Desilusão

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Olá! Finalmente consegui terminar este capítulo. Venho escrevendo-o entre partes por dias! Ando completamnete sem tempo. Bem, espero que gostem. E peço desculpas por qualquer erro. (:

Desilusão

“Ah o amor... que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê.” – Carlos Drummond de Andrade

Outra manhã. Preso aqui, entre estas quatro paredes que parecem insistir em lembrar-me de minha realidade. Às vezes irrito-me, quero quebrar todos os objetos, lançar um “Foda-se!” a tudo, poder caminhar lentamente sobre a luz do Sol e sentir a brisa despentear-me, porém lembro-me disto, de mim. De meu lado triste. Deste quarto e desta vida. Ao menos ainda consigo imaginar um futuro completamente diferente deste presente. E alegro-me por isto.

Não quero encher minha cabeça com pensamentos fúteis. O Sol está brilhando intensamente lá fora e não quero perder a oportunidade para pintar um pouco. Pelo menos ainda posso continuar o meu hobby aqui, claro que a paisagem não é das melhores, mas me contento em representar as crianças que ficam aqui. Elas também se divertem ao verem-se em minha tela, não tenho muita técnica, mas se as deixo feliz, fico assim também.

Mal toquei no café. Apenas dei algumas mordidas na maçã, parecia irresistível aos meus olhos. Levantei da cama e ao reparar em minha volta, vi minha foto com Tenma caída sobre o chão. Uma risada boba tomou conta de meus lábios quando percebi que realmente adormeci com ela. Minha memória falha ao tentar lembrar sobre o sonho, mas creio que foi lindo. Recolhi a foto com certa delicadeza, nada poderia acontecer a ela. Senti meus olhos serem tomados por lágrimas enquanto pensamentos loucos e sem fim sobre ele e eu vagavam em minha mente.

Seria tão surreal se ele me amasse como eu o amo.

Ser dominado pelos pensamentos sobre Tenma em minha cabeça me fará perder o momento de inspiração para pintar. Não quero que isto aconteça. Apesar de tudo, tenho outras coisas a fazer. E, perder esta linda manhã aqui dentro está fora de questão. Terminadas minha higiene matinal, abri uma das portas do armário no canto do quarto. Costumava a guardar meus materiais ali, em uma completa bagunça. Retirei apenas o básico, será algo rápido, sem tantos detalhes e delongas. Quero também escrever um pouco. Ando desorientado estes dias, sinto meu coração bater descontrolado, um suor frio tomar conta de minhas mãos e sinto-me tão feliz... Repentinamente. Mas, também acordo triste e com vontade de chorar em algumas manhãs... Pousei as duas mãos sobre meu rosto, tremiam. Respirei fundo. Estou tão confuso, que mal consigo raciocinar direito, são várias ideias sem fundamento e fantasias bobas passando-se sem fim em minha mente.

Ah! Ficar aqui não me ajudará em nada. Recolhi rapidamente algumas coisas necessárias e caminhei rapidamente até a porta, antes que mude de ideia. Como tudo anda atualmente, terei que torcer para não mudar de opinião sobre hoje e voltar a me trancar no quarto. Enquanto caminhava pelos corredores do hospital o silêncio pairava, sendo interrompido apenas pelos ruídos dos vários aparelhos. Apesar de várias pessoas em um vai e vem frenético passarem por mim com pranchetas, copos com café, medicamentos e estetoscópios, ouvia os mesmos ruídos dos mesmos aparelhos. As portas entre abertas revelavam diferentes tipos de pessoas, aparentemente felizes embora estejam aqui. Isto me deixa um pouco feliz e esperançoso. Logo chegará o dia, poderei cruzar a entrada deste lugar sem medo ou qualquer outro sentimento sem ser o de felicidade. Sinto o ar enchendo meus pulmões com mais vigor e por um instante, deliciei-me com a simples sensação de preencher a necessidade dos mesmos e inspirar, lentamente. Engraçado como um simples segundo pode ser tão agradável.

Terminado o corredor, cheguei até a grande recepção. Algumas pessoas pediam informações à enfermeira Fuyuppe, porém assim que percebeu minha presença os deixou de lado e veio até mim. Com certeza para me lembrar de ser proibida a saída do hospital sem autorização de algum médico e toda conversa de sempre. Apesar de tudo, gosto muito da companhia dela. Não sei, ela tem uma aura diferente. É realmente prazeroso quando podemos conversar, sem seus comentários sobre o hospital ou sobre eu sair escondido. É uma pequena calma e pequena luz, em meio a tudo isso.

Taiyou! É de grande alegria poder vê-lo se interessar pela pintura. Mesmo tendo um enorme talento, quase nunca pratica. – sorriu.

Não tenho inspirações aqui, você sabe. Quero aproveitar esta linda manhã e ver se consigo pensar em algo.

Boa sorte! Não posso demorar muito, te vejo depois? – perguntou, quase trocando de direção a minha.

Claro! Sabe onde encontrar-me.

Seguiu apressada e graciosa, como apenas ela consegue. Suspirei fundo e continuei, a saída do local estava há poucos passos. Meus braços sentiram o peso da tela e minha mão direita parecia não suportar mais os frascos com tintas e pincéis. Devo acelerar meus passos antes de necessitar alguma ajuda, isto está fora de cogitação. Esta situação me frustra, será possível que ao menos conseguirei carregar o que for preciso para algo em minha vida um dia? Não posso pensar nesta situação por este ângulo de modo algum, perderei o pouco de inspiração que me resta e com certeza sentirei-me abatido. Daqui por diante pensarei apenas em melhoras, um futuro feliz e doces. Aliás, faz um bom tempo que não vou a uma confeitaria, ah! Como preciso disto!

Parei a tela embaixo de uma árvore de belas folhas de tons alaranjados, tão bela. Creio nunca tê-la notado, incrivelmente. Ou talvez seja pelo deslumbrante toneamento de suas folhas. Talvez misturando alguns tons ache uma cor parecida com esta. E o céu ainda mantém a mesma estonteante cor azul de quando acordei, sinto-me acolhido pelos raios do Sol... O universo conspira a meu favor neste instante. Finalmente pude começar o esboço da árvore na tela. Linhas retas, formatos ovais e uma ponta de xingamento mais tarde, consegui chegar a perfeição... Bem, a perfeição do que se poderia ser feito neste instante.

Por mais belo e delicado fosse o toneamento das folhas, quero pintá-las com um verde forte, que seja capaz de dominar os olhos de quem o visse. E atrás da árvore um céu tão azul quanto os olhos dele... Tenma, a razão do esboço não tão perfeito e perfeito ao mesmo tempo. Levei a mão livre aos olhos, minhas pernas já doíam levemente devido a posição de lótus que assumi para começar a pintura, porém não devo desistir. Tenho várias pinturas que não consegui terminar pelo meu quarto e mais uma está fora de meus objetivos. Comecei a diluir as tintas e fazer misturas de verde, para achar o tal “verde dominante” que tanto quero. Talvez demore um par de horas até terminá-lo, mas estou animado. Quero oferecer este quadro a alguém quando estiver pronto. Se o conheço bem, com certeza gostará. Isto me deixa mais ansioso ainda! Espero que o guarde com carinho. Deverá alegrá-lo todos os dias e fazê-lo abrir um grande e lindo – admito. – sorriso. Acho melhor parar de pensar nas reações de quem o receberá e terminá-lo logo...

Taiyou! Que surpresa, mas nem tanto assim.

Esta voz... Este perfume... Não acredito! Finalmente, após tanto tempo. Tantas noites em claro e tantos pensamentos apaixonados... Seria Tenma?

Tenma! Surpreso... Por me encontrar... Aqui? Você é mesmo um... – as palavras lutavam em minha mente e garganta. Algo não permitia que falasse firmemente com ele. Droga!

Bobo? Esquecido? Ou talvez... Uma pessoa tão estúpida há ponto de ficar meses sem visitar um bom amigo? Sim, eu admito!

Amigo... Uma palavra tão simples, porém que machuca tanto. Como fui ser tão infantil ao achar que ele um dia poderia me ver de outra forma? Repreendo o maldito momento em que pensei em tamanha bobeira! E todos os outros capazes de me trazer onde estou hoje... Em uma ida sem direção, apaixonado por um “bom amigo”. Sinto-me profundamente estúpido.

Sem exageros, por favor. Iria dizer que é mesmo um toque de inocência em meio a tudo isto. – minha voz aparentava a evidente tristeza.

Inocência?! É... Talvez eu seja, Taiyou.

O enorme vazio chamado silêncio tomou conta de tudo no exato momento em que Tenma pronunciou a última frase. Segurei-me para não falar algo indevido. Resolvi “sentir” o silêncio e voltei a procurar o tom de verde. Ele, por sua vez, não parecia ao menos respirar. Admito ficar nervoso. Deixei os frascos e pincéis de lado, não quero estragar minha tela devido o nervosismo e a falta de atenção. Tenma, sempre tomando conta de mim. Até mesmo sem querer...

Você ficou chateado comigo?

Senti cada parte de meu corpo arrepiar-se quando Tenma disse isto, bem próximo ao meu ouvido. Com um tom doce e infantil em sua voz. Fico em dúvidas se ele fez isto para me provocar ou se foi algo sem intenção mesmo, devido ao seu jeito. Mas que merda!

De forma alguma.

Então demonstre. Abra um lindo sorriso e olhe em meus olhos...

Continuava com o rosto próximo. Levei as mãos à boca. Não queria que ele ouvisse minha respiração e pudesse perceber o nervosismo aparente. “Lindo sorriso” talvez Tenma pense... Não! Não! Não! Odeio este meu lado insistente, que sempre vê o lado aparentemente bom das coisas. Será possível?! Não há lado bom algum aqui!

Vamos, Taiyou!

E estou sem escolha. É melhor fazer isto rápido. Virei meu corpo com o máximo cuidado e lentidão. Pensando ainda mais no assunto, estou ficando estressado por nada. E quem disse algo contrário sobre de uma amizade não pode nascer o amor? Sorri ao vê-lo, mesmo sem querer, mesmo sem pensar... Apenas sorri. Seus grandes olhos azuis e sua expressão angelical sempre me arrancam um sorriso. Longe ou perto, por pensamento ou quando estamos tão próximos quanto agora, simplesmente amo Tenma. É mais forte que eu...

Tenma... – deixei minhas mãos deslizarem por seus cabelos. Ele reagiu, fechando os olhos e abrindo um grande sorriso. – É tão bom poder estar com você.

É bom estar ao seu lado também. Fico tão feliz por tê-lo junto a mim.

Droga! Seria pedir demais se este momento durasse para sempre? Se não, por favor que dure! Minhas mãos estão tremendo tanto, acho incrível ele não ter percebido. Ah, e creio que perdi o controle sobre qualquer coisa que possa vir a acontecer. É realmente incrível o que o amor faz, sem dúvidas.

Tenma?! Mas que diabos... Ah! É você.

Uma voz dominante ecoou por trás da árvore, com certa raiva no início da frase e alívio ao final. Quem será? Eu reconheço esta voz, não pode ser!

Tsurugi! Finalmente, meu amor!

M-meu amor? – a pergunta queimou dentro de mim e tive que fazê-la. Mais a mim mesmo do que a eles. Tenma e Tsurugi estariam... Ele levantou-se rapidamente e continuei parado ali... Como se tivessem arrancado uma parte de mim.

Sim. Tenma e eu estamos juntos. Você não sabia, Taiyou?

Oh, é mesmo. Não te contei como sou bobo!

Então é verdade. Mas Tenma e eu estavamos tão próximos até agora. Como se finalmente fosse haver algo entre nós. Algo realmente mágico! Era um momento perfeito, não é possível. Estou dentro de um terrivel pesadelo, é a única explicação. Quero gritar e chorar bastante, porém nem isto eu posso! Não vou demonstrar minha fraqueza e estragar a felicidade deles. Isto seria como estar implorando um pouco de atenção, e está fora de meus planos.

N-não se preocupe. Fico feliz por vocês. – finalmente tomei coragem para vê-los. Estavam abraçados junto à árvore, formam um belo casal, isto eu admito. Mas, seria muito cedo para desistir de uma possível “guerra”? – Se me permitem, irei voltar a pintar. É para alguém muito especial e não quero tardar a entregá-lo.

Nós também estamos de partida, vim apenas para ver meu irmão. E Tenma quis vê-lo. Bem, até mais!

Taiyou, quero ver este quadro terminado. Ficará lindo, tenho certeza! E, te vejo depois?

Claro! Já sabem onde encontrar-me.

E assim eles seguiram. Sorri forçadamente ao vê-los cruzarem a entrada do hospital. Continuaram abraçados e sorriam como se não pudessem estar mais apaixonados. Uma imensa raiva fluiu por meu corpo, não posso perdê-lo assim. Estou apaixonado por Tenma! Mas, de que adianta se ele ama Tsurugi? Como poderei reverter esta situação, como? O pior são estas malditas dúvidas. Queria poder apagá-lo de minha mente... E de meu coração. Por hora, continuarei a pintar este quadro e tentarei esquecer este assunto, por mais difícil que possa ser. Meu coração está um caos total, tentarei juntar os cacos e seguir em frente. Afinal, a vida continua.

Queria poder parar o tempo no momento em que te conheci, Tenma...

Notas finais
Então, gostaram? Vão aos reviews e me façam feliz, ou não.
Preparados para uma reviravolta? [Insira uma risada maléfica ao estilo Saga de Gêmeos aqui]
Até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.