Notas iniciais
Espero que vocês gostem! - Pam (@billiepipah)

Às vezes me sento na varanda e me lembro de quando minha vida praticamente virou de ponta cabeça. Não me lembro exatamente de quando foi mas quando percebi já era tarde demais. Beijos não funcionaram, noites de amor e paixão não funcionaram, nada mais daria certo. E tudo acontecera pois Félix se mostrou um insensato sem nenhum sentimento verdadeiro por mim.

Após o falecimento de César, a vida de minha família mudou completamente. Nos dedicamos unicamente a ajudar Félix a superar tudo e poder voltar a ter uma vida calma e tranquila. Sugeri, então, que nós mudássemos daquela casa. Já que a essência do pai de meu companheiro parece permanecer ali e aquilo parecia o deixa-lo ainda mais triste. No começo ele não concordou mas disse que seria bom para gerenciarmos melhor o restaurante, morando mais para o centro da cidade.

"Isso vai ser bom para todos nós, principalmente para as crianças. E, também, quando nos casarmos..." fui interrompido brutalmente.

"Casar? Quem aqui falou em casar, criatura?" Félix respondeu um tanto assustado.

"Ah, Félix..." eu sorri e segurei suas mãos. "Por que não? Não estou te pedindo em casamento mas... por que não?"

"Mas pra que isso, Niko? Nós já somos praticamente casamos, moramos juntos e tudo mais. Não tem necessidade" ele disse como dizia toda vez que o assunto “casamento” surgia. Ele sempre tentava mudar de assunto quando eu começava a falar “Quando nos casarmos...” ou “Quando eu casar, eu quero...”. Parecia querer fugir daquilo, parecia não querer firmar uma união comigo.

"Não tem necessidade? Você não casaria comigo, é isso?" disse com a voz embargada, me segurando para que uma lágrima não rolasse pelo meu rosto.

"Para com isso, carneirinho" ele tentou amenizar a situação e fazer com que eu esquecesse daquilo mas desta vez não.

– Não, não paro. Félix, eu sempre estive ao seu lado. Quando todos viraram as costas para você, eu fui o único que fiquei sendo seu amigo. Eu te acolhi, sempre te ajudei quando você precisava, não te ignorei quando você teve que vender hot dog pra se sustentar. E, ainda por cima, eu te dei meu coração, deixei você entrar na minha família.- disse o encarando seriamente. – Não que eu esteja de comprando mas... eu pensei que fossemos pra sempre.

"E nós somos" ou pelo menos éramos. "Mas por que nos apressarmos?"

"Nos apressarmos?" não aguentei. Disse a ele algumas palavras e sai. Deixe-o sozinho na sala e fui para o quarto. Sentei-me na cama e deixei as lágrimas rolarem pelo meu rosto.

Foram dois dias sem nos falarmos, nem sequer cumprimentarmos. O ignorei pois ainda estava muito magoado em relação a história do casamento. Depois desses dois dias, Félix chegou até mim e se desculpou, dizendo que não quer me magoar e que me ama com todo o amor do mundo. Ele acariciava meus cabelos enquanto falava e eu não podia conter o sorriso. Ao final da conversa, a única coisa que pude fazer foi beijá-lo com todo amor do mundo e, é claro, nos reconciliarmos de uma forma que somente nós sabíamos como. Beijos, abraços, mordidas, aranhões, gemidos. Tudo havia voltado ao normal mas a história do casamento não saía da minha cabeça mas não mencionamos aquilo por um bom tempo.

Eu sabia que, mesmo sem querer, aquele assunto ainda iria voltar e iria causar muita tormenta em nosso relacionamento. Não sabia ao certo quando aquilo ia acontecer, até que tive a confirmação. Quando saí do banho, com o sangue ainda fervendo, vi uma mala já pronta em cima da cama. Félix estava ao telefone e, pelo que eu pude ouvir, ele falava com Edith e pedia um lugar para ficar. Apenas fechei os olhos e me segurei para que as lágrimas não voltassem a cair. Mas eu tinha que aceitar, tudo havia acabado.