Despertar - O Saber de Uma Alma
2 Reflexões Perdidas no Tempo
Notas iniciais
Eis ali, inerente ao vendo gelado, o emaranhado em que se encontrava. O poeta perdido em sua própria mente insórdida de paixões e sonhos desgastados com todo esse tempo...
O que é que o tempo sabe, além de que a dor é insolúvel?
O que são 18 anos, comparadas a todas aqueles sonhos ofuscados e perdidos? Números clementes de atenção, meramente.
E mesmo que não seja nenhum prodígio, és repleto daquela coisa que denominam sagacidade, pois sabe lidar como mais ninguém com um suposto desamor.
Desamores atrás de desamores, eis aí, todo contornado de palavras desencorajadas de um certo estúpido.Todos sabemos quais nossos carmas...
E agora, o que? De onde será que vai sair seu verdadeiro, puro e duradouro amor?
Como uma mera e ingênua expectadora, sei que aparecerá aquela pessoa que deixará tanto suas pernas grossas e desenhadas, bambas, quanto mais sua mente, que nunca para de formar frases sentimentalistas, num mais profundo silêncio.
E ali, além daquela margem de emoções, sua melodia se fará presente. Uma voz grossa dirá “não”, enquanto todos os seus músculos e articulações dizem, pela primeira vez, com sinceridade, que “sim, é ele”. E nessa hora, por favor, não ouça essa voz grossa e persuasiva! Ela tem medo... e eis que o amor tem que ser bravo.
Faz seu recanto, menino maroto. Enrola-te num edredom grosso, verde se possível, para dar vida a sua criatividade. Com tua mania de franzir as sobrancelhas enquanto entra em um mundo de palavras conectadas, deixa teu corpo ir e vir junto a batida ritmada que embala seus pés.
Suspiros impacientes, como estampada em sua personalidade, observa os móveis de seu recanto.
Seu recanto, seu pedacinho de paz, sua escrivaninha de carvalho branco! O mesmo carvalho que, sobre a cômoda de marfim ao lado da cama, apodrece lentamente... assim como sua esperança.
Esperança, ingenuidade em enxergar o mundo, vai sumindo, evaporando, pouco a pouco, como aquela fumaça mentolada que sai de sua boca fina e desenhada. Aquela boca, de onde sai tantas verdades, nuas e cruas, irrefutáveis... verdades que mesmo sendo astuto, não enxerga sozinho.
Tens medo... não sei exatamente do que ou porque, mas consigo sentir, poderia até tatear, enquanto o observo. Toda aquela aura de confiança e ao mesmo tempo de uma não aceitação, que eu, pessoalmente, acho completamente desnecessária.
És valente, com sua armadura invisível! Tão invisível, que nem você, ao olhar teu reflexo destorcido no espelho do banheiro, enquanto passa cuidadosamente aquela pequena navalha no rosto, não a vê. Liquidando todos os pequenos e grossos pelos da barba, não olha pra dentro de si! É apenas uma simples questão, valente. Mire seu interior...
Por hora, apenas seca o rosto, agora limpo e macio, ignorando tudo por dentro. Toda aquela agitação de, finalmente, exalar ar limpo nos pulmões.
Tão limpos quanto toda a hostilidade que o mundo, ainda mais ignorante, arremessa contra sua armadura invisível a si mesmo.
Invisível e invencível! Uma capa, um manto de segurança, de confiança! Confie, meu querido pertinaz, que desse mundo, nenhuma das agressões sobre "ser quem você é", irá te abalar.
Ame sem medo, como eu mesmo faço. Arrisque sem a menor preocupação de que algo falhará! Pois se algo de imperfeito surgir, o tempo, mesmo que inviável, curará as marcas da derrota.
Seu melhor amigo, querido. O tempo...
Apenas não o deixe tomar conta de si. Ele é ambicioso, promiscuo e tanto perspicaz quanto nós, feito algoz. Carrasco...
Mais uma vez, moreno astuto, cuidado. Até essa falsa confiança do tempo, pode te executar.
Somente mais um da lista.
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