Destinados
12 A esperança renovada
Notas iniciais

– Você entendeu que essa é a melhor abordagem? – Alice repetiu a pergunta, o tom firme.
– Você está traçando um caminho que evite aquele futuro... Não é? – Perguntei inseguro – Eu preferia falar pra ela de uma vez sobre o que eu descobri, Allie...
Alice suspirou e fez uma careta, me olhando enfurecida quando cuspiu as próximas palavras.
– Tudo bem que a Bella sabe que existem coisas sobrenaturais nesse mundo mas, sinceramente Jasper, você realmente acredita que ela não vai surtar completamente se você disser a ela “Olha só, Bella, você é a reencarnação de um amor de meu passado humano...” – ela imitou minha voz com uma quase perfeição, depois bufou – Sério?! Ela vai achar que você enlouqueceu.
– Em algum ponto eu terei que contar a verdade a ela. – retorqui – Ela me pediu isso, e além do mais, eu tenho como provar minha teoria...
– Precisamos de mais tempo, Jazz, pra entender isso melhor. Eu não acho que a ligação de vocês é resultado apenas disso... Na verdade eu acho que é justamente o oposto. O fato de Bella ser a reencarnação de Isabell é consequência, não a razão do que liga vocês...
Eu respirei fundo, passando a mão pelos cabelos com impaciência, depois fechei os olhos absorvendo o fato de que Alice muito provavelmente tinha razão. Ela geralmente tinha.
Uma semana já tinha se passado desde que descobrimos a foto e a primeira carta. Ainda encontramos mais duas cartas de Isabell no fundo do baú, embaixo de tudo, envoltas em um laço de fita azul-céu. Não tive coragem de lê-las, não ainda, e as guardei junto com a outra em minha mochila.
Eu e Alice discutimos, incansávelmente, quando retornaríamos a Forks depois disso, e como eu agiría quando estivesse frente a frente com Bella outra vez.
Ela me segurou no rancho até que tivesse ao menos um vislumbre de alguma ação que começaría a me desviar do futuro horrível que estava traçado até então, que não tinha se alterado totalmente com minha decisão firme em mudar o rumo das coisas.
Por fim ela me convenceu a ser sutil, um traço de personalidade que eu havia adquirido com a breve convivência com Bella, e a manter tudo, inclusive a potência de meu sentimento, em sigilo por enquanto.
– Ok. – desisti – Então eu vou simplesmente fingir que estou recuperado, que podemos ser bons amigos, e que não me importo realmente em vê-la nos braços de Edward quando eu tenho certeza de que ela é minha... – discorri com irritação indisfarçada.
– Ela não sabe... Ou sabe mas não se deu conta. Em algum momento isso vai se revelar pra ela também, Jazz... Tenha um pouco de paciência...
– O problema não é paciência, Allie... Ela e Edward estão juntos... Segundo suas visões, noivos... Eu me contorço por dentro só de pensar que ele tem ainda mais acesso a ela agora... Pode... Toca-la...
Um estremecimento correu por todo meu corpo, e em um átimo as mãos de Alice estavam segurando meu rosto com força.
– Eu sei que está doendo, mas acredite, por enquanto, esse é o melhor caminho. E o fato de eles trocarem beijos não é tão grave... Você conhece bem o Edward. Tenho certeza que, ainda que ele tenha vontades, – eu fiz uma careta, ela não se deteu – ele não arriscaría testar a própria resistência ao sangue de Bella. Além do mais, da maneira anciã que ele sempre se comportou, deve estar firme na determinação de só tocar mais intimamente nela depois do casamento.
– Você ainda vê o casamento...? – peguntei quietamente, querendo afastar as imagens vívidas que começaram a se formar diante de meus olhos.
– Sim, mas cada vez menos sólido, e com algumas alterações... A visão deles dois é nublada agora, e mais e mais eu tenho visto Edward esperando por Bella no altar, mas não a vejo caminhando em direção a ele, não com clareza... – ela inspirou – Eu não sei, talvez ela esteja em dúvida sobre a decisão que tomou. Com sua decisão o futuro se tornou turvo e confuso, e depois que tomei a minha em interferir, tudo se transformou praticamente num caos, mas... Nada garantido ainda...Eu só sei que tenho que me manter nesse caminho, assim como você... É o mais viável por enquanto.
– Certo... – suspirei – Está na hora então.
Alice perdeu o foco do olhar por um momento breve.
– Sim. Estaremos lá ao anoitecer.
Peguei a mochila enquanto Alice fechava a porta do rancho, e logo estávamos no carro, pegando a estrada em direção à Washington.
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Eu já sentía as emoções de Bella desde antes de Seatlle, mas só relaxei meu foco, permitindo que a essência dela me invadisse completamente, quando atravessamos os limites de Forks.
Basicamente ela estava contente, mas não feliz, e a saudade sobressaía qualquer outro sentimento que pulsava nela.
Um sorriso se formou em meus lábios, entendendo que, de alguma forma, o subconsciente dela a estava alertando de sua decisão equivocada. Mas como Alice tinha dito, eu precisava ir com calma e ter paciência. Aquilo era algo que Bella precisava compreender por si mesma.
Alice estalou os lábios em desagrado, e eu a olhei com um olhar inquisitivo, uma sobrancelha arqueada.
– Mesmo que eu te diga que não, ainda assim você vai entrar... – murmurou – Agora terei que fazer um plano de contingência... Porque você é tão teimoso?
Eu dei de ombros, nem tentando argumentar. Se ela estava vendo que eu não me impediría, e eu tinha certeza de que se isso dissesse respeito a Bella ela tinha razão, pra quê discutir?
– O que você viu? – indaguei.
Ela negou em silêncio e desviou o olhar para a floresta densa que se fechava em torno da propriedade. Eu suspirei e senti quando as emoções de Bella se alteraram.
Uma onda pungente de entusiasmo e nervosismo me alcançou, e eu soube que ela tinha detectado minha presença, provavelmente identificando minhas emoções e as reconhecendo.
Eu já sabía que nossa conexão ía muito além do lógico, tinha noção de que ela já podía me sentir há certa distância mas, me senti surpreso e satisfeito mesmo assim. E com isso uma vibração de felicidade se alastrou por meu corpo, sendo duplicada pela reciprocidade imediata de Bella.
Um sorriso deslizou em meus lábios no mesmo momento que Alice arfou.
– Desculpe. – pedi, tentando conter a projeção.
Ela sorriu largamente e negou com a cabeça.
– É bom te sentir assim novamente... – murmurou, os olhos brilhando sua compreensão.
Eu ainda tinha que conversar com ela sobre Bella parecer compartilhar, de certa forma, de meu dom. Uma visão externa sobre isso me ajudaría a compreender melhor, e Alice estava me ajudando mais que qualquer outra pessoa podería, ela merecía saber de tudo.
Estacionei o carro na garagem, respirando fundo para me conter de correr para dentro da casa. Alice sufocou uma risada, e eu revirei os olhos.
– Vinte e seis segundos. – ela disse num tom de diversão.
Eu não entendi do que ela falava até acontecer.
Eu já tinha percebido a determinação poderosa e o profundo desejo de Edward desde que desliguei o carro, mas não me ative a isso, porque as emoções de Bella estavam me envolvendo e, como sempre, desconcentrando de todo o resto. Mas então sua leve resistência me alertou.
Provavelmente por ter detectado minha presença, Edward foi tomado por ciúme, e ele transbordou, me atingindo em cheio. Meu irmão estava então, ainda mais determinado do que antes.
Cheguei a me perguntar mentalmente o que ele estava tão resoluto em fazer, mas não tive tempo de especular. Os sons que me alcançaram assim que eu e Alice descemos do carro me fizeram agir impulsivamente.
Edward estava beijando Bella. Eu não precisava me esforçar para reconhecer o murmúrio de lábios se tocando. Ela não estava completamente entregue e havía uma certa hesitação e temor vibrando intensamente, mas isso não me tranquilizou de maneira alguma. E se isso fosse tudo, eu tería simplesmente esperado e me contido... Mas então, o colchão abafou o som da estrutura de madeira da cama cedendo minimamente ao peso de dois corpos, e o veneno ardeu em minhas veias, se acumulando em minha boca, me fazendo enxergar vermelho.
Alice ainda tentou segurar meu antebraço, mas sua mão nem mesmo roçou minha pele, tamanha a velocidade que eu assumi. Eu voei pela porta da entrada e subi as escadas em um milésimo de segundo. E com um estrondo eu abri a porta do quarto de Edward, encontrando-o pairando sobre o corpo frágil de Bella enquanto eles se beijavam.
Ela subitamente afastou o rosto do dele, corada e assutada, constrangida e receosa. Edward me olhou com reprovação e raiva.
Eu fuzilei meu irmão por três segundos, ultraje e ódio contraindo meus músculos enquanto eu tentava me controlar. Então Alice me nocauteou com sua figura minúscula, e eu logo estava dentro de meu quarto, contra a parede mais distante da porta, com as mãos dela me empurrando firmemente por meu peito.
– Jasper... – ouvi Bella murmurar no quarto de Edward, e ele ser invadido por indignação e mágoa.
– Entendeu agora do quê eu falava? – Alice me perguntou retóricamente – Vamos dar uma volta. Você precisa se acalmar.
– Foi por isso que agiu assim, Edward? – A voz de Bella dançou até mim, saturada de aborrecimento.
– Não, amor... – ele respondeu com o tom culpado e ferido – Eu só...
– Não precisava fazer isso, ele sabe que estamos juntos. – Bella o cortou – Pra quê isso? Só pra marcar seu território? Eu não sou um objeto, Edward, você não tem posse sobre mim...
– Bella me perdôe, eu só... Eu não fiz isso por causa dele... Eu...
– Vamos... – Alice falou por cima da resposta de Edward, me desconcentrando da discussão que ocorria há alguns metros de mim – Você não precisa ouvir o resto.
Eu quería ouvir. Quería ficar, mas eu nunca apostaría contra Alice. As poucas vezes que tinha feito isso tinha me arrependido amargamente, como há dois minutos atrás.
Elevei meus muros, saboreando um pouco mais o arrependimento de Edward a irritação de Bella, antes de me fechar completamente para as sensações intensas que já inundavam a casa, e corri com Allie fundo dentro da floresta.
Quando paramos ela me encarou com carinho.
– Vocês vão estar juntos logo, e ela permitirá que vocês tenham um tempo só de vocês, como antes... Mas não aja como se ela não estivesse com Edward, isso pode provocar nele algo que pode estar diretamente ligado ao futuro que estamos tentando alterar. Ok?!
Eu uni minhas sobrancelhas e expirei pesadamente.
– Ela vai nos permitir termos um tempo só nosso como antes? – indaguei baixo.
– Sim, ela decidiu isso no momento em que te viu. – Alice suspirou – Ela sente que precisa de você, mas não compreende a profundidade dessa necessidade ainda Jazz... Ela vai propôr que vocês voltem a ser amigos, como no começo de tudo. E está disposta a enfrentar Edward por isso, mas ela ainda não tem intenção de se separar dele...
Eu suspirei e desviei meu olhar para a copa das árvores. A raiva que eu sentia me fazia capaz de destruir metade daquela floresta em um piscar de olhos humanos, e era exatamente o que eu queria fazer naquele momento, mas me retrai, engolindo a ansiedade e me determinando, mais uma vez, a ser paciente.
– Viu? Não foi tão difícil assim, foi?
Eu voltei meus olhos para Alice, que sorria.
– Não... – adimiti – Por ela eu faço qualquer coisa. Até mesmo suportar e sufocar minha própria consternação.
Ciúme, mágoa e uma certa inveja me alcançaram brandamente, enquanto a pequena à minha frente olhava para longe de mim. Mas logo as emoções foram suprimidas, dando lugar a um remorso potente.
Eu me aproximei dela e a envolvi com meus braços, segurando sua cabeça em meu peito.
– Me perdôe Allie... Estou tão mergulhado nisso tudo que me esqueço do quanto isso ainda fere você.
Ela levantou o rosto e me olhou com resignação.
– Está tudo bem... – sussurrou – Eu quero te ajudar e me sentir feliz por você quando realizar o que quer, e estou fazendo de tudo para me conformar, acredite, mas... Ainda é um pouco difícil... Eu ainda... Te amo... – ela terminou a frase com constrangimento, escondendo a face em minha blusa.
Eu a apertei um pouco mais contra mim e apoiei meu queixo no alto de sua cabeça.
– Sería tudo tão mais fácil se eu ainda amasse você como antes... – murmurei muito mais pra mim que pra ela ouvir – Mas você não merece ter alguém pela metade, ou quebrado, como é o meu caso nesse momento... Eu sinto tanto, Allie... sinto muito mesmo.
Ela se afastou um pouco para me olhar nos olhos.
– Eu sei disso... – afirmou segura – E eu não gostaría que você ficasse comigo por culpa ou senso de obrigação... Pior ainda por pena. – ela expirou – Eu não estou magoada com você, sei que não tem culpa do que sente, eu vejo o quanto isso tudo é impossível de ser contido... Estou magoada pela situação em si, por ter perdido você, por amar você enquanto eu sei que você nunca mais será meu, mas... Eu entendo que tenho de superar isso... Só preciso de tempo.
Eu abri a boca para pedir perdão mais uma vez, mas Alice a cobriu com a mão delicada.
– Não peça mais desculpas. – pediu – Não vamos mais falar sobre isso. Eu vou ficar bem.
Eu podía enxergar a determinação no olhar dela, mas a dor ainda estava lá, dançando em sua expressão e em espirais em volta de sua figura frágil, me fazendo sentir terrível.
Eu segurei o rosto de Alice com cuidado em minhas mãos e me inclinei para ela, beijando-a com suavidade, apesar de demoradamente. Não foi mais que um toque superficial de lábios, mas eu precisava fazer isso, um gesto que demonstrasse que tudo que eu sentia por ela não foi apagado por meu amor por Bella, nem desvalorizado com a noção de que não éramos companheiros no sentido real da coisa.
Alice suspirou de olhos fechados enquanto eu já me afastava, tristeza e uma alegria tênue emanando dela pra mim.
– Obrigada... – ela sussurrou, antes de abrir os olhos e se afastar de mim com graça.
– Não há de quê, senhorita... – eu sorri de leve, e ela sorriu de volta.
– Já pode voltar. Tem uma garota muito ansiosa em te ver naquela direção... – ela falou com o tom ameno, apontando para o caminho que daría na casa.
Eu me virei para começar a correr, mas notei que Alice não se moveu. A olhei com dúvida.
– Preciso de mais alguns minutos.
Eu anui em silêncio, trovejando pela floresta em seguida.
– Ele vai estar aqui em em um instante. – ouvi Edward murmurar com desgosto quando eu já saltava o córrego nos fundos da propriedade.
– Eu sei. – Bella falou tranquila.
– Você... sabe? – Edward expirou surpreso e confuso – Como?
Bella não teve tempo de responder. Eu estava em sua frente antes que ela puxasse o ar para começar a dar alguma explicação.
Seus olhos piscaram com força e ficaram maiores, focalizando meu rosto. Satisfação e incerteza desenhados em sua face e espiralando em torno de mim.
Eu respirei fundo, imitando o gesto dela, ignorando completamente o braço possessivo de Edward em torno de sua cintura e a expressão contrariada que ele sustentava.
– Oi... – falei com uma sugestão de sorriso.
– Oi... – ela devolveu, se afastando de Edward e se aproximando de mim.
A mão quente e pequena se elevou lentamente até meu rosto, afagando minha bochecha brevemente. Meu sorriso se pronunciou, e eu senti o conforto de seu amor por mim me cobrir, enquanto eu permitia que meu sentimento a alcançasse.
Edward ficou imóvel, remoendo seu ciúme e sua tristeza enquanto nos observava em silêncio.
– Senti saudades... – Bella sussurrou, o olhar trancado no meu.
Eu a abracei delicadamente, apoiando meu queixo no topo de sua cabeça, os olhos fechados para apreciar melhor o contato. A irritação de Edward atingiu níveis estratosféricos, mas eu não me importei. Bella estava me rodeando com seus braços frágeis, o rosto enterrado em meu peito, inspirando meu cheiro com força, e seu afeto, seu carinho, nossa ligação, me fez esquecer, momentâneamente, que tínhamos uma platéia.
Eu me afastei com cautela, não querendo provocar ainda mais meu irmão. Segurei as mãos de Bella nas minhas.
– Eu ainda estou sentindo... – murmurei.
Ela sorriu, reconhecendo que eu havía usado a mesma resposta de um momento anterior.
– Como foi a viagem? – ela indagou – Onde está Alice? – sua expressão mudou um pouco com a segunda pergunta, e eu compreendi a insegurança que ela tentava conter dentro de si.
– Por perto. Logo ela estará aqui. – respondi curtamente, ignorando a primeira pergunta. Não queria Edward ciente de minha descoberta, não podería arriscar pensar nisso.
Bella assentiu e soltou minhas mãos com relutância, um senso de inadequeção abruptamente a tomando.
– Vai ficar? – ela perguntou hesitante.
– Sim. – afirmei – E em breve o restante da família estará de volta.
Alice e eu tinhamos decidido conversar com Carlisle sobre o que estava acontecendo, sendo ele um detentor de conhecimentos vastos como era. Segundo minha ex-esposa ele já pensava em retornar desde que ela começou a ter visões sobre mim e Bella, e ainda aguardava por seu posicionamento. Estava acertado então que uniríamos o útil ao agradável nesse caso.
Edward me olhou com questionamento claro em seu olhar, mas não abriu a boca.
– Todos vão voltar? – Bella arquejou em surpresa e contentamento.
Eu assenti no momento em que Alice passou pelas portas corrediças.
– Vão sim. – ela confirmou com seu tom musical – Em quatro dias.
Bella e Edward voltaram suas cabeças na direção da pequena, emando alegria.
– Alice! – Bella disse numa respiração, e correu para ela, que já esperava a melhor amiga de braços abertos.
Elas se abraçaram com carinho, depois se olharam.
– Eu voltei... – Alice sorriu – Vamos conversar.
Bella assentiu enquanto murmurava um “senti tanto a sua falta” para Allie, os olhos brilhando sua emoção.
– Olá Edward. – ela cumprimentou o irmão favorito com afeição clara em sua voz – Vou roubar sua noiva por alguns minutos...
Ele sorriu, a despeito da insegurança que o cobria.
– Sem problema. Teremos algum tempo pra nós depois? Gostaria muito de conversar com você, também.
Alice assentiu enquanto guiava Bella para o andar de cima, as mãos entrelaçadas.
– Eu pedi Bella em casamento. – Edward disse com presunção, voltando o olhar afetado para mim com lentidão no instante em que o som da porta se fechando nos alcançou – E ela aceitou.
Eu quase ri.
– Eu estava com Alice. – dei de ombros, não me deixando atingir por sua tentativa ridícula de provocação – As novidades nos alcançam muito rápido quando temos uma vidente por perto.
– Eu acredito então que você não agirá como se tivesse algum direito sobre minha noiva... Como agiu há trinta e dois minutos atrás. – ele elevou uma sobrancelha pra mim em desafio.
– Você tem todo o direito de questionar a maneira como Bella age em torno de mim... – repliquei com serenidade – Por enquanto. Ela ainda lhe deve satisfações. – Me aproximei dois passos, alinhando mais meus ombros para que ele notasse os dez centímetros de diferença entre nossas alturas. O olhei de cima com os olhos estreitados – Mas não venha me questionar sobre minha atitude em relação a ela.
– Bella vai se casar comigo. – ele devolveu com irritação contida – E eu vou transformá-la. Estaremos atados por laços inquebráveis...
– Eu não tería tanta certeza sobre isso. – o cortei – Tudo pode mudar, especialmente quando ela ainda tem sentimentos por mim.
– O que Bella sente por você é afeição e gratidão. Amizade. E é tudo fruto da interação de vocês, que minha ausência provocou, nada mais que isso.
Ele falou tudo com a voz firme, mas por dentro o medo se transformava em terror enquanto ele vía a determinação em meu olhar.
Eu ri baixo, direcionando a ele um olhar despreocupado.
– Quer mesmo discutir sobre sentimentos com um empata, Edward? – provoquei – Nem você mesmo acredita no que disse. Além do mais... – comecei a me afastar para a porta – Não me importo com sua opinião. Apenas tenha ciencia de que eu farei tudo que estiver em meu alcance para que Bella perceba o que realmente está dentro dela.
E reconhecendo a incerteza e o receio que o afogaram, corri para a floresta mais uma vez, para caçar. Agora era a minha vez de ser presunçoso.
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– Você não devería ter provocado Edward. – Alice reprovou mais tarde naquela mesma noite – Agora ele vai convencer Bella a marcar uma data, e para o mais breve possível. Não concordamos em agir sutilmente?
Eu me encostei no tronco da árvore atrás de mim, enrugando minha testa ao reconhecer que meu ato impulsivo havia gerado um encurtamento do pouco tempo que tínhamos.
– Eu não fui capaz de conter minha consternação. Ele me provocou primeiro.
– Você parecem dois menininhos disputando o brinquedo novo... – ela disse numa expiração irritada – Quanto mais você pressionar, pior ficará sua situação. Ele vai se tornar mais difícil do que já é e tentará impedir qualquer interação entre você e Bella, será que não consegue ver isso?
Eu suspirei.
– Desculpe, Allie. Tentarei ser mais suave.
– Não. – ela determinou com firmeza se aproximando de mim com o dedo em riste – Você vai assumir a distância necessária por enquanto. Se Bella te procurar, ok, mas não fique empurrando Edward pro limite quando ele pode ser o fator decisivo em termos ou não tempo para resolvermos as coisas.
– Ok. – aceitei.
Quando Alice falava com tal autoridade era complicado me lembrar que eu tinha liderado exércitos e exterminado milhares de vampiros. A baixinha podía ser assustadora e intimidante quando quería.
– Ela vai te ligar depois da escola amanhã. Vai pedir para conversarem. – ela suspirou ainda zangada – Lembre-se de tudo que conversamos e do que decidimos, não tenha mais atitudes impessadas Jazz...
– Não terei. – prometi sentindo a ansiedade me envolver. Eu não via a hora de estar com Bella sozinho – Te garanto.
– Certo. – ela murmurou – Vamos voltar. Edward quer conversar comigo sobre Bella, e você, e o casamento... E eu vou tentar reverter a posição em que você nos colocou com sua inconsequência.
Seu tom era enfadado, e eu nem quería imaginar o trabalho que ela tería para convencê-lo, ou o esforço que ela tería de fazer para não revelar nossos planos e tudo que descobrimos, para nosso irmão psíquico....
Me foquei em sentir o júbilo por estar de volta, por ter Bella ao alcance de minhas mãos, e por saber, com gratificante certeza, que ela se sentia da mesma forma.
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– Charlie... – Falei com um sorriso sincero, enquanto olhava para o homem em minha frente que, segurando a porta aberta pra mim, emanava contentamento – Como vai?
Ele estendeu a mão para que compartilhássemos um gesto de honesta afeição, e eu retribui.
– Relativamente bem, dados os últimos acontecimentos... – ele resmungou quando nos direcionávamos à sala – Bella me avisou quando você precisou retornar a Vancouver por conta de suas aulas. Mas acredito que mesmo lá as notícias te alcançaram, não?
Nos sentamos de frente um pro outro, e eu não pude reprimir o desgosto que se estampou em minha face.
– Sim, eu já soube...
– Lamento filho... – ele disse com sinceridade – Sei que gosta dela. Sei que tinha intenções e percebí que eram boas. Eu não imaginava que minha filha podería ser tão... – ele procurou pela melhor palavra enquanto eu pensava em obtusa, contraditória e inocente. Ele engoliu qualquer que tenha sido o adjetivo que considerou – Sei que Edward é seu irmão, mas... Não acho que ela tenha feito a melhor das escolhas, e não é somente pelo fato de eu gostar de você...
Eu suspirei.
– Eu também lamento, Charlie, mas não podería contestar a decisão dela. Eu deixei claro pra Bella o que quería, mas ao menos naquele momento, ela não se sentía da mesma forma que eu.
Charlie me olhou com o olhar paterno que fez com que eu me afeiçoasse a ele tão rápido.
– Jasper... Eu ainda tenho esperanças... – ele me disse com a voz baixa e uma ameaça de sorriso nos lábios – Eu posso não ser um homem de muitas palavras, mas observo tudo e sou bom nisso... – eu não discordaría dele. Ele provou seu ponto na primeira vez que nos encontramos – Bella tinha, e ainda tem, sentimentos por você. Talvez ela só precise de alguma ajuda para enxergar isso.
Eu sorri pra ele, satisfeito com seu apoio.
– Não desista. – Ele praticamente exigiu.
Eu assenti em silêncio, ainda sorrindo, quando Bella apareceu no arco que separava a sala do corredor.
– Oi... – falou pra mim timidamente.
– Oi. – respondi com carinho expresso em meu olhar. Depois me voltei pra Charlie novamente – Vou leva-la a um restaurante em Port Angeles. Para conversarmos. – Ele sorriu abertamente e assentiu – Trago-a de volta antes das nove.
– Podem demorar um pouco mais. – ele sugeriu, direcionando um olhar sugestivo para Bella, que corou – É sexta-feira. Vocês jovens tenham um pouco de diversão.
Eu sufoquei uma risada que ameaçou explodir em reação à tentativa mal-sucedida de Charlie em ser sutil, e Bella fuzilou o pai com o olhar por um momento.
– Até mais tarde pai... – ela falou se virando para a porta, enquanto eu me levantava.
– Se seu noivo ligar eu digo o quê? – ele perguntou com ironia e diversão evidentes.
– Edward sabe que vou sair com Jasper. – ela replicou com irritação.
– Ok, ok... – ele falou contendo uma risada.
Logo estávamos no carro, e Bella me encarou com incerteza.
– Eu não me vesti pra ir a um restaurante Jasper...
– Eu não podía falar a ele que te levaría para o penhasco que define o limite de Washington, Bella... – disse – Tive que inventar uma desculpa.
Ela assentiu emanado compreensão e alguma decepção, e eu sorri genuínamente feliz.
– Posso te levar num restaurante, se preferir... O prazer será todo meu. Eu só achei que sería bom conversarmos em nosso canto...
Ela sorriu, contentamento substituindo as emoções anteriores rapidamente.
– Sim, vai ser bom estarmos lá, juntos, outra vez... – ela murmurou corando.
Eu assenti e sorri enquanto ligava o carro e o colocava na pista, a ansiedade me atormentando um pouco, mas bem controlada pelo amor e carinho que compartilhávamos naquele momento.
A conversa sería, mais uma vez, complicada, especialmente quando eu sabía que ela quería respostas que eu não podería dar no momento, mas, de qualquer forma, teríamos um tempo só nosso, e talvez, só talvez, isso significasse o início de minha conquista.
A intensificação de minha ansiedade em consequência da de Bella me fez ter esperança.
Ela estava tão ansiosa quanto eu... E me amava.
Definitivamente era um começo.
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