Deslumbrante

4 Chame do que você quiser


Notas iniciais
Olá! E não é que eu apareci antes da virada do mês? Encerrando "Deslumbrante" com essa música perfeita ♥ Primeiro de tudo, quero agradecer à MaryDuda2000 e a Polaris pelos comentários maravilhosos, que me incentivaram muito a continuar, no capítulo anterior ♥ Sei que estou atrasada para responde-los, mas pretendo colocar as respostas em ordem a partir de 1º de março E... pois é, acabei ultrapassando o limite de 5 mil palavras do desafio, tentei ao máximo não fazer isso, mas, se não fizesse, a história acabaria ficando muito crua. Eles mereciam um desenvolvimento melhor. Foi um "mal" necessário. E é isso, boa leitura! ♥

“Todos os mentirosos estão dizendo que eu sou uma

ninguém teve notícias minhas por meses

estou melhor do que jamais estive”

(Call it what you want — Taylor Swift)

O ANO ERA 2005, e graças aos meus anos dedicados à indústria do cinema, conquistei vários inimigos. Dentre eles, a supermodelo Harleen Quinzel e o seu marido, comediante e rapper, “Joker”, Arthur Fleck — que tinham uma estranha ligação com Pamela Isley —, vazaram um suposto áudio meu proferindo falas transfóbicas e machistas. Eram falas minhas, fora de contexto, durante uma ligação. Além de terem adicionado palavras que jamais sairiam da minha boca. O arquivo evidentemente tinha sofrido várias alterações.

Mas por mais que tentasse me justificar, os meios de comunicação continuaram a me atacar. Era o que rendia lucro no momento. Até mesmo as redes sociais que estavam começando a ascender, como o Myspace e o Orkut, eram repletos de críticas, alguns desses “juízes” até desejaram a minha morte e amaldiçoaram até a última geração de minha família.

Eu estava enlouquecendo, chorava o dia inteiro trancada no quarto. O telefone do meu agente não parava de tocar, grandes produtoras pediam a quebra de contrato. Aquele ano foi incrivelmente sombrio para a minha carreira. Minha reputação nunca esteve pior. Naquele momento, senti meus sonhos ruírem e o meu Oscar ficar cada vez mais distante.

Mesmo assim, Garfield permaneceu ao meu lado. Pensei em romper, a fim de poupá-lo. Os caminhos estavam se abrindo para ele, não podia permitir que se afundasse comigo. Seria muito egoísmo de minha parte.

Quando propus o término, sua reação me surpreendeu.

— Não. — respondeu firme.

— Por quê?

— Não posso abandoná-la agora no momento que mais precisa de mim.

— Sei me virar.

— Claro que sabe. Mas Rae, me escuta — pediu segurando meus ombros. — Eu te amo, e não vai ser nenhuma manchete sensacionalista que vai mudar isso. Eu conheço seu coração, seu caráter. Te conheço muito bem ao ponto de saber que nunca seria capaz de dizer aquelas atrocidades. E pra mim isso basta, dane-se o que todo mundo pensa. Quero estar ao seu lado, te apoiando, nos bons e nos maus momentos. Vamos enfrentar tudo isso juntos. — declarou, segurando minhas mãos.

— Tem certeza?

— Nunca estive tão certo em toda a minha vida. Agora vai descansar. Pense melhor no que acabou de me pedir. Independente do que decidir, estarei aqui para ser o seu abrigo.

— Obrigada… — Abracei-o com força — Obrigada por me amar!

Meu nome sumiu por meses. Aproveitei essa folga para zelar pela minha saúde mental. Resolvi também comprar uma casa de campo em Burford, no interior da Inglaterra, e migrei para lá. Naquela casa rústica e espaçosa consegui parar e respirar ar puro.

Meu namorado vinha me visitar sempre que conseguia encaixar um espaço em sua agenda. Isso porque tinha dois longas para estrear ainda naquele ano e um programado para meados de 2006.

Toda vez que ele passava as tardes comigo, na varanda, comentava que também se sentia em paz ali. Gar passou a infância numa aldeia na região sul da África, seus pais eram pesquisadores e estudavam a fauna local. Na adolescência, sua família resolveu mudar de volta para Londres, alegando que haviam cumprido seu objetivo e era hora de pensar no futuro do filho, além de matar as saudades dos cookies de chocolate da sua avó.

Algo nele se quebrou quando se viu indo embora. Por isso ele amava aquele cantinho tanto quanto eu, finalmente se via conectado ao que amava — natureza, animais, e de brinde, eu.

Lembro-me perfeitamente do dia que Jaime veio nos visitar. Era uma manhã de inverno, as árvores e a varanda cobertas de neve. Antes havia me enviado um e-mail, onde apenas informava que era importante e que se tratava do áudio vazado. Por isso, estava ansiosa.

— Rachel, quanto tempo! — Me estendeu a mão.

— É, quanto tempo — Apertei a sua de volta, com um sorriso.

— Continua linda, me parece até mais jovem.

— Quanta gentileza de sua parte.

— Você é um cara de sorte, Logan. — disse cumprimentando meu namorado.

— É o que me dizem. E eu concordo.

— Então, gostaria de sentar? — Apontei para o sofá de estofado de couro.

Jaime concordou e nos sentamos. Pedi para que Jennifer, que havia voltado a ser minha governanta, nos servisse chá e café.

— Então, do que se trata a sua visita?

— Tivemos um avanço nas investigações. Pensei em ligar, mas achei que isso fosse o tipo de coisa que gostaria de saber pessoalmente. A casa de Harleen e Joker caiu.

Meu coração disparou e um sorriso involuntariamente surgiu em meus lábios.

— Como aconteceu?

— Descobriram a fraude. Contrataram uma operadora de som do Queens para realizar as edições. Além de realocar a ordem das frases, chamaram uma dublê de voz para adicionar frases maldosas. A operadora veio até a delegacia e testemunhou após Joker contratar um assassino de aluguel para queima de arquivo. A verdade já saiu na mídia. Eles sabem que você estava falando a verdade, Rachel. Eles são os manipuladores.

— É, isso é incrível. — Forcei um sorriso e Garfield passou o braço pelos meus ombros.

— Algum problema? — Jaime me perguntou. — Pensei que ficaria feliz em saber.

— Não é nada, só estava reflexiva, essa situação mexeu bastante comigo. Por um minuto as pessoas me amavam, no outro desejaram a minha morte, e agora voltaram a gostar de mim? Sei que é assim que a fama funciona, mas poxa, “meus fãs” realmente são meus fãs ou só são quando convém?

— Não sei como te responder, me desculpe.

— Tudo bem, Jaime.

— Querida — Garfield começou. — O problema não é você, são eles. Pessoas são complicadas. Existe quem te ama. E existe quem sinta inveja do que conquistou. Eles são cruéis, e procuram pretexto para serem assim.

— Tem razão.

— O importante é que agora você pode se retratar e essa é a chance de reerguer sua carreira. — Jaime falou. — Hoje mesmo Mack Page me ligou, pedindo para que você atuasse no próximo filme dele. Além disso, você vai receber uma indenização bem gorda da família Fleck. Tudo vai voltar aos trilhos, Rachel, não se preocupe. Acho que agora o seu Oscar vem.

E ele estava certo, no final de 2007 ganhei meu primeiro e único Oscar.

Apesar do seu ódio nada saudável por mim, não poderia negar que Pamela era criativa. Principalmente no quesito de aumentar as coisas para se aparecer.

Beberiquei meu cappuccino e abri no seu blog. Desde a repercussão da fraude, as coisas foram de mal a pior para os meus inimigos. Principalmente para Isley, sua revista faliu, e para não deixar que o mundo se contemplasse com o seu silêncio, ela criou um blog. O qual manteve o mesmo nome.

Claro que não tinha tanto alcance quanto a revista, mas ali poderia ter mais liberdade para expressar seu veneno.

Revirei os olhos apenas com o título. Suspirei fundo antes de prosseguir:

Poisonous Sweets

Setembro de 2008

RACHEL ROTH AMA FAZER CARIDADE!

E não é que surgiu um rumor sobre a nossa queridíssima Rachel Roth essa semana. Aparentemente, ela e Garfield Logan — que namoram há 4 anos — resolveram juntar as escovas!

O pedido aconteceu quando estavam de férias num iate. Fizeram uma festinha somente com os amigos mais próximos e no ápice da festa, Logan se ajoelhou e a pediu em casamento. Um momento muito fofo, cheio de amor.

Em baixo, ela disponibilizou as fotos, tiradas por uma câmera amadora há metros de distância do meu iate, de Garfield pedindo minha mão. Eu estava tão emocionada que cobria a minha boca com as mãos.

Como conseguiram tirar essa imagem… realmente eram abutres.

Segui a leitura.

Mas a pergunta que não quer calar é… Por quanto tempo essa felicidade encantadora vai durar?

Não me interpretem mal. Rachel é como uma velha amiga minha, porém isso não anula o fato dela ter um gênio difícil. Isso pode ser facilmente refletido pelos comentários de seus ex-namorados.

Ela namorou com Malchior Dane (de 1998 à 2001) e Damian Wayne (de 2001 à 2003), e apesar de ter sido breve, ambos não poupam palavras para dizer o quanto ela é insana, paranóica e mesquinha quando questionados.

E bom, todos sabemos que esse relacionamento atual iniciou-se por puro interesse. Rachel não queria embarcar em uma nova polêmica e deveria manter a sua pose de boa garota e Garfield queria alavancar a sua carreira, por mais que nunca consiga sair da sombra de “namorado da Rachel”.

Minimizei a tela.

— Algum problema? — Garfield apareceu batendo na porta com os nós dos dedos.

— Nada demais, só não sei porque ainda perco o meu tempo lendo isso — disse, fechando a tela do notebook.

— Não esquente a cabeça com isso, é isso que ela quer, te desestabilizar.

— Infelizmente ela consegue. Se eu vou externar isso? Nunca darei esse gostinho pra ela.

— Minha garota! — Ele sorriu.

Nesse momento, percebi a bandeja em sua mão. Ela continha um prato de croissant, outro de waffles com morango e mirtilo, umas fatias dispostas de abacaxi, uma jarra de suco de laranja — o preferido dele — e uma xícara de café expresso clássico.

— Amor, não precisava se preocupar. — Me levantei.

— Tudo pela minha princesa. — disse deixando a bandeja em cima da mesa e me puxou para um beijo. — Que tal aproveitarmos o dia lindo de hoje? — Apontou para a vista da janela.

— Adoraria, mas temos um compromisso amanhã cedo.

— Isso é rápido, vai dar tempo — Olhou para o relógio de pulso. — Temos mais 2 horas livres antes de irmos dormir.

— Está bem — Sorri — Mas só porque pediu com jeitinho. — Lhe dei um beijinho.

Havíamos nos mudado recentemente para uma mansão na praia de Waikiki, na cidade de Honolulu no Havaí.

Do lado de fora, observei a nossa moradia. A mansão branca erguia-se majestosa sobre as dunas douradas da praia, grande e imponente, com janelas que parecem esconder segredos sombrios, e uma varanda ampla que convida para um descanso preguiçoso. Na entrada, duas estátuas de leões de mármore guardam a porta principal, parecendo observar os visitantes com olhos frios e vigilantes.

Era cercada por um jardim exuberante, com palmeiras altas que balançam suavemente ao vento. Uma piscina azul-turquesa refletia a luz do luar com um brilho hipnotizante, enquanto as espreguiçadeiras convidam para um mergulho refrescante. Na praia em frente, guarda-sóis e cadeiras de praia brancas estão espalhadas na areia, como se esperassem a nossa chegada.

Eu usava uma camisa azul de tecido leve e um short curto branco. Garfield por sua vez optou por uma bermuda verde e uma camiseta amarela com a estampa de um tigre.

A noite era quente e abafada, com a lua brilhando no céu e o som das ondas quebrando suavemente na praia. Caminhávamos de mãos dadas na areia, com os olhos fixos no horizonte, como se estivéssemos perdidos em nossos próprios pensamentos.

Em passos lentos, senti a água do mar tocar meus pés descalços. De vez em quando, ele olhava para mim e sorria.

Meu coração parecia ficar mais leve quando estava ao lado dele. Era uma experiência que nunca havia vivenciado antes. Acho que finalmente encontrei o amor. E este recíproco, ele realmente se importava. Mesmo com a minha má reputação, ele decidiu ficar.

De repente, parei e o olhei. Ele parou ao meu lado e me abraçou. Senti o perfume suave de sua pele e o calor de seu corpo.

— Eu te amo! — declarei fungando seu pescoço.

— Eu te amo mais!

Fiquei na ponta dos pés e o beijei. Foi um beijo lento e apaixonado. Tinha a certeza de que seus olhos estrelados seriam capazes de iluminar a minha noite mais escura.

Para mim, naquele momento, não havia mais nada além de nós. Encontrado a felicidade em meio a um mundo tão escuro e triste.

Poderiam chamar do que quiserem. Eu o amava e não seria seus comentários infelizes que mudariam isso.

Segurei sua mão e o encarei profundamente nos olhos.

— Você não precisa me salvar, mas fugiria comigo?

Ele sorriu com os olhos. E com isso sabia a sua resposta. Meu amor sempre estaria ali comigo, da mesma maneira que eu sempre estaria ali por ele.

E isso nem o dinheiro, nem a fama seriam capazes de comprar.

No fim, até que nesse ponto eles tinham razão, eu era uma garota de sorte.

Notas finais
Eu não sei vocês, mas estou toda derretida por esses dois. Meta de relacionamento ♥ Espero que tenham gostado desse encerramento tanto quanto eu e mais uma vez o meu muito obrigada a todos que me acompanharam nessa breve, mas emocionante, trajetória da Rachel. Antes de me despedir, quero agradecer a minha amiga @snowflake_frost por todo o apoio ao betar minha história e pelo retorno sobre o que estava achando do desenrolar da história ♥ Ai! Meu coração já está doendo por ter que dá-la como concluída! 3 Beijos e até uma próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!