Ouviu batidas fracas à porta, ele chegara no horário, como de costume. Pansy abriu a porta e sustentou o olhar fundo de Draco. Tinha olheiras e estava mais magro do que a última vez que o vira, há um mês. Seus olhos azuis dançaram pelo corpo da loira, que vestia um roupão de seda em cima da lingerie preta, que contrastava com sua pele alva. Ele não pôde deixar de sorrir, entrando em seu apartamento. Pansy morava sozinha em um flat em Londres. Tinha voltado à casa dos pais depois da guerra, mas sentia-se sozinha na Escócia. Voltara para Londres há dois anos, e arranjara um emprego como colunista no Profeta Diário. Preferia assim, participar do mundo bruxo, e não exilar-se nas frias ruas de Edimburgo.
Reencontrara Draco uma noite no Beco Diagonal, há um ano e meio. Seu filho estava em Hogwarts, seu casamento estava no auge, tinha subido de cargo no Dept de leis e magia, tudo estava bem. Mas aquele tempo acabara há alguns meses. Scorpion estava namorando Rose, a filha de Ron Weasley. Astoria se revelara uma mulher superficial, e eles agora tinham uma relação desgastada, já não compartilhavam alegrias, e nem o mesmo quarto. O trabalho estava ficando complicado. Pansy tinha a consciência que era a única parte divertida da vida de Draco.
Ela nunca tinha se casado. Sabia que Draco apenas casara-se com Astória porque ela havia sumido. A verdade era que Draco não amava ninguém. Não por ser muito frio ou calculista, sim por não ter essa habilidade. Ele apenas era egocêntrico e orgulhoso demais para amar alguém além de si mesmo. Pansy tinha dó dele quanto a esse assunto. Ela só havia se apaixonado uma vez: por ele. Foi por volta de seu terceiro ano, se apaixonara louca e profundamente por ele. E ele sabia. Dissera à ela que não podia retribuir seus sentimentos, e não poderia ficar com ela. Ele lhe oferecera um pouco de sua atenção, e se ela não quisesse, entenderia. Ela, tola e inocente, aceitou. Se encontravam e namoravam por várias vezes, mas ele nunca fora seu. Draco era galanteador e ela por várias vezes o via agarrando outras garotas nos corredores. Chorava, sofria, e voltava para ele, como se nada houvesse. Ela não tinha direito de cobrar fidelidade que ele nunca jurou, sempre fora honesto.

Mas, enquanto ele tirava sua roupa, e entrelaçavam seus corpos, ela sabia que, apesar de casado, ele nunca pertencera tanto a ela quanto agora.