Despedida

1 ☂ I'm just hanging on the corner...


Despedida

Hoje eu acordei e não estava com vontade de viver. Simples assim. Isso é meio triste, não é? Digo, se sentir sem nenhum propósito, como se você não fosse importante e a vida não tivesse mais nada a oferecer de bom. E a única coisa que te segura no mundo, é uma tênue linha — amigos, familiares, amores — que pode arrebentar a qualquer instante.

Às vezes a solidão é forte demais. A tristeza é demais. Então, decidi que quero morrer. Mas quando paro para pensar nisso, acho que é egoísmo da minha parte. Partir assim, sem deixar nada, sem nenhuma explicação — não que eu não queira me explicar, só acho que ninguém vá entender o que se passa dentro da minha mente. Algo dentro de mim ainda grita que sou importante para alguém, que se eu me for, alguém vai sentir minha falta.

Contraditório, eu sei. Mas não posso evitar.

Costumam dizer que suicidas são covardes, que são pessoas que têm medo da vida e desistem dela. Eu discordo. A vida pode ser sim assustadora; tenebrosa eu diria, mas algo mais assustador do que tudo isso, é não sentir. Quando você se esforça e mesmo assim não parece que há um lugar no mundo a qual você pertence. Isso sim é assustador. No fim, tirar a própria vida por não sentir que pertence a algum lugar, requer muita coragem.

Esse sentimento de perda, de vazio, por mais que não esteja faltando completamente nada... Não pode ser mudado. Não importa quantas vezes eu sorria, ou quantas vezes meu coração se aqueça por alguns segundos, nada resta depois.

Isso é triste.

Não poder lapidar nada. Não guardar nada.

Nesse momento eu percebo o quanto minha vida é preenchida de "nada's" e "não's". Isso me faz pensar que não sou uma pessoa necessária. Minha existência não significa nada, não faz diferença. Isso não quer dizer que eu queira fazer algo para mudar o mundo, eu só queria sentir que tenho um propósito — qualquer um —, mas isso não existe em mim.

E é por isso que eu decidi morrer.

Talvez quando finalmente acontecer de eu não mais respirar, alguém me chame de querida pessoa, de patética ou qualquer outro adjetivo. Seja bom ou ruim, não demorará muito para que mais uma suicida como eu seja enterrada no tempo, como qualquer outra lembrança, que fica para trás e não passa disso: um momento que passou.

E é com isso que me despeço. Não espero que me entendam, só preciso que saibam que eu precisei juntar muita coragem para esse momento. Pode ser um fim, mas quem pode me garantir?

Talvez... Talvez, seja um começo e eu possa finalmente encontrar um lugar que possa chamar de casa.

Notas finais
Eu nem sei se alguém leu isso, mas... Não me entendam mal. Quero dizer, não é como se eu estivesse apoiando o suicídio ou algo do gênero, ou tentando romantizá-lo. Tive vontade de escrever isso, porque estava divagando sobre o que pode se passar na mente de uma pessoa que não quer mais viver. E acabou saindo isso aqui.

*suspira*. Acho que é isso. Comentários são bem vindos.

Se alguém leu, muito obrigada. Espero que não pense que eu sou doida. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK :P
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!