Destarte, eu senti.
35 Cá com meus botões - Prosa I
Já reparou que o mundo mudou para sempre?
— É mesmo, Zé... Mudou.
Passei um ano sem ver o compadre da frente
— Não diga, Zé!
Verdade, não trocamos mais ideias lendo jornal e tomando café.
Sinto saudade das prosas
Das risadas engasgadas
Das brigas de time
Que outrora só ele ganhava
— Não fique triste, Zé, essas coisas acontecem...
Acontecem mesmo, nós que não prestamos atenção
O mundo não para de se movimentar
E nós achamos que será todo dia a mesma coisa
— Não precisa filosofar, Zé!
Mas é verdade!
Salomão já dizia que era tudo vaidade!
O homem só quer enxergar o que lhe cabe e lhe interesse.
— Quem é Salomão, Zé? Pensei que seu amigo
Fosse o compadre da frente!
Essa é outra história
Contar-te-ei, um dia, quem sabe
— Realmente, o mundo não é o mesmo... E nem você, Zé!
As pessoas mudam também, não tem para onde correr,
Cá com os meus botões, o tempo passa
E se eu não viver, só irei envelhecer e morrer.
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