Desordem

1 Emoções Nubladas


Notas iniciais
Hello a quem se aventurar por aqui (e ler tudo isso) *------* Repostando meu penúltimo escrito deixado Spirit faz um tempinho e como é feriado, Dia de Finados e afins. Esta fic foi inspirada em 3 episódios: 1. Na época, foi uma forma de aliviar minha frustração por causa do show do KAMIJO (um cantor de J-Rock MARA!) que era para ocorrer no início do primeiro semestre e foi cancelado; 2. O álbum "Unknown Pleasures" da banda inglesa Joy Division, que estava ouvindo quando tudo isso ocorreu e 3. Acima de tudo, uma homenagem indireta a Ian Curtis, o falecido vocalista dessa banda incrível. Como disse antes no Spirit, apesar de atualmente não ouvir mais tanto Joy Division quanto antigamente, lá na minha loka adolescência, ele ainda está no meu coração. Link da fanfic no Spirit, das músicas citadas, um mini glossário de algumas palavras mais outras considerações nas notas finais e... Boa leitura!

Londres, 19 de Maio de 1980

Atípica chuva nas predominantes noites quentes da primavera inglesa. Gotas pesadas, vento razoável, porém suficiente para entortar um fraco guarda-chuva e um alto rapaz parado em frente a uma boate. Expressão facial estarrecida, incrédulo com os dizeres do cartaz na entrada:

“Joy Division – cancelado devido ao falecimento do vocalista Ian Curtis (O amor irá nos separar). R.I.P e os sentimentos do clube Smocky Light a família, parentes, amigos mais o restante da banda. Clube fechado até o dia 29/05. Reabriremos dia 30/05. Agradecemos pela compreensão, pedimos desculpas por quaisquer transtornos e para reembolsos, favor dirigir-se até a bilheteria. Ass: Equipe Smocky Light.”

“Então, todos os meus esforços para vir de Glasgow até aqui foram... em vão? Sorte ter deixado as passagens mais os comprovantes de despesas com o hotel na carteira.” – refletia o homem para si mesmo, enquanto guardava o objeto cheio com o dinheiro do reembolso, caminhando de volta ao hotel, deixando as águas das nuvens disfarçar o doído choro.

Kiyoshi Teppei, um imigrante japonês estudante de Fisioterapia na Universidade de Glasgow, e atualmente residente em uma república estudantil, como todo jovem jovem de 23 anos, tinha uma banda favorita para admirar e ela se chamava Joy Division.

As lembranças de uma amiga apresentando o primeiro álbum da banda, o “Unknown Pleasures”, junto a aquele arrepio único de ouvir algo novo e maravilhosamente marcante... A bateria de ritmo militar somado ao baixo tocado de maneira única, travando uma harmoniosa batalha de destaque com a guitarra mais o teclado e coroado com a voz marcante daquele rapaz, cujo desespero era sentido intensamente nos ouvidos e na alma, desde a primeira palavra cantada, o eu, eram vivos na sua memória. Viajava também nas lembranças do fascínio de assisti-los ao vivo em um show, pela primeira de várias vezes. As doces memórias de uma inesquecível férias da faculdade em Londres, a mesma Londres que anunciou o trágico fim da sua maior preciosidade melódica.

Vaguejando o caminhar, sem lembranças de um show a recordar, Kiyoshi caminhava sob uma chuva afinada. Refletia em como fará o remodelar do destroçado “coração de ferro”, apelido adquirido na Atlética da faculdade, onde jogava basquete, no qual odiava por dar uma falsa impressão de frieza sobre ele. Tentava distrair o olhar com as luzes dos pubs nos arredores, as variadas pessoas se arriscando a sair com o dissipar da chuva, um ou outro alguém bonito para uma efêmera apreciação, outra ou uma lojinha fechando as portas, a lua límpida no céu a brilhar... Teppei não queria, porém não se sentia em condições de recusar o sereno abraço do luar, naquele momento, o único que compreendia seus reais sentimentos sem julgar.

Olhou para o lado, espantou-se por já estar na porta do hotel. O distrair foi demais:

“Por quanto tempo eu andei em círculos, dando voltas pelo quarteirão?”

Entrou no hotel, foi em direção a recepcionista pegar a chave para o quarto. Dentro da sua privacidade, o rapaz deixava a água do chuveiro disfarçar mais lágrimas soltas em seu rosto. Após um tempo, de roupas trocadas, perfumado e precisando se distrair, o imigrante pegou sua carteira mais a chave do hotel, desceu até a recepção e com a chave entregue lá, caminhou a passos lentos até o bar do local. Sentado no balcão, pediu uma dose (pint*) de cerveja para o barman. Pedido atendido, conteúdo tomado em um gole, Teppei já sentiu o primeiro tontear da bebida e um pouco mais relaxado. Pediu mais um copo de cerveja e enquanto sorvia o líquido, tentou com o funcionário aliviar um pouco suas dores da alma:

— Boa noite e desculpa incomodá-lo, mas... quando foi a morte dele?

O Senhor olhou espantado para o homem e falou:

— Rapaz, onde o cavalheiro estava? Em Marte? Deu até na BBC, foi ontem que o Curtis lá morreu. Suicídio, se enforcou na cozinha de casa, enquanto a mulher e a filha dormiam. Parece que ele tinha alguns problemas com depressão... Não devia ter se entregado tão cedo, deveria ter lutado...

— Sim. – limitou-se a responder Kiyoshi com os olhos marejados, tentando ainda processar toda a tragédia. Pediu outra dose de cerveja, mais uma, outra... a parte mais racional do seu cérebro pedia para parar de beber, entretanto a parte emocional queria mais. Solicitou ao barman uma dose de whisky...

Horas passadas, a bebedeira bateu de vez: voz embargada, tontear da visão duplicada, pessoas mais interessantes e a liberdade de soltar uma lágrima pelo ídolo falecido, ter o direito de ser triste, sem se preocupar em manter “o coração de ferro”. Soltar essa lágrima exatamente quando a jukebox* tocava sua música favorita do Joy Division, “Digital”.

(…) Eu sinto-o se aproximando

Como texturas parecem tomar forma

Eu o sinto frio e quente

As sombras começam a cair

Eu sinto-o se aproximando

Eu sinto-o se aproximando

Dia sim, dia não (…) ”

Copo de whisky da saideira na mão, cantando baixinho a música, cabeça baixa no balcão após comer uma porção de “fish and chips*”, Teppei ouviu o barulho de alguém sentar-se ao seu lado do balcão e falar:

— Ora, ora... quem eu vejo justo aqui?!

Era uma, senão a voz de quem menos queria ouvir naquele momento: Makoto James Hanamiya. Tinha a mesma idade do imigrante, ambos estudavam na mesma faculdade e faziam parte do mesmo time de basquete na Atlética, mas as semelhanças param por aí. Cursos diferentes, pensamentos desiguais, personalidades conflitantes – tanto que a cena mais comum na faculdade era os dois brigarem por tudo, exceto música ou quando Kiyoshi precisava de ajuda em alguma matéria de exatas na graduação, pois o outro cursava Física – onde até no “ser japonês” eles conseguiam ser singulares. Ao contrário de Teppei, Makoto era um mestiço de pai japonês e mãe escocesa, tanto que seu nome se originou da discordância do pai querer nome japonês e a mãe nome inglês para, no final, eles colocarem os dois nomes. Se Kiyoshi era os Campos Elíseos, Hanamiya era o Reino de Hades em pessoa.

A vontade de Teppei era de sair dali, pegar novamente a chave na recepção, subir imediatamente para o quarto, porém estava tão carente e bêbado que até aquela companhia era tragável, além de um outro motivo no qual odiava admitir: Makoto estava muito atraente com sua camiseta estampada de caveira moicano customizada, calça jeans preta justa e rasgada e um tênis All Star da mesma cor. Na realidade, Kiyoshi sempre admirou a beleza selvagem do rival, onde até sabia que Hanamiya também se relacionava com mulheres e homens, assim como a si próprio, mas a personalidade problemática de Makoto tirava qualquer possibilidade de ter algo com ele. Respondeu o “colega” com um falso ar confiante no rosto:

— Boa noite, Hanamiya-san.

— Por que raios você está falando em japonês comigo? Estamos na Inglaterra, idiota. – provocou o rapaz de longos cabelos negros até o queixo.

“Respira, Teppei... ele está claramente tão bêbado quanto eu. Respira!”, pensou. Em seguida, respondeu em inglês com uma certa ironia:

— O que os bons ventos escoceses e londrinos trazem você aqui? Joy Division, talvez?

— Não me diga que... – Makoto deu uma alta, forte e zombeteira risada da cara do outro, com direito a sair uma lágrima do seu rosto. – Você só foi descobrir que o Ian Curtis morreu na porta da Smocky Light?! – riu ainda mais de Kiyoshi, mas ficou calado quando Teppei o respondeu com sarcasmo:

— Desculpa aí se eu cumpri com as minhas obrigações de estudante antes de viajar, se meu walkman com rádio quebrou durante o voo, se o quarto onde estou hospedado não tem televisão e só acordei na hora de me arrumar para o show, pois desmaiei na cama por causa do jet lag.

— Eu sabia que você era burro, mas nem tanto. – rebateu o estudante de Física.

Teppei contou mentalmente até 10 para se acalmar e não socar a cara de Makoto. Deu um falso sorriso e comentou sarcástico:

— Engraçado... ouvi comentários que você também ia nesse show, o que aconteceu para não estar em Glasgow a essa hora? Gostou tanto daqui a ponto de estender a estadia ou o seu famoso lado mão de vaca falou mais alto, a ponto de preferir pagar uma diária a mais do que cancelar tudo, Hanamiya?

O homem deu uma risadinha desafiadora e disse:

— Como se Londres girasse ao redor do Joy Division, igual a Billboard fala. Desculpa aí se eu já tinha um ingresso para o show do The Clash no Royale Pub anteontem, bati muita cabeça lá, dormi. Acordei de manhã, liguei a bela televisão do meu quarto e assim que soube do suicídio do Curtis, fui para Light pegar o reembolso e ainda fui para o show secreto do The Buzzcoks com os meus contatos por aqui.

“Mas é um pão duro mesmo. O cara é herdeiro de uma rede de supermercados, nada no dinheiro, mas pega um quarto comum só para não gastar... tsc!” – analisou Teppei antes de falar:

— Não vá se achando “Senhor Antenado”, só porque você conhece praticamente toda a “cena underground” de Londres.

— Eu não me acho, eu sou. Desculpa aí, se aproveitei muito bem meu colegial aqui, antes de voltar para Glasgow. – rebateu Hanamiya com sorriso triunfante no rosto. Odiava admitir, mas achava o rival irritado muito sexy. Na realidade, achava Kiyoshi em si muito sexy, porém não tinha a mínima paciência para tentar melhorar a vivência entre eles.

“Se um dia rolar da gente ficar um dia, ou seja, praticamente nunca... que role... sei lá... naturalmente. Em um dos nossos raríssimos momentos de trégua, como... Deixa para lá! Cacete, eu estou bêbado mesmo!” – pensava Makoto ao reparar nos punhos cerrados, mais o rosto do outro com uma expressão pesada. Teppei só conseguiu perguntar, após contar até 20 para se acalmar:

— Está vindo de onde para ficar tão bêbado assim?

— Ó quem fala, o “Sir Whisky com pint e fish and chips”... Fui no show de uma banda muito foda chamada Iron Maiden. Os caras estão na ativa faz alguns anos, mas só agora eles conseguiram assinar com gravadora de porte. Escreve o que estou te dizendo: esses caras ainda vão ser grandes e quando o “Senhor Rock Alternativo do Billboard e BBC” ouvir falar deles, eu já terei o prazer de esfregar na cara de Glasgow inteira que acompanho eles desde o início.

— Engraçado, pois... quem foi que apresentou MC5 e Talking Heads para você mesmo, Hanamiya?! – ironizou Kiyoshi, enquanto tomava seu “pint” de saideira.

— Não vá se achando só porque você conhece mais ou menos “a cena underground” dos Estados Unidos, por ter feito o colegial lá, Kiyoshi. – rebatou o outro bem irritado com o rumo tomado da conversa, levantou-se do banco do balcão e continuou – Valeu pela “conversa agradável e amigável”, mas vou dormir. A gente se vê na universidade, otário! – despediu-se Makoto, porém ao andar de forma cambaleada em direção a porta, o rapaz bateu o rosto com tudo na parede. Por sorte não se feriu.

A muito contragosto, Teppei foi até o homem ajudá-lo:

— Desencosta, Kiyoshi.

— Tudo bem, não sou eu que vou gastar com rinoplastia por beijar o chão ou a parede. – pegou em cheio na avareza de Makoto que foi, praticamente, obrigado a reconhecer estar bêbado suficiente para mal conseguir ter um equilíbrio razoável. Aceitou com mais contragosto ainda a ajuda de Teppei. Começou a reparar no perfume amadeirado gostoso do rapaz, misturado com o álcool mais o rosto bêbado do outro. Hanamiya achou, por um momento, Kiyoshi bem charmoso, mas tratou de dissipar estes pensamentos imediatamente; afinal, acima de tudo, ele era irritantemente boa gente.

Durante o caminho, o estudante de Fisioterapia também mais uma vez pegou-se reparando nos atrativos do “colega de faculdade”, contudo fez de tudo para tirar o possível corpo nu do mestiço da sua mente.

Já no quarto, Hanamiya estava deitado na cama e Kiyoshi em pé, a se despedir do rapaz, quando o primeiro falou:

— Liga o rádio aí e vaza!

— Palavrinhas mágicas? – rebateu Teppei sem dó, ainda bêbado.

— Dá para ligar o rádio e se mandar logo daqui, pô?! – gritou o outro em um tom bem imperativo.

Com os pulsos serrados, o universitário contou até 30 para não arrebentar a cara do rival no soco e respondeu:

— Sem as palavrinhas mágicas, sem rádio ligado, garotinho mau.

— Liga a porra desse rádio e desinfeta daqui, por favor! – gritou Makoto bem alto.

Kiyoshi fez um sinal de silêncio e falou calmamente, mesmo querendo encher a cara do outro de porrada:

— Maneira no voz aí, porque nem eu e muito menos você estamos a fim de ser expulsos do hotel por perturbação a ordem, tá!

Hanamiya deu um soco forte no travesseiro e se calou, pois o rádio começou a tocar uma música bem familiar:

Estive aguardando por um guia que viesse e me tomasse pela mão

Podem estas sensações me fazer sentir os prazeres de um homem normal? (…)”

Questionava Ian Curtis em seu canto único, forte e ao mesmo tempo melancólico em “Disorder”.

Kiyoshi olhou para Hanamiya, viu as lágrimas dilacerantes saindo dos olhos negros fechados, molhando o macio travesseiro, enquanto cantava a canção. Entendeu perfeitamente em silêncio o ato – era a música favorita de Makoto. As pálpebras pesarosas do outro se abriram, olhares encontrados. Pelo silêncio dos olhos conversaram, se compreenderam pela primeira vez em anos. Ali, compartilharam a dor de perder um ídolo, alguém que consideravam como inspiração, gênio. Alguém que, no fundo de sua atormentada alma, sempre soube que sua estadia na Terra seria curta. E o “coração de ferro” surpreendendo até a si mesmo, sentiu-se compreendido, livre para soltar todas as lágrimas presas nas muralhas dos sentimentos mais obscuros, cantando a canção junto ao dono do quarto.

Após a música terminar, em seguida iniciou-se uma nova canção de melancólicos acordes, similares a uma mórbida parada fúnebre. Uma festa pelo morrer e aquela música era o carro chefe. Os dois homens identificaram na hora a canção:

— Eles estão tocando o “Unknown Pleasures” inteiro em homenagem ao Crutis, é isso?! Deve ser, pois... “Day Of The Lords” nunca foi uma música de trabalho para single ou ser tocada frequentemente em shows. – Kiyoshi sabia do que falava. Se não fosse pela morte de Ian, aquele seria o sexto show da banda no qual estaria presente.

— Óbvio que estão, idiota. Você acha que se ele estivesse vivo, estaríamos aqui, chorando? Sim, mas seria somente pelas emoções das músicas deles tocadas no show, nunca pela morte dele... Ian... tão cedo, por quê? – questionou Hanamiya em um abundante choro.

— Dizem por aí que há pessoas cuja mente e genialidade são tão a frente do seu tempo, que são dadas a elas o “dom” de saber a melhor hora para partir deste mundo, seja qual for a circunstância. Curtis, com certeza, fazia parte desse seletíssimo grupo. Não sei se você já viu um filme norte americano chamado “F for Fake”... – contudo foi interrompido por Makoto.

— É um filme estrelado pelo Orson Welles, o diretor de “Cidadão Kane”, que fala sobre dois falsificadores de obras de arte, né?!

— Isso! Continuando, você se lembra da cena onde a personagem de Welles fala a emblemática pergunta: “É bonito, mas é arte?”

O estudante assentiu com a cabeça positivamente, Teppei continuou:

— Talvez a mente de Curtis estivesse tão a frente do seu tempo, que ele, em um ato extremo entre o egoísmo e a genialidade, se matou para evitar do seu amado odiado Joy Division virar lugar comum a ponto de perguntarem “É bonito, mas é arte?”... Sem contar a batalha diária dele contra o próprio eu afetado pela epilepsia, contra a depressão, a vida de casado e pai de família, a banda, os fãs... Independente dos motivos, quem sou eu para julgá-lo? Porém ainda tenho o direito de achar o suicídio um ato extremo nada legal, pois causa dor aos que ficam e amam você. Se pudesse escrever uma palavra a ele, se pudesse estar naquela cozinha, simplesmente abraçaria ele e pediria para o Ian desabafar como ele nunca desabafou com ninguém.

Hanamiya ficou admirado com as divagações do outro:

“Quem diria... um idiota como o Teppei pensante e filosófico. Ah, vá... ele está bêbado, igual você. Nem vai lembrar amanhã disso, pff!”

Enquanto isso, os últimos versos de “Candidate” se despediam para dar lugar a próxima canção:

(…) Eu tentei chegar até você,

Oh, eu tentei chegar até você ”

Quando eles menos perceberam, “Insight” fazia sua introspecção mansa nas duas almas de sentimentos misturados, reunidas naquele quarto barato de hotel:

(…) Aqueles com hábitos de desperdício

O senso de estilo e o gosto

De terem certeza que você estava certo

Ei, você não sabe que estava certo? (…) ”

Makoto reparava em cada detalhe do rapaz sentado ao pé da sua cama, desde os traços fortes do rosto até a postura meio relaxada, porém não deixou de notar que Kiyoshi também o analisava e de uma forma nada normal. Permitia veladamente o outro despir, desejar o seu corpo, ficar tímido quando as intenções eram percebidas. Desejar-se no olhar, transmitido automaticamente para outras partes do corpo: um sorriso de canto, uma discreta passada de mãos nos cabelos, uma camiseta caída no chão “por culpa do calor” ou uma calça retirada para “ficar mais à vontade”. Aproximar, revelar... Os sentimentos de ambos estavam bagunçados demais, pela aura do tesão rodeada naquele local, para recusar qualquer possibilidade de investida mais pesada... ou era só a bebida mesmo liberando um desejo sufocado por anos de rivalidade.

O “nunca” que virou “talvez” e estava cada vez mais próximo do sim. Uma provocação:

— Kiyoshi Teppei é bonito, mas é arte?

Ao som da marcha lenta de “New Dawn Fades”, um beijo desafiador se consumou.

Roupas ao chão, peles desvendadas

Beijos a roubar,

Mordidas e chupões a demarcar,

Trilhar no acarinhar do descobrir o corpo alheio

Tesão,

Brincar... Prazer...

Realizar.

Sim, eles se entregaram aos prazeres desconhecidos de uma intensa conexão carnal. Para Kiyoshi, nada era mais lindo do que o corpo suado de Hanamiya gemendo de prazer, cavalgando no seu pênis sem pudor algum, arranhando suas definidas costas e roubando um selvagem beijo dos lábios do outro. Sim, eles faziam sexo como o encontro explosivo do Céu e o Inferno do Apocalipse.

A noite onde a desordem e o sentir foram permitidos em sua fúria total.

(…) Eu tenho o espírito, mas perco os sentimentos

Eu tenho o espírito, mas perco os sentimentos

Sentimentos, sentimentos, sentimentos, sentimentos, sentimentos, sentimentos...

Sentimentos.”

(Disorder – Joy Division)

Ian Curtis (15/07/1956 – 18/05/1980) – Love Will Tear Us Apart

Notas finais
Mini Glossário: * Pint – É um copo especial, de 568ml, utilizado principalmente em pubs ingleses e botecos alemães para servir cerveja. O equivalente de lá do nosso velho canecão de chop, em um modo bem grosso e generalizado; * Jukebox – Sabe aquelas maquininhas que tocam música em botequinhos, onde é só você ir no caixa, pagar de 2 a 7 reais, escolher as músicas e deixar rodando? Esse é o nome dessas máquinas. * Fish and chips – Se algum de vocês, leitores, curtem também Hetalia, vão saber do que estou falando... Sim, o PRATO NACIONAL DA INGLATERRA QUE NEM O ARTHUR SABE FAZER DIREITO, HUAHUHAUHAUHAAHAHAHA! Sério, fish and chips na Inglaterra é igual feijoada aqui: prato referência quando se fala no país. Sem mais delongas, é simplesmente peixe empanado no polme, com batatas fritas cortadas de forma bem rústica, acompanhando com molho tártaro e limão... E É UMA DELÍCIA, GENTE!!!!!! --------//---------------- - Link do tão falado "Unknown Pleasures" na fanfic, para quem tiver a curiosidade: https://www.youtube.com/watch?v=NRvO3vFgoNk - Link da música do Joy Division que toca no barzinho da fic, "Digital". Lembrando que esta música não faz parte do "Unknown Pleasures", ela, na verdade, faz parte de uma coletânea de artistas da gravadora mais a primeira coletânea pós morte de Curtis, chamada "Substance": https://www.youtube.com/watch?v=9qgFGqJz9yc - Link da fanfic no Spirit - https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-kuroko-no-basuke-desordem-3543543 Bye bye (but i'm back...)!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!