Lá estava ele. Me encarando. Aparentemente surpreso por eu estar ali. Admito que eu mesma estava surpresa por minha decisão ter sido ir vê-lo. Meu plano inicial era tentar ignorar o fato de que ele havia retornado e seguir com a minha vida. Afinal, como diz meu amigo Cisco, para seguir em frente, eu realmente tenho que seguir em frente. No entanto, acabou sendo impossível. Eu precisava ver Oliver. Precisava mantê-lo em minha vida de alguma forma.

– Oi... — Foi a única coisa das várias que se passaram em minha mente que consegui dizer. — Espero não estar incomodan...

– Não! — Me interrompeu. — Você não está. — Abriu um pequeno sorriso. — Na verdade, eu estava pensando se eu deveria ou não ir falar com você. — Mas pensei que não fosse querer me ver.

– Por que você pensaria isso? — Questionei, surpresa por ele pensar de tal forma.

– Thea me contou. — Falou.

Olhei para ele com expressão confusa.

– Sobre você e Ray. — Explicou, parecendo triste.

Senti-me um pouco culpada. Não que fosse errado eu estar com Ray. Eu realmente gostava dele, mesmo que não pudesse chamar tal sentimento de amor. Só que, mesmo assim, senti como se eu estivesse traindo Oliver. Sei que não faz o menor sentido, mas... Eu ainda o amava. Isso é um fato incontestável. E só de pensar na ideia de magoá-lo...

– Você está feliz? — Inquiriu.

Foi uma pergunta inesperada, devo admitir. Uma questão para a qual nem eu mesma sabia a resposta. Durante todo o tempo em que Oliver esteve "morto", uma parte de mim sempre estava triste, mesmo que eu estivesse com outra pessoa. Mesmo assim, Ray é incrível! Ele é inteligente, gosta das mesmas coisas que eu, sempre entendeu e me apoiou enquanto Oliver esteve longe e faz de tudo para me fazer feliz... Talvez eu não seja tão feliz quanto poderia ser se realmente fosse apaixonada por ele, mas acredito que tal sentimento possa surgir com o tempo...

– Sim. — Confirmei, sorrindo fracamente.

Uma parte de mim — a irracional — queria dizer a ele que meus sentimentos por ele nunca mudaram, mas eu sabia que de nada adiantaria. Eu estou com Ray agora e preciso esquecer meu amor por Oliver.

– Ótimo. — Sua expressão mudou de tristeza para aceitação em poucos segundos. — Isso é o que eu sempre quis, desde o momento em que nos conhecemos. — Sorriu carinhosamente. — Fico feliz por vocês. Embora eu não goste muito do Ray, sei que ele é um cara legal. Uma boa pessoa com um bom coração. Você merece alguém assim.

Fiquei em silêncio. Não sabia o que dizer. Confesso que pensei que sua reação seria... Diferente. Estava feliz por ele não estar chateado — ou com raiva — por eu estar namorando Ray.

– Quer dar uma volta? — Indagou.

Sorri e fiz que sim com a cabeça como resposta.

***

– Tem certeza que está falando da mesma Laurel com a qual eu namorei? — Oliver parecia extremamente surpreso. — É difícil acreditar que ela tenha mudado tanto assim...

– Namorar Tommy e fazer as pazes com Sara foram as melhores coisas que poderiam acontecer com ela. — Falei. — Ela, inclusive, superou seus problemas com bebida.

– Eu perdi bastante coisa, pelo visto... — Comentou. — Thea e Roy estão noivos, Barry e Caitlin se casaram, você e Laurel são amigas, Sara com ciúmes da amizade de Laurel e Nyssa...

Devíamos estar conversando há mais de uma hora, enquanto andávamos pela cidade. Até o momento, eu não havia tocado no assunto da tal ilha em que ele esteve durante os cinco anos, justamente por que sabia que deveria ser difícil para ele falar sobre o assunto. Mas decidi perguntar:

– Você esteve sozinho todo o tempo?

No lugar dele, eu enlouqueceria se ficasse tanto tempo sem ninguém por perto. Provavelmente colocaria nome em uma coco ou no objeto mais próximo e perderia meu tempo conversando com um objeto inanimado.

– Na verdade não. — Respondeu, mesmo parecendo ter se incomodado com a minha pergunta. — Conheci algumas pessoas que também estavam tentando sair daquele lugar. Por incrível que pareça, até fiz amigos... — Respirou fundo, fechou os olhos por dois segundos e voltou a me encarar. — Não tenho a menor ideia do que aconteceu com a maioria deles.

– A maioria? — Questionei.

– Felicity, eu realmente não quero falar sobre meu tempo em Lian Yu. — Disse ele, ríspido.

***

Com exceção do momento em que toquei no assunto da ilha, o tempo que passamos conversando foi ótimo. Mesmo sendo notável que ele parecia sentir-se um pouco deslocado — o que eu entendo perfeitamente, considerando o mínimo que sei sobre o que ele passou — após tanto tempo longe de casa, ele parecia ainda ser o mesmo Oliver pelo qual eu me apaixonei. O mesmo Oliver que sempre conseguia me fazer sorrir.

Agora, estávamos novamente em frente à porta da mansão Queen, sorrindo bobamente um para o outro. Qualquer um que nos visse naquele momento, pensaria que ainda somos um casal.

– Boa-noite... — Dissemos ao mesmo tempo.

Ele sorriu, depositou um beijo em minha testa e entrou.