Desire Obsolete
66 Fim
Notas iniciais
Sem nenhuma troca de palavras a mais, teletransporto-me para longe do lugar com meu coração à galopes e uma estranha sede de sangue. Só um nome povoa meus pensamentos, o único nome que odeio pronunciar.
Bellatrix.
Firmo-me em terra quase de imediato, reconhecendo a sala de estar da mansão de Tom. Nossa mansão. É estranho assimilar o lugar como meu, apesar de já está completamente familiarizada com todos os seus cômodos. Mas, é o que é. Meu refúgio.
Deixo meu corpo cair no sofá de três lugares, deitando-me. Estou tensa, músculos regidos e travados. Sinto como se uma tonelada de concreto estivesse esmagando meu peito. Suspiro enquanto enterro meu rosto nas mãos e fecho os olhos com força. Deixo minha mente rodopiar em torno de minha recente descoberta.
Um vira-tempo? Oh Deus, o que ela pretende fazer com isso? Mordo a parte interna de minha bochecha, sentindo meu peito se comprimir. Nada de bom, é obvio. Nada que venha dela pode ser minimamente bom. Mas... Por quê?
— Minha senhora deseja algo para comer ou beber? – Ouço Mirdy perguntar, de algum lugar ao meu lado – Está se sentindo bem?
Retiro as mãos do rosto, piscando lentamente.
Será que...? Não, não é possível que... Mas, ela pode... Sim, é provável que sim. Ela me odeia, e é louca. Uma combinação perigosa demais. Suas ações são movidas por ódio, despeito. Ela quer vingança...
Meus pensamentos se atropelam, teorizando sobre suas próximas ações. Uma avalanche de hipóteses se formulam, gelando meu sangue.
Preciso encontrá-la, o estala da compreensão é certeiro. Só saberei suas reais intenções se confrontá-la.
— Não, Mirdy – Fito o teto, descansando minha mão direita em meu estômago – Eu estou bem – Falo, tentando me convencer disto também – Mas, obrigada por perguntar.
— Não precisa agradecer, Mirdy está aqui para servi-la.
A crescente angústia em meu peito se expande ainda mais, fazendo-me engolir em seco. É sufocante a sensação de impotência. Todos os meus sentidos gravitam em torno da ansiedade, do medo e da fraqueza que a situação trás.
Bellatrix não é burra, não fará nada que lhe incrimine diretamente.
Por um breve momento, pego-me desejando voltar a ser apenas a sabe-tudo de sangue-ruim que dava dor de cabeça ao Snape nas aulas de poção. É um desejo estúpido e nenhum pouco realista. No mesmo instante, os rostos de Damon e Alya se infiltram em minha mente, fazendo-me sentir vergonha por desejar, mesmo que por um milésimo de segundo, não ter os tido.
Meu amor por Tom é enlouquecedor, consome quase tudo em mim. É como um vendaval arrebatador que destruiu todo o meu mundo, reconstruindo-o a sua imagem. Mas, através desse amor, criamos algo indestrutível. Meu amor por meus filhos é rocha solidificada, eles são minha ancora em meio aos caos. Por eles, vou ao inferno sem pensar duas vezes.
— Se minha senhora precisar de mim é só chamar que Mirdy vem correndo – Ela faz uma breve reverencia e se afasta vagarosamente, ainda me encarando com preocupação.
Mas, ela também não é estável. Se eu souber apertar os botões certos, ela me contará o que pretende, constato.
Sento-me assim que Mirdy desaparece por completo.
— Preciso agir antes que a situação fique ainda mais fora de controle – Murmuro.
Levanto-me com rapidez e sigo até o andar de cima, subindo de dois em dois degraus a escada.
Preciso resolver isso sozinha, digo a mim mesma. Ela é meu problema. Não quero Tom interferindo em minhas decisões.
Meu percurso não é demorado. Paro em frente ao quarto dos gêmeos, abrindo a porta com cuidado, tentando não fazer barulho. Entro, parando em frente ao berço duplo. O quarto cheira a colônia de bebês, talco e seus odores característicos, um calmante natural para meus nervos.
Por serem muito novos, conseguem dormir tranquilamente de 14 à 16 horas por dia. Às vezes, 7 horas ininterruptamente. Outras vezes, fracionando está quantidade em várias sonecas longas. É um grande alívio encontrá-los tão tranquilos e descansados. É tranquilizador para mim saber que eles não serão perturbados mesmo com a guerra que transcorre fora dessas paredes. É egoísta da minha parte? Sim, mas não posso deixar de pensar nos meus filhos antes de tudo.
Com cuidado, acaricio a bochecha de Alya com meus dedos, repetindo o gesto na bochecha de Damon. Uma súbita vontade de chorar me atinge.
Merlin!
Agarro as bordas do berço, fechando com força os olhos.
Como alguém pode abandonar um ser tão pequeno e indefeso e conseguir dormir a noite? A imagem dos meus filhos me vem à mente. Seus sorrisos serenos, seus olhinhos ingênuos, suas peles macias coradas. Se tornou impossível para mim vislumbrar meu futuro sem eles. A vergonha que senti por pensar em uma vida sem eles comprime minha traqueia.
Suspiro.
Lidar com Bellatrix é fisicamente doloroso em muitos aspectos. Mas, os principais são por saber que ela já manteve um relacionamento íntimo com Tom e por ela ser minha mãe.
Mãe.
Odiá-la não apagará nunca o fato dela ser minha mãe. E por mais que ignorar sua existência possa aplacar meu desconforto em ter seu sangue correndo em minhas veias, saber que preciso confrontá-la, com tanta mágoa, ódio e desprezo nos rodeando, é sufocante.
Ter sido rejeitada ao nascer me causou mais amargura do que consigo expressar, mas, por ser mãe agora, consigo dimensionar o tamanho do trauma. É como uma constate queimadura na pele. E mesmo que você não possa vê-la, ela sempre estará ali. Ardendo.
Me entregar para os Granger’s foi a melhor decisão que Narcisa já tomou. Nunca conseguirei agradecer o suficiente. E, mesmo sem poder está fisicamente com eles, mesmo com tantos problemas me rodeando, ainda consigo sentir aquele amor puro e inquebrável que me manteve de pé enquanto o mundo ruía ao meu redor.
Mamãe e papai... Obrigada. Se eu for metade do que vocês foram para mim, serei uma ótima mãe.
Inspiro profundamente, liberando o ar pela boca de vagar.
Por mim, eu adiaria nosso encontro até minha próxima reencarnação. Mas, ser covarde nunca foi minha especialidade. E, só em pensar que ela possa trazer problemas aos meus filhos, a determinação de que preciso vem em ondas fortes e certeiras.
Não posso me esconder ou fugir. Seja lá o que Bellatrix planeje, eu sei que pode afetar meus bebês. Abro os olhos, só para perceber que a tranquilidade em seus rostos aquece meu coração. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com vocês.
***
O corte em minha mão não foi bem fechado pelo feitiço de cura que usei, poucos minutos atrás. Pequenas gotas vermelhas escorrem do ferimento horizontal que fiz com o auxílio de uma faca de cozinha, se misturando com o suor incomodo de minhas mãos trêmulas. Notei isso assim que me instabilizo fora dos portões imensos da propriedade à minha frente, sentindo algo pegajoso escorrer por minha mão direita.
Limpo o sangue em meu jeans escuro, nem um pouco preocupada em me sujar. Fazer o feitiço de rastreamento não foi difícil, mas estar aqui me prova ser mais desgastante do que correr 100 metros em uma pista de gelo. Provoca calafrios em minha espinha e pensamentos incômodos. Se fosse me permitido uma escolha adequada, eu preferiria correr uma maratona nua no Alasca do que estar aqui.
Passo a língua pelos lábios secos, analisando as defesas que cercam o lugar. Uma grande gama de feitiços protege o perímetro. Sinto cada uma das ondulações magicas do lugar em meus ossos, mas não consigo identificar seu fim, apenas seu começo.
São feitiços extremamente poderosos, e passar por eles levará tempo, analiso. Um tempo que não disponho, encolho os ombros.
Semicerro meus olhos, flexionando os dedos lentamente. Meu coração retumba em meus ouvidos, não existindo nenhum outro som fora esse ao meu redor.
Está quieto demais, indago para mim.
Vasculho o lugar com o olhar, vendo uma espessa floresta cercar a propriedade e seus arredores. A terra sob meus pés é negra, as árvores são densas e frondosas, e a grama, escura e rasteira. Não existe nenhuma outra construção à quilômetros de distância. É um lugar isolado e macabro, estranhamente condizente com tudo que consegui imaginar sobre como seria o lugar que abrigaria ela.
Respiro fundo, distinguindo cheiro de terra, grama e orvalho. Pelas frechas do pesado portão de metal, consigo vislumbrar um pouco da imponente mansão Lestrange. O céu está tão carregado acima de mim quanto meu humor, com pesadas nuvens cinzas se espelhando até onde a vista pode alcançar.
À minha frente, com vários metros de distância entre nós, uma grandiosa construção se ergue em direção ao céu. É imponente, sombria e misteriosa. Suas imensas colunas serpenteiam a entrada, segurando um imenso frontão grego. As janelas do segundo andar vão do piso ao teto, com varandas espalhadas entre elas. Sua fachada é coberta por heras, musgos e algumas outras plantas devido aos anos de abandono. E, parando para pensar, não é de se admirar que mesmo com seus antigos donos de volta, nenhum deles se preocupou em cuidar de sua aparência. A porta de entrada é de madeira escura, com quase dois metros de altura.
Endireito minha postura, dou um passo à frente enquanto ergo minhas mãos em direção à propriedade. O repuxar em meu estômago é imediato. A faísca familiar que serpenteia meu corpo toda vez que absolvo magia céltica dos meus arredores se faz presente também, lembrando-me de quão volátil posso me tornar se não a manipular de forma correta.
De imediato, sinto o ar se modificar, carregando-se de magia. Fecho meus olhos com força, as pontas dos meus dedos formigam assim que as encosto na barreira invisível que protege a propriedade. O começo. Não sei se consigo destruir os feitiços de proteção, é arriscado e pode alertá-la sobre minha presença. Mas, posso criar uma abertura, uma porta de passagem indetectável. E é isso que tentarei.
Abro a boca para recitar o feitiço quando um arrepio em minha medula me faz arregalar os olhos. Em um movimento rápido, viro-me para onde sei que encontrarei alguém.
E, lá está ela, vestindo preto da cabeça aos pés. Olhos astutos, corpo rígido e um sorriso malicioso nos lábios. Ela é a imagem cuspida dos meus piores pesadelos. Uma vadia sem alma.
— Bem-vinda ao lar, filhinha – Diz, sarcasmo e frieza escorrendo de suas palavras.
Deixo minhas mãos caírem ao lado do meu corpo, enrijecendo os ombros. Sem perceber, cerro minhas mãos em punhos, pronta para lutar.
— Bellatrix – Rosno entre dentes, odiando ouvi-la me chamar de filha.
Você não é minha mãe.
Ela dá um passo em minha direção, varinha em punho. Contenho o impulso de me afastar, minha pulsação se acelerando.
— Eu sabia que você iria me procurar, eventualmente – Seu sorriso morre, deixando seu rosto cair em uma máscara de repulsa – Você é empática demais, sentimental demais, uma maldita adolescente! – Ela inspira profundamente, parecendo se perde nas observações agressivas – Pelo menos, não posso dizer que você é burra. Você já deve ter descoberto que fui eu... Tudo eu. A exposição, o assassinato e a pequena trilha de migalhas que deixei para que você descobrisse isso.
Balanço a cabeça, concordando.
— Você usou Bartolomeu para me expor, por vingança, para me causar dor emocional – Começo, expondo minhas teorias – Entrou no ministério usando o disfarce de Seren Durant, tirou Morvik de lá e o levou para seu apartamento, onde usou a maldição império nele, e matou-o para encobrir seus rastos depois de ir com ele para a Borgin & Burkes.
Não menciono saber sobre o vira-tempo propositalmente.
Ela assente com falso entusiasmo, nenhum pouco abalada com o desprezo em minha voz. Bellatrix começa a brincar com a varinha, girando-a entre os dedos com displicência.
Seus olhos se fixam em um ponto atrás de mim. Ela parece divagar, perdendo a sanidade. Os ossos proeminentes de seu rosto lhe dão um aspecto horrível, assim como a profundidade de seus olhos. Os anos em Azkaban lhe tiraram a beleza. Olhar para seu rosto me deixa enjoada, quase doente.
Nunca senti tanta aversão por alguém como sinto por ela. Não sei se é por saber que a mesma quis me matar ainda bebê, ou se por ela ter mantido um relacionamento sexual com Tom. É uma mistura poderosa de rancor, ódio e ciúmes que mal consigo digerir. Talvez, o meu ciúmes por ela ter dormido com Tom seja irracional, mas a verdade é não consigo aceitar. E nem quero.
— Sua mente nunca me decepcionou – Diz, em tom falsamente elogioso, piscando para sair do seu transe – Em outras circunstâncias, eu poderia gostar de você, Hermione... Mentira, eu não poderia – Um sorriso plástico se abre em sua boca – Mas, você está vendo tudo por uma ótica muito emocional, querida. Fiz a exposição por vingança sim, mas...
— Por quê? A exposição, o assassinado... Por quê? – Consigo força as palavras para fora de minha boca.
Seus olhos se injetam de ódio.
— Você o tirou de mim – Rosna, apontando seu dedo para mim – Uma pirralha, que mal saiu das fraudas, tirou o meu homem de mim.
— Ele nunca foi seu, Bellatrix – Minha respiração se torna irregular. Uma pontada incomoda de ciúmes rasteja sob minha pele – Você sempre foi a única que viu seu relacionamento com Tom indo para frente. A verdade é cruel, mas necessária. Ele nunca te amou, nunca amará.
— Cale a boca – Grita, seus olhos enlouquecidos – Vou apagar sua existência desse mundo, e então, ele voltará a ser meu.
E aí está. Seu plano. O golpe é duro, mas se encaixa perfeitamente.
— E como você faria isso? – Pergunto, já sabendo a resposta – Não se pode apagar a existência de alguém desse mundo, Bellatrix. Você delira acordada agora? Azkaban te afetou tanto assim? – Irrito-a propositalmente.
O vira-tempo, ela pretende usá-lo para me matar. Mas, em que momento? Antes de me contar que sou sua filha, ou... Ainda mais longe?
Seu sorriso enviesado é tenebroso, assim como o ódio que ela me lança. Não existe o mínimo de lucidez em suas ações. Ela quer sangue, o meu. Não me assusto com isso.
— Você não deveria ter nascido. Eu fui uma tola em deixar Narcisa me convencer a te ter, mas... Eu mudarei isso, filhinha.
Engulo em seco.
— Se você pretende fazer isso, por que deixar a trilha de migalhas? Não era preciso me alertar dos seus planos.
Ela dá de ombros.
— Eu queria me divertir com a sua mente um pouquinho, sabe. Quero que nosso último encontro juntas seja espetacular. Além do mais, que graça teria apenas te matar sem antes te torturar um pouco? – Sua cabeça tomba para a direita, ela perde o sorriso – Algo que descobri há pouco tempo é que você o roubou de mim muito antes de sequer eu conhecê-lo. Nada mais justo do que eu te matar antes que você o conheça, não acha?
— E como você fará isso?
Preciso ouvir de sua boca, só assim aceitarei o desfecho final para nossa história.
Seus olhos se reviram em desdém.
— Não seja estúpida, eu sei que você foi na Borgin & Burkes – Ela passa a língua pelos lábios, encarando sua varinha em mãos – Você sabe que eu tenho o vira-tempo que volta décadas no passado. Junte dois mais dois, Hermione.
Cruzo os braços, trocando o peso dos pés.
— Você irá me matar enquanto bebê, pelo que entendi – Desvio minha atenção para as árvores à minha direita – Você pensa que apagando minha existência, poderá manter essa farsa de relação que Tom te proporcionou – Volto minha atenção para ela, vendo seu rosto se retorcer de fúria – Bellatrix, você não pode impor amor a alguém como, Tom. Eu o conquistei, você apenas recebeu migalhas. Por que você não enxerga isso? – Meu veneno é movido por ciúmes.
Ela grita, apontando sua varinha para mim. Seu grito é bestial, quase completamente animalesco. A veia em sua têmpora esquerda começa a pulsar, sobressaltando-se. Seus dedos estão brancos pelo aperto firme em volta da madeira. Suas mãos tremem, assim como seu corpo.
A cena em si seria triste, se eu não a odiasse tão profundamente quanto odeio.
Ela luta por um amor que nunca foi seu.
Descruzo meus braços, posicionando-me para combater qualquer ataque seu. Sinto todos os meus sentidos se apurando. Com cautela, começo a absolver energia céltica, abastecendo-me a fluidez dos elementos ao meu redor. A atmosfera ao meu redor se modifica, respondendo aos meus estímulos.
— V-vo-você, uma putinha de 18 anos, acha que consegue tirá-lo de mim – Sua voz é esganiçada, enlouquecida, entregue ao ápice da loucura – Enquanto você aprendia de onde os bebês veem, eu lhe proporcionava os mais inimagináveis prazeres. Eu lhe levava em todas as posições possíveis, principalmente, na sua posição favorita. Você ao menos sabe qual é ela, pirralha?
É como se uma estaca fosse cravada em meu coração. Esperei um ataque físico, mas o que recebo é duas vezes pior. É a crua verdade jogada em meu rosto. Meu fluxo sanguíneo aumenta, levando raiva, ciúmes e uma irracional sede de sangue para todo o meu corpo. Uma coisa é saber, outra é ouvir ela falando sobre suas aventuras sexuais com Tom. Minha magia começa a engrossar, sentindo meus sentimentos eclipsados.
Meu Tom.
— Sua posição favorita? – Minha voz não passa de um sussurro estridente.
Não posso ter ouvido certo.
Minhas mãos se fecham em punhos enquanto sinto o ar ganhar eletricidade.
— De quatro, estilo cachorrinho – Responde sorrindo, um sorriso predatório. Minhas bochechas esquentam, e não é de vergonha. Ela dá um passo em minha direção, mas mal registro sua ação – Com força, rápido e muito molhado. Você sabe em quanto tempo ele gozava? Apenas alguns minutos, e íamos de novo e de novo, até o amanhecer.
A malicia, o veneno e a superioridade em sua voz quebram todas as minhas defesas.
Sexo entre Tom e eu sempre foi mais do que prazer, foi uma forma de nos conectarmos, de nos aproximarmos. Ter consciência de que não existe uma posição favorita entre nós, é como se todos os nossos momentos fossem vagos e incompletos. E, existe uma boa chance de minha mente está apenas sendo turvada por ciúmes e raiva e eu não está sendo racional e pensando direito. Mas, não me importo. Ela conseguiu acertar o alvo, conseguiu me desestabilizar.
Um sorriso estranho aparece em meus lábios, fazendo-a franzir a testa.
Não cairei sem levá-la ao chão comigo.
— Talvez, a posição de quadro tenha sido apenas para que ele não ficasse olhando para a sua cara, Bellatrix – Falo, dando de ombros vendo seu queixo quase ir ao chão – Sabe, comigo é diferente... Ele ama olhar para o meu rosto durante o sexo.
Ela perde a cor, para rapidamente ficar vermelha como tomate. Sua boca se abre e fecha por alguns segundos, parecendo não se dar conta de que nada está saindo.
— Eu vou te matar – Diz, saindo de seu transe.
Minha paciência já defeituosa se perde por completo.
— É mesmo? – Projeto meu queixo para cima de forma arrogante – Eu vou adorar ver você tentar, mamãe.
Seus dentes se trincam, seus olhos se tornam ainda mais negros e assustadores. Não perco tempo esperando seus próximos movimentos, sabendo que minha melhor defesa é o ataque. Bom, é o que digo para mim enquanto ainda sinto os efeitos do ciúmes que suas palavras provocaram turvarem meu julgamento.
Ergo minha mão, e sem emitir som algum, lanço o feitiço airpin em sua direção. O jato poderoso de ácido vai de encontro a ela, mas é parado por aqua eructo. O encontro dos dois produz uma fumaça acida e fedida enquanto se dissolve.
— Airpin? – Questiona, como se meu movimento fosse tolice – E ainda consideram você a melhor de sua geração – Desdenha.
O jato vermelho vem em minha direção, ergo minhas defesas, criando três camadas potentes de escudos. A primeira o crucius consegue atravessar, mas a segunda o segura. Uso a força da maldição imperdoável para fortalecer o terceiro escudo, sugando sua energia mágica.
— Terei o prazer de te matar hoje e também 18 anos atrás – Grita insanamente.
— Não precisamos duelar, Bellatrix, de novo não. Eu só preciso que você me deixe em paz – Falo, clareando meus pensamentos e tentando trazer lucidez ao seu cérebro defeituoso – Mesmo que eu não existisse, Tom nunca te amaria. Você e ele não foram feitos para ficarem juntos.
Minhas palavras só inflamam ainda mais sua raiva.
Como uma serpente, ela dá o bote. Seu estupore encontra o meu protego na metade do caminhos. Os feitiços se repelem de imediato. Preciso me esquiva de seu Argentum Sagittarium, deixando que as diversas fechas de fogo se choquem contra o escudo que protege sua casa. O brilho da explosão da proteção repelindo as fechas me cega por alguns segundos.
— Você morre hoje – Sentencia.
Por um breve descuido, quase sou atingida por uma bola de fogo mágica. Mas, consigo pará-la com meu escudo. Ela não gosta disso, ficando ainda mais eriçada.
Uma enxurrada de feitiços veem em minha direção, me obrigando a contra-atacar. Uso meu terceiro escudo abastecido com a maldição da dor para parar a maioria de seus feitiços, o restante consigo impedir usando Expelliarmus e alguns Protego’s. Ela não polpa feitiços, lançando um atrás do outro.
Cambaleio para trás, quando minha barreira se dissolve diante de seu Confringo.
Isso é ridículo.
— Você não me venceu dá primeira vez – Relembro, vendo sua testa franzir. – E não irá vencer dessa também, Lestrange.
Ela trinca a mandíbula.
— Eu te subestimei – Diz, entredentes – Um erro que não cometerei de novo.
Ela aparata, mas não demora a reaparecer. Os pelos de minha nunca se eriçam ao sentir sua presença atrás de mim.
— Droga! – Viro-me o mais depressa possível, pronta para atacar.
Ela não está lá, o que me faz piscar freneticamente.
Volto-me para frente, sem entender por que meus instintos avisaram que Bellatrix estava atrás de mim. Antes que eu ao menos possa compreender sua forma entrando em meu campo de visão, aparecendo do nada, o soco que recebo em minha bochecha direita é forte o suficiente para me jogar no chão.
Caio sentindo muita dor em minha mandíbula, sendo acolhida pelo chão duro e frio. Não demora muito para que eu sinta o gosto de meu próprio sangue.
— Isso é por você ter aberto as pernas para o meu homem – Grita, antes de atingir minha barrica com um chute poderoso, me deixando sem ar de imediato – E isso, é por você ter nascido, sua fedelha repugnante – Ela, com um aceno de varinha, faz algo se revirar em meu estômago.
Viro-me de lado com rapidez, vomitando sangue ao seus pés, me sujando e lhe sujando no processo. O repuxar dentro de mim é nauseante, subindo por meu estômago em ondas incontroláveis e saindo por meu nariz. É como se algo estivesse puxando meu sangue para fora de meu corpo. Nunca vi nenhum feitiço assim antes, é desesperador.
Merlin! Meus olhos lacrimejam enquanto perco o fôlego ao vomitar semideitada.
— É uma invençãozinha minha, caso esteja se perguntando de onde esse feitiço vem. Adaptei alguns feitiços para criar este. Serve apenas como tortura, então, não se preocupe, você não morrerá ainda.
Vomito até não ter nada em meu estômago, até tremer como uma folha ao vento. Ela me encara o tempo todo, deleitando-se com minha desgraça. Uma fraqueza doentia me atinge quando tento expelir mais líquidos e nada sai. O chão absorve praticamente todo o meu sangue, mas ainda consigo me sujar.
— Vo-você é doente – Digo, com minha respiração rápida e entrecortada.
Algumas lágrimas caem, mas não é por tristeza ou raiva, é apenas pelo esforço que fiz ao vomitar meu próprio sangue. Limpo-as, sujando meu rosto com terra e sangue.
Antes que ela possa pisar em mim como pretendia fazer, ao mirar o salto de sua bota para meu rosto e levantar a perna, rastejo com agilidade para longe. Os cascalhos do chão arranham minhas mãos.
— Estupefaça – Grito, vendo-a duplicada por minha visão embaçada, mas ela aparata novamente antes que o feitiço lhe atinja.
Fico de pé sobre protestos do meu corpo, cambaleando como uma bêbada. Cuspo sangue, percebendo que minha roupa estar suja de terra negra e sangue. Todo o meu corpo pende para os lados, sem forças.
Bellatrix aparece a poucos metros à minha direita, firmando-se no chão com agilidade e a varinha apontada para mim. O jato vermelho de seu crucius vem em minha direção. Mordo a parte interna de minha bochecha, desviando de sua maldição saindo de seu alcance com muita dificuldade. A maldição bate no chão e se dissolve.
— Missi sunt in illo ignaro – Murmuro, recebendo de imediato a confirmação de que meu encanto deu certo.
Vejo-a arregalar os olhos quando seu nariz inspira, mas não consegue absolver o ar. Sem tempo para desespero, o vento ao seu redor chicoteia seu corpo para cima, fazendo-a gritar em fúria.
Sinto meus músculos formigarem pela quantidade de magia liberada, mas mantenho minha atenção focada. Controlar um dos quatro elementos é o princípio básico da magia céltica.
Ela agarra sua garganta, balançando os pés desesperadamente para frente e para trás enquanto tenta respirar sem sucesso. O encantamento serve para estrangular a vítima, retirando o oxigênio de seus pulmões através do controle de ar. Não existe um contrafeitiço para ele.
Se você quer dor, eu irei te dar.
Sei que não é o jeito mais tranquilo de morrer, mas meu objetivo é apenas desacordá-la para que eu possa vasculhar e retirar o virá-tempo de sua posse.
— Nã-não... aca-cabou... eu v-vou... me vin-vingar! – Sua voz é estrangulada, uma promessa feroz.
— Bellatrix...
Vejo-a fechar os olhos, murmurando algo que não consigo entender.
Um arrepio rápido gela meu sangue quando minha mente turvar. Pisco, ligeiramente tonta. E então, percebo que seu corpo não está mais suspenso no ar, e sim caído de joelhos no chão.
Suas mãos, que antes estavam envolta de seu pescoço, agora estão caídas em seu colo, segundando o virá-tempo que da Borgin e Burkes. Ele é maior que qualquer um que eu já tenha visto, e parece enferrujado.
Minha ficha cai de imediato.
Ela pode controlar o virá-tempo, fazendo-o voltar alguns segundos ou minutos no tempo, me fazendo não pode confiar nos meus instintos para lhe atacar. Por isso, quando pensei que ela estava atrás de mim, fui enganada. Ela esteve, mas foi tão breve que não assimilei o uso do virá-tempo, e agora, ela o usa para acabar com meu feitiço.
Inconscientemente, dou um passo em sua direção, atraída pelo objeto.
Com uma rapidez assustadora, ela volta a esconder o virá-tempo no pescoço, por dentro de suas vestes. Seus olhos ganham um brilho maligno.
Seu corpo cambaleia, mas ela volta a se pôr em pé.
— Vo-você vai morrer.
Levanto o queixo, mostrando não estar intimidada. Isso irrita-a o suficiente para suas bochechas ficarem vermelhas.
Merda! Como ela usa o virá-tempo sem precisar tocá-lo?
Meus olhos capturam seu Aqua-Reverus, uma enorme calamidade de água controlada por ela, vindo em minha direção. Rebato com um forte Aberratio Ictus, fazendo a água se desviar de direção e atingir à árvore atrás de mim, derrubando-a em um barulho estrondoso.
Antes mesmo que possa respirar aliviada por isso, 5 bolas de fogo veem em minha direção, flamejando em um vermelho vibrante. Uso o Amornae para transformar uma por uma em apenas uma brisa aquecida, as vendo serem apenas uma névoa quente entre nós.
Não, espera! Onde...?
Pisco embasbacada ao ver que Bellatrix desapareceu, tendo usando as bolas de fogo como distração.
— Você não deveria ter se distraído – Sussurra ela ao pé do meu ouvido.
Meus olhos se arregalam de imediato.
Viro meu rosto para encontrá-la atrás de mim, com um sorriso pavoroso nos lábios. Abro a boca para dizer algo, mas não sou rápida o suficiente. Em um momento estou parada quase colada com ela, no outro, estou voando pelo ar após ser atingida por um feitiço estuporante.
Atinjo a barreira que cerca a mansão Lestrange com tanta força, que a dor reverbera por todo o meu corpo quando caio no chão. Não tenho tempo de recuperar o fôlego, nem ao menos de pensar, sou mais uma vez sou jogada para frente, de encontro a barreira. Só que ao contrário da primeira vez, ultrapasso a mesma e atinjo os pesados portões de ferro. De cara, literalmente. A dor é tão intensa, partindo de minhas costas e se espalhando pelo meu corpo, que preciso morder minha língua para não gritar ao voltar ao chão negro.
Ela agarra meu cabelo e o puxa, grunho. Bellatrix traz seu rosto para o meu campo de visão e sua varinha é posta em minha garganta.
— Você é meu pior erro, e eu vou te matar, sua putinha. – O tapa que recebo é forte, rasgando meu lábio inferior no processo.
A ardência da agressão é tudo em que meu cérebro consegue se concentrar. Ela emburra meu rosto para baixo, me fazendo beijar o chão com força.
Porra.
— Você não merece isso – Diz enigmática.
Ela solta meu rosto e agarra minha mão direita, quase rasgando meus dedos com suas unhas enquanto arranca meu anel de noivado do dedo anelar. Arrependo-me de imediato de não ter o tirado antes de vim para cá.
— É meu, devolva-me – Tento soar autoritária, mas minha voz sai fraca demais – Tom me deu ele, você não tem o direito...
Meu rosto é atingido por seu joelho, fazendo com que minha cabeça seja jogada para trás. A dor é inesperada e alucina meu cérebro.
Gemo alto enquanto levo as mãos ao rosto, tocando meu nariz para ver se não foi quebrado.
— Cale a boca! – Ordena, fechando a mão em punho envolta do anel.
Encolho-me em posição fetal, esperando os próximos golpes. Ela atinge minhas costas com um pontapé, grito baixinho de dor. Não esperando nada menos dela, logo meu corpo é atingido pela maldição cruciatus. Dessa vez, meu grito não é baixo.
Fecho os olhos, travando meus dentes em meu lábio inferior.
Meus próprios ossos parecem estar pegando fogo, esperneio no chão em busca de alívio. Minha cabeça, sem dúvida alguma, está rachando de dentro para fora com a intensidade de seu feitiço. Meus olhos giram descontrolados em minha cabeça. Mal consigo respirar, só quero que tudo termine... que eu perca os sentidos... morra. É como se mil facas quentes, perfurassem minha pele de uma só vez. Agora eu entendo a loucura que pode vir com essa maldição.
Suor brota em minha testa. Tento rastejar para longe, mas é impossível controlar meu corpo e minha mente, os dois estão em guerra. Tudo é tomado pela dor pulsante e esmagadora, consumindo-me de dentro para fora.
A maldição cessa com a mesma rapidez que começa. Inspiro e expiro com força, absorvendo o máximo de ar que consigo. Ela volta a chutar minha barriga, mas mal registro essa dor.
Pisco por entre as lágrimas que não pensei está segurando.
— Você é um pedaço de merda insignificante. – Ladra, dando a volta em meu corpo – Sua morte será lenta e dolorosa, pirralha. Eu vou me divertir com você, tirarei sua sanidade aos poucos, e só quando estiver implorando pela morte é que serei misericordiosa e te matarei.
O rosto de Alya e Damon me vem à mente. Mais lágrima caem ao lembrar de seus sorrisos sem dentes, de suas risadas ingênuas e de seu amor incondicional.
Eu não vou morrer, não vou deixar meus filhos sozinhos. A determinação vem em ondas poderosas. Meus filhos não cresceram sem mãe como Tom cresceu.
— Que merda é essa na sua mente? – A voz dela quebra minha linha de pensamento.
Estreito meus olhos, vendo sua expressão mortificada.
Merda. Merda. Merda. Ela entrou em minha mente.
— Como assim filhos? – Ela arrega os olhos, fixada em meu rosto.
Cuspo uma grande quantidade de sangue aos seus pés.
— Vá a merda.
Ela rosna, mas não me ataca. Seu corpo está tenso, sua mandíbula trabalha de forma rígida. Sinto sua mente tentar invadir à minha, mas não lhe dou brecha. O bico de sua bota acerta minha coxa quando ela me chuta.
Mordo minha bochecha para não gritar.
— Devolva o meu anel.
— Você tem filhos?
— Não.
— Mentirosa.
— Devolva meu anel, Bellatrix.
Ela me encara por alguns instantes, então leva a joia para perto de seu rosto, a analisando com nojo. Sua língua passa pelos lábios ressecados, como se planejasse destruí-lo a qualquer momento. É a brecha de que preciso.
— Everte Statum – Murmuro.
Ela é jogada para longe enquanto dá piruetas no ar. Seu corpo se choca contra o chão em um baque estrondoso e gratificante. Seu grito esganiçado é de pura raiva, não dor.
Você não vai chegar perto dos meus filhos.
Engulo em seco, sentindo o gosto metálico de sangue tomar meu paladar novamente. Algo escorre por minha têmpora, turvando minha visão.
Passo a mão, percebendo ser sangue.
Com muita dificuldade, por estar sem forças nas pernas e o corpo exausto e dolorido, consigo ficar em pé. Limpo minhas mãos em meu jeans, encarando Bellatrix. Ela se levanta com rapidez e vem em minha direção com uma sede de sangue explicita no olhar. Há poucos metros de nós, sua casa serve como pano de fundo para nossa luta.
— Ele me despreza por sua culpa – Afirma, enlouquecida por ser rejeitada – Ele não me procura mais por sua culpa. Mas, quando eu te matar, tudo voltará a ser como antes, eu sei disso. Ele é meu! Nós fomos feitos um para o outro, e não é uma vadiazinha como você que irá tirá-lo de mim.
Esgotada de ouvir suas afirmações estúpidas, balanço a cabeça em discordância.
— Por que você não pode deixar de ser estúpida pelo menos uma vez na vida?
Ela range os dentes, parando há menos de quatro metros de mim.
— Me diga... – Ela engole em seco, olhando para minha barriga por breves segundos – Os bebês que vi em sua mente são dele?
Dou de ombros.
— Responda-me! – Grita – Você não pode ter tido bebês do meu homem.
Perco a paciência, cansada de sua voz, de suas afirmações e principalmente, cansada de suas insinuações sobre um futuro feliz com Tom.
— Não, ele não é seu. E se for para alguém ser uma vadiazinha aqui, é você por ter traído o seu marido – Sou firme, apesar da dor em meu corpo – Tom me ama, Bellatrix. Ele é meu desde 1944, você foi apenas a foda conveniente dele. Não se sinta especial por isso, porque deixa eu te contar uma coisinha, mamãe – Uso meu tom mais enojado para chamá-la de mãe. – Tom formou uma família comigo, e não com você, sua puta louca – Término quase gritando a última parte.
Ela tropeça para trás.
— Família?
— Sim, isso mesmo, uma família – Eu sorrio, deliciando-me com sua perca de cor – Algo que você não sabe o que é, porque é escrota demais para pensar em alguém que não seja você. Faça um favor para si mesma, pare de mendigar amor, você nunca o terá.
Solto um suspiro audível, esgotada de suas merdas.
— Vocês tem filhos! – Seu espanto não é cômico para mim.
Ela lança-se em minha direção, seu ódio triplicado.
— Eu vou acabar com você, e depois, matarei seus bastardos – Me ameaça, completamente tomada pela fúria.
Meu corpo trava, recebendo suas palavras como um soco no estômago.
— Incarcerous Nerus – Berra.
Uma corda negra é lançada em minha direção, pronta para esmagar todos os meus ossos. Com um aceno de mão, faço-a cair no chão e queimar até desaparecer.
Ah não!
Mesmo cansada, praticamente esgotada física e emocionalmente, o medo de não ver meus filhos me dá a lucidez e determinação necessária para acabar com seu ódio de uma vez por todas.
Você mexeu com a mãe errada.
Sei o que devo fazer para pará-la e a mesma não usar o virá-tempo. Sinto em meu interior que exista uma possibilidade grande que eu venha a me arrepender, mas não me importo no momento.
Meus filhos não, sua vadia.
— Arresto Momentum.
E então, minha magia se expande, chegando até ela com fluidez. Seu corpo se congela, sua mente é colocada em suspensão. Posso ver seus olhos perderem o brilho enraivecido. Ela estar paralisada no tempo.
Eu não sorrio, mas me sinto vitoriosa.
Ao contrário da vez que usei este feitiço para aprisionar Tom e seus comensais, cinquenta anos atrás, estou ainda mais habilidosa e poderosa no controle dele. Não deixarei que Bellatrix saia de meu controle sem antes conseguir o que quero.
Accio virá-tempo, conjuro o feitiço em minha mente antes de libertá-la de meu controle.
Sem esperar que a mesma se recupere de sua lentidão mental, jogo seu corpo pelos ares usando um Estupore enquanto o virá-tempo desloca-se de seu pescoço e vem em minha direção respondendo ao meu Accio.
Agarro-o com as duas mãos e o trago para perto de meu coração. O corpo de Bellatrix batendo contra a porta de entra de sua mansão produz um som estrondoso pelo local.
Olho para seu corpo imóvel no chão, não sentindo culpa por isso.
Fechos meus dedos com força entorno do objeto mágico e caminho até ela. Seus cabelos estão espalhados pelo chão e seu rosto está sujo de terra. Não existe serenidade em suas feições, apenas uma dureza defeituosa. Sua varinha está caída ao seu lado, perto de sua coxa direita.
Paro próxima a mesma, encarando-a pelo que me parece horas. Minha mente mergulha fundo em minhas dúvidas e inseguranças, relembrando suas palavras sobre sexo e sua ameaça aos meus filhos.
Mencioná-los para ela foi uma forma que meu cérebro encontrou de mostrar que Tom me ama mais, que criou uma família comigo e não com ela. Bellatrix ter visto meus filhos em minha mente sentenciou nosso destino.
Degusto minha saliva com gosto de sangue com dificuldade.
Com um simples aceno de mãos, vejo-a despertar de seu desmaio. Cambaleio para trás com lentidão, a vendo lutar para se sentar enquanto me lança olhares assassinos.
— E-eu... vo-vou... te...
— Eu sei – Corto-a, vendo seus olhos se estreitarem, ainda meio confusos – Você irá me matar e blá blá blá. – Antes que ela possa pegar sua varinha, conjuro-a para minhas mãos.
— Me dê! – Rosna, engatinhando até ficar de joelhos.
— Eu gostaria que pudesse ser diferente, Bella... Eu realmente gostaria que nós não fossemos inimigas.
— Foda-se o que você gostaria – Grita, usando suas mãos para se ergue agarrando-se à porta – Eu vou te matar e aos seus bastardos.
Desvio minha atenção para a madeira atrás de si, vendo que seu choque contra a porta causou algumas fissuras na madeira.
— Eu sinto muito, Bellatrix.
Ela cospe seu sangue em mim, atingindo meu colo.
— Não quero suas desculpas, pirralha imunda. Eu vou te matar, então, enfiei seus choramingos no...
— Avada Kedavra!
Seus olhos cheios de ódio se prendem aos meus no momento exato em que a maldição lhe atinge. Assombro passam por suas íris quando ela se dá conta do que acabei de fazer. É o fim.
Seu corpo se desfaz bem à minha frente, diante de meus olhos, em uma lentidão absurda. O virá-tempo pesa em minhas mãos, mas não me satisfaz. Um buraco se abre em meu peito, tirando todo o ar dos meus pulmões. Sua morte não me traz a paz que eu tanto busco.
Caio de joelhos chorando, e solto o grito que externa todos os meus demônios enquanto atiro com toda à minha força o objeto no chão, vendo sua ampulheta se quebrar.
Eu sou uma assassina agora.
[...] Abril de 1998 [...]
Afundando.
É estranho como uma ação, simples ou não, pode mudar o curso de sua vida para sempre. E, de repente, você está afundando, caindo tão rápido que não existe feitiço que possa parar sua queda. Seja com mentiras, seja por meio de atos, seja por um simples pensamento, assim que você derruba todas as suas convicções, ultrapassa seus limites, tudo muda. Sempre para pior.
Os primeiros dias foram esmagadores. O peso em meu peito me enterrou por completo em uma névoa de arrependimento, culpa e remorso. Mal comi ou bebi, apenas sobrevivi à base poções e uma bem-vinda inconsciência sem sonhos.
Não me lembro de 80% dos três primeiros dias, apenas da voz rouca e desesperada de Tom me implorando para lutar por mim. Lembro-me de ter chorado desesperadamente ao ouvir seus pedidos, sabendo que foi por ter lutado por mim que acabei matando-a. Ele também tentou me convencer de que o que fiz foi o certo, e ainda tenta, na verdade. Eu acho sua determinação louvável. Mas, ele parou de me pedir para lutar cinco dias depois de meu surto, limitando-se a me forçar a comer e beber.
Admito que seria mais fácil se eu conseguisse acreditar que o que fiz foi o certo. Mas, existe o sussurro gélido no fundo de minha mente que me diz que tomei a decisão errada. Não por me proteger e aos meus filhos, e sim por ter deixado a situação sair do controle.
Olhando para meus filhos, vendo seus rostos serenos contraírem-se quando passo meus dedos por suas bochechas, uma lágrima solitária cai. E mesmo com duas semanas após o ocorrido, ainda estou lutando contra todos os meus demônios, tentando expurgá-los de minha mente. Sem sucesso.
Narcisa conversou comigo alguns dias atrás, tentando me dar o seu perdão. Confesso que isso aliviou um pouco a carga em meu peito, afinal, Bellatrix era sua irmã. Matá-la desestabilizou Cissa mais do que pude perceber. Quando nos abraçamos, não pude deixar de soluçar em seus braços enquanto ela afagava meus cabelos e chorava baixinho. Nós duas perdemos alguém naquele dia. Ela, sua irmã mais velha, eu, uma parte de mim que nunca retornará.
Crueldade.
A pergunta que me faço todos os dias assim que acordo é se fui cruel. É uma pergunta engraçada de se fazer, afinal, sou uma assassina agora. E, eu sei, não existe ato mais cruel do que tirar a vida de outro ser humano, bom ou não. Existiria outro desfecho viável para nossa história? É o que minha mente teima em buscar. E se fui cruel, ainda existe salvação para mim? É a pergunta que não quero resposta.
Cada novo dia é uma nova fonte de tortura aonde tento me convencer de que posso conviver com a culpa. Não registro o avançar dos dias, muito menos as tentativas de Tom e Morgana de me tirarem de meu sofrimento. Me entrego à minha dor como há muito tempo não o faço. Mas, deixo pequenos pedaços de luz me atingirem quando estou com meus filhos.
Como é o caso de agora, que estou em seu quarto compartilhado faz meia hora, apenas respirando seus cheiros e vendo seus rostinhos tranquilos dormirem. Sua paz é meu balsamo.
Em minhas noites, rezo para a inconsciência apagar todos os vestígios de sua presença de minha mente, mas a única coisa que consigo é sonhar com sua risada escandalosa. Não consigo tirar seus olhos sem vida, encarando-me acusadoramente, de minha mente. É a primeira coisa que vejo ao acordar e a última ao dormir.
Tristeza.
Após sua morte, é como se um interruptor tivesse sido acionado, ligando uma luz avermelhada sobre mim, cegando-me para tudo à minha volta. Vermelho é tudo que consigo ver em meus sonhos: o vermelho do seu sangue, o vermelho da minha loucura, apenas o vermelho de duas vidas desgraçadas.
Matar Bellatrix manchou minha alma de uma espessa tinta negra permanente. Minha única fonte de alívio é saber que meus filhos estão bem, que nada irá machucá-los. Por mais que a matar tenha sido a única solução viável, uma parte de mim morreu com ela.
Um sorriso triste aparece em mim quando vejo Alya começar a resmungar, despertando.
— Você é uma bebê muito mal-humorada, mocinha – Pego-a no colo, trazendo seu corpinho para junto de mim.
Sua cabecinha se aloja embaixo de meu queixo. Inspiro seu cheiro até meus pulmões estarem completamente cheios. Uma pequena pontada de alívio borbulha meu interior. Mas, eu sei que é um alívio temporário.
Estou afundando em crueldade, tendo como companheira minha própria tristeza.
[...] Um de Maio [...]
— Você me entendeu, Hermione?
Pisco, saindo de meu transe.
— Perdão?
Tom fecha os olhos e solta um suspiro frustrado.
Estamos na varanda de nosso quarto tomando o desjejum. Ao sentar-se na cabeceira da mesa, ele dissera que tinha algo para contar, mas acabei divagando em pensamentos antes de ouvi-lo iniciar sua falação.
— O ataque começará hoje – Informa, avaliando minha reação com seu semblante neutro.
Não existe medo em seus olhos, muito menos dúvidas. Sua confiança na vitória é a única coisa que não me fez surtar até agora.
Mordo meu lábio inferior.
— Se eu pedir para você não ir, você ficará?
Ele deita a cabeça para o lado, encarando-me com carinho. Um pequeno sorriso lateral aparece, é singelo, mas vale o mundo para mim.
— Querida, você sabe que eu tenho que estar lá.
— Não se dependesse de mim.
Ele não diz nada, apenas leva uma fatia de panqueca aos lábios.
— Não quero que você fique sozinha – Diz, bebendo um pouco de suco de abóbora – Falei com Narcisa para ela ficar com você, mas ela está mais preocupada em deixar o filho no meio da guerra – Ele revira os olhos, como se a preocupação dela não fosse válida – Por isso, para a alegria de todos, decidi que ele ficará com você enquanto não retorno. Sua saída de Hogwarts não será nota, logo mais à noite ele estará aqui.
Uma parte de mim fica feliz por Narcisa ter conseguido convencer Tom a deixar Draco de fora da batalha. Uma mãe reconhece o instinto protetor da outra. Mas, existe a outra parte, aquele que odeia essa guerra com tanta intensidade que não pode suportar ao menos pensar nela.
— Tom, eu quero estar lá – Digo.
— Fora de questão isso, e não insista, Hermione. Você é importante demais para estar lá.
Abro a boca para protestar.
— Pense em nossos filhos – Argumenta.
Selo meus lábios de imediato.
Ele se levanta, jogando o guardanapo em cima da mesa.
— Resolverei algumas pendencias com Morgana, mas voltarei logo – Ele beija minha testa antes de acariciar minha bochecha com as costas dos dedos – Tudo ficará bem, eu prometo.
Ele desaparece antes que eu possa falar qualquer coisa.
***
Draco olha para Alya com o nariz franzido, parecendo ver nela um animal exótico que ele não consegue classificar. Seria enervante se não fosse engraçado.
— Pare de encarar minha filha.
Ele sorri sem graça.
— Desculpe! – Pede, sentando-se na poltrona à minha frente – Ela tem um olhar engraçado. Parece saber tudo que se passa em minha mente, me sinto incomodado.
Reviro os olhos.
— Ela é só um bebê, Malfoy, não seja paranoico.
Ele coça o pescoço, deixando sua atenção recair sobre Damon, que brinca em seu cercadinho improvisado com o Erumpente de pelúcia que Luna fez para ele.
Sua presença no começo me deixou agitada, apreensiva. Fiquei esperando a censura e o ódio que reservo para mim toda vez que me lembro do que fiz. Para minha surpresa, desde que Tom saiu, Draco se mantém exatamente igual. Ele não me culpa, ou teme. Não sei se fico feliz ou assustada por isso.
Um barulho de aparatação preenche o silêncio. Mirdy aparece no meio da sala, segurando um sr. Lovegood descabelado.
Nós dois nos levantamos de supetão, encarando o pai de Luna com apreensão. Mantenho Alya grudada ao meu corpo, deslizando para ficar em frente à Damon, não deixando que Xenofílio tenha como se aproximar. É instintivo.
— Cadê ela? – Draco é o primeiro a se pronunciar.
— Ela não estava lá, então Mirdy trouxe o pai dela para lhes explicar o que falou para Mirdy.
O sr. Lovegood dá um passo para frente, totalmente focado em mim. Seu rosto está pálido, suas mãos tremem e suas roupas estão amassadas. Tudo grita preocupação. Meu coração se acelera.
— Minha Luna recebeu uma carta de Gina Weasley, ela saiu hoje de tarde para se encontrar com ela e ainda não voltou.
Draco e eu nos entreolhamos com preocupação.
Quando pedi para Mirdy ir buscar Luna, foi apenas uma forma de tentar aplacar minha ansiedade com tudo que está acontecendo e também garantir sua segurança estando comigo. Confesso ter sido influenciada pelos choramingos de Draco em querer vê-la também.
— Por que você deixo-a sair? Estamos em guerra. – Draco intervém, sendo rude.
— E você acha que não sei? – Devolve Xenofílio, irritado – Essa guerra pesou mais para uns do que para outros, Malfoy.
— Por que Luna quis encontrar Gina? – Questiono, tentando apaziguar os ânimos – Elas estão se comunicando?
Ele balança a cabeça.
— Ela não fala sobre você, ou sobre seus filhos. Mas sim, Ginevra e minha Luna trocaram três ou quatro cartas durante o mês passado – Ele passa as mãos pelos cabelos – A Weasley não ficou feliz por Luna não voltar para Hogwarts, e muito menos por ela não querer mais se envolver na guerra. Fiquei surpreso por ela querer encontrá-la.
Chuto uma respiração para fora.
— Só existe um lugar onde elas podem estar...
— Merda! – O desespero na voz de Draco é palpável.
O sr. Lovegood pisca os olhos, ficando extremamente pálido.
— Eu vou atrás dela – Decreto.
— Nem por cima do meu cadáver! – Draco rebate, cruzando os braços – Ele me mata se souber que te deixei sair daqui. Não, eu vou e você fica.
Coloco Alya ao lado de Damon, beijando suas cabeças.
— Eu vou e ninguém vai me impedir – Repito, agarrando meu sobretudo em cima do encosto da poltrona – Mirdy, você ficará com os gêmeos, Draco, você vem comigo e sr. Lovegood, por favor, volte para sua casa. Levaremos Luna para o senhor sã e salva, é uma promessa.
— Por que vocês estão preocupados? – Pergunta ele, percebendo nosso estado – Onde minha Luna está?
— Hogwarts – Respondemos em uníssono.
Por favor, Merlin, não deixe que nada aconteça com ela.
[...]
A cada passo que a mulher dá, seu coração bate mais forte, como se tambores estivessem sendo simultaneamente batucados em seu peito. É uma sensação angustiante, e não ajuda em nada a floresta está fria, escura e úmida. Sob o olhar atento de várias pessoas que querem ver sua derrota, principalmente após os fracassos de seu marido e distúrbios de sua irmã, ela se mantém altiva.
Ele está à salvo. Ele está à salvo. Ele está à salvo.
Assim que se aproxima de seu destino, a loira se ajoelha com lentidão, sua varinha apontada para o corpo em seus pés, sua mente pronta para se defender se for preciso. O garoto de pouco mais de 17 anos está imóvel, parecendo morto.
Seus olhos treinados buscam sinais de vida, que logo são encontrados na respiração fraca e irregular do jovem. Neste breve momento, Narcisa tem um lampejo em sua mente de seu filho, igualmente jovem e bonito. Por uma fração de segundos, seu coração falha algumas batidas e sua determinação rui.
Mas, independentemente dos momentos complacentes de Narcisa, ela é uma Malfoy. Nascida em uma linhagem de sangue puro, é claro como o dia que a caçula Rosier Black foi criada para acreditar que a magia deveria se sobrepor aos trouxas.
Virando-se para sua plateia, encontrando o olhar atento de todos os comensais, seu marido e seu senhor, Narcisa respira fundo antes de proferir:
— Ele está vivo.
Sua plateia desvia a atenção dela para o homem parado no centro de tudo, seu senhor. Narcisa se levanta, vestindo sua melhor máscara de indiferença e caminha para próximo dele, sentindo seu coração palpitar loucamente.
Um pouco mais atrás do imponente bruxo das trevas, seu marido está parado ao lado de seu cunhado. É difícil para a bruxa lembrar que sua irmã morreu, ainda dói. Mas, como uma boa sobrevivente, ela sabe enterrar sua tristeza dentro de uma caixa imperturbável.
Graças a Merlin, Draco está à salvo com Hermione.
Voldemort caminha com calma para perto de sua vítima, passando por Narcisa sem realmente vê-la. Ele para somente com dois metros de distância entre ele e o garoto.
Você foi um erro, uma horcrux indesejada. É hora de morrer, Potter.
Um resfolegar surpreso lhe tira a linha de pensamentos.
Olhando para frente, Voldemort se depara com Draco Malfoy caminhando em sua direção.
— Que merda você está fazendo aqui?
Seus olhos esquadrilham o entorno, procurando sinal de sua mulher. Nada, o garoto está sozinho.
— Draco, querido... – A voz de Narcisa é calada quando Voldemort aparada para ficar cara a cara com seu filho.
Ela sente suas pernas afracarem e seu coração disparar. Sem pensar, se lança para junto de seu filho, pronta para morrer por ele se for necessário.
— Onde Hermione está?
O garoto encolhe os ombros e suspira.
— Veja em minha mente, por favor, Milord.
E é exatamente o que o bruxo faz. A invasão é intensa, mas o jovem Malfoy permanece inabalável, mostrando cada um dos acontecimentos sem demonstrar sua dor. Seu coração dispara no peito, fazendo sua pulsação se acelerar.
— E elas simplesmente foram embora? – Ele pergunta ao sair da mente do garoto.
Tom não está preocupado, apenas irritado pela mesma ter ignorado uma ordem direta sua. Outra vez.
— Sim – Confirma, colocando as mãos nos bolsos da calça enquanto olha o corpo inerte do Potter no chão – Elas não voltaram para à mansão ou para a cabana do pai de Luna, o que significa que eu não sei onde elas estão.
— Você irá procurá-las até as encontrar – Começa, baixo o suficiente para que só o garoto escute, vendo o loiro balançar a cabeça em entendimento – Assim que as achar, prenda Hermione na mansão até eu concluir tudo aqui, ou... Você não quer morrer hoje, quer?
Draco engole em seco, mas assente.
Com um aceno de varinha, sem nem ao menos encarar seu alvo, Voldemort ceifa a vida de Harry Potter para sempre. O jato verde é certeiro, não deixando margem para dúvidas.
Seu corpo tomba para o chão quase de imediato, recebendo a dor lancinante que acompanha a destruição de uma de suas horcruxes. Ele agarra as raízes do solo com força, trincando os dentes sem emitir som algum. O ar é roubado de seus pulmões por alguns instantes.
Algumas pessoas dão passos incertos em sua direção, tentando entender o que está acontecendo. Draco tem o ímpeto de tentar ajudá-lo, mas seu medo o impede. Narcisa se põe ao lado do filho, segurando seu braço enquanto encara seu senhor.
Tom se ergue sem esforço algum, sentindo Nagini rastejar para próximo de si. Suspiros aliviados são escutados. Com sua mente fixa em sua mulher, ele nem ao menos se preocupa em comemorar a morte de seu inimigo.
A bile sob por sua garganta enquanto suas entranham se reviram.
— Peguem o corpo dele – Ordena, encarando o começo do amanhecer por entre as árvores da Floresta Proibida – Vamos marchar para a guerra – Avisa, recebendo gritos empolgados de seus subordinados.
Porra, Hermione, onde você está?
***
Ele ainda não sabe, mas não é somente a parte de sua alma que vivia dentro de Harry Potter que morrerá no dia de hoje. Nivelle Longbottom, um grifinoriano que ninguém esperava ter o ímpeto de confrontar o grande Lord das Trevas ceifará a vida de sua fiel escudeira, Nagini, enquanto o Tom encara o corpo sem vida de seu arqui-inimigo morto no chão e divaga sobre onde sua Hermione pode estar. Trágico, não é? Mas, alguém como Tom já deveria saber que não se pode ter tudo na vida.
Ele superará essa perda, pode ter certeza. Eu lhe dei um amor, lhe dei uma família. Ele não pode reclamar, sua vida está perfeita! Tudo graças a mim, que sempre cumpro minhas promessas. E quanto à Hermione, não se preocupe, eu sei onde ela está. Ela só precisa sumir por algumas horinhas, é normal para tudo o que ela passou.
Bom, ninguém pode me culpar de nada, você não concorda? Então, talvez eu suma por um tempo, mas não se preocupe comigo, querida. Muito menos com seu filho, ele está em boas mãos... Ótimas mãos, na verdade. Ele tem tudo o que você sempre sonhou.
A vida é realmente cheia de surpresas, não é?
Com amor,
Morgana Lefay.
Sentindo as lágrimas escorrem por seu rosto, a bela mulher de olhos esmeraldas e semblante apático sorrir, abraçando o papel de encontro ao peito com ambas as mãos. A brisa fresca no mar alcança seu corpo, mas ela não a nota.
Seu coração se aqueceu com cada uma das palavras ali escritas. Ela não se lembra de já ter se sentido tão feliz em nenhum momento de sua vida como está se sentindo agora.
— Obrigada, Morgana – Murmura, recebendo uma brisa quentinha no rosto, como se fosse um beijo cálido da ilha.
Mérope enxuga suas lágrimas com as costas de sua mão, caminhando pela areia fofinha com os pés descalços.
Meu filho tem tudo o que sempre desejei.
Seus olhos brilham com novas lágrimas, seu sorriso nunca morre de seu rosto. É como se cada célula do seu ser vibrasse em sintonia com a descoberta de que seu filho será mais feliz do que ela jamais poderia ter lhe feito.
Muito obrigada, Morgana.
“Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim.”
— Marcel Proust.
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