Destinadas: Um amor proíbido
1 Capítulo 1 - Um olhar
Caminhava sozinha, seguindo pela calçada, usando calças jeans, uma blusa cumprida de frio preta com o capuz sobre minha cabeça como de costume. Era um dia frio, nublado, do jeito que eu gostava. Havia chovido no dia anterior, meu Allstar vermelho fazia barulho a cada poça d'agua que eu pisava distraidamente. Fones de ouvido no máximo tocando as melhores musicas da minha playlist, no momento, Fallen Angel, uma das minhas favoritas.
Segui meu caminho por mais alguns quarteirões, sem nem ao menos prestar atenção no mundo em minha volta, minha musica era meu mundo e meu refugio. Depois de alguns minutos caminhando, alguns longos quarteiros passados, cheguei ao que parecia ser uma praça abandonada, totalmente mal cuidada e sem nenhuma alma ali para me importunar.
Chão dividido em pedras desenhadas, areia e grama alta que invadia cada vez mais aquele lugar inabitado e esquecido. Alguns bandos destruídos por vandalismo ou simplesmente pelo tempo, mas alguns poucos continuavam inteiros. Segui uma trilha de pedras desenhadas que levava até um dos bancos próximo ao velho parquinho infantil, hoje enferrujado, faltando balanços e com um gira-gira nada confiável. Joguei meu corpo ali, caindo deitada naquele banco gelado, a deliciosa sombra era fornecida por um antigo carvalho, uma das únicas arvores ali que aparentemente não estava lotada de trepadeiras e plantas parasitas.
A musica tema dos meus pensamentos naquele momento era Who Know. Cantarolava a música enquanto me perdia em meus pensamentos ali, olhando pro céu nublado e pros galhos das arvores que dançavam lentamente com o vento.
Fiquei deitada ali não sei por quanto tempo, talvez umas meia hora, considerando a quantidade de musicas que passou ate então. Já havia me perdido na minha imaginação como todas as vezes que vinha ali, criando historias e possíveis situações, de acordo com as musicas que ouvia, em minha cabeça, eu tinha esse costume, talvez por sempre estar sozinha e quase não ter amigos.
De repente percebo que estou sendo observada de perto, me levanto num pulo e tiro um dos lados do fone, olhando atentamente a figura parada em minha frente.
—-- Oi...
Era um voz suave e doce, uma garota, calças jeans escuras, camisa branca e uma blusa de frio azul aberta na frente. Seus cabelos castanhos caídos sobre os ombros escondiam o fone que estava usando também.
—-- Oi ... — Respondi no automático enquanto observava a garota de cima a baixo.
—-- Posso me sentar ?
Ela apontou pro banco em que eu estava, cheguei pro lado dando espaço e ela logo sentou ali, se encostando no banco e deitando a cabeça para olhar pra cima.
Eu estava um pouco surpresa, não era muito comum as pessoas irem naquela praça e eu jamais a vi por aqui, seja na praça ou na vizinhança, eu nunca a vi em lugar algum.
Ficamos em um longo silêncio, pelo menos pra mim pareceu longo, eu não sabia o que dizer, só fiquei quieta de cabeça semi abaixada, ouvindo minhas musicas.
—-- Lugar bonito e calmo, gostei daqui. Devia ser mais cuidado, você mora aqui perto ?
Levantei minha cabeça e olhei pro lado, sendo encarada por aqueles profundos olhos castanhos, cheguei um pouco mais pro lado no banco e me virei pra ela, tentando dar vida na conversa, já que a garota estava ali mesmo.
—-- Não, moro a alguns quarteiros daqui, mas venho aqui quando preciso pensar...
Vi a garota sorrir e estender a mão pra mim.
—-- Sophie, muito prazer.
Segurei a mão dela, a cumprimentando um tanto sem jeito por não ter o menor costume de fazer aquilo, retribuindo com um sorriso visivelmente desconcertado.
—-- Gabriella...
Minha mão foi solta e Sophie voltou a se ajeitar no banco como estava antes, deitada e olhando pro céu.
—-- O que faz aqui Gabriella? Você disse que vem aqui quando precisa pensar, sera que uma estranha poderia te ajudar com seus pensamentos? Ou são guardados somente pra você?
Admito que fiquei muito tempo sem responder, estava de lado no banco, virada pra ela, observando a garota de olhos fechados e a cabeça deitada no banco. Eu nunca a vi na vida e ela estava me perguntando sobre meus pensamentos, um pouco ousada.
—-- Bem, credito que não seja nada de mais. — Me levanto limpando minha roupa, espanando a poeira do banco e que o vento carregou até ali — Já vou indo. Um prazer te conhecer, nos vemos.
Acenei pra garota, colocando de volta meu fone e sem dar chances de despedida apenas dei as costas e segui meu caminho, não antes de ver ela acenando de volta. Não sabia ao certo porque quis sair de la, mas meu corpo pedir urgência em me afastar, talvez por falta de costume em encontrar com pessoas, ainda mais alguém tão estranho.
Afastei os pensamentos e segui, voltando pra casa, pra rotina que não me agradava e lembrando que no dia seguinte, infelizmente, eu teria aula. Finalmente o terceiro e ultimo ano, mas tristemente era obrigada a ir à escola, ainda mais sendo uma escola nova.
Sempre fui boa aluna, oque realmente, naquele momento mais do que nunca, não me agradava ser. Fui transferida de escola, por causa de uma prova que fiz e me rendeu bolsa integral em uma das escolas particulares mais caras da cidade. Eu iria estudar numa escola de ricos e certamente não me adaptaria lá de forma alguma.
Nova escola, novas pessoas, nenhum amigo e certamente muito bulling por causa da minha condição de bolsista. Eu já não era popular na escola onde estudava desde o pré, imaginar como seria em uma escola, completamente nova e desconhecida, não era tão difícil.
Caminhei algumas quadras pensando na escola nova e as vezes por acidente me pegava pensando na estranha que sentou ao meu lado na praça. Mesmo que quisesse não pensar nisso, pois não tinha motivo para ser tão importante assim, os pensamentos vinham, a curiosidade de saber quem é e de onde veio, a curiosidade de saber o que fazia ali. Me culpava agora por não ter tido a coragem e decência de perguntar, provavelmente eu jamais iria ver ela novamente.
Dei de ombros pro meu próprio pensamento, chegando em casa e indo direto pro quarto. Me joguei na cama e olhei pro relógio, 19 horas.
"Ainda?"
Suspirei fundo, só queria que esse dia acabasse logo. Peguei um dos meus livros favoritos e fui ler, tentando afastar qualquer tipo de pensamento ruim sobre a nova escolha e os pensamentos sobre a garota da praça.
~ Porquê estou tão preocupada em saber quem ela é? ... ~
Fale com o autor