Destinados...?
40 Extra: Tensão
Young caminhava rapidamente depois de sair do hospital, estava estressada. Não queria ter encontrado a polícia. Era um saco. Nisso, encostaram de leve em seu ombro e a garota virou-se para ver o que queriam.
— Preciso do seu depoimento...! – o detetive pediu meio sem fôlego. O rapaz não era muito alto, possuía o cabelo negro repicado nas pontas e estava com a feição séria.
— Meu depoimento? Sobre? – Young se afastou rapidamente, não gostava de ser tocada por estranhos, principalmente, policiais.
— Dia quinze de janeiro, atropelamento do Yoon Bum... – ele tirou um bloco de anotações do bolso.
— Eu estava no salão, com o resto da manada quando...
— Antes disso... – a fitou seriamente – O que você fez durante o dia?
— Aff... Sério? A rotina inteira? – cruzou os braços, um tanto indignada.
— Sim. Por favor. – Jaebum decidiu ser educado. Tinha de fazer seu trabalho...
Young encarou bem o rapaz a sua frente e depois olhou ao redor – Cafeteria. – disse, andando em direção ao local, entrando e já pedindo um cappuccino antes de sentar em uma das mesas reservadas aos fumantes.
Jaebum a acompanhou, pedindo um chocolate quente, apesar de achar a situação estranha.
Assim que sentaram Young pegou seu maço de cigarros do bolso, junto com um isqueiro e fumou, enquanto contava a Jaebum o que ele lhe perguntava, sobre a relação de Bum e Sangwoo, Jieun, e o dia do atropelamento...
— Você se lembra de ter visto algo estranho naquele dia?
Young ficou pensativa – Não... Não lembro.
— Hm... Quando você chegou, o que viu no salão?
— Pessoas. – ela deu uma nova tragada enquanto Jaebum suspirava.
— E estavam todos com trajes formais? Nada diferente...?
— Sim, eu até comentei com a Jieun que a gente estava luxuosa demais para o ambiente. Todos estavam de trajes formais, mas nada tão elaborados... As pessoas ali eram mais humildes. – ela deu de ombros – A Jieun quis ver as fotos dos formandos, que estavam expostas em quadros antes da entrada do salão, daí nós ficamos por lá, olhando... Mas não cheguei a ver a foto do Bum.
— Hã? Por que não?
— Tinha um senhor parado na frente, daí quando eu ia pedir licença, o Yoonjae me cumprimentou e conversamos um pouco.
— Espera... Yoonjae? Ele não é da manada, é?
— Não... Na realidade, ele nem estuda na universidade, disse que só tinha dado uma passada por ali...
—... – Jaebum anotou.
— Você não tá desconfiando do Yoonjae, né? Ele gosta do Bum, por que o atropelaria?
— Ele gosta do Bum? Conhece o Bum então?
— Acho que são ex-namorados...
—... – nova anotação.
— Aff... Sério que vai desconfiar dele?
— Na realidade, todos são suspeitos. – Jaebum a fitou e sorriu – Inclusive você.
— Por que, infernos, eu iria querer que o Bum fosse atropelado? – Young bebeu seu cappuccino – Ele é uma graça, gostei dele... Se fosse a Yangmi, até entenderia a suspeita.
Jaebum ergueu a sobrancelha – Yangmi não é membro da sua manada?
— Sim, mas é mais fácil eu querer atropelar ela, do que o Bum. E ele também é membro. Por que sempre esquecem isso? Ômegas marcados também são membros da manada, aliás, a vontade de machucar o ômega de qualquer líder, normalmente, é zero. Só para constar.
— Estatisticamente, em mordidas convencionais você tem razão. Contudo, em casos de mordida acidental é comum o líder querer se livrar do ômega intruso.
— Mas o Sangwoo mordeu o Bum porque quis...
—... – Jaebum piscou algumas vezes – Todos da manada pensam isso?
— Foi o que ele disse, quer dizer, a Jieun achava que não no começo, mas os dois estavam tão apaixonadinhos que a ficha caiu. – Young deu de ombros.
Jaebum lera a ficha de registro de Bum... Aquela informação era errada. A mordida fora acidental. Entretanto, Sangwoo ter mentido para a manada era inusitado.
— Jieun acreditava que Sangwoo seria capaz de mentir para vocês? Por quê?
— Bem, não que ele fosse capaz de mentir... É só que ele era conhecido por ser extremamente controlado, ela achou que ele não assumiria que perdeu o controle, por puro orgulho.
— E você não acreditou nela?
— Hm, não é exatamente isso... Só não vi razão para ele mentir. Ninguém sairia da manada por causa disso... Todo mundo gosta de tê-lo como líder, apesar de eu, por exemplo, não admitir isso pra ele. – Young bebeu mais um pouco de seu cappuccino — E você fala muito de estatísticas, é o quê? Especialista em ômegas?
— Na verdade, sim. – Jaebum sorriu, enquanto anotava sobre Jieun.
— Eh? – Young se aproximou mais do rapaz e sentiu um cheiro doce – Perae. – disse surpresa, praticamente ficando sobre a mesa para cheirá-lo.
— Mas, o quê? – Jaebum se assustou com a aproximação repentina e estranha da garota, ficando contra o encosto da cadeira.
— Você é a porra de um ômega. – falou chocada.
— Podia ter perguntado! – o rapaz disse ainda surpreso.
Young voltou ao seu lugar – Que estranho, o que aconteceu? Decidiu bancar o omeganista e lutar contra a opressão? – voltou a fumar.
— Na realidade, sou omeganista e decidi colocar opressores na cadeia, que é o lugar deles. – o rapaz sorriu.
— Polícia é um centro de alphas e betas, você não se sente "oprimido" só por estar lá? – ela fez as aspas com os dedos, para irritá-lo.
— É um centro de alphas e betas porque desestimulam os ômegas que querem ser policiais, dizendo que isso não é trabalho para eles. O problema não está na polícia em si e sim na sociedade. – ele tomou seu chocolate quente – Então não me sinto "oprimido" lá. – fez as aspas com os dedos como resposta e deu um sorrisinho que fez Young querer soca-lo.
— Acho que era isso, certo? Posso ir? – ela questionou se levantando.
— Hm... Espera, só... Uma coisa... – Jaebum fechou o bloco de anotações – Não sei se irá responder...
— Pergunta logo. – Young cruzou os braços, voltando a sentar.
— Por que você e Chris se separaram? Quer dizer, os boatos eram que você fez algo não aprovado por ele e isso o fez terminar... É verdade? Você era tão... – Jaebum não queria mais ofender Young, na verdade, a garota sempre foi uma fonte de informação jamais explorada. Ela nunca traiu Chris, mesmo depois da separação... E Lee sempre dissera no quanto seria incrível ter o conhecimento dela... – Fiel a ele.
—... – Young se sentiu um pouco desconfortável de falar sobre aquele assunto – Foi isso, mais ou menos, mas ele me traiu antes.
Jaebum tentou, com todas as suas forças não rir, contudo foi impossível, acabou soltando uma risada alta – Puta que pariu, você não sabia que ele te traía?
— Aff... – Young revirou os olhos – Você acha que sou idiota, ô imbecil?
— Talvez? – se alguém perguntasse, foi mais forte que ele.
— Não! – bateu na mesa – Eu sabia! Sabia com quais pessoas ele dormia, não era nem cega e nem burra. Não é esse tipo de traição.
— Que tipo de traição foi essa? – agora ele estava, de fato, curioso.
—... – Young hesitou – Ele me fez uma promessa...
— Que tipo de promessa? – como ela conseguia lhe deixar ainda mais interessado?
— Do tipo que ele não cumpriu e que não é da sua conta. – ela levantou e Jaebum suspirou novamente.
— Extraoficialmente? – questionou – É que pensei que Chris cumpria todas as suas promessas...
—... Ele cumpre. – fitou Jaebum de alto – Se estão em papel, assinado por ambas as partes. De palavra, depende para quem e por quê. Normalmente ele nem aceita algo assim e não sente que é obrigação total cumprir.
—... Isso... – o detetive piscou algumas vezes, pensativo, enquanto Young saía do local, pagando a conta antes – Espera! – disse correndo atrás dela, passando no caixa, mas percebendo que ela pagara seu chocolate – Você! – tocou de novo no ombro da garota, já do lado de fora – Espera um pouco!
— Aff, qual o problema? – se virou para ele.
— Isso significa que ele tem o contrato de todos? Todos que já se envolveram com ele na vida?
— Por que você acha que ele é tão temido? Imagina você querer muito uma coisa, qualquer coisa e alguém chegar dizendo "Eu consigo, basta assinar isso aqui".
— Pareceria que eu estaria vendendo minha alma ao demônio. – Jaebum foi sincero.
— Basicamente, seria o que faria. Mas, valeria a pena. Você teria exatamente o que quer, independente do que seja... O preço varia, contudo, normalmente, é cumprir alguns favores de vez em quando... E você teria de cumpri-los.
— Porque ele teria provas do que pedi...
— Exato. Agora, quer me soltar? – Jaebum piscou, percebendo que ainda estava com a mão no ombro dela – Você fede, não quero que me toque.
Ele retirou a mão dela – Isso foi bem ofensivo, sabia? – Young deu de ombros, se retirando, passando por Lee no caminho.
— Conseguiu tirar algo dela? – Lee questionou ao se aproximar de um rabugento Jaebum.
— Mais ou menos. – ele cruzou os braços – Ela falou algo interessante sobre contratos e sobre o ex do Bum.
— Hm... Só ignora o que ela disse por último. – Lee bocejou, estava cansado.
— Você ouviu? Mal educada, né?
— Hm? Não, não ouvi. Entretanto, seja o que for, ela mentiu. – Lee coçou a nuca.
— O quê? – Jaebum ficou surpreso.
— Ela mentiu. Reconheço quando essa garota mente há muito tempo, ela tem um pequeno tique... Enfim, só saiba que ela mentiu, então desconsidera a informação. Acho que preciso de um café... – Lee deu um novo bocejo enquanto entrava na cafeteria.
"Ela... Mentiu sobre o que pensa do meu cheiro? Por quê?" – Jaebum fitou a direção para onde ela fora, ainda surpreso, antes de entrar atrás de Lee para contar-lhe as informações adquiridas.
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Chansoo observava Taehyun cozinhar e algo dentro de si continuava sentindo a mesma culpa dos últimos dias. Desde o episódio no hospital, Yura não aparecera mais por ali... Fazia tanto tempo que ele só queria vê-la e ter certeza que estava bem...
— Tae... – fazia um tempo que o chamava pelo apelido, por insistência dele – Você acha que ela vem?
— Bom, estou preparando estrogonofe e ela adora, já enviei a mensagem convidando, então, nos resta esperar. – o ruivo sorriu para o albino – Ela nunca dorme sem jantar... Tenhamos esperança.
—... É minha culpa? – Chansoo não conseguia deixar de pensar nisso – Por que ela ficou daquele jeito?
Taehyun largou o que fazia por um instante – Não meu lindo, não é sua culpa, ok? – ele sorriu para o pequeno ômega – Ela tá se sentindo um pouco mal por ter perdido o controle, mas isso não foi culpa de ninguém, nem sua e nem dela, está bem? – fez carinho no cabelo branco do menor – Só vamos torcer para ela vir e nós podermos xingá-la. – e riu, voltando ao prato que preparava.
Chansoo foi até a sala bem decorada e sentou no sofá, se fosse sincero consigo, nunca esteve tão bem... Desde que conhecera Taehyun e Yura, de alguma forma, se sentia protegido e em paz. Eles eram incríveis e, apesar de estranho, sentia que se apaixonara pelos dois... Por isso, essa sensação de que afastara a loira, era horrível...
Se encolheu, abraçando os joelhos, quando ouviu a campainha e correu para atendê-la. Abriu a porta com um sorriso, mas ele logo morreu quando viu quem estava do outro lado.
Taehyun apenas ouviu o grito de Chansoo e saiu correndo.
Haneul segurava o albino pelos cabelos. E não estava sozinha, quatro alphas com caras de poucos amigos a acompanhavam.
— Vim buscar o que é meu. – disse a garota com um sorriso sádico – Ele vai precisar aprender algumas coisas... Como não fugir.
A mente de Taehyun trabalhava intensamente. Certo. Era impossível enfrentar todos eles e vencer. Não venceria nem Haneul em uma luta mano-a-mano.
Gritar pela manada agora era foda. Sangwoo andava estressado, dificilmente o ouviria...
"Porra..." – talvez se tivesse sorte, Yura apareceria...
Mas eram cinco contra uma... Não que duvidasse de Yura, contudo... Haneul já lutara contra ela e não era burra... Deve ter calculado mais ou menos de quantos precisava para vencê-la.
Tentou se manter calmo, mesmo enviando sinais através do vínculo para a manada – vai que alguém o ouvia.
Seu celular imediatamente tocou e Haneul o fitou.
— Por que não atende? Talvez sua namorada queira aparecer. – Taehyun sorriu e de fato, pegou o celular.
— Se insiste... – foi ligeiro, não leu nada, apenas entrou no chat da manada e digitou muito rápido.
S.O.S. minha ksa
Haneul se aproximou irritada, arrastando Chansoo pelo cabelo – Você tá me zoando? – pegou o celular de Taehyun, colocou-o no chão e pisou.
— Mas foi você quem disse... – falou com um sorriso o ruivo, rezando em seu interior para que a mensagem tivesse ido.
— Você é burro? – murmurou furiosa – Claramente eu não estava falando sério, imbecil. É óbvio que não vou deixar você chamá-la...
— Achei que queria, não sei, lutar um pouco... – precisava ganhar tempo.
— Só quero o que é meu de volta. – a garota o fitava com um olhar sério.
Aquela garota... Era irritante. Entretanto, Chansoo falara sobre ela enquanto estava ali... Pelo que notara, era extremamente egocêntrica.
— Eu também não entendo... – começou, como se houvesse um 'tic tac' em sua mente. Tempo. Algo relativo, mas de suma importância no momento...
Ela parou e o fitou – Não entende?
— Por que Chansoo deixou você, quer dizer, você com certeza é forte e bonita... – ele disse sentindo um nó no estômago, não que ela fosse feia, mas definitivamente, havia razões mais do que suficientes para Chansoo a deixar.
O albino o fitou sem entender e Taehyun sorriu, fazendo o menor pensar... Eles haviam convidado Yura... Era possível ela chegar a qualquer minuto.
A garota fitou o ruivo – Você é ridículo, sério que está apelando para a bajulação?
— Bajulação? – Taehyun disse fingindo estar ofendido e fitou os rapazes ao redor dela – Por um acaso, ela é feia?
Eles ficaram meio sem saber o que responder, se fitando indecisos. Ela os olhou seriamente e o menor deles já soltou um 'Não, claro que não'.
— Viu? Não é bajulação, é a verdade. – Taehyun disse com um sorriso – Você é forte, decidida, esperta, bonita... Nunca entendi muito as razões do Chansoo...
— Ele é burro. – afirmou.
Taehyun queria esmaga-la, Chansoo não era burro, entretanto, apenas sorriu – Para largar você? Com certeza... – afirmou, sentindo o nó no estômago expandir.
— Sinto muito... – Chansoo disse, chamando a atenção de Haneul, ela soltou seu cabelo e tocou em seu rosto.
— Não se preocupe, logo pagará por isso. – Chansoo era albino, mas Taehyun pode jurar que ele ficara ainda mais pálido.
Taehyun continuava contando mentalmente, se alguém de sua manada lera a mensagem, tinha que ganhar tempo... Se eles estavam nas proximidades – as casas, com exceção da de Seung e Sangwoo – eram próximas, os locais de trabalho também, além da universidade...
Eles deveriam chegar em uns cinco minutos...
Agora, se estavam longe...
Demoraria mais.
Myung-Hee, por exemplo, se mudara para uma casa praticamente do outro lado da cidade... Se Yangmi estava com ela, não chegava ali antes de meia hora...
"Merda...".
Chansoo permanecia pálido, mas logo seu rosto se contraiu, demonstrando raiva – Sinto muito... Não ter denunciado você à polícia quando tive chance! – Taehyun admirou a coragem do menor, surpreso, enquanto Haneul enfurecia, entretanto algo menos notável, apenas um olhar congelante.
— Há, me denunciar pelo o quê? Sustentar um vagabundo que nem você? – voltou a pegá-lo pelo cabelo e arrastá-lo para fora, fazendo o estômago de Taehyun revirar cento e oitenta graus.
Não podia deixa-la sair com ele, que se fodesse o tempo, saltou sobre ela, puxando a gola de seu casaco e chutando sua coluna.
Basicamente, não teve efeito. Ela apenas deu um grunhido irritadiço, antes de se virar para ele sem soltar Chansoo. Com apenas a mão livre, pegou o pescoço de Taehyun e começou a apertá-lo.
O ruivo tentou se soltar... Mas ela era muito forte.
Odiava isso. Odiava ser fraco. Não que fosse o mais fraco de todos os alphas que conhecia, ainda vencia Jihoon numa luta... Entretanto, comparado ao resto de sua manada?
"Porraaa..." – tentava chutar e bater no braço dela, contudo o ar começava a lhe faltar e sentia que o sangue não chegava ao seu cérebro.
Que bosta... Via Chansoo desesperado batendo no braço dela também... Queria ter dito o quanto gostava dele...
Nisso Taehyun foi solto, para sua total perplexidade. De joelhos no chão, percebeu que ocorria uma luta. Sua visão estava um pouco embaçada, mas notou que não era Yura – reconheceria seus movimentos ou seu cheiro, apesar do cheiro de Haneul estar empestando o lugar.
Tossiu um pouco e logo foi socorrido por Chansoo, que fora solto também.
Olhou em direção dos barulhos e Chung-Ho lutava contra dois dos homens. Ele se abaixava, desviando de socos e chutes que tentavam atingi-lo em cheio. Ao seu lado, Dongyu já nocauteara um, lutava com outro e se preparava para golpear Haneul que ia em sua direção, quando Yura apareceu.
Totalmente ofegante, cabelo bagunçado e olhar furioso, Taehyun sentiu que se apaixonava de novo por ela...
Yura correu para Haneul, gritando que lhe avisara, pegando sua cabeça e lhe dando uma joelhada bem no meio da testa e depois a lançando no chão.
Chung-Ho assoviou alto e impressionado, enquanto socava a cara de um dos alphas que caía no chão, inconsciente.
Dongyu sorriu, comentando que não deveriam ter mexido com 'os amores' da Yura, e já levava os dois homens que nocauteara para fora do apartamento no momento em que Chung-Ho dava uma chave de braço no último que faltava.
Haneul tentou levantar, mas Yura subiu sobre ela e socou sua cara, uma, duas, três, quatro, cinco... Ela estava em fúria.
Socou até a infeliz que ousara mexer com eles estivesse semiconsciente. A largou ali, permitindo que Dongyu a levasse para fora e a amarrasse com os outros.
Taehyun não sabia de onde tiraram as cordas... Talvez da despensa?
Yura fitou o ruivo e o albino, que se encontravam meio chocados em um canto e se aproximou, abraçando a ambos – Vocês estão bem? – questionou aflita, levemente tremula.
Taehyun tossiu mais – Sim... – disse alisando o pescoço e com a voz fraca – Desculpe não ter conseguido...
Yura ia bater nele, mas se conteve – Não... Não foi sua culpa... – e voltou a abraçar ambos.
— Você veio... – Chansoo murmurou com os olhos marejados.
— Me desculpe por aquele dia, Chansoo... – disse sem graça a loira.
O albino balançou a cabeça negativamente – Não foi sua culpa Yura... – e segurou a roupa dela – Não vai embora...
A loira corou de leve e Taehyun sorriu, fitando os amigos. Chung-Ho bebia água ao mesmo tempo em que Jihoon – que o ruivo nem notara que também se encontrava ali — ligava para a polícia. Dongyu amarrava Haneul. A ex de Chansoo permanecia falando coisas incoerentes. Devia estar chapada de tanto apanhar.
Mas nada disso pareceu importar...
Taehyun se focou em algo muito mais relevante...
Chung-Ho vestia um cropped de marca, de mangas longas preto, que caía nos ombros devido à gola oval e estava levemente apertado, provavelmente porque era de um tamanho menor. Já Jihoon estava com uma camiseta de mangas longas com o logo de Bohemian Rhapsody que lhe parecia um mini vestido...
Eles, muito obviamente, trocaram as camisetas... Não conseguiu evitar o sorriso...
Chung-Ho logo percebeu e revirou os olhos.
— Desculpe ter atrapalhado... – Taehyun comentou com a pouca voz, o que fez Yura olhar para a direção que fitava e também acabar sorrindo.
— É. Você foi um filho da puta. Depois conversamos. – Chung-Ho disse, no que Jihoon desligou o smartphone e não comentou o assunto.
— A polícia deve chegar daqui a pouco... – disse sério.
— Se quiserem... – Taehyun apontou o quarto e Chung-Ho revirou os olhos, mas Jihoon pegou a mão dele e o puxou para o local.
— O que tá fazendo? – Chung-Ho questionou, erguendo a sobrancelha.
— Trocando de camisa com você. – ele entrou no quarto e o puxou para dentro, fechando a porta em seguida e tirando a camisa – Acha mesmo que vou ficar com essa camiseta horrorosa por mais cinco minutos?
— Ei! É o Queen, é uma camiseta com logan sagrado! Jamais seria horrorosa! – Chung- Ho falou tirando o cropped – Com certeza é melhor que isso aqui, quem deixa parte do corpo descoberto? Tá frio sabia? Quase morri na moto! – o rapaz se virou, fitando o pequeno que segurava sua camiseta e esperava a própria. Jihoon tinha a pele tão pálida... Seus mamilos pareciam rígidos... Talvez efeito do frio... Ou das lembranças... Eles também estavam rígidos entre seus dedos há momentos atrás, que agora parecia outra vida, mas a marca vermelha no pescoço deixava claro que aquele momento no ateliê ainda era recente...
— Não me importo com o frio! – Jihoon comentou trocando as camisetas e desviando o olhar do peito definido de Chung-Ho.
— Ok Elsa! – Chung-Ho colocou a camiseta e mordeu discretamente o lábio inferior enquanto Jihoon resmungava alguma coisa sobre como era melhor ser uma 'princesa da Disney', do que um 'favelado sem senso de moda'. Merda. Queria muito continuar o que estavam fazendo antes... – Você vai querer carona?
— O quê? – Jihoon fitou Chung-Ho.
— Lembra? Você veio na minha moto, porque era mais rápido chegar ao apartamento do Taehyun. Vai voltar a pé, de táxi, ou quer carona?
Jihoon abriu e fechou a boca algumas vezes. O ateliê não era tão longe, mas estava tarde... E com certeza, deixara sua carteira lá... Ficara tão preocupado com o S.O.S. do Taehyun, que nem pensou nisso...
— Merda. – murmurou indignado – Vou aceitar a carona... – tocou no cabelo, ele ficaria todo bagunçado por causa daquele capacete de novo...
— Sério que você tá preocupado com seu cabelo? – Chung-Ho questionou enquanto fitava o menor.
— Claro, meu cabelo ficou todo emaranhado depois que tirei o capacete... – reclamou.
— Acredite... – Chung-Ho se aproximou do menor, falando próximo de seus lábios – Seu cabelo já estava bagunçado antes de você pôr o capacete.
Jihoon corou e Chung-Ho teve vontade de beijá-lo. Se tinha algo que o excitava nessa vida, era aquele baixinho com as bochechas coradas.
"Merda, estou cada vez mais caído por ele..." – ia selar os lábios, quando bateram na porta.
— A polícia chegou. – Dongyu anunciou e Chung-Ho se afastou.
— Melhor irmos. – disse, no que Jihoon concordou com a cabeça.
— Já vou, pode ir na frente... – murmurou o pequeno.
Chung-Ho sabia que o menor detestava ficar corado e sorriu, pois sentia que deixa-lo assim não era uma tarefa fácil, o que tornava tudo ainda mais especial...
Naquela tarde, antes de sentirem o incômodo causado por Taehyun, foi até o ateliê de Jihoon. Yangmi lhe pediu o favor, queria saber como estava os horários do amigo, pois iria pedir para ele fazer algo "muito grande".
É claro que questionou "por que eu", e por que ela só não enviava uma mensagem ou algo assim, mas a garota insistiu, chegando a lhe ameaçar se não fosse... Acabou indo e obviamente, discutiu com o Jihoon. A discussão terminou, de alguma forma, com eles se beijando sobre a mesa de costura do menor, enquanto retiravam as roupas...
Se não fosse Taehyun, tinha certeza que teria ido até o final... Afinal, bastava ficarem juntos pra rolar esse clima – o que acontecia desde o Natal...
Saiu do quarto.
O que estava sentido por Jihoon? Tesão? Óbvio. Algo a mais? Quer dizer, o garoto era tão absurdamente irritante... Só que tinha esse lado fofo, que fazia seu coração disparar... Sem contar que mesmo com ambos excitados, ainda foi ele que levantou primeiro, preocupado e o mandando vestir a roupa para irem ajudar Taehyun... Mesmo que no fim, não tenha feito nada, pois ficou assustado com a força daqueles alphas. De certa forma, ele era muito interessante, apesar de não ser muito forte. Sinceramente, ficou feliz por ele não pular na briga, não queria vê-lo ferido...
A quem estava tentando enganar? Atualmente, até o lado irritante do menor o fazia sorrir...
"Que merda... Quando isso aconteceu?"– refletiu se deparando com a polícia que já pegava os depoimentos.
Como esse tipo de briga era de fato comum – manadas distintas viviam em conflito — policiais sempre andavam com máquinas de raios-X portáteis – e outros aparelhos – o que evitava uma sobrecarga no setor de perícia.
Foi pedido apenas a Taehyun e Chansoo que se apresentassem para exames mais detalhados, pois o ruivo estava com marcas horríveis no pescoço e o albino tinha roxos pela pele. Os outros foram dispensados, apesar do corte no lábio de Chung-Ho estar doendo, seu ferimento foi considerado "ameno".
Sem protestos, ele e Jihoon se despediram dos amigos, Taehyun parecia querer fazer alguma piada sem graça, contudo se conteve, para a alegria de Chung-Ho, que não queria Jihoon pensando alguma merda antes de eles voltarem ao ateliê.
Yura ligou para Jieun, que atendeu o celular aflita.
— Já estamos indo! – disse nervosamente – Devemos chegar aí em menos de cinco minutos!
— Não precisa anjo, já resolvemos as coisas por aqui... – Yura comentou, ouvindo um suspiro grave de alívio do outro lado da linha.
— Que bom... Estou com a Young, nós íamos a uma festa quando sentimos o Taehyun...
— Bom, podem ir a festa, está tudo bem agora...
— Mesmo? Não precisam de nenhuma ajuda? Conselho sobre direitos? – Jieun perguntava preocupada.
— Não... Agora não, talvez amanhã... Por enquanto, os policiais só estão levando os invasores aqui...
— Invasores?! Invadiram a casa do Taehyun?
Yura contou todo o ocorrido até acalmar novamente Jieun, que ia passando as informações a Young, que se encontrava ao seu lado no carro. No fim, as meninas decidiram ir para a festa – já que estava tudo bem – e encontrar Yura no dia seguinte, para Jieun explicar como deixar a ex de Chansoo por um longo período na cadeia. Dongyu ia ir para casa, mas Taehyun disse para ele ficar e jantar com eles. Teriam estrogonofe, que por sorte, não queimara, ele só precisava esperar eles voltarem da perícia...
Yangmi chegou com Myung-Hee logo em seguida, ficando puta por não ter conseguido bater na filha da puta... Yura riu da amiga.
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Chung-Ho e Jihoon desceram pelo elevador e o baixinho resmungou alguma coisa antes de colocar o capacete para irem de moto.
— Se segura. – disse Chung-Ho, no que Jihoon segurou as laterais de sua camiseta. Chung-Ho sorriu. Sempre ficava impressionado no quanto aquele baixinho era teimoso. Tirou as mãos dele de suas laterais e o fez abraça-lo – Se não quer cair, segura assim.
Jihoon estava muito sem graça... Sinceramente, quando Chung-Ho o fez abraça-lo para irem até a casa de Taehyun, não ficou desse jeito porque estava muito preocupado... Mas agora...
O cheiro dele estava tão forte e tão perto...
"Droga, foca em outra coisa Jihoon...".
Chung-Ho ligou a moto e rumou ao ateliê, à viagem foi tranquila, como o local não era muito distante levou apenas uns cinco minutos para chegarem. Assim que estacionou, ambos notaram um carro conversível bem em frente aonde iriam...
Um homem se encontrava encostado ao automóvel e Chung-Ho concluiu que conheceria o irmão gêmeo de Jihoon... Afinal, eles eram aparentemente iguais. Só que aquele rapaz tinha um ar diferente... Mais sério, e ao mesmo tempo, mais sensual. Era estranho vê-lo.
Uma versão menos "meu look é plenamente impecável" e mais "sou alguém sério de negócios". Bizarro em muitos sentidos.
Chung-Ho fitou Jihoon de canto e percebeu o menor mais pálido que o convencional enquanto tirava o capacete. Ou era isso, ou a iluminação daquela rua estava falha, o que não parecia ser o caso...
— Min-Ho... – murmurou.
— Boa tarde Jihoon, namorado novo? – ele fitou Chung-Ho que sentiu que era uma péssima hora para ser chamado daquela maneira...
— Não é da sua conta. O que quer? – Jihoon ficara mais sério, e isso apenas o tornara ainda mais parecido com o irmão. Colocou o capacete sobre a moto e andou até ficar diante do mesmo.
— Vim ver como estava, já que tem evitado meu contato... – o rapaz sorriu.
— Como pode ver, estou ótimo. Pode ir embora. – Jihoon cruzou os braços e Min-Ho revirou os olhos.
— Até quando vai ficar chateado? Nós temos que trabalhar juntos, sabia? – Chung-Ho pensou em ir embora, mas algo na cena o fez ficar... Talvez só não quisesse deixar Jihoon sozinho, apesar de saber que o pequeno conseguia, muito bem, enfrentar suas próprias batalhas.
— Você transou com o meu namorado! – Jihoon falou indignado e Chung-Ho ergueu a sobrancelha.
— Te livrei de um embuste, isso foi bom, não? – Min-Ho parecia entediado – E você estava se enganando, de novo... – cruzou os braços – Vive fazendo isso...
— Do que está falando, Min-Ho?
— Você gostou dele e coisa e tal, mas notou que ele era um saco. Mesmo assim, continuou com ele porque "ele te aceitava". Às vezes parece mais interessado em ser aceito do que ser amado, quando na real, poderia conseguir os dois. – Min-Ho deu de ombros – Você é muito medroso, Jihoon.
— Como... Como você ousa dizer isso pra mim? – Chung-Ho nunca vira Jihoon tão furioso – Eu confiava em você!
Min-Ho riu – Confiava em mim? Você mal falava comigo, sempre inventava desculpas pra fugir, só porque me considera frustrado profissionalmente e pessoalmente, o que não vou negar pra você, porque sei que sente isso... Como eu sinto que você também é.
Jihoon sempre amou ter aquele vínculo com o irmão – de gêmeos, algo único que os deixava ainda mais próximos que uma manada, mas agora, estava odiando isso – Fiquei dezembro inteiro insistindo pra você comemorar o Natal comigo... Eu estava tão empolgado!
— Correção, você ficou dezembro inteiro mandando sua secretária encher minha caixa de mensagens... Não lembro de ter me ligado pessoalmente, estava com medo de ouvir um não na cara?
— Eu odeio você. – Min-Ho riu ainda mais.
— Não. Não odeia. Você me ama, eu sinto isso, esqueceu? – deu de ombros – E você é um gatinho... – fitou Chung-Ho – Quer sair mais tarde?
A boca de Jihoon abriu e Chung-Ho piscou algumas vezes – Hã... Não, obrigado pelo convite, mas... Já tem alguém com quero ficar.
— Viu? – Min-Ho olhou Jihoon – É o tipo de resposta que pessoas que saem com você têm que dar, e ele nem é seu namorado. – o rapaz abriu a porta do carro.
— Como pode ter certeza disso? – Jihoon estava puto de muitas formas diferentes.
— Porque você teria dito que ele era quando questionei. Afinal, o rapaz é um gato, você não perderia a oportunidade de jogar na minha cara "olha só, eu segui em frente, não precisava daquele traste que você roubou, blablabla..." – Min-Ho voltou a dar de ombros.
— Você é insuportável. – Jihoon afirmou, querendo bater no irmão, apesar de saber que ele tinha razão.
— Eu sei. E bom, também sei que me passei naquele dia... Estava estressado, meu cio estava muito perto, e você sabe o quanto odeio passar por isso... Ele estava lá, começou a dar em cima de mim e eu cedi. Foi babaca da minha parte e sinto muito por isso.
Jihoon respirou fundo. Era muito raro Min-Ho se desculpar por algo, por isso toda a vez que fazia, acabava atingindo-o... Afinal, sabia que aquela criatura teimosa só se desculpava quando realmente se sentia culpado e estava mal.
— Vocês não estavam tendo um caso? – Jihoon o fitou e Min-Ho fez uma careta.
— O cara era um imbecil, nós transamos antes de vocês se envolverem, mas dei um fora nele, depois disso, só naquele dia... — Jihoon suspirou e Min-Ho mexeu em seu cabelo – Sei que ainda está magoado, não vou forçar mais que isso... Só que, amo você, ok?
Jihoon ficou extremamente surpreso porque o irmão não era de fazer esse tipo de declaração, contudo, o mesmo também não esperou uma resposta, apenas entrou no carro e foi embora. Pelo visto, só passara ali para ver como ele estava... E se desculpar. Típico dele.
Jihoon se virou para Chung-Ho – Quer um café? – questionou andando até o ateliê e abrindo a porta. Aquela conversa exaurira toda a sua energia, precisava de café.
— Hm... Ok. – Chung-Ho o seguiu – Problemas com o irmão...
— Sim. – Jihoon olhou as luzes ligadas do ateliê, o lugar amplo pareceu dizer "bem vindos de volta" com sua bagunça não tão habitual. Saíra tão depressa que nem chegou a apagar as luzes... Ficou meio sem graça ao fitar sua mesa central com os tecidos jogados no chão – Você tem irmãos? – questionou indo até os tecidos, os dobrando e guardando no armário.
— Não. Sou filho único. – observou o menor que parecia um pouco nervoso. Chung-Ho se questionava internamente se não deveria ir embora... Quer dizer, depois de encontrar o irmão desse modo, Jihoon não deveria querer fazer outras coisas... Já havia questionado o que Yangmi queria saber...
"Por que aceitei o café?" – pensou vagamente, mas no fundo, sabia a razão. Ainda não queria deixar Jihoon sozinho... Olhou ao redor e suspirou.
O ateliê de Jihoon era grande, possuía uma pequena cozinha americana e um banheiro com chuveiro. Ambos porque, conforme ele, ficava ali em seus momentos vagos – o que, às vezes, incluía o horário de almoço. Entretanto, o sofá-cama dava a sensação de que talvez o menor também usasse o local para ter encontros mais discretos...
Algo que não chamasse a atenção da sociedade para o fato de que preferia alphas.
Jihoon caminhou até a cozinha, colocando água e café na cafeteira, a ligando em seguida — Isso deve ser bom... Quer dizer... Quando eu era criança, era ótimo ter um irmão... Compartilhávamos tudo e parecia que o mundo era só nosso... Mas agora... – colocou o cabelo atrás da orelha.
— Hm... Vocês são gêmeos univitelinos, não é? – Chung-Ho estava com receio de entrar naquele assunto, mas já lera algumas notas sobre isso...
Gêmeos univitelinos, alpha e ômega... Tendiam a ficar juntos, não? Como um casal. Exatamente por causa desse vínculo...
Diziam que o vínculo de nascimento deles era extremamente forte... Os casos eram tantos que já era meio clichê eles acabarem casando...
— Sim... E ele é ômega. Sei o que está pensando... – Jihoon suspirou, esperando o café ficar pronto -... Nós tentamos, não deu certo...
Chung-Ho piscou algumas vezes – Incompatibilidade de gênios?
— Não. Incompatibilidade no sexo mesmo. – Chung-Ho tossiu enquanto Jihoon não se importava – Percebi que era diferente naquele momento... Nós achávamos que éramos iguais, mas Min-Ho não é como eu... Ele odeia o cio, odeia o preconceito que cerca os ômegas... Só que na cama, ele é um ômega.
— Você é transgênero? – Jihoon o fitou assustado – Pela forma que falou, pensei que bom...
— Não sei. – Jihoon foi sincero, apesar de ainda estar surpreso pela pergunta repentina – Sei que não gosto e não ajo como um alpha em momento nenhum... Mas não tenho todas as vontades dos ômegas, quer dizer, nunca me imaginei tendo um filho, por exemplo... – disse servindo os cafés em xícaras, colocando-os em uma bandeja, junto com um pequeno pote com torrões de açúcar.
— Nem todo ômega quer ter filhos. – Chung-Ho apoiou a cabeça na mão – Não é uma "exigência" para se sentir um... – quando Jihoon se aproximou pegou uma das xícaras e colocou açúcar – Obrigado. – disse automaticamente.
— De nada. – Jihoon sentou no sofá, sendo seguido por Chung-Ho — E o que seria a "exigência"? – observou Chung-Ho como se o desafiasse.
— Hm... Ômegas são mais detalhistas, mais sensíveis, contudo eu acho que um dos principais pontos, é gostar de ser protegido. É frustrante para um alpha não ser forte o suficiente ao ponto de conseguir proteger as pessoas que se ama... Como o Taehyun hoje, ele estava bem frustrado... Já ômegas não sentem isso... Eles não se sentem frustrados caso sejam protegidos. – Chung-Ho bebericou o café.
— Você parece entender muito do assunto. – Jihoon ergueu a sobrancelha também bebendo seu café.
Chung-Ho soltou uma risada baixa – Meu pai é transgênero. Ele age como um ômega e fez a cirurgia de readaptação uterina para poder me ter. Aliás, meus avós o acusam de ser o motivo de eu "ser fraco" diante de ômegas... A gestação foi bem complicada por causa disso...
— Você o culpa? – Jihoon baixou a xícara.
— Não. Não gosto de ser assim, qualquer ômega que lance os feromônios em mim, parece que vou perder totalmente o controle, é horrível, fato, mas não culpo meu pai. Acho que não poderia ter um pai melhor que ele... – Chung-Ho observou os tecidos sobre as mesas mais distantes e depois o rapaz ao seu lado.
— Você acha esquisito? Quer dizer, ser assim...? – Jihoon fitava a porta. Seu coração estava um pouco acelerado, contudo tentava ignorar aquela sensação.
— Hm... Não. – Chung-Ho voltou a fitar o menor – Talvez por não entender exatamente como é o sentimento, não consiga compreender tudo... Mas não acho esquisito. Só acho que deve ser doloroso...
— Doloroso? – Jihoon se virou para o maior.
— É... Quer dizer, a sociedade vive impondo suas regras... Ainda recebo e-mail's de pessoas que não me conhecem, dizendo que eu deveria "procurar ajuda", por ser filho "de uma aberração". Fico pensando em quantos meu pai deve receber...
— Ele é abertamente... – Jihoon ficou impressionado.
— Não porque quis. É só que as clínicas especializadas em tratamentos para fertilização são raras. E a lista de clientes não é sigilosa, nossa lei não exige isso... Então, é só uma questão de pesquisa... Quais pacientes são alphas homens e tudo mais... Se ele fosse uma mulher, não seria tão pesado. Apesar de todos acharem que contratar uma barriga de aluguel é melhor... Contudo ele é um homem alpha, em um relacionamento com outro homem alpha, que decidiu ter um bebê...
— Ele foi perseguido. – Jihoon sentiu um nó na garganta. Nunca pensou em ter filhos seriamente... Entretanto também, nunca descartou completamente a ideia. Querendo ou não, o fato de se envolver com alphas ainda não se tornara um problema porque não namorara abertamente nenhum deles, e seus pais eram distantes... Todavia... E se encontrasse alguém que quisesse assumir? Namoro, casamento... Quiçá filhos? Seria perseguido como o pai de Chung-Ho?
Chung-Ho percebeu que deixara o menor tenso e decidiu mudar de assunto — Então, você chegou a namorar o seu irmão? – ficou curioso depois que ele dissera que tivera incompatibilidade de sexo.
Jihoon observou o café na xícara, aquilo parecia ter sido em outra vida – Sim, por um tempo... – não era de falar sobre isso... Por que se sentia a vontade de conversar algo assim com Chung-Ho?
— Hm... – Chung-Ho bebeu o café – Então era aquela certeza que, se competissem em algo, ficariam incesto lugar, certo?
—... – Jihoon olhou Chung-Ho e revirou os olhos – Não acredito que fez essa piada.
— Quê? – fez um falso ar de chocado.
— Foi horrível. Acho que a pior piada de todas. Sério. Isso foi pior que as piadas do Taehyun, e o Taehyun é conhecido pelas piadas ruins!
— Ah, vai! São muitos anos de convívio com ele... – Chung-Ho respondeu rindo.
— Não adianta culpar o Taehyun por esse vexame humorístico. – Jihoon deu um sorriso também, depois fitou o maior de canto – Hm... Então você tem alguém com queira ficar...
Chung-Ho engasgou com o café, mas logo se recuperou e olhou Jihoon – Achei que já tivesse percebido.
O menor levantou, levando a xícara até a pia, sua empregada viria limpar no dia seguinte.
— Talvez... Contudo não sabia que estava disposto a dispensar um ômega por isso... – Jihoon deu de ombros, até sentir Chung-Ho atrás de si, o rapaz lhe cercou, colocando a própria xícara na pia e impedindo-o de se mover.
— O que quer dizer com isso? – Chung-Ho questionou próximo ao ouvido do menor.
— Só... Pensei que preferisse ômegas... – respondeu enquanto tentava ignorar os arrepios que surgiam em sua nuca.
— Nunca disse isso... – Chung-Ho sussurrou e os pelos eriçados na nuca do menor deixaram claro que ele já não conseguia ignorar as próprias reações.
— Você... – um suspiro audível saiu dos lábios de Jihoon – Não precisava dizer... Não me lembro de você ter saído com alguém que não fosse ômega... – Chung-Ho passou lentamente sua boca na curvatura do pescoço do pequeno, fazendo-o estremecer e apertar a pia com ambas às mãos.
— Acho irônico logo você dizer isso... – Jihoon mordeu o lábio inferior ao sentir o hálito quente do maior em sua pele – Você é a prova de que está errado...
— Não me lembro de estarmos saindo... – o menor murmurou, involuntariamente inclinando-se e deixando mais da pele de seu pescoço exposta.
— Só porque você fica me enrolando... – Chung-Ho falou baixinho, começando a beijar lentamente o pescoço do menor e dessa vez, liberando seus feromônios pelo corpo dele. Devagar, eles entraram por dentro do cropped deslizando pelos mamilos enrijecidos e estimulando-os ainda mais, fazendo Jihoon suspirar.
Nunca sentira os feromônios de Chung-Ho antes, pelo menos, não nessa intensidade... Claro que quando se beijavam, sentia a química entre eles e isso eram os feromônios agindo... Mas, o cheiro intenso, o deslizar pelo seu corpo, era a primeira vez e era extremamente agradável, marcante e com um leve toque cítrico. Conseguia ser melhor que o de Sangwoo e jamais pensou que isso fosse possível, pois sempre adorou o do líder. Virou-se de frente para o loiro.
— Me deixa senti-los também... – Chung-Ho pediu...
Até aquele momento Jihoon tomara cuidado de nunca deixar seus feromônios fortes o bastante para chamar a atenção de Chung-Ho... Só permitia o inevitável...
No Natal, em meio a sua excitação, Chung-Ho não se importou com isso... Mas agora, depois desse tempo, queria senti-lo mais intensamente... Ter certeza que não era apenas sua impressão...
Contudo, Jihoon virou o rosto, numa negativa silenciosa.
— Por que está agindo assim? – o baixinho questionou, fazendo o maior erguer a sobrancelha – Você normalmente é mais... – pareceu refletir – Incisivo.
Chung-Ho sorriu, se lembrando do Natal em que disse que ia fode-lo, da loja de roupas, onde o puxou para dentro de uma das cabines de provas e começou a beija-lo, só sendo parado por uma das vendedoras que casualmente os lembrou de que só uma pessoa podia provar roupas por vez... E naquela tarde, onde quase rasgou aquele cropped enquanto chupava seu pescoço...
— Porque você é medroso... – respondeu sem pestanejar.
— Medroso? Eu? – Jihoon parecia ofendido.
Chung-Ho tocou no rosto do menor, ainda calmo – Do que adianta te ter por cinco minutos e depois ser evitado por dias? – aquilo pareceu surpreender o baixinho, que arregalou levemente os olhos – É praticamente um milagre você ter me convidado para um café depois do que aconteceu durante a tarde, acho que seu irmão te desestabilizou um pouco...
Jihoon permaneceu em silêncio, sua respiração ficou mais tensa – Isso... Não é verdade... – murmurou.
— Não? – Chung-Ho estava sério e falava sobre o que percebera.
Basicamente, Jihoon se afastava o máximo possível até que a tensão entre eles, inevitavelmente, se transformava em tesão e Chung-Ho perdesse o controle... Daí ele sedia por cinco minutos e depois voltava a evita-lo...
—... Não é por medo.
— É pelo o que, então? – Chung-Ho o fitou, descendo a mão e voltando a apoiá-la no balcão.
Houve um período de silêncio. Nenhum dos dois sabia se passaram segundos, minutos, ou horas, só que parecia uma eternidade, enquanto os olhos dos dois se fitavam...
— Nós não podemos só... Sabe... Continuar... – Jihoon se pronunciou finalmente, não acreditando que estava falando aquilo...
— Não até você me dizer seu motivo...
No fundo, Chung-Ho imaginava a razão... Mas precisava ouvir, só assim, conseguiria seguir em frente...
Jihoon segurou a camisa do outro, não queria falar... Sentia que algo muito frágil se romperia no momento que tornasse o que pensava em palavras...
— Nós não temos nada em comum... Isso nunca vai deixar de ser só sexo e não gosto de relacionamentos assim... – o menor praticamente sussurrava a resposta.
— Essa é a sua conclusão? – Chung-Ho questionou de forma neutra, seu tom não deixando nenhum de seus sentimentos transparecerem.
Jihoon não sabia o que responder, fitou os olhos do maior, mas eles estavam turvos, não pareciam demonstrar nada. Não diziam nada. Nem a confiança que normalmente o hipnotizava naquelas íris caramelo, se encontravam ali...
— Chung-Ho... – murmurou apreensivo.
— O que foi? Só fiz uma pergunta... – ele estava frio e isso fez Jihoon estremecer.
Não queria isso... Não gostava disso... Segurou mais forte a camisa do Queen do maior...
— Nós somos tão diferentes... E sei que você me considera um almofadinha irritante, não te culpo por isso, também sempre te considerei alguém completamente fora de moda e desleixado, mas... Não é só isso... E...
— Então, essa realmente é a sua conclusão. – Chung-Ho fez menção de se afastar, entretanto Jihoon o segurou – O que foi?
O baixinho mordeu o lábio, aquilo tudo era tão frustrante! Qual era o problema do Chung-Ho?
— Por que você está agindo assim? Hm? Que tal você falar um pouco? – disse irritado.
— Hm... – ele analisava Jihoon com aquele olhar frio, o que deixava o menor ainda mais irritado – Só não acho que somos tão diferentes quanto você acha...
— Ah, é? E o que temos em comum, afinal? – já estava indignado... Chung-Ho agia como se ele não quisesse se envolver e não era bem assim! Ele só não queria se machucar... Sempre era ele quem se ferrava por se entregar...
— Nós dois respiramos. – Jihoon piscou, sua boca abriu e Chung-Ho permaneceu fitando-o seriamente.
— Você só pode estar brincando! – a tensão pareceu se dissipar totalmente, ele só queria rir.
— Nós dois nos alimentamos... – Chung-Ho aproximou seu rosto – Mas sei que não é disso que está falando... Bem, gostamos dos mesmos filmes, pois sei que você é um geek escondido... E sinceramente? Não acho a Lady Gaga ruim...
— É claro que não! Quem acharia uma diva como ela, ruim? – Jihoon aproximou seu corpo do maior...
Chung-Ho deslizou os dedos pela coluna do menor, arrepiando-o – Eu também não quero só sexo... – sussurrou próximo aos lábios de Jihoon.
— Está dizendo que quer algo sério comigo, Chung-Ho? – tentava não pensar em seu coração disparado...
Chung-Ho deu aquele sorriso cretino que Jihoon se acostumara a ver e o beijou, seu piercing provocando a língua do menor e o fazendo suspirar de prazer...
— Por que a gente estava discutindo mesmo? – Jihoon murmurou, chupando os lábios do maior...
— Porque você é medroso... – Chung-Ho comentou, deslizando as mãos para a bunda do menor e a apertando com força...
— Já disse que não é medo... – Jihoon protestou em meio a um gemido, colocando seus dedos entre os fios de cabelo do outro e o puxando para mais perto...
— E teimoso... – começou a mordiscar o lóbulo da orelha do baixinho, deslizando os lábios para seu pescoço e colocando sua coxa entre as pernas dele – Hm... Já está bem duro, apesar de tudo...
— Ah... Nem vem! – falou se esfregando de leve na coxa – Hoje você que está vindo com papos complicados enquanto eu só... – mordeu o lábio, o que estava falando? Que droga... Maldita boca grande...
Chung-Ho se afastou o suficiente para encarar os olhos do menor, como o mesmo não o fitava, tocou sua nuca, o virando em sua direção – Você só...?
Jihoon mordeu mais forte o lábio, numa recusa, mas isso só incentivou o maior a provoca-lo, movendo a coxa e o fazendo gemer.
— Só queria ser fodido por você... – confessou vermelho.
— Que gracinha... – o sorriso cretino de Chung-Ho aumentou, o que fez Jihoon querer bater nele, mas o maior apenas tomou novamente seus lábios, o erguendo em seguida e indo para o sofá, onde retirou sua camisa do Queen e a atirou aleatoriamente, depois tirou cropped do menor o deixando semi nu.
Não resistindo, fitou aqueles mamilos rígidos, começando a chupá-los ao mesmo tempo em que o menor rebolava, provocando-o por cima das roupas. Nunca sentiu tanto desconforto dentro de uma jeans. Logo Jihoon estava deslizando suas unhas por suas costas e gemendo em seu ouvido enquanto dava pequenas mordidas em seu tórax e deixava marcas de chupões em seu pescoço.
Deu um tapa na bunda empinada do rapaz, o ouvindo gemer mais alto e o segurou firme pela nuca, virando seu rosto em sua direção. O pequeno era a visão do paraíso, com seus lábios entreabertos, ofegante e completamente descabelado...
— Me diz que tem lubrificante aqui... – murmurou, mordiscando o lábio inferior do menor, enquanto subia a mão e lhe puxava o cabelo.
— Ah... – Jihoon gemeu – Sim... Aqui... – ele tentou se virar, mas o maior não deixou – Na mesa do lado... – suspirou.
Chung-Ho soltou o cabelo do menor e o deitou sobre o sofá, enquanto abria a gaveta da mesinha, retirando o lubrificante. Jihoon empurrou o encosto do sofá, o tornando uma cama, e se arrumou melhor em cima.
Vendo o pequeno atirado, sorriu e foi até ele, lhe beijando os lábios, penetrando a língua em sua boca e começando a abrir sua calça sem nem ao menos olhar. Seu próprio pênis já começava a doer contra os tecidos que o prendiam, mas mesmo assim, não apressou as coisas. Retirou a calça de Jihoon e desceu, colocando o pênis do menor de uma vez só na boca.
Pego de surpresa, o loiro soltou um gemido alto e intenso, enquanto arqueava o corpo em uma expressão de puro prazer. Colocou ambas as mãos sobre o rosto, pois sabia que estava vermelho e se sentia completamente sem graça... Se fosse sincero, apenas seu irmão o havia chupado, nenhum de seus namorados se interessou em fazer isso... Eles só queriam fodê-lo, nada mais...
E ali estava Chung-Ho, o sugando com tanta gana que parecia que sua vida dependia daquilo...
— Ah... Céus... – gemeu, movimentando o quadril – Chung-Ho... – chamou, fitando o outro que não tirava os olhos de si.
O maior parou de chupá-lo, com um estalo, e dando aquele sorrisinho filho da puta, lambuzou os dedos com lubrificante... A forma como ele fez isso, lhe devorando com o olhar o deixou completamente consciente da situação...
Realmente estava ali... De pernas abertas, rebolando e desejando-o dentro de si...
Chung-Ho... O cara que não sabia diferenciar cores parecidas, azul celeste e azul marinho era só "azul", lilás e roxo, se resumiam a "roxo", enfim...
O cara que não entendia absolutamente nada de moda... Ou de pintores...
Mas...
Que era gentil... Doce... E absurdamente sexy...
Abriu um pouco mais as pernas, o que fez o maior aumentar o sorriso enquanto penetrava um dedo em seu interior e sem desviar o olhar do rapaz diante de si, voltou a chupá-lo.
Jihoon começou a rebolar sugestivamente e decidiu se deixar levar, liberando seus feromônios, ao mesmo tempo em que sentia Chung-Ho espalhar os próprios pelo ar e pelo seu corpo, passando-os lentamente sobre seus mamilos e pescoço...
— Ah... Eu vou gozar... – avisou, sendo penetrado por mais um dedo e chegando, finalmente, na boca do maior, que sem vergonha nenhuma, subiu sobre ele e o beijou, fazendo-o sentir o próprio gosto amargo de seu gozo – Chung-Ho... – murmurou, quando os lábios se separaram.
— Agora eu vou te foder de verdade... – o maior sussurrou em seu ouvido, abrindo a própria calça e sentindo o incômodo dos tecidos lhe deixar.
Estremeceu quando sentiu a ponta dura e quente contra sua entrada, mas logo se agarrou a Chung-Ho, arranhando suas costas – Me fode... Me fode logo... – implorou no ouvido do rapaz, mal se reconhecendo.
O maior sorriu, invadindo o menor aos poucos, o ouvindo gemer em seu ouvido e estremecer em seus braços. Não sabia se era a decisão certa, pois tinha certeza que viciaria naquele almofadinha e ele podia simplesmente terminar devido a 'incompatibilidade', mas... Era bom... Não, era ótimo... Jihoon era tão quente e apertado...
— E caralho, você tem um cheiro tão gostoso... – suspirou no ouvido do menor, sentindo seus feromônios e mordiscando sua orelha.
Jihoon ficou ainda mais vermelho, o abraçado – Não fala... Besteira... – gemeu ao senti-lo todo dentro de si.
— Não é besteira... – começou a se mover rápido e forte, fazendo o menor gemer mais alto – É a verdade... – chupou o pescoço de Jihoon quando o mesmo jogou a cabeça para trás, totalmente perdido naquele prazer.
Continuou os movimentos intensos, cada estocada atingindo os pontos de prazer do menor, que ficava perdido e intensamente satisfeito em meio àquilo.
Nenhum dos dois tinha mais ideia se o que faziam ia dar problemas no futuro, só sabiam que queriam continuar, que seus gemidos ecoavam pelo ateliê inteiro e que seus corpos pareciam ter o encaixe perfeito um no outro.
Chung-Ho começou a ir de forma profunda e forte, segurando Jihoon pela cintura com uma mão e o masturbando com a outra, enquanto o mesmo prendia suas pernas ao seu redor. Aumentou a velocidade até gozar fundo no pequeno e sentir sua barriga suja pelo esperma quente do mesmo.
Fitou os olhos de Jihoon, enquanto ainda se movimentava, espalhando seu sêmen pelo interior do rapaz e dando seus últimos espasmos de prazer, o menor manteve o olhar, ofegante e bagunçado – Isso foi bom... – murmurou vermelho.
Chung-Ho se aproximou dos lábios dele – Muito bom... – e os selou, sendo abraçado enquanto aprofundava o beijo.
~*~*~*~*~*~*~
Taehyun, Chansoo e Yura retornaram para casa depois de fazer a queixa formal na delegacia e passar pela perícia. Assim que entraram no apartamento, Yura abraçou a ambos fortemente.
— Estou tão feliz de vocês estarem bem! – disse a garota com um sorriso, dando em seguida um beijo nos lábios de Taehyun e outro nos de Chansoo.
O albino corou violentamente, entretanto, antes de falar qualquer coisa, Taehyun concordou com Yura e também lhe deu um beijo. Por um instante pensou que talvez os dois estivessem cumprimentando de uma forma totalmente inusitada, mas ambos ficaram lhe observando atentamente...
— Ele não desviou. – informou Yura, muito plena.
— Notei isso. – confirmou Taehyun – Então, acho que está tudo bem conversar com ele, não?
Chansoo ficou ainda mais confuso – Conversar sobre o quê?
Yura fitou Taehyun e depois Chansoo – Bom... Sabe... – o ruivo sorriu, incentivando a loira – Nós queremos namorar com você. – disse em fim.
A boca de Chansoo abriu – "Nós"? – o albino olhou de um para o outro.
— É, nós... – respondeu Taehyun, ainda sorrindo.
— Finalmente! – gritou Yangmi observando a cena, o que fez Chansoo corar ainda mais – Mas, podemos jantar primeiro?
Yura fitou a amiga e achou que era melhor deixar o albino processar a informação – Claro! – respondeu sorrindo, Taehyun não compartilhou do momento... Queria saber se o menor aceitava...
— Que bom, achei que ia ter que esperar vocês se resolverem... – murmurou Dongyu, que estava com fome.
— Comida primeiro! – respondeu Yura, indo para a cozinha e puxando Taehyun junto – Já arrumaram a mesa!
Chansoo observou a cena, ainda corado e tocando de leve nos lábios. Tudo parecia um sonho...
— Eles brincam bastante, mas acho que estão bem sérios em relação a você... – Myung-Hee comentou logo ao lado dele. Chansoo se surpreendeu, pois não notara a baixinha ali.
—... É... – ele voltou a fitar os alphas que riam na cozinha – Acho que sim... – e sorriu timidamente.
~*~*~*~*~*~*~
Os dias se passaram, era aniversário de Sangwoo e Jieun observava as pilhas de papéis enquanto tomava seu expresso comendo um alfajor de creme com cobertura de chocolate que pegara da travessa ao seu lado.
Estava indignada. Esta era a realidade. Como tudo poderia dar tão errado?
"É como se alguém estivesse mexendo seus fios, como uma aranha nojenta montando sua teia...".
Yejin fora sua gota d'água, terem "vazado" o caso para o Conselho Tutelar a deixava indignada. A guardiã responsável pelo caso da menina fora tão grosseira que teve vontade de ir pessoalmente soca-la, ao invés de ser educada, como mandava o protocolo.
Mas não ia desistir.
Se aprendera algo cursando Direito, é que tudo era uma questão de perspectiva.
"Se todas as portas se fecham, abra uma janela.".
A verdade é que Sangwoo era inocente, entretanto, o Conselho Ômega estava cagando para isso... A polícia? Até podiam ser amigos de Seungbae – e respeitava o professor – entretanto, a maior parte dos policiais era corrupta. Sabia disso.
"Se tem alguém tentando atingir o Sangwoo, mesmo que aqueles dois sejam bons, haverá policiais atrapalhando-os...".
Precisava de outro plano. Por isso, decidiu meter a mão na massa... Ou melhor, no cartão de crédito. Iria ela mesma contratar um detetive particular.
Sua mãe não achou a melhor das ideias... Detetives eram praticamente clandestinos, normalmente formados por pessoas recusadas pela polícia, nada do que encontrassem poderia ser usado em um tribunal, pois "os métodos não são adequados".
Entretanto, seu objetivo agora não era ganhar um caso no tribunal, era descobrir quem tentou matar Bum e quem vazou as informações sobre o caso ao Conselho Tutelar, e se ambas as coisas estavam correlacionadas.
Se aqueles dois policiais eram confiáveis como Seungbae sugerira quando conversou com ele, se conseguisse um nome, uma motivação e alguma pista consistente, eles poderiam fazer o caminho inverso...
A campainha tocou, deveria ser ele...
Arrumou parte dos papéis, colocou o alfajor na travessa e abriu a porta.
Um rapaz loiro, alto e forte, a fitou seriamente, tinha o rosto bonito, lábios finos e olhos penetrantes, entretanto, o que chamou a atenção de Jieun, além da tatuagem de pássaro no pescoço, foi às mechas verdes no cabelo. Ele cheirava a alpha de periferia e despreocupação.
"Ele realmente é o melhor...?" – se questionou, entretanto, pelas suas fontes, a resposta era sim.
— Entre. – disse dando espaço e indo até a mesa – Vamos conversar Senhor Sheen Dakho.
O rapaz observou ao redor, dando um assovio – Bela casa. – comentou.
Jieun deu de ombros e ofereceu a ele um lugar, no que ele andou devagar, parecia mancar um pouco, e sentou, já roubando um alfajor da travessa, não parecia ter bons modos – Preciso que descubra uma coisa para mim.
— Pelo preço certo, qualquer coisa princesa. – disse com um sorriso de canto, o que fez Jieun estreitar o olhar.
— Primeiro, jamais me chame de "princesa" de novo. Meu nome é Min Jieun, preferencialmente, Senhorita Min, para você.
Sheen Dakho riu, mas ergueu as mãos em rendição e concordou – Certo, Senhorita Min.
— Ótimo, agora, vamos aos negócios...
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Young tirou o strap-on depois de gozar, pegando seu maço de cigarros da cômoda, retirando um e o acendendo, preferia fazer sexo sem o utensílio, mas camisinhas femininas alphas eram desconfortáveis e não tão seguras quanto às masculinas. Como o clitóris inchava, nem sempre a camisinha se prendia corretamente, podendo haver vazamentos, o que era um risco enorme ao se dormir com um ômega... Por isso o strap-on era mais prático.
Havia centenas de modelos de camisinhas, algumas alphas se adaptavam muito bem depois de encontrar o modelo correto, entretanto, nunca achou uma marca cem por cento compatível consigo, o que era um saco. Como não queria correr o risco de engravidar alguém ou pegar uma doença, fazia como qualquer alpha sensata nessa situação e transava com strap-on.
Observou melhor o ômega que adormecera. O encontrou através de um aplicativo que baixara em seu celular. Nunca ia a casas de prostituição. Depois que vira de perto como esses lugares funcionavam, não conseguiu mais frequentá-los...
Normalmente os ômegas eram escravos, maltratados e abusados...
Preferia esse aplicativo. Ele era para encontros, mas também para prostituição de ômegas mais independentes...
Eles usavam um código no perfil, para se identificar. Àqueles que possuíam o código, eram prostitutos.
Quando os encontrava, sempre faziam a mesma pergunta "Sabe como funciona?", era uma forma de questionar "Você sabe que terá de pagar?". Óbvio que eles corriam riscos... Alphas filhos da puta também poderiam encontra-los... Mas era isso, ou escravidão sexual...
Uma vez encontrou um pai solteiro, era obviamente a primeira vez dele no aplicativo e estava extremamente nervoso... Acabaram conversando, e descobriu que ele só queria dinheiro para passar o mês, já que estava sem emprego...
Acabou nem dormindo com a criatura. Só deu o dinheiro e o indicou para o hospital.
"Talvez ele ainda trabalhe lá como atendente..." – refletiu.
Só sabia que não pensava muito quando abria o aplicativo, apenas seguia seus instintos e deu... Encontrava a pessoa e transava. Depois do sexo, notava que normalmente pegava ruivos...
Entretanto, esse era moreno, cabelos negros... Achou estranho.
Seu celular tocou, era Jieun, suspirou enquanto atendia.
— O que foi? – disse apagando o cigarro e indo se vestir.
— Acabei de falar com um detetive, tentei entrar em contato com o Sangwoo, mas não consegui... Falei com ele mais cedo... Contei sobre a situação da adoção da Yejin...
Young ficou em silêncio, isso era ruim. Muito ruim. Não queria admitir, contudo desde que deu o recado a Sangwoo, estava preocupada com ele...
Tinha a sensação que o alpha não sabia o quanto Chris poderia ser cruel...
— Bosta... – murmurou – Vou passar no hospital, ok?
— Ok... Se eu não estivesse tão ocupada ia pessoalmente... – Jieun se justificou e Young suspirou.
— Ji... É uma acusação de tentativa de homicídio... Que no fim das contas, afeta todos nós. Não se preocupe, posso ir lá ver porque o idiota não tá te respondendo.
— Obrigada. – ela escutou a amiga dando uma risadinha. Jieun andava trabalhando sem parar tentando resolver aquele rolo, como seus pais tinham vários casos, era ela quem cuidava da parte mais chata e burocrática desse problema com a manada...
Young se despediu, desligou o celular, tomou um banho e pagou o rapaz, saindo daquele motel em seguida.
Foi para o hospital, onde tentou encontrar Sangwoo, mas só conseguiu falar com Seung, que lhe contou sobre a suspensão do líder.
"Merda..." – pensou a garota saindo daquele lugar...
Sangwoo não podia ver Bum, não podia adotar Yejin, não podia nem trabalhar – algo que ele gostava muito...
"Ele com certeza vai procurar o Chris... Ele tá no 'ponto', como aquele filho da puta falava..." – ela mordeu o lábio, cruzou os braços e pensou.
Sangwoo também não atendia ou respondia mensagens no celular...
Onde...
Onde ele teria marcado?
Conhecia Chris... Com certeza foi ele quem mandou o endereço...
Que perfil Sangwoo se encaixava? Não era no restaurante francês... Caro demais, no japonês, sério demais...
O familiar era mais para contratar ômegas...
"Talvez o italiano..." – pensou, entrando em seu carro e começando a dirigir – Vai lá Sangwoo, não faz nenhuma merda até eu chegar...
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