia legal e não queria o garoto doente... Sem contar que, desde que conhecera o líder alpha, nunca o vira tão feliz.

Sangwoo apareceu e o fitou, Chung-Ho levantou, deixando o líder sentar ao lado do namorado.

Em pouco tempo chegou Jieun, que apesar de ter pedido um tempo a Sangwoo, decidiu que participaria da festa de Natal – só ainda não decidira se ficaria no próximo dia... Ela começou a cantar no karaokê – a alpha realmente amava fazer isso, obrigando Young a acompanha-la.

Quando Seung e Min-Cheng voltaram de um passeio na praia – eles haviam chegado cedo, só foram conhecer a região, a ômega parecia muito animada em visitar os templos e outras atrações da cidade litorânea, Jieun forçou a menina a cantar com ela e Young, ignorando os protestos de Seung. No fim, a garota estava se divertindo, apesar de corada.

Já era quase dez horas quando Yangmi chegou com Myung-Hee – elas foram levar Cho-Hee até a casa do pai da ômega, já que a menina estava acostumada a passar o Natal lá... Ir à Igreja, depois receber o Papai Noel... Era uma tradição que a pequena adorava e que Myung-Hee não queria tirar da filha. Além disso, sabia que lá haveria outras crianças, diferente dali.

Logo após se alojarem, como Taehyun e Yura não haviam dado o ar da graça, Yangmi propôs que jogassem ‘Eu Nunca’.

Basicamente, a garota encheu várias doses de tequila, e reuniu todos os presentes – Bum, discretamente, disse que não bebia e ficou no refrigerante, para tristeza da alpha.

— Ok. Eu começo... Hm... Eu nunca... Tirei a roupa em uma festa! – Yangmi riu.

Sangwoo e Young beberam.

— Sua... – o alpha líder fitou a amiga: — Bom, eu nunca me masturbei para dois caras transando!

— Ha.Ha.Ha – Yangmi bebeu, junto com Myung-Hee, Young, Jihoon, Jieun, e para a surpresa de todos, Min-Cheng.

— Uaaaa, gostei ainda mais de você! – a morena de cabelos com pontas azuis sorriu para a ômega.

— Eu nunca bati um carro! – riu Jihoon, que era o próximo.

Jieun, Young, Sangwoo, Chung-Ho e Yangmi beberam.

— Eu nunca tirei menos de oito. – todos olharam para Seung indignados.

Yangmi, Chung-Ho, Jieun, Young, Min-Cheng, Jihoon, Myung-Hee e Dongyu, beberam.

— Esqueci que você é outro nerd enrustido. – disse levemente indignada Jieun, fitando Sangwoo, o alpha riu.

— Hm... Eu nunca dormi com o Sangwoo. – sorriu Dongyu.

Jieun, Young, Jihoon, Seung e Myung-Hee beberam.

Nisso tocaram a campainha e Jihoon foi atender.

— Finalmente! – esbravejou o rapaz, fitando Taehyun, Yura e Chansoo.

Nem todos conheciam o albino, por isso, as apresentações foram formalmente feitas.

Após isso, fariam a revelação do amigo secreto, mas, Sangwoo pediu um momento. Todos se juntaram e o alpha, fitando Bum, anunciou.

— Hm, só para avisar... Eu e o Bum teremos um filho.

Jieun cuspiu a tequila que bebia. Young deixou cair a dela. Dongyu sorriu fofamente. Jihoon ficou pasmo. Chung-Ho entendeu o fato de querer proteger o ômega – instintivamente, um ômega esperando um bebê deveria ser protegido até duas vezes mais que uma pessoa doente, sem contar que, esse ômega, em especial, era o do líder. Yangmi olhou diretamente para Myung-Hee, que a fitou com cara de ‘sinto muito’. Seung deu um suspiro complacente. Min-Cheng sorriu, levemente corada. Yura fez um perfeito ‘o’ com os lábios. Taehyun soltou uma exclamação de surpresa e Chansoo tentava lembrar quem era Bum.

Depois do momento de choque, o moreno foi atacado por abraços, felicitações, sorrisos, perguntas...

— Já tem um nome em mente? – perguntou Jieun.

— Não... – disse o moreno.

— Você realmente vai ter? – questionou Young: — Mas, você é tão novo!

— Hã... – Bum não sabia o que responder.

— Já aviso que vou ensinar ele a andar de moto. – disse Chung-Ho.

— Ah, tá. – Jihoon olhou para o alpha loiro: — Ensinar a andar de moto? E por que ele? Pode ser uma menina, ou um deltano, você não sabe! – replicou.

— Sinto que é um menino. – respondeu Chung-Ho focando na barriga de Bum com os olhos semicerrados: — Mas, se for uma menina ou deltano, ensino também! – riu animado.

— Foi no cio, né? Seu safado! – dizia Taehyun para Sangwoo.

— Isso não foi meio precipitado? – Yura observava o líder alpha preocupada.

— Hm, talvez um pouco, mas, decidimos ter... – respondeu com simplicidade Sangwoo. Obviamente não falaria da briga, ou do fato de não aceitar isso tão bem assim... De qualquer forma, eles teriam a criança, então, não tinha o que ser feito.

Depois dos interrogatórios completos, Jihoon avisou que já era hora de trocarem os presentes.

— Bom, meu amigo secreto é uma gracinha, pequeno, fofo...

— Bum! – disse Yangmi.

— É! – ele entregou o presente: — Já aviso que estou super magoado por não terem dito antes sobre a gravidez, poderia ter escolhido algo melhor para a ocasião... – o rapaz fez um beicinho.

— Não se preocupe. – Bum sorriu, pegando o presente e abrindo. Era um suéter lindo marrom: — Obrigado. – falou ao rapaz: — Hm... Meu amigo secreto é alto... – o ômega refletia: — Fofo...

— Dongyu! – falou animada Yangmi, a garota estava nas nuvens devido à novidade do casal.

— Certo. – o moreno corou, entregando o presente.

Dongyu sorriu, satisfeito ao notar que eram vários doces e salgados que amava: — Valeu, Bum! – disse contente: — Eu não conheço muito bem a minha amiga secreta, mas, ela é fofa, baixinha, tem cabelos loiros...

— Min-Cheng. – Seung adivinhou, fitando a namorada.

— Isso ae. – o alpha entregou o presente: — Espero que goste. Soube que aprecia oceanos, né?

— Sim! – respondeu com um sorriso a garota, que ao abrir o presente, se deparou com um livro com imagens lindas de animais marinhos: — Obrigada! É lindo! – ela sorriu, colocando o presente ao lado: — Hã, bom... A minha amiga secreta é gentil, canta bem...

— Yura. – Sangwoo se pronunciou, sabendo que não se tratava da loira, pois Min-Cheng nunca a ouvira cantar, ela provavelmente se referia a Jieun, mas, quis provocar.

— Muito engraçadinho. – respondeu Jieun: — Sou eu, né?

Min-Cheng corou, afirmando com a cabeça e entregando o presente.

Jieun abriu animada, ficando ainda mais quando percebeu se tratar de uma bolsa. Ela realmente adorava o acessório, não precisava ser de marca para que a alpha amasse. Como a bolsa em questão era pequena, delicada, da cor preta – que basicamente, combina com tudo — a garota se apaixonou pelo presente.

— Obrigada! – falou com um sorriso sincero, colocando a bolsa ao seu lado e pegando uma caixa grande: — Bem, o meu é para um doido por motos... – Chung-Ho só pegou o presente e foi abrindo: — Ei! – protestou a garota.

— Quê? Todo mundo sabe que você tá falando de mim... – ele abriu, vendo um capacete novinho: — Ah! O modelo que eu queria! Lançar aquela direta do chat deu certo! – o rapaz riu abertamente, Jieun revirou os olhos: — Bom, o cara que eu tirei é esperto, fala só coisas complicadas... – Seung suspirou e fitou Chung-Ho, erguendo uma das mãos: — Oh! Acertou, você mesmo. – ele entregou uma sacola.

Seung notou que pelo peso, não era pouca coisa, abriu, deparando-se com uma coleção de livros de anatomia. Muito útil. Exatamente o tipo de presente que gostava. Pigarreou: — Obrigado. – disse num murmúrio, deixando os livros de lado: — Enfim, a garota que peguei, espero, não terá de trocar de presente dessa vez. – deu de ombros enquanto todos olhavam Young.

— Quê? Eu? – ela piscou: — Nossa, que negatividade, também não é assim... Eu não troco todas às vezes... – todos continuaram a observando, ela pegou o envelope, era um vale: — Hm... — observou atenta.

— Você pode ir ao shopping e trocar esse vale, por outro de outra loja.

Ela sorriu: — Ah, meu amigo secreto é um tarado! – disse rindo.

Taehyun sentou ao lado dela: — Você me tirou? Que honra! – ele sorriu.

— Aqui, espero que goste!

O ruivo abriu o presente, um perfume em uma embalagem no formato de um pênis – o que fez Bum, Min-Cheng e Chansoo corarem.

— Ah! Adorei! – o sorriso do ruivo aumentou: — Presentes multiusos são realmente fantásticos! — ele admirou o novo brinquedo por alguns instantes: — Enfim, eu peguei a minha versão feminina quando se trata de putaria...

— Eu! – Yangmi correu, abraçando o amigo: — Se é você, sei que o presente é bom! – ela pegou a caixa animadamente, ao abrir, viu vários mangás de Ogeretsu Tanaka, incluindo Neo Sign Amber, Sabita Yoru Demo Koi Wa Sasayaku, Renai-rubi no Tadashii Furikata, Yarichin ☆ Bitch Club, Escape Journey e Hadakeru Kaibutsu. Ela deu um grito de felicidade, pulando em cima do ruivo. Todos estavam devidamente autografados: — Te adoro, seu filho da puta!!! – ela agarrou mais o amigo.

— He, eu sei disso, vaca arrombada! – ele correspondeu o abraço.

— Hmm, como vou descrever... – Yangmi ficou pensativa por alguns instantes: — Minha amiga secreta é alta, linda, gostosa... – começou.

Yura corou, porque, só haviam sobrado duas garotas, ela e Myung-Hee e definitivamente, a outra não era alta.

— Cheirosa, intrigante... – Yura colocou a mão sobre a boca da amiga.

— Sou eu. Já entendi. – disse ainda mais vermelha.

— Forte, foda... – ela dizia por debaixo da mão, rindo e entregando o presente.

Yura pegou o embrulho, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha: — Obrigada. – disse sem graça, abrindo e se deparando com um par de botas maravilhosas que não achava mais para vender: -...!!!! – ela abraçou a amiga com força, depois que a soltou, olhou para os outros com um sorriso: — Hã... Eu peguei alguém com gostos refinados, baixinho, gentil, que ama a Madonna...

Jihoon foi direto para a sacola Armani que estava ao lado de Yura: — Ah! Isso é incrível! – ele fitou a amiga com os olhos brilhantes ao ver o sobretudo finíssimo – e obviamente, muito mais caro que o valor estipulado, que ganhara.

Sangwoo e Myung-Hee se fitaram. Ótimo. Haviam se tirado, já que, Chansoo não participara do amigo secreto... O clima ficou estranho... Não é como se odiassem um ao outro... Mas, também não é como se caíssem de amores...

Myung-Hee sorriu, malevolamente, fazendo um arrepio frio subir a espinha de Sangwoo.

— Bom, já sabemos que nos tiramos, aqui, seu presente. – ela entregou com um sorriso doce, o que fez o alpha se sentir ainda mais em alerta.

Sangwoo abriu o presente, tossindo em seguida ao ler os títulos dos três livros ‘Como ser um pai moderno e eficiente’, ‘Como educar uma criança’ e ‘Guia definitivo dos cuidados básicos com um bebê’. Engraçadinha, muito engraçadinha. Ele fitou a ômega morena e baixinha.

— Quê? Não gostou? – o sorriso dela aumentou, mas, foi interrompido pelo olhar fuzilador de Bum: — Ah, ok. Foi uma brincadeira. Aqui... – ela entregou outro presente.

O alpha mirou desconfiado, poderia haver uma bomba naquele embrulho... Suspirou, abrindo o pacote. Piscou algumas vezes, era uma maleta médica. O alpha fitou a ômega.

— Yangmi me ajudou a escolher, porque, eu não tinha ideia do que te dar...

— Obrigado. – disse com sinceridade. Bom, pelo menos, não se arrependia te ter comprado o presente que entregou a garota.

Myung-Hee abriu e viu um vestido. Era longo, azul turquesa, não justo demais e do seu tamanho. Lindo.

“Caramba, ele tem bom gosto.”.

A garota agradeceu, um pouco antes de Jihoon anunciar que era meia noite e desejar Feliz Natal.

Todos se abraçaram, deram beijos no rosto, e foram apreciar a ceia na sala de jantar. Estava absolutamente perfeito – afinal, o anfitrião contratara um chef apenas para aquela ocasião.

Após a ceia, Jihoon os levou para o salão, onde trocaram presentes – a maioria deu dinheiro, com exceção de alguns que deram dinheiro e alguma lembrança, como Jieun, Yura e Jihoon. Nesse momento, Bum ficou enjoado, subindo com Sangwoo para o quarto.

Myung-Hee ia acompanhar os dois, mas, achava que o alpha podia dar conta daquilo... E ele era médico... Talvez confiar um pouco mais em Sangwoo, não fosse tão ruim. Suspirou. Estava nervosa. Havia decidido algo, contudo... Tinha medo... E se Yangmi não quisesse, quer dizer, ela sempre dava a entender que queria, mas...

Ficou ao lado da namorada, puxando sua mão de leve.

Yangmi, que conversava com Chung-Ho e Jihoon naquele momento, se virou, percebendo se tratar da baixinha. Entrelaçou os dedos com a garota e se aproximou da mesma.

— O que foi? – perguntou com um sorriso.

— Hm... A gente... Pode conversar lá fora...?

A morena concordou com a cabeça e largou o copo com cerveja que bebia. Saiu com a baixinha, caminhando até a praia. Um vento frio batia em seus corpos, mas, o mar de inverno estava belíssimo com suas ondas agitadas.

— O que aconteceu amor, por que você quis sair? – perguntou Yangmi, confusa.

Myung-Hee fitou o chão e corou levemente, o que fez a morena erguer a sobrancelha. A baixinha nunca fora tímida, normalmente, ela sempre teve de provocá-la para deixá-la sem graça.

— Então... Você sabe... – ela corou mais, segurando firme a mão da namorada: — Eu disse que precisava pensar sobre isso... Mesmo na minha condição... – a baixinha fitou os pés, fazendo seus cabelos caírem sobre o rosto, cobrindo seus olhos: — Aqui... – disse passando uma chave para a mão de Yangmi.

Apesar de estar decidida, Myung-Hee achava aquilo muito estranho... Quer dizer, sempre quis encontrar alguém com quem compartilhar um vínculo... Alguém com quem pudesse contar, mas, ao mesmo tempo em que sempre desejou isso, sempre temeu...

E se a pessoa não a quisesse? Se não entendesse? Se não gostasse de sua filha? Se sentisse nojo? Se não desse certo? Se no final, fosse um erro?

Yangmi fizera esses medos se desfazerem diante de seus olhos, ao lado da garota, tinha a força que jamais pensou que teria. Sentia-se bem, realizada. Nunca se viu como alguém que precisava de outra metade, se sentia completa por si só. A questão era que, com o companheirismo e amor da morena, conseguia alcançar patamares que antes lhe pareciam impossíveis.

O silêncio se prolongou e acabou ficando nervosa, ergueu o rosto e deu de cara com uma Yangmi vermelha até as orelhas. A garota olhava para a chave parecendo meio em choque.

— Isso... Isso significa o que eu acho que significa?

Myung-Hee afirmou com a cabeça. Yangmi não queria fazer? Talvez tivesse sido prepotente em pensar que a garota aceitaria de cara...

— Hã... Claro, nós não precisamos fazer isso agora... Só queria te dizer que estou pronta, se vo- não terminou de falar, a morena lhe cobriu os lábios com os próprios, beijando-a intensamente. Sua língua abriu passagem, penetrando-lhe a boca e roubando-lhe um gemido, ao mesmo tempo em que seus corpos se aproximaram e seus braços lhe cercaram.

A morena se afastou brevemente, recuperando o fôlego e encostando sua testa na da baixinha: — Você acha que não quero? – disse com um sorriso, segurando as mãos da namorada: — Quero isso desde o dia que você aceitou namorar comigo! – o sorriso aumentou e saiu correndo puxando Myung-Hee: — A gente vai fazer! Agora!

A baixinha corou violentamente.

~*~*~*~*~*~

Na sala Jieun cantava no karaokê com Dongyu, já no salão, Taehyun fizera Min-Cheng dançar com ele – e ficara rindo da cara enciumada de Seung. Yura dançava animadamente com Chansoo e Young se aproximava sorrateiramente de Jihoon e Chung-Ho que estavam entre os dois lugares, conversando.

— Eu gosto do Black Sabbath, mas, também curto os Beatles, achei que soubesse disso... – disse o loiro bebendo um pouco de tequila.

— Só sabia que você gostava de metal e achei que era só isso, sabe? Não que era do rock em todas as suas vertentes. Quer dizer... Você tem jeito de metaleiro... – o baixinho deu de ombros.

Chung-Ho riu: — Sério isso?

— Kaham!!! – Young chamou a atenção dos dois.

— O que foi? – questionou Jihoon, vendo a garota indicando que olhasse para cima.

Ela segurava um visco sobre suas cabeças...

...

Aquilo era uma piada? Ele fitou Young que estava sorrindo maldosamente.

“Pirralha safada!” – pensou levemente indignado.

Não costumava recusar nenhuma brincadeira, mas, teria de beijar Chung-Ho? Olhou para o alpha que fitava o visco com um semblante pensativo.

Nunca havia pensado em beijar Chung-Ho, quer dizer, não que o rapaz fosse feio, pelo contrário. Observou melhor o alpha. Ele era atraente... E atlético... Pelo menos, era o que parecia... Na realidade, vendo bem, ele era meio que seu tipo... Mas... Caramba, ele se vestia muito mal! O Sangwoo se vestia melhor que ele, e sério, o líder alpha não era um símbolo de moda.

Chung-Ho era oficialmente desleixado em relação à vestimenta, sempre jeans, camiseta e tênis. Além disso, parecia que em alguns momentos, ele só pegava qualquer coisa que tivesse ao alcance, porque, além de não combinar, estava amassado. Em resumo, ele não dava a mínima para isso.

“Não sei se consigo beijar alguém sem nenhum senso de moda... Ah, mas é só um visco, pode ser só um selinho, acho que não tem problema.” – refletiu seriamente o pequeno.

— O que significa isso? – perguntou confuso, Chung-Ho, apontando para o visco.

Young ficou boquiaberta: — Perae, você nunca viu séries americanas, não? – perguntou chocada.

— Hm, algumas, mas, não me lembro disso...

— Você tem que beijar o Jih, porque estão ambos debaixo do visco. – explicou didaticamente a jovem.

Chung-Ho piscou e então se virou para Jihoon, fitando-o por alguns instantes. O baixinho manteve o olhar firme, sentindo-se estranho em ser encarado daquela forma. Ia falar quando viu o loiro fitar sua boca. Certo. Aquele olhar o deixou tímido. Talvez fosse má ideia.

Contudo, não teve tempo de dizer nada, o maior se aproximou, tocando em sua cintura com firmeza e puxando-o para perto de seu corpo. Quando o viu próximo o suficiente para sentir sua respiração, percebeu que ele não o beijaria, pois um sorriso se formava.

Ele ia rir. Sério. Conhecia aquele semblante.

“Babaca...” – pensou indignado o baixinho. Se ele não ia fazer, não deveria tê-lo pego daquela forma, certo? Ficou a milímetros de seu rosto.

— Covarde. – disse sério mirando os olhos caramelos e tirando as mãos dele de sua cintura. Virou-se, ia tomar um drink, talvez um coquetel...

Sentiu seu punho ser segurado e então um puxão, olhou para o loiro que o encarava, mas, não teve tempo de se afastar, Chung-Ho era mais forte do que imaginava e o prendeu em seus braços.

— Você que provocou. – disse antes de encostar seus lábios contra os de Jihoon.

O baixinho se surpreendeu, a pressão sobre sua boca foi forte e urgente, o desgraçado tinha o tipo de beijo que gostava. Sentiu-o deslizar a mão por suas costas, puxando-o, encaixando-o, fazendo a distância entre seus corpos diminuir. Não conseguiu evitar que um delicioso tremor o atingisse...

Mas, era Chung-Ho, droga... O cara não sabia nem a diferença entre azul turquesa e azul marinho...!

“É tudo azul...” – fora o que dissera há cinco minutos.

Ia afastá-lo, mas, acabou gemendo ao sentir algo metálico penetrar sua boca e pressionar sua língua, um piercing. O loiro era habilidoso e isso irritou profundamente Jihoon que se via a cada segundo mais sem ar, seus mamilos se eriçando, uma coxa cretina se posicionando entre suas pernas... Sua boca correspondendo ao beijo enquanto seu coração disparava devido à química.

Chung-Ho se afastou por alguns instantes, lambendo os próprios lábios e fitando os olhos do pequeno alpha.

— Pelo visto... Você gostou. – disse com um sorriso prepotente.

Ia matá-lo. Esse foi o pensamento imediato de Jihoon. Sempre se dera bem com o alpha, não achava que ele podia ser tão arrogante... Abriu a boca para responder, quando percebeu que não fora o único a gostar. O volume óbvio roçando sua coxa não deixava dúvidas.

Aquilo... O deixou sem graça. Por incrível que pudesse parecer.

— Uau! Ei, Chung-Ho! – Young falou, chamando a atenção dos dois, que viraram para fitar a garota que segurava uma câmera fotográfica: — Você sabia que podia ser só um selinho, né? – ela riu.

— Eh? – Chung-Ho piscou confuso: — Podia?

— Aff. – Jihoon empurrou o loiro: — Você é um animal mesmo. – disse indignado.

— Devo levar isso como um elogio? – Chung-Ho começou a rir, parando no momento que vira algo realmente raro, Jihoon corara suavemente.

Algumas pessoas coram com extrema facilidade, outras, de vez em quando. Jihoon não corava por nada. Não importava o que Taehyun falasse, ou que tipo de conversa a manada tinha, o rapaz, no máximo, revirava os olhos.

Por isso fora uma surpresa vê-lo daquela maneira...

“Ah... Droga...” – pensou o baixinho, botando a mão sobre o rosto e afastando o loiro de vez.

— Não foi um elogio. – disse rispidamente, saindo.

Chung-Ho foi atrás do baixinho, enquanto Young ficou sutilmente chocada. Vejam só, talvez sua ideia tenha dado mais certo do que pensara, apesar de seu objetivo inicial ser só zoar mesmo.

A garota saiu do salão e andou até Dongyu, que estava sentado na poltrona confortável da sala. Jieun continuava cantando, na opinião de Young, animada demais, provavelmente bêbada.

“Ela vai dormir daqui a pouco...” – pensou a alpha, se atirando em cima do gordinho.

— Ahhhh, tô entediada... – disse se esticando. Havia bebido, dançado...

— Hm, por que você não canta com a gente? – perguntou o rapaz, fazendo cafuné.

— Isso é chato Dong. – ela parou de falar, fitando o amigo... Ele... Era fofo... Talvez fosse a bebida falando mais alto, mas...: — Dong, você quer transar?

O rapaz tossiu: — Quê?

— Transar, ora. – ela se posicionou melhor em cima dele.

—... Hã...

— Quê? Não vai me dizer que me acha feia?

— Não, claro que não... Não é isso... – ele sorriu.

— Então, vamos?

— Hm... Não. Mas, não é porque eu não te acho bonita, você é linda. Eu só... Não quero fazer. – ele sorriu, sem graça.

— Espera, você é um alpha brocha? – ela o fitou estupefata: — Sério? Nem achei que isso existia!

Dongyu suspirou: — Eu não sou ‘brocha’ Young, só não tenho interesse em fazer isso...

— Tá falando sério? Como alguém pode não ter interesse em sexo? Ah, espera, é por que não sou a Jieun? Eu sei que você gosta dela, mas, eu quero fazer só sexo, não quero casar não...

— Não é isso... – Dongyu deu um profundo suspiro.

Por que todos achavam que ele tinha esse tipo de interesse em Jieun? Achava a garota fascinante, e realmente, queria protege-la, mas, não era algo romântico. Era tão complicado entenderem que gostava de seus amigos e queria vê-los bem? Talvez fora porque desafiou Sangwoo por causa da fama que Jieun ganharia ao entrar na manada...

Mas, não foi ciúme. Foi preocupação. Young não liga para a fama que tem, mas, Jieun é atingida por isso, por mais que queira evitar. Ela fica mal quando falam dela pelas costas, e chora, caso levem de forma errada o que fez... Por mais que, diante de todos, ela aja como se não ocorresse nada.

— Young. – seu tom foi mais sério: — Eu canto com você, danço com você, aceito até fazer massagem em você, mas, não quero transar, ok?

A garota ficou calada, então deu de ombros, tirando a blusa que usava – sendo que estava sem sutiã. Virou de costas: — Ombro esquerdo. – disse entre risos, fitando Jieun que caíra no sofá naquele meio tempo e dormia profundamente. Se não teria sexo, pelo menos, ia se desfazer daquela dor chata que lhe incomodava a uns dias.

— Ok. – Dongyu começou a massagear, rindo da situação em que se encontrava.

~*~*~*~*~*~

Sangwoo massageava a têmpora de Bum, enquanto o mesmo se encontrava deitado sobre suas pernas.

— Desculpe ter feito você sair antes... – murmurou o moreno.

— Não precisa se desculpar por isso... Já estava cansado, de qualquer forma...

Desde que engravidara, sentia estar dando mais trabalho a Sangwoo... Não gostava disso. Muitos passavam por uma gravidez sozinhos, deveria ser forte o suficiente para conseguir fazer o mesmo, todavia, estava o tempo todo indo para os braços do alpha, ficava carente do nada...

Sangwoo não baixara suas barreiras desde a conversa que tiveram, contudo, nunca o sentiu tão presente em sua vida. Ele não falava sobre a situação, então, concluíra que ele não aceitara ainda muito bem, apenas, convivia com o “problema”. Entretanto, seria tolice demais de sua parte, achar que, aos poucos, o alpha poderia apreciar aqueles momentos...?

Queria levar as mãos dele até sua barriga... Claro, ainda não dava para sentir nada, mas...

Fechou os olhos, o sono lhe atingindo. A massagem dele estava tão boa...

Bum andava bastante sonolento nas últimas semanas. Sangwoo observava o rapaz dormir... Por que ele lhe parecia mais bonito? Sereno?

Observou a barriga do ômega, sinceramente, não havia crescido nada. Se não fossem os exames comprovando, não diria que o pequeno esperava um bebê.

Desviou o olhar...

Por que era sempre tão complicado? Era só um bebê, não o fim do mundo.

Ok. Talvez fosse o fim do seu mundo. Cacete. Como ia cuidar dele? Ia ferrar com tudo. Tinha certeza.

Olhou o teto e então a grande janela, observando a praia...

Por que não tinha boas lembranças de seu pai? Quer dizer, era humanamente impossível se ser ruim o tempo todo...

Lembrava, vagamente, de quando era pequeno e ele lhe ensinara alguns golpes básicos... Era, divertido, não? Mas, voltavam para casa, ele bebia e ferrava tudo. Era um fodido. Como ele.

Suspirou.

Bom, não tinha o mesmo descontrole com a bebida... Entretanto, lembrava que às vezes, ele não bebia, e mesmo assim... Parecia que nada o satisfazia. Nem ele, nem sua mãe, nem ninguém. Ele só odiava a todos.

“Será que sou assim também?” – refletiu, observando Bum em seguida.

Não. Nesse ponto... Nunca odiaria Bum. Nem tentando conseguiu...

Mas, se essa criança nascesse e visse a atenção do ômega se voltar exclusivamente a ela – o que era natural, afinal, ele a gerara – como se sentiria? Excluído? Mesmo sabendo que não é isso? Ficaria com raiva...? Descontaria nele?

Respirou fundo. Droga. Não queria passar por isso... Não estava pronto...

“Bom, eu deveria ter pensado nisso antes.” – refletiu.

Voltou a olhar a barriga de Bum... E... Se gostasse da criança tanto quanto Bum?

...

Não era muito chegado a crianças. Mas, tinha exceções... – pensou em Yejin.

“Uma criança não deveria ser criada para suprir as expectativas de alguém...” – desviou o olhar.

Talvez seu filho puxasse a si e se tornasse um pirralho extremamente irritante com o qual não teria o mínimo de paciência. Gostaria dele se fosse assim?

“Tá, um passo de cada vez, primeiro, tenho que fazer esse bebê nascer bem, sem machucar o Bum.”.

Sangwoo, mesmo com as barreiras erguidas, sentia a felicidade do ômega, por isso, conseguia ter uma noção do quão devastado ele ficaria, caso perdesse o bebê.

“Ele não vai aguentar...” – pensou vagamente, abraçando mais o moreno.

Bum bancava o forte, contudo, a vida já o machucara demais. Ele perdera a mãe de uma forma ainda pior do que o alpha. Viveu com o tio, que parecia um alcoólatra possessivo. Aliás, esse era um assunto que ele evitava a todo custo.

Já imaginava o que possivelmente acontecera... Pela forma que o tio dele agia... Contudo, Bum nunca confirmou – ou negou, qualquer coisa. Queria imaginar o melhor cenário possível, mas... Seus estudos médicos, não permitiam. A forma como o ômega reagia... Respirou fundo.

Se tivesse desconfiado disso quando resgatou Bum, teria perdido a cabeça completamente...

Às vezes pensava em voltar naquela casa, principalmente depois que Yangmi lhe contara que a tia de Bum tentou algo contra Myung-Hee, mas... O que faria? Mataria ele? Seria preso e condenado? Não adiantava tentar denunciá-lo pelos maus tratos anteriores... Se fosse preso e não conseguisse mata-lo? Ele estaria livre para machucar Bum, enquanto Sangwoo estaria na cadeia...

Pensou em desafiá-lo, com testemunhas, poderia feri-lo o suficiente para ele nunca mais ousar se aproximar... Contudo, se tem uma coisa que a vida havia lhe ensinado, era que ferir as pessoas, não as deixava mais calmas. Pelo contrário. Normalmente, só as irritava e piorava a situação.

Suspirou profundamente, deslizando os dedos pelos fios negros que caíam insistentemente no rosto do pequeno...

Bum merecia ser feliz... E, nunca pensou que pensaria isso, entretanto, estava grato por ser capaz de proporcionar essa felicidade, mesmo com seus problemas.

Sua mão desceu um pouco pelo peito do menor, podia sentir sua respiração tranquila... Um pouco mais... Tocou de leve sobre a região da barriga...

“Hm... Não. Sem diferença.” – concluiu, ia tirar a mão, entretanto, acabou deixando-a repousada sobre a barriga. Fechou os olhos, descansando.

Acordou se sentindo estranho, alguém havia incluído outra pessoa a manada, podia sentir. Concentrou-se e sorriu.

“Aff, é realmente irreversível agora, Yangmi.”. – abriu os olhos, percebendo que o pequeno não estava em seus braços. Olhou em volta e o viu sentado no puff próximo à janela, ele observava o mar... Estava enrolado em um lençol de seda branco e iluminado pela lua.

Percebendo ser observado, Bum virou o rosto em direção a Sangwoo e o alpha se questionou, quantas vezes mais, o ômega o faria se apaixonar por ele.

— Sangwoo...! Vai levantar? — sorriu.

— Hm... – o alpha olhou o relógio, era cedo: — Não queria... – sentou, sonolento: — Mas, quero fazer um coisa, já que estamos aqui e acordados nesse horário... – levantou.

Verificou suas roupas, ainda vestia os trajes da noite anterior, contudo, não estava mal, fedendo ou algo parecido, apenas um pouco amassado. Caminhou até o pequeno, estendendo a mão.

— Vem comigo.

Bum observou curioso o alpha e então segurou sua mão.

Saíram da casa e após caminharem um pouco, Sangwoo apontou para uma trilha, que seguiram com o alpha como guia. Ela era distante da cidade e somente um pouco próxima à praia. Havia grandes árvores costeiras em meio a rochedos, difícil de andar, mas, o loiro cuidava cada passo, antes de permitir que o moreno o seguisse...

Conforme caminhavam, o menor sentia-se mais e mais intrigado, já que o alpha não lhe contava para onde iam...

Em algum ponto, saíram da trilha e se tornou ainda mais difícil andar, mas, com paciência e cuidado, continuaram, até o alpha parar.

— Aqui... – ele saiu da frente do moreno, permitindo que o mesmo contemplasse a vista.

Bum ficou fascinado... Como estavam no alto dos rochedos, podia ver uma parte significativa da praia, e o mar batendo em algumas pedras muito abaixo deles, contudo, a visão mais bonita que possuía, era do horizonte...

O sol nascia trazendo tons de amarelo e laranja, mas, o céu ainda tinha resquícios da bela noite que viveram, em um azul profundo, entre os dois pontos, as cores se misturavam em um arroxeado avermelhado... Bum prendia a respiração... Era tão... Lindo... Profundo... Poderia observar aquele espetáculo por toda a sua vida, se lhe fosse permitido.

— Gostou? – perguntou Sangwoo, notando o olhar embasbacado do ômega.

— Sim... – o rapaz desviou momentaneamente o olhar da paisagem, voltando a respirar normalmente e fitando o alpha com um sorriso.

— Na primeira vez que Jihoon me convidou para vir aqui, eu meio que queria conhecer o lugar, comecei a fazer trilhas e um dia, me perdi. – ele riu: — O importante é... – foi para trás do ômega, abraçando-o: — Encontrei esse lugar... – murmurou próximo ao ouvido do moreno.

— É lindo... – respondeu o rapaz, levemente corado.

Sangwoo sorriu, na verdade, a primeira vez que esteve ali, ficara completamente apavorado, porque quase caiu do rochedo, mas, depois de se recuperar do susto, observou a paisagem e a achou, realmente, fantástica. Parando para pensar...

— Você é a primeira pessoa que trago aqui. – disse, abraçando mais forte o menor.

Bum corou violentamente, olhando por cima do ombro para Sangwoo.

Sorriu.

— Obrigado... Por me trazer... – encostou seus lábios nos do rapaz, um beijo gentil e doce, antes de ambos voltarem a olhar o horizonte, e observarem o sol nascer.

Notas finais
*Nakji Bokkeum é polvo com macarrão udon e cebolas fritas em uma pimenta picante molho. **Yukgaejang é uma sopa de carne desfiada picante que vem com cebolinha e macarrão. A música que toca é do SHINee, se chama Love's Way. Foi minha homenagem ao Jonghyun. SHINee foi muito especial para mim, e, apesar de atualmente não estar ouvindo-os tanto quanto no passado, fiquei realmente triste com a morte do Jonghyun... Minha homenagem é uma expressão do meu desejo de que a alma dele descanse em paz, e meu agradecimento por toda a obra que ele ajudou a criar, junto com os outros integrantes do SHINee.