Despertando
1 Oneshot
Notas iniciais

A primeira coisa que viu foi litros de um líquido transparente sendo drenado por alguma espécie de ralo embaixo de seus pés. Foi então que ela respirou fundo, sentindo o cheiro químico presente no ar. Estava um pouco desorientada e mal conseguia se manter em pé. Até então, não conseguia se lembrar de absolutamente nada, não sabia onde estava e tão pouco quem era. Seus sentidos falhavam um pouco, o que fez com que a moça tivesse que se apoiar com suas mãos no tubo de vidro que a envolvia. Foi então que percebeu que estava com vários cabos e fios ligados ao seu corpo.
Um a um, a moça removeu-os de si até que não restou nenhum. Não conseguia sentir praticamente nada, era como se o seu tato estivesse danificado ou alguma coisa do tipo. Ela então tentou usar sua visão, na tentativa de captar mais do lugar. Estava em uma sala repleta de monitores, luzes piscantes, computadores e bancadas de laboratório. Não fazia ideia de onde estava, mas sabia que aquele lugar lhe era um pouco familiar. Ao chão estava um homem muito pálido ao lado de uma poça enorme de sangue. Mas o que seria aquilo então?
Tentando entender, ela tenta levantar se apoiando mais uma vez no tubo, mas suas mãos escorregam fazendo-a cair sentada. Foi então que percebeu: estava nua. Seu corpo, tão pálido quanto o do homem caído próximo a si parecia refletir a luz, mas não parecia seu corpo, de jeito nenhum. Pelo que se lembrava, estava diferente. Seu corpo parecia o corpo de uma mulher agora, mais desenvolvido que o normal. Não conseguia compreender absolutamente nada. Ela passou as mãos na cabeça e viu vários fios longos e loiros caírem junto com o movimento.
–A... Alexia... Eu...
O homem se levanta, mostrando seu rosto sujo de sangue. Ele está com uma espécie de terno, sendo o blazer vermelho e calças brancas, também sujas de sangue. Ela ainda não sabia quem ele era, mas parecia que a conhecia e que seu nome era Alexia. Ela se apoiou mais uma vez nas paredes do tubo e em meio à baixa luz, viu o rosto dele mais uma vez e mais nitidamente: era o seu irmão, Alfred. Foi então que se lembrou. Viu em sua mente tudo se remontando, como se estivesse revivendo tudo novamente. Ela se lembrou do T-Verônica, se lembrou de seu pai Alexander.
Flashback on:
–Alexia... Por favor, me explica como vai ser!
Ela o olhou calmamente, como se estivesse no total controle da situação.
–Tenha calma, meu querido Alfred! – ela riu.
–Calma? Como posso ter calma? O papai já está sentando na poltrona de sempre. Não há mais para quê esperar.
Alexia olha o laboratório. De fato, já estava tudo decidido. Se vingariam de Alexander pelo que ele fez a eles... Era injusto. Nascer daquela forma, sendo considerados como projetos científicos. Para ela, nada melhor do que fazer a mesma coisa com seu pai.
–Bom... – começou enquanto pegava uma seringa – Vamos começar então!
Ela pega a seringa e abre cuidadosamente um frasco contendo um líquido esverdeado. Depois de pipetar 5ml para dentro, ela remove a seringa e tapa rapidamente o tubo.
–Temos que ter todo o cuidado, Alexia... Não podemos deixar que papai descubra.
–Bem Alfred... Creio que ele vai descobrir em breve. Só espero que as mutações não sejam tão violentas como previ.
Saindo do laboratório, Alfred segue na frente e vai até uma das salas da mansão onde Alexander dorme cansado. Depois de verificar se estava tudo bem, abre a porta e permite que Alexia entre.
–Ele – Alfred sussurra – está descansado.
–Perfeito! – Ela responde sem se preocupar com o tom de voz.
Alexia se aproxima calmamente de Alexander e empurra com toda a sua força a agulha em seu pescoço pressionando o embolo rapidamente. Com a dor, Alexander se levanta gritando, quebrando assim a agulha. Os dois irmãos correm pela porta adentro
Flashback off.
Era ele, Alfred. Estava morrendo. O irmão que sempre foi seu guardião, que havia a protegido por todo esse tempo enquanto esteve em soro criogênico... Ele não merecia isso, e quem quer que seja teria que pagar. Calmamente, Alexia se aproxima de Alfred caído no chão que olhou para o seu corpo nu, fascinado, como se estivesse vendo algum tipo de deusa.
–Alexia... Eu... Eu falhei!
Com um último suspiro, Alfred caiu no chão morto. Alexia não conseguiu imaginar e é então que começa a descobrir coisas novas. De algum modo, ela começou a se sentir conectada com alguma coisa que está ali. Ela não saberia explicar, mas se sentia conectada e era aos insetos que estavam presentes. Alexia sentia algo diferente, como se pudesse exalar alguma espécie de metabólito capaz de controlar tais animais. O vírus foi um sucesso.
Flashback on:
–Alfred, me prometa que vai me acordar em quinze anos! O computador só reconhecerá a sua voz e a de mais ninguém. Se você morrer, eu morrerei junto com você. Se você não me acordar, estarei fadada a permanecer nesse tubo. Deixo o meu destino em suas mãos.
–Alexia... Eu a guardarei como se fosse a coisa mais preciosa que tenho.
–E eu sou.
Alexia pega mais uma vez a seringa em suas mãos. Estava decidida a usar a si mesmo como cobaia. Se tudo fosse como ela previra, em quinze anos estabeleceria uma relação simbiótica com o vírus e poderia dominar algumas espécies de insetos, sendo assim como uma rainha. Ela se aproximou de Alfred e acariciou o seu rosto.
–Prometa-me!
–Eu... Eu prometo.
Vagarosamente, ela aproximou mais o seu rosto do dele, sentindo a respiração quente do garoto de onze anos. Não havia mais outra salvação para eles, pois haviam matado seu pai e usado a Umbrella a fim de realizar seus próprios desejos, tudo por causa de Alexia. Ela aproximou mais a ponto dos narizes se encostarem. Alfred não entendeu porque sua irmã estaria fazendo aquilo.
–Antes de talvez morrer... Eu gostaria de saber como seria...
–Como seria o quê?
–Prometa que vai me tirar desse tubo... Daqui a quinze anos!
Alfred não entendia porque ela estava perguntando isso tantas vezes, mas sabia que o faria. Alexia era tudo o que tinha lhe restado, e se tinha alguma coisa pela qual valia à pena viver, era ela. A única. Ela aproxima ainda mais o rosto do seu, agora os seus lábios quase se tocam. Alfred não sabia se aquilo seria errado ou certo, mas sabia que a amava mais que qualquer coisa.
–Prometo! – Disse finalmente.
Alexia então pressionou os seus lábios contra os dele, abrindo a boca e a encaixando perfeitamente a sua na dele. Eles ficaram durante dois minutos envolvidos em um beijo, até que Alexia recuou.
–Está na hora.
Ela se despiu na frente do irmão sem se preocupar com pudor ou qualquer coisa. Afinal, ele ainda era o seu irmão mesmo depois do acontecido a segundos atrás. Ela segurou firmemente a seringa em suas mãos e perfurou sua veia do braço, injetando assim algumas mls de um líquido esverdeado. Em seguida, ela foi para dentro do tubo, o fechou girando um dos vidros e colocou vários cabos e fios no corpo que monitoraria o progresso do vírus e o estado do seu corpo. Ela acenou pra Alfred, que apertou alguns botões do computador principal, e fechou os olhos.
Flashback off.
Ela então olha o corpo do irmão e se senta na pequena escada que daria acesso ao tubo. Alfred estava morto agora, não poderia mais conversar com ele ou tê-lo como apoio. Tudo que poderia fazer agora era vingar-se. Ainda nua e sem se preocupar com quaisquer coisas, Alexia deita o corpo do irmão ao seu lado deixando mais precisamente a sua cabeça sobre suas pernas e a acaricia, como se o estivesse colocando para dormir. Era a primeira vez que o estava vendo depois de quinze anos e a última vez em sua vida. Tudo que ela poderia fazer agora era se vingar, usando agora os poderes que o vírus havia lhe dado. Se estivesse certa, poderia controlar os insetos que criava em seu laboratório e até alguns monstros também. Seria fácil encontrar os assassinos, já que aquele lugar tinha deixado de ser habitado à séculos. Mas isso não a deixou mais feliz. Alexia queria seu irmão de volta, seria bem melhor. Mas era tarde demais para requerer isso do destino, e tudo que faria de agora em diante era se vingar e depois pensar em outro plano melhor.
Ela continua acariciando os cabelos dourados de seu irmão, e então a tela de segurança mostra um veículo deixando o complexo de laboratórios. Eram eles. Ela não sabia como, mas sabia que era capaz de fazer. Tudo aconteceu rápido e ela nem precisou deixar o seu irmão. Com sua expressão vazia, Alexia continuou o seu movimento pelo cabelo do corpo, como se o sentisse vivo, como se fosse a última vez que colocaria o seu irmão para dormir.
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