Desilusões de Vandra
10 O segundo Capítulo 9, um final de verdade.
Notas iniciais
[ Farkes pov ]
Já estava para anoitecer, fazia 2 horas em que pressenti que Vandra tinha ido embora. E agora eu tenho que falar com Cristiano a pedido dela. Esse garoto só atrapalha mesmo... Bati várias palmas, ninguém atendeu. Dava para notar que tinha gente, o portão estava sem cadeado.
– CRISTIANOO! — Gritei, talvez assim me atenderiam.
Funcionou, ele veio até o portão, perguntando quem era. Estava com uma cara péssima.
– É o Farkes, vim falar a respeito de Vandra... — Forço um sorriso.
Sua expressão melhorou, e calmamente foi abrindo o portão.
– Entra ai cara.
Fomos até a sala, parecia que só havia ele em casa. Me acomodei no sofá, ele fez o mesmo. Começou a me fazer várias perguntas, como se eu fosse Deus e tivesse que dar explicações.
– Pra onde as pessoas vão quando morrem, pra onde Vandra foi?
– Calma ai pirralho. — Ele pareceu ofendido com o "pirralho". Não me importei, só tenho respeito com os espíritos, tenho que ter. Vai que Deus vê, não quero ir pro inferno não... – Como é que eu vou saber...? Ainda não morri, só morrendo mesmo. Vandra não queria esperar para descobrir, e se matou. Mas eu sei que ela se arrepende, e sabe por quê?
– Por quê...?
[ Flash back on ]
– Você tem que me ajudar Farkes, eu preciso ficar aqui... Não quero perder o Cris. — A olhei, esperando que continuasse. — Não minta pra mim, eu sei que tem um jeito de controlar essa outra energia, tem que ter.
– Hm... Isso é estranho....Você é a única que pediu para ficar... Tem certeza que ele vale tudo isso? Ficar presa aqui na Terra, correndo o risco de desaparecer pra sempre... É loucura.
– Não me importo... contanto que eu fique com ele. — Disse-me decidida.
– Você tem uma alma muito pura Vandra...Não vou permitir que faça isso, nunca.
[ Flash back off ]
Cris me olhava confuso.
– Eiii, Farkes, acorda cara! — Disse fazendo um movimento com a mão.– Você não me respondeu, por quê ela se arrepende?
– Por quê ela vai perder você pra sempre... mas isso depende da sua resposta.
– Resposta?
– É....ela pediu que eu viesse aqui, para te fazer uma pergunta...
[ Flash back on ]
– Já que você não vai me ajudar nisso... pelo menos faça o que vou te pedir...Por favor. — Disse Vandra, com um olhar suplicante.
– Tudo bem... me diga o que é.
– Eu vou esperar, até eu e ele nos reencontrarmos, mesmo que demore... Um amor de verdade não pode ser separado pelo tempo. Por isso preciso saber, saber se ele esperaria uma vida inteira por mim. Porque eu sim esperaria quantas vidas fosse preciso. E vou esperar, mas preciso saber se ele fará o mesmo, se ele me ama de verdade como eu o amo.
[ Flash back off ]
– Me diga... que pergunta? — Cris estava agoniado com o suspense.
– Vandra antes de ir, queria saber algo.
– O quê?
– Ela queria saber se você a esperaria... se esperaria uma vida inteira para poder revê-la e tê-la de novo. Uma coisa é certa, você pode dizer a resposta para mim mas ela nunca vai saber, uma vez que foi para onde tinha que ir.
O menino não estava nas melhores condições para ouvir tudo o que eu tinha a dizer, mas continuei. Afinal, qual seria a melhor hora? Existe uma boa hora? Talvez quando Vandra não passasse de uma vaga lembrança em sua mente... apesar que devido as circunstâncias, se têm muito o que aprender e pouco o que esquecer. E acredito que Cristiano sabe disso.
– Com toda a força que Vandra teve para permanecer aqui em vida pós-morte, é visível que realmente tinha assuntos pendentes. Não vou dizer que ela não deveria ter cometido suícidio e que um pouco de atenção teria impedido o que houve... dizer essas coisas é extremamente desnecessário, já que irá pensar nisso naturalmente. Eu queria dizer uma coisa que talvez você demore para ver e também para entender... Da mesma forma que não era o momento de Vandra ir, não era seu momento de ficar.
Após deixar frases encravadas, que talvez jamais sumirão, eu fui embora. Eu tenho que ir, é assim que as coisas funcionam, ninguém pode me encontrar, esse é o trato que tenho de seguir. Porém... deixarei as palavras, do mesmo modo que Vandra fez, para demonstrar que uma parte de mim pôde ficar.
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