Yangmi observava a namorada, que não tirava os olhos do celular, parecendo preocupada. Suspirou, resignada.

— Ele não apareceu hoje? – perguntou, tentando soar desinteressada.

— E não responde minhas mensagens... – disse automaticamente a baixinha, só então notando que Yangmi não comentara sobre quem falava. Olhou para a morena: — Muito distraída?

— Daqui a pouco posso sair e você nem vai notar...

— Desculpe... Eu tô-

— Preocupada. – a morena de pontas azuis completou a frase da namorada: — Já sei... – se atirou um pouco para trás na cadeira, fitando melhor a pequena garota a sua frente: — Tem sorte de eu ser compreensiva...

—... – Myung-Hee suspirou: — Eu sei. É ridículo, ele já é maior de idade, sabe tomar as próprias decisões... Mas... – a pequena mordeu o lábio: — Você não viu as coisas que já vi...

— Tão ruim assim? – questionou.

—... Depende do quanto são ligados ao alpha... – Myung-Hee suspirou.

A baixinha tinha uma noção completa do quão ligado Bum era a Sangwoo. O ômega, estava a muito tempo apaixonado, e aquela união, definitivamente, lhe lembrava as histórias sobre pares destinados que tanto ouvira falar. Se a ligação era tão profunda, mesmo com as barreiras criadas pelo alpha...

“Ele vai sofrer o inferno na Terra...” – a pequena respirou fundo.

“Não... Não posso me deixar levar... Não é certo... Eu já exagerei ontem, fazendo aquele escândalo...” – ela corou um pouco com o pensamento.

“Bum decidiu isso...” – os gritos agonizantes dos ômegas que vira na clínica em que trabalhara. Os urros desesperados e angustiantes, reflexos dos anseios por seus alphas que nunca apareceriam. Os desmaios chorosos devido aos sedativos que tomavam para não se ferirem. Todas as lembranças ressurgiram e atormentaram as profundezas de sua mente.

“Bum...” — a baixinha mirou desolada a tela do celular, que mostrava suas mensagens ainda não lidas.

De repente a mesa se moveu com brutalidade e a pequena olhou para frente.

Yangmi arfava.

— Amor? – Myung-Hee levantou, indo para o lado da namorada.

Yangmi estava com os olhos desfocados, conseguia sentir a – normalmente quieta – mente de Sangwoo se agitar. A preocupação do alpha líder era sentida por toda a manada.

“O que tá acontecendo?” – seu celular vibrou, fitou seriamente o aparelho, entrando no chat da manada.

Jihoon ~Bebê dengoso e charmoso~

O que foi isso, o Sangwoo tá bem?

A gente deve ir até a casa dele?

Dongyu ~Bolinho~

Será que tem a ver com o Bum?

O cio dele começava hoje, não?

Eu conversei com a minha mãe, ela disse que a amiga do Bum tem razão, isso é mais complicado do que aparenta.

Yura ~Gostosona~ ~Quero TaeYu logo~

Não adiantaria ir a casa dele, pelo que sei, ele ia ir para um hotel.

Jieun = Inseta 01 =

Melhor não nos envolvermos. Esse assunto é deles.

Yangmi não conseguiu deixar de reparar que, o fato de ter colocado apelido para seus amigos – algo que plagiou, descaradamente, de Myung-Hee – fez aquele conversa ficar, inegavelmente, pouco séria a seus olhos – e ela estava quase rindo, o que não deveria acontecer naquela situação. E que, a Inseta, estava falando algo certo, para variar...

A inseta tem razão, melhor não nos metermos.

Jieun = Inseta 01 =

A o quê???? Yangmi! Grosseira.

Young = Inseta 02 =

É sempre a mesma coisa, não consegue falar nada sem ofender.

Yangmi bufou, aquela pirralha tentando lhe dar lição de moral? Era o que lhe faltava.

Oh insetazinha dois, menos.

Bem menos.

Mas, sabem, vocês tem razão.

Para não ofender mais os insetos, chamarei vocês de i1 e i2 u.u.

Chung-Ho ~Brother~

Então nós não vamos verificar?

Eu tô perto da casa dele...

Mas, não acho uma boa ideia eu ir olhar o estado do Bum...

Seung ~Megane Boy = Sexy Boy~

O cio dele não vai te afetar, ele já é marcado...

Chung-Ho ~Brother~

Sei lá -___-‘, não quero arriscar e ser assassinado pelo Sangwoo...

Yangmi suspirou lendo as mensagens, a dor de cabeça e a angustia permaneciam, Sangwoo não estava bem. Ela sabia disso. Mas, o líder havia sido muito claro em suas trocas de mensagens no dia anterior...

Ele não quer que nos metamos.

Então, nada de ir a casa dele.

É uma ordem.

Notando o silêncio ao seu redor, a morena com pontas azuis olhou para frente, era estranho a baixinha não ter falado nada durante aquele tempo...

Deu de cara com a cadeira vazia. Olhou para os lados, nada.

—... – o coração de Yangmi disparou. Myung-Hee provavelmente notou seu estado e concluiu tudo sozinha.

“Ahhh, merda!” – pegando rapidamente a própria bolsa, a garota saiu correndo atrás da namorada.

— Maldito instinto materno protetor ômega. – esbravejou a garota, torcendo para a pequena não encontrar Sangwoo antes dela encontra-la.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

Algum tempo antes...

Bum se contorcia na cama, as lágrimas desciam por seu rosto, não apaziguando sua dor. Sentia-se sozinho. Não queria se sentir assim. Odiava aquilo... Sabia que não era como se tivesse sido abandonado...

Mas, seu subconsciente não lhe perdoava. Como um sussurro, atormentava sua mente.

Para ele deve ser fácil... Não é como se você fosse essencial, ou algo assim...

“Não é isso.”. – o ômega colocou as mãos no rosto, cobrindo-o. Enquanto sua mente o torturava, seu corpo começava a suar devido à onda de calor que subia.

Ele deve ter inventado tudo aquilo apenas porque não quer passar esse cio com você...

“Não. Não é isso.”. – tentava se manter são, enquanto sentia a pulsação típica do excitamento atingi-lo.

Não é como se em algum momento, ele realmente tivesse te querido por perto...

“Não.”. – olhou para o lado, vendo todos os objetos que o cercavam. Sabia que o loiro estaria ali, se pudesse... Mas... Seu ninho não o estava deixando protegido...

Claro... O cheiro que deveria protegê-lo era o de Sangwoo... Contudo, o alpha não estava ali... Uma nova agonia tomou conta de seu peito.

— Sangwoo... – sussurrou como uma suplica.

Um arrepio o fez gemer baixo. A lubrificação que começara a escorrer por entre suas nádegas atingira o lençol, molhando-o. Estava a cada segundo mais excitado e não conseguia pensar em nada para desfocar daquele momento. Sua respiração começou a alterar-se.

“Ficarei sozinho...” – pensou, triste.

Sim, sozinho... De novo... – seu subconsciente refletiu, quase como uma resposta.

Respirou fundo, tentando acalmar-se. Não conseguiu evitar que as lembranças de seus cios anteriores, onde se masturbara apenas com o suave cheiro daquele alpha, invadissem sua mente... Mas, aquelas lembranças, onde tinha de se satisfazer sozinho, começaram a dar lugar a outras...

Sangwoo o pressionando contra a parede... — inevitavelmente, desceu as próprias mãos pelo corpo, deslizando os dedos pelos mamilos rijos e indo em direção ao baixo ventre.

Sangwoo beijando seu pescoço... – sua respiração ficou pesada, descompassada, enquanto seus delicados dedos pressionavam a ponta de seu pênis ereto, fazendo-o arquear as costas e gemer alto.

Sangwoo tocando-o, beijando-o, penetrando-o... – seu gemido soou mais alto enquanto se masturbava.

O toque de Sangwoo sempre fora tão bom...

Mas ele não quer estar aqui agora, ele não se importa, ele não quer uma família com você...

“Não é isso... Não é por causa de mim... Não tem a ver comigo...”.

Não tem? Mas é pra você que ele disse não querer ter filhos...

“Mas não é por minha causa... Ele gosta de mim...”.

Gosta?

“Sim...”.

Mas ele não está aqui... – sua mente voltou a lembrá-lo, atormentando-o.

“Ele não virá...”. – Bum tentou lembrar-se da razão real do alpha não estar ali, mas, sua mente enevoou-se.

— Sangwoo... – sussurrou, sentindo seu lado racional, aquele que entendia todas as motivações do alpha que amava, se afastar para algum ponto mais sombrio de sua mente.

“Por que ele não virá?” – seu olhar desfocou-se, suas íris se tornaram fendas enquanto o brilho natural de seus olhos se intensificava. Suas unhas, normalmente curtas, cresceram um pouco, afiando-se como garras.

Seus instintos começaram a assumir o controle. Não queria se tocar, não queria passar por aquilo sozinho...

Contudo, essa atitude, apenas piorava sua dor física. Os anseios por algo – qualquer coisa – dentro de si aumentavam, as pulsações em seu corpo o deixavam tonto, a onda de calor embriagava sua mente.

As lágrimas não eram mais contidas, e seus pensamentos estavam nublados por suas vontades que transformavam aquele momento em um terrível pesadelo.

Sua dor física a cada instante mais intensa não era o suficiente para fazer sua mente parar de lhe atormentar com a constante lembrança de quão inútil era sua vontade... Que aquele sofrimento que seu corpo passava, era para absolutamente nada. Que aquilo apenas seriam dias de pesadelo. Como sempre foram...

As lembranças das únicas vezes que não passara por aquilo sozinho, vieram de uma vez...

Mordeu o próprio lábio de ódio.

Há muito tempo aquelas lembranças não vinham a sua mente...

O cheiro de álcool, cigarros e esgoto, que emanavam de seu tio...

Nojento...

Asqueroso...

Tudo que você queria, era um pau na sua bunda, não? Você teve sorte dele acalmar sua luxúria. – a voz de sua tia ecoou como uma maldição.

“Não...”.

“Não...”.

O toque suado, fedorento, e que parecia que nunca sairia de sua pele, veio a sua mente...

“Sorte...?”.

Náuseas, dor – sua mão deslocou-se para o próprio pescoço, sentindo a cicatriz...

Ele lhe mordera? – o pavor tomou seu corpo inteiro.

“Não...”.

“Não...”.

Não fora ele... – a lembrança de Sangwoo retornou a sua mente.

Mas, se fora mordido por... Por... – o rosto de Sangwoo lhe vinha à mente, mas, seu nome parecia perdido em algum lugar – Alpha...

Por que seu alpha não estava ali?

Por que ele não estava ali? – suas unhas cravaram próxima a cicatriz, fazendo pequenos filetes de sangue escorrer por seu pescoço e um grito sair de sua garganta.

Deveria ir atrás dele? – com seu corpo quente, suado, cansado, dolorido, ferido... Bum sentou no centro do ninho.

Sim, era isso... Deveria ir atrás dele... — usou toda a sua força para tentar levantar-se. Iria atrás de seu alpha... Mas, suas pernas estavam fracas, caiu desengonçadamente, sentado em cima do colchão...

Seu corpo e mente, estavam em agonia, um desespero profundo, sombrio e terrível começou lentamente a tomar conta de sua alma...

Foi quando o ômega ouviu a porta do quarto se abrir, o pequeno ergueu o rosto, confuso...

Sangwoo o fitava, vestia uma máscara cirúrgica e estava com o punho fortemente cerrado. O alpha usava todo o seu controle para manter-se consciente e não deixar seu instinto dominá-lo. Por causa disso, todas as barreiras que criara para evitar o aprofundamento do vínculo, caíram.

Quando os olhos dele e de Bum se encontraram, sem palavras, se entenderam.

O ômega imediatamente lembrou-se das razões do namorado, e com as barreiras do vínculo caídas, conseguia sentir mais profundamente os medos e anseios dele. Era real. Muito real. Sentiu-se envergonhado por toda a loucura que sua mente o havia levado... Mas... No fundo não sabia o que fazer... Baixou o olhar...

O alpha compreendeu que – por mais que Bum fosse controlado – não havia como ele se manter bem, sem ele, naquela situação. Tocou levemente no rosto do pequeno, fazendo-o voltar a fita-lo...

Seus sentimentos passavam pelo vínculo compartilhado...

Sangwoo sentia culpa, tristeza, se Bum transformasse em uma frase, seria...

Sinto muito por não estar aqui...

Bum passava arrependimento por tê-lo feito entrar, vergonha...

Me desculpe... Você deve ir... Eu consigo...

Sangwoo suspirou, uma certeza não dita em palavras.

Não consegue...

O alpha tinha razão, Bum não conseguiria. O moreno voltou a chorar. Não queria que o loiro soubesse o quanto estava frágil naquela situação, mas, o vínculo o tornara um livro aberto.

Entendi porque criou as barreiras...

Um sorriso se formou por debaixo da máscara cirúrgica.

Só agora entendeu?

Sangwoo caiu sentado diante do ômega, por mais que aquele momento dos dois desse a impressão de ter durado um longo tempo, principalmente por causa da conexão de suas mentes, que pareciam conversar entre si. Na realidade, apenas alguns minutos passaram desde que o alpha entrara naquele quarto. E seu corpo já começara a reagir com intensidade aos feromônios do moreno.

Desejo, ansiedade, luxúria... Tudo aquilo era passado pelo vínculo de um para o outro.

Não vou conseguir me controlar...

Sangwoo não tinha certeza de quanto tempo teria plena noção de seus atos.

Medo.

Bum conseguia sentir a intensidade dos receios de Sangwoo, mas, não era como se não se importasse, apenas, não sentia aquele mesmo medo. Principalmente agora... Com o vínculo tão exposto, via Sangwoo como ele era... Conseguia ver seu instinto, seu alpha, sentia o desejo insano que aquela parte do loiro gritava... Sabia que ele não o feriria, tinha certeza que ele seria selvagem, contudo, desejava aquilo tanto quanto ele... Como explicaria isso...?

— Não quero que se controle... Quero que você se deixe levar... – sussurrou Bum.

Sangwoo entendeu a mensagem, entretanto, não conseguia se mover, nem para tocar o pequeno, nem para sair dali... Uma parte muito forte sua queria ficar, mas, outra o lembrava constantemente do que acontecia toda a vez que não se controlava... E isso sempre envolvia sangue...

“E se eu te ferir ou... Pior... Matar...” — pensou o loiro, sabendo que Bum sentia suas dúvidas.

Não conseguia evitar que o ômega soubesse seus mais profundos medos. Isso o deixava sem graça. Sempre fora tão orgulhoso de nunca deixar suas emoções a mostra... Ser lido daquela forma...

Você não irá... E você está aqui... Não vou deixar ir embora...

O alpha não tinha certeza se ouvira a voz de Bum dizendo aquelas palavras, contudo, tinha certeza que era isso que o pequeno sentia e lhe passava. Sangwoo respirou com dificuldade, observava os olhos de Bum. Aquilo era estranho... Sentia o ômega ali, diante de si... O vínculo lhe mostrava que ele estava ali... Suas mentes compartilhavam aquele momento... Mas...

— Você está diferente... – sussurrou roucamente.

Bum lhe lembrava um pequeno animal... Além de exalar uma atmosfera que não estava acostumado a ver... Algo luxurioso...

O rosto do pequeno corou: — Meu instinto... – respondeu com a voz que se assemelhava a um ronronar gentil.

— Mas você está consciente... – disse o alpha, surpreso. Era possível ficar consciente com seus instintos tão a flor da pele?

“Ou apenas eu não consigo...?”.

— Desde que você chegou... Mas... Não é assim... – ronronou o menor, se aproximando.

Bum queria que Sangwoo entendesse que era possível para ele também... Era possível que ambos pudessem se deixar levar... Contudo, não sabia se conseguiria explicar com palavras e o calor de seu corpo clamava por atenção, enquanto sua mente, finalmente, estava em ordem.

Respirou fundo, olhando nos olhos de seu alpha: — Confia em mim... – sua voz era baixa enquanto o pequeno erguia lentamente o braço, tocando com a ponta dos dedos o rosto do loiro: — Você consegue... E eu aguento...

Sangwoo conseguiu sentir a confiança misturada com todo o desejo que o rapaz lhe passava, algo profundo, intenso, nenhum outro alpha supriria aquilo, apenas ele...

— Bum... – sussurrou sentindo suas forças esvaírem-se. Ficaria ali... Não tinha como escapar. : — Se eu te machucar...

O ômega sentiu seu corpo inteiro estremecer. Precisava dele... Não apenas para satisfazer seu âmago, que estava no limite, mas, para ficar ao seu lado. E conseguiria... Mostraria a ele: — Você não vai... – respondeu em um sussurro, engatinhando e diminuindo ainda mais a distância entre seus corpos: — Eu quero isso... — ronronou: — Quero você... – o moreno lambeu a orelha do loiro enquanto sentava em seu colo, sentindo a pressão do pênis ereto e coberto: — Por completo... Tudo que há em você...

Sangwoo suspirou, o cheiro e proximidade de Bum derrubando o que restava de suas barreiras. O desejava tanto... – um leve grunhido saiu de sua garganta. Queria possuí-lo... E senti-lo esfregando-se lentamente sobre sua calça, o enlouquecia aos poucos... Mas... Mas...

Bum fitou os orbes negros do alpha, baixando e tirando sua máscara cirúrgica começando então a lamber seus lábios, enquanto deslizava a mão por seu peito, descendo suavemente para sua calça e abrindo seu zíper.

Não era como se a máscara evitasse que Sangwoo sentisse completamente o cheiro de Bum, contudo, ela o suprimia o máximo que podia – fora criada para isso – portanto, quando o pequeno a retirou, o alpha foi inundado por seu cheiro. Ah... E como aquele cheiro conseguia ficar ainda melhor do que estava acostumado a sentir? Nunca entenderia. Suas forças se esvaíram e seu alpha interior sentiu-se plenamente satisfeito. Estava onde queria estar. Sem pensar em todas as dúvidas que ainda lhe restavam, abriu os lábios permitindo a entrada da língua úmida e libidinosa do pequeno ômega enquanto sentia seu pênis ser gentilmente tocado e exposto.

Não havia mais lugar para ‘mas’.

Bum deslizava os dedos sobre o pênis ereto, sentia-o quente e o líquido seminal só o excitava mais... Intensificou os movimentos de seus lábios e língua, quase como se quisesse sentir a textura da boca de seu alpha.

Ao ser excitado daquela maneira, Sangwoo começou a liberar feromônios, que se misturavam aos de Bum e amenizavam a dor do mesmo.

Com isso, o ômega apenas conseguia sentir a irresistível vontade de pertencer ao seu alpha. Começou a se posicionar sobre Sangwoo, sentindo a ponta dura e quente do membro do loiro roçar sua entrada. Uma deliciosa ansiedade tomou conta de si, afastou-se da boca deixando-os ligados por apenas um pequeno fio de saliva que foi cortado ao morder o próprio lábio inferior. Sorriu para o loiro, surpreendendo-o.

Sangwoo nunca tivera visão mais intensa de Bum. Deslizou as mãos pelas costas do pequeno, sem deixar suas garras – que já haviam saído – machuca-lo. Ao mesmo tempo seu corpo estava trêmulo em expectativa, seu pênis pulsava e sua luxúria aumentava ao sentir a umidade acentuada na entrada do menor.

— Bum... – murmurou rouco de desejo, enquanto o sorriso do pequeno ampliou.

O ômega colocou ambas as mãos nos ombros do loiro, e em apenas um impulso, o fez penetrá-lo por completo. O corpo do moreno automaticamente arqueou para trás enquanto um gemido alto e penetrante saía de seus lábios acompanhando o rugido grave que Sangwoo soltou enquanto encostava sua cabeça sob o peito do menor.

O loiro conseguia sentir o quão quente estava o corpo de Bum, e o quão deliciosamente estreito ele continuava sendo... As paredes internas do pequeno pulsavam e pressionavam seu pênis de forma que, por um instante, pensou que gozaria imediatamente, só por estar dentro dele. Ofegou prazerosamente.

Bum subiu suas mãos para o rosto do loiro, fazendo-o fita-lo, e enquanto se olhavam, começou a subir e descer em um ritmo constante, fluído. Sentia-o completamente dentro de si, sua pele quente tocando em todos seus pontos de prazer. Estava tão pleno e sabia... Sentia... A plenitude de Sangwoo.

Suas respirações sincronizaram e naquele momento, não havia mais nada no mundo além deles.

O ômega, não satisfeito – seu corpo exigia mais a cada segundo – subiu quase retirando o membro totalmente de dentro de si, e desceu, novamente em um único movimento, os gemidos misturados com os sons obscenos daquela cena, preencheram o quarto. Começou então a movimentar-se daquela forma constantemente, levantando ao ponto de quase tirá-lo de dentro, e descendo de uma única vez.

Sangwoo colocou os dedos entre os fios negros do moreno e o puxou para mais perto, beijando-o com voracidade. Desejo. Luxúria. Lascívia. O vínculo o fazia sentir todas as vontades de seu pequeno ômega e todas as formas brutais que ele queria ser possuído por ele. Era uma satisfação que não conseguiria colocar em palavras... Bum o queria. Não apenas o seu lado gentil – como todos. Ele também desejava seu lado selvagem, seu lado brutal, aquele que nem ele mesmo desejava ter... Sim... Aquele ômega o queria por completo... E nunca pensou que ser desejado em todo o seu ser, seria tão indescritível.

Bum continuou a subir e descer enquanto tinha a língua deliciosamente pressionada pela língua ansiosa de seu alpha. Sua felicidade era tanta por tê-lo ali... Sentia-se completo, desejado... – deixou os lábios do loiro e foi para seu pescoço, chupando-o. Pela primeira vez... Sentia seu cio ser prazeroso.

“... Quero mais...” – pensou, aumentando a velocidade e pegando Sangwoo desprevenido.

O alpha voltou a grunhir baixo, fitando o moreno de canto. Para sua surpresa, Bum correspondia seu olhar desafiadoramente - sorriu. Olhou para sua marca, aquela que mostrava ao mundo que ele era seu. Seu ômega. Seu par. Lambeu o arranhão que sangrava próximo a ela, e chupou com força a cicatriz de seus dentes. Também o queria por completo, seu moreno gentil e doce, e surpreendentemente, seu ômega selvagem e devasso. Seus instintos já o dominavam, mas, por alguma razão, ainda estava consciente de que estava ali – talvez fosse sua mente que não queria esquecer nenhum segundo daquele momento. Contudo, seu animal interior, seu alpha, seu instinto, loucamente queria tirar aquele sorriso desafiador e prepotente do rosto de seu ômega. Segurou a cintura delgada do menor, marcando a pele branca com seus dedos e começou a acompanhar seus movimentos colocando mais força nos mesmos.

Bum ofegava, a onda de calor e as pulsações dominavam seu corpo. Estava sendo devorado e amava isso. Seu pênis era estimulado entre os corpos e leves tremores começavam a surgir. Prendeu as pernas ao redor do corpo maior enquanto gemia e soltava sons prazerosos que lembravam o ronronar intenso e selvagem de um felino.

Sangwoo sentia os tremores de Bum misturarem-se com os seus próprios.

“... Nunca me senti dessa forma...” — pensou o alpha, e em um movimento intenso, fez o menor descer com força sob seu pênis. O preencheu tão profundamente naquele instante, que não suportou mais, gozando fundo na entrada de seu ômega, enquanto suas mãos desciam e pressionavam sua bunda a não sair daquela posição.

Quando Bum sentiu Sangwoo gozar dentro si, chegou, sujando a camisa do alpha. Respirando fundo, saboreava o impacto de estar completamente preenchido. Suspirou, a sensação febril de seu corpo amenizou temporariamente... Contudo... – afastou o rosto do pescoço do alpha, fitando-o e vendo que ele fazia o mesmo.

Em um movimento rápido, o loiro o deitou no colchão, e retirou a própria camisa, atirando-a em um canto esquecido do quarto, isso sem sair de dentro do menor que continuava fitando-o.

Observaram-se por alguns instantes, Sangwoo e Bum sabiam, logo viria outra onda de calor, e então outra, sempre mais e mais quente e impossível de se controlar. Assim era um cio. Mas, eles passariam por isso juntos.

O alpha se inclinou sobre o corpo menor e – aproveitando aquele curto intervalo – o beijou. Um beijo lento, terno, gentil. Sentiu os braços de Bum circularem-no e continuou, lentamente, a provar o sabor da boca de seu ômega. Aos poucos, o beijo começou a intensificar-se, Bum aquecia-se a ponto de Sangwoo pensar seriamente que as mãos no ômega começavam a queimar sua pele. As unhas do moreno deslizaram por suas costas, puxando-o para mais perto, juntando mais seus corpos e apesar dos arranhões serem dolorosos, aquilo parecia apenas estimula-lo, seu membro enrijeceu, fazendo o pequeno estremecer de prazer.

Sangwoo começou a mover-se, sem separar seus lábios, o beijo acompanhava seus movimentos erráticos e fortes, fazendo com que Bum gemesse em seus lábios e sucumbisse ao seu domínio. Afastou-se, soltando os lábios, mas, continuando a movimentação, observando o efeito que causava...

O pequeno tinha a pele brilhante de suor, os olhos fechados, em um gesto claro de prazer, seu rosto estava veementemente corado, sua boca semiaberta soltava gemidos entrecortados, seus braços para cima, apertando furiosamente os lençóis, seus mamilos rijos, seu membro ereto e soltando líquido seminal, enquanto seu corpo continuava a acompanhar seus movimentos brutais. Sangwoo sorriu satisfeito. Aquela visão era sublime. Como, em qualquer momento, pudera pensar em não tê-lo apenas para si? Em não vê-lo tão perdido em seus braços?

O alpha se inclinou sobre o corpo nu, chupando o mamilo, ouvindo um gemido alto como resposta, sabia o quão sensível Bum era ali e com beijos, chupões e lambidas, subiu os lábios pelo corpo abaixo do seu, ao se aproximar do pescoço, respirou fundo, sentindo o perfume entorpecedor e, no momento, totalmente afrodisíaco de seu ômega. Amava aquele cheiro. Amava aquele ômega.

— Você é meu. – sussurrou rouco na orelha de seu moreno.

Bum estremeceu com a declaração, Sangwoo já falara aquilo antes, diversas vezes, mas, soava diferente. Era a declaração de um fato irrefutável. O ômega corou ainda mais, sentindo seu coração acelerar enquanto abraçava febrilmente seu alpha.

— Sim... Eu sou... – disse como resposta, entre gemidos, em seu ouvido.

Sem pensar duas vezes, Sangwoo mordeu o pescoço pálido, no exato ponto que já mordera um dia. Aquele fora um gesto impulsivo, esse não. Se a marca não fosse eterna, o marcaria de novo, e de novo, e de novo, quantas vezes fossem necessárias para tê-lo para sempre ao seu lado.

Sentir as presas de Sangwoo em seu pescoço fora o ápice de prazer que Bum conseguiria conceber, gozou imediatamente, mas o alpha não parou de se mover. Apesar do corpo trêmulo, ainda tinha sua próstata estimulada sem piedade, acabou excitando-se novamente, sem um intervalo real.

— S-Sangwoo... – gemeu abafadamente o ômega, perdido no próprio prazer.

Ainda o sentia mordendo-o, e sempre quisera aquele momento, ter o alpha dentro de si, sobre si, ao redor de si, nunca fora o suficiente. Queria ser totalmente dele... E queria que ele fosse totalmente seu. E naquele momento... Sentia isso... Sem refletir no que fazia, mordeu o pescoço de seu alpha. Eles se pertenciam. E era isso que importava.

Gozaram novamente, e pela primeira vez, juntos.

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~~*~*~*~

Myung-Hee observava o vaso cheio de tocos de cigarro, definitivamente impressionada.

— Você realmente está aqui!

A baixinha ouviu a voz familiar e se virou: — Yangmi?

A morena de pontas azuis corria em sua direção, vestia um casaco longo preto e segurava com força sua sacola com mangás. Mangás estes que compraram juntas naquela tarde. Myung-Hee corou levemente ao lembrar-se de um deles, chamado ‘Doronuma’ onde na capa o rapaz estava com o rosto todo sujo de... “Ahhhh... Não quero lembrar...” – pensou a pequena corando mais...

— Não acredito que veio... – a morena observou a casa do líder alpha e depois olhou para o vaso: — Onde ele está?

— Entrou... Depois do grito do Bum... – murmurou a pequena.

— O Bum gritou? – perguntou assustada a morena.

— Sim... Bem quando eu cheguei aqui na frente... Mas, o Sangwoo foi rápido, ele colocou uma máscara que tirou daquela mochila ali – a garota apontou para o lado, onde uma mochila velha jazia: — E entrou... – ela suspirou.

— Hm... – Yangmi se aproximou da mochila, reconhecendo os braceletes: -... Entendi. – ela fechou o zíper da mochila e a deixou em um canto: — E você ficou aqui na frente depois disso?

— Só queria ter certeza que ele não ia sair com o Bum... – a pequena deu de ombros: — E depois fiquei impressionada com a quantidade de cigarro.

— Ele é uma chaminé quando tá nervoso. Um dos muitos hábitos ruins dele... Vem... – a morena pegou a namorada pela mão: — Vamos embora.

— Ok. – a pequena deu uma última olhada para trás, feliz pelo alpha ter entrado.

Ao passarem pelo portão – e Yangmi trancá-lo – deram de cara com Taehyun e Yura.

— Eh? O que estão fazendo aqui? – perguntou surpresa a morena.

A loira pigarreou e o ruivo sorriu sem graça.

— Hã... Bom... A gente só queria ter certeza... – disse o rapaz colocando uma das mãos na nuca e rindo.

— Sério? – Yangmi cruzou os braços.

— Sério... – disse a loira constrangida: — Nós ficamos preocupados... Com o Bum e o Sangwoo... A gente sabe que não é da nossa conta... – a garota colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— E não tem nenhuma aposta envolvida? – perguntou levemente cética, Yangmi.

Os dois alphas se fitaram surpresos.

— A gente podia ter apostado... – disse o ruivo, meio em choque por não ter pensado nisso.

— Verdade... Algo como... – a loira refletia.

— Se eles iam ou não passar o cio juntos. — disseram os dois juntos.

Myung-Hee riu baixinho da cena, enquanto Yangmi suspirava incrédula. A morena pegou a mão da namorada, fazendo-a seguir em frente com ela enquanto os dois continuavam conversando.

— Não acredito que não pensamos nisso! – exclamou Taehyun.

— Eu poderia ter tirado mais dinheiro de você... – murmurou a loira, chateada.

— Você quer me levar à falência, é? Vou parar de apostar dinheiro... Vou começar a apostar outra coisa... – o ruivo disse meio enfadado.

— Aff, como se você tivesse outra coisa que eu quisesse... – a loira deu de ombros.

— Talvez eu tenha. – Taehyun fitou Yura maliciosamente, fazendo-a corar.

A loira imediatamente olhou para as duas garotas que já andavam um pouco mais a frente e não haviam presenciado aquele final de conversa, e deu um soco – característico – no estômago do ruivo: — Seu babaca. – disse sem piedade, saindo e andando depressa até as garotas enquanto ignorava o rubor intenso que atingira suas bochechas.

Na esquina encontraram Dongyu, Chung-Ho e Jihoon conversando.

Yangmi parou de andar, em estado de choque: — Eu falo ‘não vão até lá, é uma ordem’, e vocês ignoram solenemente.

Os três ficaram visivelmente constrangidos.

— Você deu a ordem, mas não obedeceu também! – disse Chung-Ho, se defendendo.

— Sério isso... – Yangmi suspirou.

— Eles estão bem? – perguntou preocupado Dongyu a Myung-Hee.

— Sim! – respondeu com um sorriso a garota, visivelmente mais tranquila e animada do que da última vez que se viram.

— Que bom! – respondeu o gordinho, também feliz.

De repente, dobrando a esquina, surgiu Seung e Min-Cheng.

— Até você Seung! Não acredito nisso! – exclamou Yangmi.

— Quê? – perguntou o rapaz confuso.

— Até você veio ver se o Sangwoo passou ou não o cio com o Bum! – Yangmi estava muito surpresa: — Não acredito nisso...

Min-Cheng corou com a informação inusitada de que havia alguém no cio por ali.

—... Eu não vim ver isso... – respondeu o rapaz, ajeitando os óculos.

— Ah, tá! Quer dizer que, coincidentemente, você veio para a rua onde mora o Sangwoo, depois da dor de cabeça e da conversa no chat, por nada? – perguntou ironicamente Yangmi.

— Eu senti a dor de cabeça, mas, olhei o chat e você disse que não era para nos envolvermos. Decidi ignorar isso, chamar minha namorada para jantar, e então ir a uma churrascaria próxima daqui... Nem sabia que o Sangwoo morava por aqui... – o rapaz falava sério.

Yangmi olhou para Min-Cheng como se só então percebesse que a garota baixa, loira e com um olhar doce, estava ali: -... Sou Yangmi, prazer. – ela cumprimentou: — Essa é Myung-Hee, minha namorada, aquele ali é o Dongyu, e aqueles o Chung-Ho e o Jihoon, aquela é a Yura, e vindo mais atrás tá o Taehyun... – ela sorriu amigavelmente: — Somos parte da manada do Seung.

Seung suspirou profundamente enquanto a namorada devolvia o cumprimento e ria baixinho.

— Comer churrasco parece uma boa ideia... – murmurou Dongyu: — Fome. Comi pouco por causa da preocupação.

— Eu também! – disse Myung-Hee: — Também estou com fome agora...

— Essa churrascaria, você sabe de onde é a procedência da carne deles, né? – perguntou preocupado Jihoon.

Seung suspirou novamente, olhando para a namorada: — Eles vão com a gente, pelo visto...

Min-Cheng riu: — Tudo bem.

Nisso a Yura parou de andar, fazendo todos fita-la: — Se ele decidiu passar o cio com o Bum, então... Mudou de ideia sobre ter um bebê?

Chung-Ho abriu levemente a boca: — Espera... Um bebê...?

Dongyu piscou surpreso: — Será? Ia ser interessante... Um bebê na manada...

Yura sorriu: — Ia ser fofo, sim.

Jihoon refletiu um pouco chocado: — Espera, se ele tiver um bebê, nós teremos de ser babás... Ou algo assim? – ele não parecia feliz com a ideia.

— Acho que o mais provável é que nós o tratemos de forma bastante protetora. – Seung deu de ombros: — É o bebê do líder. Mas, o Sangwoo seria tão irresponsável? Quer dizer, o Bum acabou de se formar e ele ainda tem mais um ano de estudo...

— Depende se o Bum se protegeu ou não. – respondeu Yangmi, visivelmente preocupada, mas, parecia ser por uma razão diferente da de Jihoon.

— Você tá bem? – Myung-Hee falou baixo com a namorada.

— Estou... É só... Me questiono se eles ao menos lembraram dessa possibilidade... – Yangmi deu uma última olhada para a casa do alpha, refletindo se Sangwoo entrara ali, realmente depois de pensar e aceitar todas as possíveis consequências desse ato, ou se fora por puro instinto de proteção.