Destinados...?
17 Escolhas
Bum tinha a sensação de já ter ouvido aquela música algumas vezes, mas, estava tão confortável nos braços de Sangwoo, que não queria acordar. Só depois de algum tempo, decidiu olhar o celular próximo, deparando-se com uma dura realidade. Estavam atrasados.
Tocou no rapaz atrás de si, tentando acordá-lo, só que ao invés de abrir os olhos, ele o abraçou mais forte.
— Sangwoo...! – murmurou vermelho.
Era quarta, tinha prova... Não podia se atrasar...
Virou-se, fitando o dorminhoco. Sorriu.
— Sangwoo... – sacudiu levemente o rapaz, que lentamente, abriu os olhos: — Se não levantarmos, vamos nos atrasar...
O loiro bocejou: -... Sério...? – resmungou, sentando meio atordoado.
Levantaram, se vestiram e saíram. No caminho, Sangwoo parou rapidamente em uma padaria próxima, trazendo consigo copos fechados de café e bolinhos de arroz. Comeram e se despediram na universidade.
Olhou o celular, tinha certeza de que mandara uma mensagem a Myung-Hee antes de dormir, mas, pelo visto, a garota não respondera. Estranhou. Contudo, a viu correndo em sua direção no estacionamento.
— Eu ia responder! Mas achei melhor contar pessoalmente! – a garota parecia ter lido seus pensamentos. Vestia um casaco branco e calça jeans, seus cabelos estavam soltos.
— Hã... Ok. – respondeu um pouco sem graça, percebendo que ela estava no modo ansiedade viva, e falaria sem parar. Preparou os ouvidos e a mente.
— Bem, primeiro, eu tinha um encontro com ela na segunda! – disse rapidamente a garota.
— O quê? Sério? – ficou surpreso o rapaz.
Ela afirmou com a cabeça, mas só continuou: — Só que ela, apesar de ter ido, foi embora sem falar comigo, e deixou o Chung-Ho lá...! Fiquei com tanta raiva! Mas, sabe, ela explicou que o encontrou por acaso e... Essa ligação de manada é bem forte, né? – pareceu refletir por instantes, contudo, logo sacudiu a cabeça, como se quisesse chegar a um ponto logo: — Nós acabamos fazendo as pazes ontem, na cafeteria do meu tio e ela me pediu em namoro...!
— Quê? – ele ficou um pouco em choque, ainda tentava assimilar a parte em que ela dissera que fora deixada sozinha com o Chung-Ho, quando a garota lhe disse que Yangmi a pedira em namoro. Caramba.
— Depois de cantar pra mim... – completou um pouco incerta sobre a continuação.
Bum ficou muito surpreso. Yangmi cantava? Não sabia disso.
— Ainda foi I Miss You! Você sabe que amo essa música... – ela se interrompeu: — Não, a questão não é essa, o que aconteceu é que... Contei a ela sobre a Cho-Hee... – disse incerta.
O rapaz piscou algumas vezes. Cho-Hee era a filha de Myung-Hee. Uma menininha adorável, já a conhecia e ela lhe chamava de ‘Bumii’, toda vez que o via.
Entendia o lado de Myung-Hee, ela não entraria em um relacionamento sem ser honesta com a pessoa, já a vira tentar se relacionar anteriormente...
Primeiro ela sempre contava sobre a síndrome do descontrole, a maioria dos pretendentes já desistia nesse ponto. Se envolver com uma ômega que podia perder o controle a qualquer momento, não era realmente, ‘a melhor opção’ para a maioria. Depois desse choque inicial, normalmente ela esperava mais um ou dois encontros para falar sobre a Cho-Hee.
Nesse ponto, Bum nunca conheceu alguém que continuasse com a garota. Respirou fundo. Fazia sentido contar a Yangmi sobre a menina, afinal, ela já sabia sobre a condição física. Ficou nervoso. A morena de cabelo com pontas azuis era uma simpatia de pessoa, sorria com facilidade e era um amor... MAS... Ainda assim, era uma criança, e isso muda a perspectiva de qualquer um sobre um futuro relacionamento.
— Como ela reagiu...? – perguntou receoso.
— Bom... Ela tentou beber um café que meu tio tinha acabado de pôr na sua frente, só que ele ainda estava quente. Ela queimou a boca e deu um grito, bebendo meu suco em seguida... – disse pensativa: — Acho que a deixei em choque. – riu meio sem graça.
— Você acha que ela vai aceitar...? – caminhou tranquilamente ao lado da amiga, estavam quase na sala de aula.
— Eu não sei... Ela ficou muito calada depois disso. Claro... – suspirou: — Ela precisa de tempo para pensar, mas, nunca fiquei tão ansiosa... – respirou fundo: — Não conseguimos mais falar sobre o assunto depois dessa reação inicial, porque o Taehyun caiu com a Yura no colo em cima de uma das mesas, quebrando... – riu, parecendo lembrar-se da cena.
— Como assim? – ele acompanhou o sorriso.
— Eles estavam dançando You're the one I want, aquela música do Grease, sabe? – Bum confirmou com a cabeça e ela continuou: — Daí no final, o Taehyun pegou a Yura no colo, e foi girar com ela, só que o palco era pequeno! Você sabe, mal cabem duas pessoas, nem sei como eles estavam conseguindo dançar aquilo naquele lugar... Então... – ela começou a rir muito: — Ele girou, tropeçou, caiu do palco, com ela no colo e quebrou a mesa... Você não tem ideia de como foi engraçado!
— Consigo imaginar! – ele respondeu, tentando não rir muito.
— Claro, no início, todo mundo se preocupou, mas quando os dois desataram a rir, ninguém mais aguentou. Sério... Nunca pensei que veria algo do tipo na vida... – ela se sentou, olhando o celular e digitando.
Bum fez sua prova com calma, quando estava saindo, Myung-Hee lhe avisou que não poderiam almoçar juntos, pois Yangmi queria conversar.
— Me deseja sorte. – disse nervosa a garota, saindo.
— Boa sorte. – desejou de coração o rapaz, fitando o próprio celular e encontrando uma mensagem de Sangwoo.
Oh Sangwoo
Vai almoçar no mesmo restaurante de ontem?
Bum sorriu, respondendo rapidamente.
Sim...
Oh Sangwoo
Nos vemos lá então.
O sorriso do pequeno aumentou. Acabou almoçando só com Sangwoo nesse dia. Conversaram sobre a manada, descobriu coisas interessantes sobre eles e o próprio alpha. O loiro estava em sua terceira formação. Sempre fora o líder.
Caminhavam tranquilos para o estacionamento. Segurando a mão do alpha, Bum começou a refletir a respeito da conversa.
“Acho que tem más lembranças sobre a primeira formação da manada...” – pensava.
O que não era muito comum, manadas infantis normalmente acabavam de forma tranquila. Era estranho eles terem debandado, e Sangwoo, definitivamente, não queria falar deles.
Suspirou. Também confirmou a forma de entrada dos integrantes. Não era lenda... Eles realmente entravam por luta ou sexo.
Olhou de canto Sangwoo...
Sentiu uma pontada, desviou o olhar.
Não queria se sentir assim. Porque era estranho.
Já imaginava como a maioria deveria ter entrado, e sinceramente, não lhe preocupavam Jieun, Young e Jihoon, que provavelmente, transaram com o rapaz.
A Jieun não lhe preocupava porque Yangmi dissera que Sangwoo não parecia interessado. Entendia que ela era importante e provavelmente, gostava do loiro. O que explicava sua atitude na festa, mas, não era correspondida.
Jihoon, a morena de cabelos com pontas azuis, disse que ele fora apaixonado, mas superou o alpha. E apesar de parecidos, o loiro e Young não soavam dispostos a serem mais íntimos do que já eram. A garota chegou a compará-lo com o pai, então, duvidava muito que ficassem juntos de alguma forma...
Quem o estava preocupando, e o fazia se sentir culpado por se sentir dessa forma, era Yura.
“Ela é tão bonita...” – refletia o moreno.
Sentia-se horrível por pensar isso... A garota lhe tratara tão bem... – fechou a mão. Deveria estar mais seguro de si depois do pedido, mas... – entrou no carro do loiro.
— Se quer saber algo, é só perguntar. – a voz do alpha era calma e confiante, enquanto começava a dirigir.
Bum se sentiu pior. Será que deveria perguntar? Mas, se perguntasse, não soaria bizarro?
— Hm... – refletiu um pouco angustiado, decidiu não perguntar: — Não é nada. – murmurou.
O carro ficou silencioso. O clima um pouco estranho... Olhou para o lado, vendo que Sangwoo parecia concentrado em alguma coisa. Virou-se então para a janela. Estava sendo infantil e ridículo. Não havia nenhuma necessidade de perguntar isso...
“Se Sangwoo estivesse interessado na Yura, já teria ficado com ela...” – pensou.
— Não sei se é isso, mas... – Bum olhou para o loiro ao ouvi-lo: — Foi o Taehyun, o Seung, a Jieun, a Young e o Jihoon que entraram transando comigo.
O alpha parecia um pouco sem graça ao falar aquilo. Bum ficou surpreso, baixou o olhar.
Yura entrara lutando, pelo visto, mas... Ao mesmo tempo, Taehyun e Seung? Não os esperava... A manada do loiro tinha nove integrantes, cinco entraram fazendo sexo... Era um tanto... Olhou de canto para o loiro.
“Ele está nervoso?” – pensou o moreno, notando que o clima ficara estranho novamente.
Será que Sangwoo achava que ele iria julgá-lo, ou algo assim? Já sabia que o alpha dormira com muitas pessoas além daqueles membros de sua manada... Bum respirou fundo, sentindo o vínculo.
O loiro estava ansioso... Receoso... Nervoso...
Sorriu.
“Você não precisa ficar assim por minha causa...” – refletiu um pouco. O lema de entrada na manada era ‘Sexo ou Luta’, então...
— Digamos que você é mais amor que guerra. – disse, brincando com as palavras.
Sangwoo o fitou, primeiro surpreso, mas logo sorriu e começou a gargalhar.
— É... Acho que dá para pensar dessa forma... – respondeu o loiro, obviamente mais tranquilo.
Bum riu junto, o loiro ficava muito atraente rindo, sem contar que era um tanto contagiante a forma como ria.
— Chegamos. – disse o loiro enquanto parava o carro diante da creche.
O ômega olhou pela janela, era uma pena, realmente haviam chegado... Queria ficar mais tempo na companhia do alpha.
— Hã. Hoje, também não vou poder te buscar. – a voz do loiro soava um pouco chateada, e Bum tinha certeza que ele não forçava aquilo.
— Já imaginava... Está tudo bem. – respondeu, parando de rir aos poucos.
Sangwoo estudava muito e era sério em relação ao seu futuro. Em final de semestre, obviamente estaria ocupado a maior parte do tempo.
Respirou fundo, preparando-se para sair, quando sentiu um toque suave em seu rosto, o loiro parecia brincar com os fios de seu cabelo.
— O Dongyu vai vir. – disse o alpha, descendo os dedos por sua nuca.
O arrepio foi imediato, corou, sentindo-se puxado levemente. O alpha se aproximou e lambeu seu lábio inferior. Abriu a boca, permitindo que a língua do loiro adentrasse. O beijo era lento e intenso. E como amava beijá-lo assim... Seu coração disparou e quando Sangwoo colocou a mão em sua cintura e o puxou ainda mais, ficou triste pelo freio de mão estar no caminho e não conseguir sentar em seu colo.
Colocou as mãos sobre o peito definido do alpha, sentindo-o.
“Ele é tão forte...”.
O loiro deslizou a mão em sua cintura, apertando-a um pouco mais. Gemeu.
— Sangwoo...
O alpha parou de beijá-lo lentamente, descendo os lábios em direção ao seu pescoço, beijava o caminho e quando chegou à curva descoberta, chupou. Estremeceu. Pegou o cabelo de Sangwoo e o puxou enquanto sentia-o chupando.
“Ah... Queria que ele descesse mais...” – Bum mordeu o próprio lábio.
O loiro se afastou um pouco e o fitou. O ômega sentiu-se devorado por aqueles olhos negros. Engoliu a seco. Seu ar começou a falhar... O mundo pareceu parar de girar...
Se dissesse uma palavra... Ele o faria ser dele...
Sabia disso...
Tinha certeza...
Abriu os lábios e ouviu o próprio celular tocar, um pouco surpreso, atendeu. Era sua supervisora, gelou. Ela o observava na frente da creche – não apenas ela, mas outras colegas também. Quis cavar um buraco e se enfiar. Corando violentamente conversou rapidamente com ela e desligou.
— Tenho que ir. – disse fitando de canto o alpha.
— Certo. – respondeu Sangwoo, fitando-o também.
Ainda conseguia sentir seu corpo quente, sabia que o alpha estava assim também... Respirou fundo. Queria sair dali e continuar em outro lugar... Mas... Tirou os pensamentos da cabeça, se aproximando do loiro lhe dando um selinho. Saiu em seguida.
Com as pernas um pouco trêmulas, olhou para trás, vendo o carro se afastar.
“Ele me faz ter cada ideia...” – ainda estava corado.
Sorriu.
Olhou para frente, vendo sua supervisora com as mãos na cintura.
— Você teve sorte de nenhum pai ter aparecido. – disse séria.
— Sinto muito.
— Sei como é essa quase lua-de-mel pós-mordida, mas, na frente do seu trabalho, é terminantemente proibido, fui clara?
— Sim, senhora. – respondeu seriamente o pequeno.
Entrou o mais rápido possível, indo direto para o vestiário onde colocou o avental – hoje usaria o com pequenas maçãs vermelhas desenhadas. Guardou suas coisas e foi para a grande sala onde estavam as crianças. Seria uma longa tarde, se dependesse do olhar que as monitoras lhe lançavam.
A supervisora acabou tendo de sair em uma parte da tarde, o que foi o inferno para Bum. No momento que aquela mulher colocou os pés para fora da creche, absolutamente todas as crianças se tornaram sua responsabilidade. Tentou conversar com as colegas, mas elas lhe disseram que era um ‘castigo’ por ter se ‘divertido’ na frente do local.
Ficou furioso. Podia ter errado, mas...
Não adiantava argumentar. Também ameaçaram conversar com a supervisora quando a mesma voltasse, dizendo que não trabalhara direito. Como já estava em maus lençóis, decidiu só cuidar das crianças.
No fim da tarde, já não sentia mais as pernas devido ao cansaço. Agradeceu aos céus quando seu turno terminou. Após tirar o avental e pegar suas coisas no vestiário, foi para a saída, vendo Dongyu parado na frente de um Ford Ecosport azul, esperando-o.
— Oi... – disse ao se aproximar.
O gordo sorriu: — Oi, Bum! Como tá? – abriu a porta para o pequeno.
— Bem... – respondeu surpreso, entrando no carro.
“Ele é gentil...” – pensou ao sentar.
O rapaz fechou a porta e foi para o outro lado, entrando.
— Você quer passar em algum lugar antes de ir para casa? – perguntou atenciosamente Dongyu.
— Hã...? Como assim?
— Bom. – o rapaz refletiu: — O Sangwoo estará ocupado durante essa semana, então, acredito, não tem como te levar no supermercado ou algo assim. Daí você teria de ir sozinho e carregar aquelas sacolas, não importo de ajudar. – sorriu: — Só isso.
Bum piscou, não havia pensado nisso. Se ponderasse com calma, algumas coisas já faltavam. Abriu a própria mochila, verificando se estava com o cartão na carteira, vendo que sim, fitou o rapaz: — Você realmente não se importa? – perguntou receoso.
— Nem. Vivo ajudando minha mãe com isso. – riu: — Conheço um supermercado ótimo, que ela sempre diz ser perfeitamente equilibrado entre custo e benefício. – começou a dirigir.
O ômega refletiu. Nunca agradecera Dongyu por tê-lo salvado, na festa. Agora, estava um pouco sem graça... Respirou fundo.
— Hm... Obrigado... Por aquele dia na festa... – murmurou.
— Hein? – o rapaz o fitou, parecendo refletir: — AH! Tá falando daquele dia, com o Taeyang? Não precisa agradecer. – disse sincero: — Na verdade, estava seguindo ordens do Sangwoo.
— Eh? Sério? Ele não me contou... – sussurrou o pequeno.
— Sim, sim. O Sangwoo mandou cuidar de você... Na verdade, ele mandou a Jieun, né? Mas ela sempre foi meio estabanada.
— Estabanada...? – Bum não conseguia conceber uma Jieun estabanada em sua mente.
— Sim. – ele sorriu: — Ela disfarça muito bem, contudo, é bastante estabanada, e normalmente, não consegue fazer as coisas perfeitamente. Algo que a irrita. Mas, não é tão ruim... Ela deveria se acostumar. – falou simplesmente o rapaz, meio que dando de ombros: — Eu, por exemplo, raramente consigo fazer tudo perfeito, como costumam exigir. – ele parou na sinaleira, se virou para o rapaz, e sem tocá-lo, abriu o porta-luvas, apontando para uma caixa de bombons: — Quer um? – perguntou já pegando.
O ômega o olhou curioso, aceitando e pegando um. O papel colocou em uma sacola também no porta-luvas, como o próprio Dongyu fizera.
— Quem exige de vocês...? – perguntou incerto.
— Todo mundo. O alpha tem que ser perfeito. É o que todos pensam... Mas não é bem assim... – a sinaleira abriu e ele voltou a dirigir: — Alphas tem facilidade em aprender, normalmente, contudo, não significa que somos perfeitos, entende? Assim como ômegas não são “burros e inúteis” como dizem.
— Entendo... – refletiu o pequeno: — Realmente, tendem a nos julgar por nosso gênero, aparência e local de nascimento... Nunca pelo o que verdadeiramente somos... – murmurou.
Dongyu sorriu: — Você é legal.
— Eh? – fitou surpreso o rapaz.
— É sempre estranho ter alguém novo na manada, demora um pouco para acostumar, mas, com você é fácil. Sangwoo fez uma boa escolha. – estacionou o carro: — Vamos às compras? – sorriu.
— Sim. – respondeu com um sorriso tímido o pequeno.
Bum comprou vários ingredientes, produtos de higiene, de limpeza. Alguma coisa que faltava de medicamento e ganhou um gorro com orelhinhas de gatinho que Dongyu achava que combinava com ele.
O alpha lhe levou para casa, onde carregou as compras para dentro e se despediu. O ômega o achou agradável.
O pequeno organizou tudo, depois começou a cozinhar e enquanto fazia a comida, ia relendo algumas anotações para uma prova no dia seguinte. Estranhamente, começou a ficar irritado. Notando que o sentimento não era seu, verificou o celular. Acabara de receber uma mensagem de Sangwoo. Abriu para ler.
Oh Sangwoo
Vou chegar tarde, não sei que horas.
O computador onde estava nossa apresentação, queimou.
Vamos para a casa de Seung, tentar recuperar alguma coisa.
Bum leu, suspirando. Isso explicava a irritação.
“Para ter chegado a mim dessa maneira...” – refletiu o pequeno, escrevendo.
Está tudo bem. Deixarei seu jantar pronto.
Boa sorte... Espero que consigam!
Terminou seus afazeres e estudos, comeu e pegou novamente o celular, dessa vez, enviando uma mensagem para Myung-Hee.
Como foi com a Yangmi?
Enquanto esperava, decidiu tomar banho, ao sair, já seco, raptou uma das camisas de Sangwoo – que estava bem desgastada e colocou como pijama. Foi ver se a garota respondera. Sentou no sofá da sala.
Lee Myung-Hee
Não sei como começar a te explicar...
A princípio, eu achei que tinha ido bem.
Quer dizer, ela disse que ainda queria namorar comigo e tal...
Até aí tudo bem, só que, ela veio com uns papos estranhos...
Acredita que sugeriu em entrar para os negócios da família dela e largar artes?
Eu quis matar a criatura!
Então, nós brigamos e estou irritada.
Bum piscou. Suspirando profundamente e começou a responder.
Ela deve achar que receberá melhor trabalhando para a família, assim, poderá sustentar você e a Cho-Hee...
Lee Myung-Hee
Eu sei! Mas, não quero isso!
Além disso, posso sustentar a Cho-Hee, principalmente a partir do ano que vem, por que ela acha que é dever dela ou algo assim? Que coisa!
Ela nem conhece a minha filha e nós nem estamos oficialmente juntas e olha onde o pensamento dela parou! Socorro!
Bum riu. Escrevendo a resposta em seguida.
Mas você não foi muito má? Você costuma exagerar nessas situações...
Ela pode ter surtado um pouco, mas não foi um surto ruim...
A Yangmi só está preocupada com o futuro de vocês...
Garanto que você disse um monte de coisas pra ela...
Lee Myung-Hee
...
Talvez?
Bum sacudiu negativamente a cabeça.
Entra em contato com ela e conversa direito Myung-Hee.
Lee Myung-Hee
Você realmente pensa que posso ter exagerado, Bum?
Bum refletiu, lembrando-se dos sermões sem fim de Myung-Hee. Escreveu sem pestanejar.
Com certeza.
Coloca o seu ponto – que você pode sustentar a Cho-Hee e ela não precisa se preocupar com isso, mas, não exagera!
Ela pensou em um futuro com você...
Pensa nisso.
Lee Myung-Hee
Tem razão! Vou ligar pra ela!
Obrigada Bum ♥
O rapaz sorriu diante do celular. Levantou do sofá e foi para o quarto. O cheiro de Sangwoo era incrível ali... Deitou na cama...
Estava com saudade. Suspirou, se cobrindo e olhando novamente as mensagens. Nada dele.
“Deve estar muito ocupado...” – colocou o celular em um canto e fechou os olhos, dormindo em seguida.
Quinta teve uma manhã fria, não apenas em temperatura. Bum observava Sangwoo que permanecia em absoluto silêncio.
“Acho que ontem foi muito ruim...” – pensava o ômega, um pouco tristonho.
Ao chegarem à universidade, se despediram, sem beijo. Ficou chateado, mas não falou nada. Suspirou ao ver o alpha se afastar. Olhou para os lados e não avistou Myung-Hee, achou isso estranho.
Foi até a sala de aula, onde a garota se encontrava sentada em um canto, pensativa enquanto observava a janela.
— Myung-Hee? – disse ao se aproximar: — Não conseguiu fazer as pazes? – perguntou vacilante.
— Hm? – ela o fitou: — Sim. Fiz sim. É só... Contar para a Yangmi, mais começar a namorar... Fiquei com saudade da minha bebê... – murmurou à baixinha: — Daí, acordei mais cedo e estava muito frio lá fora... – sorriu: — Então entrei direto. Como você tá?
— Você vive com saudade dela. Estou bem... – ele sentou ao lado da garota.
— Fato. Vivo com saudade. – a mesma o observou: — Você não parece tão bem... – disse um pouco preocupada.
— Hm... – ele refletiu e acabou contando sobre Sangwoo estar mais frio e ocupado.
A manhã passou rápido, ao sair, deu de cara com uma mensagem do alpha, avisando-o que não poderia almoçar com ele e nem levá-lo ao trabalho. Suspirou. Pelo visto o loiro realmente estava com problemas. Pensou em ir de ônibus, mas logo veio outra mensagem avisando que Taehyun se oferecera para dar-lhe carona.
Almoçou com Myung-Hee e Yangmi, o que pensou que seria esquisito, contudo, no fim, fora bem normal. Não pareceu que atrapalhou as duas em algum momento – pelo menos, elas não lhe passaram essa sensação.
Chegando ao estacionamento, viu o ruivo diante de uma Lotus Elise prateada. Taehyun sorriu ao avistá-lo, abrindo a porta do carro.
— Finalmente vou ficar a sós com você. – disse bem humorado o rapaz.
Bum entrou no carro, meio receoso, fitando o ruivo que sorria.
— Gosta do Linkin Park? – perguntou Taehyun assim que entrou no carro: — Não se esquece de pôr o cinto.
Bum piscou: — É possível não gostar? – questionou o moreno, sorrindo de leve e brigando um pouco com o cinto.
— Falou tudo. Espera... – o ruivo se aproximou, pegando o cinto de Bum e começando a arrumá-lo.
Fitando-o de perto o ômega percebeu o quanto ele era atraente, desviou os olhos, corando levemente. Percebendo isso, Taehyun se aproximou mais...
— Juro que não vou te morder. – sussurrou o rapaz próximo ao ouvido do ômega.
O pequeno corou violentamente, virando o rosto para o alpha que ria.
— Você é fofo. – falou o ruivo, ligando o rádio e o carro. Quando a voz de Chester Bennington começou a cantar, o rapaz acompanhou a frase inicial: — I'm tired of being what you want me to be... Adoro essa música... – disse ao puxar o freio de mão e dirigir.
Ainda sem graça, o ômega se ajeitou no banco.
— Então... Bum! Se importa de eu te chamar de mascote?
— Hã... Não... Acho... – murmurou o moreno.
— Beleza. Então, mascote, o que você gosta de fazer no seu tempo livre? – o ruivo o fitou de canto.
—... – Bum refletiu: — Cozinhar, provavelmente... — disse envergonhado.
— Cozinhar? Hm. – o ruivo pensou: — Eis uma coisa que não sou tão bom... Quer dizer... – ele refletiu: — Não que eu não consiga fazer nada. – deu de ombros: — Mas e música? Pop? Eletrônica? Rock? E filmes? Que tipo prefere?
O moreno se sentiu em um interrogatório, pelo visto, Taehyun era do tipo curioso: — Hm... Acho que pop? Mas, sou bastante eclético... Filmes? Não sei... Se não for muito violento, costumo gostar... – murmurou.
— Você é bem quietinho, né? – o rapaz o fitou novamente: — Como você e o Sangwoo se conheceram?
— Nós... Fizemos Fundamentos de Direito juntos... – Bum respondeu olhando para rua.
Se o ruivo adentrasse demais naquele tema, o ômega temia falar alguma coisa errada, já que supostamente o líder alpha o havia escolhido, por causa disso, decidiu perguntar primeiro: — E você? Como conheceu o Sangwoo?
Taehyun piscou algumas vezes antes de responder: — O Sangwoo era bolsista. Na minha escola... Ele era muito quieto e centrado. – disse pensativo: — Um dia decidi conversar, mas ele me cortou. – riu: — Só que eu sou um cara incansável. – fitou Bum: — Insisti.
— E vocês se tornaram amigos... – concluiu o ômega.
— Ah, não! Ele me disse pra deixá-lo em paz. – o alpha riu ainda mais: — Desisti depois de muita insistência e ele ameaçar me atirar pela janela da sala de aula, estudávamos no quarto andar. Só um tempo depois voltamos a conversar.
Bum o olhou confuso: — Por que voltaram a conversar?
— O Sangwoo defendeu a Yura, quando estavam torrando o saco dela, na verdade, o colocaram no meio. No fim, se deram mal porque ele deu uma surra neles... Depois disso, insisti até me tornar membro da manada. – ele sorriu: — Acho que chegamos. – estacionou o carro na frente da creche.
O ômega suspirou aliviado, estava com medo do interrogatório: — Obrigado pela carona. – desceu.
— Bom, nos vemos mais tarde. – o ruivo sorriu travessamente.
O moreno concordou com a cabeça, mas sentiu seu sangue gelar.
“Droga...” – pensou, já entrando no local de trabalho. Não tinha ideia do que responder caso o ruivo quisesse mais detalhes sobre como e porque Sangwoo e ele decidiram ficar juntos. O que deveria dizer?
Suspirou profundamente. Odiava mentir.
“Sou muito ruim nisso...” – refletia colocando o avental com desenhos de sapinhos.
A tarde passava com tranquilidade quando, novamente, a supervisora saiu e o inferno começou.
— Mas eles são sua responsabilidade Park Minji! – disse o moreno.
A monitora com a qual falava, tinha cabelos ondulados castanhos, usava lentes que deixavam seus olhos verdes e sorria: — Ora Yoon Bum, mas você não é ômega? Deveria ser grato por eu te deixar treinar com as crianças...
— Já tenho as que são minha responsabilidade... – rebateu o pequeno, irritando-se com o fato de sempre usarem seu lado ômega como justificativa.
— Bom, devo relatar para a supervisora que você não quis me ajudar?
“De novo isso...?” – pensou o garoto, um pouco estressado. No dia anterior, até entendeu, afinal, cometera um erro, mas, agora isso ia se estender? Até quando?
Respirou fundo. Fitou as crianças. Algumas corriam descontroladamente, outras choravam, outras quebravam alguns brinquedos, apenas duas estavam quietinhas desenhando. Não. Não ia cuidar daquilo sozinho, de novo. Olhou para a monitora.
— Não, quem vai relatar o seu descaso, sou eu. – respondeu sério.
— Olha! Tá afrontoso o ômega! – outra monitora, uma de cabelos negros até o ombro se aproximou: — Minji, não liga. Ele não entende como é desgastante cuidar dessas crianças. Eu te ajudo. – ela pegou a mão da outra monitora, se afastando e começando a trabalhar.
“Eu não entendo...!” – Bum fechou o punho.
Por que todos agiam como se, por ele ser ômega, aquela atividade se tornava, de alguma forma, mais fácil? Seus instintos não diziam o que fazer, não era um manual de instruções... A única coisa que ganhava com eles, pelo que sabia, era uma apreciação maior por crianças. E deu. Tanto que existiam ômegas que não queriam filhos!
Respirou profundamente, ouvindo em seguida o choro característico de Hyun Jisang. Correu, percebendo que o pequeno ômega segurava os dois pedaços do que, um dia, fora seu boneco favorito. Enquanto isso, seu irmão Hyun Joong lutava ferozmente com Kim Jihu, um menino de porte médio, mais velho, contudo, beta.
Bum se meteu no meio das duas crianças, sozinho, porque nenhuma monitora moveu um dedo para ajudá-lo. Quando finalmente conseguiu separá-los totalmente, Jihu estava com um machucado na boca, enquanto Joong tinha uma marca vermelho arroxeada próximo ao pescoço e um dos joelhos ralado.
“Ótimo...” – pensou o ômega.
— Sentados! Os dois! – ele colocou cada uma das crianças em um canto.
— Não acho certo! Não devia ficar de castigo! Ele que começou a briga! – apontava Jihu com cara feia para Joong.
— Você quebrou o boneco do meu irmão! – devolveu furiosamente Joong, já levantando do lugar.
— Já chega! – disse Bum, fazendo Joong voltar a sentar.
— Eu pedi desculpas! – gritou Jihu.
— Você não foi sincero! – afirmou Joong.
Bum colocou a mão no rosto. Como alguém podia pensar que qualquer um, consideraria aquela uma tarefa fácil? Suspirou. Teria uma longa tarde.
Para finalizar seu dia de trabalho com chave de ouro, sua supervisora o fez ficar até depois de seu turno, esperando os pais das crianças. Tinha que lhes explicar, em detalhes, porque seus filhos estavam machucados.
O ômega concluiu que a sorte, definitivamente, esquecera-se dele, quando os pais de ambas as crianças chegaram ao mesmo tempo. Como pais, eles eram excelentes gladiadores, ou seja, nenhum parecia com bom humor ou sensatez de entender que brigas infantis aconteciam, e ao invés de se focarem no ocorrido, começaram a discutir entre si. Quando o moreno tentou intervir na discussão, ela se voltou contra ele e ambos começaram a questionar onde estava o monitor que não evitou aquele episódio...
“Tentando convencer minhas colegas de trabalho a trabalhar...” – refletiu Bum suspirando.
No momento em que finalmente conseguiu terminar com tudo ali – após um pedido formal de desculpas aos pais, saiu já exausto, deparando-se com Taehyun que, descaradamente, conversava e flertava com Park Minji. Ficou irritado. Não pelo ruivo estar dando em cima de alguém, ele podia fazer o que quisesse, mas por estar dando em cima logo daquela mulher. Não gostava dela. Sentia-se um pai vendo o filho se envolver com a pessoa errada.
Respirou fundo, se aproximando.
— Taehyun... – disse, interrompendo a conversa.
O ruivo o fitou e algo em sua expressão o fez mudar de atitude. Automaticamente o rapaz se afastou da jovem.
— Bum... – começou a garota, surpresa: — Não sabia que seu par era tão interessante... – falou com um sorriso.
“Anotando mentalmente: NUNCA apresentar o Sangwoo a essa mulher... Afinal, ela pensou que o Taehyun era meu par, e mesmo assim, estava flertando com ele...”.
O ômega ia falar, quando o ruivo o interrompeu.
— Não sou o par de Bum. – disse com um sorriso: — Ele é o par do meu líder.
Park Minji pareceu extremamente surpresa: — Líder? – ela fitou Bum de cima a baixo: — Você é par de um alpha líder?
O ômega fechou a mão, estava tão cansado, e ainda tinha que aturar isso? No instante em que ia dizer algo, novamente foi interrompido, dessa vez por um grande bufo vindo do ruivo, virou-se para ele, juntamente com a garota.
— Ahhh... – o alpha coçou o queixo, parecendo chateado: — Mesmo você sendo uma presa fácil... – ele fitou diretamente a jovem: — Não é o suficiente para me fazer ficar em maus lençóis com o par escolhido pelo meu líder. – seu tom, inicialmente debochado, finalizou gélido.
Park Minji corou: — O que quer dizer? – pareceu um pouco exasperada, como se fora acusada de algo.
O alpha riu: — Eu não ia ser tão específico. – disse com um sorriso travesso: — Mas, já que insiste, o que eu falei foi, basicamente, que apesar de ser uma puta oferecida, não vou me dar o trabalho de transar com você, porque, pelo visto, um membro importante da minha manada não ia curtir a ideia. E acredite, vale muito mais a pena ser respeitado por ele, do que meter em você.
A cor da garota passou de um tom avermelhado, para um escarlate gritante em poucos segundos, indignada, ergueu a mão para bater na cara do alpha, mas, teve a mão segurada firmemente pelo mesmo.
— Só aceito apanhar de quem efetivamente ofendi. No seu caso, apenas relatei fatos. – ele sorriu: — Então, é melhor não tentar.
O alpha soltou Park Minji, que furiosa, saiu sem dizer mais nada.
Bum ficou atônito com a cena, refletiu e disse: — Não foi certo a chamar de puta...
Taehyun o fitou durante alguns segundos, abriu levemente a boca, parecendo meio em choque e então começou a rir. Muito.
— Sério? – disse o ruivo abrindo a porta do carro.
O ômega entrou no automóvel, se questionando se falara algo tão engraçado assim... Quando o alpha entrou, se defendeu das risadas.
— Mesmo que ela tenha flertado com você... Isso não a torna puta... Foi ofensivo... – murmurou.
— Mas eu quis ofendê-la. – o ruivo disse simplesmente: — De onde o Sangwoo tirou você? Isso foi muito engraçado!
Bum piscou várias vezes: — Por que você quis ofendê-la? – perguntou incerto.
Taehyun sorriu: — Ela te olhou com aquela cara, sabe? Como se você não fosse o suficiente. Só coloquei o veneno dela em palavras contra ela. Simples. – ele começou a dirigir: — Ninguém ofende ou te olha daquela maneira, na minha frente, e sai impune. – falou sério: — Não com você sendo o par do Sangwoo.
O moreno observou o ruivo por alguns instantes: — O Sangwoo deve ser muito importante para você. – sua voz, apesar de baixa, transmitia a certeza da descoberta de um fato.
Taehyun ficou surpreso pela perspicaz do pequeno. Não querendo que essa importância que dava ao líder fosse confundida, falou um pouco sem jeito: — Ele... Salvou a pessoa mais importante da minha vida. – disse passando a mão no pescoço: — Mas, que isso fique entre nós dois, ok? – sorriu para Bum.
O ômega concordou com a cabeça.
— Você disse que é eclético na música, né? Gosta da SIA? – o ruivo perguntou calmamente.
— Sim. – respondeu com um singelo sorriso o moreno.
O alpha, com a resposta, sem hesitar, ligou o som.
A voz da cantora saiu, “All smiles, I know what it takes to fool this town…” e ele começou a dublar com perfeição, sem emitir nenhum som, mas agindo como uma verdadeira diva.
Bum abriu um pouco mais o sorriso, escondendo sua reação timidamente com a mão. O que incentivou o ruivo a dar um pouco mais de dramaticidade a sua performance. O moreno riu baixinho e o alpha sorriu, satisfeito com o resultado.
Seguiram nesse ritmo, passando de Beyoncé a Nickelback, até chegarem à casa do ômega. Despediram-se e Bum concluiu que Taehyun era muito divertido. Logo depois cozinhou, tomou banho, jantou e foi dormir, verificando o celular antes de deitar. Deparou-se com uma mensagem de Sangwoo, abriu para ler.
Oh Sangwoo
Hoje não foi muito bom...
Espero que amanhã seja mais tranquilo (para nós).
Durma bem.
Sorriu. Respondendo em seguida.
Obrigado. Bom trabalho.
Deixou o celular em um canto, fechando os olhos e adormecendo em seguida.
Na sexta foi acordado mais cedo por Sangwoo, que queria chegar logo na universidade. Novamente naquela semana, tomaram café no caminho. Pensou seriamente em começar a deixar o café da manhã pronto no dia anterior...
“Gastar dinheiro dessa forma, não é bom há longo prazo...”.
Ficou feliz quando se despediram com um selinho. Seu sono, contudo não fora embora. Acabou dormindo na classe enquanto esperava o professor, sendo acordado por Myung-Hee, que sem nem um pouco de piedade, ria de sua situação sonolenta.
Combinou de encontrar o alpha no caminho para o restaurante, onde almoçariam juntos. Andava para lá, quando teve o ombro tocado.
— Bum! – ouviu a voz familiar de Yoonjae, virando-se.
— Oi! – respondeu com um leve sorriso, fazia um tempo que não via o rapaz. Na verdade, desde que enviara a mensagem avisando que voltara a morar com Sangwoo.
— Faz um tempo... – Yoonjae parecia um pouco sem graça: — Eu vim ajudar uma amiga com uns documentos... – passou a mão na cabeça: — Como você está? Ainda morando com ele...?
— Hm, sim... – respondeu o ômega: — Nós vamos nos encontrar para almoçar... – disse calmamente.
— Ah, bom, é no restaurante aqui perto?
Bum concordou com a cabeça.
— Posso te acompanhar até lá? Fica no caminho do prédio onde tenho de ir...
— Hm, tudo bem. – disse o pequeno, continuando a andar.
Yoonjae sorriu: — Falando em almoçar, anda comendo bem? Você vivia enjoado...
O ômega refletiu, quando mais jovem, os enjoos eram causados principalmente devido aos feromônios de seu tio e absolutamente qualquer coisa que os lembrasse, mesmo vagamente. Atualmente, só sentia enjoo durante os dias que precediam sua menstruação – era enjoo e cólica. Semana infernal.
“Sorte que foi semana passada...”.
— Acho que melhorei nesse aspecto... – respondeu o ômega.
Yoonjae ficou pensativo por alguns instantes: — Sabe o que eu vi, semana passada?
— O quê? – perguntou curioso o moreno.
— Titanic. – disse sério o rapaz.
— Quê? Esse é velho... – respondeu sorrindo o moreno.
— Não acredito que você não chorou com o final de Titanic, mas chorou com o final de Marley e eu... – ele riu: — Acho que foi o único filme que você não parou de chorar no final... – o riso aumentou.
— Mas é muito triste aquele final! – defendeu-se o pequeno.
— Aham... Chorava como um bebê. – ele se aproximou de seu ouvido: — Ei, você lembra o que fizemos após o filme? O gosto que deixei em sua boca?
A princípio, Bum não entendeu, mas logo a memória daquele dia veio a sua mente. Quando namorava Yoonjae, não conseguia ter relações sexuais porque sempre se lembrava do abuso de seu tio e recuava. Contudo, o máximo que seu tio fazia com sua boca era tapá-la, alegando que os sons que saíam eram nojentos, por causa disso e de sua vontade de ficar com seu namorado, de conseguir satisfazê-lo de alguma forma, o fez começar a usar a boca. Pensava que aquilo manteria o rapaz a seu lado. Descobriria pouco tempo depois, que fora uma tentativa totalmente inútil.
“Forçar-me àquela situação, não me ajudou a mantê-lo. Não existe fórmula que faça alguém ficar... Foi o que aprendi.” – refletiu o pequeno, que depois de muita terapia concluiu que a única coisa que fazia alguém permanecer ao lado de outra pessoa, era vontade própria.
No dia do filme, chorara feito uma criança e fora consolado, os beijos iniciais se intensificaram e acabaram excitando o alpha. Usou sua boca para satisfazê-lo... – começou a pensar mais seriamente.
Lembrava com perfeição de ter engasgado. Não era bom naquilo... Na verdade, teve de fazer mais algumas vezes até entender a forma como tinha de respirar durante os movimentos de vai e vem, para evitar engasgar...
“Hoje em dia não engasgo mais...” – ponderou. Lembrando que fizera em Sangwoo – que tinha um pênis maior, e engolira tudo.
A recordação de Sangwoo sentado no sofá, fitando-o de cima com aquele olhar felino e sorriso levemente prepotente, enquanto segurava seus cabelos com força e gemia rouco, fez seu corpo aquecer. Podia não se lembrar do gosto de Yoonjae, mas o do loiro, estava fresco em sua memória. Corou violentamente.
Sentiu um puxão em seu braço, virando confuso e deparando-se com Sangwoo.
“O quê...?” – pensou, surpreso, percebendo que o semblante do loiro transbordava irritação.
— Eu não espero ter de desenhar para você, seria ridículo ter que ser mais claro do que agora. Ele é meu namorado, e não quero você por perto. Teve sua chance, perdeu. – a voz do alpha era gélida e era dirigida diretamente a Yoonjae. Bum ficou receoso, nunca vira o loiro assim...
Sem contar que o vínculo era muito claro.
O alpha estava furioso.
“O que aconteceu...?” – pensava, confuso, enquanto era puxado em direção ao estacionamento, e não ao restaurante, onde supostamente deveriam ir.
Não entendia porque o alpha estava daquele jeito. Seria o trabalho? Algo da apresentação saíra errado? Teve o pulso solto no estacionamento, onde percebera que ele doía um pouco.
“Ele me puxou com força...?” – refletiu. O alpha não costumava fazer isso...
— Você estava excitado? – o loiro virou-se em sua direção, sua voz alta transparecendo sua fúria.
Bum corou violentamente: — O quê? – disse baixinho, praticamente um sussurro.
“Ele notara...?” – sentia suas bochechas cada segundo mais quentes. Era por causa do vínculo? Pensava que sentimentos menores não eram passados...
“Fiquei tão excitado assim ao me lembrar dele...?”.
— Agora ficou surdo? Eu perguntei se ele te deixou excitado!
“Ele...?” – baixou o olhar confuso. “Espera... Ele acha que o Yoonjae me excitou?”.
— PUTA QUE PARIU! – o grito do alpha o tirou de seus pensamentos, assustando-o.
Sangwoo era a visão da raiva.
Bum sentiu seu coração falhar uma batida. Seu cérebro tentando acompanhar o ritmo frenético do rapaz a sua frente, como conseguiria explicar aquilo? Mas, se não explicasse direito...
O loiro baixou os braços ao mesmo tempo, num óbvio movimento de desistência, se virou e começou a se afastar.
— Sangwoo! – o ômega correu, segurando a mão do alpha: — Espera! – iria explicar tudo.
“Não vai embora!” – pensou, um pouco desesperado.
Contudo, o alpha tirou a mão de forma brutal.
— Ele já está aqui, não é? – a voz do loiro lhe cortava a alma: — Pede pra ele te levar. E mais, não faz porra nenhuma pra mim hoje, eu não vou voltar, vou passar a noite em outro lugar.
O ômega ficou chocado, Sangwoo realmente falara tudo aquilo?
Logo o alpha se afastou novamente e ele ficou ali. Atônito no mesmo lugar.
Não sabia o que fazer. Sua cabeça estava uma zona. Seus pensamentos confusos e contraditórios.
“Ele... Ele... Disse que vai passar a noite em outro lugar?”.
Entendeu que aquela briga era um grande acesso de ciúmes do alpha, o que não conseguiu compreender era como, ele concluíra que se excitara com Yoonjae.
“Por que estávamos próximos...?” – refletiu.
Suspirou, o vínculo da forma como estava, transmitia sua excitação, mas não seus motivos. Devia ser isso.
Ficou com um pouco de raiva, aquilo era culpa dele, não? Ele que se fechava...
Mas, ao mesmo tempo, ficou preocupado. E se ele decidia se envolver com outra pessoa? Não queria ser traído, não queria o rapaz com outra pessoa, ele era seu... Não?
“Não quero passar por isso de novo...” – pensou, sentindo seu coração apertar.
“Espera... Se ele ficar com outra pessoa, eu vou sentir? Como na festa?”.
O alpha iria torturá-lo à distância? Era isso? Ou...
“Ele está terminando...?” — sacudiu a cabeça, seus pensamentos estavam indo longe demais.
Trêmulo, mandou uma mensagem para Myung-Hee.
Briguei com o Sangwoo, não sei o que fazer...
Estou no estacionamento...
Não sei pra onde ele foi...
Sentiu lágrimas em seu rosto. Droga. Não queria chorar. Limpou-as rapidamente, caminhando até a calçada, onde tinha um pequeno banco. Sentou. Por que aquilo estava acontecendo?
Escreveu uma mensagem para Sangwoo.
Me desculpe. Por favor, Sangwoo...
Por favor...
Fala comigo...
Depois de um tempo, sentiu alguém tocar seu ombro. Meio ofegantes, Myung-Hee e Yangmi o fitavam.
Conversou com as garotas, Yangmi até mesmo tentou ligar para o alpha, algo que ela parecia estar tentando fazia um tempo, mas, nada adiantou. Não conseguiu almoçar direito. Foi levado para o trabalho por Yangmi. Sentia-se um lixo. Dispensou a garota para a volta. Não queria carona.
Nessa sexta, não deu a mínima para as provocações de suas colegas, sua mente estava totalmente lotada com Sangwoo. O que deveria ter feito?
“Se eu tivesse sido mais rápido na resposta...” – refletia, mas, o alpha teria acreditado? Era um pouco estranho o que acontecera, na realidade...
Agora... Ele não passaria a noite em casa... Estava triste.
A distração de Bum era tanta, que ele não notou que uma das crianças pegara os balões decorativos de final de ano e começara a esfregar na cabeça de outra, com a energia estática, ela grudava os balões na parede. Fez isso várias vezes... Criando sua própria decoração.
Para sua sorte, a supervisora achara fofo e não lhe xingara.
Durante a tarde, em vários momentos, se concentrara no alpha... Queria lhe passar o que sentira... O que realmente acontecera...
Mas as muralhas do loiro pareciam ainda mais altas...
Voltou para casa, a pé. Era longe, mas caminhar o acalmava. Ficou repassando a conversa em sua mente... Uma, duas, três, mil vezes... Ao chegar, foi preparar o jantar. Para dois.
“Uma hora ele vai voltar...” – pensava enquanto cozinhava.
O loiro fora claro em dizer que não queria que ele preparasse nada... Ou seja, ele notara que fizera aquilo todos os dias.
“Vou fazê-lo se arrepender por dispensar minha comida.” – refletia, um pouco confiante.
“Ou... Irritá-lo...” – desanimou.
“Ou bancar o idiota por cozinhar para alguém que não quer isso...” – suspirou, chateado.
Terminou de preparar tudo, mas, não conseguiu comer. Sentou no sofá, se encolhendo. Olhou o celular pela milésima vez naquele dia.
Ele não lera sua mensagem.
O que mais podia fazer? As barreiras do vínculo estavam tão altas, que às vezes tinha de se esforçar para senti-lo. Isso era tão errado... Não queria se esforçar para sentir Sangwoo...
Mais lágrimas...
Odiava aquilo. Por que o alpha era tão radical? Por que não o ouvia?
O tempo passava lentamente, sua angustia como uma serpente enrolava-o sufocando-o. Queria gritar, quebrar as coisas ao seu redor, xingar, mas tudo que conseguia, era se encolher ainda mais naquele sofá.
“Sangwoo...”.
Estava com medo de perder aquele que amava por causa de uma briga estúpida. Se ele encontrasse outra pessoa...
“Nós mal começamos...” – suspirou.
Ouviu a maçaneta da porta e virou-se imediatamente. O alpha entrou em completo silêncio. Seu coração parecia que sairia pela boca.
“Ele voltou...” – pensou.
O rapaz sentou ao seu lado. Calado. Depois de um momento, virou-se para ele, fitando-o seriamente.
— Que merda aconteceu lá?
“Claro... Ele quer entender... Como vou explicar? Pensei nisso o dia todo, e agora, parece que nada vem...” – corou, baixando o olhar.
— Bum. Sério. Não tá ajudando você corar enquanto pergunto por que diabos você estava excitado com outro cara. Se você quer me tirar do sério, continua fazendo isso, porque não tá dando, eu estou-
O interrompeu, não deixaria o loiro continuar pensando aquilo: — Eu não fiquei excitado por causa dele! – disse com convicção.
— Eu vi Bum. E senti. – ele soava descrente.
Irritou-se: — Se tivesse sentido de verdade, entenderia.
— Vai culpar o vínculo? – seu tom ainda era cético.
Sangwoo não tinha ideia do quanto aquilo tirava Bum do sério.
— Mas...! Se o vínculo estivesse aberto, você saberia por quê! – disse sério.
Era um fato. Se o loiro não tivesse se fechado tanto, aquela confusão não teria acontecido...
— Então a culpa é minha? – disse levemente irritado o alpha.
— Sim! – falou convicto.
— Quê?
O tom indignado do alpha fora um óbvio sinal que aquele era um péssimo caminho.
— Quer dizer, não! – sacudiu a cabeça negativamente. Não era esse o ponto.
A questão era que ficara excitado, Sangwoo não entendia o motivo e estava se enrolando de novo.
“Por que não consigo falar claramente?” – respirava nervosamente o ômega.
— Você... Da última vez que você não quis tocar na porra de um assunto, eu deixei quieto. Meio que porque era pesado, meio porque eu concluí sozinho. Mas dessa vez, você realmente quer que eu conclua sozinho tudo? Porque, olha, a minha conclusão não está sendo das melhores. – o alpha falava irritado.
Contudo, o tom fora a última coisa que Bum percebera. O que ele disse é que martelou direto em sua mente.
“A última vez que não quis tocar em um assunto...?” – o ômega lembrava-se de quando não quisera dar maiores explicações sobre algo.
Acontecera só uma vez. No carro. Depois do sequestro. Quando ele quis saber mais de seus tios. Não dissera com palavras que não queria falar sobre aquilo, mas...
“Ele achava o assunto pesado...? Por quê?” – seu sangue gelou.
“Foi por causa do sequestro...? Ou... Ou ele percebeu?” – se abraçou, involuntariamente. Sangwoo sabia? Como? Por quê? Quem contara?
—... O que você concluiu? – perguntou num murmúrio baixo, estava aterrorizado com a possível resposta.
—... – ouviu um suspiro vindo do alpha: -... Seu tio é possessivo a seu respeito. Só há uma razão para que isso aconteça.
“Ele sabe...” – baixou o olhar.
Sim. Alphas eram possessivos com suas propriedades. E quando se tratavam de ômegas e essa obsessão era demasiada forte, muito provável ele o via como um parceiro. Começou a se mover levemente para frente e para trás.
Ele sabia que se envolvera com o próprio tio. Ele imaginava que fora estuprado? Ou pensava que era concedido?
“Espera... Ele concluiu isso naquele dia? No dia em que me pediu em namoro?”.
Seu mundo parecia estar prestes a desabar. Até aquele instante, só podia pensar em uma razão para Sangwoo tê-lo pedido em namoro, mas agora...
“Ele ficou com pena de mim?”.
—... Por quê? Por que me pediu em namoro?
— Quê? – Sangwoo soou confuso com a pergunta.
Bum apertou mais o braço: -... Eu... O vínculo me passa certas coisas, mas... Às vezes não tenho certeza se vem realmente de você, ou se estou concluindo sozinho e...
Parou de falar. Não sabia mais o que pensar e sua pouca confiança acabara de evaporar.
— Acha que pedi você em namoro por pena? É isso? Era o que faltava. – o alpha parecia um misto de choque e irritação: — Se eu não gostasse de você, não teria dito nada.
Surpreendeu-se, olhando diretamente os olhos de Sangwoo: — É a primeira vez que você fala isso...
— Bom, você nunca falou. – respondeu rispidamente o loiro.
Bum percebeu que, além da irritação, Sangwoo parecia... Triste. Corou. Estava tão acostumado a ter certeza de seus sentimentos, que nunca os expressou. Descruzou os braços, respirando fundo.
— Eu gosto de você.
“Na verdade, o amo...” – pensou, corando violentamente.
Tinha de contar sobre o que acontecera hoje e sobre seu tio... Mas, deixaria aquele homem para outro momento, não se sentia preparado ainda.
“Dói demais pensar nisso...”.
— O que aconteceu foi que... – ficou nervoso, mas não parou: — O Yoonjae começou a falar do passado...
— Que gracinha de ex. – resmungou Sangwoo, em um tom obviamente irônico.
— Não era nada demais, a princípio. – continuou Bum: — Filmes que a gente viu, e coisas do gênero...
— E então você lembrou os bons tempos e ficou excitado?
Ficou chateado. Ele iria ironizar tudo?
— Não! Ele estava falando de outras coisas, e daí do nada ele... Ele... Perguntou se eu lembrava o gosto dele... – aquilo era tão constrangedor, não sabia onde se enfiar.
O semblante do alpha mudou completamente, fazendo Bum perceber que tinha de completar a frase rapidamente, ou tudo pioraria.
— Só que... Minha cabeça em relação a esse assunto é um pouco estranha... Eu meio que me lembrava de engasgar com ele, mas o gosto não, só que lembrar isso, me fez lembrar quando eu fiz em você e daí eu comecei a ficar excitado... – colocou a mão no rosto, queria se esconder no lugar mais escuro do planeta e nunca mais sair: — Eu não queria contar isso... – falou baixinho, totalmente envergonhado.
O alpha jogou a cabeça para trás, encostando-a no sofá: — Sua mente age de forma estranha... – disse mais calmo.
Bum refletiu, para ser sincero, normalmente não pensava nessas coisas... Mas...
“Sempre que meu cio se aproxima...” – parou calculando mentalmente.
Se, menstruara na semana anterior...
—... Falta uma semana. – sussurrou, pensativo: — Então ela fica ainda mais estranha...
— Uma semana? – o alpha perguntou.
— Para o meu cio. – entrelaçou os dedos das mãos, mais tranquilo: — Eu achei que tinha te perdido... – virou o rosto para o loiro: — Eu não quero te perder.
“Não sei se aguentaria te perder...” – pensava o moreno.
O alpha ergueu a mão, começando a acariciar seus cabelos, estava feliz sentindo o carinho, quando ouviu a barriga do mesmo roncar.
Sorriu.
— Preparei o jantar. – murmurou.
—... Isso é a sua cara. – Sangwoo sorriu, aproximou-se e fitou seus olhos: — Eu gosto de você Bum. Também não quero te perder. Sinto muito por hoje, muita coisa aconteceu. – suspirou.
Bum corou, o alpha parecia tão sincero, sentiu a tristeza que antes lhe consumia sumir completamente: — Eu também gosto de você. Sinto muito não ter sido claro antes. – baixou o olhar.
Queria tanto dizer que o amava...
Mas...
Sabia que a palavra “amor” era forte.
“Tudo a seu tempo Bum...” – pensou consigo.
— Está tudo bem. Não dei a oportunidade. – sentiu o alpha lhe fazer cafuné e sorriu: — Mas sua mente realmente é estranha...
— Eu sei... – murmurou, animando-se: — Por que você não me conta o que houve enquanto jantamos? – se aproximou, depositando um beijo nos lábios do loiro. Sabia que não costumavam conversar durante as refeições, mas, queria deixar claro que estava ali para ouvi-lo também, se assim ele desejasse: — Senti sua falta. – sussurrou, encostando a cabeça no peito do maior.
Sentiu Sangwoo abraçá-lo e ouviu a batida de seu coração, aquilo sempre o tranquilizava.
— Espera, seu cio é semana que vem? – a voz do alpha soava um pouco assustada, mas Bum não reparou muito, apenas sorriu e assentiu com a cabeça.
Jantaram e o loiro explicou tudo que acontecera. Bum foi sentindo cada vez mais pena, conforme o alpha falava. O rapaz teve os últimos dias terríveis, com certeza.
— Vou dormir... Amanhã eu seco e guardo, ok? – o loiro disse sério, olhando a louça. Depois se aproximou, roubando um beijo de Bum: — Você tem sorte que estou cansado. – falou com um sorriso safado e saiu.
Bum fitou o alpha que tomou banho e foi direto deitar, refletindo no que poderia fazer para distraí-lo de segunda – quando, provavelmente, saberia o resultado de seu trabalho e veria se perdeu ou não a bolsa da universidade. Pegou o celular, mordendo o lábio inferior e escrevendo.
Yangmi...
Fiz as pazes com Sangwoo. Obrigado por toda a ajuda.
Enquanto escrevia a próxima mensagem, uma resposta já apareceu.
Kaa Yangmi
Que bom! Estou tão feliz! Ele se desculpou direito?
E não precisa agradecer! No fim, nem consegui falar com o cavalo...
Bum riu.
Sim, ele se desculpou.
Yangmi, você sabe de algo que poderia animá-lo?
Kaa Yangmi
Animá-lo? Ele está chateado? Hm... Algo além de sexo?
Bum corou.
Sexo o anima...?
Kaa Yangmi
HAhahahAHAHA
Claro! Principalmente se você usar suas pernas!
Bum corou ainda mais, como é que era?
O quê?
Kaa Yangmi
Você não notou? O Sang tem tara por pernas...
Coxa e bunda são a fraqueza dele AUHAUAHUAHUAHAU
o Por que você não usa o meu presente?
Bum piscou.
A camisola de estrelas...? Eu já usei.
Kaa Yangmi
Não! Essa não é sexy o suficiente, tenta a preta!
Combina com o outro presente...
Bum pensou brevemente, lembrando-se dos presentes da garota.
Yangmi... Isso não é meio... Feminino demais...?
Kaa Yangmi
Ei! Não se prenda a sexo Bum!
Principalmente em relação a roupas nessas ocasiões...
Olha, porque você não usa, e depois me conta?
Duvido que vá se arrepender, dou minha palavra.
Ele vai adorar.
Bum parou, pensativo... Agradeceu a Yangmi e foi dormir.
Acordou tarde no sábado, e mesmo assim, fora antes do alpha. O observou dormindo por alguns instantes...
Se a melhor amiga dele dizia que ele iria gostar... Talvez devesse tentar. Levantou, tomando um longo banho em seguida, pensando se realmente faria aquilo...
“Não parece uma má ideia...” – mordeu o lábio inferior, indeciso.
Saiu do banho e comeu alguns samgak kimbap que preparara, depois, abriu o armário da cozinha, pegando uma garrafa de soju. Encheu um copo e bebeu em um gole. Isso não o deixaria bêbado, mas lhe daria coragem.
Subiu as escadas, entrando no quarto antigo, onde ainda estavam os presentes mais – ousados – de Yangmi e seu ninho. Foi até a caixa com os presentes. É... Faria isso.
Sangwoo acordou sem muita vontade, olhou para o lado e o pequeno não estava mais ali. Realmente, só com programação conseguia acordar antes dele... Levantou, foi na cozinha, mas não viu o rapaz.
“Será que está olhando o ninho?” – virou-se na direção das escadas dando um leve bocejo. Secou e guardou a louça como prometera na noite anterior e decidiu tomar um banho, onde pensou sobre o cio do rapaz...
“Uma semana...” – respirou fundo.
Não tinha certeza se deveria passar aquele cio com o moreno... Estavam namorando, e ele era seu par... Mas... Sinceramente, sentia-se inseguro em relação aquilo.
Saiu do banheiro vestindo apenas sua cueca boxer branca e secando o cabelo, foi para o quarto e se atirou cama. Deitando de bruços.
— Sangwoo... – o loiro ouviu a voz do moreno e se virou, fitando-o.
Bum estava levemente escorado contra a porta, vestia uma camisola negra, que parecia transparente em alguns pontos e caía em seu ombro, deixando a marca de seu pescoço visível. A camisola terminava antes de seus joelhos, que estavam cobertos por meias arrastão.
Sangwoo se apoiou nos cotovelos, um pouco chocado com a visão. Sabia que Bum era bonito. Entendia que ele conseguia ficar sexy... Vira na festa... Mas... Não esperava algo assim, estava... Completamente fascinado.
O pequeno fitou os olhos de Sangwoo, sorrindo levemente ao notar o desejo desperto. Um pouco corado, com uma das mãos, tocou na própria perna, erguendo lentamente a camisola, mostrando a renda que finalizava a meia em sua coxa e que ela era levemente puxada por um prendedor que sugeria uma cinta...
Notando que o alpha acompanhara absolutamente todo o seu movimento, até mesmo inclinando um pouco a cabeça, o ômega soltou a camisola, fazendo o loiro voltar a fitá-lo nos olhos.
Sangwoo sorriu luxuriosamente, sentou-se na cama enquanto devorava o pequeno com o olhar.
Bum caminhou calmamente até a cama, sentando de frente para o alpha. A camisola cobrindo entre suas pernas. Não desviava o olhar do loiro. Não tinha certeza se era o quarto que estava quente, ou ele.
— Soube que você gosta de pernas... – sussurrou, surpreendendo-se por sua voz mostrar uma tensão que normalmente não estava ali...
O alpha aumentou o sorriso: — Não nego... Apesar de achar que a Yangmi fala demais... – ele observava o rapaz diante de si.
— Você gosta das minhas? – Bum esticou uma das pernas, colocando o pé suavemente sobre o princípio de ereção que surgia no loiro.
Sangwoo fitou o rapaz, ainda sorrindo: — O que você acha? – perguntou com a voz grave.
Bum roçou superficialmente o pé, subindo e descendo, fazendo o alpha morder o próprio lábio inferior. Estava corado, mas... Sua timidez parecia relativa no momento.
— Eu não sei... – respondeu com a respiração descompassada, pressionando um pouco mais o pé.
— Não vou aguentar isso... – falou o alpha, colocando a mão na perna do rapaz, erguendo-a.
O ômega piscou, surpreso, caindo um pouco para trás devido ao movimento, suas costas ficaram contra a parede. Respirou fundo, corando ainda mais, pois o loiro começou a beijar e mordiscar sua panturrilha enquanto fitava seus olhos.
— Sangwoo... – gemeu baixinho.
O alpha sorriu descendo os lábios pela linha do joelho e indo até a parte interna da coxa, onde mordiscou com mais força, deixando uma marca vermelha. Uma mão segurava firme a perna erguida enquanto a outra explorava a meia da perna sobre a cama.
Bum gemeu mais alto, colocando uma das mãos timidamente sobre os lábios enquanto a outra puxava a camisola entre suas pernas.
O loiro fitou o pequeno. Como alguém conseguia ser tão sexy e meigo? Soltou a perna, se aproximando mais... Delicadamente retirou a mão de Bum da frente de seu rosto e encostou seus lábios nos do rapaz. Ficou alguns segundos com os olhos abertos, mantendo o contato visual, assim que os fechou, começou a mover os lábios. Primeiro lentamente... Depois mais intensamente...
O moreno soltou a camisola, colocando os braços ao redor do pescoço do rapaz, abraçando-o ao mesmo tempo em que abria mais a boca, permitindo a entrada da língua do mesmo. Passou as unhas na nuca do loiro, arranhando-o.
Sangwoo sugou a língua do ômega, enquanto o puxava pela cintura para seu colo. Deslizando as mãos, foi até as coxas, apertando-as com força, fazendo-o gemer em sua boca. Continuou o beijo, aprofundando-o. Sorriu ao sentir o pequeno morder seu lábio inferior, afastando-se um pouco para recuperar o ar, fitou-o nos olhos e então observou a marca de sua mordida no pescoço do ômega. Seu sorriso aumentou, se deleitava ao ver aquilo... Levou a boca ao local e o lambeu, provocando arrepios no moreno, chupando-o em seguida.
Bum estremeceu, gemendo no ouvido do alpha. Moveu o quadril, encaixando-se no loiro, ainda ficava espantado do quanto seus corpos pareciam adequarem-se um ao outro, suspirou de prazer sentindo a ereção do rapaz em sua bunda.
Sangwoo subiu as mãos das coxas, indo para a bunda volumosa do moreno, apertando-a e percebendo que o rapaz vestia, apenas, a camisola, a meia e a cinta liga.
— Você quer me enlouquecer... – sussurrou rouco no ouvido do menor, mordiscando o lóbulo de sua orelha.
— Talvez... – respondeu com um sorriso tímido, beijando o pescoço do alpha. Sentindo o rosto queimar de vergonha, mordeu de leve o local que beijara, fazendo o loiro arfar e deixando sua própria marca.
Deslizando os dedos por entre as nádegas do menor, tocou suavemente a entrada, percebendo a lubrificação que saía, suspirou pesadamente, adorava senti-lo daquela forma.
“Ele está tão molhado...” – sorriu, girando o dedo.
— Não me tortura... – murmurou sôfrego o moreno, virando o rosto para fitar os olhos de Sangwoo, enquanto movia o quadril tentando fazer o dedo entrá-lo.
— Mas é a parte divertida... – respondeu o alpha, tocando e pressionando certos pontos da entrada, mas não penetrando o dedo.
— Por favor... – sussurrou o moreno: — Estou com saudade de você... – ele encostou a cabeça no peito do loiro, suspirando com a boca entreaberta, os lábios levemente inchados e vermelhos e o cabelo caindo delicadamente sobre o rosto.
Sangwoo engoliu em seco. Penetrando, não um, mas dois dedos de uma só vez.
Os olhos de Bum abriram-se em surpresa, e seu corpo arqueou levemente enquanto um gemido saía de sua garganta. Rebolou, fazendo os dedos irem mais fundo. Apesar de grossos, eles não eram o suficiente. Olhou para o homem que desejava, Sangwoo sorria, dominante, observador...
“Ele sabe...” – pensou, umedecendo os lábios com a língua.
— Sangwoo... Por favor... — murmurou suplicante.
— Assim? – respondeu o loiro, penetrando mais um dedo e fazendo Bum gemer mais alto.
O pequeno arranhou as costas do loiro, da nuca a cintura, enquanto descia com o quadril mais forte sobre os dedos e esfregava seu membro contra o corpo do rapaz: — Não... – respondeu gemendo.
Sangwoo grunhiu rouco, sua ereção já pulsante, deitou sobre a cama, trazendo Bum sobre si: — Vira. – disse com um sorriso, enquanto retirava os dedos e ouvia um suspiro resignado: — Você vestiu essas meias pra mim, não? – completou, apertando a coxa do moreno.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!O ômega confirmou com a cabeça, entendendo a intenção do rapaz, virou-se, corado, colocando os joelhos ao lado dos ombros do loiro, enquanto fitava a boxe branca. Lambeu por cima da cueca, baixando e libertando o membro rijo de Sangwoo.
O alpha mordiscou a coxa ao seu lado, antes de passar o braço por baixo da perna do pequeno, fazendo-o abrir mais as pernas enquanto deslizava a mão por sua coxa, até sua bunda e voltava a penetrar os três dedos. Com a outra mão alisava a bunda do menor, puxando o pequeno elástico que ligava a meia a cinta, e soltando conforme começava a pôr o pênis na boca.
Bum estremeceu devido aos estímulos, tentava se concentrar em lamber o membro a sua frente, mas, sua excitação quase não permitia... Passou a língua pela fenda da glande, começando então a chupá-lo e coloca-lo completamente em sua boca. Suas unhas arranhavam a parte interna da coxa do alpha. Era invadido pelo cheiro, gosto e toques de Sangwoo, não aguentaria muito tempo.
O ritmo deles era constante, até Sangwoo começar a penetrar os dedos com mais força, fazendo-os aumentar a intensidade. O alpha também apertava a bunda do pequeno sem piedade, deixando-a vermelha.
Bum gemia sufocadamente, tirou o membro de sua boca, ofegante: — Sang... – murmurou como um aviso.
Sangwoo apenas continuou o que fazia, sentindo o membro em sua boca inchar. O pequeno gozou em seguida, fazendo-o engasgar um pouco, nunca o colocara tão fundo antes.
O ômega caiu sobre os cotovelos, tentando recuperar o fôlego perdido. Ia voltar a chupar o alpha, quando o viu saindo debaixo de si. O fitou confuso.
O loiro tirou completamente a cueca, pegou uma camisinha, que estava em uma pequena caixa ao lado da cama e colocou. Bum sorriu, empinando mais a bunda, provocativamente.
Sangwoo acompanhou o sorriso, inclinando-se sobre o rapaz e sussurrando em seu ouvido, enquanto suas mãos deslizavam por dentro da camisola do pequeno: — Você está louco para que eu te coma.
Bum corou com a afirmação: — Sim... Estou... – murmurou como resposta, ao sentir o maior pressionar os dedos contra seus mamilos rijos.
Fitaram-se nos olhos por alguns instantes, beijando-se em seguida. Um beijo cúmplice, banhado em desejo e vontade, suas línguas movimentavam-se experientes. Afastaram-se, quentes e ofegantes.
Sangwoo ficou de joelhos atrás do rapaz, massageou as nádegas já vermelhas e as separou.
Bum mordeu o travesseiro devido à ansiedade do que viria. Diferente do que imaginava, o loiro não entrou devagar, como nas vezes anteriores, ele o invadiu inteira e completamente de uma única vez. Arqueou o tronco com o movimento e gritou de prazer, incapaz de uma reação maior. Suas mãos apertaram com força o lençol, amava aquilo... Amava aquela força, amava aquela dor, amava aquele prazer, amava Sangwoo...
— Mais... – disse sem fôlego.
O grito do pequeno quase fizera Sangwoo recuar, quisera entrar daquela maneira porque não suportava esperar mais, mas, não queria feri-lo, contudo, ao ouvi-lo implorar por mais, sua sanidade se despediu. Sentiu os músculos da bunda do menor se contrairem contra seu pênis e sorriu, satisfeito. O preenchia completamente e aquilo era enlouquecedor. Começou a se movimentar, com força, saindo quase por completo e entrando sem piedade. O moreno gemia, chorava e implorava. O alpha estava em êxtase. Puxou a cinta da cintura do rapaz, Bum ficava sexy com ela e aquilo só o excitava.
O ômega rebolava como podia, sentiu o próprio membro se enrijecer novamente, começando a tocá-lo descoordenadamente. Da última vez que fizeram, o loiro também utilizara a força, mas, dessa vez estava mais brutal, mais visceral. Sentia-se preenchido, todas suas terminações nervosas intensamente massageadas, estava suado, ofegante, feliz. Fechou os olhos, aumentando o ritmo da mão enquanto o sentia inchar dentro de si, logo Sangwoo chegaria. Mordeu o lábio, o vínculo lhe gritando todo o desejo, satisfação e luxúria que ele sentia naquele momento. Não conseguia acreditar que estava naquele estado, não com toda aquela força, não naquela posição... Mas... Mas...
— Ahh... – gemeu mais alto.
Sangwoo em um movimento rápido segurou com firmeza o quadril do pequeno, estocando fundo, sentindo a bunda volumosa do ômega devorar seu pênis enquanto seu próprio quadril contraía, tenso. Gemeu profundamente, em um espasmo final, gozou, chegando ao ápice do prazer. Sentiu Bum fazer mais alguns movimentos antes de libertar-se novamente, dessa vez sob os lençóis. Sorriu, ofegante, encostando a cabeça nas costas do moreno, não queria sair de dentro dele...
Apesar de estar de joelhos, Bum sentiu seu corpo perder as forças, Sangwoo estava levemente sobre si. O moreno sentia a felicidade preenche-lo, caiu de bruços. Estava exausto e respirava com dificuldade. O loiro saiu de dentro de si e admitia, parecia mais vazio...
“Queria que ele tivesse gozado dentro de mim...” – corou com o pensamento.
Logo braços o cobriram em um abraço terno e teve o pescoço gentilmente beijado.
— Também senti falta disso... – murmurou o alpha no ouvido do ômega.
Bum sorriu, virando-se... Não conseguia falar, estava muito cansado, então, apenas se aconchegou nos braços fortes que o protegiam, dando um suave beijo nos lábios de Sangwoo antes de fechar os olhos.
O loiro também sorriu, começou a passar os dedos pelos cabelos negros, distraidamente, até perceber que o pequeno dormira. Fechou os olhos, aproveitando os sentimentos que o vínculo lhe passava... Felicidade, satisfação e... Algo a mais... Abriu os olhos, confuso, era algo... Profundo, intenso, gentil... Não sabia exatamente que nome dar aquele sentimento que o moreno lhe transmitia. Sem contar que ele parecia escondido... Como se o jovem não quisesse que soubesse de sua existência... Não entendeu... Mas, respeitou. Continuou com o carinho.
Bum não sabia exatamente quanto tempo passara, mas o loiro já não estava ao seu lado. Bocejou, sentando e notando que seu quadril doía. Corou. Percebeu também que já estava limpo e vestia apenas uma camisa de Sangwoo, os lençóis também foram trocados.
“Pelo visto dormi pesado...” – refletiu, tentando levantar, o que não conseguiu. Estava dolorido...
— Acordou, bela adormecida? – sorriu malandramente o alpha na porta.
—... Dormi por muito tempo? – questionou incerto.
— Algum. – respondeu o rapaz, lhe entregando um sanduíche.
Bum comeu sem graça. Por alguma razão, estava mais tímido que o normal...
— O que foi? – o loiro sentou a sua frente.
—... Não sei... – murmurou. Provavelmente o pouco álcool que colocara em seu sistema já evaporara e agora lembrava que vestira uma camisola, uma meia calça, uma cinta liga e ainda gritara pedindo por mais enquanto ele o comia de quatro... Corou violentamente.
— Acho interessante como você sempre fica tímido depois do ato. – o alpha riu.
Bum corou mais: -... Não é de propósito... – murmurou, comendo um pouco.
— Hm... Hoje acho que estamos muito cansados pra isso, mas, amanhã, você quer ter um encontro comigo? – o alpha sorriu.
Os olhos do ômega brilharam. Um encontro? Não haviam tido um... Seu relacionamento, com certeza, não começara de uma forma normal, contudo... Definitivamente, queria aqueles momentos.
— Claro! – respondeu sorridente.
O alpha observava Bum com carinho, o sorriso que ele lhe dera, era impagável. Baixou o olhar, sentindo-se um pouco culpado. Queria ter um encontro normal com ele, para variar, mas... Também queria usar aquela ocasião para conversar com ele...
— O que foi? – Bum o mirava atentamente.
— Hã... Nada... – disse, soava mais incerto do que gostaria. Na verdade, admirava o fato de que, raramente, conseguia mentir para o jovem.
— Você está estranho. – o ômega piscou algumas vezes. Sangwoo lhe passava preocupação, aflição e um pouco de culpa. Talvez o próprio não notara que estava a fazer isso, mas conseguia sentir... E eram sentimentos estranhos para se passar quando se convida alguém para sair.
— Estou? – respondeu meio sem saber o que fazer. Talvez devesse realmente arranjar alguma desculpa...
—... Por que não me diz? Você não quer um encontro? Não precisa se forçar a isso...
Sangwoo suspirou: — Não é isso. – passou a mão no cabelo.
Bum sentiu uma pontada no peito, o que era então? Não gostava desse clima...
— Sangwoo... – murmurou tocando na mão do loiro e fitando seus olhos.
“Não vou conseguir inventar nada...” – pensou o alpha, baixando novamente o olhar.
— Bum... Eu... – o ômega o fitava um pouco nervoso devido a sua hesitação, suspirou e terminou a frase: — Eu decidi não passar o cio com você... Me desculpe.
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