Desespero

3 Espelho do Passado


Notas iniciais
Hai Mi'na! Tudo bem com vocês? Gostaria de fazer uma observação, não sei se todos conhecem a autora (diva) da Finc Midnight Walker, Deusa Nariko, mas foi um dos acontecimentos da finc dela, além do mangá é claro, que me inspiraram a escrever a finc. Por isso, algumas partes desse capítulo foram baseadas em uma visão que aconteceu na MW, ou seja, todos os direitos da ideia vão para a Deusa Nariko. Que os direitos sejam justos. Enfim, espero que gostem!

Espelho do Passado

O desespero é o maior dos nossos erros.

No topo do mundo ou nas profundezas do mesmo.

(Orion)

Seus olhos abriram-se sem pressa.

As pálpebras recuando-se enquanto Sakura piscava atônita, ajustando seus glóbulos oculares à falta de iluminação. Sua cabeça girava, a vertigem era agoniante e manchas escuras recaíram como gotas de petróleo sobre seus olhos. Era difícil associar o que estava acontecendo, mas Sakura insistia em lutar.

Devagar e com cuidado remexeu-se enquanto que seus músculos reclamavam pelo terreno desconfortável no qual repousava vosso corpo. Manteve-se imóvel por alguns minutos, que pareciam décadas, até que as manchas escuras se dissolvessem o bastante para que Sakura pudesse enxergar.

Conforme recuperava o domínio de seus sentidos, ela moveu o braço dormente, afastando algumas mechas de seu cabelo do rosto e constatando que estava deitada de bruços sobre algum tipo de terreno plano. Suas pernas nuas esfregaram uma conta a outra, e os dedos de seus pés retraíram-se instintivamente.

Suspirando em um misto de impaciência e desconforto, tomando coragem, colocou-se de pé de uma só vez. Achou que aquilo poderia agravar ainda mais as tonturas, mas curiosamente o efeito foi completamente o contrário. Seu corpo firmou-se e sua visão se abriu, começou a inspecionar o lugar mais detalhadamente enquanto retirava a terra que havia se acumulado no tecido de sua roupa.

A primeira impressão que seus olhos captaram deixou-a inquieta.

Ao que tudo indicava, ela se encontrava em uma aldeia. Reparou nas casinhas de madeira, nos poços artesianos, nas arvores marcadas com profundos cortes de laminas e, imediatamente, o seu cérebro fez as ligações. Se pudesse chutar um período ou época, certamente diria que se tratava da Konoha de sua infância.

Elevou os seus olhos para o céu, marcado com profundos tons cinzentos que mesclavam-se a negritude da atmosfera, melancolicamente pequenos feixes de luz iluminavam as extensões das ruas, o lugar estava inquietantemente silencioso e o uivo dos ventos conferiam o toque final para aquele cenário saído diretamente de um conto de terror.

Sakura desviou os seus olhos do céu e estes recaíram sobre seus pés, por algum motivo estranho ela estava descalça. Certamente passou por sua cabeça a pergunta do que tinha acontecido as suas botas ninjas, mas, depois de reconhecer que não obteria as respostas que tanto almejava tão cedo, pôs-se a caminhar com cuidado pelo terreno, evitando pequenas pedrinhas que se interpunham no seu caminho.

Ainda sim, alguns cascalhos acabaram fincando a pele alva da sola de seus pés, mas aquele não chegava a ser seu maior incomodo. O silêncio que pairava ali lhe parecia muito mais do que simplesmente assustador.

Seus olhos ainda corriam os contornos nuviosos das casinhas de madeira quando um vulto surgiu entre eles, movendo-se feito a brisa, ele esgueirou-se silenciosamente pelas sombras, mesclando-se em meio a elas e desaparecendo antes que Sakura tivesse a chance de deduzir do que se tratava.

—Ei! – exclamou, estendendo o braço e tentando detê-lo.

Mas era tarde.

Sozinha mais uma vez, ela não relutou contra a afoiteza que a impulsionava na direção daquele vulto. Sem hesitação ou temor, avançou por entre as casinhas aparentemente desabitadas, estagnando somente quando uma risada infantil invadiu seus ouvidos, o arrepio que se seguiu percorreu do alto da sua cabeça até as pontas dos pés, rompendo todo o silêncio sufocante de outrora.

A sombra disforme cruzou seu caminho e ela a seguiu antes mesmo que tivesse consciência de estar fazendo-o.

—Espere!

O vulto gargalhou inocente a sua frente, ignorando o pedido e lançando-se entre os humildes casebres de madeira.

A Haruno apressou-se em seguir a criança risonha.

Porém, depois das primeiras dezenas de passos largos e rápidos, ela estacou diante de uma casa um pouco mais elaborada que os outros tugúrios que tinha visto até então, mas ainda era simples, aconchegante, uma verdadeira casa de família.

Instantaneamente, o vento gelado transpassou-a de tal maneira que o calafrio em sua espinha quase a dobrou ao meio. Por pouco não caiu estatelada no chão ao notar uma presença bem atrás de si.

Devagar e hesitante, deixou que seus olhos recaíssem sobre a silhueta minúscula de uma menina. Era uma criança adorável de feições tão miúdas quanto inocentes. Os cabelos eram rosa e um tanto desalinhados, lisos, com uma espessa franja emoldurando seus olhos pequeninos e verdes como a esmeralda mais brilhante.

Sakura surpreendeu-se ao reconhecer alguns segundos depois que aquela criança era, na verdade, seu próprio eu.

Arregalou os olhos e exalou uma pesada lufada de ar através dos lábios escancarados. A garotinha mantinha-se impassível. Os lábios dela curvaram-se para baixo de forma melancólica enquanto os orbes concentravam-se no rosto atônito da Haruno mais velha.

Os pés delicados e nus, assim como os de Sakura, esfregavam-se no solo terroso.

A Haruno tentou sorrir para a menina, mas antes que pudesse fazê-lo, a garotinha deu meia-volta e correu novamente, disparando sob a escuridão da noite na direção da casa.

Dessa vez, Haruno Sakura não se conteve; correu atrás dela, esforçando-se para manter o ritmo para não perdê-la de vista.

Passo por passo, movia-se, tentando não prestar atenção na forma como o assoalho rangia sob os seus pés descalços. As mãos tateavam as paredes no escuro dando-a apoio suficiente para que não tropeçasse ou fosse ao chão.

Somente naquele momento lhe caiu a fixa de que aquela era, justamente, sua própria casa.

—Tem alguém aí? – apressou-se em chamar por qualquer alma viva que pudesse haver ali dentro – Otou-sama? Okaa-sama?

Pequenos ruídos assustadores pronunciavam-se no silêncio absoluto. Sakura engoliu em seco e tentou não dar atenção ao pânico que ameaçava domina-la.

Assim que o corredor terminou, viu-se diante de sua simples sala de estar. Aproximou-se relutante, o coração martelando com violência no peito enquanto as pontas de seus dedos formigavam.

Em questão de segundos, seu corpo foi completamente terrificado. Sangue começou a tingir sua visão de carmim, gritos ecoavam através de seus tímpanos e choros agoniados gelavam sua pele como flashes. Ela tentava desesperadamente se livrar das imagens, mas elas tornavam-se cada vez mais fortes, mais intensas, mais horripilantes. Corpos mutilados e estirados jaziam sobre o chão, os semblantes retorcidos em agonia e puro terror. Instintivamente, cobriu seus olhos a fim de se proteger dos borrifos de sangue enquanto mais e mais cadáveres tombavam ao seu derredor.

Desordenadas e repetitivas, as imagens desencadeavam uma onda de desespero dentro de Sakura, ela podia claramente sentir o cheiro de sangue, notar sua consistência enquanto ele derramava-se sobre o assoalho. Ela podia ouvir os pingos do liquido vermelho precipitar-se pela madeira do cômodo. Altos como um trovão. Melódicos como gotas de chuva.

Suas pernas bambas finalmente haviam alcançado o piso de madeira do centro da sala de estar quando os flashes encerraram-se abruptamente, libertando-a das cenas caóticas e sanguinárias.

Piscou a fim de clarear os pensamentos, estabilizar seus batimentos e a respiração. Enterrou os dedos nos fios de seus cabelos e tornou a abrir os olhos, surpreendendo-se por estar diante da figura da mesma menina outra vez.

Lágrimas silenciosas escorreram dos olhos da pequena flor, os quais eram ocultos pela franja espessa. Suas mãos tremiam ligeiramente enquanto a água quente e salgada jorrava de seus dutos lacrimais, pingando sobre o assoalho de madeira uma atrás da outra.

Clap. Clap.

Sakura foi incapaz de não associar esse som com o de sua visão, horripilante, de outrora.

A Jovem recuou por instinto, a mente oscilando entre se aproximar de seu ‘eu’ mais novo ou simplesmente fugir de uma vez dali. Sua respiração deu uma pontada quando, ao recuar outro passo, seu calcanhar chocou-se contra algo úmido e quente.

Pânico a dominou no mesmo instante em que permitia seus olhos recaírem sobre o volume estirado no assoalho. Não estava ali antes; um corpo masculino, imóvel, envolto em sangue com cortes profundos retalhando sua carne já morta. Aterrorizada, Sakura compreendeu que não se tratava de um corpo qualquer de uma pessoa qualquer dentro de sua casa, mas sim de alguém muito bem conhecido por ela.

Era o corpo de Kizashi Haruno.

Seu pai.

Instantaneamente, lágrimas começaram a transitar por sua face. Desespero apossou seu corpo, seus membros tremiam e o medo que agora ela era capaz de sentir parecia crescer, mais e mais, chegando a um ponto em que a sensação tornava-se insuportável Aquela era, sem dúvidas, uma cena que Sakura jamais desejou presenciar. Na verdade, isso talvez seja algo que ninguém, jamais, desejaria contemplar em vida.

Depois de alguns minutos, ou horas, ela não sabia ao certo, finalmente percebeu que não havia apenas o corpo dele ali, mas sim um outro, na verdade vários, talvez dúzias ou dezenas de milhares... Não queria contá-los de forma alguma.

E o pior de tudo, não eram corpos de pessoas desconhecidas, como ela tanto desejou que fossem, mas sim de sua mãe, Mebuki Haruno, de seus amigos, de Tsunade, de Naruto, de todos os habitantes de Konoha.

Todos contendo os mesmos cortes. Todos envoltos em sangue.

"Mortos..." ela disse para si mesma "Todos estão mortos".

Hesitantemente, deixou que seus olhos reencontrassem a figura estática da menina a sua frente, o coração sofrendo um forte solavanco no peito quando ela sustentou seus olhos verdes e opacos com os de Sakura.

O semblante pequenino enrugou-se e a Haruno mais velha cerrou os olhos desesperadamente tentando conter a onda de pavor que continuava a desestabiliza-la.

Ela apenas aguardou pelo fim.

Sabia que ele viria...

Inevitavelmente.

E então ele veio.

...|I*I|...

Notas finais
Desculpa gente, mas eu precisei parar ai, não dava mesmo para continuar sem perder a mágica da história, Gomen u.u Mas espero que tenham gostado! E não esqueçam de me dizer o que acharam! Beijos e até mais!