Desire Obsolete

41 Despedida (Parte. 2 - Final)


Massageio meu couro cabeludo com as pontas dos dedos, fazendo o shampoo espumar ainda mais. O cheiro de morango inunda meu olfato. Vejo gotículas de água escorrem por meu corpo enquanto o vapor quente deixa o banheiro abafado.

Que delícia!

Quando já estou satisfeita, ligo a torneira e deixo a água lavar a espuma de mim, fechando meus olhos para não entrar sabão neles. Esfrego as espumas que caem do meu cabelo em meu corpo, principalmente nas partes íntimas. Dou uma atenção especial para a lateral do meu quadril, aonde a marca Rosier estava.

Desligo a ducha e me enrolo em uma toalha, sentindo meus músculos relaxados. Uso minha varinha para me secar, corpo e cabelo, logo depois me visto usando o uniforme da Sonserina. Antes de vestir a saia, passo meus dedos pela marca em formato de flor desabrochando, deixando minha mente vaguear um pouco para a outra detentora da marca, Narcisa Malfoy.

Será que Narcisa pensa que foi por causa do nosso encontro que eu sumi? Se ela entrar em contato com o Instituto de Salem saberá que nunca fui para lá. Mas será que guardará meu segredo? São muitas perguntas sem respostas. Balanço a cabeça, abandonando esses pensamentos.

Saio do banheiro para o quarto, encontrando Lena e Dorea conversando.

— ...difícil para ela – Pego a fala de Dorea pelo final.

Lena confirmar, trabalhando em fazer uma trança no cabelo com as mãos ligeiras.

— Do que vocês estão conversando? – Questiono curiosa, usando minha varinha para organizar minha cama, fazendo os foros e lençóis se moverem até estarem alinhados e os travesseiros organizados.

Confiro meu trabalho, vendo minha cama impecável. A gaveta aberta do meu criado mudo atrai minha atenção. Vou até ela e fecho-a manualmente, não lembrando de tê-la aberto hoje.

Estranho.

— Anelise — Responde-me Lena, finalizando sua trança raiz.

— Ah! – Exclamo.

Desvio meu olhar para evitar demonstrar meu desconforto com o assunto.

— Estávamos comentando que ela continua estranha, evitando-nos. E que deve está passando por algum momento difícil — Explica-me, Dorea.

— Acredito que seja isso mesmo – Concordo, pegando minha bolsa lateral, aonde guardo os meus materiais das aulas.

Elas seguem meu exemplo, e juntas saímos do quarto rumo ao salão principal para tomar café. O assunto sobre Anelise morre. Elas começam a debater sobre nossas aulas da tarde, principalmente sobre o trabalho de Aritmância que Middy Stough passou. Como não curso essa disciplina, não entro no assunto, perdendo-me em pensamentos.

Não mencionei a elas minha conversa com Anelise há 3 dias atrás, deixando para que a própria contasse quando se sentisse mais confortável. A julgar por suas indagações, Anelise ainda não contou nada.

Bem, um segredo à mais outro a menos não faz diferença, penso amarga, antes de avistar Abraxas e Tom parados em frente a porta do salão conversando com Pollux e Evan.

Estagno no lugar, ponderando se vale a pena ou não tomar café da manhã

Desde sua pequena cena no salão comunal da Sonserina há três dias, aonde pensei e desejei que Tom me beija-se, ele e eu nunca mais ficamos a sós ou trocados qualquer palavra, comigo fugindo de seu radar como o Diabo foge da cruz.

Engulo em seco, sentindo meu coração acelerar.

Merda. Quando isso vai parar? As meninas param e me encaram, confusas.

Sorrio fracamente para elas, não querendo transparecer meu desconforto. A única coisa boa que falar com Tom trouxe para mim naquele dia, fora que minhas choradeiras à noite cessaram. Minha raiva por sua manipulação física entorpeceu um pouco minha tristeza.

— Você está bem, Herms? – Lena questiona, colocando a mão em meu braço.

— Sim, apenas... Dói vê-lo ainda – Elas franzem a testa, mas quando aponto com o queixo para frente, seus olhos recaem sobre Tom. Compreensão e compaixão minam em seus olhos.

— Ele é um idiota por não perceber a pessoa incrível que você é, Mione – Dorea se apressa em dizer, envolvendo sua mão na minha e apertando de leve.

Sorrio fracamente para elas.

— Vamos comer, estou morrendo de fome – Minto.

Desde que terminamos, apetite é algo que não tenho. Como apenas o necessário para manter as energias estáveis.

— Podemos comer na cozinha hoje – Sugere Lena, ajeitando a alça da bolsa no ombro.

Balanço a cabeça em negativa.

— Me esconder não vai fazer ele sumir – Recomeço a caminhar, sendo seguida por elas.

Antes que possamos passar por eles, Evan nos detém para depositar um beijo na bochecha de Lena, que sorri bobamente. Pollux e Dorea trocam um olhar esquisito, carregado de tensão e raiva. Lena fica na ponta dos pés e beija a bochecha do namorado de volta. Ele aproveita essa demonstração de afeto para arrastá-la para longe de nós. E mesmo recebendo muitos protestos em resposta, consegue sumir com Lena.

Tento não olhar para Tom, mas ele se deslocado do lado de Abraxas e vem para o meu. Prendo a respiração, ansiosa.

— Encontre-me na Sala Precisa hoje à noite – Pede próximo ao meu ouvido, amaciando sua voz – 20:30, pode ser?

Arrepio-me.

— Não é uma boa ideia – Consigo dizer, meio ofegante.

Seus olhos tremulam em descontentamento.

— Por que não?

— Não estamos mais juntos – Disparo, mantendo minha voz baixa – Não consigo esquecer o que eu vi. Ou o quê eu sei – Estreito meus olhos, deixando minha voz sombria – Nós dois juntos e sozinhos no mesmo lugar? Não é uma boa ideia.

Ele suspira, apertando sua boca em uma linha fina.

— Não estou pedindo para você se esquecer de nada – Devolve, irritado – E na verdade, quero que você se lembre muito bem de tudo – Algo no tom de sua voz me alarma – Mas, por hora, apenas aceite se encontrar comigo mais tarde.

— Você está bem? – Contenho meu ímpeto de segurar sua mão.

Algo o incomoda, percebo.

— É claro, por que não estaria? – Retruca sarcástico.

Eu o encaro friamente. Seu olhar é intenso, ameaçador até, mas sensual como o de um anjo caído.

Isso é tão injusto! Por que ele precisa ser tão lindo?

— Você é um idiota – Exclamo aborrecida, sentindo minhas barreiras fraquejarem.

Tom recua, atordoado.

— Idiota? – Murmura ele, as feições adquirindo uma expressão divertida.

Oh, Merlin! Estou morrendo de raiva de você, não me faça rir!

— Isso mesmo – Luto para manter meu olhar de indignação – Um completo idiota.

— Quem sou eu para discorda, não é mesmo? – Seus lábios se contorcem num sorriso reprimido.

— Não me faça rir quando estou com raiva de você – Disparo perplexa.

E ele sorri, um sorriso deslumbrante, cheio de dentes, um modelo de perfeição, e eu não consigo evitar a fraquejada que minha raiva dá. Meu coração aquece com seu sorriso. Mas me nego a ceder.

— Isso é tão frustrante – Solto, me afastando dele as pressas.

Não percebo que nossa interação fora assistida por Dorea, Pollux e Abraxas até me sentar na mesa da Sonserina para o desjejum.

— Aquilo foi engraçado – Ouço Dorea comentar ao meu lado – Vocês são fofos juntos.

Massageio minhas têmporas, vendo os meninos sentarem um pouco mais a frente. Tom mantém sua atenção em mim por alguns instantes, até ser distraído por Pollux.

— Não consigo me controlar quando estou com ele – Revelo, encarando meu prato vazio – É como se tudo viesse à tona. Não consigo ficar quieta. Nunca consegui, na verdade. É uma sina, só pode.

Sua mão aperta meu antebraço de leve.

— Eu posso imaginar o quão difícil é, Hermione – Seu tom condescendente me irrita – Mas com o tempo se tornará mais fácil.

Me limito a assentir com a cabeça.

O problema é... Quanto tempo mais eu tenho? Pergunto-me, sentindo minhas entranhas se reviraram. Preciso conversar com Morgana.

Nossa atenção é capturada pela chegada do correio. Um balé de penas se desenrola acima de nós, com corujas de diferentes tamanhos e cores sobrevoando as mesas, jogando pacotes, revistas e jornais para todos os lados. A rotineira algazarra matinal não me surpreende.

Pego uma fatia de torta de ameixa e coloco no meu prato, ignorando a bagunça a minha volta. Encho meu copo com suco de abóbora, vendo Dorea se arquear para agarra uma carta que cai de uma das corujas acima de nós.

Sua postura muda, ficando tensa e estoica.

— Algum problema? – Pergunto, hesitante.

— É dos meus pais – Explica baixinho, apontando para a carta em suas mãos.

Seus dedos acariciam o papel com hesitação, medo. Ela lança um olhar sombrio para Pollux, que dá de ombros.

— Você não precisa... – Paro, ponderando minhas próximas palavras – Você só saberá do que se trata se abrir a carta – Digo, encarando o papel com desgosto – Mas, você não precisa fazer isso agora. Vamos comer primeiro.

Ela acena, guardando sua carta entre seus livros de Aritmância.

Um baque a minha frente me faz pular, quase caindo para trás se Dorea não tivesse me segurado. Risadas brotam a nossa volta. Surpresa, só consigo encarar a caixa que acabara de cair em cima da minha torta.

Que merda!

Franzindo a testa, analiso a caixa com cautela, confusa.

— Tem um bilhete – Dorea pega o pequeno envelope preso entre o laço vermelho de cetim, balançando-o na minha frente.

Seguro o papel com a mão esquerda, ainda encarando a caixa com desconfiança. Abro o envelope e retiro o bilhete de lá, passando meus olhos com avidez por suas linhas. Quando termino de lê, um sorriso feliz brota em meus lábios.

Prezada Hermione,

Espero que este mundo tórrido não destrua sua alma gentil. Obrigada por se preocupar e defender uma desconhecida. Você é única. Aqui dentro dessa caixa estar minha mais linda criação: um vestido que reúne tudo que consegui capturar de sua essência corajosa. Espero que goste.

PS: Espero que possamos voltar a nos ver em breve.

Amavelmente,

Matilde Rewendy

— Se você tem um admirador, é melhor escondê-lo com unhas e dentes – A voz de Dorea me traz à realidade – Porque pela forma como Riddle está olhando para cá, eu não queria está na pele do outro cara. Tom pode fulminar alguém só com o olhar. Me dá medo.

— O que? – Confusa, desvio minha atenção para ela, que desvia o olhar para Tom.

Sigo seu exemplo, encarando o moreno em confusão.

Seus ombros estão arqueados e tensos, sua mandíbula travada e seus olhos queimam-me. Ciúmes, raiva e frieza transparecem em seu rosto.

Tombo a cabeça para o lado, mordendo a parte interna da minha bochecha. Ele arqueia uma das sobrancelhas, desafiadoramente. Chuto uma lufada de ar para fora da boca, achando seu comportamento desnecessário.

Deixo minha atenção ser voltada para a caixa azulada à minha frente, decidindo ignorar seu rompante de ciúmes. Tiro-a de cima da mesa com cuidado, limpado as partes meladas pela torta com um guardanapo. Pego minha varinha e reduzo seu tamanho, deixando-a pequena o suficiente para caber dentro da minha bolsa.

Guardo-a com cuidado entre meus pergaminhos e livros.

— Você não vai abrir para saber o que é? – Dorea pergunta.

— Eu sei o que é – Digo, entregando-me o bilhete.

Ela se demora em cada linha e, então, um sorriso cheio de dentes aparece em seu rosto.

— Eu amo as roupas de Matilde Rewendy! – Exclama em êxtase – Como você conseguiu que ela te fizesse um vestido? Minha mãe está tentando fazer ela repaginar o guarda-roupas de Cassiopeia há meses. Mas ela sempre está ocupada demais, o que deixa minha mãe enlouquecida.

Ignorando a sensação de ser observada, conta a Dorea meu encontro com Matilde enquanto coloco um novo pedaço de torta em meu prato. Totalmente consciente de que Tom observa cada movimento meu, ignoro-o pelo resto do dia.

[...]

Quando a última aula do dia termina, D.C.A.T com Galatea Merrythought, estou nauseada pelos assuntos abordados: Inferis (um cadáver que “voltou a vida” através de magia negra, se tornando um fantoche do bruxo que o trouxe de volta) e Wendigo (uma criatura sobrenatural que come outros seres humanos e hiberna por anos).

Me arrasto em direção as masmorras, sendo seguida por Lena e Dorea.

— Só eu fiquei enjoada com aquelas imagens grotescas do Wendigo se alimentando? – Lena pergunta, fazendo uma careta com a lembrança das imagens.

— Wendigo? Eu quase vomitei meus órgãos quando a professora abriu aquele frasco com o odor engarrafado dos Inferis – Rebate Dorea, estremecendo – Por que ela fez aquilo? É tortura! Não precisávamos sentir o cheiro da putrefação do corpo morto deles.

Estremeço.

— Vocês estão me deixando mais enjoada ainda – Grunho, nauseada.

Elas se desculpam em uníssono.

— Preciso de um banho – Comento, levando-as a concordarem comigo.

Entramos no salão comunal as pressas, quase esbarrando nos outros sonserinos do local. Antes que possamos seguir para nosso dormitório, Pollux e Evan nos param.

— Você leu a carta que a mamãe te envio? – Questiona o Black, encarando Dorea com frieza.

— Oi, Pollux! Como você está? Estou bem também, obrigada por perguntar – Reprimo uma risada com o sarcasmo que Dorea usa para falar com ele – E não, ainda não. Estava esperando as aulas terminarem para ler. Não quero ler minha bronca na frente das pessoas.

Ele revira os olhos para ela.

— Se você está com medo que eu tenha falado algo sobre seu romancezinho de merda com o Potter para os nossos pais, pode ficar despreocupada – Seu timbre é agressivo – Não vou aborrecê-los com seus caprichos. Só perguntei porque Cassiopeia recebeu uma carta também, e está visivelmente preocupada com algo. Quero saber se você sabe o que é.

Dorea leva alguns segundos para filtrar suas palavras, mas quando o faz passa de descrente para preocupada. Ela vasculha sua bolsa as pressas, encontrando a carta com rapidez. Logo se põe a ler.

Lena me lança um olhar preocupado enquanto entrelaça os dedos nos de Evan.

— Papai está doente – Diz, correndo os olhos pela carta – Mas mamãe diz que não é para nos preocuparmos. Ele está recebendo tratamento do medibruxo da família.

— Ela falou a causa? – Pollux pergunta, arrancando a carta das mãos de Dorea sem esperar uma resposta.

Ela protesta, irritada com sua falta de educação. Pollux ignora e seus olhos negros devoram as palavras, franzindo o cenho quando termina de lê.

— Ela não informa qual a doença – Sua voz é baixa e consternada.

— Se você tivesse sido paciente, eu teria lhe dito isso – Retruca.

O que eles não estão contando aos filhos? Pergunto-me, intrigada.

— Como é necessário um tratamento, provavelmente é... – Pigarreio, não completamente minhas suspeitas.

— Provavelmente é grave – Evan completa minhas palavras, recebendo uma cotovelada de Lena – Aí! Eu não falei por mal. Só estava pensando em voz alta — Defende-se.

Ela lhe lança um olhar atravessado.

Um silêncio desconfortável se instala, com todos perdidos em suas próprias divagações. Mordo meu lábio inferior, apertando a alça da minha bolsa lateral.

— Não adianta sofrer por antecipação – Quebro o silêncio, trocando o peso dos pés – Talvez o tratamento seja só uma conveniência. – Falo diretamente para Dorea, que me olha com expectativa – Talvez a doença seja como uma infecção que precise ser controlada ou uma medida de proteção para que não se espalhe. Sem sabermos qual é a doença não podemos pressupor o pior. Tratamentos são, em sua maioria, eficazes. E se há um tratamento, existe um controle.

Minhas palavras parecem dissipar a atmosfera tensa, vejo esperança mimar em seus olhos.

— Devemos falar com nossos pais – Dorea fala para Pollux – Devemos pedir mais detalhes. Uma carta nossa os forçará a nos contar o que é.

Ele concorda.

— Devemos incluir Cassiopeia também. Ela está preocupada – Diz para a irmã.

Ela aceita prontamente a ideia.

Me agradecendo com um rápido abraço, Dorea logo puxa Pollux para longe de nós, indo a procura de Cassiopeia. E, unidos mais uma vez em prol da família, vejo-os desaparecerem.

***

Após me despedir de Lena para que ela possa aproveitar alguns minutos a sós com Evan, sigo o corredor dos dormitórios femininos, indo de encontro ao nosso. Faço um coque frouxo no cabelo no processo, finalizando-o antes de entrar no lugar.

Deixo minha bolsa na cama e rumo para o banheiro, desabotoando os botões da minha camisa social, ansiando por um banho gelado. Antes de entrar no banheiro sou ligeiramente cegada por uma luzinha violeta que atinge meus olhos com intensidade.

Paro, ainda com meus dedos trabalhando nos botões da camisa. Procuro a origem da luz, intrigada.

A primeira coisa que vejo é a caixa de veludo azul posta em cima do meu criado mudo, logo depois, a estrutura circular dourada e prata em cima da caixa e por último, o pequeno envelope azul, deitado preguiçosamente no criado mudo.

A compreensão do que aquilo representa me abate quase de imediato. Deixo minhas mãos caírem ao lado do meu corpo, sentindo minhas pernas perderem as forças.

Não. Não. Não. A negação é meu primeiro instinto.

Fecho os olhos com força, balança minha cabeça para os lados, inconformada.

Não, por favor! Meus olhos se enchem de lágrimas. Não agora. Por favor!

Agarro o vira-tempo com a mão esquerda, apertando sua estrutura com demasiada força, enquanto que com a mão direita pego a carta.

Cambaleio até a cama, sentando-me em sua beirada.

Por que agora, Morgana? Por que?

Inspiro e expiro por alguns segundos, tentando recuperar meu controle.

Deixo o vira-tempo em meu colo e abro o envelope com os dedos trêmulos, temendo o que iria encontrar ali.

Querida Hermione,

Seu tempo está se esgotando. Por favor, despeça-se (ou não) dos seus amigos e namorado. Temo não poder prolongar sua estadia por muito tempo. Por isso, seja rápida!

PS: Quando estiver pronta, coloque o vira-tempo no pescoço e diga meu nome. Não tema. Será como a primeira vez.

Com amor,

Morgana Lefay.

Assim que termino de lê, o papel se desintegra em minhas mãos, sendo consumido por um fogo mágico azul. Não pisco ou me assusto, apenas fico estática, encarando o pó acinzentado que agora suja minha saia.

Cubro meu rosto com as mãos, chorando baixinho.

— Eu não estou pronta... – Sussurro para mim, apertando minha garganta com a mão direita, sentindo minha garganta se fechar aos poucos – Não estou pronta para voltar. Não estou... Não estou pronta para deixar Tom.

Pego meu travesseiro, tapo meu rosto com ele e grito a plenos pulmões, extravasando meu sofrimento.

[...]

A porta aparece assim que termino de dá minha terceira volta. Não resisto. Não penso. Seguro a maçaneta com a mão trêmula e empurro, entrando no ambiente aconchegante.

A primeira coisa que noto são as almofadas de diferentes cores e tamanhos formando uma cama no chão em frente à uma imensa lareira. Ao redor, dois sofás e três poltronas de couro formam um lindo conjunto. Uma mesa de ébano estava posta encostada na parede, vazia. aonde A iluminação é fraca, dando um ar de intimidade para o ambiente.

Tom me encara do outro lado do quarto, segurando o que me parecia um copo com Whisky de Fogo. Em pé.

— Eu sabia que você viria – Diz, não escondendo o brilho vitorioso que aparece em seu rosto.

Fecho a porta atrás de mim devagar, só para no minuto seguinte vê-la sumir, deixando-nos confinados. Encaro Tom com desconfiança, caminhando até perto das almofadas.

— Aqui estou – Abro meus braços para enfatizar minha presença.

Ele aponta para o copo de Whisky em sua mão, nego.

— Não, obrigada.

Ele solve o líquido de uma só vez, sem fazer careta. Fico ligeiramente impressionada, afinal, aquilo é horrível e queima como brasa.

— Impressionante.

Ele deposita o copo na mesa e vem até mim, sorrindo de lado.

— Existe coisas piores do que Whisky de Fogo.

— É verdade.

Ele maneia a cabeça para as almofadas, sentando-se no processo. Me junto a ele, tomando uma distância segura para não encosta nenhuma parte do meu corpo nele, mas não longe o suficiente para que não possamos nos tocar.

— Quem te deu aquele presente hoje cedo? – Pergunta, encarando o fogo com o rosto inexpressível.

Ãh?

Pisco, atordoada.

— Suas mudanças de humor acabam comigo, sabia? – Devolvo frustrada.

Ele me lança um olhar glacial.

— Responda minha pergunta, Hermione – Dispara, irritado – Quero saber se existe mais alguém querendo o que é meu.

Empertigo-me.

— Eu.Não.Sou.Sua.Propriedade.Tom – Falo o mais pausado que consigo, enfatizando friamente cada palavra.

Ele desdenha minhas palavras, balançando as mãos como se dissesse: não me importo com o que você acha.

Mordo minha língua para não mandá-lo à merda. Seus olhos me perscrutam acusadoramente, seus dedos apertam a almofada de tamanho médio perto de sua mão esquerda com força.

Suspiro.

— Matilde Rewendy – Falo, após alguns segundos em silêncio, não aguentando esperar o mesmo se dignar a falar.

Ele franze a testa.

— Quem?

Resumo meu encontro com ela em poucas palavras, não querendo prolongar o assunto. Ele se mantém em silêncio o tempo todo, avaliando cada palavra que sai de minha boca.

— ...É uma senhora muito gentil – Concluo, sorrindo ao lembrar de sua gentileza em me agradecer presenteando com um vestido exclusivo.

Ele acena, concordando apenas por educação.

— Por que você me chamou aqui, Tom? – Sou direta.

Seus olhos queimam os meus, e a intensidade me tira o fôlego.

— Tom?

Ele segura meu queixo. Fico hipnotizada pela língua dele passando lentamente no lábio superior. Ele me olha nos olhos, observando, avaliando. E então, solta-me. Encarando o fogo como se nada tivesse acontecido.

Fico tonta, sem entender nada.

— Por que você enfeitiçou a flor do seu vestido para me encontrar? – Murmura a pergunta tão baixo que tenho certa dificuldade em entender.

Já preparada para essa pergunta à alguns dias, não vacilo em minha resposta.

— Porque escutei parte de sua conversa com seus amigos – Revelo, optando pela sinceridade – Já faz algumas semanas isso. Mas as palavras alvos e halloween ficaram na minha cabeça. Eu estava próxima do Lago Negro quando ouvi e desde então sei que você preparava algo. Só não sabia o que era – Termino baixinho.

Ele balança a cabeça em concordância, como se já soubesse que essa era a resposta que eu iria lhe dá.

— Eu imaginei que só assim mesmo para você suspeitar de algo – Fala, nenhum pouco arrependido.

Deixo meus olhos vagarem por seu rosto, memorizando cada detalhe com precisão. Suas sobrancelhas negras curvadas com perfeição lhe conferem autoridade, já seu nariz retilíneo é o que pessoas morreriam para ter. Sua boca pequena e convidativa instiga até mesmo as mais puras ao pecado, as maçãs de seu rosto são altas e bem construídas. E o principal... Seus olhos. Azuis tempestuosas, como se mantivesse mais mistérios que a caixa de Pandora. Uma eternidade não seria o suficiente para alguém decifrá-lo. Esculpido em beleza e simetria. Um adônis masculino.

Tanta beleza assim deveria vim com um aviso em negrito e em maiúsculo de PERIGO.

— Eu cresci em um orfanato, – Começa trazendo-me à realidade, encarando as chamas crepitantes. Oh, Deus! Ele está falando do seu passado por vontade própria. – E nunca conheci meus pais. Não que eu quisesse conhecer o sangue-ruim do meu progenitor. Mas minha mãe... Talvez – Ele desvia a atenção das chamas para mim – Ela foi uma mulher fraca, que deixou o amor contaminar seu julgamento e princípios. E graças a isso, eu cresci em uma merda de lugar, aonde a coisa mais feliz que eles davam para os órfãos era a esperança de que um dia alguém iria olhar para você, ver algo especial e te adotar.

Seu rosto é inexpressível, mas seus olhos queimam mais que o fogo. Sinto meu coração acelerar.

— Desde sempre me sinto diferente dos outros, mais inteligente, mais evoluído. Especial. Em uma sintonia própria que só eu entendo. Por isso, cercas brancas e famílias felizes nunca fizeram o meu estilo – Ele se volta para as chamas da lareira novamente – Meu ódio pelos sangues-ruins sempre esteve comigo, é algo tão natural quanto respirar. Então, quando descobrir ser um bruxo, eu entendi o motivo.

Mordo meu lábio inferior, esperando.

— Eles são inferiores, são atrasados e descartáveis. Principalmente os que não tem nenhum traço de magia no sangue – Ele me olha, estudando minhas reações – E os que recebem este privilégio, não são dignos dele. Por isso, desde que cheguei em Hogwarts me cerquei de pessoas que pensam como eu.

Abro a boca para contradizê-lo, mas ele coloca os dedos nos meus lábios. Silenciando-me.

— Eu não sou bom, Hermione – Dispara, não desgrudando os olhos de mim – Não quero ser. Eu não consigo e nem quero mudar a forma como eu penso. Eu nasci para liderar, e não para receber ordens e me calar quando não concordo com algo – Ele tira os dedos dos meus lábios – Como você viu, eu sou impiedoso com sangues-ruins e com quem atravessa o meu caminho. Não quero redenção – Ele faz uma pausa, aproximando seu rosto do meu – Mas, eu te quero ao meu lado, conquistando o mundo comigo. Cercas brancas não. Mas uma família e uma vida de glória... Isso eu posso buscar com você. Só com você. Para você – Seus lábios escovam os meus, arrepio-me.

Ele se levanta, encarando-me com intensidade.

— Eu não vou implorar, Hermione. Não consigo. Mas se você me quiser e me aceitar como sou, eu serei seu pelo tempo em que a eternidade durar – E com isso ele se afasta, indo de encontro a porta que magicamente aparece de novo – Você sabe onde me encontrar. Só não demore demais em se decidir. Eu não sou paciente, e não vou te esperar para sempre.

Tom me deixa sozinha, petrificada no lugar.

[...]

No dia seguinte, saio antes das garotas acordarem. Esgueirando-me pelos corredores do castelo até chegar ao meu destino.

Bato na porta, escutando um entre logo em seguida.

— Bom dia, professor Dumbledore — Cumprimento-o, fechando a porta.

Ele me olha por cima dos óculos meia-lua e sorri. Vestia uma linda túnica roxa com estrelas prateadas espalhadas pelo tecido.

— Bom dia, senhorita Granger. Sente-se, por favor – Ele aponta para a cadeira em frente à sua – À que devo o prazer da sua visita?

Sento-me à sua frente, retirando do bolso da minha capa a caixa de veludo azul. Abro a caixa, mas não retiro o vira-tempo de dentro, apenas viro-a para que ele possa ver o objeto.

— Quando você voltará? – Pergunta, ajeitando seu óculos no nariz.

Ele avalia o vira-tempo com curiosidade, fixando-se em todos os detalhes.

— Eu não sei – Confesso, voltando a fechar a caixa – Morgana apenas me disse que seria logo.

— Você não me parece feliz com isso – Avalia.

Tento sorri, mas acabo fazendo uma careta estranha ao invés disso.

— Eu gosto daqui – Guardo a caixa em meu bolso novamente – Amo meus amigos e... – Engulo em seco.

— E você ama seu namorado – Completa, levantando-se e indo até a mesa de magno da sala – Mas também ama seus amigos do futuro e sente falta deles e de seus pais, presumo.

Aceno positivamente com a cabeça, não confiando em mim mesma para falar.

Dumbledore mexe em algumas de suas gavetas, procurando algo ruidosamente. Quando acha, volta a se sentar à minha frente.

— Eu estava guardando isso para lhe dá mais tarde – Diz, entregando-me o livro de capa dura – Acredito que a senhorita o achará muito instrutivo.

Sorrio, agradecida por sua gentileza.

Os Contos de Beedle, o Bardo. Lia-se na capa do livro.

Franzo a testa, estranhando o título.

— Nunca ouvi falar desse livro – Confesso, mantendo meu sorriso no rosto – Agradeço muitíssimo pela gentileza, professor. Não sei se quando eu for embora conseguirei me despedir. Mas, desde já agradeço por tudo que o senhor fez por mim. Sem sua ajuda eu não teria conseguido.

— Duvido muito disso, minha jovem. Você é inteligente. Tenho certeza que conseguiria sozinha – Ele se levanta novamente, e dessa vez o acompanho – Não sei o que encontrará quando voltar, criança. Mas saiba que pode-se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz.

Me jogo em seus braços, pegando-o de surpresa. Suas palavras já conhecidas por mim abrem a torrente de lágrimas que eu não sabia está contendo. Choro em seus braços.

[...]

O resto do dia transcorre com normalidade. Tento não pensar no ultimato que Tom me dera, ou no que eu estava abrindo mão ao voltar para o futuro.

Apego-me ao fato de que não adiantaria chorar, que desde meu segundo encontro com Morgana em Hogsmeade eu estava sobre aviso que isso iria acontecer. Minha única alternativa era aproveitar cada minutos que me restavam com eles ao máximo.

— Hermione? – A voz de Anelise me trás de a realidade.

— Oi, desculpe-me! Eu viajei totalmente na minha mente.

Ela assente, não muito preocupada com isso. Seu semblante abatido me preocupa.

— Eu apenas queria dizer que já vou indo, preciso me encontrar com Abraxas – Informa, recolhendo suas coisas da mesa.

— Vocês estão bem? – Pergunto receosa.

Ela faz um barulho com a garganta que não consigo distinguir se é positivo ou negativo.

— Estamos bem por enquanto – Diz, após guarda todos os seus materiais na bolsa – Ele afirma que não havera problema com sua família o fato dos meus pais estarem se divorciando – Ela coloca a alça da bolsa no ombro – Abraxas nunca foi um bom mentiroso.

Ela vai embora sem se despedi.

Fico mais alguns minutos na biblioteca, concluindo o trabalho escrito de Feitiços sozinha, para que se fosse necessário Septimus pudesse executá-lo sem mim.

[...]

Quando o relógio marca 10:30 da noite, saio da cama com cautela, deixando para trás o fingimento de estar dormindo. O chão frio me saúda com aspereza, estremeço da cabeça aos pés. Agarro meu roupão e o visto, em seguida calço minhas pantufas pretas.

As garotas ressonam em suas camas baixinho, entregues ao sono. Encaro seus corpo inertes com pesar, meu coração se comprimindo de tristeza. Fecho meus olhos, e quando volto à abri-los sinto minha determinação ser renovada.

Ainda não é um adeus.

Deixo o quarto, fechando a porta com cuidado para não fazer barulho. Meus pés percorrem a curta distância até o salão comunal com lentidão. Adentro o lugar só para encontrá-lo vazio.

Suspiro aliviada, apertando o laço do meu roupão com ansiedade.

Rumo ao meu destino, entrando e saindo de corredores conhecidos, deixando meu corpo fazer todo o percurso no automático. Assim que me deparo em frente à porta de madeira polida, não hesito em bater.

Tom abre a porta usando apenas uma calça de moletom pendendo pelos quadris estreitos. Seu peito nu estar coberto por gotículas de água, enquanto seu cabelo molhado ainda pinga. Ruborizo.

— Hermione. – Exclama, surpreso.

Fico desconcertada com sua aparência tentadora. Ele se desloca para trás, entro timidamente. Paro no meio do quarto, encarando-o de olhos ligeiramente arregalados.

Tom fecha aporta e se encosta nela, esperando que eu fale. Noto um brilho diferente em seus olhos. Mas acabo me focando em seu corpo.

— Então? – Sua voz é baixa e divertida.

Fico ainda mais vermelha por ser flagrada de forma tão descarada.

— Desculpe vim sem avisar – Falo, levando minha atenção do seu peitoral para seu rosto. Entrelaço minhas mãos à frente do corpo, inquieta – Eu vim dizer que você não pode me dá um ultimato como aquele e ir embora.

— Não?

— Tom, você precisa entender que é cruel da sua parte me obrigar a aceitar isso – Elevo minha voz, soando mais agressiva do que quero – Eu te amo, mas odeio as coisas que faz. Seu preconceito me mata. Como posso escolher ficar com você, se você nem ao menos tenta mudar por mim?

Ele se desencosta da porta e caminha até mim.

— Eu realmente não estou afim de discutir com você, Hermione – Diz, parando a poucos passos de mim – Se sua decisão é não me aceitar como eu sou, fale agora. Isso vai me poupar insisti em algo que não vai pra frente, e te poupa de me ter insistindo em nós.

— Tom...

— Sim ou não — Corta-me secamente – É bem simples. Sim ou não, Hermione?

Não é simples, nunca foi! Eu não posso ficar com você. Mas também não posso te deixar sem que eu te tenha uma última vez. Meus pensamentos são frenéticos e dolorosos. Sou assolada por todos os nossos momentos juntos, revivendo cada beijo, toque e carícia em um looping mental.

— Hermione...

Interrompo suas palavras agarrando seu pescoço e o puxando para um beijo sôfrego. Nossos dentes se batem, produzindo dor pela colisão. Ignoramos. Seus braços cercam minha cintura, apertando-me contra seu corpo. Agarro seus cabelos com umas das mãos, aprofundando nosso beijo.

Nossas línguas se enroscam com avidez, explorando, instigando. Suspiro contra seus lábios. Tom guia-me até a cama, aonde caímos juntos, o corpo dele por cima do meu. Seus braços amortecem o impacto de seu corpo contra o meu.

— Você me deixa louco – Grunhe, afastando-se o suficiente para beijar meu pescoço. Arrepio-me, sentido minha pulsação acelerar.

Meu baixo ventre se contorce em expectativa.

— Ah, Hermione, você é muito gostosa – Sussurra contra minha pele.

Gemo e sua língua desliza em minha garganta. Ele agarra meu rosto e me beija violentamente, invadindo minha boca. Depois me abraça e me aperta contra seu corpo. Seu peito esmaga o meu. Acaricio suas costas, deleitando-me com seu cheiro.

Afastando-se de mim, seu corpo paira sobre o meu.

— Você quer gozar?

Faço que sim.

Que se dane o bom senso.

— Implore – Ordena severamente.

— Tom! – Choramingo.

Ele sorri para mim, sacana.

— Vamos, querida. Duas palavrinhas e eu te levarei para o céu.

Solto um gritinho frustrado, fazendo-o ri roucamente.

— Por favor – Imploro com um rosnado.

Ele desata o nó do meu roupão e o tira com a minha ajuda. Minha camisola logo abandona meu corpo. Fico apenas com minha calcinha. Ele se afasta para encarar meu corpo, pondo-se em pé. Tapo meus seios com as mãos, envergonhada.

Tom balança a cabeça em desaprovação.

Parado à minha frente, ele engancha os dedos na minha calcinha e a abaixa sem a menor pressa, despindo-me dela com uma lentidão de doer, até terminar ajoelhado diante de mim. Sento-me na cama, com minhas pernas pendidas para fora. Sem desgrudar os olhos dos meus, amassa a calcinha, levá-la ao nariz e inspira profundamente.

Ooh, merda! Ele acabou de fazer isso mesmo?

Sorri com malícia para mim e mete a calcinha no bolso da calça.

Ele abre minhas pernas com as mãos, tento oferecer resistência, mas ele é mais forte e mais determinado que eu. Tom inclina-se para a frente, roçando o nariz na minha coxa até chegar no vértice entre minhas pernas. Eu o sinto. Ali.

— Você é muito cheirosa – Murmura, e fecha os olhos, com uma expressão de puro prazer, e eu praticamente me contorço sentindo minhas dobras encharcarem.

Ele volta a me beijar, e dessa vez sua mão agarra meu seio esquerdo, estimulando a auréola com a ponta do indicador. Meus seios se intumescem, e meus mamilos endurecem de desejo. Contorço-me, chupando seu lábio inferior com força. Recebo um suspiro apreciativo em resposta.

Tom abandona minha boca após uma série de selinhos. Ele abocanha meu seio direito delicadamente, fazendo-me arfa de surpresa. Gemo em puro êxtase. Seus lábios se fecham em volta do meu mamilo, e, quando ele puxa, vários espasmos atravessam meu corpo. Gemo mais alto.

Ele se afasta, desolando-me.

— Oh... Por favor! – Imploro, esfregando minhas pernas uma na outra, em busca de alívio.

— Tudo no seu devido tempo, querida – Fala, sorrindo de lado.

Suas mãos descem pela minha cintura até meus quadris, e ali ele me envolve intimamente com a mão em concha. Gemo, uma sensação doce percorrendo minhas entranhas. Seu dedo escorrega pela fenda fina da minha vagina e me rodeia devagarinho.

Engasgo com minha própria respiração, estremecendo de prazer.

— Você está deliciosamente molhada – Grunhe em apreciação.

Ele enfia o dedo dentro de mim, e grito seu nome quando enfia de novo e de novo. Manipula meu clitóris, e dou grito. Ele movimenta o dedo dentro de mim com mais força ainda. Gemo.

De repente, ele se senta na cama, arranca a calça com agilidade, e a ereção se revela, livre. Mordo meu lábio inferior.

Debruça-se, apoiando as mãos em ambos os lados da minha cabeça, de modo a pairar sobre mim, olhando-me nos olhos, a mandíbula cerrada, os olhos ardentes.

— Levante as pernas – Ordena com delicadeza, e obedeço de imediato – Eu vou foder você com força, Hermione – Avisa, posicionando a cabeça de seu pau na entrada do meu sexo – Não serei gentil. Estou no meu limite – E com isso, ele me penetra.

Tom desliza para dentro de mim com rapidez, abrindo caminho por entre minhas dobras encharcadas. Gemo, e enlaço sua cintura com minhas pernas, dando-lhe mais acesso. Ele se movimenta para trás e para frente com rapidez, estocando fundo em mim. Mexo o quadril, seguindo seu ritmo alucinando, deleitando-me com seu vaivém implacável.

Nossos corpos se cobrem de suor e o cheiro de nosso coito impregna no ar.

Em um movimento inesperado, Tom inverte nossas posições, colocando-me por cima de seu corpo.

— Cavalgue em mim.

Espalmo seu peito com as duas mais para me equilibrar e o obedeço prontamente. Subindo e descendo, subindo e descendo. Rebolando ocasionalmente só para vê-lo enlouquecer. Ele agarra meu quadril e me ajuda a me mover com mais rapidez, engatando um ritmo poderoso. Sinto-o chegar fundo em mim. Cada centímetro do meu canal sendo arrebatado por seu pênis.

Começo a enrijecer à medida que ele se mexe embaixo de mim. Meu corpo estremece, arqueia, coberto de suor. Só existe eu e ele, dois corpos, uma cama. Enrijeço.

— Goze comigo – Pede sem fôlego, e obedeço, explodindo em sincronia com ele ao chegar ao clímax e me dividir em milhões de pedacinhos.

Caio em cima de seu corpo, saciada.

Aconchego-me ali, mesmo nossos corpos estando suados e pegajosos, e com ele ainda dentro de mim. Descanso minha cabeça em seu peito, escutando seu coração bater freneticamente.

Seus braços me envolvem, abraçando-me com ternura. Fecho os olhos, esperando meu corpo voltar ao normal.

— Isso não é um sim – Sussurro baixinho, temendo quebrar a magia do momento.

— Eu sei – Murmura, levando suas mãos até às laterais do meu corpo – Mas também não é um não.

Não o contradigo, decidindo prolongar aquele momento o máximo possível. Seus dedos acariciam minha marca de nascença.

— Esperarei você desabrochar para mim – Sussurra, fazendo referência à flor desabrochando em meu quadril.

Me limito a murmurar qualquer coisa com a boca em resposta.

[...]

Me sento entre Lena e Dorea no café da manhã, o que deixa Tom puto. Em contra partida, ele senta-se à minha frente tendo Pollux e Abraxas nos seus lados. Evan senta ao lado de Lena, e Nebolus ao lado de Dorea, quase emparedando-nos com tantas testosteronas.

Ele me lança um olhar malicioso, encarando meu pescoço com júbilo. Contenho o ímpeto de revirar os olhos, sabendo que o mesmo só estava me provocando devido ao chupão que eu não consegui esconder com maquiagem.

Após nossa segunda transa ontem, caímos no sono, e quando voltei hoje cedo para meu quarto, enfrentei um verdadeiro interrogatório, aonde não consegui negar que dormi com Tom. Lena e Dorea ainda estavam chateadas, afirmando que cometi um grande erro.

Beberico meu suco de abóbora, esperando as meninas terminarem de comer.

— Ah, Hermione – Lena atrai minha atenção, remexendo em sua bolsa – Eu esqueci de te dizer que peguei sua revista emprestado – Ela retira O Pasquim da bolsa, entregando-me – Desculpa não ter falado antes.

Sinto o sangue fugir do meu rosto, encarando o material em minhas mãos.

— É sobre o que essa revista? – Ouço Nebolus perguntar.

— Não é nada. É uma revista idiota. Vocês não gostariam dela – Apresso-me em dizer, tensa – Você deveria ter pedido, Lena – Sou ríspida em minhas palavras.

Jogo-a dentro da minha bolsa de qualquer jeito, amaçando suas folhas. Meu comportamento atraía a atenção de todos, que até então não estavam se importando com o assunto.

— Me desculpa, Mi – Pede, piscando seus olhos para mim – Eu sinto muito. Eu pensei que você já tinha terminado de ler. E como você disse que eu poderia ler quando você termina-se, eu pensei...

Corto-a com o olhar, vendo seu corpo se encolher.

— Eu não gosto que mexam nas minhas coisas – Minha voz sai baixa, levemente aguda – Nunca.

— É só uma maldita revista – Evan intervém, passando o braço pelos ombros dela – Não precisa surta, Granger.

— Cuidado, Rosier – Tom late, estreitando os olhos para ele.

O clima muda instantaneamente. Pesado, denso.

— Não, isso é culpa minha – Lena tira o braço do namorado dos ombros e se volta para mim – Desculpa, Hermione. Eu não deveria ter mexido nas suas coisas, foi muito errado da minha parte – Ela coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha – E é como você falou. É só uma revista boba. Não vale uma discussão – Ela ri sem graça, olhando ao nosso redor – Está até com o ano de publicação errado – Lena sorri para mim, mas logo prossegue para os outros – E fala muito sobre um bruxo das trevas que as pessoas até tem medo de dizer seu nome, por isso chamam ele de Aquele Que Não Deve Ser Nomeado ou Você Sabe Quem. Bizarro.

Aperto seu braço com os dedos, implorando para que ela entendesse meu pedido silencioso.

— Lena... – Ela não nota o pânico em minha voz, não nota meus olhos arregalados e muito menos minha palidez fantasmagórica. E por isso, continua falando, selando minha desgraça.

— Bem, mas pelo menos no final, em uma nota minúscula de roda pé, eles revelaram o nome do tal bruxo – Ela ri, fazendo suspense – Lord Voldemort.

Fecho os olhos, recebendo suas palavras como um soco no estômago. Alguém engasga. Abraxas? Não sei. Meu coração para. Tudo à minha volta perde o foco, só existe sua doce voz pronunciamendo sonoramente o nome que Tom escolheria para si no futuro.

— Qual é o ano que está na revista? – O timbre sombrio chega até, abafando a doce voz feminina que retumba em meu cérebro.

Abro os olhos para encontrar Tom me encarando. Seu rosto é uma máscara de cólera, pura. Ele não pisca, não se move. Sua mandíbula está travada, seus olhos semicerrados.

— 1996, se não me engano – Lena responde, colocando uma uva na boca – Bem estranho, né? Um salto e tanto no tempo – Ela ri alto, mas ninguém lhe acompanha – Acredito que erram na hora de escrever.

Apática, encaro todos à minha volta: Lena está alheia ao que a cerca, Dorea parece confusa, Pollux e Nebolus estão intrigados mas igualmente confusos, Evan parece irritado comigo. Mas são as expressões de Abraxas e Tom que me consumem por completo. O loiro está de olhos arregalados e boca escancarada, me encarando como se uma segunda cabeça tivesse surgido em mim. Já Tom... Ele quer arrancar minha cabeça. Literalmente.

Não espero o silêncio ser quebrado, não espero Tom me destruir com palavras como ele está fazendo com o olhar, eu simplesmente corro. Fujo.

Meu nome é chamado, mas não me atenho à quem o chama. Apenas fujo para longe, levando comigo meus segredos. Meu amor. Minha vida.

[...]

Meu pulso dói, mas isso não me incomoda. Largo a pena na mesa e coloco as cartas em seus envelopes, deixando-os em cima do meu travesseiro. Cinco cartas com cinco nomes em seus respectivos envelopes tomam o espaço aonde antes minha cabeça repousava (Tom, Dorea, Lena, Abraxas e Anelise). Os únicos a quem eu devo uma despedida.

Coloco meu malão em cima da cama usando minha varinha, e com um feitiço redutor, diminuo-o. Guardo sua estrutura em minha bolsinha lateral, voltando-me para as camas vazias no quarto.

Lena e Dorea estavam com seus respectivos namorados, dando-me privacidade para chorar. O que eu vinha fazendo capciosamente a dois dias, trancada em nosso dormitório sem sair para nada.

Levo minha mão até o vira-tempo em meu pescoço, sentindo sua estrutura avantajada bem escondida por debaixo das minhas roupas.

Desde que Tom interligara todas as verdades que Lena falou, eu não dormia nem comia direito, apenas chorava, esperando o momento em que meu coração criaria coragem para deixar este tempo.

Suspiro.

Dando uma última olhada no lugar, eu vou embora, negando aos meus olhos deixar as lágrimas que se acumulam caírem.

É um adeus definitivo.

[...]

— Granger, você não pode fugir de mim! – Grita ele ofegante. Meu coração falha algumas batidas.

Impulsiono meu corpo a ir mais rápido. Se ele me alcança-se, eu não teria como escapar. As consequências do que fiz me assombrariam pro resto da minha vida, mas isso não significava que eu teria que pagar agora. Ademais, se ele chega-se até mim as coisas ficariam perigosas, no mínimo.

A batida de suas passadas longas e rápidas no chão me fazem perceber o quão perto ele está. Viro a esquerda no corredor mal iluminado. A essa hora todos deveriam estar dormindo em suas camas quentinhas, alheios ao perigo que a cada dia ganhava mais força e poder. Um lampejo de olhos azuis intensos me fitando se infiltra na minha mente me fazendo tremer, trazendo em seguida uma pequena memória a tempos esquecida.

“- Sangue-ruins não merecem compartilhar da nossa magia. Não merecem estar entre nós. Eles são a escória, Hermione – Indaga para mim, enquanto seus dedos traçam um caminho sedutor do meu ombro até minha mão, onde entrelaça nossos dedos. O calor de sua mão em contraste com a minha gélida me faz arrepiar.

O então azul profundo de seus olhos, olhando-me maliciosamente envia uma poderosa dose de excitação para o meu corpo. Uma nuvem de desejo ameaça tirar meu foco. Afasto-me dele, indo para a outra extremidade do dormitório ficando de costas para o mesmo. Eu precisava ser forte e alto consciente de tudo a minha volta. Muitas vezes ficar perto dele me tirava a concentração e a lógica. Fazia surgir em mim instintos que eu pensei nunca ter. Encaro sem realmente vê a pequena bagunça de pergaminhos em cima da sua cama impecável. Uma efêmera bagunça em meio a sua ordem absoluta. Sempre tão meticuloso e controlador.

— O que você prega não é certo. Essa escória que você abomina são pessoas, crianças inocentes que não tem culpa de ter, de acordo com você; “nascido com o privilégio da magia que não mereciam.” – Rebato, citando a odiosa frase que havia me dito. – Você também me acha escória, Tom? O que eu sou para você? Não minta pra mim, eu saberei. – Concluo em um sussurro.

Viro-me para encará-lo nos olhos. Ele estava parado no mesmo lugar, encarando o chão. Seu semblante me dizia mais do que eu gostaria de saber. Ele estava pensando, articulando suas ideias para contrariar, sem realmente entrar em uma briga, tudo o que eu havia dito. Desde que começamos a namorar era sempre assim.

Quando ele volta a me encara, vários segundos haviam se passado. Seu corpo assume uma postura altiva e ele me dá aquele olhar de superioridade que tanto me enraivecia. Antes mesmo dele começar a falar, eu sabia que tudo o que sairia da sua boca eram palavras vindas do Lord das Trevas.”

Em algum momento tive alguma misera parte dele me amando, ou tudo não passou de um jogo de poder? Desejo.

Abandonando minha linha de pensamentos, ofego de tanto correr. Um rápido pensamento incômodo me atinge: eu nunca tive tanto medo dele, quanto estava tendo agora. Realmente eu tinha uma vida irônica. Um pequeno sorriso desponta em meus lábios, mas morre quase instantaneamente. Enquanto sinto meus pulmões clamarem por ar, percebo que fiz a curva errada no corredor errado. Respiro grandes lufadas de ar, sentindo meus joelhos fraquejarem.

Corra! Não pare! Corra! Digo a mim mesma ao me virar para corrigir meu erro de direção.

— Expelliarmus!

Um rápido lampejo de pânico e surpresa me atinge ao escutá-lo proferir a sentença de nossa inimizade.

Desvio de seu feitiço me jogando no chão, meu corpo atinge o chão em um baque surdo, sendo acolhido por um frio devastador. Involuntariamente procuro minha varinha entre minhas vestes, achando-a em seguida onde sempre ficava, presa em minha cintura. Não faço menção de tirar ela de lá. Ainda não. Lentamente me viro para encará-lo. Seus olhos cinzentos me fitam com raiva, tristeza e mágoa. Embaixo de toda a confusão de emoções noto o quão surpreso ele está ao ter me lançado um feitiço. Ainda bem que não fui a única, penso amarga.

— Por favor, não faça isso – Imploro ofegante. Lágrimas indesejadas se acumulam em meus olhos. Sinto o peso de todo o estresse, tristeza, raiva e decepção cobrando seu preço.

Com a respiração irregular e meus pulmões ardendo tento me levantar, mas meus joelhos fraquejam e eu permaneço no chão. Dois dias sem dormir, sendo constantemente assombrada psicologicamente acabaram com todas as minhas forças.

Seu uniforme verde e prata combinava com o meu. Eu podia perceber que está ali, fazendo aquilo comigo não era o que ele queria. E eu não podia culpá-lo. O sonserino segurava sua varinha apontada para mim, mas sua mão tremia. Incerteza? Medo? Raiva? Eu não sabia distinguir. Apostaria em um pouco de tudo.

Tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais, penso.

Olho além dele, para o corredor que me levaria ao meu objetivo. Tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe. Era assim que eu me sentia o tempo todo aqui. Nunca foi minha intenção vim para o passado, me apaixonar por um dos maiores vilões do mundo bruxo e viver tudo que vive aqui. Mas isso tinha acontecido comigo em um momento onde o que eu mais precisava era sumir e de certa forma, tudo aquilo fora um bálsamo para mim. E por mais que eu ainda não compreendesse o porquê, eu sabia que isso era maior que eu e ele. O herdeiro de Salazar Slytherin com a filha indesejada de Bellatrix Lestrange e Sírius Black. Séria nossa união uma piada cósmica?

— Você era minha amiga, Hermione – A dor que escapa por essas palavras fazem minhas lágrimas caírem.

Mordo meu lábio inferior, tentando reprimir meus soluços.

— Eu sinto muito, Malfoy. Eu nunca quis que nada disso acontecesse – Minha voz sai entrecortada pelo soluços que escapam.

— Você não queria? – Pergunta sarcasticamente. – Você acha que sou estúpido? Esse tempo todo você nos enganou. E agora, suas escolhas me faram ter que fazer a única coisa que eu pensei nunca ter que fazer... – Ele respira fundo e passa uma das mãos pelos cabelos platinados. – Ele te destruirá, Hermione. Você o magoou mais que qualquer um. Nunca o vi assim... Devastado! – Vejo seus dedos se fecharem com mais força em volta de sua varinha.

— Eu sei, Abraxas – Concordo olhando em seguida para o chão, sentindo meu coração apertar. Nunca pensei que poderia existir esse tipo de amor, tão forte e intenso, que me leva ao extremo das emoções. – Eu cheguei aqui... Eu não queria me apaixonar, mas aconteceu e então... Amá-lo não é fácil, sabia? Mas mesmo com todas as adversidades, eu fui em frente. Eu estava disposta a desistir de tudo por ele. E o que ganhei em troca? Mentiras.

— Mione...

Volto meu olhar para ele, que estava me encarando com pesar. Ele entendia o que era ser traído. Abraxas Malfoy, indo contra tudo o que sempre soube a respeito dos Malfoy's era o mais perto de íntegro que um Comensal da Morte poderia ser. Um verdadeiro amigo, com uma lealdade invejável.

— Eu sei que ele nunca me perdoará. Mas isso nunca mudará o fato de que eu o amo e sempre vou amar – Digo, sentindo-me mais no controle das minhas emoções.

— Então, porque? Eu não entendo, Hermione – Sua voz sai suave, quase serena. Mal sinal.

Engulo minha saliva e enxugo meu rosto, tirando o rastro de lágrimas que ficou. Reunindo toda a coragem e força que ainda me restava, levando-me, sentindo meus músculos doerem em lugares que não imaginava ser possível.

— Eu nunca concordei com vocês. Pra mim não existe isso de pureza do sangue. Bruxos puro-sangue não são melhores que nascidos trouxas. Nunca vão ser – Falo, endireitando-me. Uma postura confiante era a única coisa que me restava agora.

Ele suspira com impaciência, enquanto guarda sua varinha em suas vestes – por dentro da manga de sua blusa, onde ficava firmemente presa e acessível. Meu discurso já estava batido. Está não era a primeira vez que chegávamos a esse tópico.

Abraxas caminha em minha direção com a confiança que só um Malfoy poderia ter. O loiro era altivo, elegante, sempre muito bem arrumado, com traços marcantes e olhos irresistíveis. Sempre fui muito consciente de que seu poder de sedução não surtia efeito em mim, mas eu já havia visto garotas o suficiente sucumbir ao seu charme para saber que sua presença era marcante. Não como Riddle, que era quase hipnótico aos olhos, mas o suficiente para marca corações e intimidar adversários. Dou alguns passos hesitantes para trás. Ele para a uma distância relativamente curta.

Estudo seu rosto. Eu sempre consegui o decifrar.

— Não irei mais discutir isso com você, Granger. Temos opiniões contrárias e nunca chegamos em um entendimento – Fala, assumindo um semblante triste. Eu sabia o que viria a seguir, podia sentir em meus ossos. – Eu não sei o que vai acontecer a partir de agora, mas eu preciso te levar até ele. Se não for eu, será outro menos gentil, Hermione. Você não pode fugir. Tom colocou todos em sua procura. Eu só fui sortudo o suficiente para te encontrar antes de qualquer outro.

Ele estende sua mão para mim, oferecendo-me uma escolha; ir pacificamente ou não.

Respiro fundo. Eu não tive escolha ao vim parar quase cinquenta anos no passado, não escolhi me apaixonar pelo futuro maior bruxo das trevas de todo o mundo mágico, e eu com certeza não tinha escolha sobre ir ou não com Abraxas.

Ele estava me dando uma falsa sensação de controle, mas a verdade era que ele não permitiria que eu saísse daquele corredor sozinha, não voluntariamente pelo menos. E isso era uma das coisas que eu mais admirável nele, sua lealdade para com Tom.

Ah, o meu Tom! Poderíamos ter sido felizes juntos? Provavelmente não, se não fossem suas mentiras, teriam sido as minhas que acabariam com nossa relação, penso tristemente.

Desde o começo nossa relação estava fadada ao fracasso, mas eu mantive comigo a chama da esperança, que me aqueceu por muitos meses. Mas agora havia chegado a hora de apagá-la por completo. Minha partida deveria ter sido imperceptível até a chegada das primeiras aulas de amanhã, era esse o plano. Mas na minha rápida fuga acabei me descuidando e me deparando com Malfoy, que me procurava. Ele e todos os comensais a quais Tom conseguirá mobilizar a minha procura.

Olho para a mão estendida daquele que considero um grande amigo. Um frio tenebroso gela meu sangue. Nesses últimos dias eu realmente tinha feito coisas que justificariam minha estadia na Sonserina. E agora precisaria fazer mais uma, a última e mais dolorosa.

— Se você acha que irei tão facilmente, não me conhece tão bem, Malfoy – Declaro, empunhando minha varinha. E mais uma vez naquele dia, meu coração sangrou.

A traição deixa um gosto amargo na boca e eu já estava acostumada a senti-lo.

Ele se empertiga, surpreso.

Abro a boca para azara-lo, mas seu corpo despenca no chão antes que eu possa conjurar qualquer feitiço. Surpresa, encaro Morgana parada atrás dele.

— O que...

— Não temos tempo para isso, querida – Diz, sorrindo para o corpo estatelado no chão – Creio que chegou a hora de você ir embora.

— Como você...?

Ela balança a mão no ar, desdenhando das minhas dúvidas.

— Sem tempo estamos para perguntas e respostas – Ela caminha até mim, com seu vestido negro farfalhando com cada passada – É hora de ir. Você está com o vira-tempo no pescoço?

Faço que sim com a cabeça, desviando minha atenção para o corpo no chão, preocupa com seu estado.

— Ele está bem, apenas dormiu – Explica, parando ao meu lado – Chegou a hora, criança.

Fecho os olhos assim que o vira-tempo começa a brilhar, escutando sua doce voz entoar a mesma cantiga celta da primeira vez. Mas dessa vez não resisto, fico parada, de olhos fechados, apenas esperando o momento em que eu não estaria mais aonde meu coração pedia para mim ficar.

Eu te amo, Tom. Para sempre.

Notas finais
E então... Mereço comentários? O que acharam? Contem para mim!! PS: A demora do capítulo ocorreu devido a problemas de saúde. Peço mil desculpas. Amo vcs, meus anjinhos ❤️ E não irei desistir dessa fanfic nunca. É minha alegria de viver. Leitores fantasmas, pronunciem-se! Beijinhos saber despedidas dolorosas!!