Desespero

7 Lembranças de Esperança


Lembranças de Esperança

Sabe... Nem sempre conseguimos acreditar na realidade, às vezes, preferimos acreditar que tudo isso é um grande mal-entendido. Acreditar na realidade pode dilacerar corações. Acreditar na realidade pode desesperançar almas. Acreditar na realidade é o recomendável, mas enquanto não temos forças para confiar em tal, seguimos assim, desacreditando da verdade.

(Desconhecido)

Sakura não sabia o que fazer naquele momento, estava engasgando com sua própria respiração enquanto o coração solavancava no peito, bombeando o sangue com força por suas veias.

Diante de si, com os rostos quase colados um no outro, mais uma vez estava “ele”.

Os mesmos olhos insondáveis, a mesma ausência de expressão, os mesmos lábios rigidamente apertados e o mesmo halo desalinhado de seus cabelos da cor da meia-noite.

Antes que Sakura pudesse dizer ou até mesmo esboçar qualquer reação que não implicasse espanto, seus olhos cor de ébanos se voltaram para ela. Aqueles olhos intensos, pretos como as profundezas do oceano mais frio, das águas mais revoltas e turbulentas, encaravam-na como se fossem capazes de ver coisas muito além de sua figura horrorizada.

Ele a encarava como se pudesse ver sua alma.

A Jovem Haruno piscou apenas uma vez antes de sentir o calor que era emanado do corpo de seu ex-compaheiro de equipe se dissipar rapidamente, atingindo-a como um choque, fazendo com que seus joelhos cedessem e fossem de encontro ao chão, despertando-a para a verdade cruel:

Ele, Uchiha Sasuke, tinha acabado de perfurar seu tórax.

Ele tinha a atacado...

Com a intenção de matar.

Um milésimo de segundos depois dessa constatação, seus olhos se arregalaram enquanto uma nova informação era processada pelo seu cérebro: “Eu ainda estou viva.”

Sakura abaixou sua cabeça apenas por dois segundos a fim de ver os estragos que o ataque tinha causado, mas, para sua total surpresa, não existia nada. Apenas um buraco oco, sem órgãos a mostra, sem dor, sem sangue... Sem absolutamente nada.

A garota voltou-se estupefata para onde ele estava até poucos segundos atrás, mas ela simplesmente congelou diante da imagem que suas íris capitaram.

O rosto do Uchiha tinha traços perfeitamente interligados e as feições masculinas sutilmente acentuadas, como as entalhadas maçãs do rosto e o ângulo de seu queixo. Os lábios curvavam-se em uma linha reta, contidos e sérios. Pareciam quase marmorizados naquela carência de expressão.

As sobrancelhas elegantes e arqueadas uniam-se com suavidade no centro bem acima de seu nariz. Fios rebeldes emolduravam seu rosto. Eles conflitavam com a sua pele pálida.

Mas o que realmente atraiu a atenção da jovem foram os olhos, quase que ocultos por sua espessa franja, contudo, eles ainda transpareciam vívidos, calorosos, intensos e... Com algo mais. Talvez escondido, bem no fundo de sua imensidão particular. Algo que ela definitivamente não conseguia entender.

Mas, como em apenas um piscar de olhos, ele desapareceu.

Sakura, atônica, olhou para todas as direções desnorteada, porém não existia nada além dela naquele cenário solitário e morto.

Ela estava sozinha.

Ainda em um estado de espanto e confusão, a garota tentou se por de pé, tentativa falha, porém, pois suas pernas oscilaram e ela caiu de rosto em terra. Resoluta, no entanto, de que precisava se reerguer, ela tentou mais uma vez, e outra e mais outra até que finalmente conseguiu. Seus membros inferiores ainda estavam bambos, e talvez ela não aguentaria dar mais que três ou quatro passos. Contudo, desistência não era uma opção para a Haruno naquele momento.

Ela buscou manter a respiração controlada, acalmando o ritmo de seus batimentos cardíacos e cessar a tremedeira que tinha se apossado de suas mãos, mas, quando estava prestes a iniciar o primeiro movimento, sentiu uma mão ser depositada sobre seu ombro desnudo. Por um breve instante seu coração falhou uma batida e o ar faltou para os seus pulmões.

— Sasuke-kun?

Ele encontrava-se de pé, logo atrás dela. Sua mão esquerda permanecia sobre o ombro de Sakura que, por um mínimo e curto momento, jurou sentir o polegar de Sasuke acariciar sua pele já tão machucada.

Mas, ela acreditou que aquilo não passava de mais uma brincadeira de mal gosto da sua própria mente.

—Por-por quê...?

Como já era esperado da parte do Uchiha, nada foi dito.

—Isso... Tudo isso é um genjutsu – Ela questionou, mas já sabendo a resposta – não é?

Silêncio.

A menina sorriu minimamente, estava muito cansada – Não parece nostálgico para você? – Perguntou enquanto que o moreno retirava, finalmente, sua mão do ombro de Sakura – Como em nossa despedida? Você se lembra?

Após alguns segundos de um mórbido silêncio ele respondeu.

—Não.

Ela não estava surpresa.

—...Não. Claro. Por que você se lembraria de algo tão idiota não é? A declaração de uma menina patética! Qual a importância disso para o Vingador...? Você talvez nem se lembre do que eu disse naquele dia... Talvez não se lembre, também, do que eu disse antes de você me prender aqui.

Mais uma vez ele se calou.

—Sabe... As coisas que eu falei... – lágrimas começaram a descer por seu rosto – São todas reais. E-eu sempre soube em meu coração que não havia nada que eu pudesse fazer por você... Mas eu te amo! Não importa o que você fez ou deixou de fazer! Eu te amo!... É tão difícil assim entender?!

Algum tempo se passou, e quando Sakura estava prestes a acreditar que não receberia resposta alguma, ela se surpreendeu.

—Eu não vejo motivos para você me amar – A voz baixa e rouca de Sasuke se fez pressente próxima ao ouvido da Haruno – Honestamente? Eu não estou nem um pouco interessado em você.

Sim, aquilo a havia machucado.

Sim, aquilo a havia quebrado.

Mas, apesar disso, um sorriso pungente se pintou nos seus lábios pálidos e completamente rachados.

—Não... está? Então... Então me diga por que não me matou ainda?! – Questionou-o amargamente – Por que, ao invés de criar esse genjutsu, de me mostrar todas as coisas que vi até agora, você simplesmente não perfurou o meu coração com o seu chidori?! Não seria mais fácil?! Por que não acaba logo comigo? Quer sentir o gosto saboroso de ver o meu sofrimento? Libertar lembranças que fizeram com que eu me machucasse ainda mais, ao ponto de quase enlouquecer com tudo aquilo? Diga-me Sasuke!

—...

—Mais silêncio... Sempre silêncio... Tudo bem. E-eu n-não ligo mais para isso. Já estou acostumada.

“E, aproposito, eu tenho motivos para te amar sim... Muitos na verdade. Às vezes, amar a pessoa errada faz dela a pessoa certa... O coração não escolhe a quem vamos dar o amor, e-ele apenas escolhe amar. – As lágrimas continuavam a transitar por seu rosto de forma interrupta – Eu te amo, o que significa que não estou aqui apenas pelas partes boas... Estou aqui não importa o que. Mesmo depois de tudo o que passamos, não pense que guardo rancor pela vez em que você tentou me matar, eu estava lá com esse objetivo antes de você... – Encolheu os ombros cansados – Talvez, se eu tivesse realmente ido com você naquela época eu poderia ter feito algo diferente por você...”

“Mas...Eu... Eu sempre tive medo, e me escondi atrás de pessoas que eu julgava serem mais fortes que eu, sempre foi assim... – Sakura lutava para não deixar que sua voz se tornasse embargada – Pessoas que poderiam me proteger, pessoas com a qual eu pudesse me esconder e ser mantida em segurança... Porém... Naquele dia, na Floresta da Morte, eu vi o quanto era uma inútil – Lembranças e mais lembranças se faziam presente dentro do subconsciente de Sakura, que ao mesmo tempo também se mostravam nitidamente para Sasuke de alguma forma – Eu não pude proteger o Naruto... Nem você – Ela estava prestes a desmoronar – Não fui capaz de te impedir de ir embora. Não fui capaz de fazer algo quando você estava se afundando cada vez mais nas trevas.... Eu não passava de uma garotinha medrosa e irritante... Mas agora meu medo se foi! E eu quero te trazer do abismo para a luz! Posso não parecer forte, mas se assim tiver que ser, eu adquiro a força mil gigantes para te proteger Sasuke-kun... Você... Te amar... E ansiar te salvar... me tornou mais forte.”

Silêncio.

Eles foram engolidos pelo mais mórbido e causticante silêncio, onde apenas o som do choro da Haruno se fazia presente.

—Sakura... – Ele disse enquanto desembainhava sua Kusanagi.

O som da lâmina fez com que os olhos esmeraldas da garota se arregalassem. Seu tronco fez uma volta de 180° na direção do moreno, para que enfim, ambas as íris se encontrassem mais uma vez. Os dois permaneceram estagnados. Ele apontando a espada e ela com os punhos cerrados.

De alguma forma, como se soubesse o que estava por vir, Sakura fechou seus glóbulos oculares e aguardou pelo golpe final.

—... Você... é mesmo muito irritante.

Abrindo suas íris em um rompente, a única coisa que ela conseguiu ver foi à espada ser cravada no chão e os braços de seu amado rodearem seu corpo, enquanto que o rosto dele enterrava-se nos cabelos da flor de cerejeira.

Ambos caíram de joelho e permaneceram ali.

Sakura não conseguia entender o que estava acontecendo. Não mais. Eles permaneceram naquela posição durante alguns minutos, ou talvez horas, ela não sabia ao certo, até que Sasuke se afastou, e encarou a garota a sua frente com uma expressão que ninguém jamais o viu direcionar a qualquer outra pessoa.

Naquele momento, ela finalmente viu o que tanto seu Sasuke-kun tentou esconder.

—Obrigado e... Me desculpe, essa será a última vez.

...|I*I|...

“Uma última vez”.

A garota abriu novamente seus olhos, estava cansada de todas aquelas visões. Como das outras vezes, tentou entender onde estava, lamentando-se precocemente pelo o que quer que estivesse vindo novamente, mas tamanha foi sua surpresa ao ver a cena que se materializava diante de si que ela simplesmente travou em seu lugar.

“-O que você está fazendo aqui fora no meio da noite?”

“- Todos que querem sair da vila terão que passar por essa estrada... Sempre essa estrada.”

O garoto suspirou antes de ultrapassar a menina “—Você deveria voltar para a cama.”

A pequena cerejeira já estava em prantos, ela sabia que aquilo era uma despedida.

Enquanto isso, a Sakura mais velha assistia tudo ainda abismada, não conseguindo entender o porquê de Sasuke a mostrar isso mesmo depois de dizer que não se lembrava a pouquíssimos minutos atrás. No profundo do seu coração, ela o sentia se comprimir em seu peito, aquelas lembranças eram algo que ela jamais foi capaz de se esquecer.

“- Eu... Sempre deixo o Sasuke-kun irritado... Você ainda se lembra? – A versão jovem de Sasuke parou – De quando nos tornamos gennis, de quando formamos um grupo juntos... A primeira vez que eu falei com você sozinha você ficou furioso comigo.”

Ah... Sakura se lembrava, como ela se lembrava. As memórias passavam como um filme diante de si, mesclando-se ao cenário como uma pintura em sua constante construção. Ela era capaz de sentir até mesmo as emoções daqueles momentos, era terrivelmente confuso, porém igualmente nostálgico e satisfatório.

“Solidão... Não é algo que se possa comparar a levar uma bronca dos seus pais.

Por que... Por que você diz isso?”

“Porque ele sabe.” Sakura pensou. Ele, melhor do que ninguém, entendia a dor que Naruto sentia, algo que ela no seu egocentrismo nunca tinha conseguido enxergar naquela época.

“-Você... É irritante.”

“-... – Um silencio desconfortável os envolveu, a Sakura mais jovem encarava os próprios pés enquanto aguardava a resposta do companheiro. Esfregava as mãos uma na outra em agonia pela espera, sua respiração estava cada vez mais intercortada e descompassada, a ansiedade e a adrenalina emocional ameaçavam tomar o controle de seu corpo e aquilo só lhe trazia ainda mais desespero.

“-Eu não me lembro.” — Respondeu sem olha-la.

“-Hehe... — Riu sem graça – Foi o que eu pensei... Foi à tanto tempo atrás... Mas, desde aquele dia, Sasuke e eu, e Naruto e Kakashi-sensei... Nós quatro completamos muitas missões juntos. Foi cansativo e difícil... Mas, mais do que tudo... Isso me deixava feliz. Profundamente feliz.

“Eu sei... O que aconteceu com o seu clã... – Disse receosa, temendo a reação dele ao tocar num assunto tão delicado – Mas, uma coisa como a vingança... Não pode trazer felicidade a ninguém... Nem para você, nem para mim... Mas, eu...”

"- Como eu pensei... "— Ele a cortou.

“- O que?" — Respondeu com a voz dando uma leve esganiçada pela surpresa em ser interrompida.

“- Eu não sou como vocês – Sasuke mais jovem continuou – Nós temos caminhos diferentes que devemos seguir. Quando nós quatro estávamos completando missões juntos... Eu pensei que esse fosse o meu caminho. Mas, apesar de tudo... Meu coração me diz que eu sou um vingador, e que é para isso que eu vivo. Eu nunca vou ser como você ou Naruto."

“-Sasuke, você planeja ficar sozinho de novo então?! – Exaltou-se inconformada – Foi você que me fez entender sobre a dor da solidão! Agora, eu também sinto essa dor! Apesar de eu ter família e amigos... sem você na minha vida, Sasuke... Para mim... Eu... Eu ainda vou estar sozinha!”

“-... Esses são só os novos passos que devemos tomar – Expirou profundamente – Em nossos caminhos individuais.” – Como se aquela fosse sua deixa, ele voltou a andar na direção da saída da vila, porém mais uma vez sentiu seus pés serem cravados no chão ao ouvir a voz de choro e desesperada da sua companheira de time.

“- Eu...! Sasuke, eu te amo tanto que nem consigo suportar! – Ambas, tanto a mais jovem quanto a outra debulhavam em lágrimas profundas e amargas — Se você ficar comigo, eu prometo que não vai se arrepender disso! Todos os dias vão ser divertidos, eu posso fazer você feliz! Eu faço qualquer coisa por você, Sasuke! – Ela andava buscando alcançar seu amado – Então, por favor, eu tô implorando, não vá embora! Eu até te ajudo com a sua vingança, eu farei o que for preciso pra que ela aconteça, eu juro! Por favor, fique aqui, comigo... E se você não puder, então me leve com você, Sasuke!"

“-Você não mudou nada... — Um sorriso discreto se pintou nos finos lábios do rapaz, o que fez Sakura sentir um forte solavanco em seu coração, ela não se lembrava desse detalhe, talvez por culpa das lágrimas ou do medo de perde-lo, aquele momento havia se extraviado em suas memórias. Um sentimento inexplicável a estava invadindo, Sasuke sabia... De todas as vezes, ele se lembrava... – Continua irritante.”

“-NÃO VÁ! – O grito da Haruno mais nova a fez despertar de seus devaneios, o garoto já havia voltado a caminhar e a lembrança estava próxima do fim, ela podia sentir isso – Se você der mais um passo, eu vou gritar!"

Num movimento rápido ele se posicionou por trás da sua companheira. Ela ficou estática, os pelos de seus braços estavam arrepiados e o seu coração parecia prestes a saltar para fora, porém, no momento que o ouviu chamar seu nome, tudo pareceu parar.

"-Sakura... Obrigado."

E então a escuridão veio.

A pancada do golpe atingiu ambas e ela se preparou para o que viria a seguir, fechou firmemente seus olhos aguardando a negridão consumi-la mais uma vez, mas surpreendentemente, ao abri-los, a cena continuou.

Sasuke segurava firmemente seu eu mais jovem nos braços. Aproximou-se afim de ver melhor e pôde vislumbrar um aperto excessivo do Uchiha sobre a Haruno contra si, ele a amparava como se sua vida dependesse disso, a seguir, ela o viu cuidadosamente levanta-la, pegando-a no colo e depositando-a atenciosamente no banco que estava a beira do caminho. Ficou longos minutos a observando dormir, Sakura daria qualquer coisa para descobrir o que se passava na mente dele naquele momento, mas infelizmente seu pedido não foi atendido e precisou se contentar em apenas observar.

O tempo passou, ela não saberia dizer quanto, contudo, em dado momento, Sasuke começou a acariciar levemente a testa da jovem Kunoich, um fenômeno tão atípico que a Haruno se questionava se não tinha ido parar em um dos seus próprios sonhos sem perceber.

Entretanto, a cerejeira prendeu a respiração ao vê-lo aproximar-se cada vez mais da menina desacordada. Sasuke estava praticamente debruçado sobre ela, Sakura cerou os punhos em expectativa, não ousava si quer piscar, e quando finalmente viu os lábios do garoto selarem os dela, sentiu borboletas dançarem em seu ventre.

—“Me desculpe... Sakura.” — Ouviu-o sussurrar. Inconscientemente levou as mãos aos próprios lábios, como se pudesse sentir o mesmo toque.

E enfim, tudo se acabou.

...|I*I|...

“-Ela se foi.”

No momento em que fiquei impossibilitado de usar meu olho esquerdo eu soube que não seria capaz de manter Sakura dentro do genjutsu por muito mais tempo. Sim, estava plenamente ciente de tal fato, e bastou um simples e curto estalo surgir em minha mente para que minhas suspeitas se confirmassem.

Eu não tinha muito tempo.

Tentei ser o mais imparcial possível, para que de alguma forma minha identidade se perpetuasse sigilosa, mas talvez eu não tenha feito um trabalho tão bom. Mas eis que vos apresento a verdade: Eu estava ligado a cada pesadelo e a cada lembrança de Sakura Haruno. Discorrendo os fatos de uma forma que uma coisa se ligasse a outra. Mas admito... Nunca imaginei que ela seria capaz de fazer o que fez.

Se eu me sinto bem com tudo isso?

Não.

Foi necessário?

Sim, eu não correria o risco dela entrar no meio da minha batalha contra Naruto como foi na primeira vez. Kakashi não seria capaz de nos parar.

Mas isso já não importa mais.

Está acabado.

Eu vou carregar o ódio de todos.

Sozinho...

Eu, definitivamente consigo carregar esse ódio por minha própria conta. Eu posso lidar com isso. Sim, tenho certeza que sim. Todos os problemas que os shinobis enfrentarem, eu virei com soluções. Julgamentos, execuções, eu farei tudo isso! E me certificarei de que todo o ódio esteja centrado em mim.

Eu sou a pessoa que pode iluminar a escuridão que se encontra em todas as cinco Vilas. Em todo mundo Ninja. Aquele que pode passar por tudo isso e sobreviver.

Uma Revolução... Com isso, ninguém mais será vítima da escuridão, porque eu serei a escuridão. Eu vou construir um novo mundo a partir dos estilhaços do velho.

Eu vou destruir o passado.

Sim, eu sei que posso fazer isso.

Definitivamente, eu posso fazer isso... Não posso?

E a única coisa que restará para ser temida...

Serei eu mesmo.

—Adeus... – Eu disse para Naruto, e também a Sakura, mesmo que ela não pudesse ouvir, enquanto voltava-me para o garoto loiro e o encaro de joelhos aos meus pés – Meu único – Com isso... Eu finalmente vou ficar sozinho – Amigo.

...|I*I|...

Levantou-se bruscamente.

Grossas gotas de suor escorriam pelo seu rosto, ela estava ofegante e podia sentir as batidas descompassadas de seu coração quase o arrancando para fora do peito.

Por um milésimo de segundo, Sakura não se lembrou de nada. Sua mente estava em branco. Ela se sentia em branco, como uma página limpa, esperando para ser preenchida por dedos ágeis e habilidosos.

Mas então esse momento se foi.

“Meu nome é Haruno Sakura.

Tenho 17 anos.

Eu moro em Konoha.

Eu estava em uma guerra. A guerra acabou.

Nós vencemos a guerra.

Sasuke-kun quer uma revolução.

Eu me declarei para ele.

E ele tentou me matar.”

Um arrepio percorreu a sua espinha dorsal, como se os dedos espectros da própria morte acariciassem seus ossos, arrepiando todos os pelos de seu corpo. A jovem tateava desesperadamente seu peito em busca do buraco oco que outrora existia nele.

Memórias e mais memórias atravessavam sua mente de forma desconexa e desorganizada, tornando tudo ainda mais confuso.

“-MALDITO! Está me esnobando?! Ainda não terminei de dizer o que penso!” — A voz de Naruto despontou de repente dentro da mente de Sakura. – “ Seu estupido... Digo... Seu grande idiota! Baka! Baka!”

“Já falei que existe uma tradição sagrada! Usem o Selo de reconciliação!”

O desespero estava prestes a tomar conta de si, mas uma última imagem se fez nítida, estrondosa e gloriosa em sua mente.

A responsável por trazer a claridade de volta para a sua mente tão obscura.

—Acordou? – A jovem virou-se bruscamente para o homem que a havia tirado de seu transe. Os olhos negros de seu sensei cintilavam em preocupação.

—Já... É de manhã? Espere! E o Sasuke-kun e o Naruto?

—Devem estar tendo a última luta deles, para finalmente resolverem todos os assuntos pendentes.

Ela o encarou por apenas dois segundos antes de arregalar os olhos, se levantar e sair em disparada pelo terreno pedregoso. Haruno Sakura nem si quer deu ouvidos para os gritos do Hatake que vinham de trás de si. Ela, simplesmente, continuava correndo. E correndo e correndo. Sem nenhuma vez hesitar.

Sem nenhuma vez olhar para trás.

Ela iria até Naruto e Sasuke e pararia aquela luta infame. Estava decidida sobre tal e ninguém iria impedi-la. Ninguém! Não depois de viver tudo aquilo, não depois de se recordar daquela memória... Itachi havia lhe implorado. Não depois de entender algo que outrora não compreendia.

Aquela última imagem estava congelada em sua mente. Impossibilitando-a de ser retirada de lá, e isso apenas fazia com os pés da Haruno fossem ainda mais rápidos, seguindo na única direção que eles poderiam ir. Ela tinha como meta fazer algo que não pode fazer no genjutsu quando os olhos de seu amado se voltaram para si.

E uma lágrima escapou deles.

Sakura estava decidida.

Ela, definitivamente, iria salva-lo da escuridão.

...|I*I|...

Notas finais
~le se desviando de pedras Oi gente! Desculpa pelo sumiço! Ando sem tempo nenhum, mas, esta ai o último capítulo da finc.... É depois de um bucado de tempo, eu finalmente a terminei (Aleluia!) e me diverti muito escrevendo! Espero que vocês tenham gostado e vou postar o Epilogo(que não é bem um epilogo, mas okay) daqui a pouco. Espero ve-las em outros projeto aqui pelo Nyah! Sayonara Mi'na! Arigato!!!