Destinados
4 A delicada ternura
Notas iniciais
Mais um cap quentinho e vamo que vamo!

A luz do sol refratou em minha pele, lançando pequenos arco-íris no rosto embevecido de Bella.
Eu não entendia como ela podía se sentir tão maravilhada olhando para um ser anormal como eu, principalmente quando eu não possuía a beleza perfeita de meus irmãos adotivos, mas isso não evitou que eu ficasse feliz em não assusta-la ou não causar repulsa nela.
Estávamos numa campina no meio da floresta, sentados de frente um pro outro. Bella havia me pedido para leva-la até esse lugar onde ela e Edward costumavam vir. Eu não me incomodei a princípio, eu não tinha o direito de sentir ciúmes da história deles, e ela tinha me afirmado que só quería revisitar o lugar que ela considerava tão especial. Eu não contava que o olhar triste e nostálgico de Bella, quando finalmente chegamos, me causaría o mais profundo desconforto que já tinha sentido até ali. Muito menos que ela percebesse.
Ela não fez nenhum comentário, e eu não sei ao certo dizer como notei que ela percebia meu incômodo, mas existia essa curiosa comunicação muda entre nós, que se desenvolvia e se tornava mais evidente com o passar do tempo, e não foi surpresa nenhuma quando ela, afastando deliberadamente a tristeza, sorriu pra mim tomada de compreensão e segurou minha mão na dela por um rápido minuto, antes de se sentar na grama rasteira.
Quase dois meses haviam se passado desde a partida de Edward, e Bella já estava quase completamente recuperada da perda. Nós havíamos dividido todos os nossos segredos até então, até mesmo os mais terríveis.
Eu contei a Bella sobre minha criação, minha vida com Maria nos campos de guerra do Texas, minha insatisfação com aquela rotina, minha fuga, meu encontro com Alice e nossa vida a dois, nosso encontro com os Cullen. Até compartilhei com ela algumas de minhas memórias humanas, aquelas que eram mais claras pra mim, e me senti extremamente realizado por ela conhecer toda minha história.
Bella me falou de sua vida em Phoenix antes de se mudar para Forks, me contou sobre a mãe e a maneira como se relacionavam, sua convivência com o pai... A parte mais complicada, e que levou dias para que ela finalmente desabafasse tudo para mim, foi sobre Edward. Tudo sobre ele era doloroso para ela falar. Mas ela dividiu comigo todas as suas sensações e experiências com ele ao longo dos quase sete meses que eles namoraram.
Eu sentia que, apesar de Bella não ter mais esperança, ela também não tinha mais mágoa de Edward. Eu não conseguia identificar mais o amor que ela sentia por ele, não claramente, mas eu sabia que ele estava lá, e isso passou a me atormentar um pouco mais a cada dia.
Nós dois estávamos cada dia mais próximos, e passávamos cada vez mais tempo juntos. Nossa dinâmica era tão natural e espontânea que já não me sentia desconfortável em falar tudo que pensava para ela, assim como ela fazia comigo. Mas a incoveniente esperança que nascia em mim, e que eu tentava de todas as formas desestimular, se tornava mais intensa e incontrolável, impossível de esconder, e permeava cada gesto meu, cada palavra...
– Você é tão lindo... – Bella sussurrou me arrancando de meus pensamentos, os olhos fixos na pequena faixa de pele exposta em meu braço.
Eu sorri, consciente de que ela não tinha qualquer maldade em relação a mim, mas internamente desejando, como sempre, que cada pequena atitude, cada pequena brecha, a guiasse para meus braços.
– Olhos humanos não conseguem captar todos os detalhes com clareza... – repliquei com suavidade, tentando manter o clima leve – Eu não sou bonito, Bella. Muito menos lindo.
Ela estalou os lábios num ato de descordância, o que me causou certa satisfação. E quando seu olhar se fixou no meu, a intensidade me desnorteou.
– Você é mais bonito que qualquer um de vocês que eu já tenha visto... – Ela disse com a voz trêmula – Sua pele brilha de uma maneira diferente, é como se... se você não fosse perfeito como eles... E essa imperfeição te faz único. – Ela deu de ombros e eu me surpreendi com o fato dela estar falando tudo aquilo sem se sentir constrangida ou corar, como era comum – Você não tem a beleza óbvia de todos eles, você é mais... Bruto. Como um diamante sem lapidação.
Eu ri alto com a comparação, me sentindo curiosamente contente por ela me achar bonito.
– Sou mais bonito que Edward? – provoquei numa risada, mas a minha dúvida era real.
Bella assentiu de imediato.
– Sim. – ela disse com segurança e eu me surpreendi por constatar que ela era sincera – Edward é perfeito e lindo, mas ele não tem esse ar maduro que você tem... Ele tem uma beleza adolescente... Você tem traços imperfeitos e... Marcantes. Traços de homem.
E então ela finalmente corou, e meu sorriso morreu porque eu também me senti constrangido.
Obviamente eu não podia negar o prazer por ela me enxergar daquela forma, mas Bella havia me pegado de guarda baixa com aquilo.
– Isso é porque ele foi transformado com dezessete, ainda era muito jovem. – Tentei conteporizar para afastar a súbita tensão – Eu fui transformado com vinte e três. Meu amadurecimento físico já havia completado seu ciclo. Eu já era homem feito quando me tornei um vampiro. – Suspirei tentando controlar a vergonha que emanava dela e era aninhada em mim – Posso comentar sobre sua beleza também?
Bella sorriu e corou ainda mais, mas seus sentimentos, longe de serem embarassados, me mostraram que ela quería saber o que eu achava dela. A curiosidade e ansiedade pulsavam fortes entre nós dois.
Eu me inclinei um pouco em direção a ela, apoiando meus braços cruzados sobre meus joelhos, e olhando em seus olhos castanhos com veemência.
– Você pode parecer frágil e delicada... – comecei – Sua aparência física reforça isso. Seus traços finos, sua pele translúcida, suas formas suaves. Mas qualquer um pode notar o quanto você não é mais uma menina quando encontra seu olhar. Seus olhos castanhos poderíam ser vazios e inexpressivos, como a maioria dos olhos escuros, mas ao invés disso eles são como espelhos, e refletem sua alma. Eu quase não preciso usar meu dom pra saber o que está sentindo. Sua atitude segura, sua coragem, sua força, estão sempre muito bem expressos neles... E isso define sua maturidade, deixa ela evidente em seu semblante. Seus olhos transformam sua beleza quase infantil numa graciosidade adulta. Uma mulher. Com feições sutis, mas ainda, uma mulher, não uma menina... Você é linda, Bella.
Ela expirou e só então notei que sua respiração havia estado suspensa. Seus olhos brilhavam forte e me queimavam com uma intensidade que nunca tinha acontecido entre nós dois.
A ternura com que ela sempre me envolvia quando estávamos juntos estava presente, mas uma fagulha de desejo se misturou a ela, e eu me vi incrédulo do que parecia estar começando a acontecer.
Nós estávamos nos envolvendo? Ou melhor, eu estava despertando interesse em Bella?
Mas tão rápido quanto surgiu, a emoção esvaneceu, e tudo que pude concluir é que foi apenas uma reação aos nossos comentários, nada mais que isso.
– Eu nem consigo imaginar como você, que teve Alice como companheira durante cinquenta anos, pode me achar linda...
– Você teve Edward, e pelo menos no nosso mundo, a beleza dele é muito mais que perfeita. Não vamos fazer comparações. Se parar pra pensar, meus motivos para te achar bonita são os mesmos para que você ache o mesmo de mim.
Ela sorriu e assentiu, aceitando que eu tinha vencido o argumento.
– Você ainda... Sente falta... Dela...? – Bella perguntou sem me olhar.
– Você quer a verdade? – perguntei simplesmente – Pode parecer um pouco cruel.
– Eu quero a verdade.
– Não quando estou com você.
As minhas palavras pairaram entre nós por um longo minuto, e Bella parecia mais perplexa com minha resposta do que eu com minha intensidade.
Suspiramos juntos, ao mesmo tempo. E repentinamente uma onda de desconforto e confusão me alcançou.
– Me desculpe. – Pedi sem saber exatamente o porquê.
– Pelo quê? – ela me perguntou com o ar intrigado.
– Às vezes eu me exponho demais pra você. Sei que toda essa intensidade te faz desconfortável. Eu só não tenho conseguido evitar.
Bella suspirou, a confusão ainda mais profunda.
– E porque não?
– Porque não o quê?
– Porque não consegue evitar?
– Eu me sinto sem defesas perto de você, Bella. – Suspirei – É como se você anulasse minhas barreiras, por mais que eu me esforce em manter você sempre as ultrapassa...
Ela arfou e eu senti uma estranha onda de satisfação dela pra mim. Porque ela estava contente em me ter indefeso diante dela?
– Jasper... O que está acontecendo...? – Sua voz veio saturada de incerteza e receio.
Eu quebrei a conexão de nossos olhares, tentando evitar que a esperança, provocada pelas emoções que Bella enviava pra mim, me envolvesse mais fortemente do que já estavam. Eu queria acreditar que o carinho que ela me direcionava não era tão inocente quanto parecia ser, ou que ao menos estivesse se transformando, mas era ilusão desejar por isso.
Sabendo que ela estava desconfortável o suficiente, tentei retomar a leveza quando respondi.
– Eu não sei... – murmurei com um sorriso forçado – Acho que é isso que acontece quando amigos começam a se tornar muito íntimos... Perdemos o limite do que é conveniente ou não dizer ou fazer.
Ouvi Bella suspirar e senti sua mão em meu braço. Não voltei meu rosto em direção à ela, com medo de que meus sentimentos estivessem claros demais em meus olhos.
– Eu acreditei que minha ligação com Edward era especial... Que eu nunca vivería uma experiência mais transformadora do que aquela... – Seus dedos pressionaram minha pele, o peso de uma pluma, mas capaz de enviar choques por toda extensão de meu corpo – Eu estava errada...
Automaticamente meu olhar encontrou o dela, e eu me vi confuso com os sentimentos que nos rodearam.
Eu tentei evitar, com todas as minhas forças, que minhas defesas ruíssem, mas Bella mexia comigo de uma foma que nem eu mesmo entendia. E eu soube, assim que seu arquejo alcançou meus ouvidos, que tinha deixado vazar, se não tudo, pelo menos parte do que sentia por ela.
– O que foi isso...? – Ela perguntou num sussurro quebrado.
Eu respirei fundo e me concentrei, domando minhas emoções.
– Eu me importo demais com você... – confessei parte da verdade.
Bella sorriu para mim e eu estava completamente aos seus pés naquele instante.
– V-você... Você deixou que eu sentisse... O que você sente? Foi isso que aconteceu agora?
Eu assenti, aliviado por perceber que ela não havia tido tempo suficiente para compreender a intensidade do sentimento que eu emanei sem querer.
– Como você fez isso? – Ela perguntou intrigada – Eu senti como se uma névoa me envolvesse e, de repente, eu podia sentir essa... Emoção além de mim...
Não adimiti que havia feito aquilo sem intenção, mas explicar como havia acontecido não sería um grande problema.
– Na maioria das vezes eu apenas me concentro na emoção que quero direcionar e a envio para você... Não preciso, necessáriamente, senti-la para fazer isso, pois conheço o teor de cada uma, manipula-las é o meu dom, então meio que acontece sem que eu precise realmente pensar... – Suspirei – Mas permitir que sinta algo que eu estou sentindo... É muito mais... Complicado...
– Não basta vibrar pra mim? – Ela riu de leve, tentando entender.
– Não. – Eu sorri de volta – É como... Uma essência... Um perfume. Você não pode sentir o aroma se o vidro está fechado. Precisa retirar a tampa.
Ela ficou séria de repente, e uma forte ansiedade tomou conta dela.
– Então eu faço isso com você...? – Ela indagou num tom baixo e hesitante.
– Sim. – Respondi sem pensar.
Ela me encarou por muitos segundos, dúvida e expectativa fortemente atreladas a um tipo de anseio que eu não consegui identificar.
– Então eu consigo manipular o seu dom! – Ela falou num tom divertido de repente, e eu soube que ela queria suavizar o clima tenso que pairou sobre nós – A humana manipula o vampiro, hã?
Eu sorri, aceitando a oportunidade de desanuviar o ambiente.
Você nem imagina o quanto... Pensei.
Nós passamos mais algumas horas na floresta, falando de coisas distantes de nós, como os lugares que eu conhecia e os lugares que Bella quería conhecer... Ela comentou sobre sua amizade com Angela Weber e o desconforto que sentia na presença de Mike Newton, a pouca paciência que tinha para Jéssica Stanley e a indiferença em relação ao restante do grupo de adolescentes que supostamente compunham seu círculo de amigos. Nós retornamos antes que começasse a escurecer e chegamos minutos antes de Charlie voltar pra casa.
Eu a movi de minhas costas para frente de meu corpo e a coloquei no chão ao lado de sua cama. Esperei que ela descruzasse os braços que rodeavam meu pescoço, mas não aconteceu.
Com as mãos trêmulas, Bella deslizou as pontas dos dedos por minha nuca e eu mal pude reprimir um suspiro. Segurou delicadamente os cachos na base de minha cabeça, enquanto eu fechava com cuidado minhas mãos em sua cintura, e expirou. Meu rosto foi banhado por seu hálito e eu contei mentalmente até cem para me manter imóvel. Seu rosto se moveu para o meu lentamente e eu interompi a respiração.
Me sentia como um rapazote em expectativa do primeiro beijo, e estava tão tenso e perplexo que não prestei atenção nas emoções que ela vibrava pra mim.
Nossos olhos estavam trancados um no outro, e no único segundo que nos separava do que parecia que iría acontecer, eu tive a nítida sensação que meu coração podería bater novamente.
Então ouvimos a voz de Charlie.
– Bella? – Ele gritou do andar de baixo.
E como num passe de mágica a ligação intensa que nos prendia foi quebrada, e Bella se afastou de mim constrangida e confusa, o rubor característico inundando sua feição aturdida.
– E-eu vou caçar... – Falei com a voz surpreendentemente trêmula – Volto quando ele estiver dormindo.
Desapareci pela janela antes que ela tivesse a chance de responder, e corri o mais rápido que pude para dentro da floresta, transtornado pela dúvida que me consumia.
Sería errado querer tanto que ela correspondesse aos meus sentimentos?
Eu não parava de pensar que, de uma maneira ou de outra, Bella ainda pertencia a Edward e eu não tinha o direito de me colocar entre eles. Além disso existia esse medo aterrador de que, se algo acontecesse entre nós, e não fosse verdadeiro como o que ela havia sentido, e provavelmente ainda sentia por meu irmão, nossa ligação fosse prejudicada, e eu não conseguiría suportar não ter Bella em minha existência, fosse da forma que fosse.
Meu dom me permitia perceber que ela tinha sentimentos por mim, mas nada que me levasse a ter certeza de que me desejava como eu a desejava. A tenura e o cuicado, o carinho que estavam sempre presentes poderíam ser interpretados de tantas maneiras, terem tantas razões de ser, que não me sentía seguro em arriscar.
Obviamente que o que eu desejava, o que eu sonhava acordado, era que um dia as emoções puras que Bella direcionava a mim se tornassem profundas e mais carnais, mais reais, menos platônicas, mas eu não conseguia me eximir da culpa que vinha emaranhada a isso.
Por mais que Edward não estivesse mais na vida dela, por mais que Alice não estivesse mais na minha, a impressão de que eu estava quebrando todas as regras, ignorando todos os elos de honra e dignidade para com meu clã, nunca me abandonava.
Corri por horas antes de relamente começar a caçar. Tentei me desligar de todos os pensamentos relacionados a ela, e permiti que meus instintos me dominassem. Por um longo período eu era apenas um predador, saciando sua sede, cedendo aos seus impulsos... Mas eu estava tão intensamente conectado a Bella que, mesmo não atento a ela, suas emoções me alcançavam, e me traziam de volta.
Saudade...
Profunda e devastadora.
Ela devia estar pensando em Edward e tudo que eu não precisava era estar de guarda baixa naquele momento.
O ciúme me engolfou potente, e tive de respirar fundo e me concentrar árduamente para controlar meus muros e evitar que eles cedessem.
Corri de volta para a pequena casa, hesitando antes de escalar a minúscula janela de onde nenhuma luz era emitida.
Senti o aroma de suas lágrimas antes mesmo de ouvir seus soluços baixos, e suprimi com mais determinação o ciúme que ameaçava me fazer perder o controle.
Bella engasgou e se sentou na cama, ligando o abajur que ficava ao lado.
– V-você está... Zangado? – Ela perguntou incerta e eu analisei rapidamente minha postura para entender o motivo que a tinha levado a pensar tal coisa.
– Não, Bella... – Disse em dúvida – Porque estaria zangado?
Ela expirou e colocou a mão sobre o peito, ansiedade me atingindo em ondas.
– Jasper, eu... Eu estou sentindo... Você... – Ela falou com hesitação – Você está...
– Você está me sentindo? – Perguntei alarmado. Minhas defesas estavam firmes, eu tinha certeza.
– Eu posso sentir... – ela sussurrou confusa e surpresa – Eu estou sentindo o que você está sentindo, você está... Você está emando pra mim?
Me aproximei da cama e me sentei ao lado dela completamente atordoado.
– Bella, eu não estou enviando qualquer vibração pra você... – afirmei – O que, exatamente, você está sentindo...?
Ela me olhou profundamente, como se buscasse alguma coisa em meus olhos.
– Eu não sei ao certo, é... Difícil de compreender, mas... Acho que você está... Confuso... E chateado...
Eu a encarei completamente atordoado.
Isso não era possível, eu podia sentir minhas barreiras fixamente suspensas ao meu redor, e eu nem estava enviando qualquer emoção a ela, muito menos as minhas próprias... Como ela podia saber o que ia dentro de mim?
Monitorei suas emoções, e tudo que consegui detectar foi que Bella estava extremamente intrigada.
Se aquilo estava realmente acontecendo então eu precisava ter certeza.
– Pode me dizer o que estou sentindo agora? – perguntei.
E então me concentrei nas poucas lembranças humanas que guardava, assumindo a saudade que a época me trazia.
– Parece... Saudade... – Bella murmurou.
Resolvi testar um pouco mais, busacando os sentimentos primários e mais facilmente identificaveis pelo ser humano. Recordei o período em que viví no Texas com Maria, focando nos horrores que tinha causado.
– Medo... – Bella disse com uma estranha satisfação – Remorso...
– Como está fazendo isso? – Indaguei abismado – Eu não estou projetando.
– Eu não sei... Eu só... Eu posso sentir... Como se estivesse ligada a você... Como se esses sentimentos estivessem em mim...
Nós nos encaramos perplexos por um longo momento, até que eu me desse conta de que o que ela estava vivenciando eu vinha vivenciando em relação a ela desde o dia em que Edward a deixou.
E então, mais do que nunca, eu entendi que ela era sim, a parte de mim que eu nunca soube que faltava. Essa inesperada conexão que nos ligava, que eu havia acreditado que era unilateral, havia passado a ser recíproca, e eu já não podería mais conter a esperança que pulsava em mim irreprimível.
– Existe algo que eu tenho de lhe contar... – Falei, decidido a explicar a forma como a havia encontrado na floresta há quase dois meses – E talvez o que está acontecendo agora com você faça algum sentido.
Bella respirou fundo e se ajeitou sobre os lençóis, enquanto eu me preparava para falar.
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