Desintegração
2 Capítulo 2
Notas iniciais
É sobre o sofrimento de uma rapariga quando acaba a sua relação com o namorado, e como no fim apercebe-se que estava nas suas mãos o poder de o ter voltado a ter.
Na verdade, esta é uma das interpretações desta história, pois é possível interpretá-la de muitas outras maneiras, devido à sua subjectividade.
Era o momento mais feliz que eu alguma vez tinha vivido. Ele pertencia-me e eu a ele. Eramos um só. Mas, em instantes, tudo se desintegrou.
Tacteei tentando encontrar o seu calor, mas os meus braços agitavam-se no vazio. Tudo ficou negro e o seu rosto que sempre me parecera ter sido esculpido por anjos dissipou-se.
Fiquei sozinha a vaguear pelo vazio, apercebendo-me de que tudo o que eu sempre amara fora-me arrancado em segundos.
Avistei uma mínima, e quase imperceptível claridade. Aos trambolhões, aproximei-me, enquanto dos meus olhos jorravam lágrimas numa dança nostálgica.
Olhei em redor – já conseguia visualizar melhor o espaço onde acabara de entrar.
A abertura por onde entrara desmoronou-se e eu analisei o pequeno cubículo onde fiquei encurralada: não devia ter mais do que 1cm cúbico, as paredes eram cinzentas, e havia uma pequena janela no tecto de onde a insignificante luminosidade que eu vira entrava, permitindo assim, uma luz ténue no cubículo.
Entrei em pânico e contorci-me tentando libertar-me daquele espaço sufocante, e comecei a ter a sensação de que as paredes cada vez me apertavam mais.
Finalmente desisti de lutar e dei-me por vencida, e com os olhos húmidos, deixei-me cair e esperei pelo fim.
Foi quando ouvi um martelar. Olhei para cima e avistei os seus doces olhos verdes. Estes, tal como os meus, choravam, enquanto os seus punhos embatiam naquele vidro inquebrável. Olhei-o uma última vez, pois sabia que aquele vidro nunca cederia e que as vidas de ambos seguiriam caminhos opostos. Fechei os olhos com força prevendo o que se seguiria.
Deixando escapar gemidos de dor, todo o seu corpo se desintegrou numa gigante poça de sangue, tingindo todo o vidro de vermelho vivo… Deixava-me para sempre.
Só então me apercebi que a janela possuía um trinco no interior, perfeitamente ao meu alcance, e que o poder de nos voltarmos a encontrar sempre estivera nas minhas mãos, e eu nem me apercebera, deixando-o ir. Ele fora em vão.
Libertei-me e segui em frente, jurando que o iria esquecer para sempre.
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