Despedida
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Trilha sonora: Bathory - Hammerheart.
Dessa vez a trilha tem alguma ligação com a fic. kkkkkkk
Os olhos de lavanda do cavaleiro caído exalavam tristeza as ver ruínas ao seu redor. Os estrondos provocados pelo embate acalorado entre os poderosos guerreiros cessaram momentos atrás. O silêncio preenchia a casa daqueles que até então eram considerados o topo da pirâmide da deusa.
O sagrado santuário, a casa de Atena na terra se encontrava em escombros. Seus leais devotos e protetores, em sua maioria, agora vestiam-se como mortos. A própria deusa, aquela que era a luz que guiava seus santos guerreiros no dever de proteger esse mundo, já não caminhava mais entre os vivos.
A alvorada, símbolo da esperança, aquela que enrolava o véu das trevas trazido pela noite, aquela que representava um novo começo cheio de luz e harmonia, já não trazia conforto. Naquele dia não haveria sol, ainda que a gigantesca esfera incandescente surgisse no horizonte. Os dias agora seriam mais negros, menos reluzentes.
— E mais uma vez os cavaleiros de bronze terão que lutar. Depois de Poseidon, agora enfrentarão aquele que tem domínio sobre a morte, o mais terrível de todos os deuses. Esse é nosso dever, ambos como devotos da deusa e protetores desse mundo. Ainda assim não consigo não sentir pena deles. Mas mais ainda, sinto pena de você, meu amigo.
Shion, antigo mestre do santuário e cavaleiro protegido pela constelação de áries, parou próximo ao seu antigo irmão de guerra, Dohko de Libra. O libriano não se virou para confrontá-lo. Preferiu manter o olhar fixo no santuário destruído pelos espectros de Hades e pela batalha entre os imponentes cavaleiros de ouro e seus amigos renegados.
— Você teve a missão mais árdua. Enquanto nós pudemos descansar em nossa morte após a última guerra, você ficou encarregado de vigiar o selo de Hades e do espectros, para assim poder lutar mais uma vez. Você viu todos os seus amigos caírem em combate 243 anos atrás e sobreviveu. E agora, mais uma vez a história se repete.
Visível de todo o entorno, a ultima chama do relógio do santuário se apagou.
— Dohko Eu gostaria de ficar mais um pouco. Assim poderíamos conversar sobre quando treinamos juntos, quando caminhávamos sem preocupação pelos vilarejos próximo ao santuário e víamos a felicidade no rosto de seus moradores. Gostaria de conversar sobre o tempo em que rimos juntos rodeados de todos os nossos companheiros. Gostaria de ficar e conversar um pouco mais sobre os tempos alegres.
Após um momento de silêncio, Dohko respondeu sem se virar.
— Ainda vamos nos encontrar novamente. — A voz trêmula trazia o peso colossal de ver amigo partir.
— É verdade. —Um sorriso triste adornou a faze do ariano. — O que são alguns dias perto de 243 anos? Eu espero que as circunstâncias de nosso próximo encontro sejam melhores, velho amigo. Eu realmente espero...
Dessa vez o dourado não respondeu e também não se virou porque sabia que o amigo já não estaria mais ali. O tempo concedido ao amigo havia se esgotado. Manteve o olhar fixo a sua frente, o que não impediu as lagrimas de brotarem e escorrerem pelo seu rosto e nem a tristeza de tocar seu coração. O peso das gotas fez a cabeça do homem se inclinar para frente.
A guerra mal havia começado e eles já estavam em completa desvantagem. Seria possível alcançar a vitória em face de tamanha dificuldade?
Dohko iria lutar com todas as forças e ainda assim teria rezaria por um milagre.
— Dizem que na entrada do inferno jaz a inscrição "Abandone a esperança todo aquele que aqui entrar." Não voltaremos vivos dessa batalha. Talvez essa seja a última vez em que veremos o céu azul de nosso mundo, a última vez em que veremos a vida como ela é. A estrada que estamos para tomar esta pavimentada com sangue e sofrimento. Veremos os horrores que nos aguardam depois da morte.
Dohko abriu a palma da mão. A última centelha de vida de seu antigo irmão de guerra pousou em sua mão emanado um luz fraca, porém quente e reconfortante.
— Você está pronto... Kanon?
O libriano fechou a mão e se levantou. A determinação escrita em toda a sua face e linguagem corporal. Mesmo que apenas um punhado tivesse sobrado, mesmo que tivesse que enfrentar todo o inferno e seus demônios, lutaria até sentir a chama de seu cosmo esvanecer. Ele era um Cavaleiro de Atena.
— Será uma honra acompanha-lo.
Fale com o autor