Despertar De Um Pesadelo
4 Quando a campainha toca
Notas iniciais
Takanori nunca foi capaz de conter a impaciência, era um de seus maiores defeitos querer tudo exatamente no mesmo momento. Alguns segundos se passaram desde a primeira vez que tocou a campainha do apartamento de Kouyou, rendeu-se a impaciência e tocou novamente.
A porta foi aberta lentamente, fazendo com que a impaciência dele apenas aumentasse. Entretanto não foi o velho amigo que o recebeu, havia sido Mikurami que o atendera, por algum motivo Takanori franziu a testa, irritado.
—Takanori-san. – Ele se curvou em um gesto de cumprimento.
Por sua vez, Takanori apenas fez uma leve reverência com a cabeça.
—Preciso falar com Uruha. Ele está? — Não quis se quer escutar a resposta de Mikurami e já foi adentrando o apartamento a procura do mais alto.
—Takanori-san, espere. – Mikurami teve que apressar o passo para segurar o braço do baixinho, obrigando-o a parar – O otouto está dormido agora. Seria melhor voltar um outra hora. Ele já sabe que você ficou de vir?
Um suspiro fundo e o silêncio momentâneo. Takanori parecia estar se irritando com a atitude do mais velho. Não só com as atitudes dele, apenas pelo fato dele estar respirando e isso parecia incomodo.
—Não seria tolo para aparecer aqui e dar de cara com a porta. – Takanori puxou o braço, fazendo com que Mikurami franzisse a testa.
Não demorou muito para que Takanori visse o maior deitado no sofá, aquela expressão serena se fazia presente naquele rosto pálido. Até mesmo quando Kouyou estava dormindo ele parecia estar emanando tristeza.
Porque você é tão triste, Kouyou?
—Uruha... – Takanori sentou na ponta do sofá, acariciando o rosto sonolento do amigo. –Acorda.
Com um resmundo embolado Kouyou se remexeu no sofá e estapeou o rosto de Ruki.
—Seu filho de uma... – Respirou o mais fundo que conseguiu. –Kou, acorda. Vamos, tenho que falar sobre o Aoi! – citou as últimas palavras um pouco mais altas com a intenção de acordá-lo.
O nome “Yuu” sempre serviu como uma espécie de despertador, sempre tirava Kouyou dos transes, isso quando não o colocava em um. Por alguns momentos Takanori sentiu como se algo estivesse apertando o próprio coração, ao ver Kouyou com uma expressão chorosa. Como ele conseguia ser triste o suficiente para chorar enquanto dorme?
Com quem está sonhando, Kouyou? Como se a resposta fosse pouco óbvia.
—Takanori-san, estou pedindo gentilmente que saia. – Mikurami se aproximou e o segurou pelo braço novamente. – Meu irmão está muito cansado e não quero que ele tenha aborrecimentos desnecessários.
Takanori foi obrigado a dar alguns passos em direção à porta, Mikurami era muito mais alto e mais forte que ele, mesmo que tentasse puxar o braço acabaria apenas se machucando.
—Dá pra me soltar? — quase caiu quando empurrou Mikurami – Eu tenho que falar com o Uruha, vê se não se mete! – As palavras praticamente foram cuspidas enquanto Takanori ajeitava o cabelo, o tom vermelho em seu rosto já era visível, como ele se irritava fácil.
—Não faça escândalo enquanto meu irmão dorme. – Mikurami estava rígido e mantinha os punhos fechados, naquele momento desejou socar Takanori com toda força, mas não o fez por respeito ao irmão quer dormia. – Peço que saia. Agora.
Uma risada amarga ecoou na sala. Takanori ria da frase.
—Desculpe, só que vim até a casa do Uruha pra falar com ele, pouco me importa o grau de parentesco.
Takanori se assustou quando Mikurami o segurou pela gola da camisa e o puxou para mais perto. Ele apertava tanto o punho que fazia com que o menor ficasse com a sensação de estar sendo enforcado.
—Não quero seu tipo de gente perto do meu irmão. Já o fizeram sofrer o suficiente.
Sem querer escutar o que Takanori tinha para dizer, foi o empurrando para fora.
—Me larga!! – arranhava a mão do maior, que parecia não estar sentindo dor. –Uruha!! –praticamente gritou o nome dele — Me solta, desgraçado!!
Takanori era assustador quando estava com raiva, seu rosto totalmente vermelho, ele se debatia, mas não adiantava. Mikurami era muito mais forte que ele. Um baque surdo anunciou que Kouyou acabara de cair do sofá e encarava a cena, assustado.
—Miku, pare com isso!! – Assim que se deu conta da situação, Kouyou foi tropeçando até onde o irmão e o amigo estava.
—Me larga! – Takanori juntou toda sua força e largou um soco no abdômen do outro, o fazendo soltar imediatamente. Colocou a mão no pescoço, com toda certeza Mikurami havia machucado Takanori.
Kouyou puxou o irmão pra trás e ficou entre os dois antes que resolvessem se atracar novamente.
— O que... Está acontecendo aqui? – ele olhou de um para o outro, tentando entender os motivos de tanta violência.
—Eu vim falar com você sobre o Aoi e seu irmão parece que enlouqueceu!! – Takanori apontou para Mikurami e se levantou.
—Eu não fiz absolutamente nada de errado, Kou! –olhou para o irmão mais novo – Eu só estou de saco cheio desse assunto! Não percebe que enquanto ainda estiver cercado de gente desse tipo... –apontou para Takanori — ...você nunca vai crescer? Nunca vai conseguir ser feliz e esquecer aquele cara!! Eu to cansado de ver meu irmão sofrer durante todos esses anos!
—Cala a boca! –Kouyou praticamente gritou, assustando todo mundo – Eu já estou farto de tentar me proteger de tudo o tempo todo, está na hora de eu enfrentar os meus fantasmas. Ai sim, eu vou poder acabar com meu inferno!
Mikurami ficou observando Kouyou. Não era errado tentar proteger o irmão que tanto amava, não era errado querer tirar tanto sofrimento do Kouyou. Então, por quê? Porque Kouyou o tratou daquela forma?
Kouyou viu quando Mikurami secou a gota que havia escapado e escorrido pela face branca. Sem dizer qualquer palavra, o maior deixou a sala e foi para o quarto, não era obrigado a escutar aquele tipo de coisa, tampouco ficar na presença de Takanori.
Maldito silêncio que insiste rondar Kouyou. Este se fez presente até que o coração desacelerasse e se lembrasse da presença de Takanori ali.
—Então... –limpou a garganta. – Disse que veio falar sobre o Yuu.
—Temos que sair daqui. Agora. –Sem mais delongas, Takanori puxou o braço de Kouyou e o tirou do apartamento, assustado tudo que ele fez foi seguir o rapaz, que um dia foi seu grande amigo, até a porta.
Fale com o autor