Notas iniciais
Eu nunca escrevi algo tão curto, contudo, foi muito bom poder deixar o texto mais aberto e misterioso, sabe, sem muitas explicações, para que o leitor possa preencher as lacunas com suas próprias explicações e considerações, imaginar o que quiser.

Eu não coloquei qual o casal, pois acho que a surpresa e expectativa é bem mais interessantes. Mas estou aberta às considerações dos leitores. Se vcs mais conveniente colocar antes quem é o par do Máscara da morte, podem me dar esse feedback.

Boa leitura.

Abriu os olhos lentamente e sentiu o peso sobre o braço. Os fios, tão dourados quanto sua própria armadura, tomavam conta da cama e caíam sobre seu peito. Ainda custava a acreditar naquilo, mesmo já tendo acordado tantas vezes com a mesma visão. Parecia-lhe absurdo tê-lo ali, mesmo que de costas para si, apoiado em seu corpo e fazendo seu braço de travesseiro. Simplesmente não conseguia entender.

Há quanto tempo faziam aquilo? Não conseguiu lembrar. Mas não era a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez. Forçou um pouco mais a mente, mas realmente não conseguiu recordar como eles foram parar na cama a priori, e nem o que levou à mesma intimidade nas vezes seguintes. A memória é falha para tudo que se torna habitual. Apesar do hábito, ainda não se acostumara à ideia de que o outro lhe queria. Era absurdo demais

“Fetiche estranho” – pensou consigo mesmo.

Não encontrava outra explicação para aquela presença divina ficar se esfregando com o demônio. Quase divina. Mask não percebia a diferença.

O italiano retirou o braço com cuidado, tentando mexer o mínimo possível a cabeça apoiada em si. Os fios compridos fizeram uma carícia delicada no peito do canceriano quando este se afastou do amante. O loiro bufou irritadiço, mas agarrou-se a um travesseiro e voltou a dormir. Mask achou graça e deu um sorrisinho divertido. Shaka sempre se irritava quando tinha o sono perturbado.

Levantou-se vagarosamente da cama, procurou com os olhos as roupas espalhadas no chão e foi catando paca a peça com uma morosidade impressionante. Também era hábito Máscara da Morte partir logo pela manhã, antes do virginiano acordar. Saía silenciosamente e despercebido, comportamento este que parecia tão natural a ele quanto ao virginiano. A separação sem despedidas não parecia causar qualquer aborrecimento ao guardião da sexta casa, muito menos era impedimento para que o ciclo se repetisse outras tantas vezes. Curiosamente, a cada novo despertar, a partida do canceriano do Templo de Virgem era cada vez mais vagarosa. Passara a dormir sempre alguns minutinhos a mais. Custava a sair da cama mesmo já tendo perdido o sono, uma preguiça que não lhe era usual. As roupas ficavam progressivamente mais difíceis de encontrar...

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Vestiu a cueca e a calça de moletom. Fora bem desleixado encontrar o amante na noite anterior. Não importava como se vestisse, a reação de Shaka era sempre a mesma. De qualquer forma, o tecido nunca ficava muito tempo no seu corpo, então, quanto menos botão e zíper, melhor. Por hora, a camisa ficou esperando pelo seu recheio, jogada sobre o colchão. Mask juntou os sapatos e sentou-se na beirada da cama para calçá-los. Antes, virou o rosto para fitar o amante por cima dos ombros. Shaka mirava-o, ainda agarrado ao travesseiro, mas com o corpo agora virado em direção ao centro da cama. O loiro deu um suspiro, se ajeitou melhor e voltou a fechar os olhos. Ainda era cedo demais.

O italiano voltou sua atenção para os sapatos. Colocou um pé, remexendo-o meio sem jeito, como se o calçado tivesse ficado subitamente pequeno demais para o seu tamanho.

Estava enrolando.

Ficou mexendo no cadarço de couro como se dar um nó fosse a tarefa mais complexa já inventada. Fez e refez o laço ao menos uma quatro vezes antes que suas pontas ficassem milimetricamente iguais. Com uma morosidade ainda maior pegou o outro calçado para repetir o processo com o pé esquerdo.

- Eu não me oponho... – a voz saíra baixa, porém, clara e firme – A você ficar.

Um sorriso discreto surgiu na face do italiano e o sapato saiu de seu pé em fração de segundos. Voltou engatinhando pela cama e deitou-se ao lado do virginiano, abraçando-o pela cintura. Os dedos percorreram as costas alvas e foram acariciar os fios lisos e dourados.

- Cancerianos... – mantinha os olhos fechados e a expressão sonolenta – Tão sentimentais.

- Cazzo! – deu um puxão na mecha loira, de implicância, mas tudo que arrancou do virginiano foi um sorrisinho divertido. – Cala a boca e dorme.

Shaka passou o braço pela cintura do italiano e afundou o rosto em seu pescoço. Deu um suspiro profundo, aspirando o perfume do canceriano e fazendo cócegas na pele amorenada. Máscara cheirava à morte. Morte, redenção destruidora, que em toda sua misericórdia vinha, incansavelmente, conceder nova chance às almas imperfeitas. Porém, tudo o que causava nos homens não era mais que repulsa e pavor. Não em Shaka e seu espírito imortal.

Notas finais
♥ XD

Então, o que acharam? Podem criticar, xingar, fazer review malcriado... uahsuash XD Fiquem à vontade, okay? ^^

Bjssssssssssssss
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!