Desilusões por Gabriel R. S. Cavaline.

Nascemos humanos. Isso já é premissa de que iremos passar pelas mais diversas situações em nossa vida, porém, com um diferencial que nos faz singulares a qualquer outro ser: a razão.

Mas o que seria a razão? Um raciocínio prévio antes de realizar algum ato? Um emaranhado de informações lógicas em nossa massa encefálica? Discordo de tal afirmação.

O amar é a expressão de toda fragilidade humana. De toda nossa confiança, fé, esperança, infantilidade, cegueira, entre muitos outros atributos próprios da humanidade.

Escrevo isso para tentar extrapolar o campo das ideias e trazer a luz toda carga emocional contida no meu ser.

Sabe quando escutamos uma música e instantaneamente lembramo-nos de uma pessoa? Ou quando passamos por um jardim e observamos a perfeição da Criação e sentimos que nada se compara a tal persona.

Exemplifico com esses casos particulares, mas sei que todos passamos por situações semelhantes a essas, por essa ruptura do campo racional e a abertura para a nossa total humanidade. E é essa abertura que é a maior causadora de nosso sofrimento.

Entregamo-nos por completo, nos preparamos horas para simplesmente poder observar seu sorriso, passamos por cima de nosso próprio orgulho apenas para um leve toque em sua pele.

Tolos...

Apesar de tudo parecer perfeito, nem sempre é essa a realidade, na verdade, a minoria das vezes. Devemos lembrar que não podemos sentir pela outra pessoa, temos o livre arbítrio. Maldito livre arbítrio!

Todo o tempo dedicado jogado ao Hades, toda a expressão emocional vinda dos Altos Céus desprezada como se fosse nada!

Por que as pessoas são tão más?! Será que elas não percebem o quão injustas estão sendo negando alto que se tornaria Eterno?!

Espere... Como sou egoísta...

Nem sempre o amor é uma via de mão dupla. Às vezes nossa percepção falha e é enganada pelo nosso próprio ser que nos diz: Ela te ama, vai em frente, não desista! E caímos nos encantamentos de Afrodite.

Tornamo-nos cegos, alvos fáceis para qualquer espírito enganador, perdemos a noção de realidade e pensamos estar vivendo um conto de fadas, quando na realidade estamos pagando por nossos pecados.

O que me resta são fragmentos do passado, partículas desunidas formando um ser, não mais humano, livre de emoções, pura razão.

Mas que doce desilusão...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!