Despair
8 Perfect Family
Isso foi muito errado.
Maria andava apressada, sem saber para onde ir. Não queria voltar para o clima pesado que estava em casa e também não iria voltar para a casa de Mônica. Parou e ficou a olhar para a rua.
Seu telefone tocou, era Felipe. Era seu irmão mais velho, mas tinha uma mentalidade de criança. Levava reclamações da escola todos os dias e só queria saber de balada. Era bem popular por ser filho de um ator. Diferente de Maria, que procurava a todo custo viver longe desses “privilégios” que ganhavam.
— Alô? — Ela atendeu.
— Maria? Onde você está?
— Isso não é de sua conta.
— Pelo amor de Deus, Maria, mamãe está preocupada. Você saiu de casa com uma bolsa nas mãos sem dizer nada!
— E porque não se preocupou quando ela e papai começaram a brigar? — Perguntou irônica.
— Maria...
— Eu não quero voltar pra casa. — Fez uma pausa. — Pelo menos não hoje.
Felipe não falou nada por pelo menos, 15 minutos. Parecia estar pensando em algo, ela não sabia.
— Sabe aquele apartamento?
— Sei... — Ela estava sem paciência.
— Fique lá. A chave está com o Paulo. Amanhã você volta pra casa.
— Certo. Até. — Desligou.
Mal reparou que a rua agora estava vazia, e somente a luz dos postes e da lua a iluminava. Agarrou a bolsa e iniciou seu caminho para o apartamento. Como meio de entretenimento, ela se lembrava de quando era criança, como tudo naquele tempo parecia ser mais fácil. Como ela se arrependia de ter dito que queria crescer logo.
Sua mãe era mais feliz. Mais viva. Atualmente, infeliz. Infeliz com o casamento, que cada vez mais ia se destruindo. Sabia que o marido a traía, porém não falava nada. Queria preservar a imagem de “família perfeita”. Ainda tentava conquistar o afeto do marido, mas sempre fracassava.
Toda a maquiagem do mundo não te torna menos insegura.
Seu pai não era muito diferente. Pelos fãs, ele era maravilhoso. O sorriso em sua face em cada foto simulando uma felicidade que infelizmente, nunca conseguiria. Embora amasse os filhos, tudo estava sufocando-o. Maria e Felipe... As únicas pessoas por quem ele levantava da cama toda manhã e continuava. Não sentia mais o afeto que sentia pela esposa, mas tinha que preservar sua imagem e a da família.
Maria mal reparou que já havia chegado no apartamento. Assim que entrou, viu o porteiro. Era um senhor que aparentava estar nos seus 60 anos, porém com muita saúde para a idade.
— Senhorita! Seu irmão me avisou que viria. — Ele disse.
— Você tem a chave do apartamento?
— Sim. — Ele a deu. — Perdão senhorita, mas... Porque está tão triste?
— Não! Só... Estou cansada. Só isso. Boa noite.
Maria praticamente correu. Entrou no elevador, apenas desejando que ele não parasse e a levasse logo para o apartamento. O lugar era simples, sem nada extravagante. Entrou em um dos quartos e se jogou na cama, tirando os sapatos, imediatamente voltou a pensar no pai. Ele era um homem brilhante, como um homem de um milhão de dólares.
Então porque seu coração continua quebrado?
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