Notas iniciais
Devaneio sobre o que teria acontecido se Ernesto tivesse tido a oportunidade de se despedir de Ema! PS: Estilingue meu filho, precisa aprender a hora de desistir de um shipper.

"- Diga a baronesinha que eu espero que fique tudo bem..."

— Pode deixar comigo! — afirmou Aurélio."

Ernesto não queria sair, ele realmente queria ir até ela e dizer-lhe pessoalmente tudo aquilo, e se de alguma maneira, visse nela algum sinal, o mínimo que fosse em seus olhos, em sua face, que ela queria que ele ficasse, naquele momento, achou que séria capaz de fazê-lo.

Porém achou melhor não arriscar. Se ele ficasse o que adiantaria? Não quis apropriar-se do "complexo de vira-lata" como dissera Rômulo, mas existem os fatos, até mesmo dentro de seu mundo. Se Ema o quisesse, bem, aí os fatos estariam a seu favor, então ele sendo o 'anarquista' que era, enfrentaria as convenções e lutaria para estar com ela. Mas sua luta era inglória se ela não queria estar com ele. Colocaria em xeque a oportunidade de realizar seu sonho em troca de quê? De ser o ombro amigo em que ela choraria, porém que depois, quando se recuperasse, descartaria? Sim, porque ele tinha certeza que ela se recuperaria. E então o que ele faria? Com o coração partido mais uma vez? Achou melhor não arriscar... Jorge! Jorge estava com ela. Jorge era perfeito para ela. E acima de tudo ela amava Jorge. Tudo ia ficar bem pra sua baronesinha!

Estava tão perdido em seus pensamentos que não ouviu uma voz doce, suplicante, porém inquisitiva o chamar. Ainda estava no alpendre quando finalmente a voz o alcançou.

— Ernesto!!

Virou-se imediatamente, reconhecendo a voz, porém ainda acreditando ser os seus pensamentos. Mas, não, era verdadeiramente ela. Quase correndo em sua direção, passando pela sala e deixando muitos ali com cara embasbacada. Ele ainda conseguiu sorrir, porém a face dela estava manchada por lágrimas, os olhos não escondia a dor, a boca — ah, a doce e suculenta boca — de um vermelho vivo denunciando a compressão que fizera em seus lábios na hora do choro, aquilo tudo apertou-lhe forte o peito.

— Seu italiano mal educado! — ralhou ela, e ele ensaiou sorrir de novo! — Como se atreve ir embora sem despedir-se?

Ele pensou no que responderia, lembrou de seus motivos. Lembrou-se de Jorge. E se desviasse um pouco o olhar dela o veria na sala, tentando não olhar para direção onde Ema tinha seguido, porém sem muito sucesso.

— E-eu não quis lhe trazer ainda mais aborrecimentos! — explicou-se finalmente, cedendo ao seu olhar interrogativo. — Deixei meus votos com seu pai!

— Não é a mesma coisa! — ralhou ela, novamente. — Você sabe que não é!

— Sim, eu sei, mas... — ele olhou novamente por cima do ombro dela. — Achei que não precisasse mais de mim! — Não pôde disfarçar o desapontamento na voz. — Desculpa Baronesinha! E-eu não estou ajudando... E-eu não sei o que dizer!

Ela sorriu, aquilo fez seu coração aquecer-se, ela sorriu, mesmo diante dos olhos sofridos. "Pelo menos você me faz rir." Ela tinha dito aquilo uma vez!

— Não consigo crer! Você, o italiano mais tagarela e "entrão" que já conheci está sem palavras?

Ele sorriu junto. Viu os olhos dela brilharem por um momento, depois entristecer-se novamente, e quando ela encerrou o sorriso ele fez o mesmo. Era horrível para ele vê-la com aquela tristeza, já havia visto-a ali antes, porém não daquela maneira. Quis abraçá-la, quis, não só dizer, mas fazer tudo ficar bem, quis desesperadamente! Mas, teve medo, sim tinha que admitir aquilo para ele mesmo,ao menos, Ernesto Pricelli estava com medo. Medo de ceder caso ela pedisse para ele ficar!

— Não quero que faça nada! — disse ela, parecendo ler seus pensamentos. — Não quero que diga nada! Eu só quero... — a voz dela falhou. — Só quero... — ele viu as lágrimas encherem seus olhos, e então ela o abraçou, e ele não esperou um segundo para envolvê-la em seus braços.

Sentindo o coração disparar em seu peito ao mesmo tempo em que parecia diminuir de tamanho, a sentindo molhar sua camisa, a sentindo apertar-se a ele, como pedindo desesperadamente para que ele lhe tirasse a dor e a decepção. E naquele momento o que Ernesto mais queria em sua vida era ter esse poder, que São Paulo fosse para o inferno, que sua liberdade fosse para mais longe ainda, o que ele mais queria na vida era tirar a dor do coração de sua baronesinha, por isso, nunca se sentiu tão miserável!

A abraçou com toda força, teve até medo de machucá-la, lhe afagou os cabelos, e a deixou chorar, sabendo que seus olhos também estavam úmidos, porém ele era ponto de visão dos telespectadores na sala, então tentou controlar-se.

Ela respirou fundo e tencionou recuperar-se, o olhou e novamente sorriu. Ele teve a impressão que ela queria dizer algo, mas pareceu receosa em fazê-lo. Era a mesma expressão da noite anterior, em seu quarto.

— Vá! — ela disse por fim, engoliu o resto do choro. — Vá para sua São Paulo! — respirou fundo. — Lhe sou grata por tudo, principalmente por me mostra seu mundo.

Um estalo veio na mente dele.

— Quero que consiga tudo que almeja! — continuou ela. — Você realmente merece...

— Venha comigo! — as palavras pularam da boca dele, pegando ambos de surpresa.

Ema franziu o cenho, achou que não tivesse escutado bem.

— O que disse?

Ernesto hesitou por um momento. Mas, era algo tão claro para ele. Ele não conhecia São Paulo, mas conhecia seu mundo, sabia que podia transformar qualquer lugar em seu mundo, e se Ema estava grata em o ter conhecido, ele sabia que podia abrigá-la com ele. Além do mais, se Ema fosse, não lhe restaria duvidas, se Ema dissesse que iria com ele, ele seria capaz de ficar no Vale do Café por ela, simplesmente porque saberia que ela o queria de verdade. Seus pensamentos afoitos nunca fez tanto sentido em sua mente.

— Eu lhe fiz um convite, baronesinha! Venha comigo para São Paulo! — ele repetiu convicto.

— Está louco, Ernesto?! — ela se afastou um pouco para olhá-lo melhor. — Como eu... Como eu poderia ir para São Paulo, justamente agora?

— Simplesmente indo! Indo para viver a sua vida. Não a vida que traçaram para você, ou a vida a que você estava fadada. Mas, a sua vida, baronesinha! A vida que você quer viver!

Ema o olhava abismada, absorvendo cada palavra.

— E-eu... Eu...

— Shiii! — ele colocou um dedo em seus lábios, a calando. — Não responda agora! Pense! Partiremos amanhã, você sabe de onde... — ele subiu a mão que a calava até a bochecha de onde escorria uma lágrima e a limpou. — Eu só espero que decida o que for melhor para a senhorita! Que pelo menos dessa vez, escute seu coração! — ele segurou sua mão e a beijou. — Até breve, baronesinha!

Ele despediu-se e se foi às pressas, deixando Ema o assistir partir do alpendre da casa com o coração aos pulos. O resto daquele dia seria de apreensão, de ansiedade e de expectativa para ambos!

...

No dia seguinte, na hora da partida, quando suas esperanças já estavam praticamente mortas, ele a avistou, puxando seu cavalo pelas rédeas, com um sorriso tímido na face e uma certeza nos olhos. Já o seu sorriso denunciou os pulos de seu coração, Ernesto não sabia o que seria deles dali por diante, porém teve certeza: Estava completamente apaixonado pela mulher mais improvável de todas, Ema Cavalcante, a fresca baronesinha do café, e por aquela mulher, sim, ele lutaria.

Notas finais
Perdoe-me algum erro ou incoerência, escrevi rapidão na hora do almoço! Por favor, comentem... Com carinho, para os Erma's!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!