Notas iniciais
Olá pessoas!! Acompanhando os jogos da Copa? Eu sim, e quase infartando eheuehueh Como sou sempre breve, então apenas desejo uma boa leitura ^^

Ah, bem-feito! E ele já não conhecia o temperamento da garota, por acaso? Sorte ter se tornado muito mais ágil graças a tantas horas no simulador, pensou Choi ao curvar o corpo para o lado e lançar as duas mãos para frente, absorvendo através de sua arma, a flecha flamejando que Mona lançou em sua direção. Caso contrário, estaria em sérios apuros naquele momento.

Trincou os dentes diante do impacto do poder da arma dela em sua pele. Foi capaz de sentir um calor escaldante, mas, ainda assim, para sua sorte, a flecha foi totalmente bloqueada por ele. Só que mal foi capaz de vangloriar-se disso, pois Mona, ao ver o que tinha acontecido, tratou de atirar outra. Como ainda estava meio sem jeito com o Olho de Grong, Choi achou melhor cair fora, por isso, esquivou o corpo para a direita e lançou de volta a flecha que ela lhe enviou, só que sem a vantagem da mira perfeita da garota, mas foi o suficiente para distraí-la, enquanto ele conseguia uma distância segura.

Agindo rapidamente, sem dar tempo para que seus sentimentos tumultuados pela situação se sobressaíssem e o impedissem de fazer o que precisava, Choi levou as duas mãos ao chão, como se estivesse apoiando o corpo nele, sem desviar os olhos de sua oponente, que já apontava o arco novamente em sua direção. Assim que notou o brilho dourado do fio brilhar com intensidade, indicio de que logo dispararia contra ele, Choi ergueu-se e voltou as mãos abertas para Mona. Ela arregalou os olhos e ele arremessou seu poder.

O sorriso que se formava na boca do rapaz morreu rapidamente ao notar, com descrença, pequenas pedrinhas, do tamanho de bolas de gude, serem lançadas contra Mona, que se limitou a usar o arco como taco, afastando sem qualquer dificuldade as poucas que poderiam causar algum dano. Arqueando uma sobrancelha negra e perfeita, a garota questionou ironicamente:

— Quantos anos você tem, Choi? Que coisa infantil. Jogar pedrinhas, e ainda com essa mira horrível.

Certo, ele merecia aquilo. Não tinha se esforçado o suficiente, ainda que estivesse mantendo-se o mais distante emocionalmente possível, falhara de forma vergonhosa. Quando Mona olhou-o com a aquela expressão surpresa, ele vislumbrou a dor que tinha causado a ela com suas palavras propositadamente cruéis. Choi não estava acostumado a tratar mal as pessoas, a ser ofensivo e fazê-las se sentirem miseráveis, algo que sabia ter feito com Mona.

Tinha ido para a luta com inúmeras dúvidas e angústias. Lutar ou desistir? Perder ou vencer? Mas quando viu a apatia dela, a clara intenção de deixar-se ser derrotada, como ele próprio havia cogitado, as palavras de Esan vieram a sua mente. Proteger era tornar a pessoa capaz de fazer isso por ela mesma.

Quando chegou ao salão, a Mona de cabeça baixa a sua frente, a garota derrotada e deprimida que ela exibia, não seria capaz de sobreviver em Payre. E ele tinha dito entre tantas palavras duras, muitas dolorosamente verdadeiras. Ela, de fato, estava só. A máscara de garota boazinha e gentil usada na Alpha, que garantia sua popularidade, caíra. E,mesmo que ela continuasse o seu uso, de que serviria em uma guerra, cercada por seres indiferentes a qualquer coisa que não fosse relacionada com força e poder?E menos ainda com o grupo de humanos que ela tinha a sua volta, cuja máscara nunca tinha enganado.

A única forma de Mona se proteger, era ser capaz de fazer isso por conta própria. A única maneira que ele tinha de protegê-la, era ajudá-la nisso.

Além disso, ver Mona tão cheia de culpa e arrependimentos o tinha deixado um tanto irritado. Sim, ela tinha feito coisas muito condenáveis, seu egoísmo havia sido o causador de muita dor, mas baixar a cabeça e verter lágrimas dos brilhantes olhos dourados não ia ajudar em nada. Ela estava, mais uma vez, sendo a estrela do seu próprio espetáculo. A vilã que se arrependia dos seus atos e se tornava uma vitima da situação. Ele não permitiria que ela agisse dessa forma, pois isso não a faria mostrar verdadeiro arrependimento pelo que tinha feito, nem torná-la parte daquele grupo. Conhecendo Mona como conhecia, logo aquele drama todo iria passar e ela provavelmente voltaria a pensar que tinha todo o direito de fazer o que bem entendesse para atingir seus objetivos.

Não, Choi queria uma Mona ciente da sua verdadeira situação. Sem falsas palavras bonitas de consolo e motivação, queria que ela estivesse preparada para defender-se e com vontade de sobreviver para voltar para casa. E se Mona acabasse por odiá-lo no processo, que se dane. Não seria nenhuma novidade para ele.

Com nova motivação, Choi voltou a colocar as mãos sobre o chão, tal como havia feito anteriormente. Notou os olhos femininos levemente risonhos ao percebê-lo fazer aquilo, mas isso não o abalou. Quando se ergueu e voltou a palma aberta para Mona, não foram pedrinhas que saíram de suas mãos. O chão ao redor dele estremeceu com força, o salão todo vibrou e pedaços enormes do lindo piso se soltaram, então, cerca de cinco placas de pedra, do tamanho de Choi, arremessaram-se contra Mona.

Choi tinha seus motivos, acreditava neles, mas isso não o impediu de fechar os olhos para não ver o impacto das pedras na garota. O que se mostrou uma péssima ideia. Ela não era uma frágil menina, foi o que pensou quando voou pelo salão e prensou-se na parede oposta, como se fosse um asqueroso inseto esmagado. Um inseto muito burro, por sinal.

A dor na altura de seu estômago era intensa, esmagadora. Respirando com dificuldade, ergueu a cabeça e entendeu a situação. Mona havia jogado suas flechas e destruído os blocos de pedra, impedindo que eles a ferissem. As flechas que ultrapassaram o que tinha restado deles o acertaram em cheio, só não causaram maior estrago porque tinham perdido parte da força ao ultrapassar os obstáculos que se encontravam em pedaços pelo salão naquele momento.

— Então, ainda é capaz de continuar?

— Eu criei um monstro — Choi resmungou para si mesmo ao se afastar da parede com esforço. – Podem me chamar de Dr. Frankenstein.

Para Mona, em voz alta, retrucou:

— Não seja convencida. Estava só me aquecendo.

Era hora de acabar com a brincadeira. Não iria mais subestimar os talentos da garota, afinal, ela não tinha passado aqueles meses apenas dormindo e comendo, até por que não existia comida em Payre. Mona também tinha treinado intensamente nos simuladores e,como ele nunca a tinha assistido, não tinha ideia do seu desempenho, mas pelo visto ela não tivera muitos problemas em aprender algumas coisinhas interessantes. E bem eficientes.

Dessa vez Choi levou apenas uma mão ao chão, e a outra buscou por ar. Estava curioso para testar e intensificar o uso do Olho de Grong. Esan tinha razão, aquela luta estava se mostrando um aprendizado incrível. Em muitos sentidos. Assim, ergueu as duas mãos ao mesmo tempo e com enorme concentração, a ponto dos símbolos azuis em sua pele brilharem em um azul intenso, formou uma espécie de redemoinho de vento, ao qual pedaços do piso que foram se soltando se juntaram e aumentaram a velocidade vertiginosamente. O barulho se tornou ensurdecedor e Choi já não foi capaz de perceber muita coisa a sua volta, toda sua atenção estava em unir e controlar aqueles elementos para montar seu ataque.

Quanto maior o redemoinho ficava, mais Choi sentia seu corpo todo vibrar em antecipação ao resultado de sua força recém descoberta. Sem poder mais controlar tamanha concentração de poder, a lançou na direção de Mona. Dessa vez não fechou os olhos. Mas foi obrigado a controlar seu pânico, e se tivesse exagerado na dose? Sabia da capacidade inquestionável dos Curadores, e foi nisso que se agarrou com afinco ao ver seus ventos e pedras engolirem Mona.

Tudo aconteceu em velocidade espantosa. Viu a garota atirar flechas na direção dos ventos, mas elas eram lançadas para longe com extrema facilidade. Logo Mona já não tinha nada mais a fazer, ela foi praticamente sugada por tudo aquilo e arremessada para o ar. Choi manteve os braços estendidos e as mãos abertas, pois assim conseguia ter controle sobre o seu poder, por isso, quando viu que uma das enormes pedras chocou-se contra a garota e a força do impacto a fez gritar em dor agoniante, imediatamente fez um gesto, como se estivesse abrindo o ar, os ventos se dividiram e cessaram. Sem eles, as pedras caíram, assim como uma Mona desfalecida.

Ele se aproximou, preocupado e sem se importar com o fato de que ela provavelmente o detestava mais do que nunca naquele momento, mas logo estancou, chocado. Mona, ferida, suja e com vários cortes pelos quais sangue escorria manchando a pele clara, começou a se erguer, apoiando-se com dificuldade nos destroços do piso.

Quando os olhos dourados dela o fitaram, não havia raiva ou tristeza. Havia pura e simples determinação. Na mão direita ela ainda mantinha o arco, e apesar de seus braços parecerem feridos e fracos, ela os ergueu com firmeza e conseguiu concentrar energia o suficiente para criar o fio e a flecha novamente. Choi não sabia bem como reagir, não conhecia aquela garota corajosa e destemida. Onde estava a Mona mimada e delicada?

Assombrado, viu ela apontar em sua direção, um tanto tremula, mas sem qualquer hesitação. Por que ela fazia aquilo? Queria receber mais “penitência”? Não, aquela não era a expressão de alguém com essa mentalidade. Mona exibia um olhar de quem não aceitaria a derrota. Aquilo era bom, Choi pensou, mas não seria o suficiente. Só que, mais uma vez, ele a subestimou.

Preparado para se defender, novamente absorvendo a flecha, Choi não teve tempo de reagir quando Mona, no último instante, após deixar a flecha com uma intensidade assustadora de poder, lançou-a para o alto, bem acima do ponto onde ele estava. A última coisa que Choi foi capaz de recordar resumiu-se em um barulho de estourar os tímpanos que lembrava trovões, além de poeira e dor. Muita dor.

***

— Bem, que bom que não morreu. Mas se eu estivesse no seu lugar e apanhasse daquele jeito do meu desafeto-barra-ex-grande-paixão, acharia mais digno partir dessa vida para uma melhor.

— Se sabe que não morri, também sabe que sou perfeitamente capaz de escutar essas ofensas, certo?

— Sim. E daí? Vai jogar pedras na minha cabeça? Olha que eu chamo a Mona!

Angel sorriu para o rapaz deitado, que ainda parecia um pouco pálido, embora todos os cortes e sangue já tivessem desaparecido por completo. Era sempre uma maravilha contemplar o resultado da eficiência dos Curadores em deixá-los novamente inteiros e saudáveis. Mal dava para acreditar que Choi tinha sido retirado em estado quase que irreconhecível de sob uma montanha de escombros, do teto que tinha caído sobre ele, após Mona detoná-lo com sua flecha explosiva. Angel tinha sentido até uma certa inveja e questionado se já não era o momento de aprender a usar um arco. Sua mira sempre tinha sido excelente, o que já facilitaria bastante as coisas.

— Se eu estou nesse “bote” e não lembro direito o que aconteceu, é porque perdi e não exatamente de uma forma bonita. – Choi suspirou, olhando para o teto, claramente lembrando do que o último tinha feito com ele. Pobre rapaz.

— É. Foi bem ridículo, na verdade. Você ficou lá parado, todo se achando e “Bum”, virou purê. Desculpa, mas na hora eu ri um pouco.

— Riu nada. Aposto que se jogou no monte de pedras, e cavou com as próprias mãos, só para encontrar meu lindo corpo e confirmar que tudo estava no devido lugar.

Angel riu, mas não admitiu a verdade contida nas palavras dele. Logo que viram o que tinha acontecido com Choi, ela, Alexis e Lali correram para ajudá-lo, mas não precisaram nem sujar as mãos de terra, pois a Rainha Syka, com leves movimentos de mãos, tirou todas as pedras e destroços que cobriam o rapaz. Angel botou um pouco mais de fé na Mestra que tinha depois dessa exibição de poder. Mas para Choi não ficar cheio de si, retrucou zombeteira:

— Vou ali avisar os Curadores que tem algo errado com a sua cabeça.

Após alguns segundos em silêncio, Choi perguntou:

— Onde estão os outros?

— Treinando com seus Mestres.

— Então o que está fazendo aqui? – Choi abriu um sorriso divertido. — Eu sabia que me amava, o Alexis é só para disfarçar.

A garota o olhou cética.

— Claro. Até parece. – com ar emburrado continuou – Como eu sou uma garota de muita sorte e minha Mestra é, vejam só que alegria, a Rainha dessa linda nação, ela foi chamada para resolver um assunto de Estado. Então, como você está se recuperando, a Mona também, e a Rainha Syka está no meio de uma reunião com algumas figuras importantes de Payre, os desafios foram adiados.

O rapaz a olhou como se quisesse comentar algo, mas logo voltou a fitar o teto novamente, sem dizer nada. Contudo Angel entendeu.

— Ela está bem. Na verdade, já está até treinando com a Noor. – a garota inclinou a cabeça para o lado, pensativa. – Sabe, tenho até medo de pensar no que vai resultar a união da Noor com a Mona. Se uma não matar a outra, vai ser sinistro. E não de uma forma boa.

— Mona ficou muito mais forte do que eu esperava – Choi admitiu.

Angel notou a expressão dele, uma mistura de preocupação e... Sim, lá estava. Ele não tinha superado uma gota dos sentimentos que nutria pela patricinha arqueira. Pobre rapaz, nem tomando uma surra caia na real. Mas, Angel, tendo toda uma história com um certo príncipe problemático, era capaz de entender essa incapacidade de afastar-se completamente de quem se gosta. Não era ela que tinha pesadelos ao imaginar voltar para a Terra sem Alexis?

E ao ver Choi agir daquela forma com Mona, entendera suas motivações e ficara extremamente surpresa por sua força de vontade. Ela conseguiria fazer o mesmo? Se o Alexis, além de ser um príncipe frio e arrogante, fosse um enorme filho da puta egoísta e mimado, que fizesse uma montanha de porcarias apenas para seu bel prazer e pisasse nela como se fosse uma ninguém, aí, ao ficarem presos em um mundo estranho, de repente se mostrasse todo arrependido, ela o perdoaria? Ela conseguiria fingir que tudo foram sempre flores e corações? Teria se disposto a se afastar e, ainda assim, tentaria protegê-lo da única forma que podia?

Choi havia feito isso por Mona. Não a perdoava em palavras, mas seus atos não escondiam seus verdadeiros sentimentos. Era visível que a garota não estava bem, que estava entregando os pontos naquela luta, mas as palavras de Choi havia mexido profundamente com ela. Haviam acordado Mona.

Em um gesto que sabia não ser do seu feitio, mas incontrolável diante da expressão triste do amigo, Angel inclinou-se para frente e depositou um suave beijo na testa coberta pelos cabelos castanhos e desgrenhados.

— Você conseguiu ajudá-la, Choi. – disse Angel sorrindo, com os olhos violetas ternamente fitando o rapaz. Inevitavelmente, ele corou.

— Estou interrompendo algo?

Angel se recompôs e olhou para trás. Choi ergueu levemente a cabeça e olhou na mesma direção. E abriu um largo sorriso.

— Pois é, era para ser um romance secreto, sabe. Mas já que descobriu, sinto muito, Alteza, a sua namorada prefere meus sensuais olhos puxados. E minhas mais novas e sexy tatuagens. – Choi exibiu as mãos que ainda estavam com os símbolos azuis circulares.

Angel, com divertimento, advertiu Alexis:

— Não ligue para as bobagens que o pobrezinho diz, Alexis. Algo dentro dessa cabeça oca deve ter quebrado depois de ter sido soterrado pela “doce Monalisa”. Choi está confundindo um casto beijo de pena com intenções libidinosas. Coreano tarado.

— Eu, tarado? Estava bem de boa, curtindo meu merecido descanso, quando essa louca veio e me agarrou! — Com expressão ultrajada, Choi cruzou os braços sobre o peito, em uma tentativa de proteger a própria virtude. Então, muito sério, olhou para Alexis. — Alteza, acho melhor controlar sua namorada, ela não consegue resistir a um homem lindo e poderoso como eu. Estou receoso do impacto que isso poderá ter em nossa amizade.

Angel bufou.

— Só não lhe acerto um soco porque tenho medo de que fique ainda mais tempo de cama, Montinho de Terra!

Ela percorreu todo o corpo do rapaz com o olhar de forma propositadamente lenta. Choi, para sua satisfação, ficou levemente ruborizado. Alexis se remexeu ao seu lado, mas permaneceu em silêncio. Ao concluir a “inspeção”, declarou:

— É. Sem chance. Prefiro homens grandes.

Choi fez uma expressão como se tivesse sido profundamente ofendido:

— Me desculpe, mas para que precisa de tamanho em um homem, pequena Angel?

Com malícia, Angel olhou descaradamente para as partes intimas do rapaz:

— Ah, mas eu aprecio muito tamanho, pequeno Choi.

O rapaz não perdeu tempo, desdenhosamente resmungou:

—Essa mania dos ocidentais em acreditar nesses mitos preconceituosos sobre os orientais. — e completou — Sem falar que um homem grande não quer dizer necessária mente ferramentas equivalentes, minha cara.

Angel sorriu.

— Que bom então que Alexis não se encaixa nesse caso.

— Calem a boca vocês dois!

Angel e Choi viraram-se assustados para Alexis. A garota notou, com imensa curiosidade e fascínio, a bela face masculina exibir duas enormes manchas vermelhas nas bochechas. Cutucando o ombro de Choi com o cotovelo, ela comentou, alegre:

— O Príncipe está com vergonha, Choi. Ele não é um fofo?

— Acho que nunca tinha visto ele corar. Não deve se sentir à vontade por estarmos falando do grande Alexis.

Alexis praticamente fuzilou-os com o olhar, o que só fez com que os dois começassem a rir de forma descontrolada.

E foi assim que Lali os encontrou, por isso, assim que se aproximou da cama, indagou curiosa:

— Do que estão rindo?

— Ah, sobre o tama…

— Se falar mais alguma coisa eu mesmo vou acertar um soco em você! — Alexis vociferou para o rapaz deitado. Choi apertou os lábios na mesma hora, mas os olhos castanhos ainda estavam risonhos e úmidos de lágrimas.

Angel encostou a cabeça do peito de Alexis e o abraçou, dando-lhe tapinhas de consolo. Para Lali esclareceu:

— Estávamos apenas comentando como Alexis fica lindo quando está tímido.

A indiana olhou para Choi, que mantinha os lábios firmemente cerrados, Alexis, que suspirou e olhou para o alto, não parecendo nem um pouco tímido, mas sim muito irritado e então voltou a encarar Angel, parecendo ainda mais confusa e curiosa. Mais para poupar a dignidade de Alexis, embora estivesse adorando provocá-lo -Choi era muito útil nessas horas — e antes que a indiana pudesse fazer outra pergunta, Angel se antecipou:

— O que está fazendo aqui? Não deveria estar treinando com a alegre Zaffy? Aliás, — ela ergueu a cabeça para Alexis – está fugindo do Rei Zangão, por acaso?

—Tínhamos acabado de chegar em uma das salas de simulação, quando ele foi chamado, provavelmente para a mesma reunião em que está a Rainha – ele respondeu.

— Eu também estava treinando com a Zaffy,quando a chamaram. Parece que só voltaremos com os desafios depois da tal reunião. – Lali franziu o cenho – Deve ser algo bem importante, a voz que a chamou parecia muito nervosa.

— É revoltante como estamos sempre às escuras. Somos a porcaria dos cães de caça desses aliens coloridos! – Angel disparou irritada. – Temos que dormir quando eles mandam, acordar quando mandam, lutar quando mandam...

— Matar quando eles mandam. – Choi completou, sem disfarçar sua frustração com isso também, e continuou: — Sabiam que teremos que matar um Deiroon para finalizar o treino com os Mestres? Esan me contou.

Angel, sem se dar conta, apertou o braço de Alexis. Sentiu quando ele cobriu sua mão com a dele e o agradeceu mentalmente por isso, mas ainda estava um pouco abalada com a informação. É claro que sabia que teriam que matar pessoas, estavam sendo treinados para uma guerra, droga! Mas, ela baixou os olhos, era fácil, estando em um lugar tão tranquilo quanto o palácio, esquecer desse fato. Esquecer que ela teria que matar alguém. Não, não alguém, mas muitos.

Não era irônico? Ela, que havia se martirizado por anos ao imaginar que tinha tirado a vida de outra pessoa, agora teria que fazer isso para sobreviver e para poder voltar para seu planeta. Mesmo sendo seres tão diferentes, eram pessoas, homens e mulheres com famílias, amigos, vidas. E ela tiraria isso deles. Sentindo que sufocava, sem vontade alguma de aturar olhares esquisitos em sua direção, se afastou de Alexis e dirigiu-se a saída.

— Para onde está indo?

Era Choi. Ela não respondeu, apenas continuou a caminhar rapidamente para longe. Quando já passava pelos corredores, sua mão foi capturada por outra, maior e muito quente.

— Também gostaria de treinar um pouco no simulador.

Era Alexis. Claro. Ele a conhecia bem demais para não saber que ela iria se jogar de cabeça em uma atividade física para não pensar no que a estava atormentando. Porque, ela pensou repentinamente, apertando fortemente a mão que segurava a sua, ele também devia estar enfrentando os mesmos fantasmas. O que Alexis estava sentindo? Ele, que tinha escondido até de si mesmo, que o pai era um cruel assassino, se via confrontando a realidade de que se tornaria, no fundo, aquilo que mais o assustava. Um homem igual ao Rei Hamad.

— Você não será como ele. – ela disse suavemente, continuando com os passos rápidos, ainda olhando para frente.

— Eles não são vitimas indefesas.

Angel sorriu de leve. Alexis tinha essa mania de acertar exatamente no ponto. Certo, por enquanto, as palavras dele seriam o suficiente para ela. Assim decido, largou a mão dele e pegou o braço, puxando-o para ir mais rápido.

— Ei, vamos enfrentar um Dragão no simulador? Caramba, isso deve ser legal! E a melhor parte é que depois eu vou poder me gabar para o Choi disso! O coitado que não conseguiu vencer nem uma mera galinha!

***

— Nós temos o direito de vê-los também! O Reino de Sylesth pode ser o mais forte, mas não vencerá essa guerra sozinho!

— Chega desses segredos todos! Queremos conhecer os Escolhidos da Deusa e o Predestinado!

A Rainha Syka manteve o olhar firme sobre as imagens dos Reis de Cylles e Nagtar e, antes que Erak pudesse fazer uso de seu temperamento explosivo, ela se ergueu graciosamente da cadeira em que estava e disse:

— Os Guardiões, que pertencem ao povo de vocês, caros amigos, estão desafiando seus pupilos. Como sabem, essa é uma etapa muito importante. Não é nossa intenção esconder nada, nem ninguém daqueles que foram nossos aliados por tantos anos, mas não podemos correr qualquer risco no treinamento dos que vieram nos ajudar.

— Que risco ofereceria conhecermos eles? – o Rei Ekor, de Cylles, parecia até mesmo ofendido com a ideia.

— Suspeita de nós, cara Rainha? – a esposa de Ekor, Rainha Aramitha, mostrava contrariedade em seus olhos lilases.

Era de conhecimento geral a falta de cordialidade entre os Eiffs e os Nerinis. Só eram aliados graças a aliança dos Alicanos, mas isso nunca foi o suficiente para unir as raças de forma harmônica. Contudo, maior do que as desavenças entre eles era a franca hostilidade entre os Eiffs e os Oberohs, por isso não foi surpresa para ninguém quando o Rei Oberoh, Tack, com sua usual calma, alfinetou os soberanos exaltados:

— Deveríamos, Majestades? Tanto desespero para vê-los não deixa de ser um pouco suspeito.

Prevendo mais discussões inúteis, a Rainha Syka ergueu a voz:

— Não temos qualquer motivo para suspeitar de vocês, apenas estamos nos precavendo. Zaffar, por favor.

Zaffar, um dos Guardiões, fez um leve cumprimento para seu Rei antes de declarar em tom despreocupado e levemente monótono:

— Khor tem nos bisbilhotado descaradamente e com maior ousadia em cada investida. Não foram poucas as vezes que flagramos Deiroons invadindo nossos sistemas, mesmo os de comunicação. Se quiserem deixar alguma mensagem para o sujeito, sintam-se à vontade. Ou podem só dar um tchauzinho. — Zaffar sorriu zombeteiro — Porque essa reunião, por exemplo, pode estar sendo assistida por ele.

Diante do silêncio dos Reis, Erak questionou:

— Acham que seria sensato, apenas para atender uma curiosidade despropositada, arriscarmos que Khor descubra quem eles são? Não devíamos nem mesmo estar discutindo questões tão importantes dessa forma! Da próxima vez que quiserem nos intimidar por futilidades, enviem seus Duques, como sempre fizeram!

Os Reis Eiffs olharam com raiva para Erak, mas não disseram nada. Afinal, apesar de tudo, ele era um Alicano, e eles respeitavam sua raça. O mesmo não poderia ser dito do Oberoh, ele detestava os Eiffs, mas não perderia a oportunidade de desdenhar um Alicano.

— Só mesmo um Rei imaturo consideraria fútil a preocupação de um governante pelo seu povo. – o Rei Tack fez uma leve mesura a Rainha Syka, com óbvia intenção de ignorar a presença do filho da soberana. – Aguardarei por melhores notícias, Majestade.

Assim dizendo, a imagem do Rei Oberoh desapareceu.

Voltou a cair um silêncio opressivo na sala, que só foi quebrado pela Rainha Syka.

— Peço desculpas por nossa atual situação, mas muito em breve os informaremos sobre nossos próximos passos, porém, como apontado por Erak, apenas através dos seus Duques de confiança. Será mais seguro para todos. Aguardaremos por eles daqui a trinta dias. Até lá, os Humanos estarão prontos.

— Trinta dias, então. – fazendo uma mesura, dessa vez claramente apenas para Erak, o Rei Ekor também deixou-os, logo acompanhado pela esposa.

Syka suspirou. Não havia apenas uma guerra contra os Deiroons para se preocupar, os conflitos internos eram, muitas vezes, ainda mais desgastantes. Seus olhos pousaram no filho, Erak, que era um excelente guerreiro, mas não tinha o carisma e sabedoria do pai. Melkor havia sido o único Rei respeitado por todos os aliados, independentemente da raça. Mesmo os inimigos o viam com certa admiração.

A Rainha sorriu para os Guardiões que a cumprimentavam, enquanto deixavam a sala, mas em sua cabeça mantinha a imagem do outro filho, Alexis. Seria ele capaz de estreitar a relação entre os aliados? Syka via a forma como as pessoas o observavam por ser o Predestinado, mas também reparara em algo além disso. Eles viam o amor que ele dedicava à Humana, o mesmo afeto que seu pai Melkor havia dedicado a ela, Syka. E havia sido aquele amor que tornara Melkor o grande Rei que todos recordavam.

“— Eu prometo, Syka. Nós ainda viveremos em uma Payre pacifica.

— Você é realmente arrogante, Melkor!

— Minha querida, não poderia dizer que sou um adorável visionário?

— Ou um pobre sonhador?

— Não, não um sonhador. Payre viverá em paz! Syka, não é um tolo sonho. É a minha promessa a você e aos filhos que teremos.

— Payre nunca viveu pacificamente, como espera mudar isso?

— Minha princesa, Payre nunca viu amor como o nosso. Os Alicanos e os Nerinis sempre se mataram, desde o primeiro de cada uma de nossas raças que existiu nesse mundo. Mas eu a amo. E por isso, nunca mais um Alicano matará um Nerini. Eu juro. Mesmo que morra para cumprir essa promessa.

— Meu sonhador dramático!

Syka voltou de suas lembranças, estava sozinha na sala. Então pode deixar que uma solitária lágrima caísse de seus olhos.

— Sim, meu amado sonhador. Você cumpriu a sua parte da promessa. Eu farei o restante. Prometo.

Notas finais
Gostaram do resultado da disputa Mona Vs Choi? Eu, particularmente, gostei ehueheueheuehuhu Tenho que parar com essa mania de me estender quando Choi e Angel estão juntos, mas é quase incontrolável kkkkkkkk Passa muita besteira na minha mente com eles, cês não sabem o que faço para reduzir essas coisas ehueheuehuehuh E começou a pressão dos outros Reis para participarem dos planos relacionados a Profecia! Para facilitar a compreensão segue um esqueminha: Alicanos sempre foram aliados dos Eiffs e detestavam Nerinis. Eiffs sempre detestaram Oberohs. Nerinis sempre foram aliados dos Oberohs que sempre detestaram Eiffs. Aí os Alicanos e Nerinis se uniram (graças a Syka - Nerini e Melkor - Alicano). Então os Oberohs e Eiffs se viram obrigados a virarem "amiguinhos". Quando Melkor estava vivo, controlava melhor essa bagunça, mas depois de sua morte, a coisa ficou um pouco tumultuada, pq a Syka não tem muito pulso e o Erak, bem ele não é lá muito controlado né kkkkkkkkkkk Espero que essa pequena explicação tenha ajudado ^^ Agradeço a galera que esta acompanhando, e como sempre, em especial os que deixam seus lindos e fantásticos comentários!! Decupem pela demora em responder, tentarei melhorar nesse quesito eheheheh Até o próximo com o o novo desafio, já adianto que será com o Ren ~ele vai se...~ Beeejos!