Desespero
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem.
O dia pesava como chumbo. Enquanto andava vagarosamente pela calçada, sentia todos os olhares em si, um peso de mil olhos fazia com que andasse com a cabeça baixa e os ombros curvados. As últimas palavras dela ainda ressoavam em sua mente.
Não conseguia acreditar que tudo o que passaram, tudo o que viveram juntos foi apenas uma mancha na vida das duas. Não, tudo o que passou não foi perda de tempo!
Sentiu uma angústia oprimindo seu peito. Queria gritar, mas não podia. Queria falar, mas sua voz estava perdida em algum recanto esquecido de seu peito; continuava a andar, um andar vagaroso, arrastado, sem vida. Sentiu uma lágrima escorrendo por seu rosto e parando em seus lábios entreabertos, experimentou, mais uma vez, o gosto amargo e salgado em sua boca. Quantas vezes não chorara por ela? Inúmeras, respondeu sua mente enquanto sua mão enxugava o rastro solitário que manchava a face.
Parou por um momento, seus pés novamente a levaram para lá. Recordações bombardearam sua, já debilitada, mente e seus joelhos cederam sob o peso delas. Agora as lágrimas escorriam livremente, não tinha ânimo nem vontade de pará-las, sua dor estava matando-a pouco a pouco e já tinha perdido as forças para lutar por sua vida.
As horas passaram como minutos, a noite chegou tal qual uma pantera a espreita de sua presa e a ameaça de chuva, que durara a tarde toda, tornava-se, agora, uma realidade.
Grossas gotas de chuva rasgaram o céu terminado por descansar na terra seca daquele lugar. Molhando, também, aquela alma destroçada pela dor da separação. Tal como um miraculoso bálsamo, a chuva lavou a alma ferida daquela garota tão jovem e, mesmo assim, tão marcada pela dor.
Ela tinha sido seu último refugio, sua última fortaleza e agora tudo havia desmoronado. Tudo pelo que por anos lutaram desabou em segundos deixando dor nesse coração.
“Foi um jogo, nada mais.”, aquelas palavras queimavam, como ferro em brasas, coração e mente. Não agüentava mais, então como renascida das chamas sua voz saiu na forma de um grito rouco, quase animalesco, enquanto seus punhos chocavam-se contra o solo. Uma, duas, três, quatro vezes gritou, enquanto castigava os punhos nas pedras que haviam no local. Não se importava mais se alguém ouvisse.
De repente parou exausta, seus gritos fizeram a garganta doer e pequenos filetes de sangue escorriam por suas mãos misturando-se com a lama que, momentos antes, era terra batida. Encolheu-se sentando em seus joelhos e ficou em posição semelhante a um feto. Por algum tempo deixou-se ficar assim, sentindo as gotas molharem mais suas roupas.
Estava tão alienada em sua dor que não ouviu quando alguém se aproximou de onde estava,nem notou que esta pessoa ajoelhava-se junto a ela, somente notou-lhe a presença quando delicados braços envolveram-na em um abraço protetor. Agarrou-se aquela pessoa que a consolava mudamente e novas lágrimas desceram por seus olhos. Ficou assim por alguns minutos, pois a sensação de proteção e conforto, de sentir-se amada, era tão boa que as lágrimas secaram, mas ela não saiu daquela posição. Não queria descobrir quem era aquela que estava ajudando-a.
— Quando partem nosso coração caímos sem forças, isso é aceitável. Levantar e seguir em frente é uma obrigação. – falou num tom materno, com voz de veludo.
— Mas estava tudo tão bem, não tinha porque acabar. – tentou explicar-se com a voz rouca de chorar.
— Você sabe que não era assim. – replicou, agora, com voz severa.
— Melissa esse namoro estava morto há muito e você sabe.
— Não! Não era assim, estávamos bem. Foi só uma briga, iríamos superar. – sussurrou, com a voz quebrada, tentando convencer-se disso. A amiga abraçou-a mais forte e voltou a falar.
— Ela estava traindo-te havia muito. Isso não é amor é somente desejo e ninguém vive só de desejo.
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