Desenterrando passados...
13 Encenação
Notas iniciais
Enquanto liamos os relatórios, algumas vezes eu parava para observar o homem ao meu lado, seus olhos azuis continuavam os mesmo de nove anos atrás, encantadores e cheios de vida, já sua aparência me parecia um pouco cansada, as marcas do tempo estavam se expondo em seu rosto e se... ele tivesse uma família? E se fosse um esposo fiel, seus filhos suportariam a perda de seu pai... mas que droga, no que eu estou pensando, está não sou eu. Já matei velhos, dormi com homens casados e assassinei mulheres inocentes, por que diabos eu estava hesitando por causa desse maldito cientista?
Reparei em suas mãos e vi que ele não usava aliança.
— Você está bem Catherine? – Disse me fitando, eu havia me perdido tanto em meus próprios devaneios que não notara que a algum tempo ele também estava me observando.
— Ah sim, desculpe, acabei me distraindo. Estava pensando em você... – Era hora do show. Vi seus lábios se contraírem em surpresa.
— E-Em mim? – Ele ainda parecia surpreso. Pobre homem, não fazia ideia no que estava prestes a cair.
— Sim, aposto que deve ter ficado preocupado por pegar um caso em que todos os responsáveis anteriores estão mortos!
— Ah isso. – Percebi uma certa decepção em sua voz. – Na verdade não, a equipe não gostou muito da ideia, mas em minha opinião, acho que será bem interessante brincar um pouco com O Fantasma, já que é isso que ele quer.
— Então quer dizer que toda a nossa equipe está envolvida no caso?
— Sim, está. – Merda, praguejei mentalmente. – Nem todos os membros da equipe anterior se envolverão no caso, e talvez seja essa a razão de não terem encontrado uma única pista desse cara, por isso resolvi que todo o nosso laboratório se engajaria na captura desse assassino, assim será mais fácil encontra-lo. – Mas que droga, agora eu teria de matar o Laboratório de Criminalística inteiro? Mas que roubada eu me meti.
— Tem razão.
— Aproposito, estou disposto a impedir que esse cara mate mais um de nosso pessoal.- Não conte com isso benzinho, farei o que for para não me enquadrarem e encontrar os culpados da morte de meus pais. – Mas e então vamos voltar aos relatórios, o que acha desse cara?
— Bem, pelo que foi relatado por seus colegas do outro turno, seu assassino é um cara extremamente calculista e meticuloso. Seus crimes começarão com a morte do investigador Bellow, e creio que esse assassinato não foi o primeiro que decolou sua carreira. Ele já tem histórico, por mais gênio e maníaco que um assassino seja, ele não é tão bom em sua primeira vez, precisa de mais pratica e para chegar nessa perfeição sem deixar um único rastro ele já teria de ter feito isso antes! – Tomei cuidado ao escolher cada fato para lhe relatar.
— Tem razão. – Ele voltou seus olhos para os relatórios, permaneceu em silencio por alguns minutos e por fim vi sua expressão se tornar um pouco severa. – Espere, acabamos de deixar passar um detalhe.
— Qual? – Perguntei hesitante.
— Em cada cena de crime ele deixou duas coisas, uma rosa e uma taça de vinho quebrada.
— E o que isso importa? – Arrependi em seguida de ter dito essas palavras.
— Você não vê? É a marca dele e eu já vi isso antes, foi a muito tempo atrás, eu ainda estava iniciando minha carreira de investigador quando meu mentor e eu fomos chamados para uma cena na WLVU, um professor sumira misteriosamente, ninguém sabia seu paradeiro e o único lugar que foi visto foi em sua sala particular no campus, quando entramos na sala, encontramos uma taça de vinho em pedaços no chão e uma rosa vermelha havia sido deixado sobre a poça de vinho derramado... oh céus já é tão tarde assim? – Disse olhando seu relógio de pulso. – Já passa da hora de libera-la, minha nossa como as horas passarão voando.
— Tem razão, mas não se preocupe, esses minutos a mais não me importam quando eu os passei ao lado de você, bem... boa noite, até amanhã.
— Boa noite Catherine. – Sai satisfeita daquela sala, mas acabei me lembrando de que meu carro estava na oficina e precisaria que Frederick me levasse até o apartamento em que alugara para meu disfarce de boa e honesta investigadora.
Sentei-me em cima de minha maleta no estacionamento e esperei o Doutor. Frederick estava demorando, mas que diabos aquele velho estaria fazendo a essa hora? Retirei meu celular do bolso do casaco e disquei seu numero:
— Sim Catherine?
— Onde você está?
— Sinto muito eu acabei me enrolando com os corpos que chegarão essa noite no necrotério.
— Então trate de terminar isso e vir me pegar, estou aqui no estacionamento esperando você, espere... esqueça, já arranjei uma forma de ir para casa! – Disse com um sorriso nos lábios e desliguei o celular.
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